Mafalda: uma garotinha com visão aguçada, por Ademir Pascale

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segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Flávia Reis e o livro Catassol, por Cida Simka e Sérgio Simka

Fale-nos sobre você.

Sou Flávia Reis, escritora paulistana, formada em Direito, mas tenho especialização em Literatura pela PUC/SP, mestrado em Letras na USP, escrevi, até agora, 8 livros de literatura voltada ao público infantil e juvenil. Em dezembro, publico o 9º livro de poemas para jovens e adultos. Faço um doutorado em Estudos Comparados de Literatura de Língua Portuguesa também na USP e escrevo crônicas para me divertir.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre o livro Catassol. O que a motivou a escrevê-lo?

Catassol nasceu num período em que estava muito ligada aos estudos das linguagens do imaginário, principalmente o Maravilhoso, o Fantástico e o nonsense, na Literatura para crianças e jovens. Sempre admirei as girafas, descobri que é um animal considerado silencioso, não emite sons e, além disso, tem incrível constituição física. Resolvi criar uma girafa fantástica, furta-cor que assume a cor dos lugares para onde vai. Ela anda pelo mundo carregando o sol, tentando buscar companhia e oferece este sol para aquecer e iluminar os outros animais. Mas ninguém liga para ela e a ignoram. Ela não quer ficar sozinha e continua a sua jornada até que vai parar na Bahia!

Catassol tem muitas curiosidades, animais incomuns como porco-espinho, bicho-pau, lagópode, leopardo-das-neves que, normalmente, não são apresentados às crianças. E, por fim, a personagem do caracol, que tem “antenas”, um espiral em seu casco, e, portanto, detentor de grande simbolismo. Não é uma narrativa fácil de escrever, exige um cuidado enorme e busquei ficar longe do lugar-comum e mantê-la ao mesmo tempo simples e fácil de ler. 

Fale-nos sobre seus outros livros.

Como disse, meus trabalhos, até agora, foram voltados para o público mirim e juvenil, estou atualmente trabalhando para relançar uma coleção histórica de 3 livros sobre As Aventuras de Bernardo, que se passa no final do Brasil Império e tem personagens de imaginação e personagens reais, como D. Pedro II, a princesa Isabel, Barbosa Rodrigues, Peter Lund, que será lançado por uma editora que ainda não posso revelar. 

Tem também o Artimanha (Ed. do Brasil), em que a Arte é a personagem e Os Perguntadores da Garrafa (Moderna), sobre filosofia para crianças, são dois trabalhos de segmento paradidático, ótimos para professores e alunos de fundamental I e II. 

Livros infantis:  Catassol (Nversinhos) e De Vários Jeitos (Callis), que são para crianças menores.  

Além desses, tem o Tempo de Beijar (Callis), que é um livro-diário legal para meninas de 12 anos que estejam na iniciação da adolescência.

Durante a pandemia e o isolamento social, escrevi um livro de poemas, deixando minha contribuição histórico-literária do momento. O livro será lançado agora no final do ano pela Editora Reformatório, marcando estreia para ao público adulto. Mas ele alcança os jovens também. O título é surpresa! Só conto depois do parto.

Como analisa a literatura infantil publicada no país?

A Literatura infantil e juvenil publicada no Brasil atualmente tem duas vertentes que se vinculam, num primeiro momento: o mercado editorial, que acaba ditando algumas tendências de temáticas, baseando-se em demandas sociais contemporâneas, induzindo livros que levem aos jovens leitores discussões do momento; a outra é o campo pedagógico na escola, com temáticas transversais, ligadas às disciplinas, que passam a requerer livros que atendam a essas necessidades. De qualquer forma, não se pode negar que a literatura infantil está ligada à aprendizagem da criança, de alguma forma. E não dá pra não admitir isso! Em que pese a sua necessidade de apenas ser arte. Costumo dizer que o mercado é uma grande selva, repleta de títulos e propostas de todo jeito, algumas mais selvagens do que outras e salve-se quem puder! Mas dentro dessa infinidade de projetos, tem se destacado agora uma tendência de livros literários mais complexos, aliados às artes plásticas, cinematográficas, oferecendo linguagens híbridas distintas, ilustrações e projetos gráficos muito apurados, cuidado estético e de grande beleza, dignos de vernissage. No entanto, essas obras captam os leitores adultos e cultos, mas não tenho certeza se conquistam de forma efetiva o leitor mirim, a ponto de penetrar em seu imaginário. A criança necessita de simplicidade, clareza. Ao ser iniciada às letras, antes de tudo, ela procura ler as imagens, cores, movimentos, formas. É por isso que livros como Catassol, cujas ilustrações feitas por Carla Caruso, e projeto gráfico de Adriana Fernandes, contêm um projeto nessa medida: possuem colagens curiosas, coloridas, vivas, cuidadosas, bem-humoradas, singeleza. No plano literário oferecem rimas, frases curtas, exclamações, estabelecendo a conexão que interessa aos pequeninos.

Fale-nos sobre sua pesquisa de doutorado.

Estudo, basicamente, um tripé que movimenta a arte literária para crianças e jovens: o Imaginário, a cultura e a liberdade. É uma pesquisa delicada, que está me dando um trabalhão, mas estou aprendendo bastante a articular o pensamento teórico e crítico, tentando me fazer útil de alguma forma, neste nosso Brasil que tanto precisa de educação. Da minha parte, é como posso contribuir.


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019) e O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020). Organizadora dos livros: Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020) e Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020). Colunista da Revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela Editora Uirapuru. Membro do Conselho Editorial da Editora Pumpkin e colunista da Revista Conexão Literatura. Seu mais novo livro se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020).

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