Livros que foram rejeitados pelas editoras - 15 motivos para você autor(a) continuar tentando

Tirando os youtubers famosos, a maioria dos escritores já tiveram seus livros rejeitados por algumas (ou inúmeras) editoras. Eu també...

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terça-feira, 26 de outubro de 2021

Entrevista com o escritor Obam ɛ Ɛdhuu

Obam ɛ Ɛdhuu - Foto divulgação

Obam ɛ Ɛdhuu
, nascido em 1993 em Makokou (Gabão), é kweléfono, kotáfono, francófono, e estudante gabonês no Brasil. Tem formação em Letras Português-Inglês na Universidade Federal de Pelotas (2016-2019). Atualmente mestrando em Letras (Estudos da Linguagem) na Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Além de escrever poemas em francês, português e inglês, escreve também poemas em línguas africanas para a divulgação do lirismo e das filosofias ancestrais africanos. 

ENTREVISTA: 

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário? 

Obam ɛ Ɛdhuu: Desde a adolescência sempre gostava de transcrever o que eu pensava. Era mais palpável ver meus pensamentos escritos. Mas, naquela época não tinha na mente a ideia de publicar um dia. É na faculdade que entendi a importância de publicar. Por isso, comecei a escrever poesia, primeiro gênero de predileção, nas línguas bekwel e francesa. Minha escolha e necessidade para um lirismo kweléfono e de outros idiomas africanos surge por uma carência bibliográfica autóctone que observei, e um desejo de preencher esse vácuo, isto é, produzir eu mesmo uma literatura que, no futuro, servirá de material de estudo e análise literários e linguísticos das línguas africanas. 

Conexão Literatura: Você já participou como coautor das antologias Poesia ao luar 2, Antologia dos melhores poemas 1 e Coletânea de poemas, além de publicações poéticas em bekwel e francês em revistas, como Revista Njinga e Sepé, Jornal Relevo, Revista Philos, Revista Literatura e Fechadura, Revista Caleidoscópio e The Decolonial Passage. Poderia comentar sobre a importância da participação de um autor em antologias e revistas literárias? 

Obam ɛ Ɛdhuu: Participar em antologias e revistas literárias permite divulgar o trabalho de um autor e torná-lo accessível a um grande público. O autor descobre outros nomes e trabalhos, e aparece junto com eles nesse espaço literário. Ademais, o público de um certo autor poderá se deparar com o trabalho de outros autores da antologia. Há então laços e conexões feitos, uma rede de autores e leitores. 

Conexão Literatura: Você também é autor do livro de poesia Mɛkwa mɛ mut (Palavras do ser), escrito nas línguas ikota e bekwel, publicado pela Editora Letraria, e vendido em formato ebook no site da Editora. Poderia comentar? 

Obam ɛ Ɛdhuu: Essa obra poética põe em cena o lirismo africano em línguas africanas, e aborda várias temáticas entre as quais a escrituralidade das línguas africanas e uma intelectualização autóctone. Nessa obra, convido os africanos a dar um valor intelectual e científico a suas línguas e filosofias. E do outro lado, convido o mundo a ver e ouvir nossas vozes como fazemos com as vozes do mundo.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho que você acha especial em seu livro?  

Obam ɛ Ɛdhuu: O trecho que resume a obra seria aquele do poema Simsail ɛ Kama (O filósofo negro), Ɛdjek mɛkana ɛ djoŋ/Aa sa yɔ/Yɛ ɛ ɛsa náá/Nyɛ dik kukuma yɔ (Aprender a filosofia alheia/Sem fazer a nossa/É fazer do outro/Dono de si). É o ponto crucial do desejo de emancipação do eu-lírico, que quer ser autor e consumidor do seu próprio conhecimento, um conhecimento parido a partir de uma auto-referencialidade (referência à ancestralidade).

Conexão Literatura: Você também auxilia e supervisiona autores? 

Obam ɛ Ɛdhuu: Sim. Meu projeto da elaboração da Literatura Africana em línguas africanas me levou a incluir africanos no processo da emergência dessa Literatura, pois a realidade é que há africanos não letrados nas línguas coloniais, os quais são detentores de filosofias ancestrais na sua forma original. Acho que dar-lhes a oportunidade de expressar esse conhecimento nos seus idiomas respetivos é um passo para a descolonização linguística e literária. Alguns desses autores já participaram de algumas antologias da Revista Conexão Literatura. Nesse cenário, eu sou como uma ponte entre eles e as editoras, um tipo de agente literário. 

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário? 

Obam ɛ Ɛdhuu: Tenho contas de Facebook, Instagram, e um canal Youtube (Mɛkana mɛ Kama) onde divulgo meu trabalho. São plataformas mais acessíveis hoje para saber um pouco sobre mim e o que faço. 

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta? 

Obam ɛ Ɛdhuu: Em colaboração com oralitários (autores de oralitura), trabalhamos na escrita de contos tradicionais em seus idiomas de partida. Com esse projeto, queremos fazer uma transição da oralidade para a escrituralidade, não com o desejo de apagar a oralidade (uma arte africana), mas para permitir uma coexistência do orador e do escriba ou scriptor. 

Perguntas rápidas: 

Um livro: Tata Nzambi

Um (a) autor (a): Dibombari Mbock

Um ator ou atriz: Viola Davis

Um filme: Fences

Um dia especial: Sábado 

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário? 

Obam ɛ Ɛdhuu: Agradeço a Nzambe (Criador) e a Ziza (Nigromusa) pela inspiração e a oportunidade de fazer ouvir as vozes ancestrais, a Revista Conexão Literatura e outras editoras sendo plataformas que levam essas vozes para os olhos e ouvidos do mundo. 

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