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terça-feira, 1 de setembro de 2020

O Lirismo: Tradição e Contemporaneidade - Por Edner Morelli


*Por Edner Morelli

De início, não temos como passar desapercebido pelo título da obra Triz, de Rachel Ventura Rabello (Penalux, 2020), percebendo uma reunião de poemas que trazem um diálogo com nossa tradição lírica, bem ao gosto de um Bandeira ou Cecília. Triz nos remonta uma espectro de limite. Da autora? Do livro? A seguir esses versos são elucidativos: “vivo esperando o dia / enquanto / espero  noite / não é agora / nunca gora / só depois”. A poetademonstra-se, destarte, essa marca da ideia de uma situação à beira, sempre em estrutura, de síntese, do vir-e-não vir, tão caro aos modernistas de 22. Será que o “triz” não se confunde com a voz poética? A autora dialoga explicitamente com a marca modernista da síntese, a saber: o verso preciso, a economia verbal e a imagem fragmentada; além do mais, a musicalidade peculiar, em algumas passagens, me lembrou de Eunice Arruda. A poeta tem como espectro a ideia do vocabulário que ora dialoga com a tradição, mas com outros contornos de subjetividades. É numa obra que engloba elementos de uma tradição da lírica bem os moldes de uma Ana Cristina Cesar (por que não?). Estamos diante de uma poeta antenada com a contemporaneidade e com a tradição. A saber, a verdade poética do enigma do tempo é uma verdade que dialoga com a primeira camada poética que salta aos olhos: a passagem do tempo e nossa pequenez diante desse fato, mas, depois de inúmeras leituras, percebemos estarmos diante de uma busca incessante entre o paradoxo temporal de estar presente com a sombra do quase não existir. Explicito: parece-me que a busca em toda a obra traz um certo ajustamento, ou não, com o tempo transcorrido, tempo esse que já faz parte de um atmosfera memorialista da própria autora. Vale ressaltar a condição de angústia, termo tão caro aos Filósofos. O triz, o quase existir, dialoga com o espaço temporal do eu poético, ou seja, o ambiente do triz aqui constitui pano arquitetônico da obra. Dito de outro modo: há nesses versos uma incessante busca de se encaixar no tempo e de entremear desilusões amorosas, metalinguísticas e um gostinho de desajuste. Quem nunca? Em alguns momentos o objeto de desejo do eu poético é um caminho sem volta do amor que se escapou, bem aos moldes da lírica medieval. A leitura dessa obra vale muito a pena por amalgamar a tradição lírica portuguesa aos ditames da pós-modernidade. E por que não um diálogo pós-moderno com a tradição? Aventuremos...

RESENHISTA
*Edner Morelli é mestre em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP e atua como professor de Teoria da Literatura e Literatura em Língua Portuguesa. Líquido, seu quarto livro de poemas, foi lançado neste ano pela editora Penalux.

SERVIÇOS
Triz, Rachel Ventura Rabello – poesia (76 p.), R$ 38 (Penalux, 2020).
Link para compra:
https://www.editorapenalux.com.br/loja/triz

A AUTORA
Rachel Ventura Rabello nasceu no Rio de Janeiro em 1990. Autora do livro Em mãos (In media Res, RJ), é poeta, mestra em Teoria da Literatura e Literatura Comparada (UERJ) e professora. Triz é seu segundo livro de poemas.
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quarta-feira, 10 de junho de 2020

Poemas por um triz - Autora lida com o tema da transitoriedade em seu segundo livro


Todos já ouviram a palavra “triz”. Geralmente associada à expressão “por um triz”, que, em linhas gerais, significa ficar sob a eminência de algo. “Foi por um triz”, dizemos quando querendo expressar que foi “quase”, foi “por pouco”, “faltou um tantinho assim, ó”. Mas “triz” também significa “átimo”. Significa “quase nada”. 
Espanta, portanto, que uma palavra de aparentemente tão limitadas acepções possa ser tema de um livro, como é o caso da segunda publicação da autora Rachel Ventura Rabello, em lançamento pela Editora Penalux. Livro que se propõe a explorar poeticamente o amplo campo semântico da palavra que lhe dá título: Triz.
Indo mais fundo na acepção, a obra tem como proposta promover a reflexão sobre o medo de viver plenamente (um momento, um sentimento, uma experiência) e também sobre o medo de nos entregarmos a alguém. Afinal, estamos “sempre a um passo da total entrega”, como diria o poeta Paulo César Pinheiro. 
Diversos poemas no livro contemplam essa definição da palavra triz. Outros são mais despretensiosos, dando enfoque à definição menos usual da palavra (“pequena diferença, quase nada”), e chamam a atenção para o fato de a vida ser também repleta desses vazios, desses momentos ínfimos, íntimos e, quase sempre, banais. 
Mas, como a acepção mais conhecida da palavra é dentro da expressão “por um triz”, há diversos poemas do livro que dialogam com essa acepção. 
“Os gregos acreditavam que existia uma linha invisível que separava deuses e mortais”, explica a autora. “E que os artistas eram os únicos mortais capazes de cruzá-la e voltar dela sem enlouquecer. Deste modo, o livro flerta com o perigo, com a famosa frase de Riobaldo, em Grande sertão: veredas: ‘viver é muito perigoso’”, reflete. “Estamos sempre por um triz, por uma linha...”
Para Masé Lemos, poeta e Doutora em Letras, Rachel explora “novas possibilidades da lírica contemporânea”. Ela vai “além da melodia clássica, da tradição romântica ou da impessoalidade moderna”. Em sua nova obra, um “livro delicado, mas perigoso, predomina a poética do instante e do quase nada. A simplicidade vocabular escolhida pela poeta cria um mundo muito próximo e concreto, mas sua dicção lírica singular provoca enervamentos rítmicos pelo uso preciso e sutil da rima e dos cortes e cesuras presentes em seus versos. O livro constrói uma lírica no feminino, mote principal deste livro inteligente”.
A autora enxerga seu trabalho poético como uma exploração subjetiva e metafísica. Explica: “Embora a questão do feminino esteja muito presente, a abordagem que traço é menos política que visceral, explorando questões anímicas a partir do corpo e da escrita”. 
O livro, que se encontra em pré-venda, já pode ser encomendado por meio da livraria on-line da editora. 

Abaixo um poema do livro:

aquela

eu sou aquela que partiu
virou sombra
aquela cuja lembrança se esvaiu
seu rosto é um borrão com dentes
um vago som de risadas
corpo feito de água
fluindo, fluindo...
eu sou aquela que sumiu
cujo nome ecoa nos vales
em segredo:
eu sou aquela que tem medo.



SERVIÇOS
Triz, Rachel Ventura Rabello – poesia (76 p.), R$ 38 (Penalux, 2020). 
Link para compra:

A AUTORA
Rachel Ventura Rabello nasceu no Rio de Janeiro em 1990. Autora do livro Em mãos (In media Res, RJ), é poeta, mestra em Teoria da Literatura e Literatura Comparada (UERJ) e professora. Triz é seu segundo livro de poemas.
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