Resenha da série Altered Carbon (NetFlix), baseada no livro de mesmo título, por Ademir Pascale

SOBRE O LIVRO: Carbono alterado é o eletrizante thriller de ficção científica que inspirou a série da Netflix. No século XXV, a humanidade ...

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quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Conto "Estou deitado numa cama de pregos e uma naja filipina prepara seu bote...", por Roberto Fiori

Androide Bartender - Divulgação

             Willigstrasse. A rua dos prostíbulos. As janelas de um deles, fechadas, exceto uma. A que mostra dois amantes enlaçados, presos em uma roda temporal que gira e conduz ao passado e ao futuro. No momento, estão presos em 10.550 d.C., na parte inferior do mecanismo, mas se fazem ideia de que podem ser observados daqui, em Bremen, Alemanha, no ano de 2181, isso ninguém sabe.

Estou trajando manto negro e capuz marrom-escuro. Fito a roda do tempo se mover por um tricentésimo de ano, de um degrau para o outro, ao redor da escadaria circular construída por hábeis artesãos, há muito e muito tempo, em mundos de gelo e fogo. No outro lado da rua, curvo a esquina da rua do Pecado Genial com a alameda dos Miosótis Condenados. Esqueço por um momento a cena erótica e entro em uma espelunca barata, cheirando a Steinhegger e a Tequilla mexicana.

O procedimento é o mesmo. Enfio a moeda cunhada na Década do Liberalismo na ranhura do balcão polido de forma esmerada pelo dono do estabelecimento. A porta dos fundos se abre, um androide surge.

— O que quer?

— St. Vitus me enviou. O tempo urge.

— Para você, decerto. O Tempo é o mesmo para quem passa por Willigstrasse e para quem está aqui.

Fui seguido. Detesto isso. Mas o bairro é autêntico, feito para que se jogasse com o Destino, e os perdedores eram atirados no vácuo temporal do infinito sem fim. Esperei. A máquina dá meia volta e eu brado:

— Você está a um passo de dividir a roda temporal com aquele casal de amantes, androide. Nessa vizinhança, vocês não são os únicos a andarem armados. Das costas do robô humanoide abre-se uma portinhola. Odeio quando essas máquinas se fazem de espertas. Seu convencimento a leva a disparar um “laser” de baixa potência, que é absorvido por meu manto, quando me defendo, dando as costas para o facho de energia vaporizadora. Um tremor vai abalando o estabelecimento e o androide começa a vibrar. Calculei sua desmaterialização de nossa seta temporal em dez segundos, junto de todo o quarteirão.

— Vai querer conversar sem truques, dessa vez? Eu posso mudar seu Destino, que está em curso — a máquina falava, tremendo:

— E...e...e...est...tá...certo, combi... na... do! — Apertei um fecho no interior de minha roupa e tudo parou de tremer. O robô balançou para frente e para trás por alguns segundos, chacoalhando, mas conseguiu recuperar seu equilíbrio.

— Agora me diga, robô. Onde Jeremiah pode ser encontrado?

A voz átona do androide soou alta, como se ele estivesse querendo dizer algo importante:

— Willigstrasse, 92, quinto andar, bloco D, apartamentos 501 e 502.

Aquele pedaço de metal apoiou-se no balcão de atendimento, sem ousar me encarar. 

Foi fácil arrombar a porta do prédio brilhante como se feito de tijolos recém-cozidos. Em silêncio, entrei no átrio do pequeno edifício, me dirigindo para a entrada, um pouco afastada da rua. Outra fechadura padrão destravada e eu estava dentro do prédio. Vazio, sem mobília, o saguão de entrada era silencioso como um túmulo. Caminhei até as escadas, ignorando o elevador informatizado. Armadilha escondida por trás de tecnologia de ponta.

Subi os degraus e dei com o quinto andar. Fiquei imóvel, como uma estátua. Ouvi a flecha com ponta explosiva no momento em que foi disparada. Acocorei-me e levantei o braço direito. Senti, quando o artefato se fixou entre meus dedos. Joguei a coisa de volta para onde veio. A detonação abriu um buraco nas paredes dos prédios geminados. Alguém saiu do apartamento no fim do corredor e saltou para o outro edifício. Pressionei a presilha de metal, dentro de minhas vestes, e o homem foi dividido em dois, suas metades se espalhando como pedaços de carne em um açougue pelo chão do corredor. Sangue lavou o piso imundo do prédio.

Retornei ao corredor e levantei os olhos. 505 era o número do apartamento defronte à escadaria. Sem o mínimo ruído, dei dois passos, até chegar no número 503. Conjugado a este, o 504 estava entreaberto, sua porta fina de madeira escondendo... o quê? Um prostíbulo masculino, uma refinaria caseira de crack e heroína sintética? Ou era um endereço suspeito onde se treinavam prostitutas e prostitutos mirins para serem utilizados, atendendo dezesseis clientes por dia?

Franzi a testa. Não chamaria aquele bairro de hospitaleiro. Saltei. Atravessei a porta entreaberta com um punho e arranquei-a da parede com um safanão. Corri. O primeiro homem cheirava a perfume de mulher. Atingi seu estômago com a porta e ele foi atirado para dentro de um quarto. Atirei a porta pela sua janela e luz penetrou na escuridão de um aposento sem iluminação no teto. Havia um menino, uma menina e dois homens troncudos, que eram tão fortes quanto um Arnold Schwarzenegger.

Não quis gastar energia mística à toa. Caminhei a passos largos e agarrei o primeiro brutamontes. Físico ele tinha. Força de verdade, eu tinha minhas dúvidas. Um soco com a palma da mão aberta implodiu seu estômago, que se dilatou a seguir, com um barulho de dar nojo. Pelo nariz e ouvidos, um jorro de sangue. Os olhos vazaram. O homem caiu.

O segundo brucutu era imponente. Mais de dois metros e dez, um metro e meio de ombro a ombro, coxas de elefante, braços de ferro, peitoral de aço. Mas era um homem, um simples homem. Deixei-o vir. Ele acertou o primeiro soco em meu braço levantado, um pontapé no meu joelho, que eu dobrara e levantara para me defender, e foi só. Agarrei seu pescoço, fui apertando-o aos poucos. Ele sentia que seria sufocado e bateu seus punhos contra meu cotovelo, para se livrar. Mas o que ele fez no final foi ajoelhar-se e dependurar-se em meu punho, que usei para esmagar sua traqueia.

Tirei as duas crianças daquele pardieiro, por meu serviço de teletransporte intergaláctico. Elas fixaram o olhar em mim, logo que foram envolvidas pelo campo transdutor do teletransporte, mas sem chorar. Quem quis chorar fui eu.

O apartamento contíguo, o 505, era acessado tanto pelo corredor, como por uma porta que o conectava com o que eu encontrara as crianças. Encostei a mão espalmada no ferro da porta e ouvi. Havia choro de crianças, solavanco de camas, risadinhas. Duvido que fossem de mulheres, somente.

Fechei a mão com força ao redor da presilha em meu manto. A porta de metal nem pareceu sólida. Ao estouro das ferragens que a prendia às paredes, seguiu-se um berro curto, mas animalesco. Animalesco. A porta fora lançada em velocidade pelo interior do corredor de entrada do apartamento e esmagara uma mulher contra outra parede, deixando suas pernas e braços nus à mostra. Sangue espirrara para os lados.

O ambiente mostrava, no final das contas, o seu lado imoral, por St. Vitus!

Fechei os olhos com força. Pressionei pela segunda vez o gatilho escondido junto ao meu corpo e quem eu visualizava de olhos fechados era arremessado contra o teto, onde sua pele se fixava. Triste modo de morrer. A testa, o nariz esmagado, as pálpebras, o queixo, o tórax, a barriga e as pernas e pés passaram a sustentar os corpos, que milímetro a milímetro teriam a pele rasgada, nos pontos em que se colara ao teto de cimento. Cairiam, é certo, mas em meia hora ou uma hora. No momento, qualquer movimento com os braços produzia uma dor horrível...

Revistei os cômodos daquele lugar indescritível. Berros de crianças vinham de camas e do chão dos quartos. Havia sêmen e sangue nos lençóis e no assoalho. Três crianças haviam sido mortas. As quinze outras permaneciam imóveis.

Cliquei no gatilho para teleportá-las. O ambiente ficou quieto. Decidi que não queria presenciar a tortura que iria acontecer em breve, nem ouvir os gritos dos estupradores. Caminhei para o apartamento 502 e saí pelo corredor. Olhei para o lado oposto do corredor ao que eu explodira. Fechei os olhos.

Hora de me encontrar com Jeremiah. 

Ampliara, naquele segundo em que me encontrava no corredor, minha audição, e pudera acompanhar as conversas de dezenas de pessoas, naquele prédio e nos vizinhos, em um raio de cinco quilômetros. Descobri muita coisa.

O principal era sobre um antro de viciados, jogadores, traficantes e matadores de aluguel, a trezentos metros de onde eu me encontrava. Havia alguém que conhecia a quadrilha de Jeremiah. Ou melhor, o pequeno exército do gângster. Teleportei-me para perto do muro que dividia o prédio do bandido das outras edificações ao redor. Apurei os ouvidos. Se alguém me visse pousar na calçada, isso teria sido um erro de cálculo, portanto, decidi me teletransportar no mesmo momento para um dos cubículos do prédio, blindado e à prova de invasão por radares, feixes de lasers de baixa potência e todo o tipo de arma de energia que os espiões e exércitos do mundo livre utilizavam contra o Crime Organizado. Inclusive por mim. Mas eu nascera com habilidades para bisbilhotar em qualquer buraco fedorento do C. O. Até da espelunca que era aquele prédio blindado.

Havia pouco barulho. Captei com o amplificador auditivo de meu córtex cerebral as vozes de bandidos. Eram criminosos a serviço de Jeremiah, sem importância. Mas, quando eu passei para o nível de captação de ondas de alta frequência, pude ouvir o que uma única pessoa no mundo poderia fazer, falar em frequência hipersônica. O chefão.

Transportei-me para o quarto e vi no exato momento em que tudo se tornou visível que havia cometido um erro. Jeremiah estava lá, sim, mas cercado de comparsas, androides e robôs, armados com todo o tipo de parafernália que se poderia imaginar, desde submetralhadoras de balas explosivas a pistolas e fuzis “laser” de alta potência.

Jeremiah, sentado em frente a um monitor de quatorze polegadas, acompanhava seus negócios. Nem se deu ao trabalho de dar ordens. Um homem e uma garota me seguraram, torcendo meus braços e me forçando a inclinar o tronco. A dor era forte, mas isso não importava. Fui levado para o quarto ao lado, por uma porta de aço, que abriram.

A escuridão era total. Ouvi o som dos animais se arrastando e tive meus pulsos e tornozelos amarrados. Puxaram meus pés e caí sobre uma cama de pregos, dessas que os faquires usam. A dor era ruim, os pregos perfuraram minha pele, mas o verdadeiro perigo estava ao redor. A porta de aço foi fechada e senti quando o primeiro animal rastejou sobre meu estômago e saiu pelo outro lado. Sons sibilantes. O abocanhar de um animal em outro e o chiado de dor deste último. Um odor a carne em putrefação.

Fechei os olhos e percebi o que era a origem do som sibilante. Serpentes, mais de uma dúzia ao meu redor, preparando-se para atacar. Mas antes, lutas entre elas estavam em curso. Eu tinha chances de escapar. Concentrei-me. Pensei nas amarras de meus pulsos e tornozelos como linhas delgadas de costura. E rompendo-se. Foi o que aconteceu. Pensei na porta de aço. Pensei nela sendo arremessada para o quarto de Jeremiah. E faltou pouco para ser picado por uma naja filipina, a serpente terrestre ocupando o “ranking” de cobra com veneno mais potente de todas. Acima dela, somente restavam as cobras marinhas, mas isso era de pouca importância, no momento.

Saltei, no momento em que uma dessas serpentes dava o bote. Corri e apertei minha arma escondida duas vezes. O teto da sala onde as cobras estavam desabou. E os homens de Jeremiah seguraram seus pescoços, quebrados em uma fração de segundo.

O chefão apontava um fuzil “laser” contra mim. Disparou, mas eu me desviei um décimo de segundo antes que o homem premisse o gatilho.

Ele não viu o que eu fazia, enquanto me aproximava em desabalada correria. Acionando dois gatilhos de meu cinto oculto pelo manto, fiz o fascínora voltar o cano do fuzil para a própria boca, abri-la e transformar sua própria cabeça em fumaça. 

Teleportei-me para a minha nave em órbita e segui para Rawenna, o planeta para o qual me mudara da Terra. Esta tinha dado tudo o que tinha, desde florestas, até as profundezas dos oceanos, para que criminosos como Jeremiah armassem o seu circo de horrores, dominando o planeta natal da Humanidade. De vez em quando alguém cometia a besteira de voltar para lá, mas voltar duas vezes era um erro estúpido, não uma loucura sem noção.

Em Rawenna, tomei o duto subterrâneo ferroviário que ligava o espaçoporto aos continentes, cidades e bairros do resto do planeta. O assassino profissional a serviço de Jeremiah se encontrava atrás da porta da frente de minha casa térrea. Envolveu meu pescoço com o fio de nylon e começamos a lutar para ver quem morreria primeiro.

Atirei-me no instante em que era sufocado para as paredes e a porta, pressionando o matador com minhas costas. Com as mãos segurando o fio de nylon, curvei-me e lancei sobre meu corpo o patife corredor adentro. Ele se pôs de pé e atirou suas pernas contra minha cabeça. Os pés entrelaçaram-se em meu pescoço e fui derrubado com um giro do corpo do meliante.

Agarrei um dos pés e o torci em um movimento com as mãos, quebrando o tornozelo. Peguei o outro pé e fiz o mesmo. Estávamos em posição de igualdade, por fim. Levantei-me, massageando meu pescoço dolorido e decidi acabar com aquilo. Fui para cima do tronco do agressor e bati repetidas vezes sua cabeça contra o chão. Na vigésima vez em que o agredia, ele deixou de reagir. Bati uma última vez a parte traseira de sua cabeça contra o solo e sangue correu devagar de seu crânio.

Ouvi, nesse momento, a voz de St. Vitus. Vinha de um aparelho de som velho e ensebado no corredor. Dizia que meu trabalho havia sido excepcional e que eu deveria me reunir aos chefes dos controles de criminalidade galáctico, em meia hora. Sorri. Apertei um interruptor dissimulado por trás da coluna sobre a qual o aparelho de som estava e apanhei o desintegrador de seu esconderijo no interior da parede. Um tiro e os átomos do bandido se tornavam menos do que matéria, mas sim, energia térmica. Um pulo de quatro graus Celsius para o alto e o ambiente voltou à temperatura original, a de uma nave de luxo de passageiros entre Rawenna e Altair.

Saí da casa assobiando e me pus a caminho do duto subterrâneo ferroviário, que me levaria ao controle planetário de criminalidade.

Estava na hora de reconhecerem meu trabalho! 


*Sobre Roberto Fiori:

Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro Cedrik - Espada & Sangue:

“Em uma época perdida no Tempo,

onde a Escuridão ameaçava todos,

surgiu um líder.

Destruição, morte, tudo conspirava contra.

Mas era um Homem de extremos, audacioso.

Era um Homem sem medo”. 

Dos Relatos e das Crônicas da Velha Terra.  


Em sua obra “Cedrik – Espada & Sangue”, o escritor Roberto Fiori coloca sua imaginação e força de vontade à prova, para escrever seu primeiro romance. Um livro de Fantasia Heroica, no gênero Espada & Feitiçaria, em que, em uma realidade paralela, a Terra da Idade do Ferro torna-se campo de lutas, bravura, magia e paixão.

Cedrik é um Guerreiro capaz de levantar 75 kg em cada braço e, ao mesmo tempo, de escalar uma parede vertical de mais de 20 metros de altura facilmente. Em meio a ameaças poderosas, parte para o Leste, em missão de vingança. Acompanham-no a bela princesa Vivian, vinda do Extremo Leste, e o fiel amigo Sandial, o Ancião, grande arqueiro e amigo a toda prova.

Os amigos enfrentam demônios, monstros, piratas e bandidos sanguinários. Usam de magia para se tornarem fisicamente invencíveis. Combatem demônios vindos do Inferno, no Grande Mar. Vivian é guardiã e protetora do Necrofilium, livro que contém maldições, feitiços e encantamentos em suas páginas.

A intenção do autor é continuar por anos as aventuras de Cedrik, escrevendo sobre todo um Universo Fantástico, em que bárbaros e guerreiros travam lutas ferozes e feitiçaria não é uma questão somente de “se acreditar” em seu poder, mas de realmente utilizá-lo para a batalha, como uma arma.

A obra pode ser adquirida com o autor, pelo e-mail spbras2000@gmail.com,  no site da Editora Livros Ilimitados, em livrarias virtuais e no formato de e-book, na Amazon. Os links para acessar o livro são:

1.     Americanas.com:

https://www.americanas.com.br/produto/3200481831?pfm_carac=cedrik-espada-e-sangue&pfm_index=2&pfm_page=search&pfm_pos=grid&pfm_type=search_page

2.     Submarino.com:

https://www.submarino.com.br/produto/3200481831/cedrik-espada-e-sangue?pfm_carac=cedrik-espada-e-sangue&pfm_index=2&pfm_page=search&pfm_pos=grid&pfm_type=search_page

3.     Amazon.com:

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4.     Site da Editora Livros Ilimitados:

https://www.livrosilimitados.com/product-page/cedrik-espada-e-sangue

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sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Conto "A Longa, Longa Viagem Terra Afora", por Roberto Fiori


Anita podia ser chamada de princesa, mas sua lascívia para com os rapazes — e algumas garotas — a impediria de ser reconhecida como herdeira do trono. Isso se houvesse reino para governar. Leslie, como líder do grupo, era forte e resistente, mas seria sua inteligência suficiente para uma posição de liderança? Eu tinha minhas dúvidas. Alex era maciço como uma árvore. Sua ansiedade latente lembrava a de um animal em extinção que, devido às condições adversas do meio ambiente, tentava, mas não conseguia encontrar um modo de sobreviver. Ainda, sua teimosia e ignorância lembravam também a história do macaco que, querendo apanhar um doce dentro de um frasco de plástico, enfiara o braço dentro, apanhara a sobremesa, mas, como com a mão fechada não conseguia tirá-la da botija, carregava o jarro para lá e para cá, sem possuir a lucidez de largá-la e procurar outro tipo de alimento.

O que dizer dos gêmeos? Ginastas olímpicos, tinham o que de melhor os qualificaria para uma competição, força, agilidade, resistência, elasticidade. Mas a única forma de fazê-los se mexer de verdade era colocando-os um contra o outro, numa disputa. Amigável ou não. Vera seria a nossa primeira-dama, e para isso ela era hábil. Em excesso, porém. Sabia-se que viera da costa Oeste e matara umas três dúzias de drogados e traficantes, além de um bando inteiro de motoqueiros fora-da-lei. Quem me contara isso tivera a garganta estraçalhada por uma arma que abrira um corte de lado a lado do pescoço, e afundara até dividir a cabeça do corpo. Eu vira um objeto que podia fazer esse tipo de estrago nas mãos do último namorado de Vera. Um estilete elétrico.

Eu? Eu queria me manter fora dessa competição de lobos. Entrara no grupo porque sabia lutar. Meus dotes como faixa preta de caratê de décimo grau me faziam ser um homem fora do contato com a realidade, sem dividir minha solidariedade com os demais. Sem confiar em ninguém, passava o dia procurando comida e me exercitando. Uma vez por dia chegava ao ponto de quebrar alguns galhos secos de árvore com a parte lateral da mão e punha tudo para queimar, numa fogueira pequena, à noite.

Um dia, em que saíramos do percurso por um desvio feito pelas forças de ocupação, para longe de uma cratera radioativa, chegamos a uma grande cabana. Sabíamos que poderia haver perigo e eu estava disposto a me ocupar com outros assuntos, que não fosse lutar.

— Ichi, por que não arromba a porta? — perguntou-me Vera, sorrindo. Sorrindo como um lobo traiçoeiro.

— Alex pode fazer o trabalho melhor do que eu. Prefiro dar a volta na casa, explorá-la — a mulher alta fitou-me sem expressão. Todos sabiam o que significava, mas eu sabia me defender melhor que os outros. Medo? Nenhum.

Alex, dois metros de altura, ansioso por uma luta, se adiantou. Enquanto eu caminhava abaixado, esgueirando-me pelos parapeitos das janelas, ouvia os murros do grandalhão, que destroçavam a pesada porta de madeira. Espiei os cômodos da habitação térrea, mas era óbvio que ninguém morava na cabana. Primeiro, porque ninguém nos recebera, por bem ou por mal, e, em segundo lugar, porque os golpes de Alex teriam atraído possíveis moradores do interior.

Dei a volta, retornando ao grupo, que se sentara para descansar. Alex fora o único a ficar de pé e estava prestes a dar um passo para o interior da casa. Gritei:

— Pare! — Todos me olharam, em dúvida. Um fio delgadíssimo, tão leve e fino como o filamento de uma teia de aranha, unia as laterais da entrada, na altura dos tornozelos do gigante. — Vejam, afastem-se uns quinze metros. Se a casa explodir ou minas forem acionadas, aqui fora, somente eu serei vítima.

Caí sobre os braços e examinei o filete, que brilhava à luz do Sol. Não poderíamos entrar, se houvesse uma proteção eletromagnética na entrada. Era impossível distinguir uma fonte de energia dessa natureza, sem um amperímetro ou um voltímetro.

O filete estava esvoaçando à brisa, mas havia outros meios de detonar um artefato da natureza que eu achava que estava instalado em alguma parte da casa. Levantei-me e caminhei sem pressa para a esquerda da entrada. Encontrei uma paineira e saltei, sem perder tempo. Atingi uma altura de dois metros, despedaçando um galho que eu havia avistado quando explorava a casa.

Era um pouco fino, mas serviria. Qualquer galho daria conta do recado. Quando me encontrava a quinze metros da porta, avisei para todos se abaixarem. Levantei o galho e, concentrando-me por dois segundos, lancei-o. Ele caiu sobre o filamento e o Inferno caiu sobre a área na qual estivéramos. Três rajadas de metralhadora varreram o espaço vazio defronte à parede da frente da morada, através das duas janelas abertas e pela entrada aberta, vindo do interior.

— Tivemos sorte — falou alto Leslie, sacando de sua capa uma minimetralhadora calibre .22 de cano serrado e coronha retrátil, e avançando pelo lado da casa. — E temos sorte de você se juntar a nós, Ichi. Diga-me, o que acha de entrarmos pelas janelas?

— Você sabe muito, chefe. Eu sou um servidor, somente.

— E os outros, quero a opinião de cada um!

Os gêmeos disseram que eu poderia entrar sem ser atingido. Isso me soou estranho. Como eu poderia dar conta de armadilhas que minha presença de espírito era capaz de não dar conta? Fora intuição, o que tivera, mas não contaria isso para ninguém. Por enquanto. Alex falou que pelos fundos era provável termos mais sorte. Vera concordou com ele, mas fiquei pensando se ela teria coragem suficiente de tentar a sorte.

Anita disse para criarmos coragem e entramos de uma vez. Eu já dormira com ela. Sentia que fingia orgasmos e me parecia que era um peso quase inútil em nossa jornada. É verdade que não havia se metido em combates conosco, mas mesmo servindo para pouca coisa, nisso era eficiente. Leslie decidiu.

—Ichi, não sou melhor que você, em situações como esta. Fale a verdade, como sabia que havia uma armadilha mortal na entrada?

— Aprendi na Guerra, chefe. Minha casa foi usada como meio de destruição, as forças de ocupação nos expulsaram dela e instalaram esse tipo de armadilha. Em uma semana, ouvíamos, perto de meu lar, disparos de metralhadoras. Eu observei quando os soldados inimigos retiravam os mortos, desativando as armas na casa por controle remoto. Depois, reativavam-nas e esperavam quem aparecesse que tentasse entrar na casa. Isso era diversão, para os militares — cuspi no chão, ao terminar o relato.

— Pode descobrir outras armadilhas? — Leslie avançou dois passos em minha direção.

— Poderíamos estar mortos, a essa hora, chefe. Por pura sorte, Alex não disparou o dispositivo, ao quebrar a porta em pedaços. Precisamos de um lugar para passar a noite. Verei o que posso fazer.

— Deik, Semian, acompanhem Ichi. Vera, Anita, preparem uma fogueira, a noite será fria. Muito.

Cheguei, com os irmãos gêmeos, à janela da traseira da cabana. Estava escancarada, nos convidando para entrar.

— Procurem linhas, fios, coisas finas e alongadas, que possam ser detonadores. Vocês sabem, qualquer coisa suspeita — havíamos servido no octogésimo batalhão da Marinha, mas, no último confronto, nosso cruzador havia sido atingido por mísseis e naufragara. Tubarões devoraram todos os membros da tripulação, mas uma ilhota, um simples atol, salvara nós três. O modo como nos juntamos com os outros é desinteressante. Aconteceu por acidente. Aos poucos, sentimos que nossas habilidades eram semelhantes e complementares. Como com relação a Anita.

Havia duas linhas de pesca, na parte inferior e superior da janela traseira, de lado a lado da abertura. Falei para abrirem os olhos e encontrei o que queria, hibiscos. Arranquei quatro galhos e dei dois para os gêmeos. Mirei em cima e disse para atirarem seus galhos na parte de baixo da janela.

Houve uma série de cinco explosões no solo, uma à esquerda da construção, três sob a janela e outra à direita da casa. Aproximei-me das crateras.

“Explosivos plásticos, pelo cheiro. De alto poder de penetração”, pensei.

Entramos no aposento, eu, liderando o grupo. Havia uma cama, um criado-mudo, um lustre. Armários, pedindo para serem abertos, instalados na parede lateral.

— Não — falei com veemência para Deik, o mais encorpado dos irmãos. — Os armários são armadilhas, com certeza.

Examinei centímetro a centímetro as paredes do recinto e percebi que era possível que houvesse detonadores somente nas janelas e portas externas da casa. Um corredor dividia a habitação em quartos e saletas. Sem sinal de fios ou portas armadas com explosivos.

— Está tudo em ordem, chefe — afirmei, cruzando a entrada, em que os pedaços da porta dependurados pelos caixilhos haviam sido arrancados por Alex e atirados para longe, fora da casa.

— Vamos passar a noite na cabana. Temos armas e somos organizados. Faremos três turnos na sala, de quatro horas cada. Eu começarei com o primeiro. Os gêmeos se revezarão no segundo e terceiro. Amanhã, mudarei de vigias, caso continuemos aqui.

Com a noite, vieram saqueadores. Em quatro levas. Leslie estava vigiando, quando um tiro soou à distância. O chefe deixara um alarme da época de antes da Guerra com cada um de seus parceiros e eu acordei com uma vibração forte no bolso da calça. Dormia sozinho, em um dos quartos. Pulei da cama e me encontrei com os outros, nos quartos.

Leslie mirava com a minimetralhadora o mato defronte à casa. Cheguei à sala da casa, onde ele montava guarda, no momento em que o veterano disparava uma rajada de três balas. Alguém gritou, o som abafado. Um ruído de riscar alto, denunciou o próximo ataque. A dinamite caiu no exterior, a dois metros da casa. Uma flecha, foi o que meu corpo se tornou. Saltei, rolei no chão e apanhei o aglomerado de bananas de dinamite. Atirei-as e voltei para a segurança da sala. Uma explosão colossal e uma bola de fogo vieram do lugar que haviam atirado a dinamite.

Gritos se ouviram. Leslie fez sinal aos outros para saírem pelas janelas e explorassem o terreno. Os gêmeos mergulharam em um salto pela janela do primeiro quarto, à direita de quem se dirigia da sala para a traseira da casa. Eu saí por outro quarto e os demais nos seguiram.

A noite estava escura e uma Lua minguante se escondia entre nuvens esfarrapadas de Inverno. Corri, ladeado pelos gêmeos. Saquei uma pistola que usara nos combates nas ruas de Legalis, cidade pequena a cinco quilômetros de onde estávamos. Trazia comigo sempre a pistola e munição para matar dez dúzias de combatentes. Mas esperava serem desnecessárias. Tinha as pernas, os pés, as mãos, os braços e a cabeça para servirem de armas.

Vera e Anita, eu vira quando saíam pela janela do quarto dos fundos, elas foram para o outro lado da casa, armadas com fuzis automáticos. Deixei de me preocupar com elas. No caminho em que seguimos, havia corpos de dez homens, despedaçados pela dinamite. Chegamos a uma clareira, em dez minutos de corrida acelerada. Vinte a trinta homens estavam ao redor de uma fogueira. Abaixamo-nos atrás de uma fileira de arbustos e esperamos.

Eles estavam bem armados, tinham o uniforme das forças de ocupação. Azulados e brancos. Isso me lembrava... a Guerra de Secessão? Nesse caso, quem levaria a melhor, nós ou os invasores? Poderíamos dar cabo daquele grupo, mas eu temia que o barulho atraísse outras tropas inimigas. Fiz movimentos de mímica para os gêmeos e indiquei que os reproduzissem para Alex, meio afastado de Deik e Semian. Em seguida, quando estávamos prontos, cochichei no ouvido de um dos irmãos que procurasse as mulheres e falasse a elas que atacassem, com o barulho de um tiro de minha arma. E que voltasse, depois que encontrasse Vera e Anita.

Quando ele saiu, aguardei, um joelho sobre a terra dura. O líder dos inimigos levantou. Foi até a lareira e aqueceu-se. Virou-se e começou a falar em voz alta:

— Em dez minutos, atacaremos. Quero a cabana em condições para uma revista minha em meio dia. Nada de sujeira, poeira, teias de aranha ou qualquer outro indício de que tenha sido usada por vagabundos deste lado do rio. Entenderam? Agora ouçam, os homens que estão na cabana devem ser mortos. Não quero sinal deles, nada! Eles lutaram contra nossas forças, deste lado do rio, e correram de nós! Correram como coelhos — o líder uniu as mãos dobradas e deu pulinhos ridículos ao redor da fogueira.

Os homens riram, bem na hora em que Semian voltava. Ele fez sinal de “okay” e eu apontei a pistola para o líder dos camisas azuis. Com o tiro, ele caiu no fogo. Levantou-se a seguir, em chamas, enquanto eu quebrava o pescoço do soldado próximo aos arbustos em que eu tinha me ocultado. Alex enterrou sua faca nas costas de outro e o arrastou, usando-o como proteção. Tiros se seguiram. Alguns eram das nossas mulheres, outros dos gêmeos, mas eu matava sempre quebrando o pescoço dos inimigos. Era o modo mais rápido e silencioso que eu conhecia, embora silêncio fosse no momento um dos menores problemas.

Matamos, matamos, e, quando tínhamos todos em nossas miras, tendo as duas mulheres entrado na clareira, do outro lado de onde tínhamos vindo, tivemos de completar o serviço. Três soldados sacaram seus revólveres dos cinturões e atiraram. Erraram, porém. Gritei “Atirem!”, com toda a força dos pulmões. Com golpes mortais na têmpora, na nuca, no pomo-de-adão, fui pondo por terra todo o grupo de inimigos. Alex usava sua “Smith Weston” calibre .45 e os gêmeos, pistolas “Sig Sauer” 9 mm. Os fuzis acabaram com a festa, por fim. Vera era boa de mira, mas Anita revelou-se uma atiradora de elite. Dez homens foram derrubados, com as rajadas que elas dispararam.

Vi a forma carbonizada que fora o tenente daquele grupo e me dei conta que estávamos atirando em cadáveres, a partir de certo momento. Gritei:

— Cessar fogo! Cessar fogo!

O silêncio de um lago sem vida tomou conta da mata.

Um silêncio ouvido nos cemitérios e nos necrotérios.

Fui até junto do corpo fumegante do tenente. Fechei os olhos e os abri. Eu o tinha morto, portanto era minha obrigação que o enterrasse. Duas horas se passaram e tínhamos enterrado todos os soldados azuis e brancos. Voltamos a passos curtos para a cabana. Leslie estava ausente, pelo silêncio que tomara conta do lugar.

Entrei primeiro e abaixei-me, por reflexo. Fiquei surdo por um minuto, com o estrondo da espingarda de dois canos. Lancei-a longe e furei os olhos de meu agressor. Era um sujeito troncudo, mais largo que Alex e tão alto quanto. Mas urrava, dizendo que não enxergava. Tateava e conseguiu pôr as mãos em meu pescoço. Com um chute nos testículos, o pus de joelhos.

— Onde está o nosso chefe, imbecil? — ele respondeu que o procurassem nos fundos, mas que lhe dessem algo para os olhos.

Na traseira da casa, havia um corpo. Os olhos haviam sido arrancados, a face esfolada, mas o corpo era de Leslie. Estava no chão, amarrado a quatro estacas, os braços e pernas esticados. Anita, assim que veio, tive de segurá-la.

— Ele está morto, querida. Não posso fazer nada.

— Me deixe! Me deixe a sós com o cretino!

— Isso é crime de guerra, Anita, nós cuidaremos disso — falei em voz baixa, e a abracei.

A execução do miserável foi feita na frente da cabana. Alex quebrou seus braços e pernas. Depois, o executamos, com quatro tiros, um para cada homem. Anita chorava e ajoelhou-se.

Sentei-me ao seu lado, colocando sua cabeça em meu peito. Acariciei-a e cantei “hai-kais” de histórias de luta do Japão feudal para ela. Ela agarrou-se ao meu uniforme e falava baixinho “Quero morrer... leve-me para o Paraíso, onde Leslie agora se encontra...”

Foi assim a noite inteira. Lágrimas, desespero. Os outros homens e Vera cavaram uma sepultura para Leslie descansar. Quando Anita dormiu em meu colo, carreguei-a para seu quarto. Fechei a porta e disse para os outros:

— Deixem-na dormir. Vamos ao túmulo de Leslie.

Dei com um amontoado de pedras, sobre a sepultura. Apanhei uma pedra de uns trinta quilos e a trouxe, arrastando-a como se pesasse um grama. Levantei-a nos ombros e a depositei no topo da pilha. Fiquei olhando por um tempo a sepultura e fechei os olhos. Entoei cânticos budistas, xintoístas e taoístas. Era o máximo que podia fazer por um bom amigo morto de forma tão dolorosa.

No dia seguinte, decidimos sair da zona da invasão. Passamos por cinco cidades, onde nos abastecemos. Sem sinal dos azuis e brancos.

“E assim fomos, de cidade em cidade, travando combates esporádicos, sempre avançando rumo ao Sul. Rumo a terras mais quentes. Onde a Guerra ainda não havia chegado. Fizemos amigos leais e valorosos. Somos gratos a quem nos deixa viver. Assim como quem diz, “É desse jeito, garoto, é desse jeito que você conquista amigos e aliados. Isso, é assim mesmo”. E, cruzando o Grande Canal, que divide o Mundo em Norte e Sul, chegamos ao próximo continente. Onde as flores dão uma seiva revigorante e as árvores crescem livres como os homens. Onde não há sofrimento. Onde está a fonte de nossas emoções cristalinas”.


*Sobre Roberto Fiori:

Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro Cedrik - Espada & Sangue:

“Em uma época perdida no Tempo,

onde a Escuridão ameaçava todos,

surgiu um líder.

Destruição, morte, tudo conspirava contra.

Mas era um Homem de extremos, audacioso.

Era um Homem sem medo”. 

Dos Relatos e das Crônicas da Velha Terra.  


Em sua obra “Cedrik – Espada & Sangue”, o escritor Roberto Fiori coloca sua imaginação e força de vontade à prova, para escrever seu primeiro romance. Um livro de Fantasia Heroica, no gênero Espada & Feitiçaria, em que, em uma realidade paralela, a Terra da Idade do Ferro torna-se campo de lutas, bravura, magia e paixão.

Cedrik é um Guerreiro capaz de levantar 75 kg em cada braço e, ao mesmo tempo, de escalar uma parede vertical de mais de 20 metros de altura facilmente. Em meio a ameaças poderosas, parte para o Leste, em missão de vingança. Acompanham-no a bela princesa Vivian, vinda do Extremo Leste, e o fiel amigo Sandial, o Ancião, grande arqueiro e amigo a toda prova.

Os amigos enfrentam demônios, monstros, piratas e bandidos sanguinários. Usam de magia para se tornarem fisicamente invencíveis. Combatem demônios vindos do Inferno, no Grande Mar. Vivian é guardiã e protetora do Necrofilium, livro que contém maldições, feitiços e encantamentos em suas páginas.

A intenção do autor é continuar por anos as aventuras de Cedrik, escrevendo sobre todo um Universo Fantástico, em que bárbaros e guerreiros travam lutas ferozes e feitiçaria não é uma questão somente de “se acreditar” em seu poder, mas de realmente utilizá-lo para a batalha, como uma arma.

A obra pode ser adquirida com o autor, pelo e-mail spbras2000@gmail.com,  no site da Editora Livros Ilimitados, em livrarias virtuais e no formato de e-book, na Amazon. Os links para acessar o livro são:

1.     Americanas.com:

https://www.americanas.com.br/produto/3200481831?pfm_carac=cedrik-espada-e-sangue&pfm_index=2&pfm_page=search&pfm_pos=grid&pfm_type=search_page

2.     Submarino.com:

https://www.submarino.com.br/produto/3200481831/cedrik-espada-e-sangue?pfm_carac=cedrik-espada-e-sangue&pfm_index=2&pfm_page=search&pfm_pos=grid&pfm_type=search_page

3.     Amazon.com:

https://www.amazon.com.br/Cedrik-Espada-Sangue-Roberto-Fiori-ebook/dp/B091J3VP89/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=cedrik+espada+e+sangue&qid=1620164807&sr=8-1 

4.     Site da Editora Livros Ilimitados:

https://www.livrosilimitados.com/product-page/cedrik-espada-e-sangue

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sábado, 16 de outubro de 2021

Conto "Fogo", por Roberto Fiori


Um homem que poderia prever o futuro. Uma pessoa que seria capaz de lembrar-se de tudo, desde o nascimento. Alguém com Q.I. impossível de ser mensurado.

Este era Armand, um metro e setenta e cinco centímetros de altura, mais de um metro de ombro a ombro, prestes a negociar seus préstimos com o que era a principal empresa de armamentos do mundo, a Lockheed Martin. O salão de conferência conferia uma atmosfera de ensino, um quadro negro de lado a lado do imenso aposento, trezentas carteiras espaçada entre si pelo menos dois metros. Uma lembrança dos tempos do coronavírus, a ser lembrada a qualquer custo.

— Armand, você decidiu pela nossa empresa, é o que me disse ao telefone. Por quê?

— Minhas capacidades inatas são capazes de muito. Falei a você que poderei lhes apresentar uma visão de extrema utilidade sobre a Lockheed Martin, a Boeing, a fabricante do fuzil automático Kalashnikov...

— E que o inventor dele falava ser uma arma de defesa, e não uma arma de ataque ofensivo — riu McGavin, com quem Armand havia pedido ser realizado o encontro a sete chaves naquele salão de conferências.

Armand permaneceu sério e levantou-se da mesa principal do salão, no centro do tablado, cercado pelas carteiras, na parte mais baixa do recinto. Pensou por um minuto e disse:

— Esta empresa está condenada. A não ser que tomemos algumas atitudes. Temos de aumentar o número de acionistas, oferecendo nossas ações mais barato que de outras empresas rivais. A Boeing é a nossa maior concorrente. Abaixou o valor de suas ações em dez créditos terrestres e a Patton VSI tem subido seu ativo em um ritmo que em um ano se equiparará a este. Os lucros com a venda de armamentos da Lockheed Martin estão altos, mas serão ultrapassados.

— Quais são as suas capacidades, Armand?

— Suficientes para construir setenta mil geradores de lasers acoplados a satélites orbitais e dez mil estações espaciais contendo cada uma dez aceleradores de partículas, em um ano. Se vocês seguirem à risca o que vou lhes falar.

Armand falou, e como! Os diretores e o presidente sênior da Lockheed Martin ficaram em silêncio, durante a explanação que o francês fazia. Até para homens como os figurões da Lockheed, aquilo impressionava. Mas temiam que a empresa, com dívidas com o governo central terrestre, pudesse vir a naufragar. Porém, admitiam que Armand podia ser bem convincente. Apresentava números, estatísticas, informações que eles não tinham em mãos, mas em mente. Dados ultrassecretos que viriam a ser utilíssimos. 

Qual o problema com os altos executivos da firma? Não tinham coragem nem iniciativa para tomarem ações a esse nível de risco. A reunião foi tensa, ao final. Os donos da Lockheed Martin não estavam de acordo em reformular as políticas de redução de funcionários. Todos eram preciosos, todos tinham um papel importante a ser feito. Uma aeronave hipersônica “Stealth F-40” possuía um sistema de decolagem na vertical que estava gerações à frente de todos os outros caças furtivos que nem a Rússia e a China possuíam e sequer haviam colocado no papel.

Armand foi hábil. Disse que os computadores da Lockheed deveriam estar desatualizados, com bugs e malwares, pois, a julgar pelas informações e  pela morosidade dos chefes da empresa em já dever ter tomado alguma atitude, era desmoralizante.

Depois de ganhar um crachá e um cartão eletromagnético de senha dupla para transitar pelas dependências da sede da empresa e analisar por si mesmo a qualidade dos serviços, da produção e da parte informatizada de Classe “000”, ou nível máximo de sigilo, saíram do salão. Todos carregavam maletas com hiperbooks, computadores com vinte a cinquenta terabytes de memória e velocidade vinte vezes maior que os computadores pessoais do início do Século XXI, mas Armand saíra de mãos vazias.

Armand foi para o pátio de demonstração das aeronaves em uso e em fase de protótipo. Demorou-se o resto do dia, examinando cada unidade. Focou a atenção no caça F-40. Decidiu-se.

McGavin era o responsável por aprovar as armas em fase de protótipo e em dar o veredito final para o seu uso em espionagem e ataques furtivos. Era a parte mais importante da empresa, o setor de aviões, navios e tanques “Stealth”.

— Estamos à beira de uma catástrofe, McGavin. Já aprovou o F-40 para uso militar efetivo?

— Falta assinar alguns documentos.  Por quê?

— A cada segundo, perdemos terreno, em tecnologia e em rendimentos. O F-40 não pode ser posto em prática — antes do outro tomar a palavra, Armand foi direto ao ponto. — Examinei o cockpit da aeronave, os aviônicos estraram em pane quando eu efetuei esta mudança. Veja.

O francês filmara o cockpit. No exato momento em que  inseria um cartão de memória em uma ranhura no painel de controle, a tela Super-Hud de três dimensões escureceu e os dados apresentados pelo computador de bordo passaram pela tela no centro do console números que indicavam que o caça estava pronto para descarregar dez mil toneladas de armas nucleares sobre o alvo, uma grande cidade americana. E seguir para o espaço aéreo da China e da Rússia, jogando mais cinco mil toneladas de bombas de hidrogênio nas capitais desses países. Armand tomou a palavra, antes que o executivo da firma começasse a gritar ou ordenasse a prisão de Armand.

— Não alterei ou sabotei os instrumentos do F-40, McGavin. Isso — ele mostrou ao outro o cartão que havia inserido no painel de controle do caça — é o que coloquei no painel do caça. Mande analisar. É um verificador global de malwares, spywares, trojans, ramsonwares, etc. Para todo tipo de vírus que os hackers possam inventar, eu criei um antivírus respectivo e gravei-os nesse cartão de memória de um terabyte. 

McGavin franziu a testa, apanhou o cartão e saiu de seu gabinete. Armand  ouviu-o falar para um guarda para reunirem seis  outros armados para vigiarem a saleta. O francês decidiu sentar-se na poltrona do outro lado do lugar de McGavin.

Passaram-se três horas. Armand estava confiante. Seu pacote de antivírus revelava o que ele realmente era, um verificador de arquivos de vírus que, ao mesmo tempo em que os acusava, também os punha a se ativar. O F-40 estava infectado e sem uma revisão nos computadores e nos aviônicos, não poderia sair do chão.

McGavin entrou no gabinete, acompanhado do oficial de alta segurança, do presidente da Lockheed e de um cientista que trabalhava para eles. O cientista, Derekh Vlado, que viera da Federação Russa, começou a falar:

— Foi você quem criou isto, senhor Armand? — e mostrou a ele o cartão que McGavin havia apanhado no gabinete.

— Sim — respondeu Armand, calmo, pois ele sabia que estava repleto de razão.

— Achamos um programa antivírus que nunca vimo ou imaginamos que pudesse ser feito. Está gravado no cartão como ANTI-VHB-71B. Pode nos explicar como o desenvolveu?

— Claro. Alterei dez antivírus que existem nas dez mais importantes Universidades do governo mundial, nos cinco continentes, aproveitei o que existe de mais eficaz contra os malwares para os quais há controle efetivo e alterei-os, criando o ANTI-VHB. Não destrói, na realidade, os vírus, apenas escaneia o computador e os instrumentos computadorizados que existem no F-40.

— Onde os criou? 

— Tenho acesso às dez Universidades mundiais. Meu pai era o reitor de todas elas.

— O senhor só pode estar brincando! Eric van Cête, o maior dos engenheiros de computação quântica que já existiu! — Armand não sorriu. Observou os homens falarem entre si, alterados, como se aquela informação fosse importante o suficiente para deixar qualquer homem perturbado. Eles saíram da saleta, deixando a porta entreaberta. McGavin ficou.

— Armand de Cête. Armand de Cête! Venha comigo até o F-40 infectado. Quero me certificar de que este pesadelo é real.

No cockpit da aeronave, McGavin ligou o computador de bordo e a tela mostrava o preto. Ele trabalhou na parte da linguagem mais básica do dispositivo, ativando uma versão muito mais complexa que o antigo e há muito ultrapassado Assembler, um programa de computador com linguagem de máquina.

A tela ativou-se.

A imagem mostrou, pouco a pouco, um demônio sobre uma montanha, o Everest, e abaixo o fogo das detonações nucleares ainda queimava. No céu, uma esquadrilha de F-40 e MIG- 85 se perseguiam e deixavam cair bombas. Bombas. O demônio olhava para a perseguição, em que ninguém atingia ninguém. Quando o último artefato nuclear foi despejado, estando os caças longe do local das detonações, o demônio ficou satisfeito. Levantou e abaixou o braço com que carregava um tridente de ferro e as aeronaves se destruíram, os raios-gama de suas armas fazendo sulcos violetas no céu.

O demônio não tinha nada mais a fazer naquele planeta. Desvaneceu-se, rindo.

Pouco antes da guerra final haver terminado, McGavin olhou para Armand e perguntou o que significava aquilo.

— É o que acontecerá, depois que tivermos ido, amigo.

— Como sabe disso?

— Um de meus dons. O da previsão do futuro — Armand virou as costas para o caça e McGavin e entrou no edifício da Lockheed.

O escocês voltou-se para a tela do computador. “Fogo, apenas fogo”!, ele pensou. Mas então, notou um pontinho azul no canto direto da tela. A imagem ampliou-se mais de cinquenta vezes, até mostrar, na órbita da Terra, um comboio de astronaves que partia para longe da órbita do planeta.

McGavin pôs-se a refletir. Por minutos, ficou sentado no cockpit do piloto. Quando saiu e foi até a sede da Lockheed, estava sem pensar em nada. Mas a ficha iria cair, cedo ou tarde.


*Sobre Roberto Fiori:

Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro Cedrik - Espada & Sangue:

“Em uma época perdida no Tempo,

onde a Escuridão ameaçava todos,

surgiu um líder.

Destruição, morte, tudo conspirava contra.

Mas era um Homem de extremos, audacioso.

Era um Homem sem medo”. 

Dos Relatos e das Crônicas da Velha Terra.  


Em sua obra “Cedrik – Espada & Sangue”, o escritor Roberto Fiori coloca sua imaginação e força de vontade à prova, para escrever seu primeiro romance. Um livro de Fantasia Heroica, no gênero Espada & Feitiçaria, em que, em uma realidade paralela, a Terra da Idade do Ferro torna-se campo de lutas, bravura, magia e paixão.

Cedrik é um Guerreiro capaz de levantar 75 kg em cada braço e, ao mesmo tempo, de escalar uma parede vertical de mais de 20 metros de altura facilmente. Em meio a ameaças poderosas, parte para o Leste, em missão de vingança. Acompanham-no a bela princesa Vivian, vinda do Extremo Leste, e o fiel amigo Sandial, o Ancião, grande arqueiro e amigo a toda prova.

Os amigos enfrentam demônios, monstros, piratas e bandidos sanguinários. Usam de magia para se tornarem fisicamente invencíveis. Combatem demônios vindos do Inferno, no Grande Mar. Vivian é guardiã e protetora do Necrofilium, livro que contém maldições, feitiços e encantamentos em suas páginas.

A intenção do autor é continuar por anos as aventuras de Cedrik, escrevendo sobre todo um Universo Fantástico, em que bárbaros e guerreiros travam lutas ferozes e feitiçaria não é uma questão somente de “se acreditar” em seu poder, mas de realmente utilizá-lo para a batalha, como uma arma.

A obra pode ser adquirida com o autor, pelo e-mail spbras2000@gmail.com,  no site da Editora Livros Ilimitados, em livrarias virtuais e no formato de e-book, na Amazon. Os links para acessar o livro são:

1.     Americanas.com:

https://www.americanas.com.br/produto/3200481831?pfm_carac=cedrik-espada-e-sangue&pfm_index=2&pfm_page=search&pfm_pos=grid&pfm_type=search_page

2.     Submarino.com:

https://www.submarino.com.br/produto/3200481831/cedrik-espada-e-sangue?pfm_carac=cedrik-espada-e-sangue&pfm_index=2&pfm_page=search&pfm_pos=grid&pfm_type=search_page

3.     Amazon.com:

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4.     Site da Editora Livros Ilimitados:

https://www.livrosilimitados.com/product-page/cedrik-espada-e-sangue

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sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Conto "Um Lugar Tranquilo", por Roberto Fiori


O salão 606, imenso, abrigava, junto à parede dos fundos, algumas máquinas engenhosas. A mesa de cristal e aço reluzia à luz de seis lâmpadas de 300 Watts, instaladas no teto. Um homem de idade avançada estava em uma extremidade do móvel, em silêncio. Os outros, o observavam com vivo interesse.

— Virem-se para a parede afastada de nós, digamos, a uns trinta metros.

Os rapazes e moças sentados em ambos os lados da mesa se voltaram e, parecendo perceber pela primeira vez as máquinas, suspiraram.

— O robô da extrema esquerda. O primeiro. Chamem-no.

— De que manei...

— Robô. Chamem-no de robô.

Uma mulher na fronteira entre os vinte e nove e os trinta anos levantou-se e falou:

— Robô, venha se juntar a nós!

A máquina tinha cinco pares de câmeras inseridas no tronco, miniaturizadas e protegidas.

— Do que ele é feito, Dr. Spaulding?

— Anna, guarde essa dúvida para quando sairmos desta sala — ele respondeu. O robô era imenso quando ereto, todos haviam sido informados sobre suas dimensões quando se pusesse em posição de locomoção. Mas presenciar aquele gigante “in loco” era incomparável.

A máquina deu dois passos e se colocou ao lado de Anna. Falou, sua voz idêntica à de um humano:

— Estou pronto para os testes reais. Esperava esse momento, em que o Dr. Spaulding me soltaria.

— Nunca esteve preso aqui, Titanus. Precisávamos de tempo para terminar seu projeto e testá-lo.

— Foi algo que fiz? — Spaulding levantou uma sobrancelha em um centímetro, mas o robô o percebeu. E fez a seguinte pergunta: — Robôs foram treinados para matar ou para salvar?

O Dr. Spaulding respondeu:

— Para as duas coisas, Titanus. Você tem a prerrogativa de defender os Estados Aliados de um ataque. Não se sinta inútil ou sem propósito. Hoje, sairemos todos para o campo de demonstração e você fará tudo o que as diretrizes que implantamos em seu córtex lhe ordenarem.

— Eu me sinto despropositado, Dr. Spaulding. A guerra acabou há oito meses. A Dra. Anna Spencer me colocou a par da situação geopolítica da Terra e tudo o que aprendi foi luta, combate e destruição. Quero mais que isso. Quero ver os prados dourados e verdejantes, as montanhas dos Apalaches e das Rochosas e observar desertos de Israel e da Jordânia. Utilizar meu vocabulário de todas as línguas dos povos terrestres, conversar com Fermi, Tesla, Faraday, Edison, Shrödinger, Einstein. Preciso estar na companhia de Isaac Newton, quando ele formulou suas Leis da Gravitação, da Inércia e da Ação e Reação.

— Por quê, Titanus? Nâo somos o que eles foram, em sua época, mas chegamos perto. Olhe para seu corpo formidável. Setecentos quilos de uma liga mais resistente do que o neodímio e cem vezes mais leve que o aço. Soubemos como fazer uma máquina pensante, seu encéfalo comporta conhecimentos que só três homens possuem, no planeta Terra.

— Devo trazê-los para cá, Dr. Spaulding. São eternos, são a prova de que o Homem é mais do que um devastador, um saqueador, um guerreiro e um conquistador.

Em seguida, Titanus virou-se e caminhou para a porta de saída. Seus pés cromados ressoaram alto e ele conseguiu passar pela porta sem dificuldade. A entrada do salão havia sido projetada para que grandes volumes de carga fossem trazidos ou levados do recinto. Spaulding teclou em seu computador integrado à mesa e, do lado de fora, cinquenta soldados se mantiveram de prontidão.

Titanus saiu para o ar livre e foi alvejado por lasers de alta potência, que separaram a cabeça de seu corpo e, como em uma cirurgia, cortaram com precisão os membros do tão alardeado neodímio, que podia, teoricamente, aguentar uma detonação nuclear de cem megatons de potência. O suficiente para aplainar metade das montanhas do Himalaia.

No salão imponente, o Dr. Spaulding coçou o cavanhaque e as costeletas aparadas com esmero.

— Sabe, Anna, foi uma perda de quinhentos bilhões que tivemos em cinco segundos de disparos, com o robô. Reconheço que você fez um excelente trabalho, ao manipular a mente imaculada dele e levá-lo a concluir coisas que nunca imaginei que ele pudesse vir a pensar. Como acha que ele poderia voltar a 1935 e trazer Albert Einstein a nós? Acha que fabricamos máquinas do tempo, neste complexo? Poderíamos fazê-lo, mas a desorganização temporal que o transporte de um único átomo do passado entraria em conflito com as leis da Termodinâmica e da Relatividade... ora, deixemos essa discussão acadêmica para outro dia... Sabem, a Dra. Anna é uma das nossas mais notáveis...

Spaulding continuou a falar daquela maneira calma e rítmica que seduzia as pessoas em suas conferências e aulas da Universidade. Quando quatro soldados armados entraram e seguraram Anna para algemá-la, ela se debateu, gritou, tentou socá-los e pisar nos pés e pernas dos homens, mas o esforço foi em vão. Levaram-na, ela batendo com a cabeça na quina da entrada, quando os cinco passaram de volta pela porta aberta.

— Senhores e senhoras, as outra máquinas não funcionam, na verdade. São apenas carcaças. Titanus foi o melhor que já alcançamos, no âmbito da Inteligência Artificial, mas isso serviu de lição a todos nós. Jamais empreguem alguém que veio fugindo de um país ditatorial. Pode ser uma faca laser mal ajustada... ou ajustada para matar o seu dono.

— Para onde levaram a Dra. Anna, Dr. Spaulding?

Ele fitou o mais jovem membro de sua equipe e respondeu:

— Então você não sabe sobre “aquele lugar”? Ora, Dr. Caldwell, ela foi para um lugar tranquilo, muito tranquilo...

Eles apanharam suas coisas, suas valises, colocaram no bolso seus drives de 100.000 Terabytes de memória e seguiram o idoso professor, que se virou na altura da porta de entrada e desabafou:

— Não é culpa dela. Não é! É de todos os que começaram essa maldita guerra!


*Sobre Roberto Fiori:

Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro Cedrik - Espada & Sangue:

“Em uma época perdida no Tempo,

onde a Escuridão ameaçava todos,

surgiu um líder.

Destruição, morte, tudo conspirava contra.

Mas era um Homem de extremos, audacioso.

Era um Homem sem medo”. 

Dos Relatos e das Crônicas da Velha Terra.  


Em sua obra “Cedrik – Espada & Sangue”, o escritor Roberto Fiori coloca sua imaginação e força de vontade à prova, para escrever seu primeiro romance. Um livro de Fantasia Heroica, no gênero Espada & Feitiçaria, em que, em uma realidade paralela, a Terra da Idade do Ferro torna-se campo de lutas, bravura, magia e paixão.

Cedrik é um Guerreiro capaz de levantar 75 kg em cada braço e, ao mesmo tempo, de escalar uma parede vertical de mais de 20 metros de altura facilmente. Em meio a ameaças poderosas, parte para o Leste, em missão de vingança. Acompanham-no a bela princesa Vivian, vinda do Extremo Leste, e o fiel amigo Sandial, o Ancião, grande arqueiro e amigo a toda prova.

Os amigos enfrentam demônios, monstros, piratas e bandidos sanguinários. Usam de magia para se tornarem fisicamente invencíveis. Combatem demônios vindos do Inferno, no Grande Mar. Vivian é guardiã e protetora do Necrofilium, livro que contém maldições, feitiços e encantamentos em suas páginas.

A intenção do autor é continuar por anos as aventuras de Cedrik, escrevendo sobre todo um Universo Fantástico, em que bárbaros e guerreiros travam lutas ferozes e feitiçaria não é uma questão somente de “se acreditar” em seu poder, mas de realmente utilizá-lo para a batalha, como uma arma.

A obra pode ser adquirida com o autor, pelo e-mail spbras2000@gmail.com,  no site da Editora Livros Ilimitados, em livrarias virtuais e no formato de e-book, na Amazon. Os links para acessar o livro são:

1.     Americanas.com:

https://www.americanas.com.br/produto/3200481831?pfm_carac=cedrik-espada-e-sangue&pfm_index=2&pfm_page=search&pfm_pos=grid&pfm_type=search_page

2.     Submarino.com:

https://www.submarino.com.br/produto/3200481831/cedrik-espada-e-sangue?pfm_carac=cedrik-espada-e-sangue&pfm_index=2&pfm_page=search&pfm_pos=grid&pfm_type=search_page

3.     Amazon.com:

https://www.amazon.com.br/Cedrik-Espada-Sangue-Roberto-Fiori-ebook/dp/B091J3VP89/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=cedrik+espada+e+sangue&qid=1620164807&sr=8-1 

4.     Site da Editora Livros Ilimitados:

https://www.livrosilimitados.com/product-page/cedrik-espada-e-sangue

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