sexta-feira, 2 de abril de 2021

Escritos de João Carlos Sampaio viram livro de memórias

 

João Carlos Sampaio - Set de Troca de Cabeça [Foto por José Mamede]

Obra póstuma reúne críticas de cinema e outros textos do jornalista, nome fundamental do campo cinematográfico da Bahia e do Brasil

Lançamento ocorre em live no dia 9 de abril, no canal de YouTube da Abraccine

 

Baiano de Aratuípe, cidade que adorava com devoção, João Carlos Sampaio (1969-2014), jornalista, crítico cinematográfico e curador, era do tipo de pessoa que agrega, mobiliza e muito produz. Em 44 anos de vida, atuou pelo fortalecimento e pela visibilidade do cinema do Brasil e da Bahia, tendo sido um dos fundadores da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), que receberá, em seu canal de YouTube (www.youtube.com/abraccine), o lançamento do livro “Pó da estrada: Escritos de João Carlos Sampaio”, que reúne textos escritos por ele para jornais, revistas, mostras e projetos variados, além de um resgate poético de sua trajetória profissional e vida pessoal. A publicação, editada pela Editora Gris, tem organização e produção de Flávia Santana e Tais Bichara, curadoria de críticas de João Paulo Barreto e Rafael Carvalho, coordenação editorial de Lara Perl e projeto gráfico de Rafa Moo. Todos eles estarão presentes no evento com transmissão ao vivo, mediado por Luiz Joaquim (PE) e ainda com o convidado Marcelo Lyra (SP), ambos da Abraccine, no dia 9 de abril (sexta-feira), às 19h, celebrando esta entrega que, para além da memória de um indivíduo tão notável, desponta como marca de uma geração da cinematografia baiana e nacional.

 

João Carlos Sampaio permanece como um dos principais nomes da crítica de cinema brasileira. Escreveu durante quase 20 anos para o jornal A Tarde, que gentilmente cedeu suas escritas para o livro, e atuou como curador em festivais como Cine PE e Mostra Cinema Conquista. Integrou comissões de seleção e júris oficiais de eventos como o Festival de Cinema de Gramado e Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, além do júri indicativo do filme brasileiro pré-candidato ao Oscar em 2005. Seus escritos revelam vasto repertório prático e subjetivo, com domínio do assunto, enquanto também se encharcam da beleza de um olhar apaixonado pela vida, pela arte e pela humanidade.

 

“Eu nem me preocupo em parecer superlativa ou genérica por dizer que a importância de João é imensurável e impossível de mapear com inteireza. Ele foi uma espécie de gerente de muitas encruzilhadas, unindo pessoas, projetos, cenas e caminhos sempre com muita inteligência e generosidade”, declara a jornalista e produtora cultural Tais Bichara. “João fez pontes entre gerações de realização cinematográfica e crítica, entre produções da Bahia e de outros estados, entre redes de afeto que pareceriam desconexas para qualquer outra pessoa. E é sempre lembrado como um embaixador bem-humorado de coisas caras para ele, em todos os espaços que ocupou, na escrita, na curadoria ou na mesa de bar”, completa ela.

 

Também à frente da organização da publicação, a produtora Flávia Santana conta que já fazia tempo que existia o desejo de realizar o livro em memória a João, “essa pessoa que tanto admiramos e que tanto contribuiu para a crítica e para o cinema brasileiro”. E completa: “No processo de pesquisa e encontro com os arquivos de João, descobrimos que ele também tinha vontade de publicar uma obra com suas reflexões. Então, este lançamento mostrou-se um desejo coletivo. No processo de construção, conseguimos reunir diversos tipos de escritas de João, trazendo seu lado profissional e também a pessoa que está por trás disso: o seu humor, sua generosidade e sua forma bonita e única de lidar com a vida”.

 

A obra contém uma coletânea de críticas com 33 textos – 25 deles foram originalmente publicados no A Tarde e dois, no extinto Bahia Hoje. Há ainda um extraído do livro “Os filmes que sonhamos” (Editora Lume, 2012), outro da Revista Teorema, mais um para catálogo de mostra da Caixa Cultural, outro para o extinto site Viva Viver e dois de seu arquivo pessoal, possivelmente inéditos. A seleção foi feita por uma dupla de curadores formada pelos jornalistas e críticos de cinema João Paulo Barreto e Rafael Carvalho.

 

João Paulo Barreto explica que a proposta do livro, desde o começo do projeto, era que a curadoria pudesse seguir um norte tanto afetivo, em termos de obras de grande valor sentimental para João Carlos, quanto no sentido de ser um registro de sua trajetória como crítico de cinema. “Por isso, a seleção buscou abranger críticas sobre obras que representam momentos marcantes da cinematografia brasileira e mundial, bem como trazem o olhar terno dele no que se refere ao modo como aquelas obras o tocaram pessoalmente”, resume. O parceiro Rafael Carvalho descreve então a coletânea final: “Ela reúne textos que simbolizam as diversas facetas da produção de João Carlos Sampaio – um crítico incansável –, as preocupações e frentes de trabalho que ele tomou para si e que se evidenciam em seu ofício: a paixão pelo cinema brasileiro, o interesse pelos filmes latino-americanos e de outras cinematografias distantes, a reverência aos grandes clássicos, o gosto pelo cinema popular”.

 

Um outro conjunto de escritas, que alcança mais a pessoalidade de João Carlos Sampaio, como suas experiências de infância no interior, suas sensibilidades e a paixão pelo Esporte Clube Vitória, vem de suas intensas publicações no Facebook, de e-mails e de textos que revelam sua poesia intrínseca. Coisas como: “[...] o sentido das coisas depende daquilo a que a gente escolhe dar valor de crença, de peso, de altura, de força, de cheiro e de cor. Tudo seria só ficção e arbitrariedade, que só ganha jeito de existir e de ser pelo jeito de ser e de existir que a gente enxerga e decide, sabe-se lá por quê, acreditar e dar valor”. Ou da primeira vez que assistiu a um filme: “O cinema surgiu para mim como algo sobre bichos perigosos. [...] Quando descobri que era bem mais que isso, já não fazia diferença, estava completamente fascinado”. E ainda na defesa da democracia: “Não importa se o filme é bom ou ruim, mas nunca queira viver dias de censura. [...] é importante estarmos sempre alertas ao menor sinal de que isso volte. Adultos como você, como nós, devemos justamente poder escolher entre ver ou não ver qualquer coisa. [...] é por isso que defendemos até o que não queremos ver”.

 

Completando o conteúdo, estão contribuições da equipe, que descreve capacitadamente a figura de João, uma linha do tempo biográfica e afetiva, além de um belo relato contribuído pelo cineclubista, crítico de cinema, curador e programador Adolfo Gomes. Das imagens, fotos da infância e da vida adulta se somam a registros originais, feitos pela fotógrafa Hury Ahmadi, em viagem a Aratuípe, a “cidade paraíso”, como alçada no livro, pela fundamental presença na existência de Sampaio.

 

Para tornar tudo isto palpável, a editora independente Gris, de Salvador, segue na execução de suas experimentações de narrativas em processos gráficos impressos. Lara Perl, coordenadora editorial, explica: “O livro foi pensado como um diário de viagem que reúne fragmentos da vida e do trabalho de João, mas não é uma biografia. Tentamos construir um objeto especial que pudesse conter diferentes formatos de textos e imagens, apresentando uma sequência narrativa que traz certas quebras e surpresas”, diz ela. “Pensamos também no livro como uma janela que resgata o olhar de João sobre o mundo, a vida e o cinema”, completa Lara.

 

A tiragem é de 500 exemplares, parte distribuída gratuitamente para acervos de cursos de Cinema e Comunicação e cineclubes da Bahia. E não acaba aí: há ainda versão em audiolivro, narrado pelo ator, escritor e locutor Daniel Farias e pela psicóloga e psicanalista Guacira Cavalcante, disponível em www.editoragris.com.br, também onde o livro físico pode ser comprado.

 

O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal.

 

PARA FOTOS DE JOÃO CARLOS SAMPAIO, EQUIPE DO LIVRO E BASTIDORES DA VIAGEM A ARATUÍPE, ACESSE: http://bit.ly/podaestrada

 

Livro

Pó da estrada: Escritos de João Carlos Sampaio

Salvador, 2021 | Editora Gris

240 páginas | Formato 18 x 23 cm | Com versão em audiolivro | R$ 65

Vendas: www.editoragris.com.br

 

Lançamento

Com: Flávia Santana, João Paulo Barreto, Lara Perl, Rafa Moo, Rafael Carvalho e Tais Bichara

Convidado: Marcelo Lyra

Mediação: Luiz Joaquim

Quando: 9 de abril de 2021 (sexta-feira), 19h

Onde: Canal do YouTube da Abraccine no YouTube (www.youtube.com/abraccine)

 

Ficha Técnica

Pó da estrada: Escritos de João Carlos Sampaio

Organização e produção executiva: Tais Bichara e Flávia Santana

Curadoria de críticas: João Paulo Barreto e Rafael Carvalho

Fotografias: Hury Ahmadi

Coordenação editorial: Lara Perl

Edição: Lara Perl e Rafa Moo

Projeto gráfico: Rafa Moo

Autor colaborador: Adolfo Gomes

Revisão: Clarisse Lyra

Digitalização de imagens de arquivo: Patrícia Martins

Locução de audiolivro: Daniel Farias e Guacira Cavalcante

Montagem e mixagem de audiolivro: Napoleão Cunha

Transcrição de críticas e revisão de áudio: Rafael Saraiva

Assessoria Jurídica: Verônica Aquino

Assessoria de imprensa: Marcatexto

Gestão de mídias sociais: Inara Rosas e Vic Zacconi

Realização: Tropicasa Produções, Giro Produções Culturais e Editora Gris

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quinta-feira, 1 de abril de 2021

Entrevista com Bert Jr., autor do livro “Fict-Essays e contos mais leves”


Bert Jr.
, cujo nome de batismo é Colbert Soares Pinto Junior, nasceu em Porto Alegre, em 1962. Formou-se em História, na UFRGS, e logo depois em Diplomacia, no Instituto Rio Branco. Como diplomata já serviu em vários países, foi cônsul-geral e atualmente exerce a função de embaixador.

Aos 18 anos, dois poemas de sua autoria foram premiados em concurso que tinha Mario Quintana e Lya Luft no júri.

Sempre gostou de música, considerando-se um violonista amador intermitente. Mantém perfil nas redes sociais para divulgação de composições musicais e criações literárias. Seu mais recente trabalho é o livro “Fict-Essays e contos mais leves”, lançado em novembro de 2020.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

BERT JR.: Comecei a escrever poesia no final da adolescência, cheguei a publicar um livro alternativo aos 19 anos, em conjunto com um amigo. Continuei escrevendo poemas durante algum tempo, porém nunca havia tornado a publicar nada até o ano passado. Para minha surpresa, o que brotou desta feita foi uma obra de ficção.    

Conexão Literatura: Você é autor do livro “Fict-Essays e contos mais leves”. Poderia comentar? 

BERT JR.: “Fict-Essays e contos mais leves” representa minha estreia na ficção. Trata-se de um livro de contos, sete no total, três deles considerados densos porque centrados na viagem intelectual do personagem principal - os quais chamei de “fict-essays”, ou ensaios fictícios -, e outros quatro mais leves. Apesar de muito distintos em termos de enredo e personagens, todos eles têm em comum o fio condutor de tom humorístico, o qual, em minha opinião, é o elemento que confere unidade à obra. É uma leitura que busca divertir, mas que também, creio eu, provoca reflexões sobre temas contemporâneos. 

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro? 

BERT JR.: Os três “fict-essays” se originam de reflexões sobre temas que já vinham sendo objeto de leituras, porque me interessavam. Por isso, não realizei pesquisas específicas aprofundadas. Ainda assim, foi preciso atualizar conceitos e informações sobre os neandertais no contexto da evolução humana, assim como sobre narcisismo e sincronicidade. No caso de “VegaLight”, tive que pesquisar sobre veganismo. Já em “Um tal recital”, utilizei conhecimentos de música adquiridos ao longo de meus estudos de violão clássico. Para escrever o livro, levei pouco mais de dois meses. Foi um processo criativo bastante concentrado e intenso, que foi desencadeado um mês e meio após a pandemia de coronavírus haver sido oficialmente declarada.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho que você acha especial em seu livro?  

BERT JR.: Há vários trechos que eu poderia destacar. Mencionarei apenas dois, para não extrapolar os limites da entrevista. O primeiro é quando o personagem principal de “Sincronicidades”, o psicossociólogo Dr. Raul Reis, emprega a “escala de Blurying”, concebida para medir o grau de adesão coletiva a mitos formadores do patrimônio simbólico nacional, para avaliar o nível de impacto da derrota catastrófica da seleção de futebol na Copa de 2014 e do desastre ambiental de Mariana, Minas Gerais, ocorrido em 2015, sobre a integridade simbólica da identidade brasileira. O outro trecho está no conto “Quatro teses sobre Deus”, quando o personagem principal, um pastor evangélico, apresenta a terceira tese acerca da personalidade divina. Para ilustrar a ideia de que Deus é bipolar, o pastor afirma não ser mera coincidência o fato de a luz constituir uma metáfora universalmente associada à divindade, pois a luz possui natureza dual, apresentando comportamento corpuscular e de onda eletromagnética, a qual, além disso, descreve trajetória cujo padrão é uma sucessão de picos e depressões. Portanto, a metáfora representaria, no fundo, o caráter bipolar da personalidade divina.

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário? 

BERT JR.: O livro está disponível tanto em formato impresso quanto digital. Pode ser adquirido nos sites das maiores livrarias do país (Cultura, Travessa, Loyola, Saraiva, Fnac, Leitura) e também nos principais sites de venda de livros, tais como Amazon e Submarino, entre outros.

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta? 

BERT JR.: Sim. Já comecei a preparar outro livro de contos. É possível que alguns dos personagens de “Fict-Essays” reapareçam, agora em novas situações. Além disso, tenho um livro de poesia pronto para ser publicado. Deverá ser uma seleção de cerca de trinta poemas, de diferentes fases criativas. Por fim, um de meus poemas, “Silogismo Poético”, foi incluído na V Antologia de Poesia Brasileira Contemporânea, que está sendo lançada pela editora Chiado Books.

Perguntas rápidas:

Um livro: Crime e Castigo

Um (a) autor (a): João Guimarães Rosa 

Um ator ou atriz: Jodie Foster

Um filme: Blade Runner

Um dia especial: Hoje

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário? 

BERT JR.: Tenho a impressão de que o humor anda ausente da cena literária atual, e, no entanto, trata-se de um dos nossos traços culturais mais importantes, um dos cimentos da identidade brasileira. Sem ele, dificilmente teríamos permanecido unidos como povo, irmanados numa só nação. Sem a graça que nos é inerente, seguramente sucumbiríamos às tantas mazelas e crises que teimam em nos acometer ao longo da história. A meu ver, seria aconselhável não deixar de cultivá-lo a título de vacina contra toda sorte de obtusidades e fundamentalismos, tanto presentes quanto futuros. 

REDES SOCIAIS DO AUTOR:

INSTAGRAM: @_bertjunior

FACEBOOK: Bert Jr.

YOUTUBE: Bert Jr.

E-MAIL: bertmusics@gmail.com

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quarta-feira, 31 de março de 2021

Já está disponível a nova edição da Revista Conexão Literatura, nº 70 (Abril/2021). Baixe a sua.



EDITORIAL

Nossa edição de abril é especial e dedicada aos livros digitais que, com o avanço da tecnologia e as dificuldades que a pandemia gerou, os e-books espandem seus horizontes cada vez mais no Brasil e no mundo, atingindo milhares de leitores.

O leitor também poderá conferir dicas de livros, crônicas, contos, poemas, entrevistas e dicas para participação em antologias de contos e poemas.

Participe da nossa edição de maio, seja com conto, crônica ou poema. Você também poderá divulgar o seu livro ou editora. Saiba como: clique aqui.

Tenha uma ótima leitura!


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Ademir Pascale - Editor-Chefe
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Mulheres-trans lançam coleção de livros acadêmicos

 


Três autoras trans apresentam multiplicidade de discussões em coleção lançada pela Editora Devires e mostram que os saberes não são exclusividade de determinados grupos

Representatividade e poder de voz. Duas questões historicamente negadas às minorias de todo o mundo, principalmente no Brasil. Na contramão desse costume, um forte movimento acadêmico desenvolvido por mulheres, pessoas pretas e pessoas LGBTQIA+, tem quebrado barreiras da sociedade e mostrado que ninguém melhor que elas próprias para pensar e falar academicamente sobre elas. Prova disso está na coleção Saberes Trans, da Editora Devires, que reúne obras de três potencias literárias: Megg Rayara, Sofia Favero, Thiffany Odara — mulheres trans, pretas e acadêmicas.

Revisitando a educação

Pedagogia da Desobediência: travestilizando a educação – Thiffany Odara. Utilizando-se de uma abordagem feminista negra, a autora intersecciona pontos comuns que atravessam parte das mulheres trans e travestis: gênero, raça, classe e sexualidade. Lendo essa verdade em sua vida cotidiana, Thiffany transforma suas experiencias, além de observações das vivências de outras, em texto e provoca aquela que lê Pedagogia da Desobediência: travestilizando a educação, também a questionar o perfil racista patriarcal cisgênero heteronormativo daqueles que até então determinavam sozinhos os rumos da sociedade. É abordada ainda na obra a importância do ambiente escolar acolhedor e da educação para o respeito e como ferramenta de preservação da vida humana.

Crianças trans: infâncias Possíveis – Sofia Favero. Aprofundando-se cuidadosamente no conceito de infância para nos revelar a diversidade de narrativas entre as crianças trans, Sofia Favero oferece uma visão não somente brasileira, mas internacional, sobre o tema. Em seu olhar clínico e certeiro sobre a transexualidade na infância a autora causa uma tensão necessária à reflexão, com base numa fonte vasta e variada em formatos forçando quem acessa à obra a abandonar o lugar comum, formular suas ideias e se posicionar. O livro de estreia de Sofia Favero evidencia as atuais dimensões políticas sobre o tema “crianças trans” e revela a precária visão que tenta ignorar as necessidades dessa parte da população. Um estudo demasiadamente importante para uma nação que se define como “país do futuro”.

Dose dupla

As outras duas obras que fecham a primeira fase da coleção Saberes Trans são de autoria Megg Rayara. A primeira delas, O Diabo em Forma de Gente: (r)existências de gays afeminados, viados e bichas pretas na educação, retoma a necessidade de debruçarmos sobre o tema “criança e adolescente LGBTQIA+” e sua relação com o sistema educacional e com o ambiente escolar. A autora elenca uma série de provocações, uma delas sobre o impacto da presença de “gays afeminados, viados e bichas pretas” na escola. A obra pondera também sobre a responsabilidade das pessoas LGBTQIA+ que atuam como profissionais da educação, em transmitir conhecimento amplo que posicione essas pessoas jovens na sociedade, as retire do lugar comum, as encoraje, assim como no resgate de uma ancestralidade negada a todo o tempo em todas as instâncias da sociedade.

A segunda obra de Rayara, Nem ao centro, nem à margem! Corpos que escapam às normas de raça e de gênero, traz uma observação sobre uma série de personagens que incomodam a sociedade, sempre problematizando sua existência e sua permanência em determinados locais. Entre as personagens estão “a bicha preta, o viado perigoso, o gayzinho afeminado — inclusive o impacto que essa figura causa no ambiente escolar — as personagens religiosas retratadas na arte queer, as travestis e mulheres trans”, passando ainda por África, movimentos sociais, transexualidade na infância e a mulher negra nos quadrinhos. Pode parecer bastante coisas, mas, em sua genialidade, Megg Rayara dá conta do recado.

A força dessas três autoras, apresentada nessas quatro obras, imprescindíveis para quem deseja se aprofundar nas transdisciplinaridades propostas, somente comprova o que já se sabe, mas muita gente tenta negar: o saber transfeminino e preto merece lugar de respeito. Hoje esse lugar é o mundo e a Devires, por meio da coleção Saberes Trans está bem atenta a tudo isso. 

Obras:

Pedagogia da Desobediência: travestilizando a educação – Thiffany Odara; (xx páginas).

Crianças trans: infâncias Possíveis – Sofia Favero; (xx páginas).

O Diabo em Forma de Gente: (r)existências de gays afeminados, viados e bichas pretas na educação – Megg Rayara; (xx páginas).

Nem ao centro, nem à margem! Corpos que escapam às normas de raça e de gênero; (xx páginas). 

Disponível em: www.queerlivros.com.br

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Livros que foram rejeitados pelas editoras - 15 motivos para você autor(a) continuar tentando


Tirando os youtubers famosos, a maioria dos escritores já tiveram seus livros rejeitados por algumas (ou inúmeras) editoras. Eu também sou escritor e sei bem como é: o trabalho de passar horas, dias, meses pesquisando, escrevendo e revisando. Receber o não de uma editora, isso quando ela chega a dar uma resposta, pois muitas nem isso fazem, deixa o autor pra baixo. O pior é quando nós autores tentamos em uma, duas, três, quatro, cinco, dezenas de editoras e essa resposta positiva nunca chega. Muitos autores não aguentam passar meses ou até anos esperando para ver a sua obra publicada. Isso se for publicada. Alguns autores famosos, como Marcel Proust, teve que pagar por sua própria publicação, assim como Edgar Allan Poe. A famosa obra "E o Vento Levou" de Margaret Mitchell, foi rejeitada 38 vezes. Algo inacreditável. O Diário de Anne Frank foi rejeitado 15 vezes. O Senhor das Moscas de William Golding foi rejeitado 20 vezes. E até J. K. Rowling e Stephen King entram nessa lista de autores que tiveram suas obras rejeitadas. 

Então se você é autor(a) e está procurando por uma editora que publique o seu livro, continue tentando. Veja abaixo 15 motivos para você continuar nessa árdua luta:

LISTA DE LIVROS FAMOSOS QUE FORAM REJEITADOS POR VÁRIAS EDITORAS:

1 - O Diário de Anne Frank

2 - Crepúsculo – Stephenie Meyer

3 - Harry Potter e a pedra filosofal – J. K. Rowling

4 - Dubliners – James Joyce

5 - Catch-22 – Joseph Hellen

6 - Carrie, A Estranha – Stephen King

7 - E o Vento Levou – Margareth Mitchell

8 - Zen, e a arte da manutenção de Motocicletas – Robert M. Pirsig

9 - O Diário da Princesa – Meg Cabot

10 - Santuário – William Falkner

11 - A Revolução dos Bichos – George Orwell

12 - Tempo de Matar – John Grisham

13 - O Senhor das Moscas – William Golding

14 - O Espião que Saiu do Frio – John Le Carré

15 - Duna – Frank Herbert

NÃO DESISTA ;)

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terça-feira, 30 de março de 2021

Stephen King e Stanley Kubrick: livro e filme "O Iluminado" (The Shining), por Ademir Pascale

Jack Nicholson
O nome de um é Stanley Kubrick, do outro Stephen King, o título do longa é "O Iluminado". Com o nome destes dois dinossauros envolvidos só poderia resultar num excelente trabalho.

O INÍCIO
Procurando um novo projeto para rodar, Kubrick se depara com o livro "The Shining", de Stephen King e em 1980, lança o longa-metragem "O Iluminado" que, no meu ponto de vista, é o longa que possui os movimentos de câmeras mais incríveis do mundo cinematográfico e isso porque foi elaborado na década de 80, época em que o protagonista Jack Nicholson abusava de sua juventude, mas sempre se mostrando um ator maduro. O destaque nas atuações vai sem dúvida nenhuma para "Nicholson", já a péssima atuação da atriz Shelley Duvall (Wendy), não atrapalha tanto e não baixa a cotação do longa que é excelente. Jack Nicholson não deixa muito espaço para outras atuações, nem mesmo para o pequenino ator Danny Lloyd (Danny Torrance, O Iluminado) que hoje deve estar beirando os seus 50 anos.

Sendo aéreas ou terrestres, as imagens são espetaculares e o operador de câmera deve ter sido um dos mais habilidosos que já existiu no mundo da sétima arte. Geralmente em uma resenha crítica, só é citado o nome dos atores e diretores, mas não devemos nos esquecer que um filme é elaborado na maioria das vezes por dezenas de pessoas. E para que um filme seja ótimo, toda a equipe também deve ser ótima, desde os câmeras até os assistentes e acredito que o assistente de direção Brian Cook, deve ter tido uma grande participação, não deixando o mérito apenas ao excêntrico Stanley Kubrick. 
Cena do filme
O longa é um tremendo suspense/terror. Os longa-metragens do mesmo gênero que estão sendo lançados ultimamente, não chegam nem perto, pois se compararmos as datas, notaremos que na década de 80 não existia os mesmos recursos de hoje, efeitos especiais, etc. e mesmo assim "O Iluminado" bate de frente com qualquer filme do mesmo gênero e ultrapassa as expectativas de qualquer bom cinéfilo.

Sobre o livro "The Shining", de Stephen King, Kubrick não seguiu a trama da história ao pé da letra e a modificou consideravelmente, dando uma pitada ao final do filme que só ele, Stanley Kubrick sabe fazer, dando a oportunidade de darmos diversos finais para um único longa-metragem, dependendo da criatividade de cada um, o que faz do final algo completamente incerto.

O livro de Stephen King fez tanto sucesso, que foi traduzido para diversas línguas e teve as mais variadas artes de capa.

Caso ainda não tenha lido o livro ou assistido "O Iluminado", não perca tempo e procure por eles. 

Título Original: The Shining
Gênero: Terror
Duração: 144 min.
Ano: EUA - 1980
Distribuidora: Warner Bros.
Direção: Stanley Kubrick
Roteiro: Diane Johnson e Stanley Kubrick, baseado em livro de Stephen King
Direção de Fotografia: John Alcott
Desenho de Produção: Roy Walker

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Aninha, bonita e gostosa

 


Harvey Kurtzman é mais conhecido no Brasil por ter sido o idealizador da revista Mad. Mas há uma criação, dele, igualmente genial, pouco conhecida em nosso país. Trata-se de Little Annie Fanny, série em quadrinhos publicada durante anos na revista Playboy americana.

A personagem surgiu da amizade de Kurtzman com o dono da Playboy,  Hug Hefner. Hefner era fã do quadrinista e, quando este foi demitido da MAD após pedir participação nos lucro, Hefner se ofereceu para bancar uma nova revista.  A publicação, chamada Trump durou apenas dois números, mas cimentou a amizade entre os dois e o convite para uma colaboração coma Playboy.

Curiosamente, Little Annie Fanny surgiu como uma paródia do dono da Marvel, Martin Goodman chamado Goodman Beaver. O personagem era sátira ao mundo da publicidade e do meio editorial e foi publicado em um livro de bolso. Kurtzman ofereceu o série para Hefner, que sugeriu mudar o foco colocando uma mulher como protagonista. As sugestões iniciais de nome para a série foram Os perigos de Zelda e até Mariazinha confusão. No final, acabaram ficando com Little Annie Fanny (Aninha, bonita e gostosa, no Brasil), uma alusão satírica do clássico quadrinhos Lilttle Orfhan Annie.

Aninha é uma atriz e modelo que coloca os homens em polvorosa com seu corpo voluptuoso e ingenuidade a la Marilyn Monroe.

Kurtzman fazia o roteiro e o esboço das páginas, mas para desenhar chamou o amigo Will Elder, que pintava os personagens sem contorno, uma novidade na época. Posteriormente, outros craques da indústria colaboraram com a tira, com destaque para Frank Frazzetta, que fez a Aninha mais sensual de todos os tempos.

A primeira história já dava o tom de humor das demais histórias: Aninha está gravando um comercial de sabonete (sob o olhar sedento dos homens) e acredita tanto nas suas falas que acaba se apaixonando... pelo sabonete!!!

Em outra história Aninha se sente mal e acaba provocando uma confusão enorme no hospital ao tirar a roupa para ser examinda – os médicos literalmente passam a brigar entre si para examiná-la. O humor da tira ficava por conta tanto das piadas visuais  (com Elder enchendo as cenas de referências a atores e políticos da época) e dos diálogos inspirados de Kurtman, que faziam muitas referências diretas a acontecimentos da época.

O que era uma qualidade vira um problema: muitas situações só fazem sentido para o leitor norte-americano da década de 1960, o que talvez explique porque a personagem foi publicada no Brasil apenas uma vez na revista Playboy e em um álbum especial também da Playboy de 2004.

Mas algumas piadas não envelheceram, como da tira em que o protetor de Aninha está mostrando para ela sua coleção de armas (os diálogos de Kutzman fazendo direta referência entre as armas e o fetiche sexual) e começa uma disputa com o agente da modelo, que termina com os dois hospitalizados depois de uma troca de tiros.

Um clássico injustamente pouco conhecido no Brasil.  

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segunda-feira, 29 de março de 2021

Cinthia Rodrigues e o livro 21 Histórias de estudantes que mudaram a escola, por Cida Simka e Sérgio Simka

Cinthia Rodrigues - Foto divulgação

Fale-nos sobre você.

Costumo dizer que nunca saí da escola. Sou filha de professora e acompanhava muito minha mãe enquanto criança. Cresci, me formei jornalista, mas Educação sempre foi minha área de cobertura desde os tempos que passei por jornais como Jornal da Tarde e Folha de S.Paulo, até revistas especializadas como Nova Escola e Carta Educação. Tenho filhos gêmeos e sempre participei ativamente de suas escolas como conselheira escolar. Todos estes diferentes papéis em torno da escola me fizeram enxergar que a sociedade podia fazer mais pela escola, mas faltavam ferramentas para se conectar. Com a Luciana Alvarez (também autora do livro) e duas outras jornalistas engajadas, Luísa Pécora e Tatiana Klix, criei, em 2015, o Quero na Escola, em que estudantes dizem o que mais querem aprender além do currículo e buscamos voluntários para atender dentro da escola.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre o livro. O que a motivou a escrever?

Eu e Luciana escrevemos o livro "21 Histórias de estudantes que mudaram a escola". Foi a experiência no Quero na Escola que motivou o livro. Todos os anos atendemos centenas de pedidos de estudantes em ações dentro das escolas, algumas se desdobram em projetos ou novas relações com a escola. Mas alguns estudantes não sabiam o que pedir a mais ou pediam algo, porém diante do questionamento da direção voltavam atrás. Em resumo: muitos adolescentes não estão certos de que estudantes podem mudar a escola.

Eu conhecia exemplos como da Malala, da Dorina, da Greta e dos chilenos que vêm mudando as leis de seu país com grandes protestos e também estudantes que, via Quero na Escola ou ações não famosas, mudaram a relação deles e dos colegas com a escola. Baseada na premissa de que representatividade importa, que tanto vem sendo provada pelos movimentos negro e feminista, pensei no livro como algo que pudesse dar exemplos. Há histórias de quem enfrentou racismo, história de indígena que não tinha sua identidade reconhecida na escola, história de pessoa trans que estudou quando sequer a OMS aceitava a homossexualidade, história de um rapaz que fez uma escola em um campo de refugiados, história de um estudante que levou música e livros para sua escola... enfim, exemplos diversos, sempre acompanhados de dados e lindas ilustrações. A ideia é que cada história funcione sozinha e possa inspirar algumas causas e ações, mas juntas elas demonstrem como os estudantes podem - e são as pessoas mais indicadas para - moldar a escola para atender novas necessidades. 

Fale-nos sobre o programa “Quero na escola”.

O programa Quero na Escola normalmente funciona com os estudantes pedindo o que mais querem aprender além do currículo e os voluntários se cadastrando para ir pessoalmente. Acreditamos muito nas trocas que acontecem nestes encontros. Com a Covid-19 fizemos adaptações. Atualmente os voluntários se cadastram para acompanhar virtualmente os estudantes em encontros periódicos, como tutores de um grupo que estuda em formato híbrido ou remoto. O site é queronaescola.com.br e tanto os estudantes quanto os voluntários podem se cadastrar por lá. 

Fale-nos sobre a campanha de financiamento coletivo. 

Estamos na reta final de uma campanha de financiamento coletivo para o livro em https://www.catarse.me/21estudantes  As pessoas que nos apoiarem receberão o livro pelo correio já em abril. A campanha também possibilitará a doação do livro a estudantes de escolas públicas pré-cadastrados para receber o livro. Além disso, as ilustrações do livro são tão lindas que vamos fazer minipôsteres que também estão entre os mimos da campanha. 

Como analisa a questão da educação em tempos de pandemia?

Um desastre total. Eu sempre me lembro do professor Renato Janine quando assumiu como Ministro da Educação (no governo Dilma) e comentou que a diferença da Educação para a Saúde, é que o doente tem um alarme, que é a dor, e sai em busca de tratamento. Na educação, os que mais precisam são os que menos conhecem seus direitos e por isso a gente não tem senso de urgência. Isso agora ficou alarmante. Os governos têm tratado educação como se não fosse essencial, não dão ferramentas para estudantes e educadores trabalharem remotamente, não dão qualquer apoio. E as pessoas não estão organizadas e não exigem educação, especialmente pública. Os professores buscam seus direitos básicos e os alunos não buscam e não ganham. A desigualdade vai aumentar muito depois desta pandemia. Este cenário horrível também me fez apostar mais no livro. Mais do que nunca vamos precisar mais de inspirações.

Como analisa a questão da leitura no país?

Acredito que em decorrência da falta de acesso à educação (no Brasil o direito à educação só foi garantido a todos em 1988,  com a Constituição Cidadã) a leitura infelizmente é algo ainda restrito às classes mais privilegiadas. Apesar disso, acredito que há avanço especialmente entre os jovens. Ainda que seja uma leitura muito vinda do hemisfério norte, sucessos como Harry Potter fizeram mais pessoas entre as novas gerações capazes de mais leitura. 

O que tem lido ultimamente?

No último ano, algumas das minhas leituras eram relacionadas ao tema do livro "21 Histórias de estudantes que mudaram a escola", pesquisei várias obras sobre as personagens. Também foi impactante aí "Ensinando a transgredir" de Bell Hooks. No começo da pandemia, eu li livros sobre pessoas que viveram situações do confinamento, como Anne Frank, e também inspirações para uma sociedade diferente como "Ideias para adiar o fim do mundo" de Ailton Krenak.  

Link para o financiamento coletivo: https://www.catarse.me/21estudantes


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020) e Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020) e Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro infantojuvenil se denomina Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021).


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Confira a lista dos selecionados da antologia "POESIAS AO LUAR II"


CONFIRA A LISTA DOS SELECIONADOS DA ANTOLOGIA "POESIAS AO LUAR II":

  1 - Zéfiros Melinoe (Wellington Farias Dos Santos) - Eflúvios
  2 - Luz, a Joana (Letizia Joana Pitol Lopes Zanuso) - Um Brinde aos Quebrados
  3 - Bel Wells (Gisabel Ferreira Gomes) - O mar e as coisas infinitas e Mensageiro
  4 - Ivan Gusmão Cavalcante - Sombra
  5 - Lirianna (Alice Silva) - À Terça-feira e Tu, novamente
  6 - Bia Caetano (Fabianna Caetano da Silva) - Eu quis
  7 - Fernanda Brito da Silva - Tem gente que inspira poesia e Meu passarinho
  8 - Obam e edhuu (Peresch Aubham Edouhou) - Kapinga, mwana wa Jicho e Metok
  9 - Léo Silva - Esta cama não me cabe mais
10 - Cristiane de Mesquita Alves - Ela, a Lua
11 - Alberto dos Anjos Costa - Paradigma de fé
12 - Lurdinha Alencar - Fases da Lua
13 - Beatriz Cochrane Mattos - Minha Companheira
14 - Lourdinha Araujo - Anjo e Tributo a Pablo Neruda
15- Adriane Letícia de Santana Pinto - O despencar das gotas de cerveja
16 - Bárbara Cruz - Noites do Egito
17 - Flávia Redman de Assis - Mania de amar
18 - Noi Soul (Noiane de Jesus Souza) - À revelia e Carta XI 
19 - Hanayel Prasilde Medeiros Moreira - A irresponsabilidade 
20 - Cecília Torres - Sentindo o mundo
21 - Vívian Rossato Horii - Agridoce e Começo, Meio e Fim. Fim?
22 - Waléria Soares - Julgamento em última instância
23 - Gláucia Montin - Encanto da Lua
24 - Gercimar Martins - Com você em noites de Luar
25 - Francisco Moreira Filho - Amor Incontido e Anjo
26 - Priskila (Priscila Jacobsen Bisker) - A alquimista
27 - Inácio José de Freitas - Eu profano e Êxtase

PARABÉNS AOS SELECIONADOS. Entraremos em contato via e-mail.

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OBS.: para conhecer e participar de outras de nossas antologias: clique aqui.


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domingo, 28 de março de 2021

O Universo de Mary Shelley: Frankenstein e seus possíveis derivados, por Ademir Pascale

Prometeu sendo acorrentado

Por Ademir Pascale

NO INÍCIO ERA PROMETEU

Poderemos comparar o Dr. Victor Frankenstein ao titã grego Prometeu, que apoderou-se do fogo divino de Zeus, outorgando aos homens comuns a evolução perante aos outros animais e assim como o ser supremo, também gozava da criação humana. Furioso, devido ao roubo do fogo divino, Zeus castigou Prometeu e o acorrentou ao cume do monte Cáucaso, dando livre arbítrio para um terrível abutre dilacerar o seu fígado que sempre se regenerava, devido a sua imortalidade. Zeus pronunciou o castigo a Prometeu por 30.000 anos, mas, o condenado foi libertado por Hércules que deixou em seu lugar o deus da medicina, o centauro Quíron, pois este já estava condenado devido a uma ferida eterna causada por uma flecha terrivelmente envenenada. 

Em uma atitude nobre, Quíron transfere sua imortalidade pela libertação de Prometeu, com a intenção de acabar com o seu sofrimento devido a dor da ferida eterna que possuía.

Mary Wollstonecraft Shelley (1797-1851) a autora da obra "Frankenstein", inspirou-se na lenda de Prometeu. O título da obra era “Frankenstein” ou “O Moderno Prometeu”. Levantei uma conjectura demais interessante: e se Mary Shelley não for a real autora, criadora da obra "Frankenstein"? Estive analisando o conteúdo da obra "Frankenstein" e ligando alguns fatos interessantes.

Mary Shelley
VAMOS AOS FATOS   

Antes de apresentar os fatos, gostaria de fazer um breve comentário a respeito do poeta inglês, Percy Bysshe Shelley (1792-1822). Percy era casado com Harriet Westbrook e ao mesmo tempo, namorado de Mary Wollstonecraft. Um triste dia, Harriet descobriu a traição e, claro, não aceitou. Impulsivamente, ou quem sabe num gesto de desespero, Percy abandona a esposa gestante e foge com Mary para o continente. Dois anos depois do ocorrido, mais precisamente em 1816, Harriet ainda não conformada com a traição, suicida-se e, sabendo da tragédia, Percy não perde tempo e se casa com Mary. 

PRIMEIRO FATO: na trama "Frankenstein", o pai da horrenda criatura, Victor Frankenstein, era ridicularizado pelos mestres de sua universidade, devido ao grande interesse pela Alquimia, considerada ultrapassada em sua época. Na vida real, o poeta Percy, esposo de Mary, foi expulso da faculdade de Oxford depois de publicar um panfleto sobre a necessidade do ateísmo (doutrina dos ateus. Falta de crença em Deus). Percy arruinou sua carreira acadêmica, mas defendeu suas ideias.  Note a semelhança neste fato entre o personagem Victor Frankenstein e Percy Bysshe Shelley. 

SEGUNDO FATO: o suicídio da primeira esposa do poeta Percy, Harriet. Quando amamos alguém que se vai, não pensamos como seria bom a eternidade da vida humana e às vezes não ficamos descrentes no ser supremo? Na obra "Frankenstein", Victor Frankenstein não teve a terrível ideia de dar vida a um ser inanimado depois da morte de sua mãe? 

TERCEIRO FATO: Percy tinha ideias não convencionais. Uma grande prova deste fato é a admiração pelo autor William Godwin (1756-1836), também possuidor de ideias não convencionais e pai de sua segunda esposa, Mary, além de ter sido expulso da universidade por defender o ateísmo, ideia que ia contra os conceitos da universidade de Oxford. Para a época, a obra "Frankenstein", não seria uma obra não convencional? 

QUARTO FATO: a autora Mary Shelley escreveu cerca de trinta obras, mas somente  “Frankenstein”, fez o estrondoso sucesso.

QUINTO E ÚLTIMO FATO: Percy morre aos 29 anos por afogamento em julho de 1822. Sua esposa Mary Shelley passou a se responsabilizar pela publicação de suas obras.

MINHAS CONCLUSÕES: não seria Percy Bysshe Shelley o real autor da obra "Frankenstein"? A primeira publicação de apenas 500 exemplares foi publicada em 01 de janeiro de 1818 em uma pequena editora de Londres e grande detalhe, a obra não continha o nome do autor. O prefácio da obra foi redigido pelo próprio Percy B. Shelley.

Um ano depois da morte de Percy, em 1823, a segunda edição de Frankenstein é publicada, mas desta vez com o nome da autora, Mary Shelley. 

Percy B. Shelley
Não seria o verdadeiro pai da criatura, do desfigurado ser infernal, Percy B. Shelley? Liguei estes fatos ao pesquisar a vida do poeta Percy, da escritora Mary Shelley e do anarquista filosófico, William Godwin (pai de Mary Shelley). As ligações da obra "Frankenstein" com a vida real de Percy B. Shelley, são imensuráveis. Não existiu o desprendimento do autor com a obra, o qual relatou suas ideias pessoais e íntimas em relação ao ateísmo e em trazer a vida aos falecidos, além do marcante fato de sua expulsão na universidade de Oxford, bater com o terrível tratamento dado pelos professores em relação as suas ideias sobre alquimia do personagem “Victor Frankenstein”. Dificilmente eu acreditaria que fosse Mary Shelley a autora da obra "Frankenstein" depois de correlacionar tais fatos, mas saliento que não deixam de ser conjecturas. Não seria as personagens Victor Frankenstein e a própria criatura o alterego de Percy B. Shelley? Será que não se sentira culpado pelo suicídio de sua primeira esposa, Harriet, comprovando a criação do criador e criatura como uma metáfora? Note que na obra, o monstro sempre está próximo ao seu criador, mas por mais que se esforçasse o pai da besta nunca conseguia alcançá-lo. Seria um sentimento profundo de culpa que Percy sentia pela morte de sua ex-esposa, algo irrevogável e inalcançável, pois ela jamais retornaria a vida. 


FRANKENSTEIN OU APENAS “CRIATURA”?

Sim, apenas criatura. Este era um dos nomes do monstro, ou se preferir “demônio”, “ser infernal” ou simplesmente “desgraçado”. Frankenstein era o sobrenome de seu criador, Victor Frankenstein. O autor da obra não deu nome ao monstro. Talvez o fato de soar estranhamente o nome “criatura”, deu-se o sobrenome do criador e nada mais justo dar o sobrenome do pai ao filho. 
O nome Frankenstein, originou-se de uma importante família da Silésia. Importante porque se deu o nome "Frankenstein" a uma antiga cidade hoje chamada de Zabkowice Slaskie (a Silésia é uma região histórica dividida entre a Polônia, República Checa e Alemanha). Dizem que Mary Shelley conheceu a família “Frankenstein” em uma de suas viagens, mas provavelmente Percy B. Shelley a acompanhava.

AS ADAPTAÇÕES DA OBRA FRANKENSTEIN

Frankenstein está entre as primeiras obras góticas da história. A primeira foi publicada em 1764, intitulada "O Castelo de Otranto", de Horace Walpole (1717-1797). A obra “Frankenstein” é estruturada em romance epistolar, o realismo da história é indescritível e deveras emocionante. Além da inspiração da lenda de Prometeu, o autor (ou autora) da obra “Frankenstein”, também foi inspirado pela obra do autor e representante do classicismo inglês, John Milton (1608-1674). A obra é intitulada “Paradise Lost”. A segunda obra de Milton foi intitulada de "Paraíso Reconquistado", dando sequência ao primeiro livro. 

Trecho de Paradise Lost, traduzido por Antônio José de Lima Leitão (1787-1856).
(...)
“Inferno! Inferno! Que painel terrível
Meus olhos miserandos presenciam!
Em nossa estância habitam criaturas
De outro molde, talvez de terra feitas,
Que, não sendo anjos, só diferem pouco
Dos celestes espíritos brilhantes.
Os meus maravilhados pensamentos
Nelas se engolfam todos: té me sinto
Propenso a amá-las, — tanto lhes fulgura
A semelhança divinal no porte,
E tantas graças nos gentis semblantes
A mão que as construiu pródiga esparze!
Ah! par formoso! Mal agora pensas
Na mudança que perto já te assalta:
Esses prazeres todos vão sumir-se,
E desgraça tremenda lhes sucede
Tanto mais crua quanto sentes hoje
Alegria maior nos seios d’alma.
És feliz, mas durar assim não podes
Porque bem defender-te o Céu não soube; (...)

A obra “Frankenstein” é deveras trabalhada e inspiradora, mas, para alguns, com falhas: Victor Frankenstein junta pedaços humanos e os molda, tentando reconstituir a sua maneira a figura de um ser humano, mas, ao final do processo, após tortuosos estudos, noites em claro e alterações em sua saúde — decorrentes do excesso de trabalho —, o ser inanimado torna-se animado e assim como Percy B. Shelley abandona a esposa gestante, Victor abandona sua obra, ou se preferir, criatura.  

Frankenstein foi inicialmente alterado nas telas do cinema como um ser não tão “pensante”, ao contrário da filosófica criatura da obra de Mary Shelley ou Percy B. Shelley, que é culto e rápido como o relâmpago, “bem” diferente do conhecido Frankenstein do mundo da sétima arte, se bem que alguns diretores tentaram posteriormente modificá-lo, e hoje poderemos notar várias adaptações dele, algumas até cômicas, como no longa-metragem de 1974 “O Jovem Frankenstein” (Young Frankenstein/ 104 min/ 20th Century Fox Film Corporation).

Os leitores também se deleitavam com as adaptações de Frankenstein em quadrinhos, muitas das vezes herói, outras vilão.

O teatro também adaptou a obra e foi o primeiro a gozar de tal feito. Por fim, notamos adaptações de Frankenstein até em jogos futuristas para modernas plataformas de videogames. 

Frankenstein jamais morrerá, assim como os imortais deuses da mitologia, infelizmente, para desespero de Victor Frankenstein, que perdeu a vida tentando destruir o monstro.


ALGUNS POSSÍVEIS DERIVADOS DA CRIATURA DE FRANKENSTEIN:

O Incrível Hulk - Edwards mãos de tesoura - A Noiva Cadáver - Monstro do Pântano e O Médico e o Monstro.

Série "O Incrível  Hulk"




Nota: devemos temer o anormal e o estranho? Afinal, o que é ser normal? É seguir um padrão? Será que nos importamos mais com o visual do que com o conteúdo? Se Frankenstein fosse compreendido pelos humanos, a obra teria um trágico final? Se na vida real compreendermos o que está fora dos nossos padrões visuais, a vida humana não será mais harmoniosa?                   




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O Grande Gênio Tim Burton, por Ademir Pascale

Tim Burton - Foto Divulgação

Por Ademir Pascale

Timothy William Burton (Tim Burton), nasceu em Burbank, na Califórnia, no dia 25 de agosto de 1958. Burton foi um garoto sonhador e apaixonado, para não dizer obcecado, por filmes de terror de baixo-orçamento. Já na adolescência, ganhou uma bolsa da Disney para estudar no Instituto das Artes da Califórnia por três proveitosos anos e, logo após, foi contratado pela Walt Disney Studios, com o cargo de Aprendiz de Animador.

Quem diria que anos depois seria o grande cineasta Tim Burton?

A Disney, infelizmente, não mostrou muito interesse pelos trabalhos "estranhos" de Burton, deixando o grande garoto infeliz. Os personagens dos desenhos animados de Burton geralmente são dotados de grandes olhos esbugalhados – isso quando possuem olhos –, são maltrapilhos e na maioria das vezes, como a própria Disney pronunciou, parece que foram "atropelados".

O cenário gótico também é um dos pontos marcantes do cineasta. Notem que a maioria dos grandes gênios mundiais, cineastas, cientistas, físicos, matemáticos, artistas, autores, etc, sempre encontraram terríveis obstáculos no percurso do sucesso, simplesmente pelo fato de serem diferentes e incompreendidos.

Sei que foge um pouco do contexto deste artigo, mas gosto de citar “historinhas” e dar exemplos, e o caso de Thomas Edison é um deles. Assim como Albert Einsten, Edison foi rejeitado no colégio, até que largou o estudo em sala de aula, sendo educado pela mãe em sua própria casa. Posteriormente, ele criou a lâmpada elétrica.

O medo de expor nossas ideias, quando estas fogem do cotidiano do ser humano, é grande, mas aqueles que o fazem geralmente são reconhecidos no futuro. Existem desculpas, como o medo do fracasso e a falta de tempo. Digamos que nós poderemos ser tachados de “workaholics” (viciados em trabalho) e sem tempo para nada, mas aqueles que persistem conseguem alcançar seus sonhos.

Avengers, nas mãos de Tim Burton - Foto Divulgação
A britânica J. Rowling é um destes exemplos. Divorciada, morando de aluguel, com pouco dinheiro e tendo uma filha pequena para criar, escreveu mais de trezentas páginas da obra "Harry Potter e a Pedra Filosofal", persistiu por vários anos para a sua publicação, e conseguiu. Hoje, é a segunda mulher mais rica do mundo, perdendo apenas para a Rainha Elizabeth. Peço desculpas pelos exemplos, mas achei conveniente citá-los para que vocês sintam a verdadeira essência do gênio e batalhador chamado Tim Burton.

Mas, você sabe qual é a relação entre o aristocrata e romancista inglês Horace Walpole (1717 -1797) e o cineasta estadunidense Tim Burton?

Horace Walpole foi o idealizador do romance gótico com a primeira obra do gênero mundial, "O Castelo de Otranto" (1764). Já o estiloso Tim Burton é conhecido por seus incríveis longas-metragens góticos, como Edward Mãos de Tesoura, A Noiva-Cadáver, O Estranho Mundo de Jack, e outros, como Batman, pois quem seria melhor do que Tim Burton para fazer uma interpretação do gótico super-herói?

Horace Walpole foi o pai do estilo gótico literário, tendo influenciado outros grandes autores, dando destaque para Mary Shelley (1797-1851), autora da obra “O Moderno Prometeu” e da tétrica criatura Frankenstein. Posteriormente - dando um salto no tempo -, viriam os grandes cineastas góticos, sendo um deles o Tim Burton.

O estilo de Tim Burton é incrível; sombrio, dramático e cômico. A parceria em vários trabalhos com o ator Johnny Depp é promissora, e esta dupla já rendeu muitas cifras para as produtoras e seus envolvidos.

Um dos trabalhos interessantes da dupla é um musical da Paramont Pictures, dirigido por Burton, "Sweeney Todd", tendo Johnny Depp como protagonista.

Burton não agrada somente aos adultos com o seu estilo diferente, mas também as crianças. A Noiva-Cadáver e O Estranho Mundo de Jack, como produtor, juntamente de Denise Di Novi, são grandes exemplos. Os adolescentes também se deleitam com as peripécias deste gênio, que a convite dos músicos "The Killers" dirigiu o videoclipe intitulado "Bones". A música é parte integrante do álbum "Sam's Town".

Com o gênero terror mais apimentado, temos a versão do clássico “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça”, dirigido por Tim Burton em 1999. Com um estilo diferenciado, temos “Ed Wood, o pior diretor de todos os tempos”, uma homenagem e um retrato da vida do cineasta Ed Wood, sendo protagonizado por Johnny Depp. O filme foi lançado em 1994. (O longa Ed Wood, ganhou 2 Oscars, um de melhor ator coadjuvante para Martin Landau e o outro de melhor maquiagem). Ainda posso citar o incrível remake baseado no livro de Roald Dahl “A Fantástica Fábrica de Chocolates”.

DICA DE LIVRO
O Triste Fim do Pequeno Menino Ostra & Outras Histórias
Autor: Tim Burton
Editora: Girafinha
Nº de páginas: 128

MINISINOPSE
Escrito e ilustrado por Tim Burton. As ilustrações evocam a doçura e a tragédia da vida, o autor apresenta uma galeria de personagens infantis muito peculiares. Incompreendidos e desajustados, eles lutam para encontrar amor e aceitação em um mundo cruel. O TRISTE FIM DO MENINO OSTRA E OUTRAS HISTÓRIAS, é um livro estranho(?), chocante e melancólico de heróis desesperançados e infelizes que remetem ao lado negro que existe em todos nós.

TRECHO DA OBRA
“Era uma vez um melão melancólico
Passava o dia inteiro macambúzio
Querendo a hora do próprio velório
Ora, cuidado com os teus pedidos!
Pois o dele foi de pronto atendido
O último som que entrou em seus ouvidos
Foi o ‘ploft’ em que acabou dissolvido.”

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