sábado, 7 de março de 2020

Janaina Moro e a “pesquisa que revela o assédio no jornalismo ser naturalizado e visto como um problema de difícil solução”, por Cida Simka e Sérgio Simka


Em 09 de março, é considerado o Dia de Luta das Mulheres Jornalistas, a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) orienta que as jornalistas vistam lilás contra os assédios moral e sexual e os ataques sexistas, machistas e misóginos. Para abordar o tema, a jornalista e pesquisadora Janaina Moro traz uma pesquisa que revela o impacto do assédio sexual na carreira das jornalistas.

O assédio é um problema da atualidade, que gera consequências maléficas para quem sofre e para a sociedade. Segundo a Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE), o assédio pode provocar estresse, irritabilidade, perda de autoestima, ansiedade, depressão, apatia, perturbações da memória, perturbações do sono e problemas digestivos, levando até mesmo a casos de suicídio. Os reflexos do problema também atingem o serviço nacional de saúde e o sistema de segurança social, com prejuízos aos cofres públicos. Muitas são as áreas que sofrem desse mal, entre elas está a jornalística. Segundo a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), 70,4% das jornalistas respondentes disseram já terem sido alvo de abordagens de homens durante o exercício da profissão, que as deixaram desconfortáveis, além de distribuição de pautas com base em estereótipos de gênero, até o assédio sexual cometido por colegas e superiores.
A jornalista e pesquisadora Janaina Moro, do programa PPGCOM, da USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul), trouxe a temática em sua dissertação de mestrado: “O impacto do assédio sexual e da discriminação de gênero na trajetória profissional de mulheres jornalistas”. A pesquisa, de abordagem qualitativa, ouviu relatos de cinco jornalistas do estado de São Paulo, que sofreram assédio, com o objetivo de investigar a percepção dessas profissionais sobre o problema, além da discriminação de gênero vivenciada em sua trajetória profissional. A pesquisa realizada entre 2018 e 2020 contou com orientação da Dra. Rebeca Guedes Nunes de Oliveira, professora permanente do programa de mestrado profissional da USCS e especialista em estudos de gênero. O estudo  procurava entender de que forma estratégias de enfrentamento eram identificadas e mobilizadas por mulheres jornalistas nas ocasiões de vivência do assédio sexual no trabalho.
O resultado da pesquisa trouxe que as jornalistas naturalizavam o assédio, além disso, as empresas, em unanimidade, não ofereciam canais próprios para as denúncias de assédio, portanto, os casos de assédio ficavam nas sutilezas do dia a dia. A maioria das vítimas assediadas utilizaram como forma de enfrentamento apenas revelar o ocorrido para um colega próximo.
Segundo o estudo, foi unanimidade entre as jornalistas o desejo da existência de um departamento próprio para tratar deste problema. A pesquisa trouxe que, entre os impactos sofridos pelas entrevistadas, estava o sentimento de impotência, o ter de silenciar-se perante situações humilhantes, a fim de prezar pela manutenção do emprego.
Além disso, a pesquisa revelou que o assédio pode vir de pessoas não vinculadas diretamente ao veículo, como leitores, fontes jornalísticas, patrocinadores dos veículos, conforme ocorrido com as entrevistadas da pesquisa. Além do assédio, elas sofriam com discriminação de gênero, quando relatavam, por exemplo, desvantagem na profissão por ser mulher e não conseguir empregos em áreas nichadas e ditas masculinas, como a esportiva.
“Escolhi essa temática quando observei a militância evidenciada, principalmente no ano de 2018, através das muitas trending topics das redes sociais, sobre as hashtags: #jornalistascontraoassedio #ChegaDeAssédio, #Chegadefiufiu #Primeiroassedio, "Deixa Ela Trabalhar”, #jornalistascontraoassedio. E, ao perceber que embora a discussão ganhasse a esfera digital, no âmbito do dia a dia, o assédio continuava silenciosamente, conforme conhecimento de colegas que passavam por isso, mas não vislumbravam formas de superá-lo”, explica a pesquisadora e jornalista Janaina Moro.
“Precisamos de mais pesquisas nessa área envolvendo o combate e o descortinamento de um problema tão sério que é naturalizado e impacta em questões de igualdade de direitos ao exercício pleno das atividades laborais”, finaliza a autora do estudo.
 Com informações da Agência Conecta (www.conectagencia.com.br).
 

CIDA SIMKA
É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019) e O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020). Organizadora dos livros: Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020) e Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020). Integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC e colunista da Revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA
É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela Editora Uirapuru. Membro do Conselho Editorial da Editora Pumpkin, integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC e colunista da Revista Conexão Literatura.
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