segunda-feira, 15 de junho de 2020

Proclamação da república, de Marcos Rey



A coleção O cotidiano da história,d a editora Ática, tinha como objetivo contar, de forma agradável e atraente, fatos importantes da história do Brasil. Eram edições ilustradas, com diagramação inovadora e textos de alguns dos grandes autores infanto-juvenis brasileiros. Um dos volumes de destaque é Proclamação da República, escrito por Marcos Rey.
Marcos Rey é um escritor de narrativa fluída, que torna até mesmo um tema pouco atrativo, como a proclamação da república (que foi, essencialmente, uma quartelada sem qualquer ação real) em uma delícia de leitura.
Rey adota como estratégia contar os fatos do ponto de vista de um personagem que teria presenciado os acontecimentos. No caso, um jornalista, Antônio Brotero, o Broteirinho. Trabalhando no jornal republicano O País, Broteirinho resolve abadonar sua coluna de resenhas literárias para se dedicar às notícias políticas exatamente no período em que o Brasil se convulsiona. Com o aval do diretor do jornal, Quintin Bocaiúva, ele invade o clube militar durante uma reunião do alto oficialado, que conspira contra D. Pedro, o baile de ilha fiscal (festa suntuosa que marcaria o fim da monarquia) e acompanha a movimentação dos quarteis que levariam à instalação da república e o exílio de D. Pedro II. A ação é mínima: um combate mequetrefe entre o exército e a marinha que termina com um ferido, mas Marcos Rey conta tudo como se estivesse narrando um folhetim.
O autor também não se furta a alguns comentários sobre o evento. Por exemplo, quando o protagonista ouve as falas na reunião do clube militar, pensa: “A República, sem dúvida, estava próxima, mas não a do moderado Quintino Bocaiúva, nem a do radical Silva Jardim; a julgar por aquela reunião, excluiria as elites civis e a participação popular, correndo o risco de tornar-se uma ditadura, rígida, que talvez fizesse o País ter saudades do Império”. Como dizia o jornalista Silva Jardim, “falta povo nessa revolução”.
Como é um livro para adolescentes e para ser usado em escolas, o autor deixa de fora muitas fofocas históricas (como o fato de que Marechal Deodoro e o Visconde de Ouro Preto (primeiro ministro do Império) tinha disputado a mesma mulher e, portanto, tinham rivalidade antiga. Ainda assim, é um livro que prende a atenção.

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