sábado, 26 de setembro de 2020

Glauber Costa e o livro O homem com cabeça de urubu

Glauber Costa é natural de Ubatã, Bahia, e mora atualmente em Manacapuru, no Amazonas. É professor e escritor, tendo publicado contos e crônicas em revistas e antologias literárias. 

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Glauber Costa: Desde criança, sou fascinado por Literatura. Tive influências incisavas na escola, na família, na casa, onde havia uma estante de livros de variados estilos despertando sempre a curiosidade. Tomado pelo poder das palavras, que fazia com que aquelas obras parecessem vivas em minhas mãos, e eram, começar a rabiscar foi uma consequência que levei para a minha vida. 

Conexão Literatura: Você é autor do livro e e-book “O homem com cabeça de urubu”. Poderia comentar? 

Glauber Costa: A ideia do conto “O homem com cabeça de urubu”, que dá título ao livro, surgiu a partir de um espanto. Assistindo a um seriado japonês, vi aparecer em cena um homem com cabeça de cachorro. Apesar do meu susto, estava claro que aquele personagem era natural para aquela história. E nesse “falso susto”, o livro começou a nascer. Creio que muitas criações artísticas surgem de assombros assim. Nem sempre de viés, é claro. O texto em si foi surgindo quando me peguei, distraidamente, observando urubus na cidade, deslizando pelos céus e alimentando-se de restos mortais no chão. Foi então que aquele assombro voltou e comecei a fabular para tentar ordenar aquela sensação. Acredito que a fábula seja mesmo essa possibilidade de ligação infantil, no sentido de descoberta, entre nós e o nosso lado oculto, que também é manifesto. Os percursos para simbolizar um animal que é, ao mesmo tempo, estranho e próximo revelaram um rico potencial que essa ave urbana tão próxima de nós carrega e que pode ajudar a pensar variadas questões que estão aí no nosso cotidiano, volta e meia, nos espantando. Assim é o clima do conto, em que um personagem é assombrado pela visão de um homem com cabeça de urubu convivendo normalmente entre as pessoas, sem saber direito o que fazer com aquela visão, que o atrai para caminhos tão bizarros, quanto familiares. 

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro?

Glauber Costa: Após a publicação do conto, em 2015, pela Revista Subversa, o livro levou cinco anos para ser concluído. Durante esse período, novas histórias foram sendo acrescentadas à fabulação do primeiro conto, à medida que novas simbologias, existenciais e, sobretudo, sociais, foram se encaixando à metaforização de leituras sobre o urubu. Não só leituras enciclopédicas, como a própria vivência, é claro, junto às aves no dia a dia urbano contribuíram para a construção do texto. Aliás, enquanto escrevia, tinha a impressão de que a “coisa” a ser escrita já estava “lá”, e eu só precisava colocar no papel. E a “coisa”, assim como o urubu, era sempre ao mesmo tempo estranha e familiar. Assim, temos no livro, desde uma criança passando fome sendo ajudada por urubus a comer lixo, até personagens diante da própria putrefação; além de outras, com traços de carniceiras aproveitando-se da vulnerabilidade alheia. Mas, temos também, apesar dessa morbidez, que é consequência natural dos rumos surreal que a história toma, a resistência do humano diante das suas ruínas.  

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do seu livro especialmente para os nossos leitores?  

Glauber Costa: 

Destaco o primeiro parágrafo do livro: 

“Andava tranquilo pela rua, quando vi a criatura. Era um homem de estatura média, um pouco forte, bem vestido, alinhado, mas com andar um pouco despojado, e, no lugar de cabeça de gente, tinha cabeça de urubu. Esfreguei um pouco os olhos, mas ele não sumia. Estava ali. Parei na calçada e observei com certa cautela o que ele iria fazer. Olhei ao redor, as outras pessoas seguiam seus afazeres com naturalidade. Olhei mais atentamente para o sujeito, que parou em frente a um bar e ficou a procurar alguma coisa no bolso, antes de entrar. Dei dois passos em direção ao boteco, quando alguém me gritou. Depois de um tempo de sobressalto, pelo grito e pelo espanto do que tinha visto, atendi ao chamado.”.

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir o seu livro ou e-book e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário? 

Glauber Costa:

Livro impresso: https://clubedeautores.com.br/livro/o-homem-com-cabeca-de-urubu

E-book: https://www.amazon.com.br/homem-com-cabe%C3%A7a-urubu-ebook/dp/B08DDJRB7Q

Instagram: @glaubercostafernandes

                  @ohomemcomcabecadeurubu

Facebook: @manuscritos

Conexão Literatura: Quais dicas daria para os autores em início de carreira?

Glauber Costa: Se posso dizer algo, diria para ter paciência. O processo de produção literária, para além de textos engavetados, é, muitas vezes, angustiante, pois, ao mesmo tempo em que há ansiedades profissionais, a produção de literatura em si pede uma doação muito íntima, que dá prazer ou alívio, mas também cobra o seu preço. Saber lidar com isso é essencial. Mas talvez isso seja apenas uma questão particular. No mais, se você não pensar a escrita de um modo separado da leitura, ajuda bastante. Mais ainda, escrita e leitura não devem de modo alguém ser isolados da vivência pessoal e social. Desse modo, vivendo a Literatura de um modo mais completo, amenizam-se as angústias, ou melhor, sublimam-nas.

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta? 

Glauber Costa: Sempre mantenho uma constante produção de contos de espantos, que publico em revistas e antologias literárias. Além disso, ando pesquisando sobre cultura popular e folclore para uma produção futura.  

Perguntas rápidas:

Um livro: “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos. 

Um (a) autor (a): Cornélio Penna (Um grande achado que tive este ano!).

Um ator ou atriz: Anthony Hopkins.

Um filme: Abril Despedaçado.

Um dia especial: Hoje.

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário? 

Glauber Costa: Agradeço a oportunidade e o espaço. Estou conhecendo melhor a cena literária na prática e afirmo que, ao contrário do que se pensa, há muita gente, no Brasil, envolvida com Literatura, seja escrevendo ou lendo. E isso precisa ser evidenciado com orgulho, apesar da carência extrema que ainda existe, que, como professor, encaro como constante desafio. Acredito que o trabalho de incentivo deva ser constante, como escritor, leitor e multiplicador, para que todos tenham a possibilidade de acesso a esse bem tão precioso da humanidade, que é a arte.  

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Um comentário:

  1. O livro é muito bom,substitui a realidade poruma aventura imaginária.
    Nos leva a reflexões, principalment e sobre a podridão humana, dissimulada, aparente. Enxergarmos no outro o que verdadeiramente somos.Cada um de nós é o homem urubu.Em conflitos com nossos pensamentos, valores em relação ao outro, nos causa assombros.

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