domingo, 10 de janeiro de 2021

Gustavo Rosseb e seus livros, por Cida Simka e Sérgio Simka


Fale-nos sobre você. 

Sempre gostei de me expressar. De muitas formas. Desde criança já criava continuações para os filmes que mais gostava e brincava na rua encenando essas histórias com os amigos. Daí para a escrita acabou sendo um pulo. Também já cantava e desenhava desde pequeno. Hoje trabalho com literatura, escrevo roteiros para cinema e sigo cantando por aí; já me apresentei com minha banda em grandes eventos como Rock in Rio e South by Southwest. Então acredito que continuo me divertindo enquanto trabalho. Hehehe. A escrita acaba sendo uma das válvulas de escape que utilizo quando aquilo que precisa escapar necessita da literatura como melhor roupagem para isso. 

Fale-nos sobre As Aventuras de Tibor Lobato. O que o motivou a escrever essa trilogia?

Outra coisa que sempre me encantou foram as histórias de folclore brasileiro. Sabe quando você ia lá pra casa da sua tia ou da sua avó e vinha aquele primo mais velho e contava uma história de assombração à beira da fogueira? Pois é, aquele tipo de história que te faz deixar a luz do corredor acesa na hora de dormir, aquele tal de “papai contava um causo...”. Essas histórias sempre me chamaram muita atenção. Quando tive contato com a literatura fantástica, percebi que havia um espaço em aberto por ali. Harry Potter traz uma porção de lendas da Inglaterra. Percy Jackson, mitologia grega. Onde está a mitologia brasileira? Foi o que me perguntei dentro de uma livraria ao procurar algo do tipo para ler. Depois de muito procurar e não encontrar, decidi escrever. Essa lacuna foi o que me motivou. Viajei por 10 anos pelo Brasil coletando histórias nossas que não chegam mais pra gente. E resolvi criar um universo onde essas personagens tão ricas, medonhas, fofas e especiais pudessem se encontrar. A trilogia traz desde um Saci velho e uma Cuca que não tem nada de jacaré até personagens dos quais não escutamos mais falar como a Pisadeira, a Porca dos Sete Leitões, o Gorjala, A comadre Fulozinha, os Bradadores e muitos outros. 

Tudo começa quando Tibor Lobato e sua irmã perdem os pais em um incêndio e passam a morar no sítio de sua avó. O problema é que eles chegam por lá justamente na época da quaresma e os irmãos são avisados que, nessa época, por ali, uma porção de criaturas e assombrações tem força para se mostrar e atormentar os moradores da região. Claro que eles se deparam com esses seres, mas, ao longo da quaresma, vão percebendo que tais encontros não são tão aleatórios quanto parecem e tudo tem uma ligação direta com o passado daquele lugar, com o passado da avó, com o passado da família deles e também tem com a morte de seus pais.   

Fale-nos sobre o livro Missão Carbúnculo.

Missão Carbúnculo é uma expansão do universo do Tibor Lobato e também é um livro único. Trata-se de uma história que se passa 200 anos antes da trilogia. Nela eu apresento dois personagens centrais. Um ser humano ganancioso chamado Pedro Malasartes e um boto cor de rosa que pode assumir a forma humana. Os dois tem a difícil tarefa de resgatar os saberes de uma população inteira, roubados por um lendário lagarto conhecido como Carbúnculo. 

Carbúnculo, é um personagem das lendas gaúchas. Trata-se de um grande lagarto com uma pedra preciosa incrustada no meio da testa. Sua pedra guarda o conhecimento desde o princípio dos tempos e é justamente no interior dessa gema que está aprisionado todo o conhecimento de um povo.

Para concluir a missão, O boto e o homem precisarão vencer sete desafios pelo caminho e desvendar todos os mistérios que rondam a criatura antes de encontrá-la.

Esse é um livro que traz reflexões profundas sobre a nossa relação com a natureza, sobre o amor, sobre a ganância, sobre a mentira e sobre a nossa intuição. 

A ideia do livro surgiu durante uma viagem para o Maranhão. Buscava por lendas e histórias do nordeste para finalizar a trilogia do Tibor Lobato. Mas tive um insight que quase me fez parar de escrever o terceiro livro da trilogia para começar esse. Hehehe! 

Busquei unir um pouco de diversas referências que amo para criar um épico de folclore brasileiro com mais um grande número de personagens de nossa cultura que pouco ouvimos falar como Makunaima, Isquelê, Zaori, Pavão Misterioso, Canhoto, Maria Caninana e muitos outros.  

Como analisa a questão da leitura no país?

A leitura é libertação. Nosso conhecimento se amplia, questionamos, refletimos e, obviamente, botamos a mão na massa e alteramos o nosso entorno. Coisa que não acontece muito hoje em dia. Nosso país está como está, à deriva em um mar de informações desencontradas e também de peito aberto para a desinformação em si. O incentivo é importante e é algo que busco trabalhar em meus livros. Prometi que traria uma escrita que agradaria aqueles que amam ler, mas que principalmente possa ser uma porta de entrada àqueles que pensam que não gostam da leitura. Algo que possa lhes caber. 

Meu objetivo de vida se completa toda vez que escuto jovens leitores dizendo terem descoberto o caminho da literatura ao lerem meus livros. Isso me faz dormir em meu travesseiro feliz por ter a noção de fazer minha parte por um mundo melhor. 

Um professor meu sempre colocava no cabeçalho de nossas provas a célebre frase de Mário Quintana: “Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas.” E sempre acreditei nessa frase. Hoje, adulto, percebo o peso dessa citação à cada olhadela para o lado e o quanto a leitura pode faz falta para que possamos ter um país mais coeso e justo para todos. 

Quais são os seus próximos projetos?

Nesse instante finalizo uma ficção científica que venho desenvolvendo desde 2015. Chama-se “Vórtices”. Uma história de uma mãe que busca trazer seu filho adolescente de volta do coma através de uma máquina que separa a consciência do corpo e faz essa consciência viajar por outras dimensões.

Também desenvolvo uma duologia dentro do mesmo universo de Tibor Lobato. Se chamam “A Garota de Outro Mundo” e A Garota de Outro Tempo”. Nesses livros, a protagonista Tábata busca por sua mãe, que desapareceu misteriosamente após um acidente de carro. Diversos personagens do folclore brasileiro estão presentes na trama com um enfoque maior em personagens oníricos de nossa cultura, que tratem dos sonhos e personagens vindos do espaço. 


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020) e Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020) e Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Membro do conselho editorial da Editora Pumpkin e colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais novo livro infantojuvenil se intitula Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). 

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