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sábado, 27 de outubro de 2018

Tempo, saudade e privacidade na era das fake news no novo livro de Sadi Nunes

Sadi Nunes - Foto divulgação
O professor, advogado e radialista toledano Sadi Nunes, lançou  recentemente o seu terceiro livro de poesia, “Tempo em Palavra” (All Print Editora)”,  após ter sido empossado na  Academias de Letras de Toledo em 2017. A obra, “Tempo em Palavra”, depois da publicação de “Distâncias Nuas (1990), e Fogo Verde (1997”, traz poemas inéditos, vários premiados em concursos e traz principais poemas das duas obras anteriores, que seguindo ele, não tiveram tanta divulgação na época. 

Segundo  o autor, o livro retrata  seus 30 anos de poesia e  por isso os poemas refletem os vários momentos históricos vividos neste período. Os poemas mais recentes trazem a reflexão sobre o efêmero, a ânsia da exposição nas mídias sociais e no caso recente da polêmica das fake news, para que sejam “um grito ao retorno as coisas simples da vida, no seu exato momento, mas sem a  obsessão pelo espetáculo e pelo instantâneo, a insana marca do presente”.   

A obra encontra-se a venda a R$ 15,00 com o  autor mas pode se adquirida pelo internet na Editora All Print e demais editoras do país. Leia a entrevista: 

- Por que o título “Tempo em Palavra?

Sadi Nunes - E o título  de um dos poemas. Acho que tem dois significados, o primeiro, porque o livro traz poemas  dos últimos 30  anos, desde meados dos anos 80,  e os  textos sempre trazem, reflexão sobre o momento histórico. Então traz uma leitura daquele momento histórico com suas  respectivas tensões. De outro lado, o mundo  mudou drasticamente nessas três décadas, notadamente em se tratando das ferramentas da informação e com isso veio fragilização da privacidade, consentida ou não, e o desejo de escancarar o que fazemos em tempo real, lemos e compartilhamos sem checar a veracidade dos fatos, veja a  polêmica das fake news na campanha eleitoral . Queremos viver o instantâneo, somos todos tentados a isso, mas estamos nos  esquecendo das coisas simples da vida, do passado, enfim deixamos de ter saudade daquilo que nos foi importante, para vivermos perigosamente o presente.

- O livro publica uma Carta da Helena Kolody. Qual sua relação com a poeta paranaense?

Sadi Nunes - Eu fui um dos 30 vencedores do I Concurso de Poesia da Secretaria de Estado da Cultura em 1989, que homenageou  a poeta, sendo publicada uma antologia e iniciou-se o mapeamento da poesia produzida no Paraná. Ela era muito receptiva e, após este prêmio,  passei a me corresponder com ela, publiquei artigos sobre sua poesia, e  foi ela quem prefaciou meu livro de estreia, em 1990 (Distâncias Nuas”. É  mais uma homenagem a ela, que identificou a minha poesia como de  sintonia com o momento presente.

- Você foi empossado recentemente eleito à Academia  de Letras  de Toledo. Qual a importância de fazer parte dela.

Sadi Nunes - Fui indicado ano passado pelos escritores e acadêmicos  jornalista Luiz Alberto Costa e Bruno Radunz. A academia tem sido importante na discussão da literatura e da cultura no âmbito de Toledo e com propostas interessantes de integração com a educação. Por exemplo, o Projeto a “Academia vai a escola”, mostrando autores locais, e até mesmo ensinando as crianças a produção literária,  como tem ocorrido  com oficinas de haicais nas escolas,  trabalho desenvolvido com excelência pelas acadêmicas  Lucrécia e Ana Welter. Como educador, me sinto privilegiado de estar envolvido neste trabalho, pois os resultados logo aparecerão.

- Como administra o tempo entre as suas  atividades profissionais e literatura?
 
Sadi Nunes - A poesia sempre foi uma atividade paralela, não toma meu tempo.  Administro com tranquilidade  minhas atividades profissionais, sou essencialmente educador, professor, diretor  de escola, cumprindo dois períodos diários de 8h, mas reservo o período da tarde para a advocacia, cuja arte de escrever e de se comunicar também é importante no âmbito do Direito. No radio, é um tempo curto, meia hora diária no começo da manhã,  na Rádio União.  E importante administrar bem o tempo, com momentos para  trabalho e para estar com a família.

- Alguma nova obra em vista?

No momento não. O ato de escrever faz parte da minha vida, como comunicador, educador e advogado. Mas quando houver poemas ou até mesmo outros gêneros literários concluídos, com certeza ocorrerão  novas publicações, mas não sei quando. Destaco  por fim  que  para aquisição da obra,  se  não nos sites das editoras, pode ser solicitado pelo e-mail sadinunes@uol.com.br.
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segunda-feira, 20 de março de 2017

Raimundo Colares Ribeiro cede entrevista e comenta sobre seu livro Capitais Brasileiras - Cidades Maravilhosas

Raimundo Colares Ribeiro
Ligado às atividades culturais do seu Estado, Raimundo Colares Ribeiro tem exercido cargos de destaque, entre os quais o de Conselheiro do Conselho Estadual de Cultura do Amazonas; Presidente da Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas (ALCEAR); Presidente da Academia Amazonense Maçônica de Letras; Presidente da Academia de Ciências Contábeis do Amazonas; Presidente da Associação dos Escritores do Amazonas (ASSEAM); e Grande Secretário de Cultura da Grande Loja Maçônica do Amazonas. Faz parte, ainda, da Divine Académie Française des Arts Lettres et Culture; Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes (FEBACLA); Academia de Letras do Brasil (ALB-Amazonas); Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias; e Academia de História do Amazonas, entre outras entidades culturais. Possui 15 livros publicados, com destaque a “Viagens à Corte do Solimões”, “Amazonas, Meu Grande Amor”, e “Capitais Brasileiras: Cidades Maravilhosas”.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Raimundo Colares Ribeiro: Desde criança sonhava em escrever um livro. Mas isso só aconteceu após os comentários positivos a um trabalho literário de minha autoria, que foi publicado em página inteira, num domingo do mês de junho de 1993, no jornal de maior circulação no meu Estado, o Amazonas. Três anos depois, em 1996, aos 38 anos de idade, entregava à sociedade amazonense o meu primeiro livro intitulado “Viagens à Corte do Solimões”, abordando fatos históricos de Tefé, minha cidade natal, desde 1538 a 1865. Hoje, vejo-o citado em bibliografias de outros livros, monografias e, até mesmo, em dissertações de mestrado. Além do “Viagens à Corte do Solimões” e “Capitais Brasileiras: Cidades Maravilhosas”, tenho publicado outros 13 títulos.


Conexão Literatura: Você é autor do livro impresso e e-book "Capitais Brasileiras: Cidades Maravilhosas". Poderia comentar?

Raimundo Colares Ribeiro: A versão física foi publicada pela All Print Editora, em 2014, que disponibiliza a obra, via e-commerce, nas grandes livrarias e lojas do País, entre as quais Cia. dos Livros, Livraria Cultura, Livraria Martins Fonte, Livraria da Folha, Lojas Americanas, Casas Bahia, Ponto Frio e Shopping Uol. Com referência ao livro em formato digital, contou com o apoio necessário e experiente da Fábrica de E-books, sob a coordenação do competente escritor Ademir Pascale. A obra poderá ser adquirida na Amazon, considerada a loja mais popular do mundo, ao valor simbólico de 10,00 reais.

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas, viagens e quanto tempo levou para concluir seu livro?

Raimundo Colares Ribeiro: As informações sobre as capitais, principalmente as relacionadas à área territorial, população, clima, aniversário, pontos de lazer e cultura, dentre outras, foram obtidas nos sítios oficiais das prefeituras municipais e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Jornais locais da época também contribuíram para a preparação final dos textos. E da Bíblia Sagrada, retirei os versículos que emolduram o livro. A respeito das viagens e conclusão do livro, posso afirmar que, até 2008, visitei 13 capitais brasileiras. De 2009 a 2012, as outras 14 receberam a minha visita. Como disse, anteriormente, o livro foi publicado em 2014. Acredito que eu tenha concluído esse trabalho num período máximo de 2 anos, pois só comecei a elaborá-lo após a última viagem, em setembro de 2012, à cidade de Rio Branco, Capital do Estado do Acre.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do qual você acha especial no seu livro?

Raimundo Colares Ribeiro: Sim. Faz parte do prefácio. É especial porque me faz lembrar do meu saudoso pai e da viagem que fizemos a Manaus. Ainda criança, conheci a primeira das vinte e sete capitais brasileiras. Acompanhemos:

As visitas que fiz a todas as Capitais brasileiras, por interesse e curiosidade, são provas indiscutíveis de que tenho atendido aos anseios do meu coração. E tudo começou aos sete anos de idade quando, em companhia do meu saudoso pai, realizei a minha primeira viagem.

Naquela época, 1965, o regatão também prestava serviços de transporte de pessoas no interior do Amazonas, conduzindo-as de uma cidade amazonense para outra. Na maioria das vezes, a gratuidade dessa atividade prevalecia, comprometendo-se o carona em apenas levar seus mantimentos e rede para dormir. Embarcamos em um deles, que singrou as águas do Rio Solimões, desde Tefé, nossa terra natal, até Manaus, a belíssima Capital amazonense.

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir o seu livro impresso ou digital e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho?

Raimundo Colares Ribeiro: Com o advento da Internet, a aquisição de livros também ficou mais fácil. Assim, o livro físico pode ser comprado em várias livrarias e lojas do País, mas, deve-se sempre buscar as promoções. Quanto ao e-book, é encontrado na Amazon (www.amazon.com.br), unicamente. Para saber um pouco mais sobre o trabalho literário desenvolvido por este escritor amazonense, basta acessar o meu blog (raimundocolaresribeiro.blogspot.com). E caso o ilustre leitor tenha interesse em receber notícias literárias, quinzenalmente, via e-mail, escreva-me, por favor, para o endereço: colaresribeiro@gmail.com.

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Raimundo Colares Ribeiro: Sim. Mas, por enquanto, ainda não posso dar maiores detalhes.

Perguntas rápidas:

Um livro: Bíblia Sagrada;
Um (a) autor (a): Dan Brown;
Um ator ou atriz: Nicolas Cage;
Um filme: A Lenda do Tesouro Perdido;
Um dia especial: Todos os dias são bênçãos especiais de DEUS.

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Raimundo Colares Ribeiro: Agradeço à minha maravilhosa família pelo incentivo e à Fábrica de E-Books que tornou realidade o livro CAPITAIS BRASILEIRAS: CIDADES MARAVILHOSAS na forma eletrônica. Grato, igualmente, à All Print Editora, pelo livro físico e sua divulgação. E, de coração, a todos aqueles que o adquirirem.

Para adquirir, acesse:
Ebook: CLIQUE AQUI. 
Livro impresso: CLIQUE AQUI.

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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Poe 200 anos, a antologia para fãs de Edgar Allan Poe

Edgar Allan Por influencia e sempre influenciou outros escritores. E para homenageá-lo, muitos desses escritores acabam criando histórias inspiradas no mestre dos contos, do terror, da poesia, da teoria da composição, da literatura em geral. E de que escritores estamos falando, especificamente? Escritores contemporâneos nacionais! O mestre Poe influenciou diversas gerações passadas e continua influenciando, e muito, os escritores de ficção. E sua influência na geração atual de escritores é tanta que a editora All Print publicou, em 2010, uma antologia em homenagem a Poe, chamada Poe 200 anos, organizada por Ademir Pascale e Maurício Montenegro. A antologia contém 22 contos, de 22 autores nacionais, inspirados em Poe, tanto em sua obra quanto em sua vida. Pois então, segue abaixo uma breve resenha de cada conto, todos com estilos bem diferentes, alguns bem peculiares, outros mais simples, alguns mais próximos do estilo de Poe, outros mais distantes, outros chegam até a parecer uma encantadora viagem pelo mundo de Poe por onde os leitores encontram diversas e criativas referências.

O Outono de Hatlen – Maurício Montenegro – inspirado em A Queda da Casa de Usher e William Wilson

Conto bem peculiar, onde o protagonista viaja até um lugar misterioso, e encontra-se com uma figura que o revela algo, após lhe trazer memórias confusas de seu passado. A narrativa tem uma linguagem bem interessante, com passagens poéticas e uma atmosfera de sonho pela história toda. Pode soar um pouco confuso à primeira leitura, mas, pelo que entendi, a idéia parece ser mesmo transmitir a confusão mental do protagonista.

O Gato Branco – Alex Lopes – inspirado em O Gato Preto

Desastres ocorrem na vida do protagonista após um gato branco ser deixado em sua porta. A forma como é escrito, principalmente nos primeiros parágrafos, soa quase como o estilo de Poe, mostrando um narrador em primeira pessoa perturbado, como os narradores de Poe, mas a história parece terminar muito rápido, se comparado com o Gato Preto. Porém, a idéia da antologia é conter contos curtos mesmo, nenhum deles tem muito mais do que cinco páginas.

O Vale das Montanhas Azuis – Ronaldo Luiz Souza – inspirado em Eleonora

O protagonista apaixona-se muito, e se contar mais que isso, estraga a idéia do andamento do conto. A idéia do conto como um conto original é muito boa, pode até lembrar um pouco Lord Byron, mas o estilo difere muito de Poe – é um conto mais moderno, com passagens levemente eróticas nas descrições das personagens, algo que não vemos na obra de Poe, mas tirando isso, é um ótimo conto, com um final bem interessante. Soa como uma releitura moderna e mais realista do amor quase idealizado que vemos, não só em Eleonora, mas representado por maioria das figuras femininas da obra de Poe.

O Frade – O.A. Secatto – baseado em O Poço e o Pêndulo

O protagonista acorda no meio da noite e… seu terror começa. Se contar mais que isso, tira a graça da história. É um conto de terror bom, mas tirando o final – que tem algumas semelhanças com O Poço e o Pêndulo -, o resto da história não lembra tanto assim Poe – me lembrou um pouco Stephen King, de alguma forma. O ar de obsessão do narrador talvez lembre algo dos narradores de Poe.

A Máscara de Vênus – Mariana Albuquerque – baseado em A Máscara da Morte Vermelha

Acho que dá pra considerar esse o conto mais peculiar da antologia. Bem curto, com apenas duas páginas, um tanto surreal, com imagens bastante marcantes, parece ter alguma boa crítica social, e traz uma narração breve. Tem uma atmosfera de sonho, algo como um choque de um mundo idealizado com um mundo devastado. Bem descritivo, mas não tanto psicológico, a narração parece bem focada nas imagens – as quais, aliás, a narração constrói muito bem.

Delírios Extraordinários – Luciana Fátima – baseado em A Queda da Casa de Usher, O Barril de Amontilado, Berenice, O gato preto, e O Corvo

Um dos contos mais marcantes desta antologia, que ainda traz uma citação de Baudelaire, pra começar.  Esse conto é como uma viagem pelo mundo de Poe. Talvez seja o conto que melhor representa a ideia da antologia: o narrador encontra diversos elementos da obra de Poe pelo seu caminho, pois, após beber muito, cai em um buraco na terra e vai encontrando diversas referências à obra de Poe, como personagens e cenários, e age como se realmente conhecesse os personagens. Muito bem escrito, divertido para os fãs de Poe encontrarem as referências – algumas óbvias, pelos nomes dos personagens, outras talvez nem tanto. Simplesmente genial!

A Condessa de Null’part – Thiago Félix – baseado em A máscara da morte vermelha


Uma continuação para o conto de Poe, A Máscara da Morte Vermelha, onde uma Condessa misteriosa revive a atmosfera da festa de Próspero. As descrições de cenários e imagens lembram o conto de Poe, e o final também lembra um pouco. A narrativa traz uma perspectiva que, à primeira vista, pra quem já conhece o conto de Poe, pode não parecer muito inovadora, mas é uma continuação bem interessante, principalmente para quem gosta do conto A Máscara da Morte Vermelha.

Relíquia – Duda Falcão – baseado em O gato preto


Em um lugar chamado Museu do Terror, encontramos diversos objetos tirados de obras da ficção, entre estes, o gato preto de Poe, empalhado. O dono do museu explica como conseguiu o gato, contando uma espécie de continuação do conto O gato preto de Poe. Uma história muito boa de metaficção contada de uma perspectiva neutra, em terceira pessoa, onde encontramos outras referências literárias, além de Poe. Um conto realmente marcante e interessante para fãs de Poe e de literatura em geral.

Só uma informação extra: o autor deste conto escreveu outro conto inspirado em Poe, chamado A Pena do Corvo, publicado na antologia Autores Fantásticos da editora Argonautas, onde vários autores nacionais escreveram contos inspirados em diferentes autores fantásticos, desde Lovecraft, até Borges, e até o grande Poe, é claro! Recomendo A Pena do Corvo como mais um dos melhores contos inspirados em Poe.

O sorriso de Berenice – Alícia Azevedo – baseado em Berenice


A atmosfera desse conto lembra muito a do conto Berenice de Poe, inclusive pela voz do narrador, que soa quase tão atormentado e febril como o narrador de Poe. A história pode parecer muito breve, mas vale pela atmosfera e pela grande semelhança das cenas com as do conto de Poe.

Um Homem Afortunado – Kathia Brienza – baseado em O Barril de amontillado

Uma releitura moderna de um dos contos de vingança mais célebres de todos os tempos. O protagonista é um professor, formado em Letras – o ambiente do conto é muito familiar para estudantes de Letras ou de qualquer curso até, sendo, dessa forma, de fácil identificação com seu protagonista – que arranja problemas com outro professor, e este tem grandes conhecimentos da obra de Poe, conhecimentos demais, e é exatamente isso o que falta ao protagonista. A idéia do conto é bem interessante e muito bem desenvolvida. Este um dos contos que mais chama atenção na antologia, pela forma como usa um conto de Poe e também dados de sua biografia para construir uma narrativa bem sólida.

O Hospedeiro – Marson Alquati – baseado na biografia de Poe

É um conto de terror interessante como um conto original, mas não lembra muito realmente algo da obra de Poe. O final pode ser relacionado de alguma forma com a biografia de Poe, mas em geral, pode-se dizer que é um conto de terror misterioso e bem intrigante. A narrativa faz o leitor querer saber o que houve para deixar o personagem na situação paralisante em que se encontra – de certa forma como imaginamos o que houve com Poe quando foi encontrado na rua, desorientado, poucos dias antes de sua morte.

O Estranho Passageiro de Birgit – M.D. Amado – baseado em Manuscrito encontrado em uma garrafa


A história conta sobre os últimos momentos de vida aquele que escreveu um manuscrito e a colocou em uma garrafa – assim como ele afirma que vários de seus companheiros também fizeram: deixar mensagens em garrafas atiradas ao mar. O narrador conta sobre ver um espírito, entre outros acontecimentos pouco comuns ocorrendo no navio.

Before – Deborah O’lins de Barros – baseado em O Corvo

Lindo, lírico, genial. Se eu disser quem é a jovem que acorda perdida no início do conto, tiraria a graça do final, mas acho que não é difícil adivinhar quem é ela. A idéia do conto é muito boa mesmo, até as descrições feitas pela personagem são referências à obra de Poe. Mais um dos melhores contos da antologia, perfeito. Uma única coisa a se observar: a personagem em questão, vivendo na época em que vivia, provavelmente teria crenças religiosas, assim como Poe as tinha, mas isso não altera em nada em como a idéia do conto é boa e muito bem desenvolvida.

Eterna Primavera – Dmitry Uziel – baseado na vida e obra de Poe

Mais um conto bem peculiar. O estilo como foi escrito é peculiar e poético: se prestar atenção, poderá notar que o primeiro parágrafo todo é rimado! Não sei se foi intencional, imagino que sim, mas o efeito ficou muito bom. Existencial, filosófico e psicológico, o conto traz uma narrativa profunda e um tanto obscura, citando um poema de Poe – não digo qual para vocês notarem a referência quando forem ler, já que o nome do poema não é citado.

O Senhor do Inferno – Georgette Silen – baseado nos contos A máscara da morte vermelha, Leonor, Sombra e O Retrato Oval

Uma releitura moderna bem interessante da idéia da doença que se espalha se forma apocalíptica que vemos no conto A máscara da morte vermelha. Há algumas referências dos outros contos de Poe, mas esse é o mais notável como sendo a fonte de inspiração para O Senhor do Inferno.

A cartomante – André Catarinacho Boschi – baseado em O demônio da perversidade

Um conto narrado em primeira pessoa, por uma narradora aflita, perturbada, e psicótica. Uma mulher que vivia de mentiras e que acaba da forma como os primeiros parágrafos já contam, mas a forma como ela chegou até aquela situação inicialmente apresentada é que interessa. Um conto claramente inspirado em Poe, onde o leitor sente a perturbação quase obsessiva da narradora. Dá pra notar a inspiração em O demônio da perversidade, mas me lembrou também Coração denunciador.

A Mudança – Frank Bacurau – baseado em O Gato Preto, usando referências de vários contos de Poe

Uma continuação um tanto inusitada – mas decidimente criativa – para a história do narrador de o gato preto. O dono do famoso gato preto é preso, e devido a seus ferimentos, ganha um poder especial, que lhe possibilita cometer mais algumas atrocidades típicas de um narrador estilo Poe. Há referências há outros contos de Poe, e inclusive ao próprio escritor, que aparece como um personagem chave na narrativa! O único estranhamento que pode causar é que o próprio gato some durante a história e só é relembrado pelo narrador no final.

Intermezzo – Gil Piva – baseado em Berenice e O Poço e o Pêndulo

Um escritor obcecado por Poe, obcecado por escrever exatamente como Poe torna-se completamente insano e comete algumas atrocidades em razão de sua obsessão doentia. Apesar de dizer no livro que foi baseado em Berenice e O Poço e o Pêndulo, a obsessão do personagem (que apesar de não ser o narrador, pois o conto é em terceira pessoa, tem a sua paranóia bem mostrada, porém com o certo ar de mistério, algo que em primeira pessoa não seria possível) pode lembrar vários contos de Poe, como O Gato Preto, Coração Denunciador e o já citado Berenice. Mas algo é muito interessante neste conto: imagino que vários fãs de Poe, assim como eu, vão adorar os brinquedinhos que o protagonista dessa história encomenda toda hora!

Inferno no Circo – Jocir Prandi – baseado em Os crimes da Rua Morgue


Alguém aí imagina o que aconteceu com o autor dos crimes que encharcaram a Rua Morgue com sangue? Aquele doce orangotango sanguinário? Pois então, este conta mostra o destino do ilustre orangotango homicida que virou atração de circo, como o nome já deixa claro, e obviamente, ele não é a atração mais pacífica do circo. A história pode lembrar um pouco o conto Hop Frog também.

Louco, eu? – Ademir Pascale – baseado em O coração denunciador

Um conto que consegue trazer um narrador quase tão paranóico e obsessivo quanto os de Poe: a história segue a linha de O coração denunciador em uma versão moderna, com um interessante toque de crítica social, onde um personagem faz algo que irrita o protagonista, a ponto de enlouquecê-lo, assim como o narrador do conto de Poe.

O Quarto Caso de Dupin – Miguel Carqueija – baseado em Os crimes da Rua Morgue, A Carta Roubada e O Mistério de Marie Roget


Mais uma continuação: depois da Rua Morgue, Marie Roget e a carta roubada, Dupin soluciona mais um mistério. Mas um mistério tão simples que não chega a dar muitos créditos ao ilustre detetive por suas habilidades investigativas, como ele mesmo diz na história, mas o desenrolar da história é bem contado, pois deixa o leitor imaginando como Dupin desvenda tudo de forma tão simples.

Memórias Póstumas de Edgar Allan Poe – Roseli Princhatti Arruda Nuzzi – baseado na biografia oficial de Poe


Conta sobre a biografia de Poe, contendo vários dados importantes da vida do escritor. Como ficção pode soar um pouco corrido, principalmente pelo fato de o personagem narrador ser o próprio Poe, parece que ele conta de forma meio fria sobre a morte de Virginia, indo direto contar sobre suas publicações em seguida. Mas é bem interessante como informação sobre a vida de Poe, e traz um final com mais ficção, que pode explicar quem poderia ter sido o misterioso Reynolds, o qual Poe chamava antes de morrer.
 

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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Kathia Brienza comenta o seu novo livro "Não é com vinagre que se apanham moscas"

Kathia Brienza Badini Marulli nasceu em Santos, em 1964. Formou-se em Medicina Veterinária e em Letras e fez o Mestrado em Literatura pela UNESP de Assis, com uma dissertação sobre o livro “Antes do Baile Verde”, de Lygia Fagudes Telles. Começou a publicar contos em antologias em 2007 e publicou o romance “Olhos de Fogo”, escrito em parceria com Helena Gomes, em 2010. Em 2014, publicou “Contos de Maldição e Desejo, pela editora Escrita Fina. Kathia é casada com Enzo e tem dois filhos, Enrico e Giancarlo.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Kathia Brienza: Sempre gostei muito de ler. Como eu estava acostumada a escrever textos técnicos, achava impossível conseguir fazer algo ficcional. Então, decidi participar de uma oficina de criação literária online. Achei a experiência fantástica e foi assim que comecei a me soltar. Sempre que podia eu fazia algum curso ou lia livros que propunham exercícios de criação. Daí, em 2007, comecei a ter aulas com a Helena Gomes e ela me propôs que eu escrevesse um conto sobre vampiros, para tentar participar de uma antologia da Andross Editora. Foi assim que publiquei meu primeiro conto, “Tempos Modernos”, no “Livro Negro dos Vampiros”.

Conexão Literatura: Você é autora do livro "Não é com vinagre que se apanham moscas" (All Print). Poderia comentar?

Kathia Brienza: Nesse livro reuni alguns contos inéditos a outros que já haviam sido publicados anteriormente em antologias, como é o caso de “Apenas uma questão de profissionalismo”, “Devaneios” e “Um homem afortunado”. O que difere do livro anterior é que, neste, a temática não é fantástica. 

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro?

Kathia Brienza: Os contos inéditos foram escritos ao longo de um ano. Para alguns, fiz pesquisas, como é o caso de “O verso e o reverso”, em que usei fatos reais como pano de fundo - no caso, o funeral de Walter Rauff, ex-coronel da SS, que morreu no Chile, em 1984. Já em outros casos, não existe tanta pesquisa, é mais observação de fatos cotidianos.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do qual você acha especial no seu livro?

Kathia Brienza: Gosto muito do momento em que Kiko, o protagonista do conto “Sobre meninos e lobos”, se recorda da sua infância. Acho que consegui criar uma imagem visual bem bonita.

Conexão Literatura: Se você fosse escolher uma trilha sonora para o seu livro, qual seria?

Kathia Brienza: Como os contos são bem diferentes uns dos outros, não consigo pensar em uma única música para o livro. Alguns contos, inclusive, mencionam músicas. Então, para o “Sobre meninos e lobos”, por exemplo, que cita “Noite do prazer”, de Claudio Zoli, essa seria a trilha. “O show da vida” merece uma música flamenca, talvez algo como “Malagueña”. “Silêncio”, de Beethoven, seria a trilha para “Devaneios”. Ou seja, cada conto mereceria uma música própria.

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Kathia Brienza: O livro está a venda no site da All Print Editora (http://www.allprinteditora.com.br/nao-e-com-vinagre-que-se-apanham-moscas). Em breve lançarei uma fanpage e um blog. Por enquanto, quem tiver interesse, pode entrar em contato comigo por meio do meu email, kathiabrienza@hotmail.com

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Kathia Brienza: De imediato, pretendo concluir um romance histórico ainda em 2017.

Perguntas rápidas:

Um livro: “As confissões de Frei Abóbora”, de José Mauro de Vasconcelos
Um (a) autor (a): o autor deste ano para mim tem sido William Faulkner.
Um ator ou atriz: Anthony Hopkins
Um filme: “As Horas”
Um dia especial: 24 de junho de 2012, festa de São João, que passei com minha família às margens do rio D’Ouro, no Porto, em Portugal,

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Kathia Brienza: Gostaria de agradecer a oportunidade e convidar a todos para conhecer meu trabalho.  

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