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quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

[Resenha] O Fim da Infância - Arthur C. Clarke



Título Original: Childhood's End
Autor: Arthur C. Clarke
Editora: Aleph
Páginas: 320
Ano Lançamento: 2019

Nos primeiros anos da Guerra Fria, uma raça tecnologicamente superior ao homem desce dos céus para governar a Terra.

Ao contrário do que se poderia imaginar, os invasores se mostram benevolentes e acabam conduzindo o planeta a um período de prosperidade jamais visto, em que não mais existem violência, fome e doenças. Com poucos focos de resistência, a humanidade se rende ao invasor.

Mas os Senhores Supremos têm suas regras: não é permitido a ninguém os conhecer, e a exploração do espaço está terminantemente proibida aos homens. Entre revelações surpreendentes e um vago mal-estar que assombra os corações humanos, o real propósito dos novos líderes permanecerá oculto por duzentos anos. Até que a humanidade esteja pronta. Até que uma missão seja cumprida. Até que a raça humana conheça o destino que lhe foi traçado.

Impressões:

Arthur C. Clarke é o principal nome da ficção cientifica ao redor do Mundo. Quando falamos em ficção cientifica, uma das grandes perguntas é “estamos sós?”. Logicamente esse gênero agrada uma grande parcela de leitores. Vamos falar um pouco mais a respeito dessa obra.

O ponto principal de “O Fim da Infância” é com a chega de “alienígenas” conhecidos como “Senhores Supremos”, com uma tecnologia extremamente superior ao dos humanos, esses seres estava nos observando e resolveram aparecer para ajudar todos que vivem na terra.

Karellen é o nome do Supervisor da Terra, ele tem o objetivo de guiar os seres humanos da melhor maneira possível para obter um convívio perfeito. Apenas uma pessoa é capaz de encontra-se com Karellen, Stormgren é Secretário-Geral da ONU acaba sendo o porta voz dos seres para os humanos.

Os conselhos e ajuda de Karellen, leva o fim da miséria, da fome, pobre, e até mesmo da violência ao redor do Mundo! Porém! Nem tudo sai como planejado pelos Senhores Supremos, raça humana acaba fican
do estagnada por não acontecer nada de extraordinário.

Stormgren decide arriscar sua vida para tentar descobrir que é Karellen e sua fisionomia, afinal, o alienígena nunca é visto, todos apenas o reconhecem pela voz e nada mais que isso. Vale lembrar que todo enredo é ambientado em diversas partes do Mundo, na época da Guerra Fria.

O autor possui uma escrita bem afiada, em determinados momentos complexos, exigindo uma atenção para os leitores. A obra tem um mix de utopia, distopia, filosofia, ação e muita aventura.

O leitor vai acompanhar toda transformação da Terra pra melhor, graças aos Senhores Supremos. Vale destacar que o livro tem um bate volte entre épocas, voltando para o passado, presente e futuro. Ponto positivo para os personagens (que são muitos!), cada qual com sua relevância em determinados pontos de toda trama.

Se você é aquele leitor curioso e busca conhecer um pouco do gênero ficção cientifica, esse livro é mais que recomendado.

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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Sobre o Conto de Ficção Científica “Respire Fundo”, de Arthur C. Clarke



*Por Roberto Fiori

Estávamos na finalização da construção do Satélite de Comunicação 2. As unidades principais já haviam sido juntadas, os alojamentos haviam sido pressurizados e fora dado o impulso para a rotação da “roda” externa, ligada por eixos à parte central da Estação. Desse modo, metade da gravidade da Terra tinha sido criada, nas unidades dos alojamentos, que foram instaladas ao longo da roda externa.

Estávamos dormindo, eu e mais outros astronautas, que contribuíram para a construção do Satélite, em nosso alojamento. Os alojamentos eram como salsichas, colocadas ao longo da circunferência que formava a roda. 

Foi quando estávamos dormindo que as luzes principais se apagaram. A iluminação de emergência logo entrou em ação. Mas a gravidade também havia sido reduzida a zero! Acordei, subitamente e me atirei para fora de minha cama. Fui lançado para o teto, onde abri o pulso.Raciocinei com rapidez: as luzes haviam sido cortadas... e a gravidade também. Tentei comunicação com o resto da Estação, mas o comunicador estava mudo. A única conclusão era que estávamos separados da Estação Espacial, vagando no espaço. Mas a uma velocidade de escape de somente cinquenta quilômetros por hora. Em minutos, uma equipe de resgate iria nos contactar. 

O único problema era o oxigênio. Dispúnhamos de ar para uma hora ou pouco mais. Em uma hora de espera, ouvimos batidinhas no casco fino do alojamento e, com o rosto colado ao teto do recinto, pude ouvir o que diziam. O astronauta que viera com a equipe de salvamento deveria ter se posto deitado no lado de fora do compartimento e encostado o capacete no casco. Havia assim, uma comunicação direta entre nós e ele.

Estávamos com o nível de oxigênio próximo a zero. Foi decidido que a equipe de resgate cortaria o fino metal do casco e teríamos de transpor, por vinte segundos, o espaço sem uma roupa espacial, até alcançarmos a nave de resgate. Quando uma seção circular da parede de nosso alojamento foi aberta, estávamos preparados. Havíamos prendido a respiração, mas, com a saída violenta do ar da cabine, fui lançado ao espaço. Senti, se minhas funções cerebrais ainda estavam funcionando, formigamento na pele e sensação de que meus olhos ardiam. Além disso, sentia muito frio, indício de que a evaporação em minha pele já estava em processo de se completar.

Estive, por quinze segundos, sob a ação direta dos raios do Sol, até ser agarrado por um par de mãos de um astronauta e levado à comporta de entrada da nave de resgate, onde recuperei minhas funções vitais. Estive cego pela luz solar, durante o tempo em que passei no vácuo absoluto — e, no vácuo absoluto, notei que não havia o menor sinal de ruído. Nem mesmo enquanto estávamos no alojamento, pudéramos vivenciar o silêncio absoluto. Sempre havia o ribombar baixo das bombas de ar. Mas aqui, no espaço, experimentei um silêncio terrivelmente absoluto.

Somos agora o Clube dos Respiradores do Vácuo. O recorde é de dois minutos no espaço, sem roupa de proteção. Depois disso, a diferença de pressão faz com que o sangue forme bolhas e ferva, à temperatura do corpo. As bolhas chegam ao coração, com resultados fatais.

Para mim, a permanência no espaço gerou consequências. Sem uma atmosfera que filtrasse a radiação solar, fui exposto à pior queimadura de minha vida. Não fui vítima da respiração no vácuo, mas quanto à minha pele... esta sofreu bastante.


Este conto, “Respire Fundo” (“Take a Deep Breath”), do cientista talentoso Arthur C. Clarke, foi publicado pela primeira vez na revista “Infinity”, em 1957. No Brasil, fez parte da antologia “A Sonda do Tempo” (“Time Probe”), em 1979. “Time Probe” havia sido compilada por Arthur C. Clarke, em 1966, antes.

Todos sabemos que um astronauta sofre uma morte bastante desagradável ao se ver desprovido de seu traje protetor, no espaço. Muitos contos e romances na literatura popular descrevem mortes horríveis, como corpos explodindo sob a ação do vácuo interestelar. Algumas descrições, fora os corpos estourando, estão corretas. A maioria, não.

Stanley G. Wiembaum foi um bom escritor de Ficção Científica, vindo a falecer precocemente, aos 33 anos. A Ficção Científica perdeu um escritor promissor, nesta área de atuação. Foi a primeira pessoa a afirmar que um corpo explodindo e se transformando em névoa, sob a ação do vácuo do espaço, era bobagem. Em seu conto “The Red Peril” (“O Perigo Vermelho”), ele fala sobre a possibilidade de o homem vir a viver e a trabalhar, em curtos períodos de tempo, sob condições do vácuo absoluto.

Arthur C. Clarke diz que começou a mergulhar com 35 anos de idade. Começou tarde. Nunca forçou seu corpo a permanecer sem respiração por mais de três minutos e meio. Mergulhadores mais jovens conseguem ficar um tempo maior sem o oxigênio. Mas o que Clarke concluiu de suas experiências como mergulhador foi que uma pessoa não tem problemas com a falta de oxigênio, por poucos minutos. O verdadeiro perigo reside na diferença de pressão entre o exterior e o interior do corpo humano.

O corpo humano pode suportar um aumento de pressão de pelo menos 30 atmosferas, o que equivale a um mergulho de 340 metros. Então por que ele não suportaria uma diminuição de uma atmosfera?

Este conto de Clarke foi escrito em 1957. A ideia de um homem poder sobreviver ao espaço estava na teoria, somente. Mesmo hoje em dia, um homem não caminha no vácuo sem uma roupa espacial completamente isolada do meio externo. Uma das razões é a radiação solar. O vento solar pode ser muito danoso para o corpo humano, fora da proteção do Cinturão de Van Allen, que engloba toda a Terra, a uma altitude de 700 a 25.000 quilômetros, e nos protege de raios cósmicos e partículas solares energéticas.


*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem.

Para adquirir o livro:
Diretamente com o autor: spbras2000@gmail.com
Livro Impresso:
Na editora, pelo link: Clique aqui.
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E-book:
Pelo site da Saraiva: Clique aqui.
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sexta-feira, 3 de maio de 2019

Sobre o Conto Fantástico “Todo o Tempo do Mundo”, do cientista Arthur C. Clarke

Arthur C. Clarke - Foto divulgação
*Por Roberto Fiori

Robert Ashton recebeu a visitante em seu escritório, com cautela. Uma pessoa que fosse inesperada, sem avisar que viria, era um perigo em potencial. Mesmo não tendo sido avisado por outros de que a mulher poderia fazer parte da polícia, não convinha correr riscos desnecessários. No círculo social do qual Ashton fazia parte, mulheres estavam acostumadas a receber joias, dinheiro ou roupas, mas respeito estava fora de questão. Então, permaneceu sentado.

Porém, a mulher possuía uma autoridade em seus gestos e seu porte que o fez se levantar. Diferente das pessoas com quem estava acostumado a lidar, ela tinha algo a mais: um cérebro, que Ashton suspeitava ser equivalente ao seu. Mas a estava subestimando grosseiramente. Ela abriu a bolsa grande e elegante que carregava e jogou um maço de quase cem notas de cinco libras, falando que era uma amostra do que ganharia, se reunisse as peças da lista que fizera e as trouxesse até ela, no lugar e tempo determinados. Ashton era cauteloso: indagou onde ela conseguira o dinheiro. Ela respondeu, no Banco da Inglaterra. Eram genuínas, mas ele podia fazer o que bem queria com o dinheiro, até jogá-lo fora. Robert disse que os itens da coleção se encontravam no Museu Britânico e notou que não poderiam ser comprados ou vendidos. Ela disse que era uma colecionadora.

Ele falou que, por um milhão de libras poderia executar o serviço. Ela disse que ele não a estava levando a sério, que ele poderia conseguir essa soma facilmente. A mulher jogou um colar para Ashton, que o apanhou no ar. Continha o maior diamante que ele já vira, deveria ser uma das joias mais famosas do mundo. Ele duvidou dela: disse que poderia ser facilmente apanhado pela polícia, assim que tivesse em mãos o primeiro item da lista. Ela falou para ele olhar para fora do escritório. Ele disse, ao ver a locomotiva ali perto, no pátio de manobras, que ela deveria ser uma bruxa. Pois a locomotiva estava imóvel e uma nuvem de fumaça acima dela encontrava-se também imóvel. As nuvens do céu estavam estáticas, tudo o que se encontrava na Terra estava imobilizado.

Ela falou para ele não ser tolo. A explicação era simples, um minuto fora do escritório equivalia a um ano dentro dele. Tirou da bolsa um bracelete prateado de metal, com botões e mostradores incrustados. Disse que era uma espécie de gerador pessoal. Ele poderia roubar tudo o que existia na lista, sem ser impedido. A quilômetros de distância, poderia desligar o campo do aparelho e voltar ao mundo normal. Mas o campo do gerador tinha um alcance de dois metros. Assim, Ashton precisaria manter essa distância de qualquer pessoa, no mínimo. E ele jamais deveria desligá-lo até completar as tarefas e recebido o pagamento. Isso era importante.

Robert teria de buscar ajuda para completar sua missão. Então, dirigiu-se ao estabelecimento de Tony Marchetti, onde Aram Albenkian, o “marchand” mais desonesto do mundo que Ashton conhecia, trabalhava. Depois de verificarem que ambos possuíam um bracelete idêntico ao de Ashton, Aram disse:

— Como você explicaria esse bracelete? Está além dos sonhos mais delirantes de nossa tecnologia. O que deixa uma explicação, apenas. As pessoas que nos procuraram e nos deram essas coisas vêm de outro lugar. A Terra vem sendo despojada de seus tesouros, sistematicamente. Antes do dia acabar, as pessoas sofrerão um choque com o que ocorrerá no Louvre.

Robert Ashton despediu-se e foi procurar Steve Regan, que faria com ele o trabalho. Steve lia somente histórias em quadrinhos, mas aceitou normalmente o fato de existir um gerador, um “acelerador”, como o bracelete, o que surpreendeu Ashton. Robert deu a ele um bracelete extra, que a mulher lhe fornecera. E caminharam até o museu. Quebraram muitos painéis de vidro e painéis das estantes para recolher livros e obras de arte de conteúdo inestimáveis. Antiguidades sem preço em cada uma das galerias foram coletadas: o Vaso de Portland, cuja redoma fora espatifada pela segunda vez na História. A bandeja de prata do Tesouro Mildenhall. E muito mais. 

Saíram por uma rua lateral, que não possuía pedestres, e Ashton apanhou a pulseira de Steve. Afastou-se dele e viu-o congelar-se. Steve voltara à linha do tempo normal, vulnerável como todo o resto do mundo. A mulher já havia transportado as peças do museu e esperava-o no pátio deste, quando Ashton voltou. As pessoas que faziam parte do grupo da mulher tinham seus poderes, além de modificarem o curso do tempo.

Ela lhe disse que eles podiam viajar no tempo, para o passado, somente sob a liberação de uma quantidade imensa de energia, e, mesmo assim, somente poderiam enviar suas mentes para o passado. No caso dela, pagaram a uma outra pessoa para poderem, com sua aceitação, tomar emprestado seu corpo por algum tempo.

Havia mais uma coisa que Robert deveria saber. A História do mundo de Ashton estava prestes a acabar. A mulher apontou para o outro lado da rua, para um estande de revistas e jornais, onde um jornaleiro estava agachado sobre sua pilha de jornais. Robert discerniu uma manchete, mal e mal, devido à distância em que se encontrava do jornal:

SUPERBOMBA:  TESTE  HOJE

A mulher explicou. Ela e outros vieram, não de um outro lugar, mas do futuro. Tinham vindo à época de Ashton e ela o contratara para resgatar as obras de arte mais preciosas que a Humanidade já produzira. Pois, a 3.200 quilômetros de profundidade, no núcleo denso e líquido, a matéria se encontravca comprimida e só podia existir em dois estados estáveis. Com um estímulo correto, no caso, dado por uma espoleta — a superbomba —, a matéria poderia mudar de um estado para o outro, sob consequências. Os oceanos e os continentes seriam atirados para o espaço, devido à imensa energia liberada. Era a quantidade de energia necessária para se viajar no tempo, mesmo sob as condições observadas. O Sol ganharia um novo cinturão de asteroides. O cataclismo enviaria aos homens do futuro os meios para se abrir uma porta através do tempo, o suficiente para que eles pudessem penetrar na fenda aberta até os dias atuais, de Ashton.

A mulher falou que, “apesar dos motivos puramente egoístas e desonestos, Ashton prestara um serviço à Humanidade que nunca lhe tinha passado pela cabeça... e, agora, ela deveria retornar à sua nave, junto às ruínas da Terra, quase 100.000 anos no futuro. Robert podia ficar com o bracelete, como afirmara que desejava”.

A mulher congelou, tornando-se novamente uma estátua no meio da rua. Ashton encontrou-se novamente sozinho. Percebeu que deveria manter o bracelete ligado — oh, sim, a mulher lhe explicara que a energia dela duraria a vida toda de Robert —, ou, em poucos segundos, o resto da existência sua e da Terra se escoariam. Ou, nem mesmo isso, porque a bomba já deveria ter explodido...

Começou a pensar. Não havia razão para pânico. Devia aceitar as coisas com calma, sem histeria. Afinal, tinha todo o tempo do mundo.

Essa hitória, “Todo o Tempo do Mundo” (“All the time of the world”, Better Publications, Inc.; 1952), me chamou a atenção: Arthur C. Clarke estava falando do fim da Humanidade, sem recorrer a acontecimentos dramáticos em excesso ou violentos, como era sempre seu hábito. Clarke era assim, sua personalidade deveria ter sido de tal modo pacífica, que ele jamais colocaria uma cena sangrenta ou sádica em seus textos.

O conto nos fala de uma equipe de seres do futuro que incorre na destruição da Terra para roubar o que existia de mais valioso nos tesouros artísticos e culturais que o Homem já produzira, no decorrer de seus milhares de anos de existência. Não importando as consequências de seus atos, permanece a questão: “O que eles fariam com tanta riqueza, sem a Terra para dar a eles o que eles talvez mais quisessem, dinheiro?”

Está claro que dinheiro eles já tinham e talvez o desprezassem. Vivendo 100.000 anos no futuro, eles já teriam contatado outras raças, em outros mundos. Ganhariam algo muito mais precioso que dinheiro. Talvez informações, talvez tecnologia alienígena. Talvez poder incomensurável, em troca do tesouro artístico que conseguiram. Algo que significasse muito mais para eles do que a existência da Terra. Algo mais valioso que um único e insignificante mundo.

Lembro-me de que, quando li este conto, já com mais de vinte anos, me senti amargurado. Por que Clarke nos dá aquela “facada nas costas”, quando poderia escrever sobre um assunto menos cataclísmico e destruidor do que a aniquilação de toda a raça humana e seu mundo, ao invés de tentar escrever sobre assuntos mais elevados, como conviria a um escritor de gênio, um mestre na Ficção Científica? 
Creio que Clarke quis nos falar sobre um assunto como qualquer outro, pois tinha a capacidade para fazê-lo. No mundo das máquinas, computadores, robôs, naves, mundos, que é a Ficção Científica em geral, um escritor não precisa censurar a si mesmo e impedir-se de contar uma história de alto grau de qualidade e, ao mesmo tempo, que discorra sobre um assunto que em alguma época da sociedade seria vista como “tabu”, ou proibida.

Um escritor deve escrever sobre aquilo que gosta e que as outras pessoas apreciem, também. Não importa se o tema é a guerra bacteriológica, a viagem às estrelas, o destino terrível que a raça humana pode ser vítima, após algumas pessoas terem tentado modificar o passado e cometerem atos que afetam a vida no futuro... qualquer tema na Ficção Científica deve ser abordado, sem reservas.

Clarke conseguiu isso, de uma maneira muito original, com “Todo o Tempo do Mundo”. Ele nos fala sobre como seria o fim do mundo e como seriam as pessoas responsáveis por ele, sem cair em lugares-comuns ou dramaticidade em excesso. 

Trata-se de outra obra-prima de Arthur C. Clarke, um escritor que já falou sobre o fim da raça humana como a conhecemos hoje, em seu célebre livro “O Fim da Infância” (“Childhood’s End”).

*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem.

Para adquirir o livro:
Diretamente com o autor: spbras2000@gmail.com
Livro Impresso:
Na editora, pelo link: Clique aqui.
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E-book:
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sexta-feira, 12 de abril de 2019

Sobre o conto de Ficção Científica “Campanha Publicitária”, de Arthur C. Clarke

Arthur C. Clarke - Foto divulgação
*Por Roberto Fiori

O filme, da década de 1950, custara a exorbitância de seis milhões e meio de dólares. Uma fortuna, para os padrões da época. Mas o produtor, R.B., pensou ser um preço barato a se pagar, visto que o filme era tão bom em efeitos especiais quanto “Guerra dos Mundos”, de George Pal. Porém, Pal não possuía a técnica da terceira dimensão, o que tornava o filme atual atraente ao extremo. Para R.B., o filme deveria obrigatoriamente abiscoitar muito mais que a bilheteria de “Quo Vadis”.

Para um dos integrantes da produção do “blockbuster”, quando a Golden Gate desabou, uma das pilastras saíra da tela de cinema, e ele, Joe, jurara que o atingiria. Tony Auerbach, da publicidade, havia gostado mais da parte em que o edifício Empire State rachara ao meio. Para outra pessoa, o desabamento do túnel Holland, onde o teto do túnel cedia, era impressionante. Ficou com tanto medo que passaria a usar a balsa. Em suma, a invasão extraterrestre destruíra completamente Nova York.

Haviam filmado os alienígenas invasores por meio de câmeras miniaturizadas desenvolvidas no Caltech. Filmaram aranhas peludas e aterrorizantes. Quando os monstros sequestram Glória, tudo se passou indiretamente: apenas supunha-se que eles realizassem dissecação em seu corpo. Mas muito menos explícito do que poderia ser.

Iriam destinar mais de um milhão de dólares para publicidade. Queriam que o filme fizesse história! Depois de uma semana após a première simultânea em Londres e Nova York, todos no mundo ocidental já haviam visto os posts de divulgação do filme anunciando: “CUIDADO, TERRA!”. Haviam visto os monstros aracnídeos peludos andando por uma Quinta Avenida deserta, e toda a parafernália de publicidade estava dando certo. Assustava velhinhas, por exemplo, até o pânico.

Porém, enquanto o medo e o pânico se espalhavam a cada projeção, nos céus longas sombras deslizavam através das nuvens, rapidamente.

A raça que visitara nosso planeta era impetuosa. Mas o Príncipe Zervashni tinha boa índole. O Terceiro Império Galáctico expandia suas fronteiras, englobando cada planeta, cada estrela. Um eminente astrônomo terrestre, em más condições financeiras, levado por influência da propaganda do filme, anunciara, em entrevista muito divulgada, que visitantes do espaço seriam inamistosos, muito provavelmente. Zervashni enviou um grupo de mensageiros, que conseguiram chegar perto do prédio da ONU, mas uma multidão os barrou. Foi um massacre.

O Príncipe Zervashni enviou outra comissão para dialogar com os terráqueos, mas os embaixadores, armados até os dentes, venderam bem caro suas peles para os terrestres. Mas Zervashni só perdeu mesmo a calma depois que bombas e foguetes começaram a subir para atingir sua frota. Ele tomou medidas drásticas.

Em 20 minutos tudo o que se encontrava na superfície da Terra havia sido esterilizado... Na Terra morta e silenciosa, mais de cem cartazes ainda avisavam das formas de insetos, que vinham pelos céus. Não eram nem um pouco semelhantes ao Príncipe Zervashni, que, apesar de possuir quatro olhos, era parecido com um urso panda arroxeado, e que viera de Rigel, não do sistema de Sirius — de onde as formas insectoidais do filme haviam surgido.

Zervashni ordenou à frota que voltassem à base. Afinal, o planeta o deprimia e, evidentemente, era tarde demais para explicações sobre o verdadeiro planeta dos alienígenas de Rigel.


Este conto tragicômico, do cientista escritor Arthur C. Clarke, foi publicado pela primeira vez pela “Fantasy House”, com o título original de “Publicity Campaign”. Posteriormente, foi publicado na antologia de Clarke, “O Outro Lado do Céu”, da Editora Nova Fronteira, no Brasil, em 1984, com o título de “Campanha Publicitária”. Todos os trabalhos curtos de Clarke encontram-se reunidos nas coletâneas “O Outro Lado do Céu”,  “Expedição à Terra”, “Ao Encontro do Futuro” e “Contos da Taberna”. Os contos da antologia “O Outro Lado do Céu” foram escritos entre 1947 e 1957. Clarke escreveu um livro maravilhoso, “As Fontes do  Paraíso” (publicado no Brasil pela Nova Fronteira), lançado originalmente como “The Fountains of Paradise”, que se passa no Sri Lanka (antigo Ceilão) e envolve a pesquisa e implantação de elevadores orbitais, que levariam carga e pessoas para a órbita da Terra, sem a necessidade de uma viagem a foguete paa a EEI (Estação Espacial Internacional).

Arthur Charles Clarke. Conhecido como Arthur C. Clarke, era um visionário. Concebeu, com anos e anos de antecedência, que os computadores pessoais (PCs) seriam peça integrante de todas as residências. Que levariam conhecimento, educação e trabalho para quem os possuísse.

Nasceu na Inglaterra, em 1917, e faleceu em Sri Lanka, em 2008. Em 2001, Jean Michel Jarre fez um concerto, “A Rendez-Vous in Space”, em homenagem à obra “2001, Uma  Odisseia no Espaço”. Clarke fez uma pequena participação em alguns trechos do espetáculo.

Ora, o que é mais do que básico na ideia de invasões alienígenas, na Ficção Científica? Temos milhares e milhares de obras tratando desse tema, a cada ano. Mas, por mais básica que seja tal premissa, sempre nos deparamos com algo “novo”. Algo que verdadeiramente nos tira o fôlego, quer na área do suspense, quer no gênero de ação, da “space opera”, ou no da comédia. Quem poderia imaginar sair do âmbito da seriedade que envolve este tema e partir para uma história verossímil, humorística, que deveria acabar muito mal (e como acontece, para os terrestres), e ainda assim não provocar sensações de atordoamento e mal-estar, senão o gênio da Ciência e da Ficção Científica Arthur Charles Clarke?

Esse conto nos dá a dimensão exata do que a propaganda é capaz de fazer. Nos anos iniciais do Século XX, Orson Welles conseguiu gerar pânico extremo entre os habitantes dos E.UA., com sua transmissão radiofônica “Guerra dos Mundos”. (em minha opinião, Welles deveria ter sido no mínimo internado em um sanatório, pois sua transmissão provocou tanto medo e pânico entre certas pessoas, que elas resolveram tirar a própria vida. Welles é considerado um gênio do cinema, mas este fato (corroborado pelo fato inegável e defendido por psiquiatras e psicanalistas do mundo inteiro, de que o medo em doses muito altas provoca desequilíbrio neuroquímico no cérebro) pode levar ao suicídio. Isso contribuiria para uma grande antipatia que muitos, se tomassem conhecimento desse fato na história, sentiriam contra ele).

Talvez um exemplo de como a Humanidade terminaria seu estágio de ser humano vivente no planeta Terra e, por meio de uma narrativa no mínimo curiosa, e no máximo espetacular, chegaria a um outro patamar evolutivo. É “O Fim da Infância” (“Childhood’s End”), de Arthur C. Clarke, que nos conduz, de modo bastante equilibrado e convincente, através de uma história onde, a início, pensa-se que haveria uma invasão extraterrena em grande escala, mundial, para depois vir a se saber que tal invasão é um “simulacro”, uma farsa, destinada a, no fundo, ajudar os terrestres a passarem de seu estágio de simples homens, para mais que homens.

Clarke merece nosso respeito. Autor de “2001, Uma Odisseia no Espaço” que, até onde eu posso imaginar, constitui o que há de mais poético, bem estruturado e plausível nas obras de viagens ao espaço. Não canso de repetir: é na última parte dessa monumental obra, comparável ao trabalho hercúleo de Isaac Asimov, “Fundação”, que podemos extrair o que há de mais belo e intrincado nas viagens espaciais para outros mundos. E a ideia, nesta obra, de que uma super-raça de seres alienígenas, cuidando para que não nos destruamos, sem interferirem em nossa Civilização, é algo reconfortante, no mínimo.

*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem.

Para adquirir o livro:
Diretamente com o autor: spbras2000@gmail.com
Livro Impresso:
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sexta-feira, 1 de março de 2019

Sobre o Conto Fantástico “O Despertar”, de Arthur C. Clarke

Escritor e Cientista Arthur C. Clarke (1917-2008): “Quanto mais longe estivermos da Natureza, mais infelizes seremos”
*Sobre Roberto Fiori
 
O Mestre tinha um ano de vida pela frente, apenas. Entre as montanhas geladas do Tibet, ele morreria e seria esquecido de todos, ao que tudo levava a crer. Seu coração estava fraco e os médicos não podiam substituí-lo. Não tinham os conhecimentos para tanto. Assim, o Mestre sugeriu que o colocassem em hibernação artificial, coisa que os doutores podiam fazer. Ele iria dormir cem anos. E, pensou, se ele iria sonhar, poderia não gostar do que poderia acontecer, pois se em uma única noite de sono podiam surgir sonhos que despedaçavam o espírito, o que dizer de cem anos?

Sua tumba, ele a observara sendo construída, em meio às neves eternas do Tibet. Muitos gostariam de saber onde ela estava sendo erigida, pois desejavam destruir seu corpo. Assim, muito poucos iniciados teriam conhecimento de sua localização. Drogas foram administradas quando ele foi deitado em seu leito, e ele dormiu, enfim. Dormiu seus cem anos e, enquanto isso, os poucos que sabiam onde estava a esfera onde ele dormia morreram. A lenda do sono do Mestre continuou viva por anos, até que foi esquecida, também.

As montanhas do Tibet afundaram na crosta terrestre, as planícies da Índia inclinaram-se em direção ao céu, os planaltos do Sri Lanka atingiram o ponto mais alto da superfície da Terra. Um oceano cobriu por nove mil metros o Everest. O lodo que fazia parte dele desceu, pouco a pouco, e uma cobertura de barro espessou-se. Mas uma outra cadeia maciça de montanhas tomou o lugar do oceano do Tibet e tudo se repetiu novamente, e novamente, e novamente. O Mestre estava alheio a tudo, imerso em um sono profundo.

As chuvas e os rios levaram o barro em direção aos novos oceanos e a esfera onde o Mestre repousava foi liberada. Os cientistas que a encontraram não conheciam os segredos da esfera, de como entrar nela, então mais trinta anos se passaram. Os homens teriam mudado muito? Esse era o pensamento do Mestre, enquanto ouvia estalidos e rangidos, e compreendia que os homens que o acordavam estavam desativando os aparelhos e instrumentos a ele conectados.

E, quando por fim sua visão voltou, nítida, ele deu um fraco grito e morreu. Compreendeu, em uma fração de segundo, que a guerra entre os humanos e os insetos havia sido ganha pelos últimos.


Este conto, “O Despertar” (“The Awakening”), foi publicado originalmente em Fevereiro de 1942, na revista Zenith, número 4, editada em Manchester, por Harry Turner e Marion Eadie. Mais tarde, uma versão revista foi publicada em “Reach for Tomorrow”. Em 1973 foi publicada em “The Best of Arthur C. Clarke”, traduzida para o português como “Os Dias Futuros” (Coleção Argonauta, nº 334).

Arthur C. Clarke é um mestre. É considerado um dos dois maiores escritores de Ficção Científica da História, ao lado de Isaac Asimov. Segundo Clarke, sua lembrança mais antiga de sua vida foi antes dos nove anos de  idade, ele contando aos seus outros colegas, na frente de sua classe, histórias de dinossauros. Isso tinha sido amplamente encorajado pelo senhor Tipper, seu professor. Clarke nos fala, em seu artigo “1933 — Uma Odisseia na Ficção Científica” (publicado na Coleção Argonauta, nº 334, “Os Dias Futuros”, uma antologia brilhante de contos do autor), que teve muita sorte com seus professores. Nenhum deles era ruim.

O fato é que, outro professor, que o estimulou, anos depois, a escrever para o jornal de sua escola, foi, juntamente com tantos outros personagens da vida de Clarke, de grande importância para que ele continuasse a escrever Ficção Científica. Talvez alguns considerem que suas contribuições padra a Ciência e Tecnologia sejam mais importantes do que escrever “meras” histórias de ficção, mas o fato de ele escrever e publicar Ficção Científica é, por si só, um motivo pelo qual muitos jovens escolhem a carreira científica, ou mesmo virem a se tornar bons escritores de ficção. A Ficção Científica amplia nossos horizontes de pensamento, abre caminhos inexplorados dentro do Universo do Provável e do Possível. Faz-nos ter curiosidade sobre, pelo menos, outras obras semelhantes, o que nos faz ir mais longe naquilo que pensamos hoje e no que faremos amanhã.

No volume “Para Onde Vamos?” (“Where Do We Go From Here?”), de Isaac Asimov, publicado em português pela Editora Hemus, em 1979, Asimov diz:

“De há muito considero a Ficção Científica como um instrumento em potencial, inspirador e útil, para o ensino. Para esta antologia, portanto, selecionei dezessete histórias que, penso eu, podem inspirar curiosidade e podem conduzir o estudante dentro de esquemas de indagação de seu interesse particular, que mais o entusiasmem, que podem inclusive determinar a futura diretriz de sua carreira”.

Há professores que, ou por não possuírem uma formação acadêmica adequada, ou por não gostarem absolutamente de histórias que projetem o leitor em uma dinâmica futurista, falam que a Ficção Científica não é considerada um gênero literário. Simplesmente isso. Apenas porque não a entendem ou sentem-se incomodados com as ideias revolucionárias que a Ficção Científica traz. E exatamente por não compreenderem termos e ideias avançadas que esta literatura apresenta, é que estes “professores” não gostam dela. E a diminuem.

Comecei eu mesmo a ler um conto de Fantasia de Ray Bradbury, com a idade de dez anos. Não iniciei minhas leituras com Ficção Científica “hard”. Mas, como Bradbury é capaz de captar a atenção da vasta maioria de entusiastas da Literatura Fantástica, e o conto foi-me indicado pelo meu pai, decidi lê-lo. Eu queria ler este tipo de Literatura, mas acredito que foi no meu íntimo que achei que precisava ler uma obra de peso, para realmente vir a me entusiasmar pela Fantasia e Ficção Fantástica. Se eu lesse algo que não fosse bem escrito, ou que não suscitasse interesse suficiente, eu poderia abandonar a Fantasia, por considerá-la muito superficial, talvez. O fato é que, desde que terminei de ler “O Menino Invisível”, de Bradbury, eu jamais deixei de ler Literatura Fantástica. Continuei, com as histórias de Lucky Starr, de Isaac Asimov, com o romance fabuloso “2001, Uma Odisseia no Espaço”, de Arthur C. Clarke, com as histórias da Coleção Argonauta, como “Berserkers”, de Fred Saberhagen. Com romances maravilhosos de Cliffor D. Simak, como “Boneca do Destino” (“The Destiny Doll”) e “A Irmandade do Talismã” (“The Fellowship of the Talisman”). E assim por diante.

Foram e continuam a ser momentos mágicos, cada vez que apanho um livro de Ficção Científica, Fantasia ou Horror/Terror, e o aprecio como um vinho exótico. Como escritor que sou de Literatura Fantástica, bebo das inspirações que cada obra nova ou cada releitura me concede. E sou muito grato, primeiro, a meu pai e, em segundo lugar, a cada um desses magos da Literatura mundial, pelo que me proporcionaram, até hoje. 

*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem. 

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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Sobre o Conto “A Derradeira Manhã”, de Arthur C. Clarke

Foto divulgação
*Por Roberto Fiori

O Dr. William Cross tinha muitos motivos para tentar fugir da realidade e entrar em um mundo à parte, de fantasia e ilusão, através da bebida. Estava impedido por seu superior, o General Potter, de realizar suas pesquisas particulares quanto ao projeto de espaçonaves. Só poderia utilizar a seção de computação daquele centro de pesquisas para projetar mísseis. E, ainda por cima, sua garota, Brenda, havia finalmente partido, deixando-o sozinho.

Os habitantes do planeta Thaar, por outro lado, estavam muito preocupados. Sua Ciência avançada constatara que o Sol explodiria em três dias, e estavam dispostos a evitar que os terrestres perecessem inutilmente. Então, utilizaram suas capacidades mentais e científicas para tirarem os humanos dessa enrascada.

Primeiro, contataram o Dr. Cross. Não era tarefa absolutamente fácil. O núcleo da Terra podia atuar como uma lente, para as ondas de pensamento dos Thaars, assim como um copo cheio-d’água pode ser uma lente para os raios do Sol. A única pessoa na Terra com um mínimo de capacidade para receber pensamentos e enviá-los era o Dr. Cross, e os Thaars o encontraram bem a tempo.

Segundo, os alienígenas, a quinhentos anos-luz de distância, podiam elaborar túneis através do espaço, para que os terrestres pudessem se deslocar instantaneamente da Terra para outros lugares do Universo. E para planetas aprazíveis. Assim, enquanto o Dr. Cross se servia de mais um copo de bebida, no centro de pesquisas a parede em frente a ele começou a se abrir em um túnel no espaço.

William não se sentiu surpreendido com o contato feito em sua mente pelos alienígenas. Pelo contrário, deixaria a alucinação continuar, até se tornar pedante. Os Thaars explicaram a ele toda a situação e esperaram que o cientista passasse as notícias boas e más para o restante do povo terrestre. Afinal, eram realmente boas as novas de que a Humanidade poderia ser salva. Mas dependia tudo de William.

O Dr. Cross achou que a tarefa de salvar os humanos não era tão boa... afinal, quando o Sol explodisse, ninguém mais teria de se preocupar com a ameaça comunista, o perigo da bomba atômica ou o alto custo de vida. William achou a notícia da hecatombe próxima muito bem-vinda. Em Thaar, houve consequências: a borda do cérebro do Supremo Cientista, flutuando como uma massa de coral em seu tanque de nutrientes, amareleceu-se. Isso não acontecia desde a invasão dos Xantil, há 5.000 anos. No mínimo quinze psicólogos sofreram colapsos nervosos e nunca mais foram os mesmos. O computador principal do Colégio de Cosmofísica começou a dividir todos os números em sua memória por zero e estourou todos os seus fusíveis.

William, na Terra, reclamava da inutilidade de se tentar construir algo útil, como espaçonaves, pois tinha de se resignar a projetar foguetes que atuassem como armas. Brenda havia saído da cidade sem deixar um único bilhete de despedida, para completar o dia. E o Dr. Cross, cada vez mais bêbado, era cada vez mais incapaz de pronunciar palavras como “entusiasmo”, longas e complicadas. Mas podia pensar na palavra, o que para ele constituiu importante descoberta científica. Mas talvez ele decaísse até palavras de uma só sílaba... ou não?

Os Thaars, horrorizados com esta revelação, de que William não faria nada para deter a catástrofe sobre a Terra, perguntaram a ele se todos os humanos eram como ele. Ao que ele respondeu, de seu gabinete, pouco antes do túnel espacial se fechar e se transformar novamente na parede de tijolos pintada de branco: “Bem, há pessoas muito piores do que eu, na verdade. Eu não sou tão ruim assim, acredito..,”

William apagou, ao tentar ajustar a combinação para abrir o armário de arquivos, depois de pensar: “Chega dessa alucinação. Já estava me cansando. Vamos ver como vai ser a próxima”. Mas não houve uma próxima. Nos dois dias que se seguiram, o homem passou com ressaca, que deixou seus sentidos um tanto vagos, e no terceiro dia algo o incomodava, bem lá no fundo de sua mente. Ele teria se lembrado, se Brenda não aparecesse, pedindo desculpas.

E não houve um quarto dia, lógico.

Esta é a sinopse do conto “A Derradeira Manhã” (“No Morning After”, originalmente lançado em 1954, por August Derleth), publicada na antologia “O Outro Lado do Céu” (“The Other Side of the Sky”), em 1984, pela Editora Nova Fronteira. Arthur C. Clarke, o gênio que concebeu a obra “2001 — Uma Odisseia no Espaço”(“2001, Space Odissey”), teceu essa trama aparentemente muito simples. Comumente, os contos de Clarke, bem como seus romances, não são aprofundados a ponto de serem necessários amplos conhecimentos de Física ou Matemática para entendê-los. E nisso constitui o verdadeiro desafio do contista ou do romancista no campo da Literatura Fantástica: escrever uma história atraente, que trate de um assunto de interesse de muitos, sem recorrer a conceitos extremamente sofisticados. Ele pode conceber uma história com elementos avançados, como túneis no espaço-tempo, buracos negros ou dobras espaciais, mas se souber como tratar o assunto de modo interessante e simples, terá conseguido seu intento, pelo menos alcançado boa parte de seu objetivo.

Clarke foi um cientista de renome mundial. Escreveu mais de 30 romances e dezenas de contos e trabalhos de não ficção. Venceu o John W. Campbell Memorial Award, os Prêmios Júpiter e Marconi. Duas contribuições para a Humanidade a ele são conferidas: o desenvolvimento de um sistema de radar, na Segunda Guerra Mundial, utilizado na Batalha da Inglaterra; e a chamada Órbita de Clarke, a órbita na qual os satélites geoestacionários são posicionados, no espaço.

Mas... seriam possíveis túneis no espaço, como os que Clarke menciona no seu conto “A Derradeira Manhã”? Sabemos que é matematicamente possível que, ao se entrar em um buraco negro, poder-se-á — se a pessoa sobreviver às ondas de maré letais que destruiriam qualquer objeto que penetre no horizonte de eventos do “black hole” — reaparecer em outro buraco negro, em um outro ponto do Universo, talvez afastado milhões de anos-luz de sua origem. Ou até mesmo poder-se-á emergir em um outro Universo, em uma outra dimensão do Multiverso.

Mas teorias demandam tempo para serem exequíveis. Tempo para a tecnologia amadurecer, tempo para os homens refletirem e realizarem descobertas em campos da Ciência que se materializem na forma de aparelhos, naves, instrumentos, dispositivos, para que a evolução do Homem continue. E da evolução é que, não importa como nós mesmos nos tornemos física e mentalmente no futuro, se darão os grandes passos em busca de algo maior. Esse algo maior pode ter significados materialistas ou espiritualistas para as pessoas. Elas poderão embarcar em viagens além da velocidade da luz, poderão ser convertidas em energia, poderão se transformadas em espíritos. Isso depende do que existe realmente nos amplos domínios do Cosmos, que hoje não concebemos.

Minha opinião é a de que encontraremos uma maneira de viajar por todo o Universo em centenas ou milhares de anos. Alcançaremos outros Universos, em seu devido tempo. A inteligência artificial dos computadores vem avançando a passos largos. Os computadores quânticos estão se desenvolvendo muito e podem fazer a diferença. Eles serão incrivelmente mais rápidos que os supercomputadores de hoje. Eles serão, no que concerne à parte de raciocínio, semelhantes ao cérebro humano. Mas não terão emoções. Terão simulacros de emoções, simularão emoções, na melhor das hipóteses.

Acredito que superaremos o fantasma da autodestruição com que nossa raça sempre esteve acompanhada, desde que a luta física, a batalha campal e a guerra mundial surgiram. Não é lógico que, se chegamos à Era Espacial e à Era do Átomo, hoje, nos destruamos completa ou parcialmente e regressemos, no mínimo, à Idade Média das trevas.

*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem. 

Para adquirir o livro:
Diretamente com o autor: spbras2000@gmail.com
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sexta-feira, 2 de novembro de 2018

"Abandonado", sobre o conto de Arthur C. Clarke


Fora um erro lastimável. Apanhado pela tempestade furiosa, com ventos de um milhão e meio de quilômetros por hora, fora lançado dezesseis mil quilômetros acima de seu habitat, as profundezas da fotosfera. O ser que vivia na fotosfera do Sol havia se descuidado, se deixado levar pela correnteza. Era tarde, agora. O funil que se abrira neste local poderia engolir cem mundos... O frio que se avizinhava era mortal. Havia uma mancha — uma mancha solar, pela qual se estendia uma labareda monstruosa, as chamas da explosão solar colossal. Logo, o ser atingiria a mancha. O vórtice pelo qual era lançado, de milhares de quilômetros de profundidade, agora o arremessava para fora do Sol, para fora da mancha. Encontrava-se no espaço, a uma temperatura inacreditavelmente gélida, em comparação com a fotosfera.

Perdia pouco a pouco sua energia, liberada em contato com o frio. Em sua consciência vaga, o ser compreendia que agora jamais poderia voltar. Uma segunda vaga de tormenta se seguira à primeira, o início de uma nova explosão solar. No espaço sem vida, ou calor, ou energia que pudesse mantê-lo coeso, cedo ou tarde se dispersaria no vácuo.

Porém, fora preso em um campo magnético, que lhe deu novo ânimo. Para um ser nascido no calor e luz extremos da fotosfera do Sol, a energia do campo era ínfima — e de uma natureza desconhecida para ele. Havia se contraído, no espaço, ao máximo, para conservar sua energia, e era agora tão denso ou pouco menos do que o ar. Penetrou na atmosfera da Terra, caindo vagarosamente, levando horas para se encontrar com as ondas do Oceano Atlântico. E lá ficou, paralisado no frio descomunal que o entorpecia.

A quinze mil quilômetros de altitude, um avião de carreira aproximava-se da costa da Irlanda. Seu feixe de radar provinha de uma cabine aerodinâmica por baixo da aeronave e varria o oceano. Nada surgia em sua varredura, a não ser pontos azuis — grandes navios navegando no mar. Na seção dos passageiros, o senhor Lindsey acompanhava ora o grande visor de um metro e meio de largura, que fornecia aos passageiros uma visão dada pelo radar do Oceano e da costa, ora a janela do avião. Mas a camada de nuvens que flutuava abaixo do nível do voo da aeronave só dava a opção de se visualizar algo que valesse a pena pelo visor do radar.

O visor apresentava um limiar de alcance de quinhentos quilômetros. Podia ser ajustado para fornecer detalhes de cem e quinze quilômetros. A cerca de oitenta quilômetros de onde estavam, o radar acusou uma mancha débil de dezesseis quilômetros de extensão. Os Açores estavam muito ao Sul; não havia nenhuma ilha dentro desse alcance de radar. Lindsey alterou o visor, por uma chave seletora que ajustava os detalhes mostrados para cem quilômetros, ou seja, a imagem que surgiu poderia mostrar detalhes de cem quilômetros de extensão na superfície do mar, e não mais quinhentos quilômetros. A mancha tornou-se mais detalhada. Havia filamentos a partir do centro e algo pulsava nesse local, muito lentamente.

O objeto pulsante encontrava-se agora a trinta quilômetros de distância. O subcomandante Armstrong fora chamado por Lindsey, mas não podia acreditar no que o radar informava. Pela janela, o Oceano estava limpo; não havia nada que indicasse que alguma coisa flutuasse nas ondas.

O feixe de radar vasculhava, vasculhava, e era de intensidade suficiente para acabar de dispersar a energia de que o ser da fotosfera do Sol era composto. Lindsey assistiu quando os filamentos do ser se desfizeram na tela do visor, até que nada mais fosse encontrado, nem pelo radar e muito menos pela visão dos dois homens, através da janela do avião.

Eles olharam-se sem poderem falar, como se cada um tentasse perceber o que o outro estava pensando. Lindsey teve um impulso de piedade, como se percebesse que algo diferente, vivo, fora irremediavelmente perdido.


Relatei, nessas poucas linhas, a sinopse do conto “Abandonado” (“Castaway”), publicado pela primeira vez na revista “Fantasy”, em 1947, por um dos maiores gênios da Ficção Científica, o cientista Arthur C. Clarke. Foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento do radar, na Segunda Grande Guerra; foi o inventor dos satélites de comunicações; foi dado à órbita com que se posicionam os satélites geoestacionários (que acompanham a rotação da Terra) o seu nome; foi um dos primeiros presidentes da British Interplanetary Society; em sua obra “Areias de Marte” (“The Sands of Mars”) sugeriu pela primeira vez a possibilidade de se “terraformar” um planeta, convertendo suas condições hostis em um ambiente terrestre, em que o homem possa viver como na Terra; sugeriu pela primeira vez a possibilidade — hoje tornada realidade — de se aproveitar a energia gravitacional para se impulsionar naves e sondas interplanetárias, através do “estilingue gravitacional”. Enfim, foi um escritor de divulgação científica (leiam “Um Dia na Vida do Século XXI” — “JULY, 20, 2019 — A DAY OF JULY OF 21º CENTURY”, que prevê muitas das maravilhas que se tornaram realidade, hoje, na paz e na guerra), de Ficção Científica (por exemplo: “2001-Uma Odisseia no Espaço” – “2001, a Space Odissey” e “As Canções da Terra Distante” – “The Songs of Distant Earth”) e um cientista do mais alto nível.

A fotosfera — ou cromosfera, a atmosfera solar — é uma região do espaço próxima à superfície do Sol, onde a temperatura média está situada na faixa do milhão de graus Kelvin. A superfície solar apresenta, por sua vez, temperaturas de 6.000 graus Kelvin. E o centro do Sol, onde ocorrem as reações de fusão nuclear de transformação de Hidrogênio em Hélio, possuem temperaturas de 15.000.000 de graus Kelvin. Não é à toa que um ser que nascesse e vivesse a vida inteira na fotosfera não pudesse enxergar nada no espaço; a intensidade da luz das estrelas, vista do espaço, e a do Sol, vista da superfície da Terra, seria infinitamente menor do que a que o ser poderia captar com seus órgãos da visão. Ele não poderia enxergar nada.

Daqui a cem anos, estima-se que colônias espaciais sejam comuns na órbita da Terra, apesar do fantasma sombrio da descalcificação dos ossos dos homens que deixam os efeitos da gravidade na superfície da Terra para trás. Mas eu, particularmente, tenho esperanças de que isto seja resolvido, mais cedo ou mais tarde. Das estações espaciais, poder-se-ia evoluir para um anel em torno da Terra, em que famílias nascidas no espaço pudessem viver, deslocando-se para a Terra, e desta, para o anel. Necessitaríamos de fábricas espaciais, para produzir bens de consumo para essas famílias.

Em centenas de anos, o Sistema Solar poderá ser colonizado com folga. Luas de Saturno e Júpiter; Marte e o próprio planeta-anão Plutão, em um prodígio de engenharia e transporte espaciais, poderão servir como base para a construção de cidades espaciais. Asteroides escavados e ocos poderão servir como habitação. E, em uma fantástica incursão pela ciência especulativa — mas que muitos cientistas de peso acreditam ser possível —, construir-se-ia um anel em torno do Sol, como no romance do escritor de Ficção Científica Larry Niven “Ringworld”, em que a maioria, ou toda a população da Terra poderia viver em uma estação espacial em torno do Sol. Tal estação teria um bilhão de km de perímetro, 150 milhões de km de raio e 1,5 milhão de quilômetros de largura (quatro vezes a distância da Terra à Lua). Seria, na verdade, um elipsoide, e não um anel circular.

Em um futuro longínquo, daqui a milhares de anos, poder-se-ia construir uma esfera ao redor do Sol, aproveitando-se sua energia e surgindo uma nova e mais ampla civilização. O cientista Freeman Dyson, perito em assuntos espaciais, acredita ser possíveis a construção tanto de um anel, como de uma esfera ao redor do Sol.

Não se espera que encontremos seres inteligentes vivendo tanto na fotosfera do Sol, como no interior dele, muito menos em seu núcleo. Seriam formas de vida diferentes de tudo o que conhecemos. Seriam formas de vida constituídas de energia pura. Hoje em dia, na Terra, pode-se converter uma forma de energia em outra, mas criar energia não nos é possível, ainda. Cientistas falam em fontes de energia: a fissão do átomo nos dá a energia atômica, por meio das usinas nucleares — aproveitando-se a energia armazenada nos núcleos do átomo para nos dar energia elétrica —, os rios são represados para nos fornecerem energia hidrelétrica, pela conversão de energia mecânica potencial das águas armazenadas em diques em energia elétrica, o Sol nos supre de energia solar, pela conversão de energia térmica em eletricidade, os ventos nos proporcionam energia eólica, pela conversão de energia mecânica de movimento — dos ventos — em energia elétrica.

Mas não se sabe ao certo o que é energia. Diz-se “matéria é uma forma condensada de energia”. Mas o que significa isso? Na verdade, massa, ou quantidade de matéria, pode ser transformada em energia, em processos como a explosão de dinamite ou a explosão de uma bomba de hidrogênio. O contrário ainda não é possível, não se pode transformar a energia nuclear, ou elétrica ou eólica em matéria.

Haverá uma nova Revolução Industrial quando conseguirmos converter energia em matéria, eu uma nova Revolução Universal quando conseguirmos energia a partir do nada. Mas as leis físicas dizem, segundo Lavoisier e segundo a 2ª Lei da Termodinâmica: energia alguma é conseguida a partir do nada.

E mais uma vez pode-se afirmar: sem se conceituar o que é energia, não se poderá avançar mais na Ciência, a ponto de podermos realizar maravilhas, como a conversão de energia em massa, o que significaria que seríamos capazes de criar matéria, qualquer tipo de objeto, simplesmente instalando um conversor energia-matéria sob os raios do Sol.

Porém, eu afirmo: o que acontecerá daqui a mil anos? Poderemos ser capazes de criar matéria e energia a partir da ausência de matéria, ou em quantidades desprezíveis ou próximas a zero?


*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem. 

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sexta-feira, 17 de agosto de 2018

“A Muralha das Trevas”, de Arthur C. Clarke


*Por Roberto Fiori

Estamos em um tempo indefinido... um planeta em outro Universo, orbitando um sol que pouco a pouco vai se tornando menor e mais frio. Onde apenas em uma estreita faixa ao longo do Equador há vida, pois ao Norte, nas Terras do Fogo, o calor é extremo e mortal e, ao Sul, as Terras das Sombras — gélidas — não permitem a existência humana. Quando Shervane ainda era muito jovem, cavalgou com seu pai, Sherval, avançando um pouco além dos limites entre as terras pertencentes a ele e as Terras das Sombras, no auge do Verão. Nessa estação do ano, nesta região das Terras das Sombras havia calor suficiente para que não houvesse perigo, quanto ao frio.

Foi quando Sherval mostrou o que ficaria para sempre guardado na memória de seu filho. Ao longe, quase no horizonte, bem dentro das terras geladas do Sul, havia uma faixa negra. Era a Muralha.

Muitos diziam que a Muralha fora construída há muito e muito tempo para impedir que os homens não avançassem mais para o Sul, sob o perigo de enlouquecerem. Outros diziam que a Muralha fora construída depois de três dias da criação do Mundo e além dela ficava o local que todos conheceriam após a morte. Era o lugar para onde iam as almas de todos os homens. Ainda, havia aqueles que afirmavam que as terras situadas além da Muralha eram o lugar onde todos viveram antes de nascer. Ninguém sabia a resposta certa, isso era claro.

Com a morte de Sherval, Shervane tornou-se o herdeiro das terras de seu pai e a pessoa mais rica do país em que vivia. Com o tempo, sua fortuna cresceu. Seu amigo Brayldon, que Shervane conhecera durante sua viagem de peregrinação para o Leste, muitos anos antes, fora convocado por Shervane para realizar uma tarefa desafiadora: projetar uma construção que permitisse alcançar o topo da Muralha. Shervane desejava há muito saber o que havia além da Muralha.

Isso foi feito após sete anos de trabalho, onde um milhão de blocos de concreto foram elaborados e transportados até a Muralha. Construiu-se uma estrada que unisse a Muralha e as terras do Sul de Shervane, e ainda uma vila para os trabalhadores, nas Terras das Sombras, próximo à Muralha.
A construção que levava ao topo do paredão apoiava-se inteiramente na Muralha. Uma gigantesca escadaria onde, em seis pontos igualmente distantes, foram instaladas grandes plataformas. Perto do topo, um elevador conduziria Shervane da sexta plataforma até o cimo.

Shervane galgou, então, como sempre desejara, os últimos centímetros da enorme parede e viu-se defronte a uma terra plana, onde tudo sumia na escuridão, à medida em que se avançava para longe da borda da Muralha. Shervane já havia passado da meia-idade, mas não teve receio. Caminhou para a escuridão, tendo o sol Trilorne às suas costas. Em dado momento, virou-se e viu o pontinho diminuto em que ele se tornara, imerso nas sombras. Chegou o ponto em que somente havia uma claridade, onde a estrela brilhara. Mas, por não haver escuridão completa, Shervane não esmoreceu. Continuou.

Chegou, então, ao fim das terras além da Muralha. E viu-se defronte à própria Muralha, à escadaria e ao rosto aliviado de Brayldon.


Quem ler este resumo do conto A Muralha das Trevas (Wall of Darkness), do gênio da Ficção Científica Arthur C. Clarke, poderá se sentir intrigado e perguntará para mim: E então, o que exatamente aconteceu na travessia de Shervane pelas terras além da Muralha? Eu reponderei: Shervane encontrou uma espécie de “Tira de Möbius”.

Uma tira, ou fita de Möbius, pode ser conseguida tomando-se uma tira de papel e enrolando-a até que suas extremidades se juntem. Faça-se uma meia torção em uma das extremidades e una-se então as tiras pelos extremos, um deles torcido e o outro não. Ao contrário do que existia antes de se torcer um dos extremos, quando a tira de papel apresentava duas faces, uma externa e outra interna, agora haverá apenas uma face. Se você correr com a ponta do dedo pela fita a partir de um ponto qualquer da tira, ele chegará ao mesmo ponto. A tira não terá mais duas faces.

Interessante, diria o leitor, mas por que realmente a Muralha foi construída? Qual o verdadeiro propósito de tal construção? Segundo um dos mais sábios homens deste planeta, Grayle, que estava quase cego na altura do término da construção da escadaria de Shervane, os sábios da Primeira Dinastia, em Eras passadas, haviam descoberto que o Universo terminava naquele local. Não se podia continuar além dele, apenas voltar ao mesmo ponto e para o restante do Universo. Nada existia além dele. Era um Cosmos fechado.

A sabedoria dos homens da Primeira Dinastia não podia ser alcançada, não no presente. Talvez no futuro. Talvez. A inteligência que brilhara profunda e belamente naqueles idos tempos agora não mais existia. Eles decidiram construir um muro que impedisse que outros que se aventurassem para o Sul das Terras das Sombras sofressem danos irreparáveis. Pois era isso o que acontecia em grande parte dos casos: as pessoas enlouqueciam, ao constatar que, caminhando sempre em frente, chegava-se ao ponto de partida, e esse ponto foi o escolhido para a construção da Muralha.

Isso me parece apenas uma história de Fantasia!, diria você, leitor deste artigo. Mas há conceitos matemáticos muito importantes descritos neste conto, pertencentes ao ramo da Topologia. A Topologia estuda objetos geométricos com todos os tratamentos superiores da Matemática, envolvendo, por exemplo, equações diferenciais. Neste caso em particular, um objeto pelo qual se caminhe sobre sua superfície e se atinja o mesmo ponto de partida, sendo o objeto a representação do infinito — um “oito” torcido, — pois não há faces externas ou internas e pode-se percorrê-lo sem um final, esse objeto é chamado de Tira ou Fita, ou Faixa de Möbius, devido ao astrônomo e matemático Möbius que a estudou, em meados do Século XIX. Na verdade, a Tira de Möbius havia sido descoberta pelo matemático Listing, meses antes de Möbius começar a estuda-la, sendo que um dos maiores gênios da Matemática, Gauss, estudara com Möbius e Listing, anos antes. Isso nos faz presumir que ideias de Gauss levaram à elaboração da Tira de Möbius ou Tira de Listing-Möbius.

A Tira de Listing-Möbius têm aplicações em aeroportos — nas esteiras rolantes — nas escadas rolantes, na arquitetura, na Psicologia, onde Lacan afirmou ser o símbolo de Möbius a representação de nossa psique, na pintura — onde o desenhista e pintor Mauritius Cornelius Escher utilizou o desenho da Tira em inúmeras pinturas de sua autoria. Esse objeto topológico teve sua resolução matemática descrita por equações diferenciais por Starostin e Van der Heijden, no Século XX, podendo-se, a partir de tais equações, predizer-se a existência da Tira de Listing-Möbius.
O estudo de objetos envolvendo tratamento topológico, abrangendo todo o tipo de soluções matemáticas — como equações diferenciais, no caso da Tira de Listing-Möbius — é de grande importância. Projetar peças, máquinas, dispositivos, aparelhos e objetos que envolvam um estudo antecipado topológico, quando ele se faz necessário, contribuiu para o avanço de nossa Civilização. O conceito da Tira de Listing-Möbius já foi utilizada cem anos antes de sua descoberta na Música, em uma peça de Bach, onde se pode conduzi-la do início ao fim e, da mesma forma, do seu final até o começo, segundo leis topológicas.

E, afinal, diria você, meu amigo leitor, como Bach criou uma Tira de Listing-Möbius musical sem saber que se tratava de uma aplicação topológica da Tira? Isso, eu facilmente respondo: Temos cem bilhões de neurônios em nosso cérebro. O número total de conexões entre eles todos é astronomicamente elevado, pois há milhares de conexões entre dois neurônios quaisquer, as sinapses. A velocidade do pensamento, ou seja, a velocidade com que uma informação se desloca entre cada neurônio é de 100 metros por segundo, segundo o maravilhoso livro de divulgação científica do astrônomo Carl Sagan, Os Dragões do Éden (The Dragons  of Eden). Dado que a distância entre cada neurônio é dada em milésimos de milímetro, tal velocidade é colossal. Leva-se uma fração de fração de fração de segundo para que uma informação se desloque de neurônio para neurônio, ou seja, um pensamento é elaborado de maneira praticamente instantânea.

O resultado, em uma pessoa genial, é claro: sendo o gênio uma pessoa que raciocina de maneira mais profunda e muito mais rápida que um homem de Quociente de Inteligência (Q.I.) mediano, Bach, ele próprio talvez o maior gênio da música que já existiu, elaborou sua peça topológica musical de maneira intuitiva, utilizando neurônios que, ou eram do tipo que permitiam a criação de novas e criativas composições nunca antes feitas, ou eram neurônios que foram ativados por estímulos do exterior do cérebro de Bach, captados pelos seus órgãos dos sentidos. Ou ainda, ocorreram reações químicas e estímulos elétricos envolvendo determinados neurônios de seu encéfalo que, internamente a ele, possibilitaram a criação de algo particularmente inédito, sem que Bach percebesse que o conceito por trás da peça musical seria usado mais de cem anos depois no estudo da Topologia. E é até possível que essas possibilidades tenham atuado conjuntamente, além de outros fatores comuns a cérebros de pessoas excepcionalmente dotadas, que os neurocientistas ainda não descobriram.

*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
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