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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Resenha: Bolerus, de Vanderley Sampaio

O autor Vanderley Sampaio - Foto divulgação
(*) Marcos Fidêncio

Não há como não estabelecer uma relação entre “Bolero” e “Bolerus”. O primeiro é um gênero musical nascido na Europa e depois trazido para a América, em especial para Cuba, onde se misturou com ritmos africanos. Já o segundo é um besouro. Isso mesmo. Um inseto da ordem dos coleópteros. Qual seria então a provocação do autor com tal título? Fazer o nosso pensamento dançar? Colocar um inseto zunindo na nossa cabeça para remexer os neurônios, rearranjando nossas viciadas sinapses, tão acostumadas ao óbvio? Façamos uma síntese: um besouro atrevido, às vezes irritante e desafiador como o grilo falante de Disney ou a mosca da sopa de Raul, que nos tira da nossa cômoda posição e nos faz encontrar novas formas de fazer o pensamento dançar. Talvez seja isso. E não adianta dedetizar!  Também é inútil dormir, que a dor não passa.

Mas vamos ao livro. Em primeiro lugar, julgo necessário estabelecer aqui uma definição acerca do estilo de cada escritor. Trata-se do modo com que as palavras são escolhidas e dispostas na prosa ou na poesia. É como se o autor tocasse uma música e as palavras dançassem de acordo com o ritmo dos sons produzidos por ele. Às vezes uma dança lenta, às vezes acelerada, grave ou aguda, harmoniosa... E, em alguns momentos, ele pode até emitir acordes dissonantes pelos cinco mil alto-falantes das páginas da sua obra. Senhoras e senhores, ele também pode pôr os olhos grandes sobre o mundo para cantá-lo do seu próprio modo aos leitores!

Na obra "Bolerus", primeira reunião de poemas de Vanderley Sampaio, a trilha sonora é fortemente marcada pelo concretismo. Na maioria dos poemas, com destaque para "Pingos nos is" e "Um espinho", isso fica muito claro e pode ser facilmente comprovado na própria diagramação dos versos. Sampaio se preocupa com a disposição espacial das palavras em alinhamentos geométricos, buscando com extrema competência uma forma para veicular a expressão poética, concentrando suas preocupações na materialidade da palavra, nos seus aspectos sonoro e visual, tal qual fizeram Haroldo de Campos, Augusto de Campos e Décio Pignatari, no final dos anos 50, mandando às favas as métricas e rimas tradicionais. Afinal, nem sempre a adequação tem que ser perfeita ao modo de Bilac. Como já disse Caetano, nem tudo é métrica e rima, às vezes é dor! A dor de romper, como faz Sampaio.

Por isso, "Bolerus" tem um leve cheiro de Tropicalismo na medida em que flexibiliza versos, aproveita espaços em branco como parte da significação, transforma as palavras em objetos, explorando a sonoridade e a visualidade. Mas também é deliciosamente contaminado por um sutil sabor de poesia-práxis ao se preocupar com os aspectos semânticos das palavras, fazendo uso de neologismos, decompondo termos, abrindo a possibilidade de múltiplas leituras, levando em conta a capacidade própria de interpretação de cada leitor.

A predominância de um estilo em que conteúdo e forma se enamoram e brigam ao mesmo tempo em cada um dos versos, nos leva a compreender o porquê da escolha de tal canto. Possivelmente, as influências dos estudos semióticos do autor, formado em jornalismo, são sentidas aí. As leituras de Peirce, Pignatari, Umberto Eco e outros grandes pensadores, durante seu período na Unesp (Universidade Estadual Paulista), onde ele concluiu a sua primeira graduação, dão o tom e a partitura para que o poeta torne seus instrumentos afinadíssimos, o papel e a caneta, notadamente em noites solitárias e inquietas, como ele mesmo revela em alguns textos – “Escuridão”, “Sozinho”, “A noite que traiu as águas” e “Carta à Madrugada”, por exemplo – e embale as palavras com tal maestria.

No poema "Semântica", porém, Sampaio dá mostras de que nem só de “gestalt” vivem seus versos ao nos mandar engolir, tirar, jogar ou privar a palavra se não for semântica, ou seja, caso ela não esteja carregada de significado. A psicologia das formas, também apreendida pelo autor em seus estudos unespianos, sugere ao leitor não se ater apenas ao particular da palavra-objeto, mas também ao todo, à imagem produzida, que muitas vezes redunda em figuras geométricas reveladoras. Por outro lado, cada palavra particular tem o seu valor e não pode ser completamente desprezada.

Prova disso está na página seguinte, em "Termo", poema em que ele demonstra que as palavras não devem ser salpicadas ao modo de um saleiro, sem razão, sem destino ou dose certa. Cada termo precisa ser próprio. "E se lhe parecer impróprio, talvez não tenha sido minucioso o suficiente". Ainda bem que, segundo o poeta, generoso com todos os que se arriscam a cantar sem muito critério, "a insuficiência do termo nem sempre prejudica a noite".

Com relação às indagações acerca da minha análise, como amigo e admirador do autor, eu posso garantir que tive o cuidado de tecê-la com o necessário distanciamento. Meus estudos de sociologia neste momento evocam Bordieu: “os circuitos de consagração social serão tanto mais eficazes quanto maior a distância social do objeto consagrado”. Consagro o trabalho de Sampaio pela qualidade, pelo prazer da leitura, pelo compromisso com a seriedade e porque conheço sua trajetória poética, sempre constante e paralela ao oficio de jornalista, que ele igualmente desempenhou com brilhantismo. A poesia acompanha o autor desde a mais tenra idade e tenho certeza de que esse livro é apenas o primeiro de muitos que ainda virão, afinal, eu sei de uma colônia de bolerus que ainda não voaram para as primeiras páginas. Por enquanto, são apenas ninfas em crescimento... Ou, quem sabe, já estão zunindo na cabeça de um certo poeta.

(*) Marcos Fidêncio é jornalista formado pela Unesp (câmpus de Bauru/SP). Também cursou Ciências Sociais na Unesp (câmpus de Marília/SP) e se especializou em Marketing na Univem (Marília/SP).

Sobre o autor
Vanderley Sampaio nasceu em Garça (SP), no ano de 1972. Começou a escrever poesia na adolescência, quando também mergulhou no teatro como ator amador. Jurando que iria voltar, "pediu um tempo" às artes cênicas, para cursar Jornalismo na Unesp, em Bauru (SP). Descumpriu sua promessa e seguiu a vida sem palcos, atuando como jornalista por nove anos e depois como servidor público. Mudou-se para São Paulo (SP) e formou-se em Direito pela USP. Mas a poesia sempre se manteve presente em sua vida. Alguns de seus poemas foram publicados em jornais, sites e nas redes sociais, especialmente no blog Absurtos.

Ficha Técnica
Título: Bolerus
Autor: Vanderley Sampaio
Editora: Scortecci Editora
Edição: 1ª
ISBN: 978-85-366-5355-6
Ano: 2017
Formato: 14 x 21 cm - 120 páginas
Gênero: Poesia brasileira
Preço de capa: R$ 35,00
Faixa etária: livre
Onde comprar: www.absurtos.com.br
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sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

"Bolerus", novo livro do autor Vanderley Sampaio, sugere uma leitura sem plano de voo definido, em que podemos assistir à dança dos versos construindo imagens, cadências e zumbidos

Sinopse: Bolerus é um termo instigante para dar nome a um livro que nos sugere uma leitura sem plano de voo definido, em que podemos assistir à dança dos versos construindo imagens, cadências e zumbidos. Nesses poemas e outros delírios líricos de Vanderley Sampaio, somos confrontados com nossos devaneios e temores mais cotidianos ao mesmo passo em que desejamos conhecer o segredo do Universo. O incômodo e inusitado besouro cascudo, que pousa sobre nossas cabeças nas noites quentes e inquietantes, esconde também asas leves e frágeis, que enternecem nossa fúria existencial. E assim, pareando questionamento e desejo, confusão e silêncio, ludicidade e solidão, somos todos convidados a surtar de poesia e a dançar com os insetos barulhentos que sobejam nossos mais profundos pensamentos. (Rose Almeida, bacharel em Letras pela USP e poeta no blog Absurtos).

Vanderley Sampaio nasceu em Garça (SP), no ano de 1972. Começou a escrever poesia na adolescência, quando também mergulhou no teatro como ator amador. Jurando que iria voltar, "pediu um tempo" às artes cênicas, para cursar Jornalismo na Unesp, em Bauru (SP). Descumpriu sua promessa e seguiu a vida sem palcos, atuando como jornalista por nove anos e depois como servidor público. Mudou-se para São Paulo (SP) e formou-se em Direito pela USP. Mas a poesia sempre se manteve presente em sua vida. Alguns de seus poemas foram publicados em jornais, sites e nas redes sociais, especialmente no blog Absurtos.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Vanderley Sampaio
: Sempre gostei de escrever. Participei de alguns concursos literários quando era adolescente, inclusive, recebendo certificado de destaque. Conheci e adorei a obra dos poetas concretistas quando fazia faculdade de Jornalismo. Também me encantei com a poesia áspera e fascinante de João Cabral de Melo Neto. Escrevi muita coisa inspirado pela técnica e o estilo desses poetas. Sabia das dificuldades de publicação e só há poucos anos voltei a mexer no material que já possuía, além de compor novos poemas e, finalmente, reunir tudo em um livro que fosse exatamente o que eu sonhara. Com o livro todo diagramado, pronto, mas ainda na gaveta, tive a experiência de criar o blog Absurtos nas redes sociais e submeter meus versos à apreciação de um público leitor muito maior do que poderia imaginar.

Conexão Literatura: Você é autor do livro “Bolerus” (Scortecci Editora). Poderia comentar?

Vanderley Sampaio: Com a consolidação do Absurtos (cerca de 145 mil seguidores nas redes sociais) e os pedidos de amigos e leitores por uma publicação, desengavetei de vez meu primeiro livro e comecei a pesquisar editoras. Escolhi a que mais me desse liberdade no processo editorial e tornasse concreto o que eu havia idealizado. Assim, nascia “Bolerus”, publicado de forma independente, mas com todo o cuidado e a qualidade que sonhei. São 80 poemas, com uma proposta visual, sonora e altamente reflexiva. Para que entendam melhor, citarei a sinopse que está na orelha da edição: “Bolerus, termo instigante para dar nome a um livro, nos sugere uma leitura sem plano de voo definido, em que podemos assistir à dança dos versos construindo imagens, cadências e zumbidos. Nesses poemas e outros delírios de Vanderley Sampaio, somos confrontados com nossos devaneios e temores mais cotidianos ao mesmo passo que desejamos conhecer o segredo do Universo. O incômodo e inusitado besouro cascudo, que pousa sobre nossas cabeças nas noites quentes e inquietantes, esconde também asas leves e frágeis, que enternecem nossa fúria existencial. E assim, pareando questionamento e desejo, confusão e silêncio, ludicidade e solidão, somos todos convidados a surtar de poesia e a dançar com os insetos barulhentos que sobejam nossos mais profundos pensamentos”.

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro?

Vanderley Sampaio: Muitos dos poemas de “Bolerus” têm uma preocupação estética e sonora. Contudo, considero que a pesquisa para isso já havia sido feita quando estudei alguns dos meus poetas preferidos na faculdade. “Zumbidos Palmares I” e “Zumbidos Palmares II” são dois poemas do livro que precisaram de uma atenção mais técnica quanto ao conteúdo e a adequação do vocabulário, mas sem rigor extremo. Há poemas escritos em plena juventude (na adolescência e também aos vinte e poucos anos), mas também os surgidos entre 2014 e 2016. Eu diria que foi um livro que demorou uns 25 anos para ser concluído e lançado.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho que você acha especial em seu livro?

Vanderley Sampaio: Eu destacaria os poemas: “Acostumar”, que tem uma proposta mais rítmica, se aproximando do universo da canção e também por sua natureza de um “eu” profundamente angustiado; “Inóspita cidade”, por sua crítica social, voltada para os aspectos urbano e caótico da vida nas grandes cidades; e “Nus estados”, como exemplo de poema visual que discute um pouco a filosofia da existência. 

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir um exemplar do seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Vanderley Sampaio
: O livro “Bolerus” está à venda pelo PagSeguro, na loja da página do Absurtos no Facebook (@absurtos). Pode ser encontrado nas livrarias on-line Martins Fontes Paulista, Cultura, Asabeça, Cia. dos Livros e no site da Amazon. Nesta última, já está disponível também a versão digital (e-book Kindle), por um preço incrível. Para saber detalhes sobre como comprar, é só acessar a aba Livro “Bolerus” em www.absurtos.com.br. Neste mesmo site e nas redes sociais do Absurtos é possível conhecer várias séries de poemas (meus e da minha parceira Rose Almeida) e acompanhar as novidades.

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Vanderley Sampaio: O projeto mais recente, além do “Bolerus” em formato digital, é uma campanha pela democratização da poesia. Chamada de “Bolerus por aí”, a ação tem espalhado pela cidade vários exemplares do livro de forma gratuita e abrangente. Consiste em libertar o livro em museus, praças, ônibus, centros culturais e muitos outros espaços, para que qualquer pessoa possa encontrá-lo, lê-lo e depois deixá-lo onde quiser para que o processo continue. Todos os passos dessa aventura estão sendo registrados nas redes sociais.

Perguntas rápidas:

Um livro
: “O livro do desassossego”, Fernando Pessoa (Bernardo Soares).
Um (a) autor (a): Fernando Pessoa.
Um ator ou atriz: Fernanda Montenegro.
Um filme: A insustentável leveza do ser.
Um dia especial: o dia do nascimento da minha filha Vanessa (mas o segundo dia especial foi o do lançamento do meu livro “Bolerus”).

Conexão Literatura
: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Vanderley Sampaio: Agradeço pela oportunidade de falar sobre meu recém-lançado livro “Bolerus”, desejo sucesso à revista Conexão Literatura e aproveito para pedir que editoras e leitores acreditem mais na poesia. É preciso que mais livros de poesia sejam publicados, divulgados e lidos. É um gênero fundamental na literatura e não deveria ser preterido ou minimizado. Muito obrigado!

Serviço:
Título: Bolerus
Autor: Vanderley Sampaio
Editora: Scortecci Editora
Gênero: Poesia brasileira
Formato: 14 x 21 cm - 120 páginas
ISBN: 978-85-366-5355-6
Preço de capa: R$ 35,00
Faixa etária: livre
Blog Absurtos: www.absurtos.com.br
Facebook: https://www.facebook.com/absurtos
Instagram: https://www.instagram.com/absurtos
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