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segunda-feira, 24 de maio de 2021

ENTREVISTA: Carolina Panta e o livro Olivetti Lettera 32, por Cida Simka e Sérgio Simka


Fale-nos sobre você.

Carolina Panta nasceu em Porto Alegre e é professora de Língua Portuguesa e Literatura formada em Letras pela UFRGS. Editora da revista literária La Loba, é ativista em busca do protagonismo feminino na cultura. Tem na mulher seu tema principal de escrita, como em seu primeiro romance, Dois Nós. Olivetti Lettera 32 é seu segundo mergulho às profundezas da dor e do prazer de ser mulher.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre o livro. O que a motivou a escrevê-lo?

O livro nasce como a partir da ideia da janela indiscreta, das curiosidades nutridas por de trás da porta vizinha. Um narrador que se comunica diretamente com as personagens por meio de bilhetes, demonstrando total conhecimento de suas vidas, de seus sentimentos e de passados escondidos que não agradam a mais ninguém. As personagens, como bonecas em um teatro caixa de sapatos, são manipuladas pela narração onisciente que resgata histórias e antecede seus futuros. Cada uma das três mulheres recebe ao longo de um mesmo dia um livro com seu nome estampado na capa. O que acontece a partir daí é uma viagem por meio de suas histórias.

Escrevo sobre o cotidiano feminino, sobre as questões que perpetuam a dor e o prazer de nos fazermos mulheres.

Fale-nos sobre seu outro livro.

Um núcleo familiar destruído pela violência doméstica forja novos futuros para duas irmãs que, desencontradas, vivem seus conflitos em uma sociedade que as violenta de diversas formas. Com uma estrutura que intercala narradores, vivemos em tempos distintos, presenciando os conflitos cotidianos que conduzem as personagens a seus destinos.

Como analisa a questão da leitura no país?

Não se pode negar que as redes sociais ampliaram o alcance dos livros. A Literatura, de modo geral, mostra-se àqueles interessados. A grande organização do mundo digital em nichos faz com que mais resenhas e leituras sejam compartilhadas. Ainda é pouco, pois, infelizmente, esse grande crescimento não é reconhecido por políticas públicas que estimulem a leitura mesmo àqueles que não têm acesso ao universo da internet.

O que tem lido ultimamente?

Há alguns anos, fiz um grande questionamento. Quantos livros escritos por mulheres eram, para mim, referências literárias? Infelizmente, não eram muitos. A partir disso, iniciei uma imersão ao grande número de escritoras incríveis que eu até então desconhecia. Assim, tenho lido, majoritariamente, mulheres. Quanto mais mulheres forem lidas, mais seus livros serão resenhados, mais entrevistas por elas serão concedidas, seus livros serão mais escolhidos como leituras obrigatórias de vestibulares. Ler mulheres é, portanto, uma escolha política contra um mercado editorial que ainda tem a figura do homem branco heterossexual de meia-idade como "fotografia" do seu escritor. Bell Hooks, Conceição Evaristo, Aline Bei, Elena Ferrante, Maria Valéria Rezende são algumas das minhas últimas leituras.

Por que a intensa produção feminina não se reflete em números nas publicações?

Ainda nos tempos atuais, uma mulher inserida no campo intelectual muitas vezes é julgada ou por produzir uma arte vista como “menor” e mais “emocional” ou por trabalhar em sua carreira em detrimento à família. Em uma observação simples dos nomes vencedores nos mais de 60 anos do prêmio Jabuti, por exemplo, configuram menos de 15 mulheres como grandes vencedoras na categoria romance literário. A matemática é simples: somos menos publicadas no grande mercado editorial, pois nossa literatura é considerada atrativa a somente um grupo social, enquanto a produzida por homens atinge todos e todas. Eles são maiores produtores de capital intelectual e mais numerosos em publicação de resenhas em jornais. Ainda há uma hegemonia masculina que dita, muitas vezes, aquilo que é ou não arte relevante socialmente.


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020) e O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). 

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