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sexta-feira, 20 de maio de 2022

ENTREVISTA COM ESCRITOR: Leonardo José Dutra Campos e o livro Maria José Santos Stein: o brilho perene de sua luz, por Cida Simka e Sérgio Simka


Fale-nos sobre você.
 

Me chamo LEONARDO JOSÉ DUTRA CAMPOS, sou morador de Santo André-SP há mais de trinta anos, natural de São João Nepomuceno-MG, registrado em Leopoldina-MG. Sou graduado e pós-graduado em Gestão de Políticas Públicas e produzi vários artigos, textos teatrais e poesias para diversas revistas, jornais e, contando com a minha recém-obra: “Maria José Santos Stein: o brilho perene de sua luz”, já publiquei mais sete livros: “Um trilhar poético; “No trilhar de uma vida”; “A liberdade de Laura”; “Irradiando no tempo”; “Economia Solidária: o que é isso?”; “Padre José Mahon: uma voz em defesa dos pobres e trabalhadores”; e “Ecos de minhas memórias”. Com Nelsa Felix do Nascimento publiquei o livro “Capela Nossa Senhora da Caridade: na história avançando para águas mais profundas” e, com Jerônimo de Almeida Neto, organizei o livro “Desvendando a Economia Solidária”. Atualmente coordeno o projeto Poemas da Cidade, Antologia Poética e FELISA Poética, ambos da Editora COOPACESSO, onde atuo como arte-finalista. 

ENTREVISTA: 

Fale-nos sobre o livro. O que motivou a escrevê-lo? 

Minha maior motivação é a própria história da Maria José Santos Stein que perpassa por uma atuação militante, toda ela voltada para a defesa da classe trabalhadora e da luta por igualdade entre mulheres e homens, bem como da garantia de uma saúde pública humanizada e com acesso a todas as pessoas. São questões e temas que muito me inspiraram. 

É um livro que vem retratar algumas das muitas memórias dessa mulher forte e marcante, a partir da sua militância social e política que inicia aos catorze anos de idade, no chão da fábrica, em 1956, na Fiação Vitória LTDA, passando pelo movimento da Juventude Operária Católica-JOC; pelo movimento sindical; pelo partido político (Partido dos Trabalhadores-PT); e pelos movimentos sociais (igreja, saúde, mulheres, entre outros). Penso que o leitor e a leitora vão gostar da leitura dessa história. 

Como os leitores poderão conhecer mais sobre o seu trabalho literário? 

Tenho algumas inserções na internet e que facilmente as pessoas podem me encontrar. No Facebook estou como “Leonardo Campos”; no YouTube, como “Escritor Leonardo J. D. Campos”; e tenho um blog que traz também um pouco desse meu trabalho literário no seguinte endereço: https://leonardocamposescritor.blogspot.com/.  

Como é ser escritor em um país como o nosso? 

Desafiador. Falta incentivo, falta reconhecimento e faltam políticas públicas que valorizem e motivem uma maior produção literária. Se por um lado somos um país que lê pouco, igualmente somos uma nação de muitos talentos escondidos justamente, não apenas, mas fundamentalmente, por esta falta do incentivo necessário para contribuir com o despertar das pessoas para novos autores(as) e novos leitores(as). 

Uma pergunta que não fizemos e que gostaria de responder. 

Não. Estou satisfeito com as questões e muito feliz pelo espaço e por esta oportunidade de falar um pouco sobre meu trabalho. Gratidão! 

Outra entrevista: Leonardo Campos, seus livros e a Editora Coopacesso:

http://www.revistaconexaoliteratura.com.br/2019/11/leonardo-campos-seus-livros-e-editora.html 

 

CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020), O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021) e Queimem as bruxas: contos sobre intolerância (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). 

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sexta-feira, 6 de maio de 2022

ENTREVISTA COM ESCRITOR: Márcia Fusaro e o livro Paixões alegres, encontros felizes com Ana Haddad, por Cida Simka e Sérgio Simka

Márcia Fusaro - Foto divulgação

Fale-nos sobre você.

Sou doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, com pós-doutoramento em Artes pela UNESP. Mestra em História da Ciência pela PUC-SP. Graduei-me em Letras, Tradução e Interpretação (inglês-português) pela UNIBERO. Atualmente, sou professora e pesquisadora dos Programas de Pós-Graduação em Educação e da graduação da Universidade Nove de Julho.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre o livro. O que motivou a escrevê-lo?

O livro em homenagem à Ana Haddad nasceu de um desejo de muito tempo. Nossa amizade é de quase vinte e cinco anos, desde a época em que me tornei sua primeira orientanda de mestrado. A fagulha sobre o livro foi reavivada por um comentário do poeta Marco Lucchesi, imortal da Academia Brasileira de Letras. Na primeira vez em que nos visitou na Universidade Nove de Julho, onde proferiu uma inesquecível palestra a convite da Ana, pôde testemunhar o carinho e admiração dos alunos por ela. A certa altura, virou-se para mim, sorridente: “Que bonito isso! Ana e seu trabalho como educadora mereciam uma homenagem”. Aquele comentário permaneceu comigo, reforçando meu desejo anterior, até que as circunstâncias se mostrassem oportunas, anos depois, para eu conseguir organizar o livro. Trata-se de uma coletânea de ensaios escritos por ex-orientandas e ex-orientandos da Ana: Catarina Fischer, Karla Brandão, Nádia Lauriti, Ninil Gonçalves, Fábio Espadaro, Shirlei Tarzia e Silvana Gondim, além de mim. O título remete aos afetos à luz de Spinoza, em sua magnífica Ética, livro e autor dentre os preferidos da Ana. Os ensaios são declarações de amor. Respeito. Admiração por essa incrível amiga e educadora que é Ana Haddad. Como preâmbulo, uma seleção de poemas do paquistanês Mohammed Iqbal, em tradução assinada por Marco Lucchesi que, de certa forma, foi um iluminador do processo.

Fale-nos sobre seus outros livros.

As interfaces do conhecimento sempre me fascinaram. Aliás, foi esse o motivo principal de minha formação de percursos não lineares, iniciada, sobretudo, a partir do amplo universo de leituras que passei a frequentar depois de conhecer Ana Haddad. Por isso, os livros que tenho publicado sempre, de alguma forma, têm apresentado interfaces transdisciplinares mesmo quando há um tema predominante. Nos últimos anos, o tema predominante tem sido a Educação em diálogos com Semiótica, Literatura, Artes, Filosofia, Ciências e Tecnologia. Mas é preciso explicar que não se trata de uma arrogância, evidentemente ingênua, de querer “dominar” várias áreas do conhecimento. A meu ver, tal amplitude de abordagens nasce como consequência da minha grande paixão pela leitura. Leitura esta que estendo a inúmeras áreas e vários sentidos. Como formadora de professores, uma das preocupações que tenho trazido à baila em minhas publicações, e outras atuações acadêmicas, é não somente a importância da leitura (disso já sabemos), mas também a ampliação desse conceito. Creio ser fundamental na formação de professores, bem como na área da Educação em geral, considerarmos o conceito de leitura não apenas relacionado ao texto, mas também à leitura das imagens, sejam elas estáticas ou em movimento. É preciso alfabetizar(-se) não somente para a leitura e a escrita, mas também para a imagem. Sobretudo em tempos de fake news, deep fake e afins.

Como analisa a questão da leitura no país?

Conforme mencionei anteriormente, já se sabe que a leitura é importante. Isso costuma ser lembrado por diferentes pessoas em diferentes contextos, incluindo, claro, muitos da Educação. No entanto, às vezes soa mais como um discurso que se quer mostrar bonito e aceito do que propriamente uma ação ou prática efetiva. Ainda há muito a avançarmos em termos de formação de leitores, incluindo-se até mesmo a área da Educação e, em especial, a da formação de professores. A leitura profunda, reflexiva, é um exercício constante que requer dedicação e atualização. Costumo comparar à meditação, à qual também me dedico há muitos anos. Algumas pessoas dizem não ter tempo nem paciência para meditar. Às vezes, ouço o mesmo em relação à leitura. Só que vejo a leitura e a meditação como práticas para um exercício de liberdade interior. Portanto, praticá-las com a devida dedicação requer, sobretudo, uma necessidade interna. Um desejo íntimo de libertação. Mas é preciso também que se diga que os problemas relacionados à leitura não são exclusividade do Brasil. Gosto de citar, como exemplo, a pesquisa profunda, de toda uma vida, da antropóloga francesa Michèle Petit, com vários livros sobre o tema publicados no Brasil. Ela nos mostra como os problemas relacionados à leitura ocorrem em vários lugares do mundo, inclusive na França, para surpresa de muitos.

O que tem lido ultimamente?

Sou uma leitora inquieta. Aliás, um mito que costumo quebrar com meus alunos é o do leitor bem-comportado, que começa a ler um livro e só começa outro quando termina, obedientemente, o anterior. Isso não é regra. Não há uma lei ou mandamento que obrigue a se ler assim. As escolhas e o ritmo da leitura são dados pelos diferentes contextos que nos perpassam. O exercício da leitura, para se tornar prazeroso, também requer um grau de liberdade. Recentemente, me interessei pelos títulos de Elena Ferrante, pseudônimo dessa misteriosa escritora italiana que não quer aparecer na mídia mesmo vivendo na era das selfies e das redes sociais. Li Frantumaglia, aliás por indicação da Ana Haddad, e fui logo frequentando outros títulos dessa talentosa escritora: Um amor incômodo; A filha perdida; A quadrilogia napolitana... (outros dela já estão aguardando na minha pilha de livros futuros). Enquanto os lia, nesses exercícios de idas e vindas que são o prazer da leitura para mim, fui frequentando outros títulos em paralelo, conforme os contextos do cotidiano me foram conduzindo a eles e por eles. Diário Confessional, de Oswald de Andrade. A planta do mundo, do talentoso ensaísta e neurobiólogo italiano Stefano Mancuso (já estou com outros dois títulos dele aqui na minha pilha de livros a serem lidos futuramente). Art and Cosmotechnics, do filósofo chinês Yuk Hui, heideggeriano que apresenta diálogos profundos entre arte e tecnologia pelos filtros ocidental e oriental. Reli O Sofista, de Platão, para abordar o conceito de “simulacro” como parte da minha disciplina de pós-graduação sobre artes e tecnologias aplicadas à educação. O ensaio como tese, de Victor Gabriel Rodríguez, mestre e doutor em Direito pela USP, além de talentoso ensaísta. Este livro é altamente recomendável àqueles que, como eu, andam incomodados diante da falta de criatividade estilística na produção de certos textos acadêmicos. Encaixotando minha biblioteca, de Alberto Manguel, que dispensa apresentação aos amantes da leitura. O belíssimo Biografia do Silêncio: breve ensaio sobre meditação, do padre espanhol e discípulo zen Pablo d´Ors, são alguns dos títulos que li recentemente.

Por que se manter otimista, apesar de tudo?

Em contraste às minhas respostas anteriores, talvez longas demais, esta será breve e de arremate: porque, conforme já nos alertava Sartre, estamos condenados à liberdade.

No link abaixo, uma entrevista com a profa. Ana Maria Haddad Baptista:

http://www.revistaconexaoliteratura.com.br/2021/06/entrevista-ana-maria-haddad-baptista.html

No link abaixo, uma entrevista com o escritor Marco Lucchesi:

http://www.revistaconexaoliteratura.com.br/2021/05/exclusivo-marco-lucchesi-presidente-da.html


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020), O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021) e Queimem as bruxas: contos sobre intolerância (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021).

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terça-feira, 18 de janeiro de 2022

5 livros de autores nacionais que você deveria conhecer


Como leitor, escritor e editor, tenho o prazer e privilégio de conhecer centenas de obras nacionais e internacionais. São inúmeros títulos lançamentos mensalmente. Mas destaco alguns títulos de autores que venho acompanhando nessa jornada literária. São eles: José M S Freire, autor de ficção científica que vem se destacando com o título "Tamara Jong". Freire criou uma coleção magnífica de 6 obras ricamente trabalhadas, mostrando ser um exímio conhecedor do gênero FC.  Roberto Schima, outro exímio escritor. Schima é um autor incansável, com inúmeras participações em antologias, possui obras solo e domina a arte de contar uma boa história. Sérgio Simka e Cida Simka, escritores ativos que dominam o português e a arte da escrita, com livros didáticos, como "Prática de Escrita ", título que já expõe o que o leitor encontrará na obra. Rafael Caputo, provavelmente o mais jovem da lista, mas que vem ganhando cada vez mais leitores com seus textos bem elaborados e criativos. E Bert JR, ativo escritor gaúcho e ganhador de prêmios literários, escreve excelentes poemas, contos e crônicas. 

Os autores citados podem ser de cidades e gêneros diferentes, mas todos possuem algo em comum: a paixão pela escrita.   

TAMARA JONG: O CHAMADO DE ÚLION - JOSÉ M S FREIRE 

Universos paralelos, portais interdimensionais, viagens interestelares, mundos futuristas, guerras interplanetárias e tantas outras coisas que intrigam e fascinam a humanidade há longo tempo, mas que ainda permanecem como mistérios a serem revelados em um futuro longínquo, tornam-se, de repente, a mais pura realidade para uma jovem coreana. Tamara Jong, campeã de taekwondo e espadachim do estilo Hankumdo, após deixar a Coreia do Sul com a mãe, uma viúva que se estabelece como empresária no Rio de Janeiro, vê-se, inesperadamente, arrebatada para um mundo de outra dimensão. Tudo aconteceu porque a garota, que adquirira o hábito de treinar seus novos amigos nas artes marciais durante as manhãs de Sábado e Domingo, na Floresta da Tijuca, é confundida com uma poderosa guerreira. O povo do planeta Úlion, que fora dominado por uma raça invasora, vê em Tamara a sua chance de reconquistar a liberdade perdida. Um jovem revolucionário, chamado Zorach, pede a ela para ensinar seus companheiros a lutar, para que eles possam fazer frente aos terríveis inimigos. Sensibilizada com a situação dramática do simpático povo de cabelos vermelhos e olhos azuis, Tamara responde ao chamado para a luta, engajando-se, de corpo e alma, numa guerra cruel e sangrenta. Com sua coragem, determinação e a implacável espada nas mãos, ela logo se torna a mais temível e respeitada combatente das fileiras ulianas.

CINZA NO CÉU - AUTOR: ROBERTO SCHIMA

A exemplo da minha coletânea anterior, "Sob as Folhas do Ocaso", "Cinza no Céu" reúne histórias que foram publicadas na revista digital "Conexão Literatura", editada por Ademir Pascale. Seus vinte e sete contos abrangem fantasia, horror, ficção científica, nostalgia em quase setecentas páginas. Este livro, assim como "Limbographia", "O Olhar de Hirosaki" e "Sob as Folhas do Ocaso" são retalhos de mundos diversos que preencheram minha mente, nos quais mergulhei, me perdi, me achei, por vezes com relutância em voltar. Para mim, eles existem de verdade. Estou neles. Estão em mim. E são aquilo que deixarei para trás.

CARNE FRACA - AUTOR: RAFAEL CAPUTO

“Carne Fraca” é o segundo romance do escritor Rafael Caputo, autor finalista do Prêmio Kindle de Literatura em 2019, que traz novamente a cidade de Curitiba como cenário de suas tramas. A capital paranaense, conhecida como uma “cidade europeia” em pleno Brasil, esconde vários segredos do velho mundo, guardados a sete chaves por alguns descendentes de estrangeiros e membros remanescentes de famílias tradicionais, como a família Sampaio, do carioca Fábio. Que, como seus antepassados, migrou para o sul do país em busca de certa redenção. Usando uma narrativa peculiar, a obra explora uma relação confusa (quase doentia) entre três personagens: Fábio, Manuela e Gizele. Esta última é possessiva e obcecada, faz de tudo para conseguir o que deseja, que no enredo é destruir a relação de Fábio e Manu, só para fisgar o professor de informática bonitão, que – em várias ocasiões – é complacente com as investidas da insistente consultora imobiliária e atriz de teatro amador, capaz de absolutamente tudo para alcançar seus objetivos. Uma atração assim irá trazer consequências perturbadoras para ambos e, principalmente, para quem cruzar seus caminhos. Manuela, por sua vez, é como a maioria das garotas: insiste em acreditar no amor, menos no amor próprio. Por conta disso, acaba sofrendo graves consequências. Principalmente, pela dificuldade em lidar com seus próprios sentimentos, buscando aliviar suas dores emocionais por meio de uma prática nada convencional: a da automutilação. Culpa de sua personalidade depressiva potencializada por uma involuntária síndrome de Asperger. Já Fábio é mulherengo, dissimulado e inconsequente; características que dão um toque a mais na relação já conturbada dos protagonistas. Chega a ser quase um triângulo amoroso. Fruto dos delírios e do talento de Rafael Caputo, a história trata dos perigos de brincarmos com os sentimentos dos outros e chama a atenção para uma grande verdade: as pessoas não são o que normalmente aparentam. Não, a maioria delas. Além de apresentar um desfecho inesperado, o autor ainda surpreende a todos com um final alternativo fora do comum, presenteando o leitor com uma experiência literária insana.

PRÁTICA DE ESCRITA - AUTORES: CIDA SIMKA E SÉRGIO SIMKA

A escrita sempre foi e sempre será fator essencial na existência de qualquer ser humano. Ela representa a porta de entrada e de saída para as oportunidades de transformação de vida, seja no aspecto intelectual, pessoal, profissional ou social, além de ser facilitadora para se conviver melhor em sociedade. E não há como dissociar a escrita da leitura, recurso igualmente primordial para que haja interação entre as pessoas.

EU CANTO O ÍPSILON E MAIS

BERT JR. é gaúcho de Porto Alegre, onde viveu até os 26 anos. Depois de graduar-se em História pela UFRGS, formou-se em Diplomacia pelo Instituto Rio Branco, em Brasília. Sua experiência como diplomata o levou a conhecer vários países. Publicou em 2020 o livro Fict-Essays e contos mais leves pela Labrador. Também compõe músicas e letras. Mantém perfis nas redes sociais para a divulgação de seus trabalhos literários e musicais. Eu canto o ípsilon E mais é seu primeiro livro solo de poesia.

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quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

ENTREVISTA COM ESCRITOR: Marilda Soares e os livros Etnicidade Afrodescendente, por Cida Simka e Sérgio Simka

Marilda Soares - Foto divulgação

Fale-nos sobre você.
 

Marilda Soares é bacharel e licenciada em História, com mestrado e doutorado em História Social; pedagoga, com especialização e Psicopedagogia e Neurociência; MBA em Administração Pública e Gerência de Cidades.

Foi professora na Educação Básica e no Ensino Superior durante 25 anos.

Atualmente é coordenadora geral da Educação Básica, na Secretaria de Educação do Município de Piracicaba, e professora associada profissional do Pecege-Esalq-Usp (Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas), orientando os trabalhos de conclusão de curso de Especialização em Gestão Escolar.

Integra a Rede de Atendimento e Proteção à Mulher, é membro do Conselho da Comunidade Negra e vice-presidente do Centro de Documentação, Cultura e Política Negra de Piracicaba. 

ENTREVISTA: 

Fale-nos sobre os livros. O que motivou a escrevê-los? 

Creio que a intenção inicial foi de responder a inúmeras perguntas que eu fazia a mim mesma, como pesquisadora da história e como cidadã, mulher negra, no contexto da sociedade brasileira. Especialmente por não ver a história dos afrodescendentes representada nas narrativas históricas oficiais.

Assim, “Etnicidade Afrodescendente” surgiu da necessidade de repensar a História do Brasil considerando a africanidade como elemento constitutivo da nossa nacionalidade. Durante a coleta de dados, o tema foi se desvendando e motivando a busca de novos métodos, recortes, fontes e interpretações.

O primeiro volume é destinado ao registro de passagens da História da África, com referências a povos, etnias, culturas e nações africanas, e o segundo volume é dedicado a passagens da História do Brasil, especialmente à presença negra na formação histórico-social do país.

A presença africana e afrodescendente no Brasil, geralmente, é apresentada de forma esparsa e superficial, com o destaque para algumas passagens relacionadas à história da expansão portuguesa e europeia na África, o início da colonização do Brasil, a produção açucareira, o ciclo da mineração, a produção cafeeira, o movimento abolicionista e a Lei Áurea. Isso significa dizer que o conhecimento histórico, desde que se definiu um modelo curricular para o ensino da História no Brasil, a exaltação ao passado europeu da população e da nacionalidade brasileira pode ser identificada na ênfase ao modelo curricular de ensino da História Universal definido pela elite local, que reivindicava para si a ascendência europeia, desprezando o processo de miscigenação, inicialmente com africanos e indígenas e, posteriormente, com outros povos de origem asiática e árabe.

Até recentemente a educação escolar e, na mesma medida, as pesquisas acadêmicas que lhes dão suporte teórico, não contemplavam a abordagem histórica dos povos africanos e afrodescendentes do Brasil, o que provocou grande desconhecimento dessa parcela da História. O mesmo ocorreu com a História dos povos Indígenas, cujos currículos priorizaram as passagens históricas dos Incas, Maias e Astecas, como parte do processo de expansão colonizadora e predomínio dos espanhóis na América Central. Não obstante, são conhecimentos fundamentais para a formação da nossa identidade. 

Como analisa a questão da leitura no país? 

Vivemos um momento interessante, em que muito se lê, especialmente as publicações que circulam pelas redes sociais. Porém, temos que salientar a distância entre a quantidade e a qualidade do conteúdo lido.

Os textos clássicos e mesmo outros atuais, que apresentam repertórios mais densos, não estão incluídos entre os mais acessados.

A leitura compõe a base do desenvolvimento do indivíduo desde a infância. Temos que aprender a ler o mundo de diversas formas, entender seus símbolos e códigos para nos constituirmos como pessoas. Mas, mesmo compondo a rotina de aprendizagem no ambiente escolar, a leitura precisa ser estimulada fora dos muros das escolas, especialmente no ambiente familiar, que é a base da formação de valores.

Família e Escola devem atuar juntas para incentivar o desenvolvimento dessa competência leitora – que é acompanhada do desenvolvimento de habilidades socioemocionais –, se apoiando mutuamente, estimulando o prazer de ler e, ao mesmo tempo, uma postura de investigação, de desejo de conhecer mais sobre o mundo e suas possibilidades de interpretação. 

O que tem lido ultimamente? 

Tenho lido bastante a obra de Cheikh Anta Diop, pesquisador senegalês, já falecido, destacado por sua ampla formação como físico, historiador, sociólogo, antropólogo e linguista. Ele é considerado um importante intelectual africanista do século XX por suas pesquisas referentes às origens africanas da civilização.

Diop utilizou conceitos extraídos das investigações linguísticas, arqueológicas, antropológicas e históricas que produziram conhecimentos acerca dos povos subsaarianos e seus legados, desde a Pré-história, para demonstrar que os grupos humanos originados na área central da África, devido às necessidades de sobrevivência, busca dos recursos naturais e mudanças climáticas, foram alcançando outros espaços, nos territórios do Egito, Mesopotâmia, Oriente, Europa e, em processos migratórios de milhares e milhares de anos, ultrapassaram o Estreito de Bering e alcançaram as Américas.

Um dos objetivos alcançados por Anta Diop foi desconstruir a imagem criada pela Egiptologia e outras linhas da investigação que buscaram subjugar as etnias africanas e distanciar a História do Egito da História da África.

Diop esclarece que parte significativa das referências históricas sobre a África foi calcada no racismo. Segundo ele, os apontamentos científicos eram usados para justificar a exploração colonialista ao afirmar a “inferioridade” dos povos africanos, atribuindo um caráter “natural” ao processo de dominação econômica e política exercida pelas “superiores” nações europeias. E como o Egito foi a mais proeminente civilização da Antiguidade, superior em riqueza e sofisticação cultural a muitos povos antigos de outras partes do mundo, realizou-se um esforço para dissociá-lo do restante do Continente, mormente da África negra.

Ao investigar uma rica documentação, Cheikh Anta Diop concluiu que os egípcios tinham originalmente a pele escura, ou seja, com grande concentração de melanina, que caracteriza as etnias da África negra. Com os processos de sucessivas migrações e invasões, parte da população passou a apresentar variações na pigmentação, o que não significa que a população egípcia fosse asiática em origem, pois se registra, em todo o arcabouço documental, a anterioridade daquela civilização em relação às demais. E, desse modo, Diop contrariou as tradicionais pesquisas eurocêntricas e fundamentou teoricamente a origem africana do Egito e da própria civilização. 

Como você avalia a relação das temáticas propostas nos livros e o contexto histórico atual? 

Em uma perspectiva positiva, podemos apontar que a temática da igualdade e dos direitos ganhou maior espaço nos estudos acadêmicos e embates políticos, estimulando uma revisão dos conceitos, preconceitos e estereótipos, buscando novos caminhos para a valorização da cultura e história dos povos africanos e afrodescendentes do Brasil e de toda parte onde a Diáspora desconstruiu as sociedades tradicionais da África e gerou novos processos históricos. 

Por outro lado, do início do trabalho, há alguns anos, até o momento em que encerramos a escrita, foi possível presenciar debates e lutas incansáveis de militantes dos direitos humanos e de ativistas negros, com a perspectiva de novas conquistas e avanços.

Propostas políticas dissonantes com os preceitos democráticos têm surgido, lamentavelmente, descontruindo as conquistas de diversos segmentos historicamente excluídos. Em tempos mais recentes, também tem sido possível presenciar, com perplexidade, o recrudescimento de linhas político-ideológicas avessas ao Estado Democrático de Direito, tão caro à esperança de um futuro igualitário e de uma sociedade mais justa e equilibrada.

Por essas razões, dentre os objetivos principais dessas publicações, apresentamos algumas passagens da História da África e da História do Brasil a partir da análise da temática étnico-racial e com o propósito de contribuir para as discussões, trazendo uma linguagem simples e acessível a todos os interessados. 

Links para os livros: 

Passagens da História da África - Etnicidade Afrodescendente I

https://clubedeautores.com.br/livro/passagens-da-historia-da-africa 

Passagens da História do Brasil - Etnicidade Afrodescendente II

https://clubedeautores.com.br/livro/passagens-da-historia-do-brasil 

 

CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020), O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021) e Queimem as bruxas: contos sobre intolerância (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021).

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sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

DIA DO LEITOR: evento da Editora Patuá para a formação de leitores, por Cida Simka e Sérgio Simka

 A Editora Patuá está com uma excelente campanha para a formação de leitores. Acompanhem abaixo o texto do editor, o incansável Eduardo Lacerda.

Todos os escritores, escritoras, editores, editoras e todas as pessoas da cadeia do livro, como revisores, ilustradores, diagramadores etc. devem lutar para transformar o país em um país de leitores e leitoras.

É nossa obrigação, nosso dever e nossa missão. Há um projeto histórico de não formação de leitores, assim como há um projeto contra a educação. Somente a educação e a cultura podem transformar esse país em uma sociedade civilizada, justa e que progredirá também em outras áreas.

A fim de impulsionar uma primeira ação que busque leitores e leitoras, resolvemos iniciar, neste dia 7 de janeiro, dia da leitora, dia do leitor, uma campanha de doação de livros. A cada exemplar vendido de 7 a 14 de janeiro, a editora dará de presente um livro da editora para o comprador e fará a doação de outro exemplar para bibliotecas públicas ou comunitárias.

Você poderá acompanhar o resultado dessa campanha que divulgará a quantidade de livros doados, nomes dos compradores e compradoras, e quais bibliotecas beneficiadas.

Esta será mais uma ação da Patuá, a primeira de 2022, na busca da formação de leitores. Aguardem que teremos outras ações em parceria com a nossa Livraria Patuscada, a Public Inc @incubadoradeeditoras e O Casulo – Jornal de Poesia Contemporânea.

Aliás, quem comparecer à livraria nesse sábado (8/1), também receberá seu exemplar de presente e contribuirá com a doação de um exemplar para uma biblioteca. Estaremos lá em nosso endereço na Rua Luís Murat, 40, Pinheiros, São Paulo, CEP: 05436-050 das 18h às 22h.

Vem com a gente!

Eduardo Lacerda

Editor

Editora Patuá 

www.editorapatua.com.br


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020), O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021) e Queimem as bruxas: contos sobre intolerância (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021).

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quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

ENTREVISTA COM ESCRITOR: Rodrigo Roddick e o livro Teste sua morte, por Cida Simka e Sérgio Simka


Ano que se inicia, coluna nova no site da revista Conexão Literatura. Aliás, novo mesmo é só o título, pois o objetivo continua o mesmo: entrevistar autores sobre sua obra.

Para estrear, apresentamos a entrevista com o escritor Roddick e seu surpreendente livro “Teste sua morte”. Acompanhe-nos, se tiver coragem.

Fale-nos sobre você.

Escrevo histórias sobre a morte. Comecei com “Emissários da Morte” (2018), depois escrevi “Sangue Negro” (2019) e em 2021 lancei “Teste Sua Morte” através do Catarse. No mesmo ano publiquei “100 Mortes de Você” na Amazon. Sou fã do Batman, fã de Sandman e amo histórias de terror, principalmente as contemporâneas. Sou formado em jornalismo e vivo no Rio de Janeiro. 

ENTREVISTA: 

Fale-nos sobre seus livros, principalmente o "Teste sua morte". O que motivou a escrevê-los? 

Em 2017, uma obra foi responsável por transformar completamente minha escrita. Esta obra foi Sandman (Neil Gaiman). Apesar de a história ser perfeita, me concentrei em uma das personagens, a Morte. Na saga, ela é uma jovem gótica carismática e animada, bem diferente do estereótipo que nós comumente associamos à morte. Sua personalidade me impactou tanto que eu comecei a estudar sobre o tema para entender o motivo de Gaiman tê-la criado dessa forma. E eu percebi que a morte não é uma coisa a ser temida. Pelo contrário, a morte é tão natural quanto nascer e dura apenas 1 segundo (ou menos). É apenas um instante que vai encerrar nossa história, o ponto-final. Isso foi tão significativo pra mim que eu decidi contar histórias com esse intuito.

Minha primeira tentativa foi Emissários da Morte, quando criei 5 personificações para a Morte a partir de suas manifestações reais (suicídio, doença, assassinato, falência e acaso). Depois me debrucei sobre nosso fanatismo pela imortalidade. Encontrei no personagem folclórico do vampiro a oportunidade perfeita para demonstrar a necessidade de a Morte existir. E então passei a refletir sobre isso: a necessidade da morte na nossa vida. Nada me tirava da cabeça que ela era apenas um alerta diário para que vivamos 100% aquilo que somos. Em uma das minhas reflexões, ousei cogitar a possibilidade da vida ser um jogo da Morte. E se isso acontecesse mesmo, como seria? Foi aí então que Teste Sua Morte começou a ser imaginado. Eu percebi que nós realmente jogamos o jogo da Morte e que vamos perder no fim. Porém nós a vencemos a todo segundo que passa. Enquanto estivermos respirando estamos vencendo.

Teste Sua Morte, no entanto, precisou de algumas influências para juntar as peças em minha mente. A primeira delas foi o nostálgico desenho Caverna do Dragão. O segundo foi um filme que eu não recordo o título. E o terceiro foi Circle, um filme de ficção científica que fala sobre as incongruências sociais. Eu estava com tudo isso em mente quando decidi escrever a história, que era para ser apenas um exercício de um curso que eu estava fazendo sobre storytelling. Eu estava tão compenetrado nesta tarefa, que levei apenas 7 dias para estruturá-lo e mais 15 dias para escrever a primeira versão. Eu o escrevi em fevereiro de 2019, portanto passei este ano inteiro o aperfeiçoando.

Para comprar Teste Sua Morte, basta acessa meu LinkTree: https://linktr.ee/roddick 

Como analisa a literatura de horror/terror publicada no país?

Hoje nós temos muitos escritores ótimos escrevendo sobre terror e afins. Um exemplo disso é Raphael Montes. Ele conseguiu sinalizar que havia uma lacuna a ser preenchida no cenário nacional: histórias sombrias. É claro que muitas pessoas escreviam sobre isso antes e contemporaneamente a ele, mas Raphael se tornou conhecido por sua literatura, tanto que ganhou um Jabuti. E isso ajudou com que as editoras olhassem a literatura de horror nacional com outros olhos.

É interessante mencionar também que hoje existem muito mais leitores interessados em literatura nacional, especialmente em terror. Conheci muitos leitores e canais dispostos a dar uma chance a Teste Sua Morte e fiquei imensamente surpreso com o resultado do livro no Catarse. E todo esse cenário promissor abriu espaço para o surgimento de associações focadas no gênero. É o caso da Aberst, à qual pertenço. 

Link do meu perfil na Aberst: https://aberst.com.br/team-member/rodrigo-roddick/

O que tem lido ultimamente?

Passei este ano (2021) lendo o trabalho de escritores nacionais do gênero. E li muita coisa boa. Mas de novembro pra cá, resolvi voltar a Gaiman e li Biblioteca Gaiman. Agora estou relendo meus livros de cabeceira como O Labirinto do Fauno, Drácula, Coraline e Harry Potter. 

Quais são os seus próximos projetos?

Estou com uma ideia ambiciosa já para o início do ano de 2022. Vai sair no Catarse. Por enquanto é segredo.

Também pretendendo lançar um dos muitos livros engavetados que possuo. Então passarei o primeiro semestre trabalhando no aperfeiçoamento da obra escolhida para que no segundo semestre ela possa ser publicada. Também pretendo incluir Teste Sua Morte para concorrer a algum prêmio. 

Uma pergunta que não fizemos e que gostaria de responder.

Gostaria de fazer um apelo aos leitores. Eu gostaria de pedir que os leitores não só lessem as obras nacionais, mas também COMPRASSEM. Tem muitas pessoas que se interessam em ler nacionais, mas de graça. No primeiro momento isso ajuda na disseminação da obra, mas os escritores também pagam contas. E nós que não somos conhecidos vendemos pouquíssimos volumes. Temos que conviver com essa realidade: escrever, produzir o livro, publicar, vender, custear, pagar boletos e receber pouco retorno financeiro. Não parece, mas quando você compra um livro nacional está ajudando MUITO para que este autor continue escrevendo.

É uma matemática fácil, na verdade. Preciso de você, leitor. Compre, leia e indique para alguém. Só assim conseguirei receber pelo meu trabalho. Pois nós escritores trabalhamos como qualquer outro profissional, mas NÃO RECEBEMOS SALÁRIOS.


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020), O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021) e Queimem as bruxas: contos sobre intolerância (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021).

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quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Alves de Lima e o livro O espelho, por Cida Simka e Sérgio Simka

Alves de Lima - Foto divulgação

Fale-nos sobre você.

Nascido em Aracaju, a 18 de agosto de 1989, tive de lidar logo aos cinco anos com a separação dos meus pais. Isso fez com que eu passasse minha infância junto a minha mãe e irmãos na casa de meus avôs, sob uma educação tradicionalmente católica. Fui uma criança muito agitada e criativa, conseguia tornar um brinquedo qualquer objeto, até mesmo as caixas de remédio escondidas no armário de minha mãe, a qual era enfermeira. Na escola, sempre fui uma criança amável, que despertava a simpatia dos professores, ainda que eu fosse definido como um garoto que vive no mundo da lua, comunicativo e criativo, geralmente comparado ao Menino Maluquinho, personagem de criação do escritor Ziraldo.

Na adolescência despertou-se meu interesse pela poesia, e passei a escrever de modo que aos dezesseis criei meu blog pessoal a fim de registrar minhas produções. Ao concluir o Ensino Médio, ingressei na Universidade Federal de Sergipe no curso de Letras Português - Licenciatura, quando tive a ideia de reunir algumas memórias de minha infância, e assim iniciei o processo de produção de O Espelho, que inicialmente seria um conto, mas depois se tornou um pequeno livro publicado na época em doze capítulos através do estilo folhetim. A história durou dois anos até ser finalmente concluída.

Assim que ingressei na universidade comecei a trabalhar como professor de reforço escolar. Em 2011, aos 22 anos, concluí o curso de Letras e passei a trabalhar na escola onde realizei o estágio supervisionado. Quatro anos depois fui convidado a ser coordenador do Ensino Fundamental II, onde conheci a professora Marinalva Lima, fundadora da Cia Mari Lima, a qual se interessou em realizar um espetáculo baseado na obra O Espelho em 2017, o qual foi apresentado em 15 de dezembro daquele mesmo ano para cerca de trezentas pessoas. 

No final daquele mesmo ano, minha mãe, que desde 2013 iniciara um tratamento contra o câncer de mama, descobriu que a doença estava começando a avançar. Em agosto de 2018 seu quadro piorou e ela veio a falecer no mês seguinte. A morte de minha mãe me impulsionou a tomar algumas decisões e uma delas foi aceitar o convite de uma nova escola, para coordenar o Ensino Médio na ocasião, onde trabalho até os dias atuais. Naquele momento acreditei que a mudança de ambiente me ajudaria a viver uma nova rotina. 

Em 2021 finalmente consegui realizar um de meus maiores sonhos, o lançamento da minha primeira obra: O Espelho. 

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre o seu livro. O que motivou a escrevê-lo? 

Como mencionei anteriormente, a ideia nasceu de algumas fantasias que eu tinha quando criança. Lembro-me que certa vez eu estava brincando com o espelho do banheiro e pensei na possibilidade de existir um universo paralelo por trás dele, onde existiria uma versão alternativa de mim, com quem eu me encontrava todas as vezes que eu me observava no espelho. Claro que, à medida que fui amadurecendo, a ideia foi tomando um rumo totalmente diferente, e o conceito de "espelho" foi ressignificado. Mas inicialmente a ideia era essa. Como o publiquei no período de 2007 a 2009 em formato folhetim, em meu blog, as ideias foram sofrendo interferência dos leitores da época, que questionavam se o personagem Davi era autista. Por conta disso, passei a estudar com profundidade sobre autismo, o que contribuiu para que a obra demorasse a ser concluída. Assim, tive a ideia de abraçar a percepção dos leitores, e assim criar um herói autista, mas sem que isso fosse mencionado em algum momento no livro. Não era de meu interesse criar um personagem que fosse visto como frágil e dependente, eu precisava desconstruir essa ideia perante as pessoas pertencentes ao espectro do autismo. Do contrário, Davi é sinônimo de força e resiliência na obra, um verdadeiro herói, e meu desejo é poder trazer inspiração às famílias de crianças autistas.

Como analisa a questão da leitura em nosso país?

Infelizmente somos um país onde não há qualquer incentivo à leitura. Acompanho isso de perto, sou professor de língua portuguesa e é nítido o quanto tem se tornado cada vez mais difícil cativar nossos jovens, uma vez que vivemos um momento em que tudo deve ser muito rápido e de fácil acesso. Vi certa vez que fizeram uma pesquisa e analisaram que os vídeos do Tiktok que possuem 30 segundos de duração têm alta probabilidade de não serem assistidos, diferente dos de 15 segundos, pois os jovens não têm mais paciência para assistir vídeos longos. Isso é no mínimo assustador. Se não se tem paciência para assistir a um vídeo bobo de 30 segundos, imagina ler uma obra de mais de duzentas páginas. Além disso, a linguagem deve ser a mais clara e objetiva possível, pois qualquer texto que exija um pouco mais de raciocínio possivelmente será abandonado após a leitura de alguns parágrafos.

O que tem lido ultimamente?

Estou concluindo "Aforias para a Sabedoria de Vida", de Arthur Schopenhauer. Foi desafiador, pois sempre fui acostumado com leituras de caráter narrativo.

Quais são seus próximos projetos?

Pretendo publicar uma compilação de minhas crônicas, chamada "Crônicas e seus (des)afetos", bem como meus poemas, obra intitulada "Poesia Pirata", referência ao título de meu blog.

Uma pergunta que não fizemos e que gostaria de responder.

Sobre "O Espelho", tenho grandes planos para a obra. E pretendo explorar mais o universo do autismo, bem como criar obras dando protagonismo a outras pessoas que são definidas como 'portadoras de necessidades especiais', a fim de dar a elas a devida visibilidade, mostrando sua vida além das dificuldades encontradas. Não quero ignorar as limitações e dificuldades encontradas na vida de cada uma delas. Pelo contrário, quero inspirá-las, bem como a suas famílias, a superar todas as barreiras.

Link para o livro:

https://www.mercado-de-letras.com.br/livro-mway.php?codid=723


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020), O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021) e Queimem as bruxas: contos sobre intolerância (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021).

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terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Egidio Trambaiolli Neto e o livro Bem-vindo à terra do nunca, por Cida Simka e Sérgio Simka


O incansável e prolífico escritor Egidio Trambaiolli Neto nos brinda com seu mais novo livro: “Bem-vindo à terra do nunca”. Acompanhem mais informações sobre a obra.

Sinopse:

A indiferença com a dor alheia sempre foi um problema, muitas pessoas blindam suas emoções e ignoram qualquer condição que possa perturbá-las. 

Junto à falta de empatia, aliam-se os exploradores, que se aproveitam do sofrimento alheio e das limitações impostas pelas circunstâncias, para escravizá-las em sua bolha de oportunismo.

Esse drama faz parte da vida de muitas pessoas que vivem nas ruas, em especial, das crianças, cujos futuros ficam comprometidos, e o único objetivo que encontram é viver o dia seguinte, à deriva.

É justamente essa condição que as torna as maiores vítimas do descaso humano. O mais curioso é que a imensa maioria dos políticos sequer contempla essas pessoas e suas vulnerabilidades sociais em seus planos governamentais. É uma tragédia que muitos consideram como parte de um jogo cujas regras são etéreas.

Aos frutos da brutalidade dos grandes centros, agregam-se muitos refugiados, inclusive, crianças. A grande ironia é que muitos criticam os líderes das grandes nações que criam barreiras, centros de reclusão e, até, confinamento daqueles que tentam fugir das dificuldades de seus países, em busca de segurança, oportunidades e dignidade em outras nações. Todavia, os mesmos que condenam a tirania dos poderosos, com seus próprios atos, se portam da mesma forma, criando muros invisíveis e discriminatórios.

Então, sem hipocrisia, seja você também:

Bem-vindo à Terra do Nunca


Características:

Editora: Uirapuru

Autor: Egidio Trambaiolli Neto

ISBN: 978-85-8430-006-8

Números de página: 88

Número de edição: 1

Ano de edição: 2021

Idioma: Português

Altura: 24 cm

Largura: 17 cm

Acabamento: Brochura

Link para o livro: 

https://www.lojaeditorauirapuru.com.br/produtos/bem-vindo-a-terra-do-nunca/


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020), O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021) e Queimem as bruxas: contos sobre intolerância (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021).

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quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Marinice da Silva Fortunato e o livro Memórias aqui vocadas. Memórias equivocadas?, por Cida Simka e Sérgio Simka

Marinice da Silva Fortunato - Foto divulgação

Biografia

Marinice da Silva Fortunato, desde tenra idade e até o momento, com 77 anos, continua fazendo perguntas e, das respostas, novas perguntas.

Declamava poemas na escola (tinha entre 11 e 14 anos). Quando um professor veio cumprimentá-la, pensou que o motivo seria por ela declamar bem, mas este professor lhe disse: “Estou elogiando a letra do poema”. Foi então que começou apreciar as mensagens dos poemas, das canções, dos textos literários... e questões foram surgindo...

Fez Mestrado e Doutorado na Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). Sua dissertação de mestrado (Uma Experiência Educacional de Autogestão. A Escola Moderna Número 1 na sua Gênese – 1992) e a tese de doutorado (A Categoria Solidariedade Humana no Pensamento de Kropotkin – 1998) buscavam respostas para questões tais como: Como a autogestão, a auto-organização, no campo pedagógico podem colaborar para que o povo se liberte da exploração, da opressão? Qual o papel da solidariedade na construção de um mundo justo e amoroso? Que significa “pedagogismo ingênuo”, “desobediência civil”?

Lecionou por 50 anos (1962-2012) nos diferentes graus de ensino: alfabetização de crianças, jovens (EDUCAFRO), adultos (MOBRAL), atuando também como professora universitária, coordenadora pedagógica, supervisora de ensino, coordenadora de curso de Pedagogia, coordenadora de pós-graduação. Na Igreja, trabalhou com Círculos Bíblicos (hoje Comunidades Eclesiais de Base), Equipes Docentes e Fraternidade Charles de Foucauld. A militância político-partidária não a satisfez; via essa ação muito longe dos grupos/pessoas dos bairros de periferia.

Em todas as instituições a rebeldia não lhe rendeu prêmios, mas desenvolveu a resiliência da autora na luta por um mundo justo e amoroso. 

ENTREVISTA: 

Sinopse

Esta obra contém textos em versos e em prosa que foram escritos, em sua maioria, há muito tempo, pela autora. Contém também textos de autores diversos que marcaram sua formação desde a infância.

Do "baú" saem as memórias, buscando respostas às questões colocadas pela sua vida, pela vida dos outros e de seus ancestrais.

As memórias contam com a colaboração da Luz, seja do Sol, seja da Lua e a de todos os seres que habitam nosso Planeta.

Abrir o "baú" pode ser: busca do autoconhecimento, busca na compreensão do presente, e busca para melhor se projetar o futuro, desde que essa busca seja realizada sempre de forma coletiva. 

O QUE ME MOTIVOU A ESCREVER ESTE LIVRO

A publicação deste livro não foi planejada. Na pandemia, organizando meu escritório, encontrei poemas, contos escritos por mim há muito. A frase de Padre Antônio Francisco Bohn: “Falar é dizer ao vento. Escrever é contar ao tempo” de novo me incomodou.

Como compartilhar memórias? Por que nada sei ou pouco sei sobre meus antepassados? Onde está este tesouro? O vento levou?

Chorei. Descobri que o desejo de escrever esteve sempre presente em meu coração, porém  eu não sabia.

Escrever é se comunicar com pessoas, mesmo sem a presença física delas. Comunicação que se dá no tempo de cada um, no seu  momento. Ah! Se meus avós tivessem escrito...

Não consegui escrever uma história. Só saíram pedaços, pedras, flores, espinhos, cores... A história, onde ela está? Talvez não se trate de criá-la mas de encontrá-la.

No momento, escrever é a minha maneira de “estar no mundo” engajada na luta por uma sociedade justa e amorosa. 

A QUESTÃO DA LEITURA NO MEU PAÍS

Em nosso país, a leitura de livros físicos e/ou digitais é para poucos, segundo dados do Instituto Pró-Livro. Mesmo textos longos na internet não são muito apreciados e/ou compreendidos.

Motivos não faltam. A desigualdade econômica, social e política eleva a taxa de analfabetismo entre pobres, negros, indígenas. Quantos brasileiros passam fome, não têm emprego, moradia...

Nossas escolas carecem de bibliotecas, distribuem apostilas desinteressantes, indicam obras literárias nem sempre segundo o interesse do consumidor.

Cabe a nós, que amamos a leitura de livros e a leitura do mundo, fazer este trabalho de estímulo à leitura. Como?

Criando encontros de estudos, debates, reflexões utilizando o livro, que deve ser escolhido pelo grupo. O que ler, para que ler, por que ler, como ler são questões interessantes!

Desde 1962, quando eu era professora primária, e até hoje, este é o trabalho que oferece LUZ para minha vida. Encontros tais como: escola de pais, biblioteca volante, grupos de ex-alunos, clube de mães, cursos de primeiros socorros, grupos de compra comunitária, horta escolar, clube de leitura (nas residências), Café com leitura (no bar), Grupo SALS (Segurança Alimentar Sementes do Amanhã) (encontros com merendeiras), alfabetização de adultos, Educafro, Estudo em grupo sobre nossa cultura afro-indígena, Estudo sobre a escola pública (Equipes Docentes), Estudo do Meio... (O uso da internet pode estar aqui presente).

 Existe livro para além do livro e isto fui descobrindo na partilha que se faz nestes encontros. Livros ainda não escritos!

Aí se encontra meu laboratório de pesquisa  que dá sentido à minha vida, onde busco respostas às questões que a VIDA, o UNIVERSO nos faz. Posso não compreender o COSMO, com seus mistérios, mas acredito que ele cabe em mim, em nós.

Resumindo, creio que livros e mundo precisam ser lidos para que nossa cegueira vá, aos poucos, se transformando em autoconhecimento, conhecimento do outro, do Universo.

Saliento o seguinte: tive excelentes professores, com ou sem escolaridade, alguns formados com louvor na Universidade da Vida. Agradeço a todos.

Estimulemos os escritores locais, pois assim poderemos nos ver um pouco mais. E aqui termino com Clarice Lispector:

“Perdi muito tempo até aprender que não se guarda as palavras: ou você as fala, as escreve ou elas te sufocam.” 

MINHAS ÚLTIMAS LEITURAS

1-    Cadernos de memórias coloniais – Isabel Figueiredo (2009)

2-    Um defeito de cor – Ana Maria Gonçalves (2006)

3-    Ideias para adiar o fim do mundo – Ailton Krenak

4-    Torto arado – Itamar Vieira Júnior.

5-    Memórias de um autodidata no Brasil. Maurício Tragtenberg – Sonia Alem Marrach (org.)

6-    A Pedagogia Libertária na História da Educação Brasileira – Neiva Beron Kassick e Clóvis  Nicanor Kassick. (2000)

7-    Saramago no Roda Viva (não é livro). 

Link para o livro:

https://www.amazon.com.br/Mem%C3%B3rias-Aqui-Vocadas-Equivocadas/dp/6555295376/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&keywords=Mem%C3%B3rias+aqui+vocadas.+Mem%C3%B3rias+equivocadas%3F&qid=1638788022&s=books&sr=1-1 

 

CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020), O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021) e Queimem as bruxas: contos sobre intolerância (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

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É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021).

 

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