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Por Ademir Pascale Todos os dias são criados novos grupos no Facebook sobre assuntos e gostos diversos. Nós leitores e apaixonados...

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sexta-feira, 22 de outubro de 2021

O canal “Contos de Encruzilhada”, de Evy Mello e Hugo Brasarock, por Cida Simka e Sérgio Simka

Hugo Brasarock e Evy Mello - Foto divulgação

Os escritores Evy Mello e Hugo Brasarock tiveram uma ótima sacada: resolveram abrir um canal no YouTube para divulgar contos, histórias, lendas e “causos” assombrados criados por eles.

Confira a entrevista macabra que eles concederam à revista Conexão Literatura.

Fale-nos sobre vocês.

Evy Mello: Encontrei em Hugo Brasarock o parceiro perfeito para a construção do projeto que tanto sonhei: escrever contos de terror à brasileira. Hugo é um artista completo: transpira talento e brasilidade genuína em tudo que faz – letra, melodia, ritmo, traço... Canta, compõe, desenha, toca, escreve com autenticidade uma prosa deliciosa, recheada de tradição e regionalismo.

É um marinheiro do asfalto. Consegue universalizar a região que retrata ao resgatar lendas e histórias das mais gostosas de ouvir em roda. Fui conquistada por essa prosa brejeira. Essa é a marca Brasarock.

Hugo Brasarock: Quando Evy Mello e eu decidimos escrever contos de terror juntos, fiquei com certo receio. Afinal, ela está entre as minhas referências de autores idolatrados. Artista das letras, possui uma escrita refinada com estética impecável e profunda. Acadêmica e intelectual, tem a habilidade de ativar áreas emocionais do cérebro com suas combinações, estrategicamente elaboradas, de palavras e ideias. 

É uma inspiração criativa e estimulante. Resgatou meu poder de escrita com suas abordagens reflexivas e poéticas. Sim. Ela consegue ser poeta, mesmo num conto macabro.

Por fim, achei que o contraste de estilos entre nossos parágrafos daria um resultado interessante. E cá estamos, aterrorizando a literatura brasileira.

Fale-nos sobre o canal. Por que resolveram criá-lo?

Evy Mello: De certa forma, o canal “Contos de Encruzilhada” é um meio de compartilhar as conversas mais gostosas que Hugo e eu construímos ao longo deste ano. Quando nos conhecemos, Hugo já tinha experiência com o gênero terror, já havia escrito o genial “A véia barrageira”; eu ainda iniciava minhas tentativas, inspirada pelos amigos Sérgio Simka e Cida Simka, havia acabado de publicar o conto “A casa da esquina oposta”. Claro que adorei a experiência e, daí em diante, eu e Hugo iniciamos nosso projeto de escrita conjunta de contos de terror. 

O que nos uniu, além do gosto comum pelo gênero, foi a percepção de que havia a necessidade e a vontade de dar um toque brasileiro às histórias. Explico: de minha parte, sempre foi um incômodo, a cada vez que lia alguma história de terror, produzida por um brasileiro, encontrar cenários bem distantes dos nossos, uma forma de “cópia” das paisagens norte-americanas ou europeias. Às vezes, começava a ler a narrativa, empolgada, até me deparar com alguma personagem Steve, que assassinava alguma Mary, e ao longo da história nenhum José, ou João, mas um Joseph ou um John. 

Em outras palavras: por que não buscar em nossa realidade, em nossas lendas, em nossa cultura, em nossos assassinos em série, a inspiração para a criação de nosso terror? E não falta matéria para inspiração. Eu, por exemplo, sempre admirei essa fonte de criação em Zé do Caixão. 

Claro que sou leitora de Edgar Allan Poe, H.P. Lovecraft, Mary Shelley, Bram Stoker, Lord Byron... Li 13 vezes “O Morro dos ventos uivantes”. A aversão ao estrangeiro, portanto, não faz parte de minha vida e acolho com muita tranquilidade a excelente influência que estes autores exercem em minha escrita. Mas penso que isso deve ser traduzido para nossas cores e sabores.

HUGO Brasarock: O canal é também uma espécie de incentivo ao contato mais íntimo com esse gênero, já que cada conto é um relato escrito, real ou não, na diferença de estar na linguagem vídeo. Por fim, acabamos por vestir nossa faceta de professores, trazendo textos para as pessoas ‘lerem’ com seus olhos e ouvidos.

EVY Mello: É esse projeto que o canal “Contos de Encruzilhada” sintetiza. Hugo é um mestre em aferir brasilidade em tudo o que toca. Utilizar a mídia como meio de promover a leitura, como forma de dialogar com as pessoas. E como forma de expandir horizontes. 

HUGO Brasarock: O que mais me agrada também, além da ‘brasilidade’ de nossa proposta é o efeito que obtemos com a mistura de nossos estilos. Os textos reflexivos e cheios de conflitos internos das personagens escritas por Evy Mello, bem como sua narração quase poética, carregada do que considero o máximo da sofisticação literária em fusão com minha escrita crua e direta, com neologismos e expressões populares, resulta num texto dinâmico e de aspecto ligeiro. Em forma de vídeo, então, potencializa-se esse efeito.

EVY Mello: Essa tem sido nossa mais nova missão. Temos abraçado isso com muito desvelo, profissionalismo e comprometimento. Esperamos que todos gostem e nos acompanhem, se inscrevam e interajam conosco pelo canal! Esperamos por vocês! Mas... Não se esqueçam: Assistam de LUZES APAGADAS se tiverem coragem! Lembrem-se de que alguns contos são inspirados em histórias reais... 

Você pode mandar sua história para a gente pelo canal, inclusive!

Link para o canal:

https://www.youtube.com/channel/UCozQaX-CjreqO5F5ZqtCfpw/featured

Link para o livro “A lenda da Velha Barrageira”, de Hugo Brasarock:

https://www.autografia.com.br/produto/a-lenda-da-velha-barrageira/


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020), O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021) e Queimem as bruxas: contos sobre intolerância (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021).

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segunda-feira, 18 de outubro de 2021

O livro Chá e terapia, de Marco Antonio Palermo Moretto, por Cida Simka e Sérgio Simka


O professor e escritor Marco Antonio Palermo Moretto está lançando seu mais novo livro: Chá e terapia.

Moretto é doutor em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem e tem pós-doutorado em Ciências da Religião pela PUC-SP.

Ele fala aos leitores da revista Conexão Literatura um pouquinho sobre seu livro:

Marco Antonio Palermo Moretto
Chá e terapia é um livro de memórias, há muito tempo eu queria fazer reflexões sobre a vida, ou melhor, partes da vida. Assim, comecei a fazer reflexões sobre o trabalho, amigos, relacionamentos e também sobre aqueles momentos especiais que acontecem na vida da gente e provocam sentimentos muito íntimos, às vezes parece um livro de autoajuda, mas pode ser um motivador e um incentivador para que as pessoas parem e pensem sobre suas vidas. O conteúdo do livro foi escrito em épocas de muita introspecção.

Serviço:

 Número de páginas: 58

Edição: 1 (2021)

ISBN: 978-65-88543-26-9

Formato: A 5 (14 X 21 cm)

Acabamento: Brochura com orelha

Tipo de papel: Pólen 80g

Link para o livro:

https://www.todasasmusas.com.br/livro_cha.html


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020), O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021) e Queimem as bruxas: contos sobre intolerância (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021).

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sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Luiza Garcia Suh e o livro As fantasias de Allie, por Cida Simka e Sérgio Simka


Fale-nos sobre você.

Eu me chamo Luiza Garcia Suh e já escrevi quatro livros ao todo, sendo este o primeiro publicado. Meu sorvete favorito é de flocos - bem importante essa informação por sinal.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre o livro “As fantasias de Allie”. O que a motivou a escrevê-lo?

Nada em particular, na verdade. Mas acho que é justo dizer que muitas inspirações externas foram responsáveis pelo resultado final e ideia geral deste livro. "Coraline" e "Alice no País das Maravilhas", por exemplo, são obras que usufruem da conversa entre realidade e fantasia, assim como algumas partes de "As fantasias de Allie", o que sempre achei muito interessante, principalmente dentro da literatura e do cinema.  

O que tem lido ultimamente?

Infelizmente, não tenho lido muito ultimamente, exceto pelos livros da escola (que certamente me reservam muito tempo), mas tenho muitos favoritos de poucos meses atrás: "Anxious People" ou "Gente Ansiosa", é genial.

Que dica poderia fornecer a quem deseja escrever?

Fácil falar, eu sei: mas tente não pensar muito sobre o que outros vão dizer ou achar sobre seu livro. Porque normalmente em situações assim podemos acabar escrevendo, inconscientemente, mais para os outros do que para nós mesmos, o que nunca fez muito sentido para mim, já que a escrita é extremamente subjetiva, portanto, tente agradar a si mesmo antes do resto. Até porque já terá gente demais pronta para te apontar dedos: você não precisa ser mais uma. Seja gentil consigo mesmo e persista. 

Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Instagram: @luiza.garcii (a conta é privada por motivos de eu ser bonita demais para qualquer um ver, mas estou aceitando solicitações). 

Novos projetos vêm aí! 


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020), O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021) e Queimem as bruxas: contos sobre intolerância (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021).

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segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Heitor Rafael Fernandes de Souza e o livro As Aventuras de Harley – o início, por Cida Simka e Sérgio Simka


Fale-nos sobre você.


Meu nome é Heitor Rafael Fernandes de Souza, tenho 11 anos de idade, sou estudante e escritor. Gosto de desenhar, tenho treinado bastante e quem sabe ilustrar meu próximo livro, divulgo meus desenhos no TikTok. Na pandemia, também, comecei a tocar teclado e cantar, e junto com minhas primas somos o LLH Primos, temos um canal no Youtube e estamos participando de um concurso de música, o Conect Talent Kids, promovido pelo programa Conectado com Você, e está sendo transmitido pela TV Band Satélite.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre o seu livro. O que o motivou a escrevê-lo?

As Aventuras de Harley – o início é um livro de muita ação. Conta a história de uma garota, aventureira, que não fazia ideia de onde vinha tanta energia para desbravar e descobrir novos mundos. Até que numa dessas viagens, acontece um desastre, Harley enfrenta muitos perigos e faz uma porção de amigos.
Daí por diante, muita coisa acontece, uma grande viagem e muitas descobertas, e pela primeira vez, Harley ouve falar do povo Magomano, descobrindo sua origem mística.
Escrevi este livro no começo da pandemia de 2020, quando parei para pensar em como “dar um rumo para minha vida”. Decidi, então, enfrentar o tédio da rotina da pandemia e dividir melhor meu tempo entre estudar, brincar, TV, internet e games, e desbravar o universo de histórias e aventuras, passando de leitor a escritor.

O que tem lido ultimamente?

Comecei a ler com 5 anos, e não parei mais. A leitura é muito incentivada no colégio em que frequento, então, estou sempre lendo algo. A última leitura foi O Fantástico Mistério de Feiurinha, de Pedro Bandeira.

Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Os livros estão sendo vendidos pela AMAZON, LIVRARIA ASABEÇA https://www.asabeca.com.br/home.php, redes sociais e WhatsApp (11) 94782-7336.

Quais são os seus próximos projetos?

Estou cheio de sonhos e planos, muito otimista com a repercussão deste trabalho e querendo aproveitar todas as oportunidades, desejo continuar escrevendo, além da continuação de HARLEY, tenho outros projetos em andamento. Agradeço à revista Conexão Literatura, amigos, leitores e apoiadores. 


CIDA SIMKA
É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020), O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021) e Queimem as bruxas: contos sobre intolerância (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA
É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021).

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quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Leonardo Garzaro e o livro O sorriso do leão, por Cida Simka e Sérgio Simka


Vamos de dica literária. Apreciem as informações sobre o livro “O sorriso do leão”, de Leonardo Garzaro, publicado pela editora Rua do Sabão.

Sobre o autor:

Escritor, editor e financista, é editor da Rua do Sabão e responsável pelas finanças. Paulista de 1983, é formado em jornalismo pela Universidade de São Paulo e fundador de outras editoras independentes.

Sinopse:

Sem dúvida alguma, aquele foi o pior dia da vida de Frederico Alberto Valente. Em seus doze anos de vida, nunca passara por um momento tão constrangedor: quando um pombo pousou na janela da sala de aula, bem ao seu lado, tomado de pavor ele soltou um gritinho com a voz fina e toda a sala imediatamente se pôs a rir, apelidando-o de Pombo Valente.

Antes disso, a vida já era difícil. Todos o conheciam em todas as partes como o filho do soldado Alberto Valente, neto do velho Valente, sobrinho do estranho Adoniram Valente. A família era famosa pela coragem; havia lutado contra os invasores estrangeiros, estavam nas páginas da história, moravam numa fortaleza. Há todo tempo, Frederico Valente tinha que disfarçar a própria covardia, o que não era nada fácil. Tinha medo de panelas de pressão, de cachorros grandes e pequenos, de aves, em especial de pombos… Depois de gritar de medo na frente de toda a sala, as coisas ficaram ainda piores…

A única esperança era a irmã gêmea, Valentina Valente. Nascida com os genes da absoluta coragem, ela encoraja Fred, dizendo que aquilo não era covardia, só “um medinho besta”. Disposta a ajudá-lo, Valentina elabora um programa para ensinar o irmão como se tornar ainda mais corajoso que Tata Valente, conhecido como o mais valente dentre os Valente, personagem das histórias de valentia que cada criança Valente escuta desde a primeira refeição.

Escrito cuidadosamente, recheado de cenas de ação, enigmas matemáticos e referências históricas e literárias, O Sorriso do Leão é um livro cativante, daqueles que se lê prazerosamente, com o desejo de que a narrativa nunca termine.

Detalhes:

Autor: Leonardo Garzaro

ISBN: 9786581462000

Edição: 1

Lançamento: 2019

Peso: 388.0g

Dimensões: 140.0 x 210.0 x 20.0 mm

Páginas: 312

Link para o livro:

https://loja.editoraruadosabao.com.br/produto/o-sorriso-do-leao/


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020), O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021) e Queimem as bruxas: contos sobre intolerância (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021).

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sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Marcos Bagno e o livro A vida na Grécia, por Cida Simka e Sérgio Simka


Marcos Bagno, professor da Universidade de Brasília, e nosso estimado amigo, acaba de lançar um livro precioso: A vida na Grécia.

Linguista de maior destaque no país, Bagno também transita pela ficção, com livros que obtiveram diversos prêmios.

Para mais detalhes sobre a obra e sobre o autor, acompanhe esta matéria.

SOBRE O AUTOR:

Marcos Bagno, um dos linguistas de maior destaque do país, é poeta e tradutor, produziu as peças que compõem esta rapsódia ao longo de trinta anos de escavações na memória, de esquecimentos voluntários e fingimentos incertos. É sua primeira narrativa de maior extensão, mas não seu primeiro investimento na ficção. Seu primeiro livro publicado, A invenção das horas, coletânea de contos, venceu em 1988 o Prêmio Bienal Nestlé de Literatura Brasileira. No mesmo ano, obteve o Prêmio Cidade do Recife de Poesia e o Prêmio Cidade de Belo Horizonte, pelo livro de contos Rua da Soledade. Em 1989, seu primeiro livro infantil, O papel roxo da maçã, recebeu o Prêmio João de Barro de Literatura Infantil e Juvenil, e dois livros de poemas alcançaram o primeiro e segundo lugares do Prêmio Carlos Drummond de Andrade outorgado pelo Estado do Rio de Janeiro. Sua novela As memórias de Eugênia recebeu o Prêmio Jabuti em 2012. À narrativa breve Marcéu foi concedido o Prêmio Glória Pondé de 2013 (da Fundação Biblioteca Nacional) e o II Prêmio Brasília de Literatura (da Bienal Brasília do Livro e da Leitura).

Já publicou mais de trinta títulos, entre obras técnico-didáticas da área da linguística e livros de literatura infantil e juvenil Traduziu mais de uma centena e meia de livros do francês, do inglês, do espanhol e do italiano.

SINOPSE:

A vida na Grécia é o que se chama nos estudos literários de “romance de formação”, isto é, uma obra que acompanha o trajeto de vida de um mesmo personagem, da infância até a fase adulta. No caso, o personagem Manuel, que aparece inicialmente na infância e vai se revelando uma personalidade tímida, dotada de uma sensibilidade muito aguçada que lhe impede uma interação fácil com a maioria das pessoas e com o mundo. A “Grécia” do título se refere precisamente a esse desajuste, a esse “lugar distante” em que Manuel vive, muito dentro de si mesmo. O romance é também um exercício de linguagem consciente, com exploração sem limites das possibilidades expressivas da língua. Essa linguagem acompanha o próprio percurso de Manuel na direção de seu objetivo de vida, que é tornar-se escritor. É essencialmente um romance intimista, em que cada capítulo captura o personagem num momento dado da vida, sem uma continuidade cronológica rigorosa.

DETALHES:

Marcos Bagno

Editora: Parábola Editorial

Edição: 1ª (Agosto 2021)

Idioma: Português

Capa comum: 312 páginas

ISBN: 978-65-88519-63-9

Dimensões do produto: 14 x 21

Encadernação: Brochura

Link para o livro: https://www.parabolaeditorial.com.br/a-vida-na-grecia


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020), O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021) e Queimem as bruxas: contos sobre intolerância (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.


SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). 

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quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Norma Camargo, Edmir Camargo e o livro Encontros e reencontros, por Cida Simka e Sérgio Simka


BIOGRAFIAS


NORMA CAMARGO - Nasci em Jundiaí, SP, sou pedagoga pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São Bernardo do Campo, SP, com pós-graduação em Psicopedagogia pela Universidade de Franca. Fui professora e diretora de Unidade Escolar na rede pública do município de Santo André.
Escrevo crônicas e contos e participei da antologia Contos Reunidos Para Ler Separadamente.
Sou integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC, grupo formado por voluntários ligados ao fazer literário e que tem como função social despertar no cidadão o hábito da leitura e escrita, bem como o aprendizado e entendimento a priori da nossa língua. O Núcleo promove oficinas de escrita criativa e concursos literários direcionados principalmente a jovens de escolas públicas e instituições filantrópicas.
Leitora crítica e revisora dos livros “Pequenas Histórias, Grandes Lembranças”, dos autores Edmir Camargo e Álvaro J. C. Ferreira; “Os olhos da Fera”, “Turbulência”, de Edmir Camargo e dos textos publicados na página CRÔNICAS E CONTOS DE GAVETA, do mesmo autor.

EDMIR CAMARGO - Nasci em Santo André, SP, sou formado em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Bernardo do Campo, SP. Atuei nas áreas de vendas e marketing das indústrias metalúrgicas da região do ABC, às quais presto atualmente consultoria ministrando palestras técnicas e motivacionais.
Criei a página CRÔNICAS E CONTOS DE GAVETA no Facebook, onde há cinco anos publico textos variados.
Participo do Núcleo de Escritores do Grande ABC.

Trabalhos publicados:
- Pequenas Histórias, Grandes Lembranças – livro de crônicas e contos escrito com Álvaro Ferreira;
- “E” de Elefante! – livro sobre a importância do bom e correto atendimento a clientes;
- Os olhos da fera – romance;
- Turbulência – romance.

Participação em antologias:
- IX Prêmio Literário Livraria Asabeça (poesias) – Editora Scortecci;
- Uma Noite no Castelo – Editora Selo Jovem;
- Aquela Casa – Editora Verlidelas.
- Contos Reunidos para Ler Separadamente.

MOTIVAÇÃO

Uma das atividades do Núcleo de Escritores do Grande ABC é a leitura de materiais produzidos pelos integrantes. Em uma reunião, a Norma leu um conto que escreveu sobre uma história de amor com seus encontros e desencontros. A reação do grupo foi positiva, com todos querendo saber mais sobre o desenrolar e a conclusão daquela história. Algum tempo depois, coincidentemente nós pensamos em transformar o conto em um romance. Aproveitamos o tempo de isolamento social e trabalhamos com afinco na ideia.
Inscrevemo-nos em um edital da Secretaria de Cultura de Santo André, que através da Lei Aldir Blanc promove atividades culturais no município. Fomos contemplados e passamos a direcionar nossos esforços para completarmos o trabalho.
Foram meses de muita dedicação e o resultado foi gratificante.

O QUE ESTAMOS LENDO (OU RELENDO)

Somos ecléticos nesta questão e temos sempre leituras em andamento. Atualmente, Nicholas Sparks, Elena Ferrante, Frederick Forsyth, Anthony Doerr, Robin Cook estão na ordem do dia, mas frequentemente cedem espaço para trabalhos dos autores do nosso Núcleo.

A QUESTÃO DA LEITURA EM NOSSO PAÍS

Somos um povo que lê e escreve pouco. Faltam incentivos e oportunidades, o que percebemos claramente quando, através do Núcleo, ministramos a jovens as oficinas voltadas à leitura e escrita e promovemos concursos literários entre eles. A reação é imediata, com a produção de textos bem elaborados e o aumento de interesse e frequência nas bibliotecas das escolas em que atuamos.

DICAS PARA QUEM DESEJA SER ESCRITOR

Quem deseja escrever precisa, por princípio, ser observador de detalhes que não são normalmente notados. Muitas vezes, fatos comuns permitem o surgimento de histórias originais e criativas. Aparentemente simples, esta colocação só privilegia quem estiver focado nos acontecimentos em seu entorno e com o objetivo claro de transformá-los em algo interessante.
Mas para viabilizar um projeto de escrita é necessário o hábito da leitura. É essencial ler, ler muito, ler tudo, não somente o que gosta e o que está na moda. Ler é o que permite identificar a linha que se pretende seguir e evita o lugar-comum.
Sempre disponibilize, de alguma forma, o que escrever. Mostre o que produz e encontre leitores. 

Link para o livro:

https://www.verlidelas.com/product-page/encontros-e-reencontros-saga-de-um-amor-perdido

 

CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020), O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021) e Queimem as bruxas: contos sobre intolerância (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). 

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quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Solange Sólon Borges, seus livros e a Editora O Artífice, por Cida Simka e Sérgio Simka


Fale-nos sobre você.
 

Sou jornalista, com mestrado em Estudos Culturais (Filosofia/USP Leste), especialização em informação, mídia e cultura (Celacc-ECA-USP) e comunicação e marketing (Faenac/SCS). Atuei por muitos anos na Rádio e TV Bandeirantes e Rádio Gazeta. Na Band AM, além do jornal diário, me divertia fazendo crônicas radiofônicas para serem lidas pelo saudoso José Paulo de Andrade e Milton Parron. Na Gazeta, Moraes Sarmento pedia e interpretava o que eu escrevia. Era uma forma de somar jornalismo e literatura.

No campo acadêmico, como coordenadora de comunicação da Universidade do Grande ABC (UniABC), criei a Editora UniABC, publicando mais de 30 livros em dois anos, além de diversos artigos. Sempre estive às voltas com livros e textos. Fui colunista do Literário do site Comunique-se, portal de jornalistas e integrei o programa Comunique-se levado ao ar pela All TV.

 

ENTREVISTA:

 

Você é publisher da Editora O Artífice. Fale-nos sobre ela. Fale-nos sobre os livros publicados.

 

A Editora O Artífice foi criada há 24 anos com o intuito de incentivar a publicação de novos autores e atua nos segmentos de ficção, não ficção, ciências sociais e humanas, esportes, linguística, literatura infantojuvenil e espiritualismo. Em sua trajetória, como editora independente, angariou reconhecimento, incluindo o meu romance Todos os homens são girassóis, que recebeu o prêmio Clio da Academia Paulistana da História, bem como os títulos Convocação geral – a folia está na rua: o carnaval de São Paulo tem história de verdade de Nelsinho Crecibeni, que retrata 438 anos do carnaval em SP; Cambuci ontem e hoje – 100 anos de vida e história (1906-2006) de Atílio Lucchini;  O tempo e suas sementes, romance de Sandra Baffi; Jânio Quadros – Fi-lo, de Nelson Valente; e Histórias assombradas & mal-contadas da Câmara Municipal de São Paulo, do jornalista Lázaro Roberto de Oliveira.

 

Creio que fui algo pioneira na autopublicação. Rs. Me explico. Em 1995, meu poema Movimento n. 13 venceu um tradicional concurso de poesia de uma cidade do interior de São Paulo. Fui contactada pela secretaria de cultura e enviei a pedido dela o livro estruturado, que nomeei como Jardins Irregulares. O prêmio era a publicação, algo em torno de 500 ou mil exemplares, não lembro mais. Aí, sentei e esperei, e espero até agora, pois fui ‘tungada’ pela prefeitura que nunca mais me deu retorno e, num último contato, informaram que já havia sido publicado e distribuído. Ficou claro para mim que houve desvio de verba e outra pessoa foi ‘favorecida’ e essa autora aqui, desrespeitada. A partir daí fiquei com receio de ser plagiada, de meus textos serem usados indevidamente. Como já prestava serviço para algumas editoras, revisão e copydesk, resolvi que tinha a capacidade de me autopublicar como editora independente e não parei mais a partir daí. Nunca tive pressa em editar um título. Creio que há um tempo para amadurecer o texto. Um bom trabalho se faz com uma boa equipe: conto com revisores qualificados e o projeto gráfico sempre entrego ao designer Marcos Paulo Cappelli, parceiro de trabalho há mais de duas décadas.

O grande problema de ser independente é o impacto com as crises que pegam as pequenas primeiro, e muitas não resistem, e ainda a questão de distribuição. Há uma dificuldade para obter melhor exposição nas prateleiras das grandes livrarias e é preciso trabalhar com as de bairro e independentes também. Há vantagens e desvantagens.

 

Como analisa a questão da leitura no país?      

 

Minha análise é que hoje se lê mais textos, se for somado o que chega pelas telas digitais, mais os ebooks, os audiobooks, e novas expressões como o bookTok (o TikTok para a literatura), o que não quer dizer que estamos formando leitores melhores, mas é um impulso. Há um mar de textos para se navegar e ler na internet. Creio que o Painel do Varejo de Livros no Brasil dá conta dessa mudança de cenário. Em março deste ano, por exemplo, foi vendido 1 milhão a mais de livros do que no mesmo mês do ano passado, e me pergunto a qual motivo se pode atribuir esse resultado. A pandemia deixou as pessoas mais restritas em seu lar, e se buscou alternativas de diversão e distração nesse momento complexo? É uma possibilidade. A literatura nos permite viajar para mundos diferentes, fugir um pouco da realidade. Mas isso não quer dizer que o mercado editorial não tenha sofrido: muitas livrarias se reinventaram; outras, fecharam. Editoras adiaram reedições e lançamentos, as grandes e as pequenas, e a minha também. A opção de feiras virtuais tem o benefício para quem está distante e pode participar on-line, mas creio que se perde a proximidade do escritor ali, conversando com o público, dando autógrafo, brindando com uma taça de vinho. Houve rearranjos neste momento pandêmico, que ninguém contava. Todos foram pegos de surpresa, dos profissionais do mercado a leitores.

Ainda creio que a melhor forma de formar novos leitores, e manter os existentes, é por meio de oficinas, leituras públicas, encontros do escritor na escola, que geralmente só lidam com os mortos e consagrados. Na biblioteca pública do Ipiranga, conheci diversos autores que indiretamente me impulsionaram rumo à literatura: Marina Colassanti, Lygia Fagundes Telles, Loyola Brandão. Conheci esses autores na biblioteca do bairro, não foi em Bienal, e me influenciaram uma vida inteira.

 

O que tem lido ultimamente?

 

Tenho a mania de ler vários títulos ao mesmo tempo. Como gosto muito da literatura espanhola, estou ‘degustando’ neste momento Os herdeiros da terra de Ildefonso Falcones, por quem me apaixonei desde A Catedral do Mar A rainha descalça. Os latino-americanos estão sempre na minha cabeceira para reler, como o fantástico O jogo da amarelinha, de Julio Cortázar, e Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez, para reviver a cidade fictícia de Macondo e a saga da família Buendía, pois este livro marcou minha juventude. Tive muita saudade dele quando estive recentemente na colorida Cartagena de las Índias, na Colômbia, e vi a casa do escritor, mas tristemente fechada à visitação.  

Sempre retomo em algum momento meus escritores prediletos: Cora Coralina, Cecilia Meireles, Adélia Prado, a imbatível Clarice Lispector, passeio pela estrutura literária perfeita de Machado de Assis, retomo Isabel Allende, Lya Luft, o queridíssimo Fernando Pessoa, e a picardia de Anaïs Nin, a professora Orides Fontela – esquecida por muitos, mas genial –, e o ‘primo’ Jorge Luis Borges (brincadeira, apesar da ascendência espanhola, meu Sólon Borges vem do bisavó Youssef que saiu do Egito e se perdeu no Brasil). Vale muito a pena voltar ao consagrados e conhecer os novos, isso ‘areja’ a mente e se aprende muito. Uma releitura possibilita ter um novo entendimento a respeito do texto. O novo traz outras formas de se expressar.

 

O que publicou agora?

 

Acabei de lançar meu segundo livro de poesias, À espera dos girassóis: poesias de amor e espera, com a proposta de tornar possível um passeio pela casa – a sólida, que nos habita, mas que leva à estrutura interior, repleta de sonhos e expectativas, chegadas e partidas, emoções e naufrágios. E com prosa poética intensa: “Há dias de sol tão forte que me abro inteira – feito cortinas –, assim as perdas queimam e secam as cicatrizes. Quero violetas com flores porque o trabalho de cura é só meu”, um exemplo de comparação do jardim exterior e interno, com os quais brinco.

Os poemas foram agrupados em função dos motivos tratados: Jardins regulares – uma brincadeira com o título de seu primeiro livro, Jardins Irregulares –, Motivos de chegadas, A casa dos sabores, Cotidianos, A linguagem das águas, As estações do amor (Temporais, Verão, Primavera, Outono, Inverno).

Na parte dedicada às Estações, pode-se ler: “As estações têm sempre a porta aberta para o segundo verão. Na turbulência dos girassóis exuberantes, você surge com o sorriso ávido de flores e ervas aromáticas e percebo que não estou apenas diante de um corpo absolutamente másculo à vontade em si mesmo. Mas um rosto com seu depoimento de fera e história, com a sua biografia de barcos que atravessaram outros mares em busca das cartas celestiais”, ao se referir aos cheiros domésticos e à essência das flores, mas acima de tudo à profundidade que existe no feminino. “Suspiramos depois do amor, possuídos um do outro, quando um bafeja seu espírito no interior do seu contrário”, é outro exemplo do que se pode esperar do amor, alicerce entre pares, e deste livro.

Estou na fase final de produção de meu livro de contos, Janelas abertas para uma canção desesperada, havia ficado na gaveta, e também finalizei Mudei meu passado, e agora?, escrito a quatro mãos e dois cérebros, o do amigo Coca Valença e o meu. Estamos com o lançamento recente de A historinha do cachorro Cheirudo, meu e do Cappelli, e conto com mais três livros de poesia, de outro autor, para lançamento no segundo semestre, se a pandemia deixar. E trabalho arduamente no livro Cicatrizes da imigração, resultado da minha dissertação, sobre a repressão aos espanhóis nos anos 1930, na ditadura Vargas.   

Link da editora:

http://editoraoartifice.com.br/ 


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020), O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021) e Queimem as bruxas: contos sobre intolerância (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). 

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segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Ligia Camolesi e seu trabalho como ilustradora e designer, por Cida Simka e Sérgio Simka

Ligia Camolesi - Foto divulgação

Fale-nos sobre você.

Meu nome é Ligia Camolesi, tenho 23 anos e moro em São Paulo. Me formei em Design pela ESPM em 2020, e atualmente trabalho como ilustradora free-lancer, além de designer em uma startup de saúde. O desenho e as histórias sempre foram uma parte especial da minha vida, pois quando era criança já adorava escrever e ilustrar meus próprios livrinhos à mão. Os anos se passaram e continuo fazendo a mesma coisa... :)

ENTREVISTA: 

Fale-nos acerca dos livros que ilustrou e sobre o seu livro. O que a motivou a escrevê-lo? 

O livro mais recente que ilustrei, "Me chamem de Daniel, porque Daniel é o meu nome", foi escrito pela autora Elizângela Teixeira e publicado pela editora Bambolê. O livro conta a história de Daniel, um menino autista de 14 anos, que nos traz diversas reflexões sobre as coisas que nos definem, e aquelas que não nos deveriam definir. Sobre as pequenas coisas da vida, que muitas vezes nos parecem simples, mas que têm um grande significado para Daniel. O livro "O menino pescador e o dragão", lançado pela editora Polo, também conta com minhas ilustrações. 

Além destes, tenho um livro ilustrado de minha autoria, mas não publicado, chamado Vovó. Inspirado na minha própria infância, ele conta a história do laço de amizade entre uma menina e sua avó, que vivem muitos momentos especiais juntas, mas que em um momento têm que se despedir. O livro pode ser conhecido aqui: https://www.ligiacamolesi.com/livro-vovo

Você é ilustradora e designer. Fale-nos sobre seu trabalho.

Como ilustradora, minha especialidade são as técnicas tradicionais: aquarela, lápis de cor, pastel, colagem, paper cutting, entre outras. A área que eu mais gosto de ilustrar é a de literatura infantojuvenil. Adoro histórias que envolvem fantasia, imaginação, aventuras, amor e natureza. Já ilustrei dois livros que foram publicados, e atualmente estou trabalhando no terceiro, que será publicado pela Saíra Editorial. Desenvolvi também outros livros, que ainda não foram publicados: o "Meu Livro de Poesias", o "Vovó”, o "Qual animal você mais gosta" e o "Willodhy e o Cristal Encantado"

Criei também capas de livros clássicos em paper cutting, que podem ser vistas aqui: https://www.ligiacamolesi.com/capas-de-livros-papercut.  

E uma série de capas de livros para a coleção "O Mundo de Jane Austen", que será publicada pela editora Novo Século este ano. 

Como designer, eu crio projetos gráficos para livros (entre eles, posso citar o livro "Me chamem de Daniel, porque Daniel é o meu nome"), faço diagramações, crio artes para redes sociais, embalagens, identidades visuais, cartazes, materiais corporativos, entre outros. Você pode conhecer meu trabalho de design aqui: https://www.ligiacamolesi.com/design

O que tem lido ultimamente?

Atualmente estou lendo o livro "O Caminho do Artista" de Julia Cameron, que é um guia para estimular a criatividade.  Recentemente, li também a bela graphic novel "A Chegada" do autor e ilustrador Shaun Tan, que narra com lindas imagens a história de vários imigrantes que se veem obrigados a fugir para um país desconhecido. Li também recentemente "O Príncipe Feliz", um belo conto infantil de Oscar Wilde, ilustrado por Maisie Paradise Shearring. 

Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho? 

O livro "Me Chamem de Daniel, porque Daniel é o meu nome" pode ser adquirido neste link:

https://linktr.ee/editorabambole

Para saber mais sobre mim e sobre o meu trabalho, você pode acessar meu site: https://www.ligiacamolesi.com/, ou visitar meu instagram: https://www.instagram.com/ligiacamolesi/


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020) e O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). 

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terça-feira, 3 de agosto de 2021

Soraia Ruiz e o Venha Fazer História, por Cida Simka e Sérgio Simka


Fale-nos sobre você.

Meu nome é Soraia Ruiz, tenho 52 anos, sou mãe de duas meninas, hoje mulheres já, pedagoga e pós-graduada em Educação Moderna.

Já atuei como professora eventual do Estado, professora de Educação Especial, coordenadora de um CEDESP (Centro de Desenvolvimento Social e Produtivo para Adolescentes, Jovens e Adultos), coordenadora de um CEI (Centro de Educação Infantil) e coordenadora pedagógica de um Contraturno Escolar.

Hoje faço acompanhamento escolar e atuo no Venha Fazer História.

Amo ler e estudar.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre o e-book "Experiências que inspiram". O que a motivou a escrevê-lo?

Escrevi o livro Experiências que Inspiram - Compartilhando Descobertas em 2019, contando minhas experiências pedagógicas principalmente enquanto estive como coordenadora do CEI. Parto do princípio sempre que devemos compartilhar o que sabemos, caso contrário não valerá a pena ter aprendido.

Em 2020 lancei um livro infantil Era uma vez Romeo, que surgiu durante uma conversa com dois amigos, durante a pandemia. A história gira em torno do significado do nome Romeo. Para mim, uma aventura inimaginável, mas que amei fazer. 

Você é a editora do Venha Fazer História. Fale-nos sobre esse trabalho. Quem quiser publicar pela editora quais os procedimentos a serem adotados?

Entrei no Venha Fazer História em março de 2021. Uma amiga, a mesma que me incentivou a escrever o livro, me falou sobre o selo e sobre a Jéssica Milato. Entrei em contato, ela me explicou como funcionaria e eu aceitei o desafio.

O selo consiste em dar oportunidade a novos autores. Sabemos que essas oportunidades são raras, e é muito difícil ter alguém que embarque conosco em nossos projetos literários.

Minha função é receber via e-mail o material que os autores enviam, analisar o material, verificar se a história vale a pena e a partir do sim, gerar contrato e dar prosseguimento na revisão. Após essa revisão, o livro vai para divulgação, é feita uma capa e ele é lançado em e-book. Após sete meses, essa publicação acontecerá também em livro físico. 

Sou responsável também em ser suporte para os autores, passar informações importantes e cuidar das redes sociais, gerando posts com as obras do selo e com outros assuntos em torno do selo.

Importante ressaltar que o Venha Fazer História é um selo e não uma editora.

Todas as obras enviadas são lidas com carinho, afinal de contas, a pessoa confiou a nós o seu sonho.

Os autores devem enviar suas obras para o e-mail venhafazerhistoria@gmail.com.

Quais são suas leituras preferidas?

Minhas leituras preferidas são muitas. Adoro biografias, livros referentes à educação, livros “hot” e tudo aquilo que possa me agregar alguma coisa. Adoro entrar em outros universos, diferentes dos meus. Em geral, adoro teorias. 

Que conselho poderia dar a um escritor principiante?

Minha dica para novos autores é: não tenham medo de compartilhar seus sonhos. Escrevam, reescrevam, ressignifiquem se preciso for, mas façam. Nós, do Venha Fazer História, queremos compartilhar esse sonho!

Link para o e-book Experiências que Inspiram:

https://www.amazon.com.br/Experi%C3%AAncias-que-inspiram-compartilhando-descobertas-ebook/dp/B08H1CMFZ7/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=soraia+ruiz&qid=1627989036&s=books&sr=1-1

OBS.: Soraia Ruiz é autora dos livros infantis AS PÉROLAS DO REI ARTHUR e PAPAI, PAPAI E EU, que podem ser adquiridos no link abaixo:

https://sacola.pagseguro.uol.com.br/76e151fc-6f9f-4384-937e-7e5e48f38b5d


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020) e O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). 

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sexta-feira, 23 de julho de 2021

Mario Savagliani e o livro Aberrações genéticas extraordinárias, por Cida Simka e Sérgio Simka

Mario Savagliani - Foto divulgação

Fale-nos sobre você.

Nasci em São Paulo, capital. Além de escritor, sou músico, formado no MI, faculdade em Los Angeles. Casado, mas só com filhos caninos e felinos. Vegetariano e praticante de meditação há quase quarenta anos. Apaixonado por literatura e livros científicos, além de cinema, música e artes em geral. Publico pequenos textos sobre a mente no Instagram: @mario_savagliani .  

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre seu livro. O que o motivou a escrevê-lo?

Meu livro é um trabalho de décadas, eu poderia dizer. A motivação inicial desde minha adolescência sempre foi uma obsessão em entender a mente, seu funcionamento, sua estrutura e o que podemos fazer com ela. Tentei ao longo da vida ler tudo o que se referia a esse assunto em áreas diferentes e muitas vezes até opostas. Você encontrará depois da capa do livro uma ilustração com três símbolos que são as áreas principais, paradigmas diferentes por onde a mente é investigada: a ciência, que engloba neurociência, genética, evolução, psiquiatria, física, estatística etc., a psicologia em suas diferentes escolas (aqui incluo os grandes nomes da literatura que enxergavam a mente humana como ninguém) e as investigações místicas da mente, nas tradições milenares do hinduísmo, budismo, judaísmo, cristianismo, sufismo etc. No entanto, o livro está longe de ser sério. Todos esses assuntos densos e visões sobre o mundo e a mente são abordados de forma bizarra, por meio de um psicólogo louco e seus pacientes, que são aberrações estapafúrdias, mas não gratuitas: cada uma delas representa alguma aberração psicológica que todos nós temos. O modo como pensamos e agimos vida afora é surreal, por isso só um livro surreal representaria bem nossa condição. O sarcasmo no livro não é amargo, pelo contrário, busca um deslumbramento para toda a gama de disparates e lógicas bem construídas - erradas ou certas - que já fomos capazes de criar. O quarto símbolo seria, portanto, a arte. Sentar e assistir a tudo isso que fizemos como uma genial obra de ficção, esgotadas todas a teorias possíveis vai surgindo aos poucos na obra o seu grande antagonista que paradoxalmente é também seu grande protagonista, pois não admite oposição: o silêncio. A cacofonia infinita de ideias vai se dissolvendo na busca de um centro, por algo sólido que nunca vem. O psicólogo que narra o livro nunca se encontra e se contradiz a toda hora. Ele é sincero demais e perdido demais, simbolizando que o grande psicólogo, completamente são e mestre dos assuntos da mente, que viria resolver todos os nosso problemas, nunca existiu. 

Como analisa a questão da leitura no país?

É uma pena que tão poucas pessoas tenham o hábito da leitura no país. Quanto menos se lê, menos se tem a capacidade de ler. O universo dos livros vai ficando algo distante e chato para cabeças mais acostumadas a pular de coisa rasa a coisa rasa. Saber se concentrar, demorar-se diante de conceitos mais desafiadores, ganhar ideias novas, desenvolver a imaginação e ter uma constante impressão de que há mais para saber do que sabemos agora são presentes que só o hábito da leitura nos dá. Porém, estou impressionado com o número enorme de clubes de leitura que têm se formado e de meninas que têm canais de literatura no YouTube. Existe um movimento positivo acontecendo. Além disso, o hábito da leitura aumentou em 50% com a quarentena.  

O que tem lido ultimamente?

Estou lendo Livewired de David Eagleman, sobre a plasticidade da mente. Tento sempre ler um mais científico e depois outro mais para ficção e literatura clássica. Tento sempre reler meus favoritos, pois a releitura é muito importante. Há sempre algo que não percebemos na primeira vez. 

Quais os seus próximos projetos?

Esse livro é só o primeiro volume de muitos que virão. Apresento nele a história dos sete primeiros pacientes do psicólogo, mas existem dezenas de outros com histórias já prontas. Pretendo seguir lançando os volumes seguintes do universo Aberrações Genéticas Extraordinárias. 

Quem você considera o público do seu livro? Quem é seu leitor?

Apesar de falar de coisas complicadas, filosóficas, místicas  e científicas, o livro tem como estrutura principal histórias que poderiam estar num filme americano blockbuster. Uma menina que literalmente oferece pedaços da carne de seu corpo para outros comerem, uma paciente misteriosa sem cabeça, um ser de três cérebros circulares que flutuam, uma menina de rosto monstruoso que não sabe que seu rosto é monstruoso, uma com dezenas de olhos etc. 

Mas no fundo essas bizarrices escondem e representam adolescentes comuns e os seus dramas característicos. Portanto, apesar de ser um livro por vezes complicado, minha esperança é que atinja públicos bem distintos em idade e costumes, pois tem algo para todo mundo. É um livro difícil de classificar. Qual gênero e para qual público? Ele em si é uma aberração. 

Link para o livro:

https://www.lojaeditorauirapuru.com.br/produtos/aberracoes-geneticas-extraordinarias-o-diva-de-buda/


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020) e O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). 

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