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quarta-feira, 12 de maio de 2021

Egidio Trambaiolli Neto lança o incrível “O homem que pintava virtudes”, por Cida Simka e Sérgio Simka


O professor e escritor Egidio Trambaiolli Neto, que também é editor da editora Uirapuru, acaba de lançar o fascinante livro: “O homem que pintava virtudes”, uma obra excepcionalmente bela, emocionante do começo ao fim. Escrito num estilo bastante agradável, o livro certamente agradará a todos, pois traz uma linda mensagem: amar é essencial.


Sinopse: Uma tempestade leva um grupo de crianças a buscar abrigo em uma casa que dizem ser habitada por um homem estranho, mas, quando entram, descobrem que aquela morada é uma espécie de ateliê com obras de arte fascinantes e que o hospedeiro é, na verdade, um gentil pintor, que diz ser capaz de enxergar as virtudes humanas retratadas em obras de artes magníficas. Não bastasse isso, o homem passa a revelar as maiores virtudes de cada criança, a partir das histórias que estão relacionadas com as experiências de vida de cada uma delas.

Mais do que uma história, este livro traz provocações e reflexões que nos sacodem o interior, forçam nossas mentes a buscarem o que há de melhor em nosso âmago. Sem dúvida, este livro, recheado de histórias virtuosas, deve ser lido várias e várias vezes, pois cada leitura nos revelará novas descobertas e nos fará mais sensíveis e humanos, ingredientes fundamentais para os momentos tão tensos pelos quais a humanidade vem passando. Este livro é fundamental, tudo porque: amar é essencial. 

Editora: Uirapuru

Autor: Egidio Trambaiolli Neto

ISBN: 978-65-86646-09-2 

Números de página: 136

Número de edição: 1

Ano de edição: 2020

Idioma: Português

Altura: 24 cm

Largura: 17 cm

Acabamento: Brochura

Link para o livro:

https://www.lojaeditorauirapuru.com.br/produtos/o-homem-que-pintava-virtudes


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020) e Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020) e O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro infantojuvenil se denomina Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021).

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sexta-feira, 7 de maio de 2021

ENTREVISTA: Flávio Gonçalves, sua dissertação de mestrado e o financiamento coletivo, por Cida Simka e Sérgio Simka


Fale-nos sobre você.

Olá! Meu nome é Flávio, tenho 33 anos e nasci em Campos do Jordão (SP), município onde residi durante os primeiros 28 anos de minha vida. Lá, terminei o ensino básico — orgulhosamente em escolas públicas — e minha graduação em licenciatura em Física pela Universidade de Taubaté, concluída em 2010 e em meus primeiros anos de carreira como professor de física e de tecnologias digitais para os ensinos fundamental e médio em escolas da região da Serra da Mantiqueira e do Vale do Paraíba. Já são onze anos ininterruptos como docente na educação básica! Atualmente resido em Santo André, cidade da região metropolitana da capital paulista. Além da formação em Física, sou mestre em ciências pelo Programa de Pós-Graduação em Projetos Educacionais de Ciências da Escola de Engenharia de Lorena — EEL USP e produzo materiais de divulgação científica que procuram discutir o ensino de ciências e a prática científica como um todo. Esses materiais estão reunidos em meu site, o ccult.org, que está no ar desde fevereiro de 2019. 

ENTREVISTA:

Você faz parte de uma associação, da qual você é o único brasileiro a participar. Fale-nos sobre ela.

Meu ingresso na Rede Latinoamericana de Cultura Científica ocorreu em fevereiro de 2021. A RedLCC (redlcc.org), como chamamos, é uma rede de divulgadores e de pesquisadores em ciência e educação da América Latina e do Caribe que reúne pessoas que falam e pesquisam sobre a cultura científica, isto é, os aspectos inerentes à prática científica por cientistas e como a ciência se relaciona com outras áreas do cotidiano, dentro e fora dos ambientes de pesquisa. Minha filiação – e consequentemente, a filiação do ccult.org — ocorreu após um processo interno de análise e de escolha dentro das diretrizes da RedLCC. Além de meu site, há o blog da pesquisadora Germana Barata, da Unicamp, sendo, até o momento, os dois únicos sites em língua portuguesa associados à RedLCC. A lista com todos os associados está disponível no link: https://redlcc.org/about/


Fale-nos sobre a sua dissertação de mestrado defendida na USP.

Costumo dizer que minha dissertação foi resultado de um processo de incômodos. Sempre me chamou a atenção a forma como a ciência — e quando me refiro à ciência, me refiro a todos os aspectos que fazem parte de sua prática: os métodos, o trabalho, as formações, as formas de divulgação dos pensamentos e dos resultados obtidos por cientistas e pesquisadores dento e fora das universidades e de centros de pesquisa — chega a ser ignorada por boa parte da população e, em especial, dentro do ambiente escolar. Em termos educacionais, existem outras prioridades que, em geral, não englobam a discussão justamente sobre como a ciência funciona. Como é possível vivermos numa época em que as nossas relações sociais e grande parte de nossa vida cotidiana depende da ciência e da tecnologia e, ainda assim, sabermos tão pouco sobre ela? Foi pensando nisso que direcionei minhas pesquisas sobre a formação da cultura científica em sala de aula, especificamente, como verificar a visão de ciência que os alunos têm. Sim, mesmo que nunca tenham discutido sobre o tema, as pessoas têm suas próprias visões que são baseadas na vivência, no que ouvem falar a respeito, no que imaginam como as coisas são... E quando não lidamos com isso na escola, a tendência é que essas concepções continuem fazendo parte da vida dos alunos. Então, minha pesquisa buscou justamente verificar, a partir dos conhecimentos prévios que os alunos possuíam sobre o que é a ciência, sua prática e influência na sociedade, quais as visões de ciência que eles possuíam e, a partir dos resultados obtidos, verificar como o uso de materiais de divulgação científica poderiam auxiliar na mudança de concepções sobre a ciência. Foi uma pesquisa aplicada ao longo de três anos, com centenas de alunos de algumas escolas da região do Vale do Paraíba — região onde se desenvolvem satélites espaciais e pesquisas meteorológicas, mas que, em geral, pouco se sabe sobre elas.

Fale-nos sobre o projeto de financiamento coletivo.

Depois de terminar o longo processo que envolve o mestrado, perguntei: e agora? Eu tinha um trabalho, uma pesquisa com mais de 200 páginas e ainda achava que tinha sobre o que falar, sobre o que escrever. Eu queria que mais pessoas tivessem acesso ao que escrevi e que acredito que pode contribuir com o debate sobre o nosso atual momento — que além da pandemia de covid-19, que nos mostrou o quanto a ciência é fundamental para a nossa vida, envolve as mudanças curriculares na educação brasileira com a aplicação da BNCC e o próprio contexto do negacionismo científico que invariavelmente nos deparamos. Surgiu a ideia do livro e, com ela, o obstáculo: como publicar se não tenho os recursos necessários para isso? Daí veio a ideia do financiamento coletivo. As contribuições podem ser feitas pelo Abacashi (https://abacashi.com/p/livro-cultura-cientifica) e que dão direito desde ter o nome nos agradecimentos aos financiadores da obra até o recebimento de um exemplar impresso do livro. A ideia é reunir valores suficientes para cobrir os custos de produção e a compra de exemplares para a doação para escolas, bibliotecas públicas e docentes da educação básica. 

Como analisa a questão da leitura no país?

É difícil não ver com preocupação cenário de leitura no Brasil. Se por um lado faltam incentivos para que novos escritores surjam e sejam divulgados, por outro, ainda vejo uma enorme dificuldade no acesso às leituras, especialmente de livros físicos. A cidade onde nasci demorou anos para ter uma livraria, que quase fechou por conta da crise que assolou o mercado como um todo por conta da pandemia (felizmente, a livraria foi salva devido ao esforço coletivo dos frequentadores do espaço e acabou sendo comprada por um dos empresários da cidade). As bibliotecas públicas, que poderiam ter um papel mais ativo na formação de novos leitores e no acesso aos livros, não são priorizadas. Soma-se a isso a “crise” no acesso à informação: com o grande número de informações disponível na internet e o ambiente multitarefa em que vivemos, fica mais fácil assistir a algo do que ler sobre o tema. Daí surgem as pílulas de informação, textos curtos e muitas vezes sem grande profundidade e que conseguem circular com maior velocidade do que textos com maior articulação. Então, o ato de ler — sejam livros, jornais, artigos de opinião — que deveria ser uma experiência pessoal, desenvolvida com o devido incentivo e tempo, é transformada em algo desnecessário. É preciso um esforço da sociedade para reverter esse quadro. O incentivo à leitura não vem apenas da escola e não existe apenas na família: é além, é algo que deveríamos ter como cultural em nossa sociedade.

O que tem lido ultimamente?

Procuro mesclar leituras sobre ciência, filosofia e tecnologia com a literatura clássica. Minhas duas últimas leituras foram: “Cartas a um jovem poeta”, de Rainer Maria Rilke e “O Zero e o Infinito”, de Arthur Koestler. 

Outra pergunta que não fizemos e que gostaria de responder.

Gostaria, mais uma vez, de agradecer a oportunidade e de indicar duas leituras que considero de grande importância para aqueles que gostam ou se interessam por ciência: “O mundo assombrado pelos demônios”, escrito por Carl Sagan — um dos maiores divulgadores científicos de todos os tempos — e “Os melhores textos de Richard Feynman”, que reúne uma coletânea de palestras proferidas pelo físico dos Estados Unidos e ganhador do Nobel de 1965. Feynman, aliás, aprendeu a língua portuguesa, deu aulas no Brasil e desfilou no Carnaval carioca, entre tantas coisas incríveis que fez ao longo de seus quase 70 anos de vida.

CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020) e Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020) e O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro infantojuvenil se denomina Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021).

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terça-feira, 4 de maio de 2021

ENTREVISTA: Nelson Albuquerque Jr. e o livro O resto de Raen, por Cida Simka e Sérgio Simka


Fale-nos sobre você.

Nasci em São Caetano do Sul (SP), em 1975. Me formei em Comunicação Social, especialização em Jornalismo, pela Universidade São Judas Tadeu, e fiz pós-graduação em Língua e Literatura, na Universidade Metodista de São Paulo. Passei a maior parte da carreira em redações de jornal e em agências de publicidade. Fui editor do caderno Cultura&Lazer, do Diário do Grande ABC, entre os anos de 2009 e 2010. Comecei a me dedicar à escrita literária no início dos anos 2000, tendo publicado contos e crônicas em coletâneas impressas e meios digitais. Faço parte do Conselho Editorial da Revista Raízes, da Fundação Pró-Memória de São Caetano, desde 2011. E sou integrante da Academia Popular de Letras desde 2013.

ENTREVISTA: 

Fale-nos sobre o livro. O que o motivou a escrevê-lo? 

“O resto de Raen” surgiu da necessidade de falar sobre as relações humanas na nossa sociedade. Era um incômodo que acabou sendo transformado em um romance de ficção. A história começa numa cidade que é um paradoxo entre sucesso e fracasso; os prédios são luxuosos, os carros são tecnológicos, mas as ruas são todas lamacentas. Tudo é um pântano. O cenário inicial indica como a sociedade evoluiu em tecnologia, porém regrediu nas relações sociais. As ruas, que são onde as pessoas se encontram e convivem, são todas lamacentas, malcheirosas e incômodas. É a partir desse lugar que conto a história de Ruy Marino, um rapaz que sofreu muitas perdas na vida e acabou por viver recluso, onde mora somente com um jacaré banguela que se refugiou em sua casa. A vida começa a chamar Ruy por meio de várias situações, e ele terá de encarar seus fantasmas e viver sua jornada.  

Fale-nos sobre seus outros trabalhos.

Este é meu primeiro romance. É meu primeiro livro publicado. Antes eu estive em algumas coletâneas, mas principalmente publico meus contos, minicontos e microcontos em meu blog e redes sociais. Faço também um projeto chamado Palavralém, que são minilivros digitais, com pequenas histórias ou crônicas, que compartilho gratuitamente via Whatsapp. É uma forma de fazer circular literatura, de surpreender as pessoas, que, em vez de receberem piadas ou fake news, abrem o arquivo e têm um texto literário para saborear e se distrair.  

Como analisa a questão da leitura no país?

Acredito que a leitura sempre teve dificuldades no país, em todos os tempos. Antes tínhamos poucos canais, apenas o livro, os fanzines, algumas revistas literárias, enfim, publicações que podiam chegar ou não às pessoas. Hoje temos muitos outros canais, o acesso está muito mais democratizado. Mas acho que sofremos com a disputa pelo tempo das pessoas, numa competição contra o excesso de informação, o conteúdo superficial e fugaz das redes sociais e, principalmente, a falta do hábito de leitura. Isso é perigoso, porque acaba gerando uma sociedade pouco crítica, que pensa e reflete muito pouco, ou nada. Porém eu acredito na expansão da leitura, sempre e sempre, mesmo que seja uma fé quixotesca.  

O que tem lido ultimamente?

Meu livro atual é “Adeus, China – o último bailarino de Mao”, de Li Cunxin. Ainda estou bem no início, mas promete ser muito bom. Outro lido mais recentemente foi “Solução de Dois Estados”, de Michel Laub, que é um livro importante para o momento que vivemos. Fala dessa relação de ódio na sociedade, desse embate cego que parece não ter fim nem esperança de conciliação. E estou ansioso para comprar e ler o “Torto Arado”, de Itamar Vieira Jr., um livro premiado e com vendagem astronômica para os tempos atuais – superou mais de 100 mil exemplares vendidos. Li boas referências sobre a obra.  

Uma pergunta que não fizemos e que gostaria de responder.

Bom, estou muito feliz com o lançamento do meu primeiro livro. Lancei neste mês de março e tenho recebido retornos maravilhosos das pessoas que já leram. Fico bem feliz com os comentários. “O resto de Raen” tem um pouco de mim em cada personagem, tem muito de mim em toda a obra, afinal foi escrito com muita alma. Minha intenção com o livro é apenas oferecer uns momentos de imaginação, inspiração, diversão e reflexão para quem lê. Acredito muito que a literatura tenha a capacidade de encantar as pessoas. Se a história fizer sentido para uma única pessoa, o livro terá cumprido sua missão.


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020) e Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020) e O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.


SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro infantojuvenil se denomina Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). 

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quarta-feira, 28 de abril de 2021

RESENHA: “Mensageira de sonhos”, de Waldir Pedro, por Cida Simka e Sérgio Simka


O livro “Mensageira de sonhos”, de Waldir Pedro, com prefácio de Alan Kardec Pereira, e posfácio de Jane Patricia Haddad, não conta só a história da Wak Editora (lê-se: W.A.K.), da qual o autor é um dos fundadores e o editor. Conta a história de uma vida, alicerçada por um sonho. E esse sonho particular, que Waldir Pedro soube como materializar em realidade, à custa de muito sacrifício, dedicação e persistência, transformou em sonho coletivo, no qual todos que têm a oportunidade de nele entrar, veem seu sonho particular também realizado, porque o caminho fora primeiramente aberto por quem alimentou no coração a esperança de mudança interior com visão de humanidade.

Waldir Pedro conta sua história em capítulos curtos, com “ganchos” para os próximos acontecimentos, como um bom contador de histórias que é. Ao final de cada capítulo, há um texto escrito por amigos, autores, funcionários da editora, parceiros, leitores, que acompanharam ou conhecem a trajetória, que culminou na criação da Wak Editora, sediada em Copacabana, no Rio de Janeiro.

Hoje, passados mais de 20 anos, a Wak Editora possui um respeitável catálogo com mais de 700 títulos voltados à Educação, com centenas de autores nacionais e internacionais, com independência editorial e sem recorrer a verbas governamentais.

A fascinante história de Waldir Pedro, narrada nessa preciosa obra, mostra que a leitura, o livro e a educação podem realmente mudar uma vida. E como ninguém, Waldir Pedro tem a bonita missão, com a Wak Editora, de mudar centenas de outras vidas.

Link para o livro:

https://wakeditora.com.br/produto/mensageira-de-sonhos-a-historia-de-uma-editora 

Link para a editora: https://wakeditora.com.br


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020) e Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020) e O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro infantojuvenil se denomina Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021).


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sexta-feira, 23 de abril de 2021

ENTREVISTA: Lindamir Salete Casagrande e a série Meninas, Moças e Mulheres que Inspiram, por Cida Simka e Sérgio Simka


Fale-nos sobre você.

Sou Lindamir Salete Casagrande, licenciada em Ciências com habilitação em Matemática, mestra e doutora em Tecnologia e professora de matemática aposentada da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Atualmente sou professora voluntária atuando no Programa de Pós-Graduação em Tecnologia e Sociedade (PPGTE) da UTFPR. 

Sou a filha caçula de uma família de oito irmãos, que tirava seu sustento das atividades na roça (como era boa aquela época). Iniciei minha escolarização em uma escola multisseriada no interior do Paraná e, quando estava na 6ª série, minha mãe disse que eu não estudaria mais, pois, já sabia o suficiente para uma mulher (esse era um pensamento frequente na época). Mas eu amava estudar e via na continuidade dos estudos a única forma de mudar meu futuro. Fugi de casa para ir até a escola e fazer a matrícula e assim consegui dar continuidade a minha trajetória escolar e não parei até hoje.

Sempre gostei de matemática e consegui realizar meu sonho de ser professora de matemática. Confesso que não gostava de escrever, até acreditava que não sabia escrever. Também não era muita adepta da leitura e entendo que isso era reflexo do pouco estímulo à leitura que me foi oferecido tanto na infância quanto no ensino fundamental e médio. 

Com o tempo, desenvolvi o prazer da leitura e o hábito e desejo de escrever. Durante o mestrado me aproximei do estudo de história de mulheres e comecei a escrever sobre. Inicialmente como artigos científicos, publicados em revistas da área. Com a aposentadoria surgiu um questionamento sobre o que fazer agora? Não tinha mais aulas para dar nem o contato com meus estudantes. Bateu um vazio, uma insegurança, um medo. 

Então resolvi me dedicar ainda mais a pesquisar sobre as trajetórias de mulheres que marcaram a humanidade por suas ações, descobertas, invenções, pioneirismo, força e luta. Comecei a escrever essas histórias em uma linguagem acessível às crianças e adolescentes e que têm agradado também aos adultos. Assim estou me descobrindo uma escritora ou como gosto de nominar, contadora de histórias.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre a coleção. O que a motivou a escrevê-la?

Ao longo da história, muitas mulheres foram invisibilizadas, silenciadas, ocultadas, tiveram suas produções, invenções e criações usurpadas por homens com os quais conviviam. Mesmo as que conseguiram assinar seus feitos tiveram pouco registro e divulgação resultando na falta de conhecimento e reconhecimento de suas trajetórias e contribuições.

A série Meninas Moças e Mulheres que Inspiram foi pensada para resgatar e levar as histórias de mulheres para o público infantojuvenil para torná-las cada vez mais conhecidas e sirvam de inspiração para as crianças, de modo especial às meninas. A ideia é intercalar a história de uma mulher estrangeira com outra brasileira para dar visibilidade às nossas conterrâneas que muito contribuíram para o desenvolvimento de nosso país e do mundo. Outra condição é que todos os livros sejam ilustrados por mulheres de diversas idades, origens etnicorraciais, localizações geográficas e perfis criativos. Este objetivo está sendo alcançado quando observamos as características das quatro ilustradoras que me ajudaram a constar as histórias já publicadas. Esta diversidade oferece traço único para cada livro ao considerar que as ilustradoras contam a história por meio dos desenhos, da imagem imprimindo nelas sua forma de ler o texto e oferecendo aos leitores e leitoras uma outra forma de ler os livros. Assegurar que as ilustrações sejam feitas por mulheres é uma forma de dar visibilidade e espaço para as artistas brasileiras, garantindo e construindo um espaço para divulgar seus trabalhos, sua arte, sua criatividade. 

As mulheres selecionadas para terem suas vidas contadas nos livros da série são de diversas origens, formações e época histórica em que viveram. Optei por contar as histórias desde a infância até a morte (quando já ocorreu) para evidenciar que aquela mulher um dia foi criança, gostou de coisas comuns, frequentou escola, enfim, é foi/é pessoa como outra qualquer, mas que decidiu que suas ações seriam destinadas a mudar o mundo. Nos livros destaco os fatos mais marcantes nas vidas delas e tenho ciência que muitas coisas ficaram de fora.

Iniciamos a série com o livro Marie Curie: uma história de amor à ciência que foi lindamente ilustrado por Vanessa Martinelli. Marie Curie foi a maior cientista que o mundo conheceu. Enfrentou muitos obstáculos e preconceitos por ser mulher e, mesmo assim, conseguiu se inserir e se manter no meio científico. É a única pessoa a receber dois prêmios Nobel em duas áreas científicas diferentes. É dona de uma história que merece ser contada, lida e divulgada.

Para o segundo livro era a hora de escolher uma mulher brasileira e optei por contar a história de Zilda Arns, médica pediatra e sanitarista que nasceu em Forquilhinha – SC, porém viveu desde os 10 anos em Curitiba. Sob o título Zilda Arns: a tipsi que amava as crianças, o livro foi lançado no dia das mulheres (08 de março) do ano de 2020 com a delicada e rica ilustração de Lucy Ana Soares Camelo Casagrande que fez sua estreia como ilustradora neste livro. Zilda foi uma mulher forte que aliou a fé religiosa ao conhecimento científico. Ao criar a Pastoral da Criança salvou milhões de vidas mundo afora. Esta instituição, embora vinculada à Igreja Católica, acolhe as famílias sem perguntar qual sua crença religiosa, tem por objetivo salvar vidas. Zilda levou o nome do Brasil mundo afora e espalhou amor por onde andou. Morreu fazendo o que mais amava, disseminando amor, conhecimento e fé.

Em setembro de 2020 foi a vez de lançar o terceiro livro da série no qual resgato a história de Hipátia de Alexandria, a primeira mulher a ser reconhecida  mundialmente como matemática. Por ter vivido nos séculos IV e V d.C. as informações sobre Hipátia são muito raras a ponto de alguns historiadores questionarem a sua existência. Entretanto, considerando que a história das mulheres é ocultada, negada, invisibilizada, é impensável que tenha sido criada uma mulher fictícia com tanta capacidade e conhecimento. Este fato levou ao título do livro que é Hipátia de Alexandria: a matemática, astrônoma e filósofa lendária e que recebeu uma ilustração delicada e impactante de Andrea Martau. Hipátia foi uma mulher que colocou seu amor ao conhecimento no centro de sua vida e acabou sendo cruelmente assassinada por essa causa. 

Dando sequência à série, era a vez de selecionar mais uma brasileira para compor o grupo de mulheres cujas histórias seriam contadas para o público infantojuvenil. A escolhida da vez foi Enedina Marques. Mas quem foi Enedina? Mulher negra, oriunda de família pobre que nasceu no início do século XX em Curitiba, capital do Paraná e viu nos estudos a forma de mudar sua vida. Enedina sonhou ser engenheira e se tornou a primeira mulher negra a concluir este curso no Brasil. Foi ainda a primeira mulher a se tornar engenheira na região sul e a sexta do Brasil. Cursou engenharia na Universidade Federal do Paraná numa época em que este espaço não era pensado e visto como adequado às mulheres, menos ainda a mulheres pretas. Mas Enedina sonhou, ousou, lutou, enfrentou muito preconceito e conseguiu se tornar uma engenheira respeitada e reconhecida por sua capacidade, conhecimento e representatividade. Entretanto, sua história é pouco conhecida pela sociedade em geral e merece chegar até as crianças, pois é uma inegável fonte de inspiração, de modo especial, às crianças negras.

O livro recebeu o título Enedina Marques: mulher negra pioneira na engenharia brasileira, foi lindamente ilustrado por Lhaiza Morena e foi lançado no dia 06 de março de 2021, no evento em comemoração ao dia das mulheres da editora Inverso ocorrido de forma on-line.

Alguns fatos interessantes estão ocorrendo com relação à série. O primeiro é que embora os livros tenham como público-alvo crianças e adolescentes, os adultos estão amando as histórias. Aparentemente seriam livros mais atraentes às meninas, porém tenho recebido retornos maravilhosos do quanto os meninos estão gostando de conhecer essas mulheres fantásticas. Seguidamente recebo indicações de outras mulheres que as pessoas gostariam de ver suas histórias contadas para o público infantojuvenil dentro da série. Algumas artistas se apresentam como possíveis ilustradoras para os próximos livros. Enfim, há uma movimentação em torno da série e expectativa sobre a próxima história a ganhar uma versão escrita por mim e ilustrada por uma mulher brasileira.

No livro Ervilhas tortas, que não pertence a esta série, revisito minha memória e relato alguns episódios de minha infância na roça. Os textos que são escritos com humor simplicidade mostram uma realidade desconhecida da maioria das pessoas e, talvez, inimaginável para as crianças da atualidade.

Como analisa a questão da leitura no país?

A leitura é fundamental para desenvolver a criatividade e a imaginação das crianças. Proporciona que se viaje para universos imaginários, lúdicos, fantásticos. Por isso é importante que se estimule cada vez mais e mais cedo que as crianças desenvolvam o hábito da leitura. Eu sou uma mulher que, quando criança, não desenvolveu o hábito da leitura fazendo isso depois de adulta. Sendo assim, falo por experiência própria da importância de que haja o estímulo à leitura desde a mais tenra idade. Entretanto, acredito que, devido a fatores culturais, as condições financeiras e sociais, a realidade familiar, dentre outros fatores, isso ocorre pouco. A população brasileira precisa ler mais. Acredito que é importante criar projetos que estimulem a leitura da população em geral e, de modo especial, das crianças e adolescentes. A leitura oportuniza a possibilidade de sonhar e sonhar é o primeiro passo para realizar.

O que tem lido ultimamente?

Devido a minha atuação no meio acadêmico como professora de mestrado e doutorado tenho que realizar muitas leituras de temas acadêmicos, de modo especial, livros e artigos com a temática de gênero, área na qual desenvolvo minhas pesquisas. Gosto muito destas leituras e elas me ajudam a ver o mundo com um olhar mais humano e democrático. Motivada pela série que estou produzindo, e pelo amor que tenho pela história das mulheres busco por livros que apresentam histórias de mulheres nas mais diversas áreas profissionais, com variadas formas de escrita e organização. Essa leitura é importante para buscar inspiração e conhecer mais mulheres inspiradoras, porém cria um problema, pois só vai aumentando cada vez mais a lista de histórias que quero contar e sei que não dou conta. A lista só cresce. 

Para descontração e lazer, tenho lido biografias de mulheres e literatura africana. Busco fugir da produção estadunidense e europeia me permitindo conhecer autoras e autores de países periféricos por acreditar que temos muito a aprender com a literatura produzida nestes países. 

E para não dizer que não falei dos clássicos, acabo de ler O pequeno príncipe. Essa era uma dívida que eu tinha e agora está paga. Tem outros na fila de espera.

Uma pergunta que não fizemos e que gostaria de responder.

Tenho o sonho de levar os livros da série para as escolas do ensino fundamental. Tenho o projeto de desenvolver ações junto às escolas e às professoras e professores para fazer a leitura comentada, bem como, atividades baseadas nas histórias contadas nestes livros, porém, devido à pandemia não foi possível colocá-lo em prática. Espero que consigamos sair desse caos que nos encontramos para aplicar o projeto e ver as reações das crianças ao conhecer essas histórias. A pesquisadora que me tornei não me abandona. Estou sempre alerta, analisando, estudando, pesquisando.

Site da editora: https://www.editorainverso.com.br

CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020) e Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020) e O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro infantojuvenil se denomina Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021).

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terça-feira, 20 de abril de 2021

ENTREVISTA: Luiz Carlos Montanari e os livros sobre suas viagens ao redor do mundo, por Cida Simka e Sérgio Simka


Fale-nos sobre você.

Nascido em Americana, 68 anos, engenheiro, professor aposentado da Fundação Santo André, mestre pela FGV, teve oportunidade de estudar em Chicago (EUA) e trabalhar em multinacionais no Brasil e na Inglaterra.

Seu lema:  “Carrego comigo todos os meus bens”, referindo-se ao que realmente tem valor para ele: pensamentos, sentimentos, lembranças, experiências. Apaixonado por Fernando Pessoa, Beethoven e viagens.

Casado, pai de dois filhos, ateu, escreveu quatro livros: Reflections of an atheist, Encantos e Encontros no Caminho de Santiago, Rumo ao Sol da Meia Noite,  Diário de Amélia: Amanhecer na Islândia e coautor do livro Por que o Brasil seria melhor sem Bolsonaro?

Oriundo de família humilde, filho mais velho de cinco irmãos, seu sonho sempre foi conhecer outros países. Que se tornou possível graças ao incentivo de sua mãe: “Estude filho. Estude muito”.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre seus livros. O que o motivou a escrevê-los?

Como peregrino fez o Caminho de Santiago três vezes; cruzou a Holanda a pé (trilha Pieterpad). De Triciclo percorreu a Rota 66, as duas ilhas da Nova Zelândia, e numa viagem solitária de 80 dias, também de triciclo, partiu da Alemanha, cruzando Dinamarca, Finlândia, Suécia até Nordkapp no extremo norte da Noruega para ver o Sol da Meia-Noite. 

Passou 31 dias, numa cabana, no extremo norte do Canadá para fotografar a aurora boreal. Sua aventura cruzando a Islândia, num 4x4, o motivou a escrever o e-book Diário de Amélia: Amanhecer na Islândia.

Suas viagens serviram de inspiração para escrever também seus livros, publicados em forma de e-books e todos disponíveis na loja kindle da amazon.com.br.

Relata que, viúvo já há alguns anos e por ter sido extremamente feliz no casamento, pensou que jamais se casaria novamente. Começou a namorar uma professora inteligente e interessante, mas tinha receio de que ela não o acompanhasse em suas loucas viagens. Para sua felicidade, no terceiro mês de namoro, contou a ela que acabara de ler, na Folha, o relato de um executivo que retornara do Caminho de Santiago: a experiência em dormir em albergues, a beleza do Caminho, o contato com pessoas de diversas partes do mundo, as bolhas nos pés… Para sua surpresa, antes dele terminar de falar, ela diz: “Que interessante. A gente poderia fazer também, seria um ótimo teste para nosso relacionamento".  Fizemos o Caminho. Fomos aprovados no “teste" e nos casamos dois anos depois. Estamos casados há 12 anos…

Conte-nos algum episódio pitoresco de suas viagens ao redor do mundo.

Em suas viagens relata que sempre acontecem incidentes não esperados. 

Na Nova Zelândia, num local totalmente deserto, quebra o pedal de mudança de marcha do triciclo Harley Davidson. Teve que improvisar um “jeitinho" usando o cadarço de sua bota, deixar o câmbio em segunda marcha, rodar quase dez quilômetros para conseguir socorro apropriado. 

No Canadá, fazendo uma trilha, se perdeu e após algumas horas encontrou placas dizendo “Esta é uma rota de ursos. Cuidado”. Inclusive, viu um memorial com o nome e foto de uma jovem que havia sido morta por ataque de urso naquele local. Foi um dia extremamente tenso e longo… 

http://blogdomonta.blogspot.com/

http://twitter.com/MONTANARI

facebook: luiz montanari

Link de seus livros:

REFLECTIONS OF AN ATHEIST

https://www.amazon.com.br/Reflections-atheist-English-CARLOS-MONTANARI-ebook/dp/B073ZY71L1/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=ÅMÅŽÕÑ&dchild=1&keywords=Reflections+of+an+atheist&qid=1611067474&s=digital-text&sr=1-1

ENCANTOS E ENCONTROS NA CAMINHO DE SANTIAGO

https://www.amazon.com.br/gp/product/B088DMKZKQ/ref=dbs_a_def_rwt_hsch_vapi_tkin_p1_i1

RUMO AO SOL DA MEIA-NOITE

https://www.amazon.com.br/Rumo-Sol-Meia-Noite-solitária-ebook/dp/B08F7DWG2V/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=ÅMÅŽÕÑ&dchild=1&keywords=RUMO+AO+SOL+DA+MEIA+NOITE&qid=1611074890&s=digital-text&sr=1-1

DIÁRIO DE AMÉLIA: AMANHECER NA ISLÂNDIA

https://www.amazon.com.br/Diário-Amélia-Amanhecer-na-Islândia-ebook/dp/B08MKLK2XC/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=ÅMÅŽÕÑ&dchild=1&keywords=DIÁRIO+DE+AMELIA&qid=1611074936&s=digital-text&sr=1-1

POR QUE O BRASIL SERIA MELHOR SEM BOLSONARO?

https://www.amazon.com.br/Por-Brasil-seria-melhor-Bolsonaro-ebook/dp/B08SKRPLB5/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=ÅMÅŽÕÑ&dchild=1&keywords=POR+QUE+O+BRASIL+SERIA+MELHOR+SEM+BOLSONARO%3F&qid=1611075066&sr=8-1


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020) e Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020) e Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro infantojuvenil se denomina Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021).

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terça-feira, 13 de abril de 2021

ENTREVISTA: Alexia Annes e o livro SUKATA O MUSICAL, por Cida Simka e Sérgio Simka

Foto da Alexia Annes: Edson Lopes Jr.

Fale-nos sobre você.

Roteirista, atriz e jornalista, natural de São Paulo, Capital.

Formada em Artes Visuais e cursando pós-graduação na Universidade Anhembi Morumbi - Inglês.

Tem em seu currículo a participação em diversas longas-metragens, e assina o roteiro e direção de mais de 5 curtas e da websérie: Isso não é uma História de Amor.

Além de ser dramaturga e diretora de dois coletivos teatrais, estrela diversas campanhas publicitárias para a TV.

ENTREVISTA:


Fale-nos sobre o seu livro. O que a motivou a escrevê-lo?

O livro SUKATA O MUSICAL surgiu da ideia de multiplicar a informação e alcançar diversas famílias com a possiblidade de encenação em qualquer lugar e com os materiais que estiverem disponíveis. Com a ajuda do Egidio [Trambaiolli Neto, editor da Editora Uirapuru] e da Editora Uirapuru, o sonho saiu do papel, com um trabalho focado no desenvolvimento e educação de jovens, professores e familiares.

A minha motivação vem justamente da possibilidade de o livro alcançar todo o Brasil, e assim pessoas que antes nunca tiveram contato com a dramaturgia e o teatro consigam entender e realizar um espetáculo, na escola, em casa e com os amigos.

Fale-nos sobre a peça.

O Musical Sukata é um espetáculo infantojuvenil que retrata a realidade de três atendentes da doceria delivery Pekatu, que, insatisfeitas com o trabalho, e com as péssimas condições do lugar onde vivem, iniciam um trabalho de reciclagem que vai mudar suas vidas e das pessoas à sua volta. Através da música busca levar, de uma forma clara e sem muitas delongas, a possibilidade de uma sociedade mais sustentável, e com mais responsabilidade social.

Como analisa a questão da leitura no país?

A leitura no Brasil ainda não tem o estímulo necessário, desde a infância.

Porém, durante a pandemia, podemos observar que o número de leitores subiu, e acredito ser um sinal positivo.

O que tem lido ultimamente?

Gosto muito de reler meus livros antigos, e estou na minha coleção de Lygia Fagundes Telles. No momento: Antes do Baile Verde.

Sukata o Musical vai virar série de TV? 

Sim, ainda no papel, mas acabamos de ganhar um prêmio no Festival CAWCINE no Rio de Janeiro, na categoria Roteiro - Prêmio de Melhor Pesquisa, o festival com diversas obras voltadas para o tema sustentabilidade foi um sucesso!

SUKATA o Musical já trouxe muitas alegrias e prêmios, e em 2013 ganhamos a Medalha de Ecologia e excelência em dramaturgia do Governo Federal.

O projeto tem grandes expectativas no audiovisual e pretendemos lançar um filme contando a nossa história, e posteriormente sim podemos realizar a série.

Nossas redes socias:

Instagram @sukataomusical  @alexiaannes @batomproducoes

Link para o livro: https://www.lojaeditorauirapuru.com.br/produtos/sukata-o-musical/


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020) e Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020) e Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro infantojuvenil se denomina Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021).

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sábado, 10 de abril de 2021

Waldir Pedro e o livro Mensageira de Sonhos – A história de uma Editora, por Cida Simka e Sérgio Simka


O amigo, filósofo e editor Waldir Pedro acaba de lançar um precioso livro sobre a história da sua editora: a Wak Editora (não é WAKE, VAC, UEIQUI…  É W.A.K.).

Um livro que nos remete ao fato de que os sonhos são possíveis de ser realizados, basta que tenhamos a ousadia de colocá-los em prática. Parece bem óbvio, mas quem costuma fazer isso? Quantos sonhos nossos permanecem no âmbito da quimera porque não levantamos a nossa região glútea da poltrona para agir? 

Eis uma obra impactante. Waldir Pedro mostra que o livro pode fazer a diferença na vida. E que a educação tem sim o poder de transformar.

Quem é Waldir Pedro:

Waldir Pedro é jornalista e filósofo. Nasceu em São Paulo. Ainda criança mudou-se com a família para São Vicente, cidade do litoral paulista. Trabalhou no ofício de artes gráficas e, ainda jovem, montou uma livraria, que se tornou ponto de encontro de personalidades da região, principalmente poetas e intelectuais da Baixada Santista. Estudou Filosofia na Universidade de Santos e em seguida na mesma universidade tornou-se bacharel em Comunicação Social. Trabalhou no jornal A Tribuna de Santos, primeiro no Projeto Jornal-Escola (projeto desenvolvido pela empresa jornalística para estimular o uso de jornais na sala de aula) e depois ajudou no suplemento infantil. Atualmente é editor da Wak Editora, do Rio de Janeiro.

Mais informações sobre o livro:

ISBN 978-65-86095-50-0

Autor: Waldir Pedro

Formato: 21x28cm

160 páginas

Ano de publicação: 1º edição- 2021

Resumo

Os livros que nos trazem asas

Não é para qualquer uma!

Crescer com sabedoria e tendo o objetivo de contribuir para o desenvolvimento de todos e todas nós, construindo pontes, ampliando saberes, vasculhando as nossas incertezas, abrindo as nossas gaiolas internas e nos permitindo aprender sempre mais, é para poucas. Estou falando de uma editora que, por meio dos livros, traz em sua essência essa missão. Estou falando da Wak Editora. Ultrapassar duas décadas vendendo livros precisa ter coragem, a mesma que a criança tem quando sonha e os guarda dentro da esperança.

A esperança que levou o menino de São Vicente para o Rio de Janeiro e o faz produzir asas que, em forma de páginas, contribui para outros voos, como os dele.

Estar ao lado da educação, formando por meio das suas obras profissionais das mais diferentes áreas do saber, é um privilégio que foi possível graças a esse menino, hoje filósofo e editor, mas também um dos sócios da Wak Editora, Waldir Pedro, que tem no seu ofício diário as palavras que formam pessoas, voam alto e alcançam a alma da gente em forma de livros… os livros que nos trazem asas para que possamos voar.

Em meu nome e de todos os autores e todas as autoras, orgulho-me de estar nesta casa, em uma relação de afeto, confiança e parceria, que se estende a toda a equipe que constrói e soma junto. Como as gaivotas que voam juntas para que uma se beneficie do vento das asas da outra, em uma cooperação para que tudo flua como a sabedoria dos livros, este é o ofício diário da Wak Editora.

Marcos Ribeiro

Educador e autor da Wak Editora.

Link para o livro:

https://wakeditora.com.br/produto/mensageira-de-sonhos-a-historia-de-uma-editora/

Link para entrevista com Waldir Pedro:

http://www.revistaconexaoliteratura.com.br/2019/08/exclusivo-waldir-pedro-e-wak-editora.html


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020) e Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020) e Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro infantojuvenil se denomina Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021).

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sexta-feira, 2 de abril de 2021

ENTREVISTA: Liliana L. G. Neila e o livro A Princesa de Tehinôr - livro 2, por Cida Simka e Sérgio Simka


Fale-nos sobre você.

Sou escritora e autora independente, escrevo desde os meus doze anos de idade e sempre fui incentivada por minha família a criar histórias. Sou formada em Letras, pós-graduada em Educação Artística (tenho mais duas formações: Música e Teologia). Casada e tenho dois filhos, a Elisa de onze anos e o Daniel de quatro anos. 

Atualmente, além de escritora, trabalho com revisão de textos. Mas ainda arrumo tempo para crochetear, aprender violoncelo e cuidar da minha casa e filhos.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre seus livros. 

Atualmente, publicados, são três romances: A Pousada Garden, O Resgate de Charlotte e Desventura de Anna. Todos com mulheres como protagonistas, sendo os dois primeiros retratados na década de 50 e o último no início do século XX. 

Há também duas publicações de Aventura no estilo Sci-fi (com extraterrestres, tecnologias e afins) que fazem parte da saga “A Princesa de Tehinôr”, também tem como protagonista uma mulher, nessa ela narra a história.

Como é seu processo de criação?

São horas de muita pesquisa e estudo. Tenho um caderno de anotações onde faço uma síntese da história, transcrevo personagens, faço uma linha do tempo e anoto cada detalhe que penso ser importante para enriquecer a narrativa. Em algumas criações faço desenhos e mapas. 

Para a saga tive que criar uma terminologia própria numa língua alienígena, me baseei em linguagem antiga, assim como cultura política e social. Foi criado um universo baseado no universo tal qual conhecemos mais elementos futurísticos, por isso pesquiso novas tecnologias e preciso inserir possibilidades diversas.

Como analisa a questão da leitura no país?

O brasileiro, em geral, ainda não adquiriu o hábito da leitura. Acredito que isso deve-se à nossa cultura, o hábito de ler é transmitido de pai para filho, por assim dizer, e por mais que professores se empenham em inserir isso na vida das crianças e adolescentes, sabe-se que, por obrigação, o gosto da leitura é abandonado. 

No entanto, a pandemia trouxe para dentro das casas dos brasileiros um Universo novo, há muitos criadores de conteúdo e influencers nas redes sociais que falam sobre livros e literatura em geral. Porém, infelizmente, a literatura internacional parece ser mais valorizada, mesmo que tenhamos ótimos escritores nacionais na atualidade. Talvez falte para nós a visibilidade que os estrangeiros têm.

O que tem lido ultimamente?

Estou me deliciando com um infantil de Rick Riodan, “Percy Jackson” – o livro 1 “O Ladrão de Raios”. Intercalando com outras leituras, um que terminei há poucos dias foi “Uma Viagem Literária Entre Contos e Crônicas”, do autor Robson E. Santos da Silva (que teve o lançamento na semana passada pela editora Lux). E iniciei o “Não Demore” de Tainá Oliveira.

Quais os próximos projetos?

Há um romance que está programado para ser publicado no meio deste ano e o primeiro livro de uma outra saga que será para o ano que vem.


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020) e Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020) e Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro infantojuvenil se denomina Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021).

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Egidio Trambaiolli Neto e o livro O cemitério semietéreo, por Cida Simka e Sérgio Simka


O renomado escritor Egidio Trambaiolli Neto está lançando novo livro: O Cemitério semietéreo, uma obra que vai arrepiar todos os leitores.

Confira abaixo mais informações sobre o livro.

Um grupo de pré-adolescentes, que sofria com a rejeição dos colegas na escola, decidiu fazer um Teste de Coragem: entrar no cemitério, numa sexta-feira do mês de agosto e, à meia-noite, subir na tumba do velho Tibúrcio, o Barão Maldito, e gritar três vezes o seu nome.

Entretanto, o que Matias, Renatinha, Guga, Maísa e Henrique não sabiam, era que o Teste de Coragem seria muito mais desafiador. Não só o barão marcou presença, mas outros espíritos também apareceram e transformaram aquela aposta numa grande aventura sobrenatural.

Editora: Uirapuru

Autor: Egidio Trambaiolli Neto

ISBN: 978-65-86646-11-5

Números de página: 96

Número de edição: 1

Ano de edição: 2020

Idioma: Português

Altura: 23 cm

Largura: 17 cm

Acabamento: Brochura

Link para o livro: https://www.lojaeditorauirapuru.com.br/produtos/o-cemiterio-semietereo


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020) e Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020) e Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro infantojuvenil se denomina Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021).

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segunda-feira, 29 de março de 2021

Cinthia Rodrigues e o livro 21 Histórias de estudantes que mudaram a escola, por Cida Simka e Sérgio Simka

Cinthia Rodrigues - Foto divulgação

Fale-nos sobre você.

Costumo dizer que nunca saí da escola. Sou filha de professora e acompanhava muito minha mãe enquanto criança. Cresci, me formei jornalista, mas Educação sempre foi minha área de cobertura desde os tempos que passei por jornais como Jornal da Tarde e Folha de S.Paulo, até revistas especializadas como Nova Escola e Carta Educação. Tenho filhos gêmeos e sempre participei ativamente de suas escolas como conselheira escolar. Todos estes diferentes papéis em torno da escola me fizeram enxergar que a sociedade podia fazer mais pela escola, mas faltavam ferramentas para se conectar. Com a Luciana Alvarez (também autora do livro) e duas outras jornalistas engajadas, Luísa Pécora e Tatiana Klix, criei, em 2015, o Quero na Escola, em que estudantes dizem o que mais querem aprender além do currículo e buscamos voluntários para atender dentro da escola.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre o livro. O que a motivou a escrever?

Eu e Luciana escrevemos o livro "21 Histórias de estudantes que mudaram a escola". Foi a experiência no Quero na Escola que motivou o livro. Todos os anos atendemos centenas de pedidos de estudantes em ações dentro das escolas, algumas se desdobram em projetos ou novas relações com a escola. Mas alguns estudantes não sabiam o que pedir a mais ou pediam algo, porém diante do questionamento da direção voltavam atrás. Em resumo: muitos adolescentes não estão certos de que estudantes podem mudar a escola.

Eu conhecia exemplos como da Malala, da Dorina, da Greta e dos chilenos que vêm mudando as leis de seu país com grandes protestos e também estudantes que, via Quero na Escola ou ações não famosas, mudaram a relação deles e dos colegas com a escola. Baseada na premissa de que representatividade importa, que tanto vem sendo provada pelos movimentos negro e feminista, pensei no livro como algo que pudesse dar exemplos. Há histórias de quem enfrentou racismo, história de indígena que não tinha sua identidade reconhecida na escola, história de pessoa trans que estudou quando sequer a OMS aceitava a homossexualidade, história de um rapaz que fez uma escola em um campo de refugiados, história de um estudante que levou música e livros para sua escola... enfim, exemplos diversos, sempre acompanhados de dados e lindas ilustrações. A ideia é que cada história funcione sozinha e possa inspirar algumas causas e ações, mas juntas elas demonstrem como os estudantes podem - e são as pessoas mais indicadas para - moldar a escola para atender novas necessidades. 

Fale-nos sobre o programa “Quero na escola”.

O programa Quero na Escola normalmente funciona com os estudantes pedindo o que mais querem aprender além do currículo e os voluntários se cadastrando para ir pessoalmente. Acreditamos muito nas trocas que acontecem nestes encontros. Com a Covid-19 fizemos adaptações. Atualmente os voluntários se cadastram para acompanhar virtualmente os estudantes em encontros periódicos, como tutores de um grupo que estuda em formato híbrido ou remoto. O site é queronaescola.com.br e tanto os estudantes quanto os voluntários podem se cadastrar por lá. 

Fale-nos sobre a campanha de financiamento coletivo. 

Estamos na reta final de uma campanha de financiamento coletivo para o livro em https://www.catarse.me/21estudantes  As pessoas que nos apoiarem receberão o livro pelo correio já em abril. A campanha também possibilitará a doação do livro a estudantes de escolas públicas pré-cadastrados para receber o livro. Além disso, as ilustrações do livro são tão lindas que vamos fazer minipôsteres que também estão entre os mimos da campanha. 

Como analisa a questão da educação em tempos de pandemia?

Um desastre total. Eu sempre me lembro do professor Renato Janine quando assumiu como Ministro da Educação (no governo Dilma) e comentou que a diferença da Educação para a Saúde, é que o doente tem um alarme, que é a dor, e sai em busca de tratamento. Na educação, os que mais precisam são os que menos conhecem seus direitos e por isso a gente não tem senso de urgência. Isso agora ficou alarmante. Os governos têm tratado educação como se não fosse essencial, não dão ferramentas para estudantes e educadores trabalharem remotamente, não dão qualquer apoio. E as pessoas não estão organizadas e não exigem educação, especialmente pública. Os professores buscam seus direitos básicos e os alunos não buscam e não ganham. A desigualdade vai aumentar muito depois desta pandemia. Este cenário horrível também me fez apostar mais no livro. Mais do que nunca vamos precisar mais de inspirações.

Como analisa a questão da leitura no país?

Acredito que em decorrência da falta de acesso à educação (no Brasil o direito à educação só foi garantido a todos em 1988,  com a Constituição Cidadã) a leitura infelizmente é algo ainda restrito às classes mais privilegiadas. Apesar disso, acredito que há avanço especialmente entre os jovens. Ainda que seja uma leitura muito vinda do hemisfério norte, sucessos como Harry Potter fizeram mais pessoas entre as novas gerações capazes de mais leitura. 

O que tem lido ultimamente?

No último ano, algumas das minhas leituras eram relacionadas ao tema do livro "21 Histórias de estudantes que mudaram a escola", pesquisei várias obras sobre as personagens. Também foi impactante aí "Ensinando a transgredir" de Bell Hooks. No começo da pandemia, eu li livros sobre pessoas que viveram situações do confinamento, como Anne Frank, e também inspirações para uma sociedade diferente como "Ideias para adiar o fim do mundo" de Ailton Krenak.  

Link para o financiamento coletivo: https://www.catarse.me/21estudantes


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020) e Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020) e Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro infantojuvenil se denomina Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021).


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segunda-feira, 22 de março de 2021

ENTREVISTA: M. Sardini e o livro Quarto 502, por Cida Simka e Sérgio Simka


Fale-nos sobre você.

Mia Sardini (ou M. Sardini, como assino nos livros) é um pseudônimo, criado para separar minhas obras de ficção das obras jurídicas. 

Nasci em 1989, no interior de São Paulo. Sou advogada e criminóloga por formação, com atuação no Tribunal do Júri, mas escrevo ficções desde os doze anos, quando sonhava em ser arqueóloga, atriz, astronauta e mais uma lista gigante de coisas. Apesar disso, só fui publicar minha primeira obra, o Quarto 502, em 2016. Desde então, passei a me dedicar mais à literatura, em especial a de horror.

Além do Quarto 502, tenho uma coletânea de contos de terror, "A Caçadora de Vaga-Lumes e Outros Contos Sombrios", que é uma reunião de contos meus que já foram publicados em antologias diversas, incluindo o meu primeiro conto premiado, que dá nome à coletânea. Também sou autora e idealizadora da Revista Ledos Medos, que é um projeto independente de terror nacional, e também já trabalhei como curadora de terror para uma editora independente.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre o seu livro. O que a levou a escrevê-lo?

Em 2016, eu e meu marido decidimos criar um blog literário onde pudéssemos publicar nossos escritos. Na época, convidamos também alguns colegas para participar, e desse projeto nasceu a ideia de escrever um conto por mês sob uma temática estipulada para todos. Em algum momento, a temática foi "histórias de sanatórios", e eu comecei a escrever o Quarto 502 sem nenhuma pretensão de publicá-lo algum dia. Fui lançando os capítulos no ar e, conforme o público gostava e interagia, a história foi ganhando corpo. De um conto, tornou-se uma novela (pouco mais de 100 páginas), e então decidi publicá-la na Amazon, como autora independente. Pouco tempo depois, recebi o contato de uma editora, que desejava publicar a história, e por mais ou menos um ano o Quarto 502 foi publicado pela Editora Cartola. Em maio de 2020, decidi retomar a publicação independente, como segue até hoje.

Dentre tantas histórias de sanatórios, escolhi a de Waverly Hills porque senti que precisava contar a história de Mary Hillenburg, a enfermeira que deu origem à minha personagem fictícia Mary Ann Harper. O sanatório de Waverly  Hills é considerado, pela International Ghosthunter Society, o oitavo lugar mais assombrado do mundo, e são muitas as lendas que permeiam o lugar. Me senti conectada com a história real do sanatório e, por essa razão, resolvi contá-la sob a minha ótica. Claro, com algumas licenças poéticas.

Como analisa o mercado de terror/horror nacional?

Acredito que cada vez mais a literatura de horror ganha espaço no mercado editorial brasileiro. Mais e mais autores surgem a cada ano, existem muitas histórias de qualidade e também estão surgindo mais enredos que se passam em solo brasileiro, ou que exploram o folclore nacional, o que é incrível. Mesmo durante a pandemia, a venda de livros de terror aumentou, e o escritor e pesquisador Oscar Nestarez publicou uma matéria na Revista Galileu, na qual afirma que fãs de terror lidam melhor com situações como a da pandemia, o que ele chama de "medo terapêutico".

Link para a matéria: https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/Comportamento/noticia/2020/07/medo-terapeutico-por-que-fas-de-horror-lidam-melhor-com-pandemia.html

Como analisa a questão da leitura no país?

O Brasil não é exatamente um país de leitores. Isso é fato. O nosso público ainda é muito restrito e ainda temos uma preferência muito grande por edições de luxo, capa dura etc., o que não é a mesma realidade de outros países, como os europeus ou o Canadá. Por outro lado, tivemos um aumento do consumo de e-books, principalmente por conta da facilitação de publicação em plataformas como a da Amazon. Em conversas com outros autores mais experientes, concluí que a publicação independente tem muito campo no mercado editorial nacional e creio que tende a ser cada vez mais explorada.

Ainda estamos longe de um cenário ideal de leitura no país, mas estamos caminhando.

O que tem lido ultimamente?

Nesse último ano, li muitos autores nacionais de terror, como Soraya Abuchaim, Jhefferson Passos, Larissa Prado, Larissa Brasil, Cláudia Lemes, Bel Quintilio, Oscar Nestarez, dentre outros. Também li alguns livros de fantasia, como do autor Fernando Simões e da autora Lívia Stocco, todos nacionais. Atualmente estou lendo um conto estrangeiro, traduzido pela Editora Morro Branco, chamado "Acender uma fogueira", de Jack London. O conto foi indicação do blog Canto do Gárgula e é muito bom! Recomendo.

Quais os seus próximos projetos?

Como eu disse, sou autora e idealizadora da Revista Ledos Medos, que é um projeto independente de contos nacionais de terror. Atualmente, eu e minha sócia, a escritora Tábatha Gagliera, estamos trabalhando nas edições 3 e 4 da revista, que devem ser lançadas respectivamente nos dias 10 de março e 10 de julho de 2021.

Também estou trabalhando em um projeto conjunto com os autores Jhefferson Passos e Soraya Abuchaim, e finalizando a preparação de texto do meu novo livro solo, chamado "As Cores Sombrias de Irena". O livro está em processo de análise por uma editora nacional maravilhosa e deve ser publicado no primeiro semestre de 2021. Trata-se da história de quatro gerações de mulheres, cujos destinos estão entrelaçados por uma maldição familiar. O livro foi inspirado em histórias das mulheres da minha família, mas é também uma ficção de horror.

Link para o livro Quarto 502:

https://www.amazon.com.br/Quarto-502-M-Sardini-ebook/dp/B01M0Z98O6/ref=sr_1_3?dchild=1&qid=1616406877&refinements=p_27%3AM.+Sardini&s=digital-text&sr=1-3&text=M.+Sardini

Link para a Revista Ledos Medos (edição número 1):

https://www.amazon.com.br/Revista-Ledos-Medos-1a-Edi%C3%A7%C3%A3o-ebook/dp/B08H4V87P8

Link para a antologia A Caçadora de Vaga-Lumes e Outros Contos Sombrios:

https://www.amazon.com.br/Ca%C3%A7adora-Vaga-lumes-Outros-Contos-Sombrios-ebook/dp/B089FN1YPT/ref=pd_sbs_3?pd_rd_w=UiYxq&pf_rd_p=f2ff7d31-774f-476b-ad0b-255506b1ebcf&pf_rd_r=FEHQS9KRJ0SKMFHHZYMN&pd_rd_r=0ef32940-ba34-4f78-b302-fd915cfdf266&pd_rd_wg=qNDin&pd_rd_i=B089FN1YPT&psc=1

Link para a entrevista com Oscar Nestarez:

http://www.revistaconexaoliteratura.com.br/2020/07/exclusivo-o-escritor-oscar-nestarez-e.html


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020) e Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020) e Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro infantojuvenil se denomina Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021).

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quarta-feira, 17 de março de 2021

ENTREVISTA: Léo Bueno e o livro Contos da quarentena, por Cida Simka e Sérgio Simka

Léo Bueno e Érika Suzuki - Foto divulgação

Fale-nos sobre você.

Nasci em San Juan (Porto Rico) em 1973 – meus pais resolveram se exilar na época mais cruel da ditadura militar aqui no Brasil. Mas sou brasileiro nato. Cresci no ABC, primeiro em São Bernardo, depois em Santo André, onde moro até hoje. Como jornalista já trabalhei para a rádio Jovem Pan de São Paulo e para o Diário do Grande ABC. Depois, tornei-me assessor do prefeito Celso Daniel e, mais tarde, de outras prefeituras. Sou um fã apaixonado de cinema, do tipo que vê desde os filmes produzidos nos primórdios do cinematógrafo até os mais atuais. Na música, gosto MPB, de samba, de tango e de música clássica, mas sou principalmente roqueiro. E na literatura amo os clássicos, desde os gregos até os modernistas. Leio muito Cortázar, Borges, Alan Poe, Camus, Bolaño, Dostoiévski e Tolstoi, García Márquez e Karel Capek, Ferenc Molnar e Lisle-Adam, além, claro, de Machado, Guimarães, Graciliano, Drummond e Bandeira.

ENTREVISTA: 

Fale-nos sobre o livro "Contos da quarentena". O que o levou a organizá-lo?

Eu tinha escrito um livro de contos, ‘Gotas de Mim pelo Chão’, no começo da década passada. Nunca consegui publicá-lo até que, em 2019, meu amigo, o jornalista Sérgio Alli, me falou de sua editora, a Planeta Redonda, que facilita a publicação de autores independentes. Então submeti aquele livro e um de poemas, ‘As Canções do Asfalto sem Fim’, e publiquei-os. Mas só deu tempo de lançar o de poemas. Quando chegou a hora de lançar o de contos a pandemia estava aqui e eu senti que ele estava fora de momento. Assim, como muitos, recolhi-me angustiado. Não queria lançar um volume de contos quando todas as pessoas estavam tão impotentes; parecia oportunismo. Aí é que tivemos, em grupo, a ideia: e se fizéssemos um livro com contos sobre a quarentena? Um livro que as pessoas lessem, mas que também escrevessem, exercitando sua verve, exorcizando suas angústias durante a pandemia? Assim surgiu a ideia, e outros 20 autores participam. É um esforço coletivo. Para mim foi importante porque debelou a angústia de não lançar o ‘Gotas de Mim pelo Chão’; este, acho que o momento dele está de volta. Será lançado em breve. 


Como se deu o processo de organizar os convites aos autores etc.? 

Bom, o primeiro e o mais importante é que eu conheço fisicamente apenas três das pessoas que participam do livro, mas todos já estávamos reunidos em torno de uma rede social, o Facebook. Mesmo considerando as críticas – procedentes – às redes sociais, a verdade é que não nos teríamos reunido se não fosse ela. Então abrimos espaço para todos os que quisessem escrever, assegurando que virtuais imperfeições poderiam ser minimizadas por meio de um processo de edição. O importante era a ideia ser de fato corporificada em texto. Isso abriu espaço para as pessoas publicarem, mesmo tendo dúvidas sobre se eram capazes; na verdade, dos 21 autores, 17 nunca tinham publicado nada – e o interessante é que todas fizeram bons contos! Não é o único livro com esse tema. Outros autores se reuniram para falar da pandemia e da quarentena. Mas talvez seja o primeiro que tenha conseguido reunir ex-não-autores – “ex”, porque agora todos os signatários dos ‘Contos da Quarentena’ são autores. E mostrou que, se muita gente tem a capacidade e a criatividade para escrever, então eles podem escrever e podem ser autores. Isso é o que a internet nos revelou. Se você refletir, verá que quase todos os artistas que ganharam renome merecido surgiram na internet, ou seja, fora do sistema comercial no qual o agente ou o empresário controlavam quem vai ou quem não vai ganhar as luzes. Esse sistema continua sob o controle dos distribuidores, mas foi bem mais democratizado, embora infelizmente o hábito de leitura brasileiro ainda seja muito baixo e o mercado editorial em geral esteja em crise. 

Foi fácil conseguir publicá-lo?

Publicar um livro hoje é o de menos. A gente precisa de alguém que edite – por melhor que você escreva, sempre deixa erros pelo caminho, alguns deles em consequência das nossas próprias idiossincrasias, portanto um editor é fundamental. Mas o grande nó é a distribuição, é conseguir unir o escritor ao seu leitor em potencial. Há muitos leitores potenciais, mas não existe uma iniciativa para juntá-los ao redor dos temas que eles apreciam em comum – com algumas exceções: por exemplo, o mercado de livros escritos por influenciadores e empreendedores continua aquecido.

Há também essa dúvida sobre o futuro do livro de papel. Se a não ficção vai continuar sendo necessária, entendemos que a ficção e a poesia também vão, pois elas coexistem, ainda que não tenham sempre o mesmo peso. A questão é “como” elas vão coabitar o mundo da leitura. E, nesse quesito, o autor ainda é muito menor do que a instituição e tem dificuldades de chegar ao seu leitor, a não ser que gaste em propaganda muito mais dinheiro do que poderá receber por meio da venda de livros, físicos ou virtuais. Do ponto de vista mercadológico, essa precisa ser ajustada urgentemente.

Quanto à publicação em si, a Terra Redonda está dentro deste novo padrão editorial. No nosso caso, nós tínhamos decidido não gastar nenhum centavo do próprio bolso, por isso organizamos um financiamento coletivo que conseguiu levantar mais de R$ 4 mil para publicar. É um valor baixo, considerando que somos 21 autores e que todos deveriam receber uma quota de volumes. O valor pagou a concepção de capa, a diagramação, o registro ISBN e a gráfica; a editora fatura com a venda de metade dos livros, que são reservados a ela. Assim foi possível garantir que o nosso trabalho desse resultado sem necessidade de investimento.

Hoje em dia há mecanismos muito interessantes que essas novas editoras disponibilizam. Por exemplo: é possível vender um livro em Berlim, na Alemanha. Você negocia com o comprador que mora lá, ele paga, você manda um aviso para a editora, que manda um aviso para uma gráfica rápida em Berlim; ela imprime o livro e o envia, em versão física, para o comprador. E, por não lidar com a ideia de acúmulo de capital, de grandes quantidades para gerar grandes lucros, esses novos editores podem se dedicar mais ao aspecto técnico ou artístico das obras e menos ao mercantil. É claro que todos – nós, escritores, e eles, editores – não vivemos disso. A literatura e o mercado editorial são uma atividade de paixão. Mas essa é a realidade brasileira há muitas décadas. Desde José Lins do Rego, Érico Veríssimo e Jorge Amado que ninguém enriquece no Brasil como escritor. Hoje em dia pouquíssimas pessoas, como o Luis Fernando Verissimo e o André Vianco, conseguem viver exclusivamente da venda dos livros. Alguns ainda dedicam todo o seu tempo à escrita e produzem arte com ela. São ótimos escritores contemporâneos, como Ricardo Lisias e Bernardo Carvalho. Mas geralmente eles têm uma vida monástica. 

Outra pergunta que não fizemos e que gostaria de responder.

Como é normal em coletâneas, essa se destaca por ser eclética. Há romantismo, há humor, tem contos de terror e de ficção científica, tem uma epopeia familiar e uma no estilo ‘Novo Jornalismo’ – ou seja, a autora fez um levantamento minucioso de histórias reais para compor o seu conto.

Outra informação importante: muitos dos autores são jornalistas, grande parte é da área de humanas, mas há até um especialista em robótica entre nós. Isso significa que qualquer pessoa com boas ideias e paciência pode ser uma boa escritora. Mas antes, claro, cabe lembrar que todos somos tributários de uma grande instituição denominada ‘Língua Portuguesa’. Ela é nosso instrumento e sem ela não haveria livros no Brasil. Portanto, quem quer ser um bom escritor tem todas as possibilidades para isso, mas não deve se esquecer de dominar o nosso vernáculo inculto e belo da melhor maneira possível. Estudar é preciso!

Link para o livro:

https://www.terraredondaeditora.com.br/product-page/contos-da-quarentena-21-autores


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020) e Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020) e Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro infantojuvenil se denomina Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021).

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