Mostrando postagens com marcador Cida Simka. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cida Simka. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Emersoon Lima e o livro Revil – o jogo da morte, por Cida Simka e Sérgio Simka

Emersoon Lima - Foto divulgação

Fale-nos sobre você.

Nascido na cidade de Ibiapina no Ceará e morando atualmente no Rio de janeiro, tenho 30 anos e escrevo histórias desde muito pequeno.

Cresci rodeado por livros e desde sempre aprendi a amá-los.

A paixão pela escrita nasceu através da leitura de obras de Monteiro Lobato e os clássicos da coleção Vaga-Lume.

"Revil - O jogo da morte" é o meu livro de estreia, mas tenho mais de dez histórias publicadas entre contos e antologias sempre permeando o campo do terror e do sobrenatural.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre o livro. O que o motivou a escrevê-lo?

Revil foi um dos livros mais intensos que já escrevi (ele não foi o primeiro. Tenho mais dois livros escritos e em processo de revisão). O processo de escrita durou cerca de três semanas, nas quais me mantive entregue e vivendo na alma cada experiência vivida pelos personagens.

Ele conta a história de Guto, Eric e Tina. 

Três adolescentes que perderam recentemente os seus pais e não conseguem lidar com a dor do luto. Em meio a isso eles descobrem uma possível maneira de trazê-los de volta. Um jogo. Sem pensar duas vezes eles aceitam e esse foi o grande erro. 

Na trama, um aplicativo de celular os guia durante as missões e logo na primeira eles descobrem que precisam matar uma pessoa ou eles próprios morrerão. Forçados a matar, os três são jogados em uma trama obscura e sanguinária que vai aos poucos consumindo a sua sanidade.

Até onde eles serão capazes de ir para ter os seus pais de volta?

O que me motivou a escrever Revil foi o desejo de criar uma trama de terror core que fosse além de sustos e corpos fatiados, mas que levasse o leitor para dentro da mente do personagem. Fazendo-o viver e compreender aquele drama vivido por eles (espero ter conseguido).

Que dica pode fornecer a um escritor principiante?

Seria ler bastante e focar nos personagens.

Eles são a alma da história. O leitor precisa se importar com eles para que possa seguir acompanhando a trama.

Como analisa a questão da leitura no país?

Infelizmente o nosso país ainda lê muito pouco. Isso, creio eu, se dá devido ao pouco incentivo de leituras realmente prazerosas (prazerosas, digo, para a idade. Os clássicos são ótimos. Mas para uma criança ou adolescente pode não parecer tão atrativo) no período escolar.

Ainda assim, acredito em uma melhora significativa nos próximos tempos. Na última Bienal no Rio tivemos uma demonstração de como esse cenário está aos poucos mudando. A migração do formato para e-book e as facilidades de acesso a conteúdos de qualidade também contribuem para essa melhoria.

O que tem lido ultimamente?

Este ano resolvi focar na leitura dos clássicos. Acho muito importante e enriquecedor conhecer o trabalho de grandes mestres da nossa literatura.

Tenho lido atualmente: Machado de Assis, Clarisse Lispector, Álvares de Azevedo e José de Alencar.

Redes sociais: 

Facebook: Emersoon Lima - Escritor 

IG: @limaemersoon


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020) e O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). 

Compartilhe:

domingo, 11 de julho de 2021

Cris Ladeia e o livro O quadro na parede, por Cida Simka e Sérgio Simka

Cris Ladeia - Foto divulgação

Fale-nos sobre você.

Amante dos livros desde que passei a entender o poder que eles tinham. Escrevo por puro prazer. Sou professora e procuro despertar nos alunos o gosto pela leitura. Quando paro para escrever, me esqueço de mim, me torno criança, homem, flor, personagem. Sempre escolho três livros para iniciar a leitura, geralmente um referente à minha área de atuação, um clássico e um romancezinho. Leio 30 páginas de um, paro. Leio 20 do outro. Paro e leio um pouco mais do outro. Esse é um hábito que tenho há anos.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre o livro. O que a motivou a escrevê-lo?

O quadro na parede se trata de um sonho antigo que reúne os contos que as pessoas liam e diziam: esse eu gostei... Aí eu já separava o conto para compor o livro. Tem de tudo um pouco, gente de todo jeito, cenários do campo e da cidade, pessoas com personalidades distintas e marcantes. O que mais me motivou a reunir esses contos num livro foi a vontade de dividir com as pessoas minha paixão pela escrita. 

Como analisa a questão da leitura no país?

Acredito que se as crianças fossem incentivadas desde cedo à leitura, o país não seria tão carente de pessoas reflexivas. Sempre falo para os meus alunos que quem lê não desenvolve apenas habilidades em língua portuguesa, mas também consegue compreender um enunciado em Matemática, entender uma questão de Ciências e assim sucessivamente.

Que dicas poderia fornecer a quem deseja escrever?

Às vezes as pessoas me perguntam como eu escrevo. Sempre respondo que não existe receita pronta, mas se eu pudesse dar um norte a quem gostaria de enveredar pela escrita eu diria para observar... Observar as pessoas, os comportamentos, as situações, o ônibus que passa, a criança conversando sozinha, o moço esperando a namorada, o canteiro de flores, a mensagem no muro... Enfim, tudo pode virar história. O que a gente faz é dar nome, criar o enredo e ir enfeitando com detalhes.

Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir o seu livro?

Os interessados em adquirir meu livro podem entrar em contato pelo e-mail: crisladeia@yahoo.com.br


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020) e O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). 

Compartilhe:

sábado, 3 de julho de 2021

Jonathan Aguiar e o livro Os excluídos podem sonhar, brincar e criar, por Cida Simka e Sérgio Simka


Fale-nos sobre você.

Doutorando em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mestre em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) na linha de pesquisa Inclusão, Ética e Interculturalidade. Psicopedagogo pela Faculdade de Educação São Luiz (FESL/SP). Graduado em Pedagogia pela Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (FE/UFRJ). Brinquedista pela Associação Brasileira de Brinquedotecas (ABBri/SP). Normalista pelo Instituto de Educação Carmela Dutra (IECD). Pesquisador científico do Laboratório de Pesquisa, Estudos e Apoio à Participação e à Diversidade em Educação (LaPEADE) sob a coordenação e fundação da Profa. Dra. Mônica Pereira dos Santos. Atuou como docente no Colégio de Aplicação da UFRJ, membro do Observatório Internacional de Inclusão, Interculturalidade e Inovação Pedagógica (OIIIIPe), e orientador do Programa de Pós-Graduação em Gestão Pública Municipal da Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF). Idealizador do projeto “Bússola do ser Brincante”. Organizador e avaliador desde 2018 do Prêmio Literário Estudantil de Paraíba do Sul/RJ. Apresentador dos Programas “Conectando Ideias” e “Educa-Cutuca” pela Wak Editora. Autor do livro “Educação, Lúdico e Favela – quantos tiros são necessários para aprendizagem?” publicado pela Wak Editora.

Instagram: @jonathanaguiaroficial

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre o livro. O que o motivou a escrevê-lo?

Acredito que seja a luta por mais inclusão, não somente no espaço escolar, mas em qualquer ambiente em que habita a vida humana. Até porque em algum momento de nossas vidas não nos sentimos parte de algo, nos sentimos excluídos. Então, é entender que inclusão é um processo diário para além do público-alvo da Educação Especial, na qual resulta em ações diárias, cotidianas, que podem acolher adolescentes, jovens, idosos. Logo, este livro resulta das minhas vivências como favelado, professor e pesquisador, no sentido de sonhar com um mundo, uma cidade, um bairro em que a educação seja potência para transformação social e integral de qualquer sujeito humano. 

Como tem sido a recepção do seu outro livro (Educação, lúdico e favela)? 

O livro foi bem recebido tanto pela comunidade científica quanto por professores da educação básica, fico feliz por ter alcançado muitos profissionais na área da educação, de modo especial também aquelas pessoas que não atuam na educação e se sentiram representadas ora pela escrita poética, segundo o relato de uma mãe, ora de como pensar no lúdico no campo educacional e na favela. 

Como anda a pesquisa para o seu doutorado?

Último ano de doutorado, posso dizer que tem sido intenso com muitas leituras e provocações. Em breve rumo à defesa da tese! Por uma epistemologia no lúdico. Tá nascendo, vai nascer... 

O que fazer para criar um espaço lúdico-inclusivo em nossas escolas?

Se lúdico é um estado pleno da vida humana, se inclusão é um processo, logo um espaço lúdico-inclusivo perpassa a este movimento de plenitude do sujeito diante de sua ação. Que esta ação seja mais inclusiva! Ah, quer saber mais? Adquira a obra que vocês vão saber mais detalhes desta construção epistemológica. 

Link para o livro:

https://wakeditora.com.br/produto/os-excluidos-podem-sonhar-brincar-e-criar-por-uma-educacao-que-transforma-humanos/

Link para outra entrevista com Jonathan Aguiar:

https://www.revistaconexaoliteratura.com.br/2019/07/jonathan-aguiar-e-o-livro-educacao.html


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020) e O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). 

Compartilhe:

quarta-feira, 23 de junho de 2021

ENTREVISTA: Ivan Reis e o livro Nó na garganta, por Cida Simka e Sérgio Simka

Ivan Reis - Foto divulgação

Fale-nos sobre você.

Educador sociocultural na Fundação CASA, poeta, escritor, pesquisador de Literatura Negra e Filosofia.

Nascido no Bairro do Grajaú em São Paulo na favela do Parque São Paulo, gostava de literatura desde a tenra infância, encantou-se com a Literatura Marginal dos anos 70 aos dias atuais.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre o livro que está lançando.

Nó na garganta é um livro de poesia e reflexões que existe desde 2012, porém só foi lançado agora pela Desconcertos Editora (em 05/05/2021). É um livro que reúne poesias, artes plásticas e reflexões em uma oficina em que atuo na Fundação CASA com os adolescentes.

Fale-nos sobre os seus outros livros. 

Tenho um projeto que inicia novos autores e publica a participação de escritores negros conhecidos do grande público chamado LETRAS NEGRAS (www.letrasnegras.com.br).

E outro livro de nome: NEGRU-ME, onde exponho toda a minha trincheira contra o racismo e ativismo nosso de cada dia.

Como analisa a questão da leitura no país?

Com a pandemia e as pessoas ficando mais em casa aumentou o número de pessoas querendo fazer algo que muitas vezes deixavam pra depois, e  isso inclui a leitura.

O que tem lido ultimamente?

Tenho lido, pesquisado e acompanhado autores e colegas em lives acerca da Literatura Negra e Filosofia no país. Como:

Luiz Cuti, Plínio Camillo, Muniz Sodré, entre outros.

Link para o livro: https://desconcertoseditora.com.br/produto/no-na-garganta-ivan-reis 


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020) e O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). 

Compartilhe:

quarta-feira, 16 de junho de 2021

ENTREVISTA: Ana Maria Haddad Baptista, sua trajetória intelectual e seus livros, por Cida Simka e Sérgio Simka

Ana Maria Haddad Baptista - Foto divulgação

Fale-nos sobre você. Sua formação, seu trajeto profissional e o que julgar necessário. 

Sou formada em Letras. Fiz mestrado e doutorado em Semiótica na PUC/SP. Tenho pós-doutorado pela Universidade de Lisboa e pela PUC/SP  em História da Ciência. Aposentei-me na PUC/SP onde orientei muitas teses no programa em questão.  Atualmente trabalho na Universidade Nove de Julho em dois programas de pós-graduação, stricto sensu, na área da Educação. Na mesma Universidade leciono, com extrema alegria,  para cursos da graduação. Sou uma professora e pesquisadora. Sinto-me privilegiada por ser apaixonada pelo que faço. Adoro meus alunos. Surpreendo-me com eles. 

ENTREVISTA:

Você tem inúmeros livros publicados. De maneira geral, eles abordam temas acerca da educação, literatura, filosofia e ciências. 

Sim. Mas não sou uma escritora. Considero-me, no máximo,  uma ensaísta. Que fique bem claro isso. Não posso, em hipótese alguma, contradizer minhas convicções a respeito da verdadeira literatura.  Minha formação vem de  cursos interdisciplinares. Portanto, mantive e mantenho, continuamente, para minha felicidade,  diálogos  e interfaces, com diversas áreas dos saberes. 

Você tem trabalhado bastante, de acordo com suas publicações, com as obras de Marco Lucchesi. Fale-nos sobre isso. 

O primeiro contato que tive com as obras do escritor Marco Lucchesi foi por meio de algumas de suas traduções. Em especial, as dos livros de  Umberto Eco. Há mais de 28 anos. Posteriormente, tive o privilégio de uma aproximação, via o saudoso professor Ubiratan A'Dambrosio (com quem trabalhei durante 10 anos na PUC/SP), para um projeto editorial. De tal encontro nasceu, de forma gradativa, um conhecimento maior do conjunto de obras de Marco Lucchesi. Fiquei espantada, encantada e admiradíssima quando descobri a erudição, profundidade e sensibilidade do autor. Um escritor plural. As suas obras  possuem uma estética que dialoga, qualitativamente, com incontáveis áreas do conhecimento e com as artes em geral. Possuem uma intensidade conceitual irradiante. Brilhante.  Experimental.  Aromática na feliz expressão  de Byung-Chul Han.   

A partir daí, conforme fui trabalhando sua literatura com meus alunos da graduação, da pós-graduação e nos diversos cursos de extensão, para formação de professores que ministro pelo Brasil, o autor tem sido uma verdadeira inspiração para mim e para todos aqueles que me cercam. 

Na verdade, a literatura de Marco Lucchesi é a maior referência de minhas pesquisas atuais. Duas orientandas minhas já defenderam teses de doutorado sobre sua literatura. Atualmente tenho duas dissertações de mestrado e uma de doutorado, em andamento,  cujo foco é a literatura do escritor. Ele virou linha de pesquisa do grupo  CNPq liderado por mim. Neste semestre virou "disciplina" nos programas de Educação da Universidade Nove de Julho. E quanto mais eu aprofundo em seu conjunto de obras, mais me convenço de que ele é, não somente um dos melhores escritores contemporâneos do Brasil. Mas do mundo. Para nossa felicidade não sou a única a afirmar isso. Basta acessar a fortuna crítica de Lucchesi. Facilmente se verá o quanto ele é reconhecido, inclusive, em diversos  países do Oriente e do Ocidente. A injustiça nem sempre prevalece. Essencial para a derrota dos pessimistas e para os que não dão o devido valor para nossa literatura.   

Recentemente criamos, eu e mais alguns professores, de formações diversas, um grupo de pesquisa centrado, com exclusividade, na literatura de Marco Lucchesi. 

Como vê a educação universitária nesse tempo de pandemia?

Existem dois aspectos, entre tantos outros,  que devem ser considerados. Um deles demonstrou que somos capazes de inovar, criar e renovar. O outro desmascara professores que não possuem nem conteúdo e muito menos estratégias, sempre necessárias, "sedutoras" para suas aulas. 

Como analisa a questão da leitura no país?

Não suporto a velha e ultrapassada ladainha de que "o brasileiro não lê". Muito menos "que antigamente se lia". Tais inverdades me irritam profundamente. A questão da leitura  vem desde tempos imemoriais. Basta ler Seneca (65 d.C.) que reclamava de quanto não se lia. Ler as memórias de Goethe ou mesmo os diários de Seferis. O Brasil tem muitos leitores. Muitos. Mas poderia ter mais. Um dos caminhos para estimular a leitura deveria ser uma sólida formação dos professores em todos os níveis de ensino. Paulo Freire, por diversas vezes, afirmou que o professor pode muito mais do que imagina. No entanto, de um modo geral, os próprios professores não leem e como tais não têm criatividade e, muito menos, um olhar  lúcido para as questões de  leitura.  Principalmente aqueles que reclamam que seus estudantes não leem. Meus alunos, de todos os níveis, leem. Diversos livros por semestre. Em especial os livros de Marco Lucchesi que os conduzem não somente para outras leituras. Mas, também,  a uma educação estética. 

A leitura é fundamental. Pesquisas sérias mais recentes na área da neurociência, como por exemplo as de Maryanne Wolf, mostram que a leitura, de fato, atinge zonas cerebrais que estimulam não somente a sensibilidade, mas, inclusive, nossa capacidade de crítica e tantas outras que promovem o contínuo exercício de pensamento. Tão necessário para enfrentarmos a vida  e perseguir os reais valores que nos cercam, assim como aberturas que nos indiquem as trilhas da   solidariedade. Caminho possível, como diria Bauman, para um mundo mais justo e menos miserável. 

Link para a entrevista com Marco Lucchesi:

http://www.revistaconexaoliteratura.com.br/2021/05/exclusivo-marco-lucchesi-presidente-da.html


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020) e O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). 

Compartilhe:

quinta-feira, 3 de junho de 2021

ENTREVISTA: Rosana Banharoli e o livro Cesar, o menino superincrível, por Cida Simka e Sérgio Simka

Rosana Banharoli - Foto divulgação

Fale-nos sobre você
.

Costumo me apresentar como Rosana Banharoli, uma obra de ficção baseada em fatos reais. Sim, sou resultado de tudo que vivi, senti e criei. De histórias minhas recriadas, de outros e inventadas. Por vezes, somos salvos pela imaginação que nos acolhe e nos ajuda a sobreviver às crises e desalentos. Alimentando a esperança. Não podemos esquecer que no fundo, na caixa de Pandora, estava a Esperança.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre o livro. O que a motivou a escrevê-lo?

Me atrevi a escrever Cesar, o menino superincrível, após conviver, em período de férias, em 2017, com meus netos, Cesar (7 anos) e Arthur (5anos). Eles moram em Montreal e nossos encontros são intensos. Percebi que meu olhar para com eles era olhar de guardar momentos. Então, nada mais pertinente do que ser por intermédio da escrita.  Mais uma vez: ficção e realidade. Com um rascunho do conteúdo, em mãos, procurei acompanhamento da profissional e escritora premiada Simone Pedersen, para adequar a linguagem à faixa etária de 5 a 9 anos. Ousei enviar o projeto ao edital do Fundo de Cultura de Santo André, de 2019, e ei-lo aqui: contemplado e impresso (editora Jogo de Palavras).  Nele homenageio Cesar. Fiquei muito feliz com o resultado gráfico. Beatriz Vieira, estreante, como eu, em livros para crianças, me pediu fotos dos meninos e o que se vê, são ilustrações fiéis, coloridas, criativas, sem falsa modéstia: maravilhosas. Já sobre o conteúdo, é uma história de entretenimento sobre a descoberta de um menino curioso e cheio de ideias de um mundo mágico: o da criação literária. E que durante o seu desenrolar tenta colocar como normal e necessário ao desenvolvimento humano como o medo, a curiosidade e a imaginação. Onde chorar cabe para meninos e meninas.

Fale-nos sobre seus outros livros.

Sou atrevida na escrita, pois tenho  livros publicados de contos e poesias: Espasmos na Rotina (Patuá - poesia, 2017); 3h30 ou quase isso (Amazon - prosa&conto, 2015) e Ventos de Chuva (Scortecci - poesia, 2011), além de participações em mais de 50 antologias, como convidada e como resultado de participações em concursos, além de publicações em revistas  e sites especializados nacionais e internacionais. 

Para este semestre, serão lançados A Mulheres Poetas, no Brasil. Projeto de pesquisa do poeta Rubens Jardim e editado pela Arribação e a Coletânea de Feminino Infinito, organizada pela escritora e poeta Paula Valéria Andrade, nos quais tive o privilégio de estar.

E, agora,  estreando na literatura para crianças, com Cesar, o menino superincrível. Confesso que já tenho, inédito, escrito em homenagem ao Arthur. 

Como analisa a questão da leitura no país?

Não tenho dados para afirmações. Minha opinião é que embora ache que a leitura seja indispensável, junto a outras representações artísticas e culturais para a plena formação cidadã, faltam políticas públicas que agreguem e estimulem esta prática, por aqui (país). Tanto do lado de quem faz/produz, de quem distribui/divulga e tanto para quem recebe/acesso. Existe uma ideia fixa de que artes e cultura são produtos dispensáveis. Que não têm impacto na economia. Sabemos nós, trabalhadores e ativistas, que é uma falácia. Como estaríamos, nós todos, neste momento de pandemia, sem o acolhimento identitário que as artes e as nossas culturas de raiz, de povo, nos proporcionam? Enfim, o país não é melhor leitor porque não aprendeu a sê-lo. Mas carrego o R da Resistência, em meu nome e o E da Esperança em minha história de vida.

O que tem lido ultimamente?

Leio de tudo o tempo todo. O hábito da leitura e da criação faz parte de meu ser. Assim como a indignação, a alegria, o teto, a comida e a água. Não consigo ser sem. Em minha mesa e no braço do sofá estão: Histórias de Quem (contos), de Cesar Augusto de Carvalho, Mínimos Múltiplos Comuns (minicontos), de João Gilberto Noll, o romance de Elena Ferrante, A Amiga Genial e a Revista Laranja Original.

Antes de concluir, quero pedir a você, que está me lendo agora, que prestigie o artista nacional, contemporâneo, junto aos clássicos de sua preferência. E, como atrevida que sou indico: Paranapiacaba, Afetos e memórias, um vídeo com poemas, depoimentos e músicas autorais meus e de Denise Coelho. Ele está na programação, no site da Feira de Artes e Antiguidades de Paranapiacaba: https://m.youtube.com/watch?v=6MSpZLAMuT0

CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020) e O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). 

Compartilhe:

sábado, 29 de maio de 2021

EXCLUSIVO: Marco Lucchesi, presidente da Academia Brasileira de Letras, concede entrevista à revista Conexão Literatura, por Cida Simka e Sérgio Simka


O poeta, romancista, memorialista, ensaísta, tradutor, editor e presidente da Academia Brasileira Letras, Marco Lucchesi, que acaba de publicar o livro “Adeus, Pirandello”, pela editora Rua do Sabão, conta, nesta entrevista exclusiva, sobre o livro, a sua faceta de escritor e de pesquisador e a respeito de seus próximos projetos.

Os colunistas e o editor-chefe da revista Conexão Literatura, o escritor Ademir Pascale, desejam externar publicamente o nosso agradecimento ao também escritor Leonardo Garzaro, um dos editores da editora Rua do Sabão, e à assessora de imprensa da editora, Beatriz Reingenheim, por terem viabilizado o contato com o eminente acadêmico. 

ENTREVISTA:

Ao publicar o livro "Adeus, Pirandello", você completa a trilogia sobre o Rio de Janeiro. O que o motivou a escrevê-la?

O amor do território. Sequestrado diante de tantas agressões urbanas. O amor das paisagens náufragas. Mas também a ideia da máquina do tempo, os limites da história e da ficção. Uma cronologia que começa em 1866 e termina em 1927. A última, com a viagem de Pirandello ao Rio. 

Você tem uma extensa, sólida e relevante obra publicada. Quais os seus próximos projetos?

Tenho o que posso fazer... na medida das minhas forças, dos meus limites e, sobretudo, da minha inquietação. Trabalho em muitos projetos, ao mesmo tempo, seria inútil e soaria pedante enumerá-los. Terminei o terceiro volume do diário filosófico, em fragmentos, e mais dois outros livros. Sinal de teimosia ou de esperança... Talvez o primeiro tópico,  talvez o segundo. A rosa dos ventos. Um destino.

Fale-nos brevemente sobre o Lucchesi escritor e o Lucchesi pesquisador. Particularmente, por que o seu interesse pela filosofia da matemática?

Muitos apelos e interesses desde sempre. Gosto de ver o céu noturno. Quando a vida no país se torna insuportável, agarro-me ao plenilúnio. Vermelho e soberano.  Se houvesse escolhido outra profissão, talvez fosse epistemólogo.  Sou um homem da Fronteira. Gosto essencialmente do trânsito e da articulação  entre coisas diversas.  Seria longo tratar da matemática, mas gosto de estudar seus pressupostos filosóficos, também a construção de uma poética própria que a torna mais bela, como a Lua. Ela está em alguns livros de ensaio, mais intensamente no primeiro e no segundo volume do diário filosófico "Trivia" e "Vestígios".  Vício e fascínio, ao mesmo tempo. Como no poema de Novalis, número e letras enquanto possível de uma profunda cosmopoética.

Como analisa o ensino superior brasileiro, de maneira geral, em tempos de pandemia?

95% da invenção do que se produz no Brasil vem da Universidade. Os desafios têm sido respondidos com a necessária coragem e resistência, na luta permanente contra a barbárie de nossos dias. Nada é fácil. Seguimos formando profundas zonas de consenso. A defesa da cultura para todos contra a máquina do ódio.

Refletindo sobre sua trajetória, você se considera um ser humano realizado? E feliz?

Essa é uma pergunta impossível. Quem poderia dizer uma e outra coisa? Ainda que não houvesse tanta miséria e morte, no seio da pandemia, política e racismo... ainda que não houvesse nada disso,  quem poderia afirmar uma e outra coisa... Vivemos em um processo. Nossa esperança é de recriar o presente. Eu venho do planeta  Inquietação na nebulosa de Órion.

Informações sobre a trilogia (extraídas do site da editora Rua do Sabão):

“Nas palavras do também imortal Antônio Torres, com ´Adeus, Pirandello´ Marco Lucchesi fecha uma trilogia carioca iniciada em 2010 com O dom do crime, cujo cenário é o Rio ao tempo de Machado de Assis (1886). O passo seguinte foi O bibliotecário do Imperador, de 2013, ambientado no mesmo Rio e no mesmo século XIX (1889).” 

Conheça mais sobre Marco Lucchesi:

https://www.academia.org.br/academicos/marco-lucchesi/biografia

https://www.academia.org.br/academicos/marco-lucchesi/bibliografia

Link para o livro:

https://loja.editoraruadosabao.com.br/produto/adeus-pirandello/

Link para a assessoria de imprensa da editora Rua do Sabão: 

www.kulturalis.com.br


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020) e O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). 

Compartilhe:

segunda-feira, 17 de maio de 2021

ENTREVISTA: Cristina Jones e a Editora InVerso, por Cida Simka e Sérgio Simka

Cristina Jones - Foto divulgação

Fale-nos sobre você. 

Meu nome é Cristina Jones, sou sócia-fundadora e publisher da Editora InVerso. E uma coisa curiosa é que sempre que me apresento como publisher, editora, causo um certo estranhamento nas pessoas. Primeiro por acharem diferente (são poucas as editoras) e depois por não imaginarem que este papel seja desempenhado por uma mulher. Quando a pergunta é “por que publisher” eu digo que tive a sorte te ter a semente germinada, ainda enquanto uma garota do ensino fundamental que sempre se expressou pela escrita, mas achava que seria médica. Com o cultivo certo e a tutoria de grandes mestres brotou, ainda em estado latente. Quando não coube mais em si, a InVerso brotou. 

ENTREVISTA:

Dia 14 de abril a Editora Inverso completou 17 anos de existência. Você é a sócia-fundadora. Fale-nos sobre ela. 

Eu já atuava no mercado editorial quando percebi a falta de um veículo de comunicação que integrasse entretenimento, cultura, literatura e turismo sobre o sul do Brasil. Depois de uma pesquisa qualitativa e quantitativa surgiu a ideia de uma revista que, além de agregar todos os assuntos, também fosse bilíngue, português-espanhol, para ter entrada na América Latina. O nome também deveria ser diferente, ou ainda, o inverso do que já existia. Assim a editora InVerso nasceu!! A revista InVerso tinha um padrão estético diferenciado e de qualidade gráfica superior. Estes atributos aliados aos textos das editorias foram um passo decisivo para, a partir de 2008, atuarmos definitivamente na publicação de livros. De lá pra cá foram mais de 3.000 títulos dentre revistas, house organs e livros.

Como é o seu trabalho? Recebe quantos originais por mês? Quantos são publicados? Quem quiser publicar por sua editora quais os procedimentos a serem adotados?

É um conjunto de boas emoções. Ao ver manuscritos virando obras, autores que desnudam suas almas, encontros com leitores, colaboradores e parceiros que seguem com o mesmo propósito, vejo que a literatura tem um espaço especial no mundo e cabe a nós, ligados a ela, fomentar isso.

Recebemos muitos manuscritos por mês, em média uns 80 a 100 e este ano publicaremos 110 novos livros. Todos são catalogados, respondidos e lidos. Eu faço sempre a leitura final e o parecer da obra para editá-la ou não. É um trabalho bem personalizado que leva em conta o estilo da obra, o alcance comercial e a composição gráfica que imprimiremos nele.

Temos um canal direto para o envio de obras por e-mail no endereço editorainverso@editorainverso.com.br, ou no nosso site www.editorainverso.com.br, além do WhatsApp (41) 99798-7623. Fico sempre muito feliz em recebê-los! Como diz o filósofo Confúcio: “escolha um trabalho que você ama e você nunca terá que trabalhar um dia sequer na vida”.

Como é ser editora (publisher) em um país como o Brasil?

Eu vejo um país de oportunidades. É certo que temos que lidar com instabilidades e desmandos, que qualquer empresário, independentemente do setor, também passa. Mas como editora, temos uma chance de fazer diferente, de ser um agente transformador positivo na vida das pessoas. Temos um universo de leitores a conquistar e elevar o índice de leitura por habitante. 

Como analisa a questão dos e-books?

Os e-books são democratizadores da leitura. Se pensarmos que temos 70 milhões de pessoas com aparelhos celulares, e eles podem ser usados como “books reader”, o e-book é facilitador. Porém, pelos números gerais do mercado livreiro, os e-books representam apenas 4% do faturamento total de vendas de livros. Na Inglaterra, por exemplo, este número é de 10%. Ou seja, ele facilita, nós vendemos e produzimos e ele coexiste com os livros físicos. Em meio à pandemia no ano passado, por exemplo, disponibilizamos vários e-books gratuitos aos nossos leitores pelo site da InVerso. E atualmente temos um livro digital interativo e gratuito, como novidade, em nossa página. O importante é dar opção de leitura!

Quais são suas leituras preferidas?

Sou suspeita... rsrsrs. Gosto de romance, poesia, mas adoro ler livros infantis e juvenis. Sempre vario e nunca leio um livro só. Gosto de levar umas 2 a 3 leituras ao mesmo tempo. 

Que conselho pode dar a um escritor principiante?

Leia muito. A máxima que quem lê escreve é a mais absoluta certeza. A leitura aprimora o senso crítico, consolida emoções, amplia vocabulário, benefícios que serão usados a favor do escritor na sua obra. 

E, não tenha medo... não deixe seu manuscrito na gaveta. Ele poderá impactar a vida de alguém se estiver livre.


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020) e O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). 

Compartilhe:

Bruna Ramos da Fonte lança o livro “Escrita terapêutica”, por Cida Simka e Sérgio Simka


A escritora Bruna Ramos da Fonte acaba de lançar o livro “Escrita terapêutica: um caminho para a cura interior”, disponível na Amazon, em formato Kindle.

O livro apresenta a escrita como forma de terapia, reunindo as metodologias de trabalho da autora. Trata-se de uma leitura imprescindível para aqueles que desejam mergulhar nas profundezas da sua própria alma em busca dos caminhos e respostas necessários para a construção de uma vida mais plena e feliz.

Sinopse:

São muitos os estudos que comprovam a eficácia da escrita no processo de recuperação emocional e psíquica do ser humano. Isto porque, ao escrevermos para nós mesmos, temos a chance de deixar de lado os nossos medos e defesas, para então expressarmos aquilo que estamos realmente pensando e sentindo, sem nos limitarmos pelo medo da censura que as expectativas e crenças do outro poderiam exercer sobre nós.

Link para o livro:

https://www.amazon.com.br/Escrita-terap%C3%AAutica-caminho-para-interior-ebook/dp/B094663QW9/ref=sr_1_3?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&crid=XKNU03UE2HLS&dchild=1&keywords=escrita+terapeutica&qid=1620724022&s=books&sprefix=escrita+terap%2Cstripbooks%2C292&sr=1-3

Entrevista com a autora sobre o seu livro Sidney Magal: muito mais que um amante latino:

http://www.revistaconexaoliteratura.com.br/2018/02/bruna-ramos-da-fonte-e-o-livro-sidney.html


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020) e Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020) e O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro infantojuvenil se denomina Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021).

Compartilhe:

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Egidio Trambaiolli Neto lança o incrível “O homem que pintava virtudes”, por Cida Simka e Sérgio Simka


O professor e escritor Egidio Trambaiolli Neto, que também é editor da editora Uirapuru, acaba de lançar o fascinante livro: “O homem que pintava virtudes”, uma obra excepcionalmente bela, emocionante do começo ao fim. Escrito num estilo bastante agradável, o livro certamente agradará a todos, pois traz uma linda mensagem: amar é essencial.


Sinopse: Uma tempestade leva um grupo de crianças a buscar abrigo em uma casa que dizem ser habitada por um homem estranho, mas, quando entram, descobrem que aquela morada é uma espécie de ateliê com obras de arte fascinantes e que o hospedeiro é, na verdade, um gentil pintor, que diz ser capaz de enxergar as virtudes humanas retratadas em obras de artes magníficas. Não bastasse isso, o homem passa a revelar as maiores virtudes de cada criança, a partir das histórias que estão relacionadas com as experiências de vida de cada uma delas.

Mais do que uma história, este livro traz provocações e reflexões que nos sacodem o interior, forçam nossas mentes a buscarem o que há de melhor em nosso âmago. Sem dúvida, este livro, recheado de histórias virtuosas, deve ser lido várias e várias vezes, pois cada leitura nos revelará novas descobertas e nos fará mais sensíveis e humanos, ingredientes fundamentais para os momentos tão tensos pelos quais a humanidade vem passando. Este livro é fundamental, tudo porque: amar é essencial. 

Editora: Uirapuru

Autor: Egidio Trambaiolli Neto

ISBN: 978-65-86646-09-2 

Números de página: 136

Número de edição: 1

Ano de edição: 2020

Idioma: Português

Altura: 24 cm

Largura: 17 cm

Acabamento: Brochura

Link para o livro:

https://www.lojaeditorauirapuru.com.br/produtos/o-homem-que-pintava-virtudes


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020) e Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020) e O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro infantojuvenil se denomina Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021).

Compartilhe:

sexta-feira, 7 de maio de 2021

ENTREVISTA: Flávio Gonçalves, sua dissertação de mestrado e o financiamento coletivo, por Cida Simka e Sérgio Simka


Fale-nos sobre você.

Olá! Meu nome é Flávio, tenho 33 anos e nasci em Campos do Jordão (SP), município onde residi durante os primeiros 28 anos de minha vida. Lá, terminei o ensino básico — orgulhosamente em escolas públicas — e minha graduação em licenciatura em Física pela Universidade de Taubaté, concluída em 2010 e em meus primeiros anos de carreira como professor de física e de tecnologias digitais para os ensinos fundamental e médio em escolas da região da Serra da Mantiqueira e do Vale do Paraíba. Já são onze anos ininterruptos como docente na educação básica! Atualmente resido em Santo André, cidade da região metropolitana da capital paulista. Além da formação em Física, sou mestre em ciências pelo Programa de Pós-Graduação em Projetos Educacionais de Ciências da Escola de Engenharia de Lorena — EEL USP e produzo materiais de divulgação científica que procuram discutir o ensino de ciências e a prática científica como um todo. Esses materiais estão reunidos em meu site, o ccult.org, que está no ar desde fevereiro de 2019. 

ENTREVISTA:

Você faz parte de uma associação, da qual você é o único brasileiro a participar. Fale-nos sobre ela.

Meu ingresso na Rede Latinoamericana de Cultura Científica ocorreu em fevereiro de 2021. A RedLCC (redlcc.org), como chamamos, é uma rede de divulgadores e de pesquisadores em ciência e educação da América Latina e do Caribe que reúne pessoas que falam e pesquisam sobre a cultura científica, isto é, os aspectos inerentes à prática científica por cientistas e como a ciência se relaciona com outras áreas do cotidiano, dentro e fora dos ambientes de pesquisa. Minha filiação – e consequentemente, a filiação do ccult.org — ocorreu após um processo interno de análise e de escolha dentro das diretrizes da RedLCC. Além de meu site, há o blog da pesquisadora Germana Barata, da Unicamp, sendo, até o momento, os dois únicos sites em língua portuguesa associados à RedLCC. A lista com todos os associados está disponível no link: https://redlcc.org/about/


Fale-nos sobre a sua dissertação de mestrado defendida na USP.

Costumo dizer que minha dissertação foi resultado de um processo de incômodos. Sempre me chamou a atenção a forma como a ciência — e quando me refiro à ciência, me refiro a todos os aspectos que fazem parte de sua prática: os métodos, o trabalho, as formações, as formas de divulgação dos pensamentos e dos resultados obtidos por cientistas e pesquisadores dento e fora das universidades e de centros de pesquisa — chega a ser ignorada por boa parte da população e, em especial, dentro do ambiente escolar. Em termos educacionais, existem outras prioridades que, em geral, não englobam a discussão justamente sobre como a ciência funciona. Como é possível vivermos numa época em que as nossas relações sociais e grande parte de nossa vida cotidiana depende da ciência e da tecnologia e, ainda assim, sabermos tão pouco sobre ela? Foi pensando nisso que direcionei minhas pesquisas sobre a formação da cultura científica em sala de aula, especificamente, como verificar a visão de ciência que os alunos têm. Sim, mesmo que nunca tenham discutido sobre o tema, as pessoas têm suas próprias visões que são baseadas na vivência, no que ouvem falar a respeito, no que imaginam como as coisas são... E quando não lidamos com isso na escola, a tendência é que essas concepções continuem fazendo parte da vida dos alunos. Então, minha pesquisa buscou justamente verificar, a partir dos conhecimentos prévios que os alunos possuíam sobre o que é a ciência, sua prática e influência na sociedade, quais as visões de ciência que eles possuíam e, a partir dos resultados obtidos, verificar como o uso de materiais de divulgação científica poderiam auxiliar na mudança de concepções sobre a ciência. Foi uma pesquisa aplicada ao longo de três anos, com centenas de alunos de algumas escolas da região do Vale do Paraíba — região onde se desenvolvem satélites espaciais e pesquisas meteorológicas, mas que, em geral, pouco se sabe sobre elas.

Fale-nos sobre o projeto de financiamento coletivo.

Depois de terminar o longo processo que envolve o mestrado, perguntei: e agora? Eu tinha um trabalho, uma pesquisa com mais de 200 páginas e ainda achava que tinha sobre o que falar, sobre o que escrever. Eu queria que mais pessoas tivessem acesso ao que escrevi e que acredito que pode contribuir com o debate sobre o nosso atual momento — que além da pandemia de covid-19, que nos mostrou o quanto a ciência é fundamental para a nossa vida, envolve as mudanças curriculares na educação brasileira com a aplicação da BNCC e o próprio contexto do negacionismo científico que invariavelmente nos deparamos. Surgiu a ideia do livro e, com ela, o obstáculo: como publicar se não tenho os recursos necessários para isso? Daí veio a ideia do financiamento coletivo. As contribuições podem ser feitas pelo Abacashi (https://abacashi.com/p/livro-cultura-cientifica) e que dão direito desde ter o nome nos agradecimentos aos financiadores da obra até o recebimento de um exemplar impresso do livro. A ideia é reunir valores suficientes para cobrir os custos de produção e a compra de exemplares para a doação para escolas, bibliotecas públicas e docentes da educação básica. 

Como analisa a questão da leitura no país?

É difícil não ver com preocupação cenário de leitura no Brasil. Se por um lado faltam incentivos para que novos escritores surjam e sejam divulgados, por outro, ainda vejo uma enorme dificuldade no acesso às leituras, especialmente de livros físicos. A cidade onde nasci demorou anos para ter uma livraria, que quase fechou por conta da crise que assolou o mercado como um todo por conta da pandemia (felizmente, a livraria foi salva devido ao esforço coletivo dos frequentadores do espaço e acabou sendo comprada por um dos empresários da cidade). As bibliotecas públicas, que poderiam ter um papel mais ativo na formação de novos leitores e no acesso aos livros, não são priorizadas. Soma-se a isso a “crise” no acesso à informação: com o grande número de informações disponível na internet e o ambiente multitarefa em que vivemos, fica mais fácil assistir a algo do que ler sobre o tema. Daí surgem as pílulas de informação, textos curtos e muitas vezes sem grande profundidade e que conseguem circular com maior velocidade do que textos com maior articulação. Então, o ato de ler — sejam livros, jornais, artigos de opinião — que deveria ser uma experiência pessoal, desenvolvida com o devido incentivo e tempo, é transformada em algo desnecessário. É preciso um esforço da sociedade para reverter esse quadro. O incentivo à leitura não vem apenas da escola e não existe apenas na família: é além, é algo que deveríamos ter como cultural em nossa sociedade.

O que tem lido ultimamente?

Procuro mesclar leituras sobre ciência, filosofia e tecnologia com a literatura clássica. Minhas duas últimas leituras foram: “Cartas a um jovem poeta”, de Rainer Maria Rilke e “O Zero e o Infinito”, de Arthur Koestler. 

Outra pergunta que não fizemos e que gostaria de responder.

Gostaria, mais uma vez, de agradecer a oportunidade e de indicar duas leituras que considero de grande importância para aqueles que gostam ou se interessam por ciência: “O mundo assombrado pelos demônios”, escrito por Carl Sagan — um dos maiores divulgadores científicos de todos os tempos — e “Os melhores textos de Richard Feynman”, que reúne uma coletânea de palestras proferidas pelo físico dos Estados Unidos e ganhador do Nobel de 1965. Feynman, aliás, aprendeu a língua portuguesa, deu aulas no Brasil e desfilou no Carnaval carioca, entre tantas coisas incríveis que fez ao longo de seus quase 70 anos de vida.

CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020) e Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020) e O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro infantojuvenil se denomina Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021).

Compartilhe:

terça-feira, 4 de maio de 2021

ENTREVISTA: Nelson Albuquerque Jr. e o livro O resto de Raen, por Cida Simka e Sérgio Simka


Fale-nos sobre você.

Nasci em São Caetano do Sul (SP), em 1975. Me formei em Comunicação Social, especialização em Jornalismo, pela Universidade São Judas Tadeu, e fiz pós-graduação em Língua e Literatura, na Universidade Metodista de São Paulo. Passei a maior parte da carreira em redações de jornal e em agências de publicidade. Fui editor do caderno Cultura&Lazer, do Diário do Grande ABC, entre os anos de 2009 e 2010. Comecei a me dedicar à escrita literária no início dos anos 2000, tendo publicado contos e crônicas em coletâneas impressas e meios digitais. Faço parte do Conselho Editorial da Revista Raízes, da Fundação Pró-Memória de São Caetano, desde 2011. E sou integrante da Academia Popular de Letras desde 2013.

ENTREVISTA: 

Fale-nos sobre o livro. O que o motivou a escrevê-lo? 

“O resto de Raen” surgiu da necessidade de falar sobre as relações humanas na nossa sociedade. Era um incômodo que acabou sendo transformado em um romance de ficção. A história começa numa cidade que é um paradoxo entre sucesso e fracasso; os prédios são luxuosos, os carros são tecnológicos, mas as ruas são todas lamacentas. Tudo é um pântano. O cenário inicial indica como a sociedade evoluiu em tecnologia, porém regrediu nas relações sociais. As ruas, que são onde as pessoas se encontram e convivem, são todas lamacentas, malcheirosas e incômodas. É a partir desse lugar que conto a história de Ruy Marino, um rapaz que sofreu muitas perdas na vida e acabou por viver recluso, onde mora somente com um jacaré banguela que se refugiou em sua casa. A vida começa a chamar Ruy por meio de várias situações, e ele terá de encarar seus fantasmas e viver sua jornada.  

Fale-nos sobre seus outros trabalhos.

Este é meu primeiro romance. É meu primeiro livro publicado. Antes eu estive em algumas coletâneas, mas principalmente publico meus contos, minicontos e microcontos em meu blog e redes sociais. Faço também um projeto chamado Palavralém, que são minilivros digitais, com pequenas histórias ou crônicas, que compartilho gratuitamente via Whatsapp. É uma forma de fazer circular literatura, de surpreender as pessoas, que, em vez de receberem piadas ou fake news, abrem o arquivo e têm um texto literário para saborear e se distrair.  

Como analisa a questão da leitura no país?

Acredito que a leitura sempre teve dificuldades no país, em todos os tempos. Antes tínhamos poucos canais, apenas o livro, os fanzines, algumas revistas literárias, enfim, publicações que podiam chegar ou não às pessoas. Hoje temos muitos outros canais, o acesso está muito mais democratizado. Mas acho que sofremos com a disputa pelo tempo das pessoas, numa competição contra o excesso de informação, o conteúdo superficial e fugaz das redes sociais e, principalmente, a falta do hábito de leitura. Isso é perigoso, porque acaba gerando uma sociedade pouco crítica, que pensa e reflete muito pouco, ou nada. Porém eu acredito na expansão da leitura, sempre e sempre, mesmo que seja uma fé quixotesca.  

O que tem lido ultimamente?

Meu livro atual é “Adeus, China – o último bailarino de Mao”, de Li Cunxin. Ainda estou bem no início, mas promete ser muito bom. Outro lido mais recentemente foi “Solução de Dois Estados”, de Michel Laub, que é um livro importante para o momento que vivemos. Fala dessa relação de ódio na sociedade, desse embate cego que parece não ter fim nem esperança de conciliação. E estou ansioso para comprar e ler o “Torto Arado”, de Itamar Vieira Jr., um livro premiado e com vendagem astronômica para os tempos atuais – superou mais de 100 mil exemplares vendidos. Li boas referências sobre a obra.  

Uma pergunta que não fizemos e que gostaria de responder.

Bom, estou muito feliz com o lançamento do meu primeiro livro. Lancei neste mês de março e tenho recebido retornos maravilhosos das pessoas que já leram. Fico bem feliz com os comentários. “O resto de Raen” tem um pouco de mim em cada personagem, tem muito de mim em toda a obra, afinal foi escrito com muita alma. Minha intenção com o livro é apenas oferecer uns momentos de imaginação, inspiração, diversão e reflexão para quem lê. Acredito muito que a literatura tenha a capacidade de encantar as pessoas. Se a história fizer sentido para uma única pessoa, o livro terá cumprido sua missão.


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020) e Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020) e O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.


SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro infantojuvenil se denomina Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). 

Compartilhe:

quarta-feira, 28 de abril de 2021

RESENHA: “Mensageira de sonhos”, de Waldir Pedro, por Cida Simka e Sérgio Simka


O livro “Mensageira de sonhos”, de Waldir Pedro, com prefácio de Alan Kardec Pereira, e posfácio de Jane Patricia Haddad, não conta só a história da Wak Editora (lê-se: W.A.K.), da qual o autor é um dos fundadores e o editor. Conta a história de uma vida, alicerçada por um sonho. E esse sonho particular, que Waldir Pedro soube como materializar em realidade, à custa de muito sacrifício, dedicação e persistência, transformou em sonho coletivo, no qual todos que têm a oportunidade de nele entrar, veem seu sonho particular também realizado, porque o caminho fora primeiramente aberto por quem alimentou no coração a esperança de mudança interior com visão de humanidade.

Waldir Pedro conta sua história em capítulos curtos, com “ganchos” para os próximos acontecimentos, como um bom contador de histórias que é. Ao final de cada capítulo, há um texto escrito por amigos, autores, funcionários da editora, parceiros, leitores, que acompanharam ou conhecem a trajetória, que culminou na criação da Wak Editora, sediada em Copacabana, no Rio de Janeiro.

Hoje, passados mais de 20 anos, a Wak Editora possui um respeitável catálogo com mais de 700 títulos voltados à Educação, com centenas de autores nacionais e internacionais, com independência editorial e sem recorrer a verbas governamentais.

A fascinante história de Waldir Pedro, narrada nessa preciosa obra, mostra que a leitura, o livro e a educação podem realmente mudar uma vida. E como ninguém, Waldir Pedro tem a bonita missão, com a Wak Editora, de mudar centenas de outras vidas.

Link para o livro:

https://wakeditora.com.br/produto/mensageira-de-sonhos-a-historia-de-uma-editora 

Link para a editora: https://wakeditora.com.br


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020) e Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020) e O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro infantojuvenil se denomina Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021).


Compartilhe:

sexta-feira, 23 de abril de 2021

ENTREVISTA: Lindamir Salete Casagrande e a série Meninas, Moças e Mulheres que Inspiram, por Cida Simka e Sérgio Simka


Fale-nos sobre você.

Sou Lindamir Salete Casagrande, licenciada em Ciências com habilitação em Matemática, mestra e doutora em Tecnologia e professora de matemática aposentada da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Atualmente sou professora voluntária atuando no Programa de Pós-Graduação em Tecnologia e Sociedade (PPGTE) da UTFPR. 

Sou a filha caçula de uma família de oito irmãos, que tirava seu sustento das atividades na roça (como era boa aquela época). Iniciei minha escolarização em uma escola multisseriada no interior do Paraná e, quando estava na 6ª série, minha mãe disse que eu não estudaria mais, pois, já sabia o suficiente para uma mulher (esse era um pensamento frequente na época). Mas eu amava estudar e via na continuidade dos estudos a única forma de mudar meu futuro. Fugi de casa para ir até a escola e fazer a matrícula e assim consegui dar continuidade a minha trajetória escolar e não parei até hoje.

Sempre gostei de matemática e consegui realizar meu sonho de ser professora de matemática. Confesso que não gostava de escrever, até acreditava que não sabia escrever. Também não era muita adepta da leitura e entendo que isso era reflexo do pouco estímulo à leitura que me foi oferecido tanto na infância quanto no ensino fundamental e médio. 

Com o tempo, desenvolvi o prazer da leitura e o hábito e desejo de escrever. Durante o mestrado me aproximei do estudo de história de mulheres e comecei a escrever sobre. Inicialmente como artigos científicos, publicados em revistas da área. Com a aposentadoria surgiu um questionamento sobre o que fazer agora? Não tinha mais aulas para dar nem o contato com meus estudantes. Bateu um vazio, uma insegurança, um medo. 

Então resolvi me dedicar ainda mais a pesquisar sobre as trajetórias de mulheres que marcaram a humanidade por suas ações, descobertas, invenções, pioneirismo, força e luta. Comecei a escrever essas histórias em uma linguagem acessível às crianças e adolescentes e que têm agradado também aos adultos. Assim estou me descobrindo uma escritora ou como gosto de nominar, contadora de histórias.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre a coleção. O que a motivou a escrevê-la?

Ao longo da história, muitas mulheres foram invisibilizadas, silenciadas, ocultadas, tiveram suas produções, invenções e criações usurpadas por homens com os quais conviviam. Mesmo as que conseguiram assinar seus feitos tiveram pouco registro e divulgação resultando na falta de conhecimento e reconhecimento de suas trajetórias e contribuições.

A série Meninas Moças e Mulheres que Inspiram foi pensada para resgatar e levar as histórias de mulheres para o público infantojuvenil para torná-las cada vez mais conhecidas e sirvam de inspiração para as crianças, de modo especial às meninas. A ideia é intercalar a história de uma mulher estrangeira com outra brasileira para dar visibilidade às nossas conterrâneas que muito contribuíram para o desenvolvimento de nosso país e do mundo. Outra condição é que todos os livros sejam ilustrados por mulheres de diversas idades, origens etnicorraciais, localizações geográficas e perfis criativos. Este objetivo está sendo alcançado quando observamos as características das quatro ilustradoras que me ajudaram a constar as histórias já publicadas. Esta diversidade oferece traço único para cada livro ao considerar que as ilustradoras contam a história por meio dos desenhos, da imagem imprimindo nelas sua forma de ler o texto e oferecendo aos leitores e leitoras uma outra forma de ler os livros. Assegurar que as ilustrações sejam feitas por mulheres é uma forma de dar visibilidade e espaço para as artistas brasileiras, garantindo e construindo um espaço para divulgar seus trabalhos, sua arte, sua criatividade. 

As mulheres selecionadas para terem suas vidas contadas nos livros da série são de diversas origens, formações e época histórica em que viveram. Optei por contar as histórias desde a infância até a morte (quando já ocorreu) para evidenciar que aquela mulher um dia foi criança, gostou de coisas comuns, frequentou escola, enfim, é foi/é pessoa como outra qualquer, mas que decidiu que suas ações seriam destinadas a mudar o mundo. Nos livros destaco os fatos mais marcantes nas vidas delas e tenho ciência que muitas coisas ficaram de fora.

Iniciamos a série com o livro Marie Curie: uma história de amor à ciência que foi lindamente ilustrado por Vanessa Martinelli. Marie Curie foi a maior cientista que o mundo conheceu. Enfrentou muitos obstáculos e preconceitos por ser mulher e, mesmo assim, conseguiu se inserir e se manter no meio científico. É a única pessoa a receber dois prêmios Nobel em duas áreas científicas diferentes. É dona de uma história que merece ser contada, lida e divulgada.

Para o segundo livro era a hora de escolher uma mulher brasileira e optei por contar a história de Zilda Arns, médica pediatra e sanitarista que nasceu em Forquilhinha – SC, porém viveu desde os 10 anos em Curitiba. Sob o título Zilda Arns: a tipsi que amava as crianças, o livro foi lançado no dia das mulheres (08 de março) do ano de 2020 com a delicada e rica ilustração de Lucy Ana Soares Camelo Casagrande que fez sua estreia como ilustradora neste livro. Zilda foi uma mulher forte que aliou a fé religiosa ao conhecimento científico. Ao criar a Pastoral da Criança salvou milhões de vidas mundo afora. Esta instituição, embora vinculada à Igreja Católica, acolhe as famílias sem perguntar qual sua crença religiosa, tem por objetivo salvar vidas. Zilda levou o nome do Brasil mundo afora e espalhou amor por onde andou. Morreu fazendo o que mais amava, disseminando amor, conhecimento e fé.

Em setembro de 2020 foi a vez de lançar o terceiro livro da série no qual resgato a história de Hipátia de Alexandria, a primeira mulher a ser reconhecida  mundialmente como matemática. Por ter vivido nos séculos IV e V d.C. as informações sobre Hipátia são muito raras a ponto de alguns historiadores questionarem a sua existência. Entretanto, considerando que a história das mulheres é ocultada, negada, invisibilizada, é impensável que tenha sido criada uma mulher fictícia com tanta capacidade e conhecimento. Este fato levou ao título do livro que é Hipátia de Alexandria: a matemática, astrônoma e filósofa lendária e que recebeu uma ilustração delicada e impactante de Andrea Martau. Hipátia foi uma mulher que colocou seu amor ao conhecimento no centro de sua vida e acabou sendo cruelmente assassinada por essa causa. 

Dando sequência à série, era a vez de selecionar mais uma brasileira para compor o grupo de mulheres cujas histórias seriam contadas para o público infantojuvenil. A escolhida da vez foi Enedina Marques. Mas quem foi Enedina? Mulher negra, oriunda de família pobre que nasceu no início do século XX em Curitiba, capital do Paraná e viu nos estudos a forma de mudar sua vida. Enedina sonhou ser engenheira e se tornou a primeira mulher negra a concluir este curso no Brasil. Foi ainda a primeira mulher a se tornar engenheira na região sul e a sexta do Brasil. Cursou engenharia na Universidade Federal do Paraná numa época em que este espaço não era pensado e visto como adequado às mulheres, menos ainda a mulheres pretas. Mas Enedina sonhou, ousou, lutou, enfrentou muito preconceito e conseguiu se tornar uma engenheira respeitada e reconhecida por sua capacidade, conhecimento e representatividade. Entretanto, sua história é pouco conhecida pela sociedade em geral e merece chegar até as crianças, pois é uma inegável fonte de inspiração, de modo especial, às crianças negras.

O livro recebeu o título Enedina Marques: mulher negra pioneira na engenharia brasileira, foi lindamente ilustrado por Lhaiza Morena e foi lançado no dia 06 de março de 2021, no evento em comemoração ao dia das mulheres da editora Inverso ocorrido de forma on-line.

Alguns fatos interessantes estão ocorrendo com relação à série. O primeiro é que embora os livros tenham como público-alvo crianças e adolescentes, os adultos estão amando as histórias. Aparentemente seriam livros mais atraentes às meninas, porém tenho recebido retornos maravilhosos do quanto os meninos estão gostando de conhecer essas mulheres fantásticas. Seguidamente recebo indicações de outras mulheres que as pessoas gostariam de ver suas histórias contadas para o público infantojuvenil dentro da série. Algumas artistas se apresentam como possíveis ilustradoras para os próximos livros. Enfim, há uma movimentação em torno da série e expectativa sobre a próxima história a ganhar uma versão escrita por mim e ilustrada por uma mulher brasileira.

No livro Ervilhas tortas, que não pertence a esta série, revisito minha memória e relato alguns episódios de minha infância na roça. Os textos que são escritos com humor simplicidade mostram uma realidade desconhecida da maioria das pessoas e, talvez, inimaginável para as crianças da atualidade.

Como analisa a questão da leitura no país?

A leitura é fundamental para desenvolver a criatividade e a imaginação das crianças. Proporciona que se viaje para universos imaginários, lúdicos, fantásticos. Por isso é importante que se estimule cada vez mais e mais cedo que as crianças desenvolvam o hábito da leitura. Eu sou uma mulher que, quando criança, não desenvolveu o hábito da leitura fazendo isso depois de adulta. Sendo assim, falo por experiência própria da importância de que haja o estímulo à leitura desde a mais tenra idade. Entretanto, acredito que, devido a fatores culturais, as condições financeiras e sociais, a realidade familiar, dentre outros fatores, isso ocorre pouco. A população brasileira precisa ler mais. Acredito que é importante criar projetos que estimulem a leitura da população em geral e, de modo especial, das crianças e adolescentes. A leitura oportuniza a possibilidade de sonhar e sonhar é o primeiro passo para realizar.

O que tem lido ultimamente?

Devido a minha atuação no meio acadêmico como professora de mestrado e doutorado tenho que realizar muitas leituras de temas acadêmicos, de modo especial, livros e artigos com a temática de gênero, área na qual desenvolvo minhas pesquisas. Gosto muito destas leituras e elas me ajudam a ver o mundo com um olhar mais humano e democrático. Motivada pela série que estou produzindo, e pelo amor que tenho pela história das mulheres busco por livros que apresentam histórias de mulheres nas mais diversas áreas profissionais, com variadas formas de escrita e organização. Essa leitura é importante para buscar inspiração e conhecer mais mulheres inspiradoras, porém cria um problema, pois só vai aumentando cada vez mais a lista de histórias que quero contar e sei que não dou conta. A lista só cresce. 

Para descontração e lazer, tenho lido biografias de mulheres e literatura africana. Busco fugir da produção estadunidense e europeia me permitindo conhecer autoras e autores de países periféricos por acreditar que temos muito a aprender com a literatura produzida nestes países. 

E para não dizer que não falei dos clássicos, acabo de ler O pequeno príncipe. Essa era uma dívida que eu tinha e agora está paga. Tem outros na fila de espera.

Uma pergunta que não fizemos e que gostaria de responder.

Tenho o sonho de levar os livros da série para as escolas do ensino fundamental. Tenho o projeto de desenvolver ações junto às escolas e às professoras e professores para fazer a leitura comentada, bem como, atividades baseadas nas histórias contadas nestes livros, porém, devido à pandemia não foi possível colocá-lo em prática. Espero que consigamos sair desse caos que nos encontramos para aplicar o projeto e ver as reações das crianças ao conhecer essas histórias. A pesquisadora que me tornei não me abandona. Estou sempre alerta, analisando, estudando, pesquisando.

Site da editora: https://www.editorainverso.com.br

CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020) e Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020) e O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro infantojuvenil se denomina Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021).

Compartilhe:

Baixe a Revista (Clique Sobre a Capa)

baixar

E-mail: ademirpascale@gmail.com

>> Para Divulgação Literária: Clique aqui

Curta Nossa Fanpage

Siga Conexão Literatura Nas Redes Sociais:

Posts mais acessados da semana

ANTOLOGIAS LITERÁRIAS

LIVRO: O CLUBE DE LEITURA DE EDGAR ALLAN POE

LIVRO DESTAQUE

CEDRIK - ROBERTO FIORI

SROMERO PUBLISHER

Leitores que passaram por aqui

Labels