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sexta-feira, 21 de agosto de 2020

A socióloga Ana Cristina Braga Martes lança seu primeiro romance pela Confraria do Vento

Ana Cristina Braga Martes - foto: Carol Carquejeiro
Mesclando ficção e realidade, a estreia literária de Ana Cristina é parcialmente inspirada na vida e na obra da escritora mineira Maura Lopes Cançado para construir sua própria narrativa ficcional

A editora Confraria do Vento lança A origem da água, primeiro romance da socióloga Ana Cristina Braga Martes. O livro é uma "biografia inventada" sobre Maura Lopes Cançado, abordando questões como loucura e sanidade, maternidade, trabalho, família, relações amorosas, saúde mental e institucionalização, além da busca pela liberdade da mulher num Brasil patriarcal com legado escravocrata.

O livro conta a história da protagonista Laura, que se interna voluntariamente num hospital psiquiátrico do Rio de Janeiro, aos 25 anos. Com densidade psicológica e uma narrativa imersiva, a autora discorre sobre as percepções da protagonista nesse ambiente desde sua chegada: a falta de cores nas paredes e nas roupas, os silêncios, a maneira como é tratada pelos funcionários. "Passando o guichê e um longo corredor, no primeiro esbarrão já se percebe: tratar uma pessoa como louca é fechar a boca à sua frente, exercer muda contenção à sua volta".

De forma poética, concisa e densa, A origem da água, escrito em primeira pessoa, conduz o leitor para o universo da loucura a partir do olhar e do mundo íntimo da protagonista. Nascida numa fazenda no interior rural do Brasil, desde a infância Laura começa a conhecer, desvelar e estranhar essa realidade, em que os homens ditavam as regras, e os papéis sociais, especialmente os de trabalho e gênero, eram fixos e intransponíveis. 


"Obra ousada no tema, de linguagem refinada e atmosfera ficcional primorosa, o primeiro romance de Ana Cristina Braga Martes apresenta uma autora que tem muito a dizer".
Heloisa Jahn 

Com uma estrutura circular em que intercala passado e futuro, Ana Cristina escreve como se tateasse os limites entre a loucura e a lucidez, focalizando na trajetória de Laura sua paixão pelo pai e pelo sogro, a expulsão do colégio interno, a aviação como um modo de explorar fronteiras geográficas e simbólicas, o casamento e a maternidade ainda adolescente, além da internação e da busca pela autonomia e reconhecimento na capital do país. A jornada de Lauratão ousada quanto arriscada para a época- é retratada com delicadeza e profundidade numa linguagem aparentemente contida.

Laura ousou participar de um mundo dominado por homens, onde as mulheres não eram bem-vindas, e dificilmente obtinham reconhecimento no âmbito profissional, mesmo nos meios mais letrados e intelectualizados por onde circulava, quando colaborou para um grande jornal após receber um prêmio literário.

"Como uma represa que contém uma cachoeira, assim é a escrita de Ana Cristina Braga Martes, em que a elegância e a discrição não devem enganar o leitor: trata-se de contenção. O que essa frase oculta - e seu silêncio é eloquente - é de uma densidade não só reflexiva, mas também, muitas vezes, agressiva. Em "A origem da água", a personagem Laura, livremente baseada na escritora Maura Lopes Cançado, expõe os desvãos da loucura, denunciando, ao mesmo tempo, os desvãos dos tratamentos e das condutas dos supostamente "sãos". Os limites da linguagem de Martes não bloqueiam, mas, ao contrário, nos fazem imaginar outros territórios.".

Noemi Jaffe

Na história de Laura há também a descoberta da sexualidade, a busca pela palavra, os limites impostos dentro do hospital psiquiátrico, e uma observação primorosa sobre as outras mulheres internadas e as funcionárias, numa espécie de fluxo incontido que transita entre o distanciamento e a contemplação, a ousadia e a redenção. Amigas imaginárias, colegas de hospício, e a denúncia lúcida dos tratamentos abusivos e arbitrários dentro daquele espaço também fazem parte da construção narrativa.

A loucura de Laura se intensifica e a autora descreve sua vida interior com maestria e sutileza, atenuando os limites entre ficção e realidade, verdade e ilusão, devaneio, delírio e sonho, sem perder o fio condutor da narrativa e oferecendo ao leitor diversas possibilidades e visões de uma mesma personagem.

"Meu intuito é retratar a loucura indo além do lado depressivo e mórbido dos transtornos mentais, para mostrar um outro lado, o da criatividade, da pulsão de vida, ousadia e liberdade", conta Ana Cristina. "Quero fazer com que as pessoas se sensibilizem e se interessem por este outro lado".

Ana Cristina Braga Martes é socióloga, pesquisadora e ex-professora da Fundação Getulio Vargas de São Paulo. Nascida em Varginha (MG), mudou-se para São Carlos (SP) ainda na infância. Estudou Ciências Sociais na UNESP-Araraquara e fez mestrado e doutorado na Universidade de São Paulo, tendo feito parte do seu doutorado no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Viveu em Boston por dois anos, pesquisando a imigração brasileira naquela região. Foi Pesquisadora Visitante na Universidade de Boston e fez pós-doutorado na Universidade de Londres (King´s College of London). Publicou e organizou diversos artigos e livros acadêmicos, entre eles Brasileiros nos Estados Unidos – um estudo sobre imigrantes em Massachusetts, pela editora Paz e Terra, em 2000; e New Immigrants, New Land – A study of Brazilians in Massachusetts, pela University Press of Florida, em 2011. Como organizadora publicou Redes e Sociologia Econômica, pela UFSCAR, em 2009 e Fronteiras Cruzadas – etnicidade, gênero e redes sociais, pela editora Paz e Terra, em 2003. Tem mais de 30 artigos publicados em periódicos na Argentina, Brasil, Estados Unidos e França. A origem da água é seu primeiro livro de ficção.

Mais informações sobre Maura Lopes Cançado em: https://bit.ly/2E9Am9U.

Confraria do Vento
A Confraria do Vento seria só uma editora, se não fosse antes uma tarefa: reunir escritores contemporâneos de diversas vertentes em uma mesma casa. A editora, localizada no Centro do Rio de Janeiro, tem apoiado inúmeras iniciativas e eventos culturais, que vão de saraus, simpósios e festivais de literatura pelo Brasil, além da promoção de intercâmbios e diálogos com grupos e escritores de todo o mundo. Já publicou livros de autores como Boaventura Sousa Santos, Carlos Felipe Moisés, Chico César e Hegel, entre outros. Entre os prêmios recebidos, estão Prêmio Brasília de Literatura e o Prêmio de Melhor Livro de Poesia do Ano da Biblioteca Nacional para o livro Aquário desenterrado, de Samarone Lima; Portugal Telecom na categoria contos para o livro Entre moscas, de Everardo Norões; e Prêmio Jabuti na categoria poesia para Corpo de festim, de Alexandre Guarnieri. Em 2018, Spoilers, de Diego Grando, recebeu o Prêmio Açorianos de Literatura. Mais informações em www.confrariadovento.com.
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