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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Dom Quixote das crianças

 


Dom Quixote é uma das obras mais importantes da literatura universal. Mas é também um livro de linguagem empolada, repleto de frases com orações subordinadas e expressões em desuso. Para apresentar esse clássico às novas gerações, Monteiro Lobato escreveu sua própria versão condensada do clássico.

Dom Quixote das crianças mostra que Lobato não era só alguém com prosa agradável e fluída, mas era também um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos – capaz de condensar uma obra densa e complexa sem perder sua essência ou mesmo suas reflexões.

Para quem não conhece, Dom Quixote é um velho espanhol que, de tanto ler romances de cavalaria, enlouqueceu, achando que era um cavaleiro andante, convenceu um vizinho, Sancho Pança a ser seu escudeiro, e saiu pelo mundo em busca de aventuras, que quase sempre terminam em memoráveis surras.

Lobato inicia a narrativa no sítio do pica-pau amarelo. Emília fica curiosa para ver dois volumes pesados no alto da estante e, ao tentar alcançá-los com o uso de uma alavanca, derruba os livrões em cima de Visconde, que fica achatado. Essa é a dica para que Dona Benta leia o imenso livro ilustrado por Gustave Doré. Mas logo percebe que as crianças não pescam nada da narrativa antiquada e resolve recontar as aventuras do cavaleiro andante com suas próprias palavras. A forma narrativa permite que Lobato, através da voz de Dona Benta, faça comentários sobre a obra e até explique alguns termos usados no romance.

Segundo Lobato, “Cervantes escreveu esse livro para fazer troça da cavalaria andante, querendo demonstrar que tais cavaleiros não passavam de uns loucos. Mas como Cervantes fosse um homem de gênio, sua obra saiu um maravilhoso estudo da natureza humana, ficando por isso imortal”. Por outro lado, o protagonista, Dom Quixote, “não é somente o tipo do maníaco, do louco. É o tipo do sonhador, do homem que vê as coisas erradas, ou as que não existem. É também o tipo do homem generoso, leal, honesto, que quer o bem da humanidade, que vinga os fracos e inocentes, e acaba sempre levando na cabeça, porque a humanidade, que é ruim inteirada, não compreende certas generosidades”.   

Lobato consegue, mesmo em poucas páginas na comparação com o romance original, preservar sua complexidade. Dom Quixote é uma mistura de humor e drama e é impossível não se compadecer do pobre protagonista, constantemente enganado por muitos, em sua ingenuidade e loucura e mesmo cenas que parecem cômicas guardam uma alta dramaticidade. É um riso entre lágrimas.

Em tempo: essa minha edição é de 1967 e trazia um atrativo a mais: as belíssimas ilustrações de André Le Blanc, que ilustrou vários livros de Lobato antes de se mudar para os EUA e trabalhar como assistente do quadrinista Will Eisner.

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sábado, 21 de abril de 2018

Dom Quixote ganha versão bilíngue feita a seis mãos

A escritora brasileira Telma Guimarães, a argentina Andrea Viviana Taubman e o ilustrador espanhol Rafael Antón mergulham no mundo de Miguel de Cervantes para fazer uma adaptação do clássico Dom Quixote, em português e espanhol

Um dos maiores clássicos da Literatura Moderna, o romance Dom Quixote, de Miguel de Cervantes Saavedra, ganha nova adaptação, em lançamento da Editora do Brasil. Considerado uma obra de leitura primordial, o livro ressurge agora renovado, mais contemporâneo, em português e espanhol, e ganha um glossário especial para facilitar a leitura.

A obra relata as aventuras reais ou imaginárias, do fidalgo de nome Alonso Quijano, que resolve tornar-se cavaleiro andante, cria personagens, vilões e donzelas ao longo da história e envolve-se em muitas confusões e conquistas com a ajuda de seu fiel escudeiro Sancho Pança.

O clássico foi adaptado pela escritora e tradutora brasileira Telma Rodrigues que completa trinta anos de carreira e, é reconhecida pela qualidade de seu trabalho em dezenas de livros, adaptações e traduções. Telma embrenha-se em uma batalha de pesquisas e estudos de outras publicações e da história do autor até iniciar o trabalho de adaptação. “No final, Dom Quixote surge como uma paródia bem-humorada das novelas de cavalaria”, diz.

“Dom Quixote é uma obra que critica a sociedade da época. Um clássico da literatura”, afirma Telma. A escritora usou provérbios mais conhecidos, frase mais leves e diálogos diretos para suavizar o texto e apresenta-lo com a intenção de que o leitor chegue ao fim da história e na esperança de que lei o texto original.

A escritora e tradutora argentina Andrea Viviana Talbman é a parceira de Telma na parte em espanhol de Dom Quixote / Don Quijote de La Mancha, cujo livro é completado pelo glossário de verbos, substantivos, adjetivos e expressões em espanhol. “Pedi permissão a Cervantes e avisei a todos que estava partindo para a Espanha do século XVII”, conta Andrea sobre seu trabalho.

O encontro com o universo da obra “foi pulsante” para Andrea, que cresceu mergulhada na cultura hispânica. “Participar desta grande aventura me fez perceber o quanto os provérbios de Sancho Pança e os conselhos de Dom Quixote estavam presentes no meu imaginário”, afirma ela. “Produzir esta adaptação foi delicioso – um retorno à origens, uma grande honra e trafe imensa de responsabilidade”.

O livro também recebe o auxílio do ilustrador espanhol Rafael Antón que enfim realiza seu sonho, acalentado há anos, de ilustrar as aventuras e o famoso romance de Cervantes. “Procurei um estilo expressivo com ênfase nas luzes e no ambiente das paisagens que acompanham as peripécias do famoso fidalgo. Tentei plasmar não só os acontecimentos, mas as sensações que vivi nas minha várias leituras do clássico”, diz.

Sobre as autoras:

Telma Guimarães é escritora e tradutora. Nasceu em Marília (SP), mas foi em Campinas (SP) que escreveu seu primeiro livro, ainda como professora de inglês. Formada em Letras, morou nos Estados Unidos. É autora de mais de duzentos livros infantis e juvenis em Português e Inglês. Pela Editora do Brasil publicou quarenta e nove títulos, entre infantis, juvenis, bilíngues e em inglês.

Andrea Viviana Taubman nasceu em 1965, em Buenos Aires, capital da Argentina. Chegou ao Brasil em 1973. Morou em São Paulo, Rio de Janeiro e Teresópolis (RJ), onde começou a escrever para crianças e jovens. É escritora e tradutora e atualmente é vice-presidente da Associação dos Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ).

Sobre o ilustrador:

Rafael Antón é ilustrador autodidata, nascido em Vigo, Espanha. Também morou em Madri, Espanha, e em Munique, na Alemanha. Atualmente mora em São Paulo e além de ilustrar e escrever livros infantis, trabalhado para produtoras de cinema e animação, outra de suas paixões. Escreveu e ilustrou o livro A Incrível História do Homem que não Sonhava, publicado pela SESI-SP Editora.




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