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sábado, 16 de fevereiro de 2019

Lançamento: Orides Fontela: toda palavra é crueldade


Depoimentos, Entrevistas e Resenhas
organizado por Nathan Matos

SOBRE O LIVRO

Orides Fontela é uma poeta muita conhecida? Talvez seja muito fácil responder a essa pergunta se lembrarmos que a autora recebeu um prefácio e uma orelha de ninguém menos que Antonio Candido. Além disso, foi lida e avaliada por diversos críticos de literatura como Davi Arrigucci, Alcides Villaça, Augusto Massi, Flora Sussekind, Haquira Osakabe, Elizabeth Hazin etc. Entre seus pares recebeu leituras de gerações diferentes, de 1970 para cá, como Cacaso, Ivan Junqueira, Age de Carvalho, Rodrigo Garcia Lopes, Donizete Galvão, Heitor Ferraz. E não ficaram de fora diversos jornalistas que também resenharam seus livros no calor da hora, e na maioria das vezes sempre com críticas favoráveis. Em sua maior parte os textos saíram em jornais diários, revistas semanais e acadêmicas. Num intervalo de tempo relativamente curto teve a reunião de sua obra por três editoras diferentes. Afora isso, no âmbito da academia estudos vêm sendo feitos. De fato, Orides Fontela foi reconhecida em vida e depois de vinte anos de sua morte continua sendo lembrada. Em 2015 saiu uma biografia contando a trajetória dessa importante poeta contemporânea, e que, infelizmente, morreu numa situação de pobreza. Em se tratando de poesia e de uma poeta com um histórico de convivência complicada, a recepção não poderia ter sido melhor, como de fato foi e merecidamente. Afinal, a sua poesia de extrema contenção de palavras, de um lirismo seco; sem vincular a nenhuma moda, inclusive ao feminismo. Aliás, o único poeta mais citado nas entrevistas não por acaso é Carlos Drummond, que Orides Fontela diz que no poeta mineiro está a gênese de sua poesia.
Os depoimentos, entrevistas e resenhas aqui reunidos ilustram a dimensão da potência que a palavra tinha para Orides Fontela. Contudo é de dar pena ler certas passagens em que a poeta revela, por várias vezes, sua condição social. Por outro lado, seu humor corrosivo e direto nas respostas, inclusive sobre poesia e certos poetas, não perdoando nem a si mesma, dá o que pensar sobre como cada poeta assume publicamente seus limites críticos. Nota-se, por exemplo, que seus textos/resenhas demonstram não só uma lâmina afiadíssima, mas uma autora independente e que elogia e critica quando é necessário, sem meias palavras.
Com este conjunto de textos vindos em boa hora, os interessados não apenas na obra da poeta, mas leitores de poesia e sobretudo poetas certamente tirarão ótimo proveito avaliativo de cada parte. Que no futuro a editora Moinhos possa reunir também os melhores textos escritos sobre Orides Fontela.

SOBRE ORIDES FONTELA

Orides Fontela nasceu em 1940, em São João da Boa Vista, interior de São Paulo. Cursou filosofia na USP e acabou publicando cinco livros em vida: Transposição, Helianto, Alba, Rosácea e Teia. Teve seus quatro primeiros livros reunidos em Trevo, e por duas vezes toda a sua poesia foi publicada em um único volume, primeiro pela extinta Cosac Naify, e, em 2015, pela Hedra. Orides Fontela foi uma das maiores poetas que o Brasil já teve.

SOBRE A EDITORA

A Editora Moinhos é uma casa editorial independente que surgiu em 2016, com o objetivo de publicar livros nos mais diversos gêneros. A Moinhos pretende realizar o resgate de grandes clássicos da literatura brasileira e estrangeiras, buscando viabilizar obras ainda inéditas no país. Para cada autor que nos procurar, seremos como um moinho, uma fonte de energia que impulsionará o seu trabalho, dando atenção individualizada ao texto e ao projeto gráfico do livro, a fim de entregar ao público uma obra de qualidade tanto impressa como digital.

SERVIÇO
Livro Orides Fontela: toda palavra é crueldade
ISBN: 978-85-45557-65-4
Valor: R$ 40,00
Formato: 14x21
Número de Páginas: 156 páginas
Editora: Moinhos

LANÇAMENTO
Dia 23 de fevereiro, sábado
Livraria Quixote, em Belo Horizonte
Rua Fernandes Tourinho, 274, Savassi
A partir das 11h

MAIS INFORMAÇÕES
Através do e-mail editoramoinhos@gmail.com
(031) 3463-8830 – Camila Araujo | Nathan Matos (Editores)
http://www.editoramoinhos.com.br/
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sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Nathan Matos e a Editora Moinhos, por Sérgio Simka e Cida Simka

Nathan Matos - foto divulgação
Fale-nos sobre você.

Sou formado em Letras, e tenho mestrado em Literatura Comparada pela UFC. Sou doutorando em Literaturas Moderna e Contemporânea pela UFMG.
Ajudei a fundar a Substânsia, editora cearense, e há quase 3 anos criei a Moinhos com minha sócia (e também esposa) Camila Araujo.

ENTREVISTA:

Você é coeditor na Editora Moinhos. Fale-nos sobre ela. Como é o seu trabalho? Recebe quantos originais por mês? Quantos são publicados? Quem quiser publicar por sua editora quais os procedimentos a serem adotados?


Eu e a Camila Araujo somos os editores da Moinhos. A editora nasceu com a vontade de resgatar obras esquecidas por aqui no país, assim como publicar novas traduções. Nosso objetivo é ter um catálogo voltado para a literatura sul‐americana ao longo dos próximos anos, assim como literaturas nórdicas, entre outras. Nosso catálogo é composto, atualmente, em grande parte por livros de poesia e de contos. Mas já publicamos romances, livros acadêmicos e dramaturgia. Nós trabalhamos via chamada de originais, então quem quiser publicar conosco tem que ficar atento a nossa chamada de originais, que acontece uma vez por ano, e tem sido assim que selecionamos boa parte dos nossos livros. Em quase 3 anos de existência, já publicamos quase 70 livros. 

Como é ser editor em um país como o Brasil?

É difícil responder essa pergunta, porque existem algumas variáveis em jogo. Ser uma pequena empresa no Brasil, seja qual negócio for, é complicado. Os impostos, a dificuldade na logística, o preço do livro e outras coisas mais são o que acabam trazendo aspectos negativos para se ter uma editora, mesmo que pequena em nosso país. Mas, ao mesmo tempo, é uma boa área para se trabalhar, uma vez que se goste de ler, revisar, lidar com pessoas, pois cada autor ou autora é diferente e daí é possível também fazer amizades duradouras. Os pequenos editores hoje é quem têm se dado às aventuras de publicar as coisas mais estranhas, diferentes e interessantes nos últimos anos, além de terem criado inúmeras feiras de livros, ajudando-se mutuamente e o próprio mercado. Muitas vezes, fazem mais até do que algumas associações que existem em prol do livro.

Como analisa a questão dos e-books?

Demorei para ver os e-books como aliados. Quando ajudei a fundar uma outra editora, a Substânsia, em Fortaleza, há quase 5 anos, eu era meio contra. Achava que era um gasto que não daria retorno. Contudo, a Moinhos nasceu com o objetivo de ter todo o seu catálogo tanto na versão impressão quanto na versão digital. Os e‐books ainda não se pagam, vendem pouco, mas vendem, e acabam levando nossos livros para outros lugares do mundo, o que é muito. O livro digital dá essa possibilidade. Além disso, conseguimos vender os e‐books de maneira mais barata do que muitas editoras fazem. Não conseguimos ver sentido se o livro digital é apenas 10% mais barato que o impresso. No nosso caso, buscamos trabalhar com descontos de 40 ou 50% nos nossos livros digitais. Eles ainda não são a preferência, mas ajudam e muito na divulgação do trabalho dos nossos autores e autoras.

Quais são suas leituras preferidas?

Talvez a poesia. Todos os dias leio poemas, nos livros que tenho nas estantes, pela internet, peço sugestões a amigos, o que seja.
Mas gosto muito de contos também, dois gêneros que não são tão bem vistos, ainda, pelos brasileiros.

Que conselho pode dar a um escritor principiante?

O primeiro conselho é o de ler, sempre. É impossível não ler para se escrever. Depois disso, sempre estar aberto a críticas. Hoje, os escritores acham que já nascem sabendo de tudo e que não precisam de críticas. Acho que é preciso ter humildade, saber ouvir e ler e ler e ler e estar sempre escrevendo. Escrever é prática.

Quais os próximos projetos da Editora?

Nosso objetivo é ser uma casa editorial onde os nossos autores e autoras queiram ficar. Respeitamos aqueles que desejam ter uma experiência de publicação conosco e depois publicam em outras editoras menores. É um movimento migratório muito realizado nesses tempos, mas sou daqueles que ainda acreditam que uma parceria bem‐feita, e a longo prazo pode resultar em muitas coisas boas. Além disso, queremos aumentar o número de pessoas estrangeiras em nosso catálogo, voltando o olhar principalmente para a América Latina e para os países de línguas lusófonas.


*Sérgio Simka é professor universitário desde 1999. Autor de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a Série Mistério, publicada pela Editora Uirapuru. Organizador dos livros Uma noite no castelo (Selo Jovem, 2019) e Contos para um mundo melhor (Xeque-Matte, 2019). Membro do Conselho Editorial da Editora Pumpkin e integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.

Cida Simka é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak, 2014) e autora dos livros O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak, 2016), O enigma da velha casa (Uirapuru, 2016) e “Nóis sabe português” (Wak, 2017). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Selo Jovem, 2019) e Contos para um mundo melhor (Xeque-Matte, 2019). Integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.
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