Jane Austen: Livros e Filmes

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quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Solange Sólon Borges, seus livros e a Editora O Artífice, por Cida Simka e Sérgio Simka


Fale-nos sobre você.
 

Sou jornalista, com mestrado em Estudos Culturais (Filosofia/USP Leste), especialização em informação, mídia e cultura (Celacc-ECA-USP) e comunicação e marketing (Faenac/SCS). Atuei por muitos anos na Rádio e TV Bandeirantes e Rádio Gazeta. Na Band AM, além do jornal diário, me divertia fazendo crônicas radiofônicas para serem lidas pelo saudoso José Paulo de Andrade e Milton Parron. Na Gazeta, Moraes Sarmento pedia e interpretava o que eu escrevia. Era uma forma de somar jornalismo e literatura.

No campo acadêmico, como coordenadora de comunicação da Universidade do Grande ABC (UniABC), criei a Editora UniABC, publicando mais de 30 livros em dois anos, além de diversos artigos. Sempre estive às voltas com livros e textos. Fui colunista do Literário do site Comunique-se, portal de jornalistas e integrei o programa Comunique-se levado ao ar pela All TV.

 

ENTREVISTA:

 

Você é publisher da Editora O Artífice. Fale-nos sobre ela. Fale-nos sobre os livros publicados.

 

A Editora O Artífice foi criada há 24 anos com o intuito de incentivar a publicação de novos autores e atua nos segmentos de ficção, não ficção, ciências sociais e humanas, esportes, linguística, literatura infantojuvenil e espiritualismo. Em sua trajetória, como editora independente, angariou reconhecimento, incluindo o meu romance Todos os homens são girassóis, que recebeu o prêmio Clio da Academia Paulistana da História, bem como os títulos Convocação geral – a folia está na rua: o carnaval de São Paulo tem história de verdade de Nelsinho Crecibeni, que retrata 438 anos do carnaval em SP; Cambuci ontem e hoje – 100 anos de vida e história (1906-2006) de Atílio Lucchini;  O tempo e suas sementes, romance de Sandra Baffi; Jânio Quadros – Fi-lo, de Nelson Valente; e Histórias assombradas & mal-contadas da Câmara Municipal de São Paulo, do jornalista Lázaro Roberto de Oliveira.

 

Creio que fui algo pioneira na autopublicação. Rs. Me explico. Em 1995, meu poema Movimento n. 13 venceu um tradicional concurso de poesia de uma cidade do interior de São Paulo. Fui contactada pela secretaria de cultura e enviei a pedido dela o livro estruturado, que nomeei como Jardins Irregulares. O prêmio era a publicação, algo em torno de 500 ou mil exemplares, não lembro mais. Aí, sentei e esperei, e espero até agora, pois fui ‘tungada’ pela prefeitura que nunca mais me deu retorno e, num último contato, informaram que já havia sido publicado e distribuído. Ficou claro para mim que houve desvio de verba e outra pessoa foi ‘favorecida’ e essa autora aqui, desrespeitada. A partir daí fiquei com receio de ser plagiada, de meus textos serem usados indevidamente. Como já prestava serviço para algumas editoras, revisão e copydesk, resolvi que tinha a capacidade de me autopublicar como editora independente e não parei mais a partir daí. Nunca tive pressa em editar um título. Creio que há um tempo para amadurecer o texto. Um bom trabalho se faz com uma boa equipe: conto com revisores qualificados e o projeto gráfico sempre entrego ao designer Marcos Paulo Cappelli, parceiro de trabalho há mais de duas décadas.

O grande problema de ser independente é o impacto com as crises que pegam as pequenas primeiro, e muitas não resistem, e ainda a questão de distribuição. Há uma dificuldade para obter melhor exposição nas prateleiras das grandes livrarias e é preciso trabalhar com as de bairro e independentes também. Há vantagens e desvantagens.

 

Como analisa a questão da leitura no país?      

 

Minha análise é que hoje se lê mais textos, se for somado o que chega pelas telas digitais, mais os ebooks, os audiobooks, e novas expressões como o bookTok (o TikTok para a literatura), o que não quer dizer que estamos formando leitores melhores, mas é um impulso. Há um mar de textos para se navegar e ler na internet. Creio que o Painel do Varejo de Livros no Brasil dá conta dessa mudança de cenário. Em março deste ano, por exemplo, foi vendido 1 milhão a mais de livros do que no mesmo mês do ano passado, e me pergunto a qual motivo se pode atribuir esse resultado. A pandemia deixou as pessoas mais restritas em seu lar, e se buscou alternativas de diversão e distração nesse momento complexo? É uma possibilidade. A literatura nos permite viajar para mundos diferentes, fugir um pouco da realidade. Mas isso não quer dizer que o mercado editorial não tenha sofrido: muitas livrarias se reinventaram; outras, fecharam. Editoras adiaram reedições e lançamentos, as grandes e as pequenas, e a minha também. A opção de feiras virtuais tem o benefício para quem está distante e pode participar on-line, mas creio que se perde a proximidade do escritor ali, conversando com o público, dando autógrafo, brindando com uma taça de vinho. Houve rearranjos neste momento pandêmico, que ninguém contava. Todos foram pegos de surpresa, dos profissionais do mercado a leitores.

Ainda creio que a melhor forma de formar novos leitores, e manter os existentes, é por meio de oficinas, leituras públicas, encontros do escritor na escola, que geralmente só lidam com os mortos e consagrados. Na biblioteca pública do Ipiranga, conheci diversos autores que indiretamente me impulsionaram rumo à literatura: Marina Colassanti, Lygia Fagundes Telles, Loyola Brandão. Conheci esses autores na biblioteca do bairro, não foi em Bienal, e me influenciaram uma vida inteira.

 

O que tem lido ultimamente?

 

Tenho a mania de ler vários títulos ao mesmo tempo. Como gosto muito da literatura espanhola, estou ‘degustando’ neste momento Os herdeiros da terra de Ildefonso Falcones, por quem me apaixonei desde A Catedral do Mar A rainha descalça. Os latino-americanos estão sempre na minha cabeceira para reler, como o fantástico O jogo da amarelinha, de Julio Cortázar, e Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez, para reviver a cidade fictícia de Macondo e a saga da família Buendía, pois este livro marcou minha juventude. Tive muita saudade dele quando estive recentemente na colorida Cartagena de las Índias, na Colômbia, e vi a casa do escritor, mas tristemente fechada à visitação.  

Sempre retomo em algum momento meus escritores prediletos: Cora Coralina, Cecilia Meireles, Adélia Prado, a imbatível Clarice Lispector, passeio pela estrutura literária perfeita de Machado de Assis, retomo Isabel Allende, Lya Luft, o queridíssimo Fernando Pessoa, e a picardia de Anaïs Nin, a professora Orides Fontela – esquecida por muitos, mas genial –, e o ‘primo’ Jorge Luis Borges (brincadeira, apesar da ascendência espanhola, meu Sólon Borges vem do bisavó Youssef que saiu do Egito e se perdeu no Brasil). Vale muito a pena voltar ao consagrados e conhecer os novos, isso ‘areja’ a mente e se aprende muito. Uma releitura possibilita ter um novo entendimento a respeito do texto. O novo traz outras formas de se expressar.

 

O que publicou agora?

 

Acabei de lançar meu segundo livro de poesias, À espera dos girassóis: poesias de amor e espera, com a proposta de tornar possível um passeio pela casa – a sólida, que nos habita, mas que leva à estrutura interior, repleta de sonhos e expectativas, chegadas e partidas, emoções e naufrágios. E com prosa poética intensa: “Há dias de sol tão forte que me abro inteira – feito cortinas –, assim as perdas queimam e secam as cicatrizes. Quero violetas com flores porque o trabalho de cura é só meu”, um exemplo de comparação do jardim exterior e interno, com os quais brinco.

Os poemas foram agrupados em função dos motivos tratados: Jardins regulares – uma brincadeira com o título de seu primeiro livro, Jardins Irregulares –, Motivos de chegadas, A casa dos sabores, Cotidianos, A linguagem das águas, As estações do amor (Temporais, Verão, Primavera, Outono, Inverno).

Na parte dedicada às Estações, pode-se ler: “As estações têm sempre a porta aberta para o segundo verão. Na turbulência dos girassóis exuberantes, você surge com o sorriso ávido de flores e ervas aromáticas e percebo que não estou apenas diante de um corpo absolutamente másculo à vontade em si mesmo. Mas um rosto com seu depoimento de fera e história, com a sua biografia de barcos que atravessaram outros mares em busca das cartas celestiais”, ao se referir aos cheiros domésticos e à essência das flores, mas acima de tudo à profundidade que existe no feminino. “Suspiramos depois do amor, possuídos um do outro, quando um bafeja seu espírito no interior do seu contrário”, é outro exemplo do que se pode esperar do amor, alicerce entre pares, e deste livro.

Estou na fase final de produção de meu livro de contos, Janelas abertas para uma canção desesperada, havia ficado na gaveta, e também finalizei Mudei meu passado, e agora?, escrito a quatro mãos e dois cérebros, o do amigo Coca Valença e o meu. Estamos com o lançamento recente de A historinha do cachorro Cheirudo, meu e do Cappelli, e conto com mais três livros de poesia, de outro autor, para lançamento no segundo semestre, se a pandemia deixar. E trabalho arduamente no livro Cicatrizes da imigração, resultado da minha dissertação, sobre a repressão aos espanhóis nos anos 1930, na ditadura Vargas.   

Link da editora:

http://editoraoartifice.com.br/ 


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020), O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021) e Queimem as bruxas: contos sobre intolerância (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). 

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