Jane Austen: Livros e Filmes

Jane Austen, Thibaudet e um retrato da burguesia do séc. 18 Nascida em 16 de dezembro de 1775, a britânica Jane Austen foi uma das...

Mostrando postagens com marcador Editora Penalux. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Editora Penalux. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Livro retrata a força do povo brasileiro frente às adversidades

 


Em tempos de isolamento social e solidão, romance histórico aquece o coração do leitor ao tratar de estreitamento familiar e luta pelos sonhos

A escritora maranhense Lenita Estrela de Sá está lançando seu mais novo livro pela Editora Penalux. Trata-se do romance “Os anéis de Maria”, cuja trama é ambientada em São Luís do Maranhão, entre as décadas de 1940 e 1980, tendo como pano de fundo a realidade do proletariado nesse período. 

A obra retrata a história do casal Maria e Inácio e os problemas que enfrentam por conta de sua situação social e financeira, expondo principalmente as circunstâncias precárias que o mercado de trabalho da época oferecia para mulheres. 

Outro aspecto muito importante que pode ser observado na obra é o vínculo familiar fortalecido ao buscar atingir os objetivos, especialmente entre Maria e os filhos.

“É uma história que basicamente fala de superação”, diz Lenita à nossa equipe. “O tema central consiste na força do amor entre uma mulher humilde e seus filhos, que buscam superar por meio da educação a barreira das classes sociais”.

O romance parte de um episódio real e daí segue pelos caminhos da imaginação da autora. “O leitor certamente se emocionará ao conhecer essa história”, continua a escritora. “É uma narrativa representativa para nós, brasileiros, que lutamos contra as adversidades em busca de nossos objetivos e uma melhor condição para nossa família”. 

Como dito, a obra retrata a história do casal Maria e Inácio, que batalha para melhorar de vida, tentando conciliar trabalho exaustivo, estudos, ambições e, é claro, o próprio casamento. 

“Tudo se passa em 1940”, relata Lenita. “A história se desenvolve até os anos 80, passando por um Brasil explorador e machista, ao qual os personagens tentam resistir com força e perseverança”, finaliza. 

No prefácio, o editor e revisor Daniel Zanella destaca que “Os Anéis de Maria” apresenta o panorama de um Brasil proletário, imerso nas contradições das forças de trabalho e das divisões de classe. “Ao acompanhar a trajetória sofrida de Maria, filha não assumida de um juiz, e de seu marido Inácio, abnegado e envolvido com montagens teatrais, Lenita Estrela de Sá nos oferece um retrato das dificuldades de ser pobre e, sobretudo, de ser mulher, no precarizado mercado de trabalho da época (ou de sempre)”, escreve. 

A escritora Maria Valéria Rezende, que assina o texto de orelha, complementa da seguinte forma: “Nem sei como agradecer [à autora] por ter me trazido, de modo tão vivo, o mundo em que nasci e vivi as primeiras décadas de minha vida, decorridas à margem de um porto, minhas lembranças dos tempos da II Grande Guerra e do Pós-guerra, dos anos “dourados” de esperanças e lutas, de nosso povo escalando caminhos íngremes, mas superáveis pelo amor e pela coragem de quem só conta com sua própria força, sua capacidade de trabalho e criatividade e a solidariedade entre iguais! Sua protagonista Maria e suas companheiras fizeram-me reencontrar vivamente minha mãe, minhas avós, minhas tias e tantas conhecidas que, com enorme resiliência e sensatez, com conhecimentos e práticas quase esquecidas hoje em dia, à custa de muito sacrifício, foram capazes de fazer viver grandes famílias, cheias também de artistas sonhadores”.

Trecho:

Que hora seria? Tinha serviço pesado de manhã. Convocara os dois aprendizes que o ajudavam para chegarem cedo à marcenaria, não tivessem os folgados gastado horas ouvindo sambas-canção na rádio Educadora! Mas, ao se ver na escuridão, sem demora dispensou essa suposição; cumpriria sim o compromisso de armar a estante do Dr. Hermínio, que o procurara por indicação de outro cliente, um conceituado escriturário do Banco do Brasil cujo nome lhe fugia, agoniado como estava. Felizmente, ao aumento da prole correspondia a expansão da clientela, uma vez que, a despeito da alma de artista, não negligenciava as obrigações impostas pela luta diária com a manutenção da casa. Logo o silêncio se restabeleceu. Guilhermina talvez estivesse novamente de olhos arregalados à espreita da proteção do pai, que, após nova inspiração profunda, tateou o ambiente às escuras até tocar o puxador metálico da gaveta da petisqueira, onde encontrou uma caixa de fósforos. Exausto, sentou-se na ponta do sofá de palhinha, para tomar fôlego. Em seguida, maquinalmente, forçou o olhar na direção do relógio de parede, sim, ainda faltava um bocado para a meia-noite! A cidade em silêncio. Ele não conseguiria dormir – e alguém conseguia com aquele clima de medo?

Sobre a autora:

Lenita Estrela de Sá é graduada em Letras e Direito. Tem quinze livros publicados, Exprime-se em diversos gêneros literários: poesia, conto, literatura infantil, teatro, roteiro de cinema e televisão. Recebeu, entre outros, o Prêmio Literário Cidade de São Luís, em 2010, com o livro “Pincelada de Dalí e outros poemas”. Foi incluída por Nelly Novaes Coêlho no “Dicionário de Escritoras Brasileiras” (Escrituras, 2002). Participa das revistas literárias “O Casulo – jornal de poesia contemporânea” (Ed. Patuá, 2016), “Germina – revista de Literatura & Arte”, “InComunidade” (Portugal) e “Mallarmagens”. Participa das antologias “Mulherio das Letras 2017” (conto e poesia), “Do Desejo – as literaturas que desejamos” (Ed. Patuá, FLIP 2018), “A mulher na literatura latino-americana” (EDUFPI/Avant Garde Edições, 2018) e “Antologia do Sarau da Paulista” (2019). Foi incluída por Rubens Jardim na série “As Mulheres Poetas na Literatura Brasileira” (2016), publicada no blog do autor e no e-book de mesmo título, v.2 (2018). Os “Anéis de Maria” é seu primeiro romance.

Gênero: Romance | Formato:14x21 | Ano: 2020 | Páginas: 202 | Valor: R$40,00

https://www.editorapenalux.com.br/loja/os-aneis-de-maria

Compartilhe:

terça-feira, 1 de setembro de 2020

O Lirismo: Tradição e Contemporaneidade - Por Edner Morelli


*Por Edner Morelli

De início, não temos como passar desapercebido pelo título da obra Triz, de Rachel Ventura Rabello (Penalux, 2020), percebendo uma reunião de poemas que trazem um diálogo com nossa tradição lírica, bem ao gosto de um Bandeira ou Cecília. Triz nos remonta uma espectro de limite. Da autora? Do livro? A seguir esses versos são elucidativos: “vivo esperando o dia / enquanto / espero  noite / não é agora / nunca gora / só depois”. A poetademonstra-se, destarte, essa marca da ideia de uma situação à beira, sempre em estrutura, de síntese, do vir-e-não vir, tão caro aos modernistas de 22. Será que o “triz” não se confunde com a voz poética? A autora dialoga explicitamente com a marca modernista da síntese, a saber: o verso preciso, a economia verbal e a imagem fragmentada; além do mais, a musicalidade peculiar, em algumas passagens, me lembrou de Eunice Arruda. A poeta tem como espectro a ideia do vocabulário que ora dialoga com a tradição, mas com outros contornos de subjetividades. É numa obra que engloba elementos de uma tradição da lírica bem os moldes de uma Ana Cristina Cesar (por que não?). Estamos diante de uma poeta antenada com a contemporaneidade e com a tradição. A saber, a verdade poética do enigma do tempo é uma verdade que dialoga com a primeira camada poética que salta aos olhos: a passagem do tempo e nossa pequenez diante desse fato, mas, depois de inúmeras leituras, percebemos estarmos diante de uma busca incessante entre o paradoxo temporal de estar presente com a sombra do quase não existir. Explicito: parece-me que a busca em toda a obra traz um certo ajustamento, ou não, com o tempo transcorrido, tempo esse que já faz parte de um atmosfera memorialista da própria autora. Vale ressaltar a condição de angústia, termo tão caro aos Filósofos. O triz, o quase existir, dialoga com o espaço temporal do eu poético, ou seja, o ambiente do triz aqui constitui pano arquitetônico da obra. Dito de outro modo: há nesses versos uma incessante busca de se encaixar no tempo e de entremear desilusões amorosas, metalinguísticas e um gostinho de desajuste. Quem nunca? Em alguns momentos o objeto de desejo do eu poético é um caminho sem volta do amor que se escapou, bem aos moldes da lírica medieval. A leitura dessa obra vale muito a pena por amalgamar a tradição lírica portuguesa aos ditames da pós-modernidade. E por que não um diálogo pós-moderno com a tradição? Aventuremos...

RESENHISTA
*Edner Morelli é mestre em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP e atua como professor de Teoria da Literatura e Literatura em Língua Portuguesa. Líquido, seu quarto livro de poemas, foi lançado neste ano pela editora Penalux.

SERVIÇOS
Triz, Rachel Ventura Rabello – poesia (76 p.), R$ 38 (Penalux, 2020).
Link para compra:
https://www.editorapenalux.com.br/loja/triz

A AUTORA
Rachel Ventura Rabello nasceu no Rio de Janeiro em 1990. Autora do livro Em mãos (In media Res, RJ), é poeta, mestra em Teoria da Literatura e Literatura Comparada (UERJ) e professora. Triz é seu segundo livro de poemas.
Compartilhe:

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Fronteira Eterna e Outros Contos Imaginados


Em livro de estreia escritor aborda vários temas em histórias surpreendentes

Quem conta um conto aumenta um ponto. Já dizia um velho ditado. Aliás, Machado de Assis, um dos nossos maiores escritores, mais conhecido pelos seus romances (destacadamente, “Dom Casmurro” e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”) do que pelos seus contos (excelentes, bom frisar), possui uma história hilária cujo título é exatamente este: “Quem conta um conto”.
O gênero, no Brasil, tem outros cultores de igual calibre, como João Guimarães Rosa e Lygia Fagundes Telles, para citarmos apenas dois dos mais conhecidos. 
O conto, para usarmos uma definição simplista, é uma narrativa curta que, em geral, apresenta apenas um conflito. Existem definições também separando o conto em categorias, como os contos de fantasia, de suspense, de terror, de ficção científica, etc.
Fronteira Eterna e outros contos imaginados, como o próprio título já revela – livro do estreante Guilherme Furlan, que o assina com o pseudônimo de Dantas Guerra (obra que acaba de ser lançada pela Editora Penalux) – é uma reunião de histórias curtas que têm como material principal a imaginação.
O livro possui quinze contos com temática variada, passando pelo terror, suspense e amor, não faltando ainda poesia, intriga política, questionamentos filosóficos, entre outros assuntos.
“A economia narrativa, a unidade de efeito e a brevidade apa­recem, mas não são únicos princípios norteadores da obra”, releva o autor. “Busquei usar o máximo de elementos que estivessem à minha disposição”, conta.
Percebem-se no mix dessas histórias as influências de outros contistas consagrados, como Poe, Cortázar, Quiro­ga, Tchekhov e Hemingway.
Sendo a literatura também um fingimento, como já assinalou Fernando Pessoa, o autor defende que a criação literária deva ser um “fingimento sincero, pois quando o escritor olha para dentro de si mesmo, ele enxerga a humanidade inteira”.
Para Guerra (Furlan), quando se trata de ficção, faz-se necessário também um pouco de divertimento. “Uma breve distração da vida cotidiana, mas que possa ensinar algo também”, completa o escritor. “O livro vem de uma época ideal da minha vida”, continua ele. “Escrevi quando eu tinha vinte e sete anos e morava em Portugal. De certa forma, ele representa meu primeiro grande esforço literário. Está carregado de um ideal próprio de literatura e talvez seja até um pouco pretensioso com epígrafes em espanhol e italiano, personagens que falam um pouco de francês e mesmo algumas falas em inglês, tudo sem tradução ou notas de rodapé. Não sei se ele possui algum valor literário, mas posso afirmar que ele foi concebido com enorme dedicação”, conclui.
Fronteira eterna e outros contos imaginados privilegia a criação livre, apresentando uma diversidade temática, pela qual cada conto tem sua própria independência e completude.
Uma ótima dica para o leitor que quer se aventurar em múltiplas e intensas histórias, com personagens envolvidos em conflitos, vingança, egoísmos, vivenciando problemas e dificuldades, enfim, replicando aquilo que nós carregamos como sociedade, isto é, como humanidade. O leitor há de se encantar com esses contos repletos de imaginação e surpresas.
   
TRECHO: “Monrruá viu os corpos de outros como ele. Estavam espalhados pelo chão, queimados. Alguns tinham as vestes quase intactas e lembravam os lagartos. As chamas iam alto, o céu era uma mistura de vermelho e negro. Não havia mais ninguém para alertá-lo sobre o perigo. Mas tudo havia de ter uma razão. Além do fogo que cortava o céu, algo existiria. Se assim não fosse, haveria algo além do nada e assim por diante. O fim é uma invenção humana.”

SERVIÇOS
Fronteira eterna, Dantas Guerras (Guilherme Furlan) – contos (182 p.), R$ 40 (Penalux, 2020).
Link para compra:
https://www.editorapenalux.com.br/loja/fronteira-eterna



AUTOR
Dantas Guerra é Guilherme Furlan — ou seria o contrário? Este nasceu em Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, em 1990, é bancário e bacharel em Comércio Internacional pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). Já o outro nasceu da imaginação, é apaixonado por literatura e autor do livro Fronteira eterna e outros contos imaginados.

Compartilhe:

terça-feira, 18 de agosto de 2020

O poeta André Galvão lança seu segundo livro de poemas, Depois do Sonho, pela Editora Penalux


A obra reflete sobre a realidade e o cotidiano através de percursos poéticos que dão nome aos seus cinco capítulos: A Urbe, O Chão, A Luta, A Alma e O Verso. Trata-se de uma coletânea de poemas que dialogam entre si, por diferentes caminhos, a anunciar a crença de que, depois do sonho, a realidade, a depender de nossas reflexões e ações, pode carregar em si a esperança em tempos melhores para o mundo e para a humanidade.

Para Rita Queiroz, Professora, Filóloga e Poeta, “a poética de André Galvão, desde o seu livro A travessia das eras, se mostra contundente, reflexiva, inquietante. O poeta, como todo sujeito, vive atravessado pelos acontecimentos presentes, passados e os que poderão vir, assujeitado ao seu tempo e às suas ideologias. Depois do sonho está dividido em cinco partes:
1. A urbe, 2. O chão, 3. A luta, 4. A alma e 5. O verso. Em todas, nos deparamos com sentimentos que rasgam a alma: nossos embates de ser e estar no universo, no planeta, no continente, no país, na cidade, em casa. Sentimentos diversos permeiam esse ser e estar, esse encontro doloroso, muitas vezes ou talvez, sempre. O micro está no macro e vice-versa. O lar, às vezes, não é refúgio e sim palco de ódios e medos, revertidos na violência de cada dia”.
Segundo Moisés Alves, Escritor, “O rasgo, a criação de novos usos dos terrenos, a abertura surgem como procedimentos desse trato particularíssimo dado por ele nesse objeto sólido chamado poesia contemporânea. André nos sugere em poema abrir mão das verticalidades, um dos programas de uma das modernidades do Ocidente, para inaugurarmos derivas, desamarrações, dispersões que assumam as vias labirínticas como estratégia de avanço com toda a coreografia própria dos labirintos: curvas, desvios, paradas, suspensões”.

De acordo com Ricardo Henrique Andrade, Professor Universitário, “André Galvão surpreende, inebria, desconcerta. Inova-se ao envelhecer. O doutor em signos e o artista revoltado estão aqui amalgamados em versos maduros, em palavras sopesadas pelo ajuizamento das imagens intercaladas na geografia da sua criação. O resultado é uma obra antropológica, metafísica e melancólica, mas obstinadamente inconformada. O poeta não se entrega, reage, denuncia. A ingenuidade onírica cede a um despertar senil, desencantado, sim, mas vigoroso”.

Depois do Sonho foi publicado pela Editora Penalux, sediada em Guaratinguetá-SP, cuja missão é publicar bons livros com o compromisso de valorizar as produções literárias e acadêmicas no cenário contemporâneo. Uma editora que tem crescido muito no mercado editorial brasileiro, publicando obras de renomados autores brasileiros e estrangeiros.

Sobre o autor:

Nasceu em Salvador e atualmente mora em Amargosa, cidade onde viveu a maior parte da vida. Mestre em Literatura pela UEFS e Doutor em Ciências da Educação pela Universidade do Minho (Portugal). Servidor Técnico-Administrativo da UFRB, lotado no Centro de Formação de  Professores – CFP em Amargosa. Coautor do livro de poemas Redescobrir-se: poesias de fim de século pelo Selo Editorial Letras da Bahia / FUNCEB (1998) e do livro Crítico Intrépido! Filósofo Tímido? Sílvio Romero e o ensino secundário de Filosofia no Brasil, pela Editora CRV (2018). Autor do livro de poemas A Travessia das Eras, pela Editora Penalux (2018) e do livro O Coronelismo na Literatura: Espaços de Poder, pela Editora da UFRB (2018). Integra a Plataforma Virtual Mapa da Palavra (FUNCEB/ SECULT-BA). Participou de antologias literárias no Brasil e em Portugal. Associado ao NALAP – Núcleo de Artes e Letras de Portugal e membro da ANE – Associação Nacional de Escritores (Brasil) e da Academia Independente de Letras (Brasil).

Sobre o livro: Depois do Sonho
Autor: André Galvão
Ano de publicação: 2020
Gênero: Poesia
Páginas: 86
Editora: Penalux

Vendas:
Editora Penalux
Amazon
Americanas.com

Contato com o autor:
E-mail: almgalvao@uol.com.br
Instagram: @andregalvao77

Compartilhe:

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

André Galvão e o livro Depois do Sonho

André Galvão - Foto divulgação
Doutor em Ciências da Educação (Universidade do Minho). Autor dos livros de poemas A Travessia das Eras (Penalux, 2018) e Depois do Sonho (Penalux, 2020) e do livro O Coronelismo na Literatura: Espaços de Poder (UFRB, 2018). Coautor do livro Redescobrir-se: poesias de fim de século (Selo Editorial Letras da Bahia, 1998) e do livro Crítico Intrépido! Filósofo Tímido? Sílvio Romero e o ensino secundário de Filosofia no Brasil (CRV, 2018). Participou de antologias literárias no Brasil e em Portugal. Associado ao NALAP – Núcleo de Artes e Letras de Portugal e membro da Associação Nacional de Escritores (Brasil) e da Academia Independente de Letras (Brasil).

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

André Galvão: Creio que começou como a maioria das pessoas, escrevendo alguns textos na adolescência, e guardando na gaveta, com um sonho de um dia publicar, mas sem coragem pra mostrar... Até que um dia, junto com alguns amigos, tomei coragem de submeter alguns poemas em edital e deu certo. Aí tudo começou...

Conexão Literatura: Você é autor do livro “Depois do sonho”. Poderia comentar? 

André Galvão: Depois do sonho, o meu segundo livro solo de poemas, trata do sonho, da esperança, mas acima de tudo do contato com a realidade. Porque escrever, pra mim, sempre foi um exercício de reflexão sobre o mundo que me cerca. Logo, a minha poesia tem a realidade, o cotidiano, as reflexões sobre a vida e o mundo como matérias-primas. Assim, é uma obra em que a poesia desvela um olhar inquieto sobre a realidade, sem perder a esperança em tempos melhores.

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro?

André Galvão: Esse livro teve uma maturação relativamente pequena, cerca de um ano, ou pouco mais. Reuní poemas anteriores ao meu último livro, A Travessia das Eras, e, pensando em muitas análises desse livro que tive a oportunidade de ler, organizei textos novos para consolidar esse novo projeto. 

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do seu livro especialmente para os nossos leitores?  

André Galvão: Trata-se de um livro de poemas, então, trarei uns versos apenas: “Hoje o que sou / É um resumo estendido / Do balanço entre sonhos / E derrotas que tenho sofrido / Eis o que essa lida construiu: / Em volta de meus erros constantes
Insculpiram-se em mim / As lições mais importantes” (Todas as batalhas).

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para saber mais sobre o seu livro e um pouco mais sobre você? 

André Galvão: O meu novo livro, assim como o anterior, A Travessia das Eras, ambos publicados pela Editora Penalux, estão à venda no site da editora e de grandes lojas virtuais. Quanto a mim, o leitor pode me seguir nas redes sociais @andregalvao77 (Instagram) ou facebook.com/andregalvao077 (Facebook).

Conexão Literatura: Quais dicas daria aos autores em início de carreira?

André Galvão: Escrevam, publiquem! Aproveitem o universo das redes sociais, que são uma ótima oportunidade para mostrar seu trabalho. E escutem sempre, ouçam as críticas e aprendam com elas. Humildade é tudo.

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta? 

André Galvão: Sempre. Há um novo livro quase pronto, de poesia, com uma temática mais específica, cuja publicação deve ser em 2021. 

Perguntas rápidas:

Um livro: Cem anos de solidão (Gabriel García Márquez)
Um (a) autor (a): Paulo Leminski
Um ator ou atriz: Denzel Washington
Um filme: O clube do Imperador
Um dia especial: O nascimento de meus filhos

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário? 

André Galvão: Quero lembrar a todos da importância da leitura, principalmente em tempos difíceis, como o que vivemos. A leitura é sempre o melhor caminho para preencher nossa mente de boas reflexões e criatividade. E a Literatura, nesse contexto, é o universo em que podemos reinventar nossas experiências e a nossa liberdade.
Compartilhe:

domingo, 26 de julho de 2020

INDICAÇÕES PARA LEITURA: Wilson Gorj indica a leitura de cinco livros


Wilson Gorj é autor de três livros: "Sem contos longos" (2007), "Prometo ser breve" (2010) e "Histórias para ninar dragões" (2012), todos compostos por textos minimalistas (microcontos, poemínimos, aforismos, entre outras miudezas). Há mais de dez anos tem dedicado seu tempo à edição de livros. Desde 2012, ao lado do poeta e editor Tonho França, edita pela Editora Penalux.

Indicações para leitura: 


1) Clássico nacional: "Dom Casmurro", romance de Machado de Assis.


2) Clássico universal: "As cidades invisíveis", do escritor Ítalo Calvino.

3) Contemporâneo nacional: "Outros cantos", romance da escritora Maria Valéria Rezende.


4) Contemporâneo internacional: "Tirza", romance do escritor holandês Arnon Grunberg.  


5) Qualquer uma das publicações da editora Penalux. Deixo, por fim, essa recomendação mais ampla. Nosso catálogo é bem variado e criterioso. Certamente o leitor da Revista Conexão Literatura vai encontrar nele um livro ao seu gosto. 

Comente e compartilhe com os amigos ;)


Compartilhe:

terça-feira, 21 de julho de 2020

Novo romance de Luiz Biajoni constrói painel de humanidade e pandemia - lançamento da Editora Penalux


Algum Amor é o oitavo romance do autor americanense

Pouco mais de um ano depois de lançar seu sétimo romance, “Quatro Velhos” (Penalux, 2019), o autor americanense Luiz Biajoni lança novo livro: “Algum Amor”. A urgência foi ditada pela crise do coronavírus, que mudou o sentido inicialmente desenhado para a trama. Conta o autor: “Eu me preparei para escrever uma história de amor, mas o fantástico e o terror se impuseram com a pandemia e tudo se misturou. Em quarentena, comecei a acordar no meio da noite pensando na história de amor daqueles meus dois personagens e tudo se misturava um pouco com o noticiário e com a minha vida e o resultado disso foi uma nova configuração para o romance”.
A partir de cenas recortadas das vidas de duas pessoas, a publicitária Stella e o escritor Luiz, “Algum Amor” desenvolve uma história de aproximações, distanciamentos, isolamentos e reaproximações que extrapola a cronologia, o tempo e o espaço. A narrativa é permeada por acontecimentos deste momento de pandemia de Covid-19 – um dos primeiros romances da literatura nacional a abordar o tema.
Diferente dos outros livros do autor, como “Elvis & Madona” (Língua Geral, 2010), “A Comédia Mundana” (Língua Geral, 2013), “A Viagem de James Amaro” (Língua Geral, 2015) ou “Quatro Velhos”, este “Algum Amor” trabalha a linguagem de maneira experimental – a história, porém, a exemplo dos dois últimos romances, se passa em Americana (SP), cidade natal do autor. “Eu tinha estabelecido escrever três histórias que se passassem em Americana – e essa é a última. Com Algum Amor, fecho um ciclo em meu projeto literário”, conta Biajoni.
Na orelha do livro, a escritora finalista do prêmio Jabuti, Camila Passatutto, escreve que “Algum Amor” é “um respiro dolorido dentro de uma concha no epicentro da tormenta que é a vida”. O premiado escritor Javier Aracinbia Contreras resume: “[...] Biajoni segue sua jornada abordando pequenos conflitos pessoais, desta vez, porém, com pílulas desse momento louco pelo qual o mundo passa e em que as pessoas, ao mesmo tempo em que buscam sobreviver, também desejam algum amor”.

SERVIÇOS
Algum amor, Luiz Biajoni – romance (100 p.), R$ 38 (Penalux, 2020). 
Link para compra: 

Luiz Biajoni - Foto de Lia Biajoni
AUTOR
Nasceu e vive em Americana, SP. 
Escreveu A Comédia Mundana (2013) e A Viagem de James Amaro (2015) publicados no Brasil pela Língua Geral e em Portugal pela Chiado Editora. É autor também de Elvis & Madona (Língua Geral, 2010), Virgínia Berlim – Uma Experiência  (2017) e “Quatro Velhos” (2019), ambos pela Penalux. 
Compartilhe:

terça-feira, 30 de junho de 2020

Um livro para ser lido com intensidade máxima!

Em seu novo livro escritor traz uma vibrante história sobre adolescência, cujas páginas nos levam a refletir sobre temas importantes

Quem nunca escutou o som de sua música predileta num volume muito alto? 
Pois é o que, na adolescência, se costuma fazer com certa rotina. 
Ou ao menos era assim em fins dos anos 80 e começo dos 90, quando o rock nacional leva a garotada a decorar letras e buscar aulas de violão para aprender a tocar as canções de seus ídolos e bandas preferidas. 
“Ouça no volume no máximo!”, que bem podia ser recomendação típica dessa época, é também o título do livro do autor José Manoel Ribeiro, que acaba de entrar em lançamento pela Editora Penalux.
Para Manoel Ribeiro, seu livro pretende levar o leitor a refletir sobre o tempo. “Propõe uma reflexão sobre as fases da vida, reconhecendo as dificuldades de um mundo imperfeito e injusto, mas sem perder a esperança e a crença no ser humano”, adianta o escritor, que também é professor de Letras e Filosofia,

Como dito, o título Ouça no volume máximo! faz referência à relação dos jovens com a música e as “tribos” que se formam em busca de identidade própria. Também se refere aos sentimentos adolescentes que, por tal época de formação (e transformação) da vida, passam por incertezas, medos, angústias, sonhos, paixões etc., e, portanto, querem ser ouvidos “no volume máximo” pelo mundo. 
Com boas doses de humor, mas sem deixar de ser reflexiva, a história desenvolvida por José Manoel Ribeiro busca apresentar, num ritmo acelerado, o universo adolescente da periferia de São Paulo, que, apesar de se passar no ano de 1990, último ano dos anos 80, é essencialmente o universo dos jovens de qualquer época (e de qualquer periferia), com suas contradições, medos, anseios, amizades, paixões e intrigas. Paralelamente, a história trata de nostalgia, pois, o personagem principal, André, paulistano filho de nordestinos, está envolto pelas histórias e tradições sertanejas, além da possibilidade de um dia ter de voltar para a Bahia com seus pais, lugar/tempo onde eles esperam reencontrar com o passado, com as lembranças da infância e da juventude, esse “doce labirinto etéreo”. 
“André é um rapaz tímido e comum da periferia de São Paulo”, explica o autor. “Filho de migrantes baianos, ele sente na pele o preconceito. Durante sua adolescência muitas coisas acontecem para contribuir com seu crescimento pessoal, desde amizades ‘rebeldes e perigosas’, até a paixão pela irmã de um colega de classe”, relata.
As aventuras urbanas e a pegada pauleira do rock and roll contrapõem ao conservadorismo pacato de pais de André, uma “família pobre, mas direita”. Isso, claro, põe mais pimenta no enredo. 
Ouça no volume máximo! é um livro escrito intencionalmente para o público juvenil, mas os leitores mais experientes também encontrarão em sua escrita ágil razões para embarcar em sua leitura. A obra aborda temas importantes, como a violência e o preconceito. Fala também sobre pessoas pouco representadas na literatura – os invisíveis, dessa classe média baixa, proletária, que busca seu lugar no mundo. 
“Tentei me fazer representado com um livro que gostaria de ler ou de ter lido na minha adolescência”, justifica-se o autor, que diz haver muito dele no personagem André. “Sua família é muito parecida com a minha”, confidencia.
 Embora tenha um pouco de autoficção, este livro é fruto da imaginação de alguém que ama a literatura e reconhece sua importância para a formação dos mais jovens. O tipo de obra capaz de mostrar a leitores iniciantes que a literatura pode e deve ser uma experiência divertida e ao mesmo tempo algo que contribui para a formação de uma mentalidade mais crítica e reflexiva. 

trecho
No começo de 1989, eu havia descoberto a Legião Urbana. Alguma coisa estava acontecendo, e essa coisa tinha uma trilha sonora. Para um país sem refrão, uma música sem refrão. E o pior que eu não entendia boa parte daquelas letras, acho que não as entendo até hoje, mas, ao menos, a sua essência me tocava de alguma forma. “Há Tempos”, “Andrea Doria”, “Índios” e “Faroeste Caboclo” invadiram as rádios, sem refrão e sem explicação. Tudo, naqueles anos, começava pela música. A música fazia de nós as pessoas que éramos. Foi a primeira vez que juntei dinheiro para comprar um vinil, hábito viciante que dava a qualquer adolescente de catorze a sensação de ser adulto. O contrário também é verdade: esse hábito, que voltei a cultivar nos últimos anos, dá a qualquer adulto a sensação de ser adolescente de novo. 

SERVIÇOS
Ouça no volume máximo, José Manoel Ribeiro – Literatura juvenil (144 p.), R$ 38 (Penalux, 2020). 
Link para compra:



AUTOR
José Manoel Ribeiro nasceu em São Paulo, em agosto de 1975. Filho de migrantes baianos, fez o caminho de volta, se estabelecendo na cidade de Jequié, Bahia, vinte anos depois. Professor da Rede Estadual de Ensino, licenciado em Letras e Filosofia, trabalha com jovens e adolescentes há mais de 20 anos. O autor de Ouça no volume máximo! tem dois outros livros publicados, ambos vencedores de concursos literários, Histórias de um lugarejo (2007) e Contos áridos (2014).
Compartilhe:

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Ágil, intenso, envolvente: um suspense em que nada é o que parecer ser


Romance de estreia envolve o leitor numa trama de intrigas em busca da verdade por trás de um plano ambicioso e sinistro.

Os dias atuais têm sido marcados pelo protagonismo dos agentes políticos em meio a esse tempo de conturbações e incertezas. Governantes ganham o plano das nossas atenções, ante nossa insegurança diante de um presente cheio de desafios (pandemia, crise econômica) e um futuro cada vez menos promissor.
É agora, nesse cenário pandêmico, que aparece o livro O Plano, romance da estreante Agda Theisen, escritora gaúcha radicada em São Paulo.
O romance traz como enredo um plano fatídico elaborado por Arno Ramos, um pretenso filantropo que dirige uma fundação beneficente. Zeca, seu assistente recém-contratado, descobre que nada ali é o que parece ser e, pouco a pouco, vai se inteirando dos fatos escusos que envolvem a organização. De posse da verdade, terá que decidir o que fazer.
“A ideia é o leitor ir descobrindo junto com o protagonista a verdade sobre a Fundação de Ramos e sobre que tipo de plano o título trata”, adianta a escritora.
Para Alex Ferraz, que assina a orelha do livro, o livro é uma “teia genialmente construída e que envolve o leitor na mesma intensidade bem calculada com que o personagem principal também se enreda numa história assustadora, revelando as forças e fraquezas que compõem o jogo do poder. Este romance de suspense vai muito além da trama de mistério, pois abre uma janela através da qual enxergamos a alma dos personagens. Tendo como cenário a cidade de São Paulo, a história gira em torno de um sinistro ardil que, por pouco, não chega ao Poder principal do país. Isto é, se em algum momento da nossa história recente realmente não chegou ou poderá chegar. Esta é a dúvida que permanece pairando no leitor após encerrar a eletrizante leitura.”
A escritora chama a atenção para o que se classifica romance de entretenimento:
“Não temos aqui no Brasil a tradição de apreço que os romances comerciais e populares, os chamados best-sellers, possuem nos EUA”, observa a escritora. “Minha ambição foi, e é, produzir uma narrativa rápida, fluida, que prenda o interesse do leitor e o divirta. Entretanto, é possível, mesmo assim, tecer reflexões importantes com base na história e no perfil dos personagens”, pondera. “A escolha é de cada um”.
Vale destacar que na edição deste ano do Prêmio Jabuti, certame literário mais famoso do país, criaram uma categoria dedicada especialmente ao romance de entretenimento. O que demonstra um começo de mudança em relação à apreciação de obras desse gênero.
O Plano não concorre nesta edição porque é uma publicação recente, mas seguramente poderá se destacar no prêmio em 2021, se a curadoria mantiver a nova categoria. Veremos. 
O bom é que agora o leitor tem o privilégio de lê-lo antes dos jurados.
Aproveite!

TRECHO
“Sua mente registrou uma coincidência e a lembrança causou desconforto. O mendigo moribundo com quem se batera noutro dia falara apenas cinco palavras, duas delas eram as então incompreensíveis “fio” e “líbero”. Apoiou as costas no suporte da placa de identificação da rua Líbero Badaró e fechou os olhos, repassando mentalmente a cena. Quando abriu os olhos novamente, deparou-se com o luminoso que identificava a Fundação de Arno Ramos a poucos metros dali.
Respirou fundo. Estranhamente, naquele local convergiam quatro fatores ligados ao mendigo morto: a instituição que o acolhera, a vítima que ele tentara assassinar e duas das suas últimas palavras...”

SERVIÇOS
O Plano, Agda Theisen – romance (396 p.), R$ 45 (Penalux, 2020).





AUTORA
Agda Theisen é gaúcha de Porto Alegre, viveu muitos anos na Bahia e hoje mora em São Paulo com seu marido e dois filhos. O Plano é o seu primeiro romance publicado. Acredita na força das histórias para entreter, emocionar e refletir e descobriu que escrever é tão prazeroso quanto ler.
Compartilhe:

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Poemas por um triz - Autora lida com o tema da transitoriedade em seu segundo livro


Todos já ouviram a palavra “triz”. Geralmente associada à expressão “por um triz”, que, em linhas gerais, significa ficar sob a eminência de algo. “Foi por um triz”, dizemos quando querendo expressar que foi “quase”, foi “por pouco”, “faltou um tantinho assim, ó”. Mas “triz” também significa “átimo”. Significa “quase nada”. 
Espanta, portanto, que uma palavra de aparentemente tão limitadas acepções possa ser tema de um livro, como é o caso da segunda publicação da autora Rachel Ventura Rabello, em lançamento pela Editora Penalux. Livro que se propõe a explorar poeticamente o amplo campo semântico da palavra que lhe dá título: Triz.
Indo mais fundo na acepção, a obra tem como proposta promover a reflexão sobre o medo de viver plenamente (um momento, um sentimento, uma experiência) e também sobre o medo de nos entregarmos a alguém. Afinal, estamos “sempre a um passo da total entrega”, como diria o poeta Paulo César Pinheiro. 
Diversos poemas no livro contemplam essa definição da palavra triz. Outros são mais despretensiosos, dando enfoque à definição menos usual da palavra (“pequena diferença, quase nada”), e chamam a atenção para o fato de a vida ser também repleta desses vazios, desses momentos ínfimos, íntimos e, quase sempre, banais. 
Mas, como a acepção mais conhecida da palavra é dentro da expressão “por um triz”, há diversos poemas do livro que dialogam com essa acepção. 
“Os gregos acreditavam que existia uma linha invisível que separava deuses e mortais”, explica a autora. “E que os artistas eram os únicos mortais capazes de cruzá-la e voltar dela sem enlouquecer. Deste modo, o livro flerta com o perigo, com a famosa frase de Riobaldo, em Grande sertão: veredas: ‘viver é muito perigoso’”, reflete. “Estamos sempre por um triz, por uma linha...”
Para Masé Lemos, poeta e Doutora em Letras, Rachel explora “novas possibilidades da lírica contemporânea”. Ela vai “além da melodia clássica, da tradição romântica ou da impessoalidade moderna”. Em sua nova obra, um “livro delicado, mas perigoso, predomina a poética do instante e do quase nada. A simplicidade vocabular escolhida pela poeta cria um mundo muito próximo e concreto, mas sua dicção lírica singular provoca enervamentos rítmicos pelo uso preciso e sutil da rima e dos cortes e cesuras presentes em seus versos. O livro constrói uma lírica no feminino, mote principal deste livro inteligente”.
A autora enxerga seu trabalho poético como uma exploração subjetiva e metafísica. Explica: “Embora a questão do feminino esteja muito presente, a abordagem que traço é menos política que visceral, explorando questões anímicas a partir do corpo e da escrita”. 
O livro, que se encontra em pré-venda, já pode ser encomendado por meio da livraria on-line da editora. 

Abaixo um poema do livro:

aquela

eu sou aquela que partiu
virou sombra
aquela cuja lembrança se esvaiu
seu rosto é um borrão com dentes
um vago som de risadas
corpo feito de água
fluindo, fluindo...
eu sou aquela que sumiu
cujo nome ecoa nos vales
em segredo:
eu sou aquela que tem medo.



SERVIÇOS
Triz, Rachel Ventura Rabello – poesia (76 p.), R$ 38 (Penalux, 2020). 
Link para compra:

A AUTORA
Rachel Ventura Rabello nasceu no Rio de Janeiro em 1990. Autora do livro Em mãos (In media Res, RJ), é poeta, mestra em Teoria da Literatura e Literatura Comparada (UERJ) e professora. Triz é seu segundo livro de poemas.
Compartilhe:

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Um exercício de empatia por meio da escrita


Em seu segundo romance escritor traça um drama de perdas e reencontros

Que drama maior pode acontecer a uma mãe do que o de perder um de seus filhos? 
É esse o tema central da nova obra do escritor Pedro Torres Lobo, que está em lançamento pela Editora Penalux. 
Em Vinte Anos, segundo romance do autor, que também é Defensor Público do Estado do Rio Grande do Sul, são contadas vidas que se aglutinam e se desenvolvem – imbricadas – em torno de um evento: a separação entre mãe e filha, no dia do seu nascimento, para ser entregue à adoção. 
O fato de perder a filha, em vida, faz com a mãe biológica busque conhecer-se melhor, saindo de casa ao encontro de um destino desconhecido. Graças ao talento do romancista, esse enredo aparentemente singelo se transforma em uma trama psicológica que nos mostra o quanto os laços familiares – mais fortemente, o laço sanguíneo entre a mãe e sua prole – podem ser inquebrantáveis e dotados de grande força misteriosa. 
O autor monta sua narrativa intercalando capítulos que, como um quebra-cabeça, são tecidos no presente e no passado da vida de cada um dos personagens, revelando os antecedentes do fatídico dia e suas ramificações e consequências. 
“Todos vivemos emaranhados”, diz o escritor. “De alguma forma ainda desconhecida, talvez estamos interligados. Essa ligação não se quebra nem por uma ordem judicial, nem pelo tempo, tampouco pela distância”, assegura.  
“A obra é de uma sensibilidade ímpar”, atesta Waldemar Menchik Jr., poeta e escritor que assina a orelha do livro. “Deve ser degustada aos poucos, mas, havendo sido cinzelada pela pena espirituosa do autor, será lida, de um só fôlego, pelos leitores que, emocionados, constatarão que as inescondíveis tintas da emoção é que constroem o caráter incomum de um grande livro, que merece ser lido e reconhecido.” 
Para o escritor, os principais efeitos desse seu novo romance são o desencadeamento de emoções e de reflexões, que talvez encontrem ressonância na vida de cada um. “Ainda que cada pessoa que venha a ler a obra não tenha passado por nada do que nela se narra”, pondera. 
A obra busca causar no leitor um natural exercício de empatia por todos os envolvidos na história. “Uma leitura de impacto emocional”, define, por fim, Pedro Torres.   

TRECHO
“Em meio à branca luz do ambiente, uma forma, a fonte do calor, do cheiro, do som. O olhar se perde. Rodopia. O pulsar desse peito. A mesma palpitação, som que rimbombava, ininterrupto, durante os nove meses de hibernação no líquido quente e protetor. Um coma prazeroso. Um presente da vida. Um intervalo – não o começo – de descanso: peregrino que se deita à sombra da árvore e que dorme, preparando-se para a longa jornada. Mas aí está, a angustiante energia, que era amiúde despejada no seu líquido ambiente, seu ar. Veneno que sufoca. Debatia-se quando lhe vinha aquela onda. Remexia-se. Queria se afastar. A cada movimento, contudo, mais ela se espalhava. Tomava conta de todo o seu entorno. O sentimento que sua mãe sentia era o mesmo de que padecia, numa reprodução automática, talvez necessária e natural.”



SERVIÇOS
Vintes anos, Pedro Torres Lobo – romance (288 p.), R$ 42 (Penalux, 2020). 
Link para compra:

AUTOR
Pedro Torres Lobo é escritor e Defensor Público. Em 2018, publicou seu primeiro romance, As Aves que Conduzem o Barco.
Compartilhe:

sábado, 23 de maio de 2020

A inata necessidade humana de observar


Livro transita entre a vigilância humana e suas inevitáveis consequências

Espiar, mais do que nunca, tem sido um verbo muito conjugado nestes tempos atuais. Para além do sentido sexual, é como se vivêssemos numa sociedade voyeur. Prova disso é o BBB, reality show que continua gerando grande audiência mesmo tendo chegado a muitas edições, anos a fio. Nossa necessidade de observar, avaliar e vigiar é matéria de pesquisa em vários campos de estudo. E isso também se reflete na literatura, visto que os escritores são tidos como as antenas do seu tempo: captam várias tendências, capturam comportamentos e visões de mundo que se formam à sua volta. 
Carvalho Neto, que também é professor de Literatura, está lançando pela Editora Penalux seu novo romance: “Quando nos observam”. A obra aborda exatamente esse aspecto. A ideia do título se relaciona com o constante observar humano e suas consequências. 
“O nosso olhar para o outro e quando o outro também nos observa”, conta o escritor. “Essa troca gera, entre as pessoas, medo, incerteza, insegurança, vaidade, controle, poder, fragilidade, falsas impressões e até mesmo loucura.”
No livro, a presença do narrador em segunda pessoa e o nome do personagem central foram escolhidos para esse propósito também. O personagem central é observado por essa voz externa, narradora, e ele será o vigilante insone numa ala psiquiátrica. Seu nome, Gregório, significa “o acordado”, “o alerta”, “o vigilante”.
“Há essa voz que fala com o personagem central e o observa quase que constantemente”, explica Carvalho. “Mas ele não a ouve, não pode; é a voz do narrador em segunda pessoa ajudando a construir a história. Gregório, o personagem em questão, e também narrador, é aquele que vigia, o alerta, o acordado. Daí temos o arquétipo para a trama do livro: observar e ser observado”, conclui.
O enredo do romance vai por esse caminho. Após treze anos de ausência, Gregório regressa ao seio da família. Encontra-se com o pai — e seu peculiar universo — e se depara com o sumiço repentino do irmão mais velho. Vivendo entre uma estranha alameda e o hospital onde trabalha, Gregório tentará manter o sono e a sanidade mental em equilíbrio; e isso, muitas vezes, não é tão simples assim de se conseguir. 
“A obra de Carvalho Neto nos lembra, com uma ironia desconcertante, que não há batalhas reais entre esses mundos, mas somente momentos de continuidade e descontinuidade, não havendo aqui, portanto, vencedores”, escreve o escritor José Manoel Ribeiro, que assina o texto de orelha do livro. 
Linguagem de fluxo acelerado, certos convencionalismos de escrita rompidos, Quando nos observam trabalha com a concepção de que entre mundos aparentemente distintos — uma ala psiquiátrica e a vida que corre cá fora — não há grandes diferenças na verdade. Basta olharmos com atenção.

TRECHO
“vá logo para seu novo destino, não leve essas frases soltas, mencionadas por pessoas que nem ao menos passam perto da ala, isso é conversa de refeitório balcão administrativo cantinho do café corredores cada canto escondido cada espaço existente, o comezinho é o tom da retórica, a famigerada ala psiquiátrica, jamais visitada, e tão bem conhecida.”

BOOK TRAILER:

SERVIÇOS
Quando nos observam, Carvalho Neto – romance (208 p.), R$ 40 (Penalux, 2020). 
Link para compra:





AUTOR
Pedro Anselmo CARVALHO NETO é professor de literatura e escritor de contos e romances. Natural de Jequié-BA, é graduado em Letras Vernáculas pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) e mestre em Literatura e Diversidade Cultural pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Autor de outros três livros, Casa pétrea de dois alpendres, Plástico bolha (romances) e No caminho de volta (contos).

Compartilhe:

terça-feira, 19 de maio de 2020

Uma visão diferente sobre a Proclamação da República

Aguinaldo Tadeu - Foto divulgação
Do que é capaz um homem apaixonado e tomado por ciúmes? Mudar os rumos de uma nação? 

Muitos dos livros de História com os quais os professores trabalham em salas de aula, principalmente nas primeiras fileiras da educação básica e fundamental, costumam ser convergentes em vários pontos e aspectos sobre feitos e vultos históricos. Mas a História, não sendo uma ciência exata, muitas vezes não consegue retratar a realidade passada com a devida imparcialidade ou exatidão dos fatos, gerando sobre um mesmo tema pontos divergentes. À luz de novas descobertas e pesquisas, um dado histórico pode ser revisto e recontado. Nesse sentido, não faltam nas prateleiras das livrarias obras em que os repassados meandros da História recebem novas luzes e esclarecimentos ou, quando não, novas interpretações a fatos já consagrados. 
O escritor Aguinaldo Tadeu propõe algo nessa linha com o seu livro A mulher que proclamou a República: um romance histórico que busca trazer nova luz sobre esse momento determinante de nossa História. 
Em lançamento pela editora Penalux, o livro sugere que a proclamação não foi feita pela convicção republicana do imponente marechal Deodoro, mas, sim – vejam só – por dor de cotovelo e orgulho ferido de um homem apaixonado. E por quem? Pela bela e misteriosa Baronesa do Triunfo. 
Para Aguinaldo, a História do Brasil está repleta de surpresas. “Os livros didáticos trazem apenas uma versão da História”, afirma. “Meu livro pretende trazer uma nova visão sobre o evento da Proclamação da República”. E comenta: “A mistura do público com o privado é recorrente na política brasileira”.
Sustentado por ampla bibliografia, este livro surpreende ao dar voz ao controverso marechal Deodoro, personagem principal do enredo, trazendo uma visão alternativa desse acontecimento decisivo na História do Brasil.
André Giusti, escritor e jornalista, escreveu na orelha do livro que a paixão por uma mulher “é capaz de derrubar um monarca e mudar a forma de governo e organização política de um país. Aguinaldo Tadeu, neste romance, mistura ficção e realidade, atravessando os anos que antecederam a queda de Dom Pedro II e chegando a um período curto e posterior ao 15 de novembro de 1889. Usando sem parcimônia a força do diálogo, o autor mescla a história do Brasil com a hipotética vida privada de um de seus maiores vultos. No livro, Deodoro da Fonseca abre o coração para Alcides, um serviçal que conquista a confiança do primeiro presidente do país. E nessas confidências, o leitor descobrirá que o homem apaixonado e tomado de ciúmes, citado logo na primeira linha, é ninguém menos que o próprio Deodoro. Mas há mais surpresas nas longas conversas reveladoras”. 
Em busca dessas surpresas, cabe agora aos leitores mergulhar nessa aventura histórica. O livro pode ser adquirido diretamente pela livraria da editora. 

TRECHO:
Velho e doente, após deixar a Presidência da República, o marechal Deodoro da Fonseca, recolhido em sua casa, resolve contar os segredos de sua vida ao seu ambicioso secretário particular, Alcides. Entre essas histórias, está o verdadeiro motivo de ter proclamado a República, mesmo sendo um fervoroso monarquista, fiel e grato ao imperador. Durante essas conversas, o livro apresenta um Deodoro irônico, amargurado, apaixonado, explosivo e sincero, longe do mítico personagem dos livros didáticos, que passa a limpo o Brasil de seu tempo, mostrando a sua visão sobre figuras como Dom Pedro II, a princesa Isabel, Benjamin Constant, Visconde de Ouro Preto. Personagem importante na Monarquia e na República, Deodoro rasga seu coração sem meias palavras e nos conta suas vitórias, derrotas, casos de amor e decepções. Do outro lado da mesa de centro de seu gabinete, Alcides, seu secretário, que serviu tanto ao imperador quanto ao primeiro presidente, também tem seus segredos para contar. 

SERVIÇOS
A mulher que proclamou a República, Aguinaldo Tadeu – romance (332 p.), R$ 45 (Penalux, 2020). 
Link para compra:

O AUTOR
Aguinaldo Tadeu nasceu em Belo Horizonte, morou em diversas cidades e, atualmente, anda meio perdido pelas tesourinhas de Brasília. É formado em História e autor de outros seis livros, passando por contos, romance, literatura infantil e poesias. Entre eles, está O dono do rádio, contos, Giostri Editora, 2011, vencedor da Bolsa de Criação Literária da Funarte. Gosta de contar e ouvir casos, os reais e os imaginários, tomando um café de rapadura à beira de um fogão à lenha. Acredita nas coisas mais simples da vida e vive com a cabeça nas nuvens.
Compartilhe:

domingo, 26 de abril de 2020

Em novo livro autora mergulha seus poemas em metáforas aquáticas


Velas ao vento: ou quando os olhos singram pela correnteza da poesia

As águas já foram tema de canções belíssimas. Estão também presentes em várias religiões como o elemento purificador de corpos e almas. Na natureza, as águas, assim como os outros elementos, ar, terra e fogo, simbolizam toda a essência da vida. É seguindo essa corrente de pensamento que o novo livro da autora Rita Queiroz navega e conduz o leitor pelas suas margens poéticas. “Velas ao vento” sai pela Editora Penalux, é o seu quinto livro de poesia. 
Em entrevista à editora, a autora diz que o seu livro traz uma singela contribuição para a literatura e para o cenário atual, pois representa um bálsamo para os dias difíceis. A obra pretende “passar a ideia de beleza, de sofrimento, mas, primordialmente, da força que há nas águas”, diz.  E complementa: “O livro traz um tributo às águas, sejam estas doces ou salgadas, e de como se pode atravessá-las, reverenciá-las, senti-las em sua infinitude”.
“Velas ao vento” é, como a própria expressão indica, um impulso a navegar. “Rita Queiroz sabe se fazer mar para alcançar o céu, sabe se fazer rio para atingir o precipício, sabe se tornar uma foz para desaguar encontros!”, diz Antonio Wilson Silva de Souza, professor de História da Arte. 
Para Aleilton Fonseca, Rita Queiroz é uma poeta de visão lírica abrangente. “Ao lermos seus livros anteriores, podemos afirmar que sua poesia é ar, é fogo, é terra e, sobretudo neste livro, é água primordial. Sua poesia instaura um processo de autoconhecimento através da epifania das águas”, aponta o crítico. 
André Galvão, que assina o texto de orelha da obra, escreve sobre a composição do livro que está dividido em três partes. Para ele, “Epifania das águas”, “Marinhas” e “Confluências” dialogam entre si “de forma envolvente, revelando caminhos percorridos através da poesia e por meio das águas que se misturam. Somos convidados a navegar junto com a poeta, no ritmo de ondas e da brisa do mar.” 
Outro autor que colabora criticamente com a obra é o poeta Wesley Correia, que diz: “A leitura de ‘Velas ao Vento’ traz a possibilidade de que se testemunhe um espetáculo de raro esplendor com a presença das muitas águas – de rios e mares, da cachoeira ancestral, da umidade apaixonada onde mergulham corações sedentos”.
“Em mares profundos, misteriosos e envolventes, mergulhei”, confessa a autora Aldirene Máximo, que estampa seu texto na quarta capa do livro. “Inquieta ficou minh’alma”, continua ela, “pois eram muitos segredos a decifrar. Águas que lavam as dores, lágrimas que ficaram pela estrada, todas desmistificando a ancestralidade da autora que carrega estrelas nos olhos”.
Assim é esse novo livro de Rita Queiroz: caudaloso e generoso aos que pescam poesia. Convidamos os leitores a mergulharem no universo de Velas ao vento e, a partir daí, construírem seu movimento de ir e vir através das águas.

SERVIÇOS
Velas ao vento, Rita Queiroz – poesia (80 p.), R$ 38 (Penalux, 2020). 
Link para compra:

SOBRE A AUTORA
Nascida na Bahia de todos os Santos, na terra de Nosso Senhor do Bonfim, com o Sol em Leão, aos 22 dias do mês de agosto. Professora universitária, filóloga (pesquisadora do manuscrito), poeta. Autora dos livros Confissões de Afrodite, O Canto da borboleta, Canibalismos (Penalux, 2019, 2018, 2017), Ciranda, cirandinha: vamos brincar com poesia? (Infantil) e Colheitas (Darda, 2019, 2018). Organizadora de coletâneas. Colunista na Revista Cultural Evidenciarte. Publicações em diversas antologias, no Brasil e no exterior, bem como em revistas literárias. Integrante dos coletivos “Confraria Poética Feminina”, “Mulherio das Letras” e “Coletivo de autoras de literatura infantil e infanto-juvenil da Bahia-CALIIB”.
Contatos da autora: rcrqueiroz@uol.com.br | Facebook: Rita Queiroz | Instagram: @ritaquei e @ritaqueiroz.poeta
Compartilhe:

domingo, 22 de março de 2020

As Paisagens de Paulo Williams


Itinerário entre paisagens convida o leitor a inverter a olhar para dentro

O diretor de Teatro Paulo Williams, que há anos atua na capital paulista, está para lançar seu primeiro livro: uma coletânea de poemas cuja proposta do autor é fazer o leitor sentir e enxergar as coisas de outra maneira, sob outros ângulos. 
Paisagens invertidas, obra que sairá pela Editora Penalux, é constituída por 70 poemas, divididos em 7 partes, pelas quais perpassam as paisagens poéticas que o autor costura em seus versos. 
“A ideia é levar o leitor a experimentar uma vertigem causada pelo assombro da poesia diante da vida e do amor”, diz o poeta. 
Para Williams o valor de uma obra de poética consiste em criar para o leitor “uma ponte de atravessamentos e afetos”. “Por outro lado”, continua ele, “produzir poesia é também resistir. Não devemos nos calar, principalmente em tempos sombrios como o nosso”, adverte.
Nas palavras da escritora Aline Bei, que assina o prefácio do livro, “a precisão na escolha das palavras é notável, além da delicadeza e da sofisticação”. Ela ainda diz: “Fiquei pensando, depois de ler o seu livro, no quanto nos misturamos com as Paisagens que miramos... Não é possível olhar algo sem a lente do eu”. 
O livro também traz forte o  tema do amor. “Amor como busca, amor como desejo, amor como devaneio, loucura”, complementa Willians. 
Segundo Alexandra Vieira de Almeida, crítica e poeta que apresenta a obra na orelha do livro, a poesia de Paulo Williams começa pelo meio selvagem e natural até chegar à cidade com seus revezes. O poeta produz uma poesia que transforma o ambiente, revelando-nos uma íntima relação entre o interior e o exterior, o dentro e o fora. “Com relação à estruturação poética”, destaca a crítica, “Paulo Williams consegue com grande proeza unir a poesia à prosa, rompendo com o purismo dos gêneros. Além disso, o jogo com as palavras e suas combinações é inventivo, revelando-se na sua poesia a criação do verbo em êxtase estrutural e imaginário”.
O evento de lançamento ainda não tem dada marcada, tendo em vista as recomendações do Ministério da Saúde de se evitar aglomerações durante esse período de pandemia. Mas a obra já se encontra em pré-venda pelo site da editora. 

O AUTOR
PAULO WILLIAMS
Nascido em Salvador BA em 1977, hoje vive em São Paulo. Formou-se em Filosofia e Artes Cênicas, estudou Dramaturgia na Escola SP de Teatro. O interesse pela poesia e filosofia vem desde cedo, resultou em inúmeras experimentações no teatro, tendo a literatura como foco de criação.  Fundador do Grupo Tecelagem de Teatro, com o qual ganhou diversos prêmios como ator, dramaturgo e diretor. 
É autor das peças Monóculo, Onoff, A Maçã, entre outras. Atualmente desenvolve a ideia original dos roteiros das séries: Insólitas; Desaparecidos e Estranho modo de andar no meio fio. 

SERVIÇOS
Paisagens invertidas, Paulo Williams – poesia (132p.), R$ 38 (Penalux, 2020). 
Link para compra:
Compartilhe:

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Ontem é um futuro que ainda irá acontecer: o passado como divisão de afetos em A memória é um cavalo selvagem


Sete considerações sobre a obra poético-genealógica de Pedro Pérez

Por Daniel Zanella

1. Em Vida da razão, o filósofo espanhol George Santayana vaticina: “Os que são incapazes de recordar o passado são condenados a repeti-lo”. Em tempos onde é preciso provar que maçãs existem e que chamar Jesus de Genésio é apenas expressão popular, A memória é um cavalo selvagem, de Pedro Pérez, nos apresenta uma descida singular e poética a um passado que não apenas quer ser recordado, como também analisado, verificado, reconhecido e não idealizado: a literatura como única manifestação terapêutica possível, um divã de parágrafos onde o circum-navegador nos orienta a uma ilha de estranhas atrações. E o que é escrever, afinal, senão uma forma de nos despertar da ilha, de recuperar um passado continuamente vívido num mar caudaloso, o sono da razão de Goya produzindo monstros?

2. “Os biógrafos, esses seres absurdos, são violadores de intimidades, reveladores de pequenas frestas ocultas dos dias de alguém normalmente já morto. Os biógrafos são essencialmente perigosos quando trabalham, suam diante de fatos empoeirados, alegram-se ao descobrir segredos que o biografado não gostaria jamais que se tornassem coisas públicas, ficam insones diante de pegadas imaginárias e lidam com a lógica assustadora da construção de um indivíduo” (PÉREZ, 2020, p. 204). Não interessa a Pedro Pérez a suposta matemática dos fatos, as veias abertas das grandes notícias objetivadas. É o pequeno, é o mínimo. Diante de um mundo que acelera o indivíduo em prol de estabilidades que não se sustentam nem até a página 2, defender minuciosamente o passado em quase 300 páginas é uma forma de protesto, de oferecer um outro tipo de velocímetro. Bartleby da memória, Perez defende a subjetividade como quem luta dentro de um castelo prestes a ser tomado pelas tropas inimigas — e as memórias ali, prontas para entrar em combate e nos recordar que ter vivido é a única morte que podemos presenciar. 

3. A tessitura do passado nunca se encerra e, no território literário, exige um pacto entre autor e leitor. Ao buscar entender o campo do pacto autobiográfico, Phillipe Lejeune pretende evidenciar como a proposta pode ser uma via de mão dupla, com características internas próprias e recepções específicas. É justamente neste terreno do pacto autobiográfico e de elementos de semelhança e identificação que a memória se alimenta e a obra de Pedro Pérez mais se solidifica. Wolfgang Iser parte na direção do texto ficcional ser uma realidade que não somente deve ser identificável como realidade social, mas que também pode ser de ordem sentimental e emocional. “Estas realidades por certo diversas não são ficções, nem tampouco se transformam em tais pelo fato de entrarem na apresentação de textos ficcionais” (ISER, 2013, p. 32). E como isso se aproxima de A memória é um cavalo selvagem? Acompanhamos a jornada de Pérez pelas entranhas de seu passado como se aprendêssemos a vivê-lo juntamente, o Eu que é um Outro. Leitores convencidos a jogar o jogo, criamos uma ficção somente nossa e somos conduzidos a um tempo anterior que pode também ser o nosso, não o passado conveniente-clichê das memórias do que não foi vivido. Pérez quer ensinar o seu passado como um passado de todo mundo — característica comum entre as grandes obras literárias: “Amar é um tanto constrangedor” (PÉREZ, 2020, p. 130).

4. Convém observar aquilo que Paula Sibilia chama de acervo de significações: “A experiência de si como um eu se deve, portanto, à condição de narrador do sujeito: alguém que é capaz de organizar sua experiência na primeira pessoa do singular. Mas este não se expressa unívoca e linearmente através de suas palavras, traduzindo em texto alguma entidade que precederia o relato e seria mais real do que a mera narração. Em vez disso, a subjetividade se constitui na vertigem desse córrego discursivo, é nele que o eu de fato se realiza” (SIBILIA, 2008, p. 31). É bem isso: a vertigem de um córrego discursivo. Em cada página de A memória é um cavalo selvagem somos apresentados a um catálogo de belezas, de sustos, de ligações únicas e universais de palavras: “a infância já contém todas as maldades” (PÉREZ, 2020, p. 99), “Eu continuo sofrendo, nada mais do que isso” (PÉREZ, 2020, p. 65) e “sou um ser da chuva, um batráquio tranquilo em seu ambiente” (PÉREZ, 2020, p. 121). São pequenos retratos de um percurso interior repleto de mentiras plenas, de cores explodindo no olhar do leitor, o rio de Heráclito banhando-nos nessa vertigem também chamada mundo contemporâneo.

5. Em diversos momentos, Pedro Pérez reitera o caráter de verdade da mentira de sua narrativa. Se também jogarmos nesse tabuleiro de fingir, podemos encontrar uma estratégia de aproximação, um contrato de leitura mais afetivo do que reiterativo. Sem a fábula, sem o devaneio, sem editar o passado, como é possível conviver com nossas falhas? Como sobreviver a um passado de ausências, más escolhas, indigências emocionais? Neste passado de leão feito de cordeiros assimilados, Pérez nos propõe uma recoleção de amores, uma experencialidade por meio de uma palavra conectada na outra com precisão. Se do breu foi feito a luz, da linguagem se fará o fim.

6. Como em todo escritor, a vontade de escrever de Pérez denota a existência de uma pulsão pública de contar e de falhar. Lejeune assevera que um autor não exatamente uma pessoa: “É uma pessoa que escreve e publica. Inscrita, a um tempo, no texto e no extratexto, ele é a linha de contato entre eles (LEJEUNE, 2008. p. 17). Leitor de um livro em progressão, leitor de nós mesmos, somos impelidos a um interior de dores, de sofrimentos, de escuridões mediadas pela beleza de contar de um narrador localizado em um tempo somente dele. Possivelmente, não exista melhor forma de sofrer.

7. Ensaísta ou poeta ou filósofo ou geógrafo de apegos ou estrategista de corações. O narrador de A memória é um cavalo selvagem nos puxa pela mão e nos reconecta: “Todas as coisas flutuam sobre a Terra, e considero arrogante todo aquele que explica essa flutuação com argumentos científicos. Aprecio as informações dos artistas, que não explicam nada. Talvez sejam mais leves, hesitem, oscilem entre vontades igualmente potentes e que não levam a um mesmo lugar. Um cientista é pesado e tem pouco pudor, quer exterminar a ilusão como um policial que mata em nome da lei” (p. 16). E o que é um livro senão uma troca silenciosa de afetos entre autores e leitores?

BIBLIOGRAFIA
ISER, Wolfgang. O fictício e o imaginário. Rio de Janeiro: EDUERJ, 2013.
LEJEUNE, Philippe. O pacto autobiográfico. Belo Horizonte: Editora UFMP, 2008.
PÉREZ, Pedro. A memória é um cavalo selvagem. Guaratinguetá: Editora Penalux, 2020.
SIBILIA, Paula. O show do eu: a intimidade como espetáculo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.

Daniel Zanella é jornalista, cronista e editor responsável pelo jornal literário RelevO.
Contato: contato@jornalrelevo.com

A memória é um cavalo selvagem, romance (Editora Penalux). R$45 (294 p., 16x23).
Autor: Pedro Pérez.
Disponível em:
https://www.editorapenalux.com.br/loja/a-memoria-e-um-cavalo-selvagem
E-mail: vendas@editorapenalux.com.br
Compartilhe:

Baixe a Revista (Clique Sobre a Capa)

baixar

E-mail: ademirpascale@gmail.com

>> Para Divulgação Literária: Clique aqui

Curta Nossa Fanpage

Siga Conexão Literatura Nas Redes Sociais:

Posts mais acessados da semana

ANTOLOGIAS LITERÁRIAS

POEME-SE

CONHEÇA A REVISTA PROJETO AUTOESTIMA

LIVRO: O CLUBE DE LEITURA DE EDGAR ALLAN POE

LIVRO DESTAQUE

CEDRIK - ROBERTO FIORI

Leitores que passaram por aqui

Labels