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segunda-feira, 11 de maio de 2020

Centenário de Clarice Lispector se aproxima e Rocco lança mais duas edições inéditas de sua obra


“A Bela e a Fera” e “A Maçã no Escuro” dão continuidade às edições especiais em comemoração aos 100 anos de Clarice e chegam ao mercado literário em maio

Em dezembro de 2020, Clarice Lispector faria 100 anos. Para comemorar, a Rocco dá continuidade aos lançamentos das edições especiais de sua obra completa, que contam com capas e conteúdo extra inéditos. Dia 30 de abril, serão lançados “A Bela e a Fera” e “A Maçã no Escuro”. Com uma literatura de excelência incontestável e estilo inimitável, Clarice Lispector se consagrou como uma das maiores escritoras de língua portuguesa de todos os tempos.

Assinado pelo premiado designer Victor Burton, o novo projeto gráfico dos livros traz nas capas recortes de telas feitas por Clarice, que pintou 22 quadros ao longo de sua vida. Na orelha dos títulos, o leitor encontrará a íntegra da tela retratada na capa. “A Bela e a Fera” traz a pintura de óleo sobre madeira “Eu te pergunto por quê?”, datada de 13 de maio de 1976, enquanto “A Maça no Escuro” tem a capa ilustrada com “Explosão”, de 1975.

“A Maçã no escuro”, considerado por muitos críticos “o” romance de Clarice, foi o último livro escrito enquanto Clarice morava no exterior. Ela já tinha pleno domínio da técnica que a tornou uma referência literária, o que resultou em um romance muito elaborado, onde ela se coloca na narrativa como um espectador capaz de alterar os destinos dos personagens. Agindo como um Deus, a autora muitas vezes abandona as características próprias de cada um deles para fazer uma descrição própria de seus papéis na história maior contada no livro: a vida, a criação, a dor e o prazer de ser.

Por sua vez,  “A Bela e a Fera” é composto por oito contos que apresentam duas Clarices: uma da adolescência, aos 14 anos de idade, e outra já adulta. O livro também incluí os dois contos escritos em seus últimos meses de vida, em 1977: "Um dia a menos" e "A bela e a fera". Para a Luiza Lobo, professora da Faculdade de Letras da UFRJ, escritora e tradutora, “esta obra, como todas as suas outras, é uma lição de vida. O tom confessional de diário, de conversa ao pé do ouvido, que é a tônica de seu estilo, registra, nestes contos, a enigmática reação das personagens femininas contra a repressão patriarcal, e mostra que a conquista da independência da mulher passa pela busca do próprio eu”, escreveu na orelha da atual edição comemorativa.

Para além das novas capas, os livros ganham renovação do conteúdo editorial com posfácios escritos por grandes especialistas da literatura Clariceana, como Nádia Battella Gotlib, Clarisse Fukelman, Benjamin Moser, Aparecida Maria Nunes, Ricardo Iannace, Marina Colasanti, Eucanaã Ferraz, Teresa Montero, Arnaldo Franco Junior e próprio filho da autora, Paulo Gurgel Valente, que excepcionalmente escreverá sobre seu último livro, “A hora da estrela”. O cineasta Luiz Fernando Carvalho, que está dirigindo nova adaptação da obra de Clarice (“A Paixão Segundo G.H.”), com estreia marcada para este ano, também assina um dos textos finais. “A Bela e a Fera” conta com texto do jornalista Claufe Rodrigues e “A Maça no Escuro” de Rosiska Darcy de Oliveira.

De acordo com o editor de Clarice Lispector na Rocco, Pedro Vasquez, a opção pelo uso de posfácios ao invés de apresentações ou textos introdutórios foi proposital com a preocupação de não dirigir ou tutelar a leitura, permitindo que o leitor aprecie o livro livremente. “Ao final do volume, a partir do texto dos especialistas, é possível contemplar a obra com outros olhos, sob um novo ponto de vista. O posfácio funciona, portanto, não como um guia de leitura e sim como um instrumento de expansão das possibilidades de interpretação, que, longe de direcionar ou restringir a interpretação do texto, multiplica as possibilidades de entendimento”, explica Vasquez. “Clarice tem uma popularidade cujo público não para de se expandir, apesar dela ter falecido há quatro décadas. Sem dúvida alguma Clarice está mais atual do que nunca, encontrando mais ressonância no coração dos leitores de hoje do que naqueles do seu tempo, quando a sociedade brasileira era bem mais acanhada do que a contemporânea”, completa.

SAIBA MAIS SOBRE OS LIVROS

A Bela e a Fera

“A Bela e a Fera” é uma das obras de Clarice Lispector que exalam a capacidade criadora e o poder de imaginação da estrela maior da literatura de autoria feminina no Brasil. As ideias que nutrem estes oito contos, escritos em 1940 e 1941 (parte I) e 1977 (parte II), recriam uma atmosfera a partir de situações cotidianas corriqueiras que termina por despertar no leitor a sensação do insólito que há em nossas vidas. Ninguém consegue ficar indiferente a essas ideias. Elas estimulam o lado mais criativo e belo que há em cada um de nós, talvez porque “o nascimento de uma ideia é precedido por uma longa gestação” – como nos diz a narradora de “História interrompida”.

A Maçã no Escuro 

Seriam os atos do homem, às vezes os mais cruéis, necessários para elevá-lo à condição de imagem e razão? Em A maçã no escuro, Clarice Lispector faz crer que sim, transformando o atordoado Martim em um novo homem após ter supostamente assassinado a mulher. Fugindo do crime, Martim acaba descobrindo-se como homem, desprezando os antigos valores estabelecidos em sua vida. Na corrida por uma nova existência, ele se revela numa outra condição. Sua fuga, em vez de isolá-lo, remonta à criação do homem, de um novo ser surgido do nada. A narrativa, próxima da criação bíblica, em vez de julgar os personagens culpados ou inocentes, faz deles aprendizes do mundo, onde cada etapa funciona como uma gênese de um ser recém-criado.

Os três capítulos que formam A maçã no escuro, escrito de 1951 a 1961, quando foi publicado, mostram de forma gradativa o pecado, ato impensado, e a redenção, o surgimento de um outro, como elementos primordiais de evolução do ser. A análise profunda que Clarice impõe nada mais é que o exercício do pensamento: o diferencial do homem, que mata, morre e ressuscita, ressurgido a cada momento. 
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sábado, 25 de abril de 2020

Harry Potter completa 20 anos no Brasil

Publicado pela Editora Rocco em 2000, o menino-bruxo vendeu mais de 450 milhões de cópias no mundo e representou um divisor de águas no mercado editorial infanto-juvenil 

Para comemorar a data, novas edições de capa dura são lançadas para os fãs

Em abril de 2000, a editora Rocco colocava no mercado brasileiro as primeiras cópias de “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, da autora britânica JK Rowling. O sucesso dos livros no exterior, lançados em 1997, anunciava uma revolução no mercado editorial, que iniciaria uma nova era para as publicações infanto-juvenis. Vinte anos depois, a trajetória do bruxo no Brasil coloca o país como o 7º maior mercado da saga, com mais de 5 milhões de cópias vendidas. “Harry Potter” é o terceiro livro mais vendido do mundo, traduzido para mais de 70 idiomas diferentes.

Para comemorar os 20 anos de Harry Potter no Brasil, a Rocco lança no dia 30 de abril novas edições de capa dura e box especial para os fãs colecionadores. As capas são assinadas por Brian Selznick, criador de “A invenção de Hugo Cabret”, e se complementam: ao unir os exemplares lado a lado, uma grande ilustração se forma com personagens e elementos que representam a história. O box com os sete livros também traz ilustrações dos brasões das casas de Hogwarts, além dos rostos de Harry no verso e de Voldemort no interior da caixa. Para o segundo semestre, a editora planeja ações com os fãs em diversas capitais brasileiras, além de um grande evento em São Paulo, com um dia inteiro voltado para o bruxo com palestras, concursos, venda de produtos licenciados e mostras de cinema.

Harry Potter foi responsável pela formação de uma nova geração de leitores, o que representou um divisor de águas para o mercado editorial infanto-juvenil. Após o sucesso do bruxo, as atenções se voltaram para os jovens leitores em potencial e o mundo fantástico de Harry Potter despertou em crianças e adolescentes o interesse pela leitura, transformando a faixa etária em consumidores vorazes de livros. JK Rowling conta que foi rejeitada por diversas editoras, que diziam ser um livro muito longo para o público jovem. Os números provam o contrário: a primeira tiragem nos Estados Unidos, de aproximadamente 3 mil exemplares, esgotou-se em quatro dias.

A Rocco, que em 2020 completa 45 anos, comprou os direitos de Harry Potter quando a história fazia sucesso apenas no Reino Unido e apostou no bruxo para incrementar o catálogo infanto-juvenil. Com a publicação do segundo volume da série, na Inglaterra, o livro tornou-se um crossover e entrou no mercado de adultos também.

“Quando conheci o agente Christopher Little perguntei se ele tinha alguma coisa juvenil, pois queria melhorar nosso catálogo. Ele me contou de Harry Potter, que estava indo bem na Inglaterra. Pedi para avaliarem e me disseram que era bom. Me bateu um instinto e resolvi telefonar para o agente, começamos a negociar e chegamos a um acordo. O livro estourou no exterior e corri com a tradução para lançar no Brasil”, lembra Paulo Rocco. “JK Rowling quebrou o paradigma de que jovem não lê e o mundo todo tem essa dívida com ela. Existe o antes e o depois de Harry Potter. Todos os dias nascem crianças e, mais cedo ou mais tarde, elas vão se deparar com a história mágica do bruxo e devorar os livros”, brinca.

Entre os desafios da publicação no Brasil, estava a tradução. Palavras que não existiam em Português foram inventadas pela tradutora Lia Wyler e o processo de traduzir os livros originou um glossário com 2.145 nomes de feitiços, personagens, lugares, objetos, títulos de livros, ingredientes de poções, entre outros termos que orientaram a tradução dos livros seguintes. “Para diminuir dúvidas, a Rocco manteve contato estreito com a autora, por intermédio de seus agentes, que auxiliavam com atenção e precisão, aprovando todo o material que, necessariamente, lhes era submetido. O desafio da tradução e adaptação de nomes foi, de maneira geral, criar formas de contextualização e aproximação cultural.  Era necessário criar códigos de acesso que, considerando a nossa cultura, permitissem ao leitor brasileiro uma melhor compreensão do universo mágico de JK Rowling, sempre preservando a sua cor original. O esporte ‘quadribol’, por exemplo, foi associado ao futebol, nosso esporte mais popular”, relembra a editora dos livros de Harry Potter na Rocco, Mônica Figueiredo.

Esse vocabulário em Português foi base para legendar e dublar os filmes no Brasil, uma vez que o público já estava familiarizado com a linguagem dos livros. A adaptação cinematográfica da saga, que arrecadou uma bilheteria de mais de 9 bilhões de dólares, também contribuiu para o crescimento do número de leitores. A história continua a ser explorada pelo cinema e, em 2021, o terceiro filme da franquia “Animais Fantásticos e onde Habitam” será rodado no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro.

Desde o lançamento do primeiro livro, a Rocco fez diversas edições com valores variados para atingir todas as faixas. A primeira edição, inclusive, continua sendo vendida ao lado de versões ilustradas, capas duras e boxes especiais. Em novembro de 2019, os livros de Harry Potter passaram a figurar novamente na lista de mais vendidos no Brasil e EUA. “Acreditamos que os fãs que cresceram com Harry Potter estão agora passando sua paixão pela história para seus filhos, renovando a geração de leitores”, conta Bruno Zolotar, diretor de Marketing e Comercial da Rocco.

HARRY POTTER EM NÚMEROS NO BRASIL E NO MUNDO

· 450 milhões de livros vendidos em todo mundo
· Presente em mais de 200 países e traduzido para mais de 70 idiomas
· Brasil é o 7º mercado de livros de Harry Potter, com mais de 5 milhões de cópias vendidas
· A Rocco lançou no mercado nacional os sete livros principais, três complementares (“Animais Fantásticos e onde habitam”, “Quadribol através dos séculos” e “Os contos de Beedle, o Bardo”), o roteiro da peça “Harry Potter e a Criança Amaldiçoada”, seis guias de referência dos filmes da franquia “Harry Potter” e  de “Animais Fantásticos e Onde Habitam” e “Animais fantásticos: os crimes de Grindelwald”, além de boxes especiais. A editora também já disponibilizou os quatro primeiros livros em versão ilustrada por Jim Kay, e “Animais fantásticos e onde habitam”, com ilustrações de Olivia Lomenech Gill.
·  Um glossário com mais de 2 mil palavras foi feito pela Rocco para a tradução dos livros.
· No leilão em que a Scholastic adquiriu os direitos de publicação do primeiro volume da série, o preço final foi de 105 mil dólares. Foi o valor mais alto pago até então por um livro infantil. A primeira edição, de 2.500 exemplares em capa mole e 450, em capa dura, esgotou-se em 4 dias.
· Quando o Universal Orlando abriu seu próprio Mundo Mágico de Harry Potter em 2010, o número de visitantes no parque aumentou cerca de 30%
· A franquia "Harry Potter" como um todo é estimada em aproximadamente 25 bilhões de dólares

20 ANOS DE HARRY POTTER NO BRASIL

Edição comemorativa dos sete livros da saga
Lançamento: 30 de abril de 2020

Onde encontrar: livrarias físicas e online de todo o Brasil

Harry Potter e a Pedra Filosofal (R$ 49,90)
Harry Potter e a Câmara Secreta (R$ 54,90)
Harry Potter e o Prisioneiro De Azkaban (R$ 64,90)
Harry Potter e o Cálice De Fogo (R$ 74,90)
Harry Potter e a Ordem Da Fênix (R$ 89,90)
Harry Potter e o Enigma Do Príncipe (R$ 69,90)
Harry Potter e as Relíquias Da Morte (R$ 79,90)
Box Harry Potter (R$ 449,90)
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terça-feira, 7 de abril de 2020

Mudanças na rotina abrem brechas para cursos de qualificação

Bruno Zolotar - Foto divulgação
Diretor da Editora Rocco dá videoaulas sobre marketing para o mercado editorial e autores em quarentena têm a chance de conhecer melhor o funcionamento da área. Curso também ajuda jornalistas, estudantes e curiosos. 

O diretor de Marketing e Vendas da Editora Rocco, Bruno Zolotar, faz coro à Educação a Distância em tempos de isolamento social e possibilidades de ajustes, aprimoramento e atualização profissional. O curso Marketing 360 graus (https://bit.ly/2w8ZKZK), da Universidade do Livro, está com inscrições abertas até dia 6/5 e é oportunidade para escritores, para quem atua com marketing e vendas de editoras no cenário nacional, editores, jornalistas, estudantes, publicitários, futuros empreendedores e interessados no mercado do entretenimento.

Com foco no marketing da indústria editorial, Zolotar usa a experiência de 13 anos em editoras para falar desde o processo de edição até a divulgação, passando por vendas e precificação. O objetivo é o participante ser capaz de compor, ao final, em junho, um plano de marketing para o seu livro ou à editora na qual atua. 

As aulas começam já em abril, mas podem ser iniciadas até maio, sem qualquer prejuízo para o participante, através das videoaulas disponíveis no Ambiente Virtual de Aprendizagem da Universidade do Livro. 

O profissional compartilha cases de livros que deram certo e que fazem parte do dia a dia dos departamentos de Marketing das editoras e reforça que o essencial, ao contrário do que muitos pensam, nem sempre é uma pirotecnia de Marketing ou um investimento financeiro pesado. Outro detalhe para o qual chama atenção é que editoras grandes nem sempre conseguem garantir o sucesso de uma obra.

“Às vezes, pequenos movimentos, como uma mudança de capa, fazem com que uma obra volte ou passe a vender mais do que antes”, indica Zolotar, ao citar um dos livros com o qual trabalhou Will and Will, de John Green. 

- Naquela altura, o sucesso do autor vinha do título A culpa é das estrelas de uma editora concorrente. Resolvemos lançá-lo também e ir no vácuo do sucesso, uma prática bastante comum na indústria. Trabalhamos bem a comunicação dele, mas as vendas, ainda assim, foram muito aquém. Uma pessoa da equipe de marketing identificou que a capa do Will and Will não se comunicava com a do livro que fazia sucesso. Além disso, o preço era mais alto. Mexemos nesses dois elementos, e semanas depois de relançado o livro entrou na lista dos mais vendidos, conta. “Marketing 360 graus vem da necessidade de ampliar o olhar”.


Além da importância da capa, do título e dos metadados, da definição da estratégia de comunicação e verba, do marketing voltado para o varejo, o curso também traz  aprendizados que Zolotar teve em Harvard num seminário sobre a indústria do entretenimento e reforça a relevância estratégica das plataformas de comunicação como as redes sociais, assessoria de imprensa e das parcerias com  influenciadores digitais.

- A biografia da Clementina de Jesus é um exemplo interessante: livro segmentado, com tiragem pequena, hoje já na terceira edição pela Civilização Brasileira. Na época, escolhemos o Carnaval como período de lançamento, com três eventos para apresentar o livro ao mercado, numa época em que a mídia tradicional, no geral, colabora com pautas de livros temáticos, além de um trabalho de formiguinha para pesquisa de influenciadores digitais e formadores de opinião que ajudaram a garantir um bom andamento para a obra em questão. Nem sempre o objetivo é ser mais vendido, mas garantir visibilidade para o livro e consequente retorno financeiro. 

Sobre Bruno Zolotar
Tem mais de 30 anos de experiência em Marketing, sendo 13 no mercado editorial. É diretor de Marketing e Vendas da Rocco, foi diretor de Marketing do Grupo Editorial Record, além de gerente, na mesma área, da Saraiva Educação. Ministra aulas de marketing do livro na pós-graduação da Universidade Santa Úrsula e é coordenador de cursos livres na área editorial da PUC-Rio.

Serviço
Marketing 360 graus
De: 01/04 a 24/6
Inscrições até 6/5: https://bit.ly/3bGy0dT
Investimento: até seis de R$69,33

Outras informações:
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