Entrevista com Georgina Célia Maksoud, autora do livro "Sem medo de viver"

Georgina Célia Maksoud - Foto divulgação Georgina Célia Maksoud nasceu no início dos anos 50 no Guarujá, onde cresceu acalentando o sonho d...

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sexta-feira, 25 de junho de 2021

Livro "Senhores das águas" mistura espiritualidade e fantasia

 


Em uma guerra de seres gigantes a criação de um universo é apresentada, trazendo questionamentos que envolvem espiritualidade e ficção

"Senhores das Águas- O Relato da Criação" livro do escritor paranaense Wollacy Müller reúne dois elementos que atraem bastante o público juvenil e jovem adulto: fantasia e mitologia. Com um universo cheio de divindades, o autor ainda trabalha a espiritualidade como um todo, trazendo a crença de uma força maior que rege o seu mundo ficcional. O livro publicado pela editora Flyve já está disponível em e-book pela amazon por R$4,99 e em versão física com o próprio autor pelo instagram Wo.Muller por R$29,90. com frete incluso.


A obra conta a história de gigantes em uma realidade submersa que terão de enfrentar diversos desafios, com muita ação, para recuperar suas terras, agora territórios de guerras. Durante esse período, as personagens precisarão lutar por suas existências e crenças. Esse é o primeiro título de um universo extenso que o escritor pretende criar, o universo Havoc. "Contar histórias é uma forma que encontrei de me comunicar com Deus, já que, acredito que escrever, é o mais próximo que chegamos disso", explica Wollacy ao falar um pouco mais sobre o teor espiritual presente no livro.


Vale ressaltar que, mesmo o Deus cristão tendo forte influência na obra, Wollacy também trabalha no livro mitologias variadas como a nórdica, entre diversas outras divindades presentes no universo.


Além disso, o escritor garante que  a leitura será uma experiência empolgante para o público. "É um livro que fala sobre desafios, sobre perseverar e lutar por aquilo que deseja. É sobre amizade e Deus. O ponto crucial para fãs de literatura são os plots que a história possui: você termina a leitura com a cabeça explodindo e encaixando todos os diversos pontos soltos no decorrer da história", explica.


Os interessados podem comprar o livro em e-book pela Amazon ou adquirir o físico diretamente com o autor em seu instagram.


Mais informações


Livro na Amazon: https://amzn.to/3gXjFOG

Instagram do autor: https://www.instagram.com/wo.muller/

Facebook: https://www.facebook.com/WollacyMuller/


Sinopse do livro


Após séculos de silêncio, na imensidão das águas, os Randessais vivem em volta da grande torre. Após ser ativada misteriosamente, criaturas são expelidas se dividindo entre os reinos e uma grande guerra se inicia.


Os gigantes se encontram no desespero e miséria em busca de algo para recuperar suas terras enquanto viajam por universos e mundos.


Mergulhe nessa jornada cheia de fantasia e espiritualidade, acompanhando os reis nos perigos das batalhas e diálogos reflexivos, lutando por sua existência e tudo em que acreditam.


Sobre o escritor Wollacy Müller


Wollacy Müller é um escritor paranaense de fantasia que volta e meia se aventura em outros gêneros. Suas obras são permeadas por espiritualidade e aventuras que pretendem tocar o leitor e causar impactos em sua vida. Seu primeiro livro autoral é o "Senhores das Águas" , mas já publicou também uma coletânea de poesia. Atualmente, mora e Piraquara onde trabalha em outros livros que farão parte do universo HAVOC iniciado em seu primeiro romance.


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quarta-feira, 7 de abril de 2021

Apoie o novo projeto no Catarse: Weird Western - Robert E. Howard, uma mescla de contos de horror e fantasia com velho oeste


O livro será uma mescla de contos de horror e fantasia com velho oeste (ele virá com muitos extras e recompensas incríveis) subgênero criado por Robert E. Howard. Confira e apoie o projeto, acesse: www.catarse.me/rehoward

 

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sábado, 19 de dezembro de 2020

Últimos dias para participar da antologia (e-book) BRUXAS. Envie o seu conto ou poema. Leia o edital


PARTICIPE DA ANTOLOGIA (E-BOOK): BRUXAS

Sinopse: Diversos contos e poemas de terror e sobrenaturais irão compor essas páginas tenebrosas com textos criados por autores criativos. Histórias para o leitor ler e morrer de medo. 

REGRAS PARA PARTICIPAÇÃO NA ANTOLOGIA DIGITAL "BRUXAS":

1 - Escrever um conto ou poema usando como tema as(os) Bruxas(os), magia ou feitiçaria. Aceitaremos até 2 contos ou poemas por autor. Caso sejam aprovados, os 2 contos ou poemas serão publicados.

2 - SOBRE O CONTO ou POEMA: até 4 páginas, fonte Times ou Arial, tamanho 12, incluindo título.
     
3 - Tipo de arquivo aceito: documento do Word (arquivos em PDF serão deletados).

4 - O conto ou poema não precisa ser inédito, desde que os direitos autorais sejam do autor e não da editora ou qualquer outra plataforma de publicação.

5 - Idade mínima do autor para participação na antologia: 18 anos completos. Menores poderão participar e caso o conto ou poema seja aprovado, enviaremos um arquivo (autorização) para o responsável pelo menor preencher.

6 - Envie o conto ou poema pré-revisado. Leia e releia antes de enviá-lo.

7 - Data para envio do conto: do dia 22/11/20 até 22/12/20 (a data poderá ser prorrogada).

8 - Veja ficha de inscrição no final desse texto. Leia, copie as informações e preencha. Envie as informações da ficha + o conto ou poema para o e-mail: contato@edgarallanpoe.com.br. Escreva no título do e-mail: BRUXAS

CUSTO PARA O AUTOR:

R$ 50,00 por conto ou poema. Caso o autor envie 2 contos ou poemas e tenha os dois selecionados, o valor será R$ 100,00. As informações para depósito serão informadas ao autor no e-mail que enviaremos caso o conto ou poema seja aprovado.
O valor servirá para cobrir os custos de leitura crítica e revisão, diagramação e divulgação da obra.

A antologia será digital (e-book) e gratuita para os leitores baixarem através de download, ela não será vendida. A antologia será amplamente divulgada nas redes sociais da Revista Conexão Literatura: Fanpage e Grupos do Facebook, Instagram e Twitter, que somam cerca de 150 mil seguidores.

O resultado será divulgado no site www.revistaconexaoliteratura.com.br e na fanpage www.facebook.com/conexaoliteratura, até o dia 23/12/20 (a data poderá ser prorrogada).

OBS: Enviaremos certificado digital de participação para os autores selecionados.


NOSSOS CRITÉRIOS PARA AVALIAÇÃO:

A) - Criatividade;

B) - Textos preconceituosos, homofóbicos, racistas ou que usem palavras de baixo calão, serão desconsiderados;

C) - Seguir todas as regras para participação.

OBS.: Ademir Pascale, idealizador do concurso, disponibilizou para download uma apostila intitulada "Oficina Jovem Escritor", com dicas para quem está iniciando no mundo da escrita. Baixe gratuitamente, leia e pratique: CLIQUE AQUI.


FICHA DE INSCRIÇÃO DO AUTOR(A)

Nome completo do autor(a):

Seu Pseudônimo (caso use), para publicação na antologia:

Idade:

Título do conto ou poema:

E-mail 1:
E-mail 2 (caso tenha):

Biografia em terceira pessoa (escreva sobre você num máximo de 7 linhas):

Sinopse do seu conto (se for poema não precisará de sinopse). Escreva no máximo 10 linhas:


IMPORTANTE: Envie todas essas informações da ficha de inscrição para o e-mail: contato@edgarallanpoe.com.br. Escreva no título do e-mail: BRUXAS

O envio da ficha de inscrição + conto para o e-mail indicado significa que o autor(a) leu todas as informações e regras dessa página para participação na antologia.

Não fique fora dessa. O concurso cultural será amplamente divulgado nas redes sociais.

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OBS.: para conhecer e participar de outras de nossas antologia clique aqui.



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domingo, 2 de agosto de 2020

Conto: "Antonio Spadoni - O Caçador de demônios", por Ademir Pascale


ANTONIO SPADONI - O CAÇADOR DE DEMÔNIOS
*POR ADEMIR PASCALE

São Paulo. Bairro de Moema. Sábado. 23hs.

No alto da igreja, como uma gárgula, ele visualiza os poucos transeuntes que perambulam nas ruas mal-iluminadas do seu bairro. Ele olha para as janelas de algumas casas e consegue ver a movimentação rotineira das famílias em seus lares: muitos estão vidrados, acomodados em seus sofás, assistindo algum programa na televisão que tem como objetivo apenas fazê-los ainda mais consumistas. Num sobrado, através da janela de um quarto, ele verifica a briga diária de um jovem casal.
    Eles não imaginam o que está acontecendo lá fora e muito menos sabem que demônios caminham disfarçados sobre este planeta desde tempos imemoriais.
    Ele tenta manter o controle das coisas. É difícil, bem difícil, mas faz o possível e algumas vezes até o impossível para atingir os seus objetivos.
    Um bilhete amassado dentro do seu bolso é retirado. Ele confirma mais uma vez o endereço de um bar que deve visitar ainda essa noite. E com uma agilidade incrível, desce do parapeito até o chão.
    Caminhar a noite traz lembranças indesejáveis, da época em que ele era um garoto de rua, solitário, faminto, sem dinheiro e sem esperanças. Perdera os pais quando tinha apenas três anos. Maldita morte que leva os bons e deixa os maus. Chegou a cheirar cola inúmeras vezes para se esquecer do abuso sexual que sofrera do pai adotivo. Entre os nove e doze anos de idade, fora preso quatro vezes por roubar à mão armada. E em todas as quatro vezes apanhou muito, pois os policiais sabiam que ele não ficaria ali por muito tempo. 
    Ele aprendeu nas ruas que nem tudo o que vemos é real. Que muitas pessoas elegantes, bonitas e cheirosas carregavam em suas entranhas um ser demoníaco pronto para destruir.
Ele sabe identificar quem é quem; demônio ou humano, pois além do conhecimento que adquiriu, ele possui um dom muito especial, o que também o difere de outras pessoas: o de enxergar auras.
    As auras dos humanos são praticamente iguais e variam pouco em sua tonalidade, dependendo do grau emocional de cada um. As auras dos demônios são idênticas: negras como o abismo mais profundo.
    Demônios estão na Terra apenas para instituir o caos e se deleitam com os prazeres mundanos, com as guerras, com o sofrimento e o terror.
    O bar estava próximo, num beco escuro e sujo, um local que a maioria dos humanos passariam longe. Por via das dúvidas, esta noite ele se passaria por demônio, e o ingresso para entrar são palavras milenares de uma língua extinta, pronunciadas para o demônio guardião do local.
    Ele se aproxima cautelosamente daquele imenso ser em frente à porta de entrada. O guardião traja roupas normais, como os humanos, mas o capuz que usa e a falta de iluminação dificulta a sua identificação. Palavras são pronunciadas. O guardião apenas levanta a cabeça e deixa à mostra seus olhos luminosos. O demônio bufa como um equino, depois empurra a pesada porta de madeira deixando o acesso livre para ele passar.  
    Uma festa está acontecendo ali. O som está alto, mas ainda é possível ouvir as gargalhadas estridentes. E mesmo acostumado com ambientes assim, o seu coração parece que vai explodir dentro do peito. 
    Não por estar nervoso, mas sim pela ansiedade em estar logo entre eles para poder matá-los, um a um.
    Seu nome é Antonio Spadoni, e ele é um padre de cinquenta e cinco anos, mas não um padre tradicional daqueles que apenas celebram missas: ele é um caçador de demônios.
    — Me dá a bebida mais forte da casa — disse Spadoni ao demônio barman, que sorri mostrando seus dentes amarelados, depois despeja simultaneamente a bebida de duas garrafas num copo.
    O líquido desce quente em três goles. Ele pede mais e enquanto o barman prepara o drink, o padre olha o ambiente. Bem lá no fundo, ele consegue identificar Berith, demônio que sabe tudo sobre o passado e que prevê o futuro, parceiro inseparável de Paimon, temido e poderoso demônio, comandante de mais de duzentas legiões de demônios e um dos braços direitos de Samael, o rei do inferno. Além deles, cerca de cinquenta demônios se divertem com prostitutas humanas. Certamente elas não sabem que os ocupantes daqueles corpos são temíveis e milenares monstros, loucos famintos por almas humanas.   
    Spadoni já tinha observado a dupla em ação e pode defini-los como Berith sendo o “cérebro” e “Paimon” os músculos.
    Ele deve ficar longe da vista de Berith e agir no momento certo. Para ele que é um experiente caçador, cinquenta demônios não são nada. O problema mesmo será Paimon.

    Um breve silêncio no salão, com ressalva de gritinhos ofegantes das prostitutas e copos de vidro vazio batendo sobre as mesas. Todos ficam mais agitados e sorridentes quando um demônio coloca uma ficha na Jukebox e seleciona a faixa Sympathy For The Devil, do Rolling Stones, menos o padre que pensa numa estratégia para pegar todos sem que as moças saiam feridas. 
    Cautelosamente ele vai até o corredor principal, local que todos devem passar ao sair. Uma fileira de sal, de ponta a ponta, é feita no chão. Demônios não ultrapassam fileiras de sal, portando, ali será uma ótima barreira para que fiquem aprisionados apenas com o seu executor: Spadoni.
    Ele caminha calmamente entre os demônios. Empurra com violência um deles da cadeira e sobe sobre uma das mesas. Retira a jaqueta de couro, deixando sua batina negra à mostra, depois puxa sua espada, que estava acoplada num suporte de couro nas costas. 
    Alguns demônios ainda não viram o homem de batina. Spadoni pega uma garrafa de whisky que estava sobre a mesa e a atira na Jukebox. Acabou o som. Todos olham furiosos para o padre. Ele range os dentes enquanto retira de um bolso interno da sua roupa uma pequena garrafa contendo um líquido incolor, rosqueia e retira a sua tampa, para logo em seguida respingar o seu conteúdo nos que estão próximos.
    Fumaça.
    Odor de carne queimada.
    Água benta sempre foi muito eficiente nesses casos.
    O que padre Antonio Spadoni nunca entendeu foi por que os demônios nunca gostaram de usar armas. Eles preferem os punhos e os dentes, talvez para saborear ainda mais a carnificina. Mas isso era uma vantagem para ele que é um exímio espadachim. E sua espada não é tão simples como qualquer outra, ela fora benzida por doze padres, tornando-se num instrumento poderoso contra as forças do mal.
    Spadoni poderia usar armas de fogo. Seria muito mais fácil meter na testa de cada um daqueles demônios uma bala benzida em água benta. Mas ele também sente prazer em usar a sua espada. Fora isso, sua agilidade também não o difere muito de um franco atirador.   
    Os segundos passam lentos. Spadoni vê a feição demoníaca de cada um. Suas auras negras infestam o ambiente. As prostitutas ainda não entenderam que aqueles que aparentam homens não passam de terríveis e sanguinários demônios. Berith empurra as três prostitutas que estão sobre ele, puxa a calça para cima, fecha o ziper e se levanta da cadeira. Paimon já está de punhos cerrados, mas a primeira ordem do líder foi a de sair pela porta dos fundos. A segunda foi para os demônios trucidarem o padre.
    Spadoni sorri e sente prazer em enfrentar a morte armado. 
    Mesmo tendo confiança que vencerá àqueles asquerosos seres, ele sabe que poderá morrer se errar um mísero golpe.
    Ele segura as duas mãos com firmeza na bainha da sua espada na altura do seu umbigo, aponta a arma para frente, depois gira o corpo na velocidade de um relâmpago.
    Nove cabeças são decepadas.
    As prostitutas param de sorrir ao ver a violência e ficam atônitas em notar que o sangue derramado daqueles homens, não possuem a cor vermelha, mas sim, negra.
    Spadoni salta da mesa com sua espada nas mãos e divide ao meio o primeiro demônio em sua frente. Golpes certeiros o afasta de dentes sedentos por carne humana. Uma pesada cadeira de madeira é atirada. Ele cai e sente o chão girar, mas ainda segura com firmeza a sua arma. Os demônios se atiram sobre ele. Unhas e dentes pontiagudos arranham e fincam em sua carne. E com  força sobre-humana, ele se ergue em meio aos demônios e grita de tal maneira que todos do salão estremecem. Suas veias salientes e pulsantes. Seus olhos arregalados. Seus dentes à mostra. Alguns demônios rastejam para longe daquele homem. Os mais corajosos tem membros decepados. As prostitutas correm e passam pela fileira de sal. Estarão seguras lá fora, exceto pelo guardião que continua em pé, estático em seu posto. 
    Como uma máquina mortífera, Spadoni desfere golpes até o último demônio cair no salão. Mas ele sabe que ainda resta mais um escondido atrás do balcão: o barman.
    O padre caminha lentamente. Seus passos são leves e não causam ruídos. Ele sangra e seus braços estão cobertos por ferimentos, mas a dor é o gás necessário para fazê-lo ainda mais furioso.
    — Saia do teu esconderijo, demônio maldito. Chegou o dia em que retornará para tua morada, bem ao lado de Samael, lugar do qual nunca deveria ter saído — esbraveja Spadoni.
    Mas ele, experiente caçador de demônios, servo de Deus, também erra e seu excesso de confiança quase o faz perder a vida, não que ele dê valor à ela, mas simplesmente pelo fato de errar depois de mais de quarenta anos enfrentando o mal. 
    BUUUMMM!!!
    Ele sentiu o calor da bala calibre 12 passar próxima ao seu olho esquerdo.
    Para ele, demônios não usavam armas, pelo menos até segundos atrás. O barman estava pronto para dar o segundo tiro e provavelmente não erraria.
    Tempos modernos, pensamento humorado e inoportuno para àquele momento que exige uma rápida ação.
    Spadoni atira sua pequena adaga de prata e perfura o olho direito do demônio. Ela não estava benzida, mas foi tempo suficiente para alcançar e retirar a arma do atirador.
    A espingarda é jogada no chão.
    Spadoni recoloca a sua espada em seu suporte.
    O barman, sangrando à sua maneira, continua em pé e sem ação.
    1,2,3,4,5,6,7,8,9. Esta é a quantidade de vezes que Spadoni bateu a cabeça do demônio no balcão, até ela deixar de ter uma forma definida.
    Sim, por incrível que pareça, eles também possuem cérebro. Mas Spadoni já sabia disso.
    Ele pega a arma no chão, uma espingarda com o cano serrado, e caminha desviando dos corpos no chão e vai até a porta de entrada, que está aberta.
    Spadoni verifica rapidamente a situação e nota que o guardião está com as seis prostitutas presas, sendo três em cada um dos seus poderosos braços.
    Parece que o demônio vai tentar negociar com o padre a soltura delas...
    — Padre desgraçado, posso soltar cinco delas, mas levarei uma comigo, mas tenho algumas condições. Eu...
    BUUUMMM!!!
    Esta noite o padre fez algo inusitado: usou pela primeira vez uma arma de fogo. E se deu  muito bem.
    O guardião errou em tentar negociar, pois Spadoni nunca negocia com demônios.
    As garotas estão salvas e não tem tempo em agradecer ao padre. Elas correm desesperadas, exceto uma que caminha lentamente olhando para o chão.
    Spadoni está acostumado com isso: os herois reais são bem diferentes dos herois dos quadrinhos e dos seriados da tevê. Não existem mocinhas que se jogam em seus braços, não que ele queira isso, pois fez voto de castidade. Mas um obrigado de vez em quando seria bom.
    As dezenas de cicatrizes espalhadas pelo seu corpo clamam por isso.
    Mas ele mergulha mais uma vez na solidão e caminha entre as sombras até chegar na porta dos fundos da sua igreja. No ofertório, o padre retira um bilhete amassado. Ele sabe que ali está o endereço do próximo local que deverá visitar. Ao longe ele consegue visualizar o informante de costas e com um capuz sobre a cabeça, que sai apressado.
    Spadoni não sabe quem ele é. Podem ser anjo ou mesmo um demônio aliado. Ele só sabe que as informações chegam até ele sempre desta maneira: num bilhete amassado que é colocado todas as noites no ofertório da sua igreja. De qualquer forma, àquele informante sabe que ele é um caçador de demônios e que está neste planeta apenas para combatê-los.
    Quantos mais existem neste mundo? Quantos caçadores arriscariam a sua vida no anonimato para proteger outras vidas? Indagações que ficam sempre no vazio...
    Ele verifica o local que deverá visitar e nota que não é tão longe dali. Um prédio residencial  aparentemente comum.    
    Hoje ele está cansado e ferido, mas não lhe falta coragem para morrer. Enfrentar demônios sozinho é um trabalho arriscado e insano. Mas isso já se tornou num vício. É como um alcoólatra que diz que vai ingerir seu último copo com água ardente, mas que no dia seguinte repete a mesma promessa. Spadoni só pensa nisso: caçar demônios. Caçar demônios. Caçar demônios... Sua mão fica trêmula quando passa um dia sem o seu ofício. Parece que lhe falta ar ou que algo está errado e fora do lugar. Ele se sente completo quando sai às ruas e chega ao seu local de destino. E cada cicatriz em seu corpo corresponde a um prêmio que carregará consigo até o último dia da sua tortuosa vida.
    Ele se esquece constantemente que é um servo de Deus. E quando isso acontece, ele segura com firmeza o crucifixo que carrega no peito, símbolo daquele que morreu para salvar a humanidade, um dos maiores caçadores de demônios que já existiu: Jesus Cristo.    
    Isso injeta óleo em suas engrenagens desgastadas. Ele caminha mais rápido, mas mesmo o local sendo próximo, parece que seus largos passos nunca chegam ao seu local de destino.
    Ele está ansioso e acabou se esquecendo de ingerir os seus comprimidos. E isso não é nada bom.
    A fúria toma-lhe o corpo e o possui de maneira devastadora.
    Número 222. Spadoni nota estranhas inscrições e símbolos acima da porta de entrada do prédio. Embora seja uma língua semelhante, não é aramaico.      
    Spadoni entra. Não há ninguém na portaria e o silêncio absoluto o preocupa, pois demônios são barulhentos e desordeiros. Mesmo assim ele caminha pelo corredor central em busca de alguma pista. O luxo está por toda parte e obras de arte estampam as paredes. Spadoni notou que todos àqueles quadros pertencem a um único artista e verifica com assombro um deles.
    — William Blake é o autor destes quadros. Este do qual você tanto olha é “O grande dragão vermelho e a mulher vestida de Sol”. Blake foi o único ser humano que conseguiu ver a real aparência de nós demônios. Este retratado no quadro é o meu parceiro Paimon — disse Berith ao padre que já está com sua espada em mãos.     
    — Demônio maldito, não sabia que vocês também gostavam de arte. Mas isso irá durar pouco tempo, pois logo o mandarei de volta ao inferno — esbraveja Spadoni num mar de fúria.
    — Em sua cabecinha humana você acha mesmo que poderá nos enfrentar para sempre? Quantos anos mais você viverá? É claro que você não sabe, mas eu sei, mas não vou te contar, só digo que estou na Terra há milênios e nenhum outro caçadorzinho foi capaz de fazer eu retornar ao inferno. Paimon!
    Quando Spadoni percebe que não está só com Berith, já é tarde. Paimon derruba a sua espada com um único golpe do seu braço esquerdo, o segundo foi um soco duro e seco em seu queixo. No chão e completamente atordoado, ele cospe sangue, além de alguns dentes. Outros demônios chegam e o cercam. Desarmado, Spadoni começa a gargalhar. Ele sabe que algo está errado e que os comprimidos que não ingeriu são os malditos culpados.        
    — Berith, esse padre é louco? — pergunta Paimon.
    — Não, Paimon, aqui na Terra eles chamam isso de transtorno bipolar. Fora isso, ele não tem medo da morte e falta-lhe alguns parafusos. Mas a gente pode fazer ele sofrer... bastante! — Berith cruza os braços e ordena para que Paimon faça o que ele faz de melhor.
    Paimon se joga e cai de joelhos sobre as costelas de Spadoni. Som de ossos se quebrando. O padre coloca as mãos sobre o peito e dá um longo suspiro, para depois gargalhar ainda mais. Vidros são estilhaçados no chão. Os demônios rasgam a batina do padre e retiram a sua camisa. Paimon o arrasta pelos cabelos sobre o vidro deixando um rastro de sangue.    
    Spadoni, quando tem essas crises, se esquece de quase tudo, até de quem ele é. E quanto mais Paimon o arrasta sobre o vidro, mais ele sorri. A pequena garrafa de água benta em seu bolso é quebrada. A adaga de prata presa no cinto é inútil, pois ele nem sequer se lembra que ela está ali.
    — Pare, Paimon, isso não vai adiantar. Vamos ver se ele vai continuar sorrindo depois do que faremos com ele. Sente-o na cadeira e retire os seus sapatos. Depois me dê um martelo.
    Geralmente Berith apenas comanda, mas desta vez ele será o torturador. Ele chega próximo ao padre, que mesmo com os olhos lacrimejando, continua sorrindo. Levanta o martelo acima da sua cabeça e o desce com velocidade até atingir um dos dedos do padre. Esmagado.    
    Spadoni urra e cospe sangue, mas o que ele pronuncia em seguir é difícil de compreender. Berith encosta o seu ouvido na boca do padre para ouvir melhor.    
    — Ainda... ainda... ainda faltam nove dedos... hahahahahahahahaha.
    Em milênios, nenhum daqueles demônios jamais viram Berith tão furioso. Ele pega a espada do padre e está pronto para desferir o golpe que irá separar a cabeça de seu corpo. Spadoni olha para cima e vê no teto uma forte luz se aproximando.
    Seria a luz da qual tantas pessoas falam quando estão à beira da morte?
    Um estrondo faz Berith deixar a espada cair. Ele não previu isso, pois perdeu a concentração com o padre. Um opala preto e com os faróis altos arrebentou a porta da entrada e invadiu o salão do prédio.
    Todos ficam estáticos quando uma jovem garota de cabelos curtos, meia-calça preta rasgada e coturnos, salta do veículo com duas armas em punho.
    Ela tem uma ótima mira e os demônios vão tombando, um a um.
    Berith foge com Paimon, pois acabou de prever que o seu futuro não será nada bom, caso continue no prédio.  
    — Acabou, padreco, não restou nenhum, a não ser os dois covardes que fugiram. Apóie-se em meu ombro e vamos sair daqui — Spadoni se levanta com dificuldade e começa a se recordar do que ele realmente foi fazer ali. Ele segura o seu crucifixo e olha para a garota.   
    — Eu... eu a conheço... Você não é uma das prostitutas que estava lá no bar com os demônios?
    — Sim, padreco, e você acabou com tudo. Minha intenção era explodir àquele lugar e mandar todos de volta para o inferno. Mas você chegou e adeusinho plano.
    — Então... você também é uma caçadora de demônios?
    — Não, sou teu anjo da guarda. É claro que sou uma caçadora de demônios. E muito bem precavida e com balas benzidas em água benta. Agora vamos sair daqui antes que a polícia baixe por aqui. Vai ser difícil fazê-los entender e acreditar que esse monte de traste são demônios.    

    Spadoni olha para a garota e descobre que nem tudo está perdido. Pelo menos por enquanto...   


SOBRE O AUTOR

Ademir Pascale é paulista, escritor, digital influencer e ativista cultural. Criador e editor da Revista Conexão Literatura (www.revistaconexaoliteratura.com.br). Membro Efetivo da Academia de Letras José de Alencar (Curitiba/PR). Chanceler da Academia Brasileira de Escritores (Abresc), título entregue por seu trabalho na disseminação da literatura e cultura. Participou em vários livros, tendo contos publicados no Brasil, França, Portugal e México. Autor do livro “O Clube de Leitura de Edgar Allan Poe” (Editora Selo Jovem) e organizador do livro “Possessão Alienígena” (Editora Devir).
Entre em contato: ademirpascale@gmail.com 

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terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Clássico da literatura mundial, o fantástico de Kafka agora chega a novos leitores


A metamorfose (Die Verwandlung, em alemão) é uma novela escrita por Franz Kafka, publicada pela primeira vez em 1915.

Nessa obra, Kafka descreve o caixeiro viajante Gregor Samsa, que abandona as suas vontades e desejos para sustentar a família e pagar a dívida dos pais. Numa certa manhã, Gregor acorda metamorfoseado num inseto monstruoso.

“Kafka fez perguntas que nos incomodam há cem anos. Se você for corajoso, leia.” – Leandro Karnal

Prefácio: Marcelo Hessel
Ilustrações: Douglas P. Lobo

Editorial: Minotauro Brasil
Tema: Fantasia
Coleção: Outros
Número de páginas: 144
https://www.planetadelivros.com.br/
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sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Sobre “O Colar de Semley”, conto de Fantasia de Ursula K. Le Guin

Escritora Ursula K. Le Guin: falecida em 2018, foi uma importantíssima, senão a mais importante e escritora de Ficção Científica e Fantasia que já surgiu. Autora de “Os Despossuídos”, “Floresta é o Nome do Mundo”, “Mais Vasto que Impérios e Mais Longe”, “A Mão Esquerda da Escuridão”, e mesmo o conto curto, mas belo, “O Colar de Semley”, tem muito a nos ensinar sobre como elaborar uma história fantástica.
Por Roberto Fiori

Fomalhaut II. Planeta habitado por quatro povos, os Gdemiar, ou o Povo do Barro, trogloditas altamente inteligentes de um metro e vinte a um metro e trinta de altura, que não suportavam a luz do Sol e da Lua, ou das estrelas. Viviam em cavernas e estavam no estágio da Idade do Aço, dedicando-se agora a atividades industriais. Eram amigos dos Senhores das Estrelas. Os Fiia, humanoides de alta inteligência, diurnos, de um metro e trinta de altura, viviam em uma sociedade de aldeias e eram nômades, possuidores de telepatia parcial e de telecinese a curta distância. Viviam em um estágio de civilização não-tecnológica.

Os Luiar: humanoides de alta inteligência, vivendo em sociedade feudal/ heroica, baseada em clãs. Era taxado imposto (baixo, mas vergonhoso) pelos Senhores das Estrelas sobre os Luiar, sob a justificativa de que os Senhores das Estrelas estavam combatendo há dezenas de anos, ou mais, um inimigo no espaço profundo. Dos Luiar, dividem-se duas outras pseudo-raças: os Olgyar, ou “homens médios” e os Algyar, ou “senhores”, de alta estatura.

Semley, a Bela, nascida entre os Algyar, era respeitada pelos Fiia e pelos Gdemyar. Os Algyar travavam combate com os Olgyar de quando em quando, em batalhas sangrentas. Semley ouvira falar de uma joia que sua família possuíra, que seu bisavô o tivera, um colar de ouro maciço, tendo ao centro uma grande safira azul. Resolveu partir de suas terras para o território dos Fiia, buscando informações sobre o roubo do colar, que sabia ter ocorrido há muito tempo.

Os Fiia a receberam de braços abertos, mas juraram solenemente que não possuíam tal joia. Falaram que nenhum dos Sete Povos sabia onde ela se encontrava. Nem os Fiia, nem os Olgyar precisavam de tal colar, pois os Fiia tinham a luz do Sol nos dias de calor; e a recordação do calor dele nos dias de frio; possuíam o fruto amarelo, as folhas amarelas do fim da estação, e tinham também os cabelos dourados de Semley, a Senhora de Kirien. E nenhum médio se atreveria a roubar o colar. Só os espíritos dos homens mortos sabiam onde a joia se encontrava, a joia que tinha o valor de um Reino inteiro... mas talvez os Povos do Barro a tivessem em seu poder.

Assim, Semley partiu para as praias do mar de Kirien, onde cavernas rochosas abrigavam os Gdemiar, ou o Povo do Barro. Lá, ouviu novamente que os Gdemiar não possuíam o colar, mas deram afinal permissão para que a Senhora de Kirien e sua montaria entrassem nas cavernas, muito abaixo do nível do solo. Assim, foram, os Gdemiar andando em fila única e Semley, com sua montaria alada, atrás.

Chegaram onde os Altos Senhores de Gdemiar, sete no total, permaneciam. E, com seu pedido, que afinal vinha de uma hóspede, Semley conseguiu que fosse levada aonde a Sala dos Tesouros estava, em uma cidade situada a uma distância muito grande, mas que podia ser alcançada a uma noite de viagem, somente.

Na Sala dos Tesouros, em um museu dos Senhores das Estrelas, Semley conversou por intermédio de intérpretes Gdemiar com Rocannon e o curador do museu, Ketho. Sim, o colar Olho do Mar estava no museu. Era muito famoso entre os Senhores das Estrelas. Tinha sido conseguido em troca de uma nave, uma AD-4, que ficara em poder do Povo do Barro — este tinha obsessão pela barganha. Mas o colar estava em condição de empréstimo, assim como tudo o que havia no museu. Poderiam devolvê-lo a Semley, ainda mais que nem Rocannon, nem Ketho dispunham nos registros uma informação que afirmasse se a joia poderia ser de valor para os povos de Fomalhaut II para evitar uma guerra entre eles, ou coisa parecida. Por isso, para evitar que se começasse uma guerra entre os povos de Fomalhaut II, Rocannon decidiu, por precução, devolver o colar a Semley.

Semley queria dar de presente o colar Olho do Mar para seu marido, Durhal de Hallan, que tinha uma alta posição entre os Angyar. Porém, quando Semley voltou a Fomalhaut II, soube que eu marido havia morrido numa batalha entre os Olgyar e os Angyar, por uma lança de um médio. Haldre, a filha de Semley, possuía agora dezenove anos, a mesma idade de Semley, quando ela partira em busca do colar.

Isso se explica pela Teoria da Relatividade de Einstein. As viagens entre os mundos conhecidos pelos Senhores das Estrelas se davam à velocidade da luz. Os viajantes não envelheciam, ao contrário de quem ficava nos planetas e não acompanhava os viajantes.

Portanto, Semley, em um acesso de mágoa e raiva, jogara o pesado colar no chão em frente a Haldre, a Bela, pois tencionara, no final das contas, dá-lo a Durhal e a sua filha, e partira para as florestas ao Leste, onde desapareceu.

Ursula K. Le Guin escreveu este conto, publicado aqui pela Editora Melhoramentos na antologia compilada por Isaac Asimov “Magos — Os Mundos Mágicos da Fantasia” (“Isaac Asimov’s Worlds of Magical Fantasy”, 1983). A carreira literária de Le Guin durou mais de cinquenta anos, escrevendo mais de cem obras, dentre as quais mais de cinquenta romances, dezenas de contos, ensaios e poemas. Venceu por cinco vezes o Prêmio Hugo e por três vezes o Prêmio Nebula, concedidos aos melhores trabalhos de Ficção Científica e Fantasia. Ela nasceu em Berkeley, Califórnia, E. U. A., em 1929 e faleceu em Portland, Oregon, em 2018. Criou universos mágicos e fantásticos, reunidos sob as séries “Orsinia”, “Earthsea”, “Hainish” e outras. Sua ficção está imersa em elementos de psicologia, sociologia, biologia, religião, sexualidade e até no taoísmo. São elementos que Le Guin teve consigo por toda sua vida. Seu mais famoso trabalho de Ficção é “A Mão Esquerda da Escuridão” (“The Left Hand of Darkness”, 1969), pertencente à série “Hainish”. “A Mão Esquerda da Escuridão” vendeu trinta mil cópias, até o final dos anos de 1970. Como um de seus contos mais interessantes, pela estrutura da narrativa, bem como pela temática, é “Vaster than Empires and More Slow”, lançado em língua portuguesa como “Mais Vasto que Impérios e Mais Lento”, na antologia “Exploradores do Espaço”, de Robert Silverberg.

Ursula K. Le Guin foi a mais importante escritora de Ficção Científica e Fantasia que surgiu nos Séculos XX/XXI. Tanto pela temática profunda e humanista de suas obras, como pelos Prêmios importantíssimos que ganhou, o que demonstra a qualidade de seus textos. Mas devo citar outro nome feminino de grande alcance literário. Este é C. J. Cherryh, ou Caroline Janice Cherry, nascida em 1942. Escreveu mais de 80 obras, desde os meados da década de 1970. Venceu por três vezes o Prêmio Hugo e conquistou o John Campbell Award for Best New Writer, em 1977, além dos Prêmios Locus e outros. Há um asteroide com o seu nome, dado pelos seus descobridores, que afirmaram: “Cherryh tem nos desafiado como merecedores das estrelas, ao imaginar como a Humanidade pode vir a viver entre elas”. Suas obras mais importantes são: “Downbellow Station” e “Cyteen”, romances vencedores de Prêmios Hugo, além de “Cassandra”, conto vencedor do Prêmio Hugo.

É fato que escritoras são tão hábeis em escrever Literatura, em particular Literatura Fantástica, quanto os homens. Não há abismos sexistas separando ambos. C. J. Cherryh é hábil em construir mundos e civilizações de forma extremamente realista, para isso contando com pesquisas sérias e aprofundadas em História, Linguística, Psicologia e Antropologia. Como André Norton — pseudônimo de Andre Alice Norton — diz, a respeito do primeiro romance de Cherryh, “Gate of Ivrel”: “Nunca, desde que li “O Senhor dos Anéis”, fui apanhada de tal forma como em “Gate of Ivrel”.


*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem. 

Para adquirir o livro:
Diretamente com o autor: spbras2000@gmail.com
Livro Impresso:
Na editora, pelo link: Clique aqui.
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E-book:
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sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Sobre o conto “O Salvador na Fortaleza”, Fantasia de Manly Made Wellman

Manly Made Wellman - Foto divulgação
*Por Roberto Fiori

Trombroll, o Mago, vinha exercendo seu poder de forma infame, prometendo afastar as pragas e as tempestades, em troca de muita riqueza. Isso era mais que ultrajante, visto que o próprio Mago era quem poderia causar tormentas, e agora exigia demais para não causar destruição e morte. Pura extorsão.

Assim, o príncipe Theogoll liderou os exércitos de Varlo e de Deribana, para destruir a fortaleza de Trombroll, que a tinha construído em uma cratera. Tinha água de poços e mantimentos para muito tempo e ainda sequestrara a princesa Yann, belíssima consorte de Theogoll. Ele não sabia mais o que fazer. Estava passando pelas redondezas Kardios, o último atlanteano vivo, após o desaparecimento da Atlântida sob as águas do Oceano Atlântico. Ele se ofereceu para resgatar a princesa Yann.

Entrou na fortaleza por um túnel escondido no solo por arbustos, e logo estava dentro de um dos poços que abasteciam Trombroll, dentro da fortaleza. Subiu por uma corda pendurada do topo, para que um balde fosse descido e içado do fundo, e derrubou no poço profundo um dos guardas que vigiavam a gruta, cheia de jarros de óleo e vinho. Atraindo outro dos soldados, para que abrisse a porta da caverna — na verdade o depósito mais profundo da fortaleza de Trombroll —, Kardios amarrou-o e subiu até nível térreo, a sala da guarda. Lá, belas mulheres guerreiras estavam passando o tempo, vigiando a princesa Yann, presa em uma cela. Depois de ganhar a simpatia delas com canções embalada por sons dedilhados em sua harpa, Kardios teve de se esconder, com a ajuda de uma das guerreiras. Trombroll desceu até a sala por um alçapão no teto e levou a princesa para o alto da fortaleza, levitando.

Kardios livrou-se de sua armadura, roubada de um dos soldados na caverna, jogou fora o elmo, também surrupiado, e subiu na mesa onde as guerreiras estavam sentadas ao redor. Arrancando suspiros de admiração das mulheres com relação a seu físico musculoso, ele içou-se e subiu para o primeiro andar. Era um salão enorme, mas vazio. A um canto, uma escada sem corrimão, estreita, de pedra, erguia-se junto a uma parede da fortaleza, continuando e seguindo rente às outras paredes, em uma espiral. O atlanteano subiu a escadaria, até chegar a um ponto em que quatro soldados desciam em fila única. Não havia espaço para dois homens descerem a escada, lado a lado. Uma luta intensa, porém breve, se deu e somente um dos guardas permanecera vivo. Ele fugiu, subindo os degraus, e chegou a uma porta lateral, por onde se enfiou.

Kardios se encontrava muito acima do solo. Uma forma alada, asas imensas com garras nas extremidades, com garras nas pernas e dentes afiados que poderiam arrancar um braço ou uma perna de um homem, voava. Ela atacou, mas Kardios se abaixou e o monstro se chocou contra a parede acima do atlanteano. No próximo ataque da criatura, o homem decapitou o ser alado com sua espada. Ele caiu nas profundezas da fortaleza.

Continuando, Kardios teve de se desviar de um cilindro de pedra que rolava, descendo para esmagá-lo nos degraus da escadaria. O homem saltou por cima e quase caiu, aterrissando com dificuldade nos degraus. O cilindro seguiu, rolando pela escada. O soldado que o jogara era o mesmo que sobrevivera à luta que Kardios travara antes. E ele havia soltado o Terror Alado, o monstro que o atacante decapitara, antes. Alcançando-o, o atlanteano decidiu não matá-lo, quis que ele o levasse até os aposentos de Trombroll. Ele o fez e Kardios o deixou ir embora, deixando-o na porta que dava para onde o Mago vivia. Kardios levantou a porta, que não estava trancada, fazendo-a deslizar para cima. Dentro, uma visão de sonho: vegetação, como em um bosque, formava uma passagem até onde Trombroll e Yann estavam, sentados à mesa, que nada mais era do que uma joia imensa que servia de acomodação para se servir refeições. Nesse lugar, onde comiam, Trombroll havia construído um salão magnificamente ornamentado, riquíssimo: as paredes eram enfeitadas com tecidos ricos e chamativos; o chão compunha-se de uma pedra branca brilhante, desenhado com estrelas, espirais e anéis de moedas de todos os tamanhos e padrões. As vigas que corriam no teto, polidas até reluzirem como metal, eram feitas de diferentes madeiras, raras, e apresentavam inscrições complicadas.

Trombroll estalou os dedos e seu fiel assistente, um monstro meio lobo, meio tigre e um pouco como um grande macaco, saiu debaixo da mesa. Avançou contra Kardios, que desferiu um golpe em seu ombro. O Mago estalou duas vezes os dedos e o seu servidor atacou com rapidez impressionante. Kardios desviou-se para o lado e desferiu um golpe lateral contra o crânio vazio da besta, enterrando-se nele. Ela tombou no chão. Trombroll surpreendeu-se com o que acontecera, pois acreditara que um feitiço seu protegeria o monstro de ataques como o do atlanteano. Então, ele sacou sua espada e os dois duelaram.

A espada de Kardios resvalava no corpo do Mago, que duelava com rapidez e contragolpeava. Ele revelou ao homem que qualquer objeto ou arma feita de metal jamais o atingiria, devido a um feitiço que ele concebera. Então, Kardios desviou a lâmina de Trombroll com o lado de sua mão e desferiu um golpe com a quina dela na nuca do oponente. Como revelou à princesa Yann, logo depois, as pessoas caíam mortas sempre que ele usava este golpe desta maneira.

Saíram da fortaleza, em meio aos Vivas! dos soldados do Mago, que se viram livres da tirania que estavam sofrendo, desde há muito. Os guardas decidiram saquear a fortaleza e ainda perguntaram para Kardios se ele não gostaria de levar algum objeto de valor. Ele recusou e levou a princesa para fora. Revelou tudo o que acontecera a Theogoll e seus homens, falando que eles, se conseguissem fazê-lo a tempo, poderiam cercar a fortaleza e assegurar para si a fortuna acumulada lá.

Se Kardios não houvesse saído do local rapidamente, fazendo a volta na borda da cratera e desaparecendo à distância, as coisas teriam saído muito mal para ele. A princesa passara a querer somente Kardios, não ligava para coisa alguma que não fosse o seu salvador. Theogoll, vendo que perdera o amor de Yann, disse para trazerem o atlanteano de volta. Para se encontrar com o carrasco...


Esta é a sinopse do conto “O Salvador na Fortaleza”, do escritor Manly Made Wellman (1903-1986), tido por Karl Edward Wagner (escritor, poeta, editor de Fantasia Heroica, Horror e Ficção Científica) como o deão dos escritores de Fantasia. Wellman escreveu também ficção histórica, western, histórias policiais, ficção para jovens e não-ficção. Recebeu muitos prêmios, como o World Fantasy Award e o Edgar Allan Poe Award. Os três mais comumente encontrados personagens das histórias de Wellman são: John, o Baladeiro, conhecido como Silver John, um menestrel que vaga pelas florestas com sua guitarra de cordas de prata, o “detetive do oculto” de idade avançada Judge Pursuivant e John Thunstone, um detetive do oculto, também.

Atlântida era uma ilha ou continente que Platão descreveu pela primeira vez em suas obras “Timeu ou a Natureza” e “Crítias ou a Atlântida”. Nos relatos de Platão, Atlântida era localizada no Oceano Atlântico, além dos dois promontórios que divisam o Mar Mediterrâneo do Oceano Atlântico, as Colunas de Hércules, ladeando o Estreito de Gibraltar. Atlântida era uma potência naval, que conquistou muito da Europa Ocidental e da África, em 9.600 a.C., aproximadamente. Atlântida afundou no Oceano, “em um único dia e noite de infortúnio”, após fracassar ao tentar invadir Atenas.

Alguns estudiosos afirmam que Platão criou a história a partir de acontecimentos, como a erupção do vulcão de Thera e a Guerra de Troia. Outros falam que ele se inspirou em acontecimentos de sua época, como a destruição de Helique (em 373 a.C.) ou a fracassada invasão ateniense da Sicília, entre 415 a.C. e 413 a.C.

Discutiu-se muito se tal lenda seria real, na Antiguidade Clássica. Na Idade Média, essa história era pouco conhecida, sendo resgatada na Idade Moderna, por humanistas. Trabalhos na Renascença foram feitos, inspirados na lenda da Atlântida, como “Nova Atlântida”, de Francis Bacon. Atlântida ainda hoje inspira a literatura, como a Ficção Científica, e o cinema. Atlântida se tornou uma referência para quaisquer suposições sobre avançadas civilizações pré-históricas perdidas.


*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem. 

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sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Dragões, sobre um conto de Ray Bradbury


*Por Roberto Fiori

Dois cavaleiros medievais, numa campina, no meio do nada. Há muitas Eras não mais se criava vida na Terra, e há séculos não se ouvia um piado sequer de uma ave, no céu. Era noite. Um monstro vivia no meio do descampado: um dragão feroz, selvagem, que esmagava as pessoas, queimava a relva seca com jatos de fogo e devorava quem se atrevesse a viajar temerariamente entre as cidades.
Seria melhor, talvez, que os cavaleiros voltassem para seu castelo. Não durariam uma hora sequer, com o dragão à solta. Um único olho amarelado, soltando fumaça e fogo pelas ventas, as garras poderosas...
Mas a tarefa dos dois homens era clara, não havia tempo para fugirem e se esconderem. Um dos cavaleiros não se lembrava mais em que ano estavam, ao que o outro respondeu: “Aquele era o ano 900 após a Natividade”.
Mas o que fizera a pergunta redarguiu, atemorizado: Não, nessa planície desolada e esquecida, o tempo não mais existe. As pedras com que se construíram os castelos estão de volta nas pedreiras, os homens, mulheres e crianças das cidades ainda não nasceram e as próprias vilas e cidades não existem, ainda.
Nisso, ouvem um rugido, vindo da escuridão. Os dois cavaleiros colocam as armaduras e luvas de metal e montam nos cavalos, já selados. Avançam em direção ao monstro, seu único olho amarelado queimando, o rugido fazendo tremer o solo. Rasga a noite, vindo a toda velocidade. Um dos cavaleiros atinge o dragão bem abaixo do olho com a lança, mas é lançado longe pelo ricochete. O dragão esmaga-o, mata-o. O segundo homem atinge o monstro e é arremessado contra rochas.
O dragão continua seu avanço. Um dos maquinistas, dentro dele, comenta que vira dois cavaleiros se lançando em ataque contra a máquina. Não é possível!, comenta outro. Toquei a buzina, sem parar. E não teria freado nem por nada deste mundo, aqui nesse lugar ermo é perigoso parar...
Assim, o comboio segue viagem à toda, enfiando-se no desfiladeiro que se assoma perante os dois maquinistas. A fumaça espessa que lança no ar faz tudo parar, tudo estagnar.

Esta é a sinopse do conto O Dragão (The Dragon), do poeta máximo da Fantasia e Ficção Científica Ray Bradbury. Publicado em Pesadelo Galáctico – Antologia de Histórias Espantosas, uma edição portuguesa da Cidade do Porto, em 1977. Bradbury dizia que sua obra, como um todo, fora fortemente influenciado por Edgar Rice Burroughs, Jules Verne e Edgar Allan Poe.
Seu trabalho na área do fantástico foi excepcional. Escreveu contos, romances, teve um de seus trabalhos — o romance distópico Fahrenheit 451 — adaptado para o cinema, bem como The Illustrated Man, que não teve críticas muito favoráveis. Fahrenheit 451 foi dirigido por François Truffaut, e veio a ser um clássico da Ficção Científica.
Também várias de suas obras vieram a ser adaptadas para o teatro, rádio e televisão. Inclusive, em 1984, Michael McDonough, da Brigham Young University, criou uma adaptação em áudio que incluía 13 histórias de Bradbury bastante famosas, como “Here There Be Tygers”, “A Sound of Thunder” e “The Machineries of Happiness”. Nessa antologia para o áudio, o próprio Bradbury fazia a voz de abertura. O programa ganhou um Prêmio Peabody e dois Prêmios Gold Cindy.
Em 2007, o escritor ganhou o Prêmio Pullitzer.

Os Dragões sempre tiveram enorme importância nas crenças e mitos da Antiguidade: foram adorados em 40.000 anos a.C., por aborígenes pré-históricos australianos. Estes os reverenciavam como deuses, como criadores do mundo, de forma positiva. Nas lendas nórdicas, celtas, germânicas, os Dragões são imagens muito comuns, bem como nas culturas da Antiguidade. Na antiga Mesopotâmia e na Pérsia, eram considerados criaturas do mal. Na Bíblia, fala-se nos Dragões como encarnações de Satanás. Na Polinésia, na Índia e entre os astecas, eram vistos como deuses. Na Grécia Antiga, o escritor Filóstrato, na obra “Vida e Obra de Apolônio de Tiana”, descreve os Dragões da Índia em vários capítulos, pormenorizadamente.
Na Europa, nas lendas e mitos gregos os Dragões eram retratados como adversários de grandes heróis, como Hércules e Perseu. Cuchulain e outros guerreiros celtas lutaram contra Dragões. Serpentes marinhas, como Jormungand, eram temidas pelos vikings. A proa de seus navios apresentava sempre um Dragão entalhado, para afastar tais serpentes. A lenda nórdica de Siegfried e o anão Fafnir fala que Fafnir se transformou em um Dragão para enfrentar Siegfried, e foi derrotado. Siegfried assou e devorou uma parte do coração da criatura e adquiriu a capacidade de se comunicar com os animais.
Na Idade Média, nos bestiários — catálogos da Igreja que descreviam o aspecto e os hábitos de animais reais e fantásticos — aparecia a figura do Dragão. São Jorge teria matado um deles. Na Romênia, dizem ainda que há essas criaturas nas Florestas da região da Transilvânia.
Foi dito, no Século XXI, que os Dragões realmente existem, e seriam a evolução de certos répteis. O fogo expelido pelo seu hálito seria o resultado da queima de gases, como o metano, que o estômago dos Dragões conteria, assim como nós mesmos, humanos, produzimos gases em nosso interior.
No cinema, foi apresentada a ideia de Dragões na obra “O Hobbit”, de J. R. R. Tolkien, na figura do Dragão Smaug. Na série de livros “Crônicas de Gelo e Fogo”, de George R. R. Martin, em filmes como Reino de Fogo, filme apocalíptico no qual a Humanidade foi quase dizimada pelos répteis. Nas Crônicas de Nárnia, há uma passagem que fala de um Dragão e na série de livros Como Treinar Seu Dragão, de Cressida Cowell, fala-se do treinamento de um Dragão, pelo personagem principal. J. K. Rowling introduziu a figura dos Dragões em sua série de livros de Harry Potter, transformada em série cinematográfica.
Os Dragões representam, então, em parte, a ideia da liberdade e do poder que o Homem tenta atingir. Não se explica, porém, como a adoração ou o medo deste ser chegou a lugares tão longínquos, como a China e a Índia.
Mas o que se sabe é que a ideia do Dragão inspirou escritores e cineastas, criadores de jogos de RPG e é visto hoje em dia de modo admirador por quem gosta da Literatura Fantástica e do Cinema Fantástico. É parte integrante de um grande número de romances e contos de Fantasia, em especial quando a cultura no qual o Dragão é inserido está em um nível medieval ou mais antigo.


*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem. 

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sexta-feira, 30 de março de 2018

Magos, Mazirian e Jack Vance, por Roberto Fiori

O Mago - Foto divulgação
O que é um mago? Por definição, é alguém que detém conhecimentos relativos à magia. Uma pessoa que, em contato com seres como demônios, ou mesmo o próprio Diabo, conseguiu o conhecimento para realizar encantamentos, ou feitiços, sobrepujando o homem comum. Este não poderia, por exemplo, lançar maldições contra os inimigos, em particular uma que os ferisse, ou os destruísse — e os matasse.

O célebre escritor Jack Vance criou muitos contos e romances, tendo como tema a Fantasia e a Ficção Científica. Um vasto arsenal de armas ele dispõe para tal: mundos estranhos, em que o herói deve lutar contra vilões e alienígenas, em um futuro distante em que tecnologia de sonho auxilia o protagonista, à moda de um James Bond do futuro (na série Star King — A Saga dos Príncipes-Demônios).  Ou, em um futuro ainda mais distante, em que a Terra está moribunda, tendo os homens se refugiado no torpor da bebida para esquecer que o fim de seu planeta os aguarda logo (os contos da antologia A Agonia da Terra — The Dying Earth). Vance criou um mundo em que monstros, chamados de dragões, são utilizados por alienígenas como montarias dotadas de mandíbulas feitas para esmagar e triturar homens e animais; espigões crescendo de seus corpos para perfurar e matar; e várias outras espécies de dragões neste Universo particular (O Planeta dos Dragões — The Dragon Masters) deste notável escritor, nascido em 1916.

Jack Vance foi um escritor altamente considerado. Falecido aos 96 anos, recebeu uma série de prêmios, dentre os quais os importantíssimos Hugo, dado anualmente ao principal trabalho de Ficção Científica ou Fantasia do ano anterior, e que Vance recebeu em dois anos distintos; o Nebula, prêmio que recebeu uma vez, concedido pela Science Fiction Writers of America (SFWA) para os principais trabalhos de Fantasia e Ficção Científica publicados nos EUA, nos dois anos precedentes ao ano de entrega. 

Em um capítulo de sua obra A Agonia da Terra (The Dying Earth), chamado de Mazirian, o Mago, Jack Vance tece a seu modo peculiar uma paisagem em que, no jardim de Mazirian, híbridas flores-animais podem devorar, e digerir em suas entranhas sob a terra, toupeiras e outros bichos similares. Flores fazem obedientes reverências, quando o mago passa por elas. Olhos de mandrágoras seguem-no a pouca altura acima do solo, enquanto em outra parte um arbusto sustenta esporos com a forma de cachimbo, sussurrando uma música em homenagem à Velha Terra, que agora está em agonia.

Mazirian busca algo: uma criatura semelhante a uma mulher, rindo e cautelosa, sobre um cavalo negro. Sempre escapa dele, mesmo ele tentando apanhá-la com teimosia. Seus encantamentos de imobilização são inúteis, a mulher sempre foge. O que fazer? O mago receia que alguém tenha enviado a criatura. Azvan, o Astrônomo, seria ele? Mazirian atormenta-o, aprisionado em um cubo de cristal, através de batidas em um gongo, que ressoam na mente do prisioneiro. Não, ele não aguenta as batidas... não foi ele, e Mazirian, vendo que a tortura não surtiria efeito, desiste de Azvan. Talvez o príncipe Kandive, o Dourado, de quem o mago roubara o segredo da juventude eterna. Ou Turjan... conhecedor do segredo da vida, que sabia como dá-lo a criaturas inanimadas.

Mazirian aprisionou Tujan, que vivia em seu castelo Miir, junto ao rio Derna, e reduziu-lhe o tamanho até ficar menor que a palma da mão do mago. Colocou-o em uma caixa de quatro lados, com uma cobertura de vidro. Diametralmente oposto a Turjan, fora posto um dragão, maior que Turjan. Este perseguia o herói, que por pouco não era apanhado pelas mandíbulas mortais do dragãozinho. Mazirian, de tempos em tempos, colocava uma divisória entre os dois oponentes, para que descansassem, comessem carne e bebessem água. Desejando colocar as mãos na criatura-mulher, Mazirian pergunta a Turjan como pode alcançá-la. Este diz para usar as Botas da Vida, que proporcionavam enorme velocidade a quem as usasse. O mago pergunta ao herói, mais uma vez, qual o segredo da vida. Este se nega a responder, argumentando que o outro o mataria, tão logo fosse revelado o mistério. Mazirian fala, então, que irá acrescentar à noite mais um lado à caixa, transformando-a em um pentágono. Seria muito mais difícil, então, para Turjan, escapar do dragão.

E Mazirian parte no encalço de seu alvo. Após correr velozmente atrás da mulher que cavalgava, forçando as Botas da Vida a perderem completamente sua vitalidade e definharem, ele utiliza uma série de encantamentos para capturar sua vítima. Esta traz consigo feitiços que anulam os do mago. Até que a perseguição chega ao final, com a morte de Mazirian, vítima de cipós que chicoteavam quem passasse por baixo deles. A mulher foge e entra na casa de Mazirian. Liberta Turjan e desfalece, caindo morta a seus pés. Turjan faz uma promessa, a ele, e à mulher: daria vida novamente a ela, T’sain, criação sua e que tinha dado sua vida em troca da liberdade de Turjan.

Seria um ato de grande nobreza, sem dúvida.

Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem. 

Para adquirir o livro:
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Livro Impresso:
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E-book:
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