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terça-feira, 22 de junho de 2021

Fernando Pessoa

 


Fernando Pessoa

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quarta-feira, 17 de março de 2021

7 frases impactantes de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa - Foto divulgação
Fernando Pessoa foi um poeta, dramaturgo, filósofo, ensaísta, tradutor, publicitário, inventor, empresário, astrólogo, correspondente comercial, crítico literário e comentarista político português. Pessoa é o mais universal poeta português.

1 - A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo.
Fernando Pessoa

2 - Para viajar basta existir.
Fernando Pessoa

3 - O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
Fernando Pessoa

4 - Tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Fernando Pessoa

5 - Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.
Fernando Pessoa

6 - Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens.
Fernando Pessoa

7 - A arte é a auto-expressão lutando para ser absoluta.
Fernando Pessoa
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sexta-feira, 5 de junho de 2020

Dia da Língua Portuguesa: obras modernas e clássicas para celebrar a data


Disal sugere seleção com José Saramago, Fernando Pessoa e Mia Couto em homenagem ao nosso idioma

Em 10 de junho comemora-se o Dia da Língua Portuguesa. A data foi instituída pelo governo de Portugal no ano de 1981, escolhida em homenagem a Luís de Camões, que faleceu em 10 de junho de 1579 e é considerado um dos maiores autores de língua portuguesa de todos os tempos. Para celebrar o idioma, a Disal selecionou obras modernas e clássicas de celebres autores portugueses.

Confira os títulos:

Na obra “Poesia de Luis de Camões Para Todos” poemas sobre o amor e a vida, alguns contando pequenas histórias, outros de um humor irresistível. O livro é indicado para muitas crianças e jovens terem o primeiro contato com a obra de Luís de Camões, pois nele se reúnem poemas líricos de leitura mais acessível, a par de outros que, de tão conhecidos, ficaram guardados na memória desde a juventude.
Saiba mais: http://abre.ai/bbtI

Certamente a peça mais conhecida de Gil Vicente, Auto da barca do Inferno é uma representação alegórica do destino das almas humanas assim que deixam seus corpos, quando encontram duas barcas com seus respectivos arrais, um Anjo e um Diabo. As duas entidades acusam os vícios e faltas cometidos em vida pelas personagens, a fim de ensinar aos vivos os perigos e enganos da vida transitória. A peça, que foi escrita para a cena palaciana, mostra-se uma sátira impiedosa sobre os costumes da sociedade da época. Ninguém é poupado, nem mesmo padres, fidalgos e magistrados. Auto da barca do Inferno é a primeira parte da trilogia das barcas, seguido das barcas do Purgatório e da Glória. Estima-se que tenha sido escrita em 1516, mas foi publicada, assim como as demais obras de Gil Vicente, apenas em 1562.
Saiba mais: http://abre.ai/bbtK

Uma terrível "treva branca" vai deixando cegos, um a um, os habitantes de uma cidade. Com essa fantasia aterradora, Saramago nos obriga fechar os olhos e ver. Recuperar a lucidez, resgatar o afeto: essas são as tarefas do escritor e de cada leitor, diante da pressão dos tempos e do que se perdeu. Um motorista parado no sinal se descobre subitamente cego. É o primeiro caso de uma "treva branca" que logo se espalha incontrolavelmente. Resguardados em quarentena, os cegos se perceberão reduzidos à essência humana, numa verdadeira viagem às trevas. O Ensaio sobre a cegueira é a fantasia de um autor que nos faz lembrar "a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam".
Saiba mais: http://abre.ai/bbtO

"Um ônibus incendiado em uma estrada poeirenta serve de abrigo ao velho Tuahir e ao menino Muidinga, em fuga da guerra civil devastadora que grassa por toda parte em Moçambique. Como se sabe, depois de dez anos de guerra anticolonial (1965-75), o país do sudeste africano viu-se às voltas com um longo e sangrento conflito interno que se estendeu de 1976 a 1992. O veículo está cheio de corpos carbonizados. Mas há também um outro corpo à beira da estrada, junto a uma mala que abriga os ""cadernos de Kindzu"", o longo diário do morto em questão. A partir daí, duas histórias são narradas paralelamente: a viagem de Tuahir e Muidinga, e, em flashback, o percurso de Kindzu em busca dos naparamas, guerreiros tradicionais, abençoados pelos feiticeiros, que são, aos olhos do garoto, a única esperança contra os senhores da guerra. Terra Sonâmbula de Mia Couto foi considerado pelo júri especial da Feira do Livro de Zimbabwe um dos doze melhores livros africanos do século XX e agora reeditado no Brasil pela Companhia das Letras.

É o livro da vida de Fernando Pessoa, finalmente editado como o autor queria, respeitando todos os semi-heterônimos que fazem parte dele, devidamente assinados - Vicente Guedes, Barão de Teive e Bernardo Soares. Vale explicar que a expressão "semi-heterônimo" é do próprio Pessoa, que considerava como heterônimos apenas três: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis. Ainda assim, são vozes muito próprias, que partem de biografias inventadas como personagens de teatro. Não estarem misturados ou até preteridos como em publicações passadas é a grande novidade dessa edição, preparada por uma das mais respeitadas especialistas na obra de Fernando Pessoa, Teresa Rita Lopes. Por isso a sugestão do plural do nome:  Livro(s) do Desassossego . Assim como o autor foi vários, o livro também é.
Saiba mais: http://abre.ai/bbtW

Sobre a Disal Distribuidora: Há mais de meio século em operação, é considerada a mais importante distribuidora de livros e materiais didáticos do Brasil para o ensino de idiomas, e, também, técnicos e científicos, de ciências humanas e sociais, literatura, autoajuda e conhecimentos gerais. Possui um catálogo com 300 editoras e mais de 300 mil títulos comercializados. Tem 18 filiais distribuídas nas principais cidades do país e um portal em que é possível encontrar todos os serviços e produtos oferecidos. Saiba mais em www.disal.com.br
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quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Livro de anotações traz trechos de poemas de FERNANDO PESSOA e heterônimos


Combinação de livro e caderno de notas, EU e FERNANDO PESSOA é ilustrado com imagens da paisagem portuguesa

A editora Bandeirola acaba de lançar EU e FERNANDO PESSOA Livro de Anotações para Viagens Reais e Imaginárias. A obra exclusiva aposta em formato inédito no mercado editorial: a combinação de espaço para escrita entremeado com trechos de textos de autores clássicos, aqui Fernando Pessoa e os heterônimos Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Os poemas são acompanhados de fotografias, pinturas, iconografia portuguesa e espaço em branco. O livro é impresso em papel poroso, ideal para escrita, com as imagens em tons de cinza e preto.
“Esse realmente é um livro diferente”, afirma Sandra Abrano, editora da Bandeirola. “O espaço em branco entre os poemas e ilustrações é reservado ao leitor para que, inspirado no poeta maior, também escreva.”


Fernando Pessoa passou a curta vida criando. Seus poemas nos parecem próximos, apresentam sensações e sentimentos que emocionam, passados mais de setenta anos de sua morte. E nem só de poesia viveu o grande poeta português: foi dramaturgo, tradutor, astrólogo, correspondente comercial, crítico literário. Um múltiplo. E tanto, que fez o uso de heterônimos, vários, complexos, distintos, com características tão próprias que até o chamam de Fernando Pessoas.
Segundo a editora da obra, os trechos selecionados são uma ótima companhia para deixar fluir sonhos, devaneios, ficções, crônicas, pensamentos e o que mais o leitor quiser escrever ou até mesmo desenhar. 
EU e FERNANDO PESSOA Livro de Anotações para Viagens Reais e Imaginárias tem o preço sugerido de R$ 44,00 e pode ser encontrado diretamente no site da editora: www.bandeirola.com.br.

FICHA TÉCNICA:
Título: EU e FERNANDO PESSOA – Livro de Anotações para Viagens Reais e Imaginárias
Concepção e seleção de trechos: Sandra Abrano
Projeto gráfico: Thaís de Bruÿn Ferraz
Ano de publicação: 2019
Número de Páginas: 128
Dimensões: 20 x 14 cm
ISBN: 978-85-53028-04-7
Preço: R$ 44,00
Editora: Bandeirola
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segunda-feira, 25 de março de 2019

Resenha | Livro(s) do Desassossego – Fernando Pessoa

Livro(s) do Desassossego,  de Fernando Pessoa é o livro objeto da resenha. A obra lida foi publicada pela Global Editora e a edição foi realizada por Teresa Rita Lopes, que organizou os textos do autor português, separando os três livros que compõe a publicação. Convém mencionar, portanto, que aqui temos os textos de três semi-heterônimos (expressão utilizada pelo próprio Fernando Pessoa): Vicente Guedes, Barão de Teive e Bernardo Soares. Cada um deles tem a sua própria identidade, que será notada pelo leitor ao ter contato com os escritos. Mas, juntos, eles dão a grandeza do que é o Livro do Desassossego.

Fernando Pessoa foi um poeta e escritor português fascinante. Seus heterônimos demonstram a versatilidade de um grande escritor e, além disso, criou sobre ele uma mística. Os três heterônimos, Alberto Caieiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis nos fascinam.

O primeiro livro dessa obra é escritor por Fernando pessoa que depois nomeou Vicente Guedes como seu representante. Segundo informação da editora “não sabemos ao certo quando Pessoa atribuiu a Vicente Gudes a autoria desse livro”. No entanto, fato é, que o estilo empregado continuou o mesmo como que vinha sendo escrito antes, por Pessoa propriamente dito.

“Que sonhos tenho? Não sei. Forcei-me por chegar a um ponto onde nem saiba já em que penso, com que sonho, o que visiono. Parece-me que sonho cada vez mais de longe, que cada e vez mais sonho o vago, o impreciso, o invisionável.”

Guedes se demonstra um autor bastante sonhador, uma pessoa que transparece em seus textos o olhar para as sensações, para os sentimentos, e a tudo que nos rodeia ele dá uma interpretação mais sensitiva, tanto as coisas quanto as pessoas, como se pode observar no texto denominado O Amante Visual: “o meu destino de contemplador indefinido e apaixonado da aparência e da manifestação das coisas – objetivista do sonhos, amante visual das formas e dos aspectos da natureza...”

Vicente Guedes é um semi-heterônimo que fala muito sobre o sonhar em seus textos. Tema recorrente que rivaliza, une-se e distancia-se da vida quotidiana. Em certa passagem do livro ele diz que afastou-se para o cargo do pensamento, local em que vive o seu conhecimento emotivo da vida. Daí termos que suas reflexões soam no campo do pensamento em relação a algo mais abstrato do que concreto.

O livro de Barão de Teive é o segundo presente na publicação. Esse autor é ainda pouco conhecido no universo de quem estuda Fernando Pessoa. Os escritos de tal semi-heterônimo aparecem como uma espécie de testamento em que o autor, ao se aproximar do suicídio, resolve escrever os textos para se definir.

Seus temas principais trafegam entre filosofar sobre seu pessimismo, relatar a necessidade do suicídio (que dá o caráter testamentário aos textos que produziu) e fala ainda sobre sexualidade.

Ao contrário de Vicente Guedes, o Barão de Teive, tem repugnância pelo sonho, um dos temas principais do primeiro autor. O livro do Barão é o mais curto entre os três que formam o Livro do Desassossego.

Passamos para o terceiro autor presente na obra: Bernardo Soares. Esse escritor começa a atuar nos idos de 1929. Desse ano até 1935 Fernando Pessoa teria trabalhado a escrita através de Bernardo Soares e de Álvaro de Campos. Soares é amante da vida, se define como um decadente e busca se distanciar dos românticos.

É um escritor bastante analítico, que se propõe a falar sobre tudo com seu aguçado olhar fotográfico, no entanto, além de descrever analiticamente, não deixa de refletir sobre o que escreve ou descreve. Notadamente, é um escritor que vê a vida em movimento e observa o movimento que a vida faz: “Toda a vida da alma humana é um movimento na penumbra”. Ainda que algo da vida não seja visto com tamanha facilidade ou se tenha certeza sobre ela, a vida continua, se movimenta. Por isso, ele também fala sobre viagens e descrições sobre o próprio ato de escrever.

“Para mim, escrever é prezar-me; mas não posso deixar de escrever” – relata o autor em certa passagem. E, sobre o uso das palavras Bernardo Soares diz: “...gosto das palavras. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereis visíveis, sensualidades incorporadas”.

Ao leitor caberá apreciar os três livros que formam a publicação e que nos colocam em contato com a diversidade trabalhada por Fernando Pessoa. Cada autor tem seu estilo, sua personalidade, seu próprio olhar diante dos acontecimentos e das pessoas. Embora sejam todos textos fragmentados que versam sobre assuntos diversos, o leitor conseguirá diferenciar cada um dos autores, justamente pela composição extremamente detalhada que Pessoa fazia de suas vozes. 

Ora eles se revelam ligados aos sentimentos e suas impressões sobre a vida, ora os textos nos fazem refletir sobre sentimentos e fatos, ora descrevem cenas e passam pela filosofia dos acontecimentos, ora revelam as inquietações de quem escreve. Os textos tem palavras rebuscadas, uma forma estrutural de certo modo distante do jeito como se escreve na contemporaneidade, no entanto é extremamente acessível e facilmente inteligível. Não se assuste, caro leitor. As 472 páginas do livro publicado pela Global Editora passarão e você nem perceberá, tamanha é a fluidez com que somos conduzidos. Mesmo, como dito anteriormente, sendo textos fragmentados, o arranjo feito por Teresa Rita Lopes nos permite contemplar a obra como um todo.

Fernando Pessoa foi um escritor admirável e que permanece capaz de despertar fascínio nos leitores que tem contato com sua vida e obra. Livro(s) do Desassossego é um obra para ter, ler e reler.

Ficha Técnica

Título: Livro(s) Do Desassossego
Escritor: Fernando Pessoa
Editora: Global
Edição: 1ª
Número de Páginas: 472
ISBN: 978-85-260-2206-5
Ano: 2015
Assunto: Literatura portuguesa



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quinta-feira, 14 de junho de 2018

Sídney Bretanha, Fernando Pessoa e o livro “E se eu fosse outros?”

Sídney Bretanha - Foto divulgação
Sídney Bretanha é dramaturgo e ator, tendo várias de suas peças encenadas no  Brasil e na África (Cabo Verde e Angola).
Em 2012 iniciou a graduação em Letras na Universidade de São Paulo (USP) onde, após cursar a disciplina de Literatura Infantil e Juvenil, apaixonou-se pela mesma e escreveu o seu primeiro livro: “E se eu fosse outros?”
Apaixonado por literatura, procura desenvolver seus projetos através da inclusão da mesma em seus trabalhos, proporcionando o acesso de seus espetáculos e trabalhos dramatúrgicos, levando a poesia e reflexões para todos os públicos.
É criador do Projeto “Eu alimento a Cultura” que leva peças teatrais para alunos de ensino médio e EJA de escolas públicas.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?


Sídney Bretanha: Desde criança fui incentivado para ler.
Começou com meus pais e irmã lendo para mim, depois eu lendo com ele e, em seguida, lendo para eles.
Esse processo foi de extrema importância e despertou em mim o prazer e a paixão pela literatura.
Naquela época éramos assinantes do Círculo do Livro e, além deles, também era viciado na Coleção Vagalume.
Cheguei ao ponto de ler um livro a cada 2 dias.
Depois, no Fundamental II, teve um trabalho de escola e acabei escrevendo uma estória com os personagens do Sítio do Picapau Amarelo (sou de Taubaté, terra de Monteiro Lobato). A professora adorou e acabou que o meu texto foi publicado em 3 partes em um jornal da cidade.
Desde então li e escrevi mas sem publicar nada.
Até que no Ensino Médio tive aula com a Dona Sylvinha, uma professora e ser humano incrível, que me instigou cada vez mais a ler e a estudar as literaturas brasileira e portuguesa.
Nessa época já dava aulas de inglês em uma escola.
Em 1991 comecei a estudar Artes Cênicas, o que implica em toneladas de textos e minha paixão foi aumentando e comecei a escrever peças teatrais que foram e ainda não encenados aqui no Brasil e na África (Cabo Verde e Angola).
Em 2007 atuei na peça “Dom Iracema de Milícias”, uma comédia sobre 03 grandes livros e dirigido pelo ator Luiz Carlos Tourinho. Quando ele faleceu decidi homenageá-lo fazendo uma apresentação dessa peça, sem cobrança de ingressos mas com troca de alimentos que doamos para ONGs. Foi um sucesso e vi a carência dos alunos de ensino médio das escolas públicas com a Literatura.
Aí foi a semente para que eu criasse o Projeto “Eu alimento a Cultura!”, que leva peças de teatros para a população e alunos de ensino médio e EJA de escolas públicas. Ver as pessoas entenderem Álvaro de Campos sob o prisma do HIV e também com um outro texto de minha autoria que fala sobre amizade e câncer (“É... quem tem amigo, tem tudo!”, onde compartilho o palco com o ator Théo Hoffman) é a certeza de que precisamos estimular a leitura nas pessoas e usar do teatro como ferramenta para isso. Tanto que o Projeto “Eu alimento a Cultura!” cresceu, a mim se associou o meu parceiro nessa jornada Guilherme Bruniera (responsável pelo marketing e design), levamos mais de 4 mil pessoas ao Teatro, doamos cerca de 8 toneladas de alimentos e hoje ele foi aprovado para captação de recursos para que empresas façam uso do ICMS através do ProAC. Com isso esperamos incentivar mais a Cultura e a Educação pelo estado de São Paulo, inicialmente.
Em 2012 fui aprovado para o curso de Letras na USP (Universidade de São Paulo), onde aprendi mais ainda e graças a um dos maiores professores que tive o prazer de ter – José Nicolau Gregorin Filho (Professor de Literatura Infantil e Juvenil) – acabei me apaixonando e escrevi meu primeiro livro. O Nicolau me incentivou muito, foi rígido e carinhoso, tendo o equilíbrio para que eu pudesse ter um trabalho sério. Ele é o autor do prefácio do meu livro.
Temos intenção de também adaptar o livro para o teatro e que, além do público espontâneo, possa fazer parte do “Eu alimento a Cultura!”.

Conexão Literatura: Você é autor do livro “E se eu fosse outros?”. Poderia comentar?

Sídney Bretanha: Sempre fui apaixonado por Fernando Pessoa e seus heterônimos e quando montei minha Companhia de Teatro (Cia. De Teatro Reciclado), a primeira peça foi sobre o Alberto Caeiro que na época fazia parte da lista de leitura obrigatória para o vestibular da Fuvest.
Anos depois entrevistei mais de 100 pessoas soropositivas e montei a peça “Xeque-Mate” onde, em um Reino de Xadrez, conto as histórias dessas pessoas usando os poemas de Álvaro de Campos.
Quando entrei na USP, aprofundei meus estudos em Literatura Portuguesa para, em seguida, cursar a disciplina de Literatura Infantil e Juvenil. Ali, conversando com o Professor Nicolau, falei da lacuna de falar de poesia e Fernando Pessoa para a criançada.
Ele aprovou minha ideia de escrever um livro que também falasse de amor.
Aí começou a jornada de aprofundar as pesquisas até que apresentei a ele o croqui do livro e tive sua aprovação.

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro?

Sídney Bretanha: As pesquisas começaram antes mesmo de escrever o livro por causa das peças teatrais que mencionei acima.
Mas foram aprofundadas com a responsabilidade que vinha pela frente. Foi o momento de encarar as bibliotecas, ler os livros de seus heterônimos, comprar uma Enciclopédia sobre Fernando Pessoa, tentar entender melhor o universo infantil, pesquisar tudo o que tinha e não tinha sobre ele.
Depois de muita leitura, atrelar a um tema que fosse universal e que atingisse todos os públicos, de ambos os sexos e de todas as idades: o Amor.
A poesia, no geral, quase sempre fala do amor, correspondido ou não e com Fernando Pessoa e seus heterônimos também seria assim.
Porém cada heterônimo vê o amor de maneiras diferentes e esse foi o grande desafio: achar uma linha condutora que pudesse facilitar o entendimento de que o amor tem suas nuances e cada um fala de um jeito.
Se explicar para um adulto o que é heteronímia já não é algo fácil, para crianças seria o maior desafio. E, por incrível que pareça, foi mais fácil do que pensava porque a criança compreende o amor sem filtros, apenas vê o sentimento com seu olhar e pureza.
Pensar o livro em capítulos foi outra estratégia para abordar o tema, o que facilita que a criança possa ler um capítulo por dia se quiser (ou seus familiares lerem para elas). Assim o livro foi sendo costurado, os poemas foram selecionados para que o sentimento do texto dialogasse com o que o Pessoa escreveu.
Foi criada uma ficção com base na vida real do poeta português, tanto que seus familiares no livro tem os nomes verdadeiros de sua mãe, pai, padrasto, irmãs e, inclusive, o do poeta Mário de Sá Carneiro e do “professor” deles, o Camões.
Unir ficção com realidade foi a alternativa escolhida para despertar na molecada (e também nos pais e mães) e curiosidade para que pesquisem mais sobre ele.
Depois de escrito e aprovado pelo Nicolau (com as alterações sugeridas), hora de passar pela revisão ortográfica. Uma vez a parte textual completa chegou a hora de encontrar o ilustrador e diagramador para o livro.
Convidei o ilustrador Rogério Forti, um profissional incrível e talentoso que realmente conseguiu dar vida a cada capítulo, a cada sentimento, a cada heterônimo. Seu perfeccionismo foi incrível e as imagens tem um diálogo mais que perfeito com os textos.
A escolha das cores, do papel, da capa. Em seguida o registro no ISBN e livro pronto.
Até aí já tinham sido quase 3 anos desde a ideia inicial.
Nesse momento, com o livro pronto em pdf, entrei em contato com o “Leiturinha”. Arrisquei ligar e acabei falando com uma das curadoras que foi uma pessoa incrível e super receptiva. Enviei o material e tive a aprovação deles em poucos dias para que o livro fosse lançado em março de 2018 (isso era em setembro de 2017) com exclusividade para seus assinantes.
Foram quase 1500 exemplares logo de início pelo Leiturinha e, pouco a pouco, agora o livro está conquistando leitores de todo o Brasil nesses 03 meses e inclusive já foi enviado para a Itália e Estados Unidos.
Tenho feito um bate-papo com as crianças de Ensino Infantil, Fundamental I e II pelo interior de São Paulo e Capital, onde falo de poesia, amor, empatia, Fernando Pessoa e família. Contato as escolas e vou lá sem custo algum, somente com um número de livros reservados para a compra pelos pais que quiserem adquiri-lo.
Estou aproximando de 2 mil livros vendidos em apenas 03 meses e, o mais incrível, é que tem tocado pessoas de todas as idades, desde pais e mães que leem para seus filhos, adultos presenteando as crianças de suas famílias e muitos outros adultos que compraram para si mesmos e apaixonam-se pela divertida aventura do “Fernandinho”.
Na FanPage do livro no Facebook (www.facebook.com/eseeufosseoutros) é possível ver o que as pessoas estão comentando dele e tenho me sentido lisonjeado por ver a receptividade positiva de pessoas como Davi Kinski (indicado ao Jabuti em 2017), o poeta PH Almeida, Rafael Sorrigoto (que tem o blog Dois Pais) e tantas outras pessoas.
Como já me falaram: “Posso ter escrito um livro para crianças mas, com certeza, também escrevi um livro para adultos, daqueles que podemos voltar no tempo e degustar uma infância cheia de amor e aventuras.


Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho do qual você acha especial em seu livro?


Sídney Bretanha: “...o amor, que é um sentimento, é um só, mas existem vários jeitos, várias formas de amar.”

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir um exemplar do seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Sídney Bretanha: Os leitores e escolas (infantil, fundamental, médio e faculdades de Letras, Psicologia, Pedagogia, etc) que quiserem comprar exemplares ou me contatar para palestras com bate-papo e autógrafos podem falar através do e-mail: e seeufosseoutros@gmail.com, da FanPage www.facebook.com/eseeufosseoutros e pelo telefone (11) 9 8765-1250. Nesse contato comigo envio o livro autografado e com dedicatória.
Também está à venda no site da Amazon: www.amazon.com.br

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?


Sídney Bretanha: Sim, estou já finalizando um outro livro infantil e juvenil que fala sobre o amor pelos animais e com várias referencias literárias e temas essenciais e também iniciando o “E se eu fosse outros? 2”, abordando outros heterônimos e dando sequência à história do Fernandinho.

Perguntas rápidas:

Um livro: Infância (RAMOS, Graciliano) – acho que o melhor livro para descrever a infância.
Um (a) autor (a): J. K. Rowling (por uma criação tão espetacular)
Um ator ou atriz: Matheus Nachtergaele e Bete Dorgam.
Um filme: Poder além da vida.
Um dia especial: Acho que todos os dias são especiais por termos a oportunidade de estarmos aqui e fazer a diferença para tanta gente que precisa.

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Sídney Bretanha: Incentivem a leitura nas crianças, sejam exemplo, brinquem com elas além de tablets e celulares.
Alimentem a educação, a cultura e a solidariedade nas crianças para que possamos dar para elas e a nós mesmos o tempo. Tempo de conviver, de sorrir, de estar junto daqueles que amamos.
Que os pais e mães sejam parceiros dos professores, incentivem a leitura nas escolas, proporcionem essa aproximação entre autores e leitores e, quando chegarem em casa depois do trabalho, conversem, ouçam o que elas tem a dizer. Isso fará muito a diferença na vida de todos nós.
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segunda-feira, 20 de junho de 2016

Fernando em pessoas


A linguagem poética de Fernando Pessoa, juntamente com a de seus heterônimos, pode sugerir, em um primeiro olhar desatento, um pessimismo existencial e uma vontade quase que intrínseca de negação da vida e de suas possibilidades a todo instante. Entretanto, um olhar mais cuidadoso e perspicaz é capaz de identificar em seus versos – em uma frase, muitas vezes – toda uma vasta abertura para as cotidianidades do mundo e toda uma filosofia que transborda por meio de seus sentimentos transformados em palavras que afirmam a vida em todos os seus aspectos e possibilidades, sejam eles de erros, acertos, sujeições, mazelas, amores, ressentimentos e inspirações que acomete quem de fato a vive.

É importante ressaltar que Pessoa não tem a preocupação de construir sistemas e conceitos filosóficos a partir de suas poesias, embora tenha lido muito sofre filosofia e seja possível, para o leitor, fazer associações entre seus poemas e algumas vertentes filosóficas, passando desde os gregos antigos até filósofos quase contemporâneos a ele, como Nietzsche.

Seus desalentos com o mundo e consigo mesmo denunciados diretamente em seus escritos e que perpassaram todos os anos de sua vida podem sugerir uma escolha individual e consciente a respeito de momentâneos afastamentos e isolamentos de tudo e todos que o desagradavam, de como ele mesmo dizia: “semideuses”, essa gente que “nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, nunca foi senão príncipe" (em <Poema em linha reta> de Álvaro de Campos), em que a presença constante da felicidade e do "bem viver", do "bem estar" e do "bem se mostrar" perante a sociedade consomem e se constituem apenas em aparência, em que nega as trivialidades e os infortúnios que estão presentes nas ações e também no não agir diante das circunstâncias que se apresentam costumeiramente.

Se se podem considerar seus versos como signos de uma angústia intermitente que sugiram apenas inconstâncias existenciais ao longo de suas vidas, também se pode considerar a sutileza, ao mesmo tempo rude, carregada de potência afirmadora de vida de quem vê nas pequenezas da existência – “Come chocolates, pequena; (...) Come, pequena suja, come! / Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!” (em <Tabacaria> de Álvaro de Campos) – a constante afirmação do cotidiano como fuga por meio de uma persistente linguagem que provoca, instiga e, intermitentemente, propicia o despertar da dúvida e da inquietação em quem lê e sente seus versos.

Ao transbordar em meio a perspectivas sobre as junções de significados que nutrem a existência constante dos seres em movimento, desses seres juntos e ao mesmo tempo solitários, as palavras de Pessoa e de seus heterônimos podem sugerir a magnitude e a composição de seres que não conseguem existir sem se transformarem continuamente, sem transitarem entre explosões de sentimentos que ora dialogam com o concreto, com o frio e com a rigidez que permeiam a vida, ora experimentam as sensações de um “breve momento em que um olhar / sorriu ao certo pra mim... / és a memória de um lugar, / onde já fui feliz assim.”, características de sentimentos e emoções vivenciadas em permanente movimento.

Notadamente a inquietação e o anseio de quem não se acostuma com a vida que lhe está sendo oferecida – ou mesmo imposta – e que “raspa a tinta com o que lhe pintaram os sentidos”, transita entre a ação tomada para si como engrenagem que, por meio dos seres em movimento e conscientes de que devem carregar consigo uma “aprendizagem de saber desaprender”, compreende os acasos, as incertezas e as tensões existenciais presentes em suas poesias e em suas-nossas vidas.

O refúgio de seus seres em constantes mudanças, criações e transformações ininterruptas, estando mesmo conscientes de suas ações e interações até mesmo em seus desencontros e afastamentos também por meio de uma consciência que figura diante de seus sentimentos expressos em formas de palavras, acaba por permitir e sugerir a amplidão da vida em suas possibilidades plenas, mas ao mesmo tempo inacabadas e inconclusas, além de estimulantes entre os acasos presentes nos encontros com o cotidiano muitas vezes áspero, mas que transita entre a acidez do discurso de certezas e a perenidade de uma construção em contínua experimentação da vida e das incertezas inerentes a ela.

Por mais que em suas estrofes, frases e palavras Pessoa transmita uma permanente desesperança como característica pungente de sua obra, há que se duvidar constantemente sobre o que suas entrelinhas expressam e sugerem como vicissitudes da vida perdurável e contínua, daquelas capacidades de transcenderem as banalidades existenciais e alcançarem o inesperado, bem como subverterem as angustias, ou mesmo vivenciá-las em sua plenitude, em sua totalidade. Pessoa, muitas vezes, diz algo por meio das palavras não querendo dizer e, ao mesmo tempo, e em contra partida, não diz algo querendo revelar, ou ao menos sugerir reflexões e indagações a partir de sua poética.

Assim, a dor e o desassossego que Pessoa e seus heterônimos presenciam, consomem e expressam por meio das palavras como forma de sofrimentos íntimos constantes, permitindo fazer surgir a(s) humanidade(s) do(s) poeta(s), de suas inquietudes mediante a vida e suas relações diante o outro, do mundo e, por conseguinte, de si próprio(s).

Transitando entre a alteridade – que está condicionalmente presente em seu isolamento e em sua responsabilidade de viver entre e com seus heterônimos – e a capacidade de identificação por meio dos sentimentos e das palavras que unem as poesias de Pessoa nas pessoas, o movimento consciente entre os seres que permeiam sua tessitura artística e suas formas de ação frente aos inesperados e inusitados viveres podem sugerir a superação da mistificação de um possível poeta trágico e ressentido com o mundo que nos cerca.


  • Texto produzido a partir do curso "O ser, a consciência e o agir em Fernando Pessoa", ministrado pelo Prof. Dr. Fernando Carmino Marques, do Instituto Politécnico da Guarda, de Portugal. Curso este realizado na UMESP - Universidade Metodista de São Paulo, em junho de 2016.

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quarta-feira, 8 de junho de 2016

O corvo, o morcego e o pássaro azul: as representações da consciência na poesia


O título deste artigo quase poderia ser uma fábula, mas não é. O que os três animais citados no título acima têm em comum? Todos eles foram utilizados, em algum momento, por um poeta para representar a consciência (ou talvez o inconsciente, em alguns casos) do eu-lírico. Quase seria possível dizer que eles escolheram aves para dar asas a uma consciência sufocada, mas isso não pode ser dito, pois Augusto dos Anjos não escolheu uma ave, mas um morcego, o único mamífero voador – ainda assim o poeta escolhera uma criatura alada para representar a consciência do eu-lírico. O que faz com que estes influentes poetas desejem representar algo tão intrínseco ao ser humano por meio de criaturas capazes de voar? Vejamos aos poucos e, comparando cada um dos exemplos, veremos o que eles trazem de semelhante e no que se diferem também.
Comecemos pelo exemplo mais clássico e provavelmente mais famoso deles: O Corvo de Edgar Allan Poe. Dentre as diversas interpretações que podem ser feitas do poema de Poe, uma das mais freqüentes é a de que a sombria ave dos maus tempos ancestrais utilizada pelo poeta é uma representação da lembrança do eu-lírico referente à amante morta, a jovem Lenore. Ou seja, ela é uma recordação que o poeta fazia de tudo para esquecer, para sufocar em seu inconsciente, mas em uma noite fria a lembrança o invade novamente, em forma de um pássaro sombrio que repete incessantemente as palavras de sua despedida com Lenore.  
Isso pode ser interpretado de outras formas, é claro, desde como uma narrativa sobrenatural, em que o corvo é uma espécie de fantasma de Lenore ou enviado por ela, mas também podemos ver a ave como a agonia já quase inconsciente do narrador tomando forma, ganhando vida e se sobrepondo sobre o consciente dele, sobrevoando sua existência e o afogando em suas sombras. Inclusive, um detalhe que chama a atenção é o fato de o corvo pousar sobre o busto de Atenas, a deusa da sabedoria, ou seja: a ave se coloca acima da sabedoria do eu-lírico, acima de tudo o que ele entende seguindo razão e lógica e domina sua consciência o revelando em palavras aquilo que ele deixava no abstrato subsolo de suas memórias, fortalecendo uma assombração que ele tentava ocultar de si mesmo.

E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!”

O Corvo (The Raven), Edgar Allan Poe, tradução de Fernando Pessoa

Poe utiliza um corvo para dar um tom melancólico e sombrio ao poema, mas na Filosofia da composição, ele não chega a citar porque resolver escolher um ser alado – fato este que observaremos aqui, em comparação ao morcego e ao pássaro azul. Partindo agora para O Morcego, de Augusto dos Anjos: neste poema do jovem que revolucionou a poesia nacional, é dito claramente porque o poeta escolhera um morcego para representar a consciência do eu-lírico e exatamente que é isso mesmo que ele quer representar, o que vemos nos versos finais do poema:

Que ventre produziu tão feio parto?!
A consciência humana é este morcego! 
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra 
Imperceptivelmente em nosso quarto.”

O Morcego, Augusto dos Anjos

Neste caso, o poeta se refere à consciência como algo que ele deseja evitar, mas que à noite acaba por encontrá-lo, quando o mundo consciente e inconsciente se misturam envoltos por uma atmosfera surreal de sonho e trevas. A descrição de tal cena poderia muito bem se referir ao narrador do Corvo, tentando fugir de suas memórias de Lenore e de sua terrível maldição de viver sob tal sombra, não é mesmo? Mas a consciência humana tem asas, e por mais que tentemos afogá-la, sucofá-la, uma hora quando estivermos perdidos entre sonhos e realidade, ela dá um jeito de nos alcançar e de se sobrepor sobre nós, por vezes nos levando à estados de loucura ou melancolia, como vemos nos narradores dos dois poemas citados acima.
                Agora, e quando queremos esconder de nós mesmos algo que, por algum motivo o outro, tememos que o mundo não aceite, mas que faz parte de nós ainda assim? Quando não são trevas que queremos ocultar, mas alguma espécie de luz que tememos que a sociedade condene? Talvez isso venha à tona de uma forma mais delicada, mas sutil: em forma de um pássaro azul, que podemos prender em uma gaiola (gaiola feita de costelas humanas), mas deixá-lo livre quando nos sentimos confortáveis para tal. Quando sentimos a liberdade necessária para expor tal parte de nossa personalidade, quando ninguém estiver por perto para condenar nem julgar o singelo canto do pássaro azul, este que não invade a casa de madrugada, mas que ganha permissão para sair e cantar um pouco de vez em quando. E é isso que descreve Bukowski no clássico poema Pássaro azul. Não é uma recordação ruim nem uma consciência melancólica, mas uma liberdade que por mais que o eu-lírico tente sufocar, ele se sente mais livre quando o permite que saia e cante.

Há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou bastante esperto, deixo que ele saia
somente em algumas noites
quando todos estão dormindo.
eu digo: sei que você está aí,
então não fique triste.
depois, o coloco de volta em seu lugar,
mas ele ainda canta um pouquinho
lá dentro, não deixo que morra
completamente
e nós dormimos juntos
assim
como nosso pacto secreto

Pássaro azul (Blue Bird), Charles Bukowski, tradução de Pedro Gonzaga

                Todos os três poetas utilizam animais alados para se referir à consciência do narrador, ou a algo da personalidade deles que permanece oculto até determinado momento. Até a alma do poeta alçar vôo, até que aquilo que o poeta tenta de todas as formas esconder de si mesmo acaba por sair do subsolo, sobrevoar sua consciência mais superficial e revelar a ele algo que o afeta profundamente. É isso que os poetas fazem, muitas vezes, deixar que seu inconsciente ganhe vida nas palavras e/ou rimas para se libertar. Nos casos aqui observados, eles literalmente dão asas aos seus semi-ocultos sonhos ou pesadelos e os deixam voar pelos versos.

Arte da capa: John Kenn
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