Resenha da série Altered Carbon (NetFlix), baseada no livro de mesmo título, por Ademir Pascale

SOBRE O LIVRO: Carbono alterado é o eletrizante thriller de ficção científica que inspirou a série da Netflix. No século XXV, a humanidade ...

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domingo, 3 de outubro de 2021

Já está disponível o e-book TRASH - CONTOS E POEMAS SOBRE O FIM DO MUNDO. baixe o seu


FICHA TÉCNICA DO E-BOOK "TRASH - CONTOS E POEMAS SOBRE O FIM DO MUNDO":

TÍTULO: Trash - Contos e Poemas Sobre o Fim do Mundo
ORGANIZADOR: Ademir Pascale
COAUTORES:
Carol Peace - A Gênese da Aniquilação
Roberto Minadeo - Tigre Branco
Alessandro Mathera - Através do céu
Roberto Schima - Que M...!
Noel Rosa de Castro - Espaço Tempos
G. M. DHOSS - Amor zumbi: o fim dos tempos
Ney Alencar - O Homem que não Morria
Giuliano Zanchi - Pela Primeira Vez Em Muito Tempo, Eu Estava Sorrindo
Ana Martins - O fim do mundo em instantes
TIPO: E-book
Nº DE PÁGINAS: 52
ANO: 2021 

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domingo, 18 de julho de 2021

Já está disponível o e-book FICÇÃO CIENTÍFICA II. Baixe já o seu


FICHA TÉCNICA:

TÍTULO: Ficção Científica II
ORGANIZADOR: Ademir Pascale
COAUTORES:
Ademir Pascale - "A Esfera" e "Isaac"
Ney Alencar - "Lembre-se de Loomis o Quarto" e "O Horror Marciano"
Roberto Schima - Por Amor a Nabel Kar (Parte 1 e Parte 2)
Bert Jr. - Souvenir
João Gomes Moreira - Rapsódia em janeiro
Nº DE PÁGINAS: 54
ANO: 2021
TIPO: E-book

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domingo, 4 de julho de 2021

Confira a lista dos selecionados da antologia FICÇÃO CIENTÍFICA II


CONFIRA A LISTA DOS SELECIONADOS DA ANTOLOGIA "FICÇÃO CIENTÍFICA - CONTOS E POEMAS - VOL. II":

1 - Ney Alencar - "Lembre-se de Loomis o Quarto" e "O Horror Marciano"
2 - Roberto Schima - Por Amor a Nabel Kar (Parte 1 e Parte 2)
3 - Bert Jr. - Souvenir
4 - João Gomes Moreira - Rapsódia em janeiro
Com participação de Ademir Pascale, com os contos: "A Esfera" e "Isaac"

PARABÉNS aos selecionados.

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sábado, 26 de junho de 2021

Participe da antologia (e-book) FICÇÃO CIENTÍFICA - CONTOS E POEMAS - VOL. II. Leia o edital


PARTICIPE DA ANTOLOGIA (E-BOOK): FICÇÃO CIENTÍFICA - CONTOS E POEMAS - VOL. II

REGRAS PARA PARTICIPAÇÃO NA ANTOLOGIA DIGITAL "FICÇÃO CIENTÍFICA - CONTOS E POEMAS - VOL. II":

1 - Escrever um poema ou conto de ficção científica (futuro, passado ou presente), sobre qualquer assunto: viagens no tempo, alienígenas, outros mundos, robôs, OVNIs, etc. Aceitaremos até 2 contos ou 2 poemas por autor. Caso sejam aprovados, os 2 textos serão publicados.

2 - SOBRE O CONTO OU POEMA: até 4 páginas, fonte Times ou Arial, tamanho 12, incluindo título. Espaçamento 1,5.
     
3 - Tipo de arquivo aceito: documento do Word (arquivos em PDF serão deletados).

4 - O conto ou poema não precisa ser inédito, desde que os direitos autorais sejam do autor e não da editora ou qualquer outra plataforma de publicação.

5 - Idade mínima do autor para participação na antologia: 18 anos completos. Menores de idade irão precisar de autorização dos pais ou responsável, caso o conto ou poema seja aprovado.

6 - Envie o conto ou poema pré-revisado. Leia e releia antes de enviá-lo.

7 - Data para envio do conto ou poema: do dia 01/06/21 até 03/07/21.

8 - Veja ficha de inscrição no final desse texto. Leia, copie as informações e preencha. Envie as informações da ficha + o conto ou poema para o e-mail: contato@edgarallanpoe.com.br. Escreva no título do e-mail: FICÇÃO CIENTÍFICA - CONTOS E POEMAS - VOL. II

CUSTO PARA O AUTOR:

R$ 50,00 por conto ou poema. Caso o autor envie 2 poemas ou 2 contos e tenha os dois selecionados, o valor será R$ 100,00. As informações para depósito serão informadas ao autor no e-mail que enviaremos caso o conto ou poema seja aprovado.
O valor servirá para cobrir os custos de leitura crítica e revisão, diagramação e divulgação da obra.

A antologia será digital (e-book) e gratuita para os leitores baixarem através de download, ela não será vendida. A antologia será amplamente divulgada nas redes sociais da Revista Conexão Literatura: Fanpage e Grupos do Facebook, Instagram e Twitter, que somam cerca de 200 mil seguidores.

O resultado será divulgado no site www.revistaconexaoliteratura.com.br e na fanpage www.facebook.com/conexaoliteratura, até o dia 04/07/21 (a data poderá ser prorrogada).

OBS: Enviaremos certificado digital de participação para os autores selecionados.


NOSSOS CRITÉRIOS PARA AVALIAÇÃO:

A) - Criatividade;

B) - Textos preconceituosos, homofóbicos, racistas ou que usem palavras de baixo calão, serão desconsiderados;

C) - Seguir todas as regras para participação.

OBS.: Ademir Pascale, idealizador do concurso, disponibilizou para download uma apostila intitulada "Oficina Jovem Escritor", com dicas para quem está iniciando no mundo da escrita. Baixe gratuitamente, leia e pratique: CLIQUE AQUI.


FICHA DE INSCRIÇÃO DO AUTOR(A)

Nome completo do autor(a):

Seu Pseudônimo (caso use), para publicação na antologia:

Idade:

Título do conto ou poesia:

E-mail 1:
E-mail 2 (caso tenha):

Biografia em terceira pessoa (escreva sobre você num máximo de 7 linhas):
 

IMPORTANTE: Envie todas essas informações da ficha de inscrição para o e-mail: contato@edgarallanpoe.com.br. Escreva no título do e-mail: FICÇÃO CIENTÍFICA - CONTOS E POEMAS - VOL. II

O envio da ficha de inscrição + poesia ou conto para o e-mail indicado significa que o autor(a) leu todas as informações e regras dessa página para participação na antologia. Se entrarmos em contato, por favor responda o e-mail.

Não fique fora dessa. O concurso cultural será amplamente divulgado nas redes sociais.

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sábado, 19 de junho de 2021

Um papo com José M. S. Freire, autor do livro "Tamara Jong – A Guerra de Rarzok"


José Maurilio de Souza Freire nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1956. Sempre gostou da literatura de ficção científica. Esse tipo de leitura influenciou suas escolhas acadêmicas: É bacharel em Ciências Físicas pela Universidade Federal Fluminense e pós-graduado em Análise de Sistemas pela PUC-RJ. Também chegou a fazer dois anos de mestrado em Física Nuclear.

Trabalha como Tecnologista Sênior na Marinha do Brasil. Seu trabalho consiste em analisar a propagação do ruído irradiado pelos navios de guerra no ambiente marinho. Elaborar relatórios técnicos lhe deu confiança para escrever esta série de ficção.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

José M. S. Freire: Tudo começou em uma noite fria e chuvosa de junho de 2012. Eu estava em casa, degustando um vinho chileno e assistindo a um documentário sobre antigas civilizações, e seus supostos contatos com os “Deuses-Astronautas”, quando, de repente, me ocorreu, segundo meus próprios conhecimentos de Física e minhas convicções a respeito do legado de seres alienígenas na Terra que, se realmente eles estiveram aqui, sua rota mais provável para superar as astronômicas distâncias entre seus mundos e o nosso só pode ter sido traçada através de portais interdimensionais, entre os quais os buracos negros e buracos de minhoca, previstos na Teoria da Relatividade, os quais, também, segundo os cientistas modernos, podem ser criados artificialmente com o emprego de sistemas de alta tecnologia. 

A partir daí, eu fiquei imaginando se, assim como em certos sítios arqueológicos extremamente antigos, nos quais é aventada a existência desses portais no interior de templos ou formações de enormes megálitos, também na Floresta da Tijuca, onde eu costumava caminhar nos fins de semana, poderia haver algum indício da existência dessas passagens em suas grutas ou recantos mais recônditos. A partir desse pensamento, me veio a ideia de criar uma história para explorar esta possibilidade.

Conexão Literatura: Você é autor do novo e-book "Tamara Jong – A Guerra de Rarzok" (Amazon e Kobo). Poderia comentar? 

José M. S. Freire: Este livro conta mais um pouco sobre uma antiga raça de androides denominados “trevurianos”, que, num passado longínquo, quase foram exterminados por uma coalisão de planetas por terem se aventurado numa expansão desenfreada pelas galáxias e colocado em risco vários povos inteligentes do universo, devido as suas práticas nefastas para se perpetuarem como espécie. Próximo ao final daquela guerra que quase os aniquilou completamente, alguns trevurianos conseguiram fugir da coalisão para um canto remoto e desconhecido do cosmos, onde não tardaram a agir para aumentar seus números. Agora eles estão de volta, mais fortes e numerosos que antes, dispostos a, primeiramente,  se vingar da antiga coalizão de planetas que se consolidou como a “Aliança Intergaláctica” dos tempos atuais, depois, conquistar os incontáveis mundos de todo o universo conhecido.  

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir essa história? 

José M. S. Freire: Bem, na verdade minhas pesquisas, feitas antes de eu escrever o primeiro livro, “Tamara Jong - O Chamado de Úlion”, se resumiram em estudar um pouco sobre a Coreia do Sul, principalmente para conhecer nomes típicos e poder criar os nomes dos parentes de Tamara. Também li algumas coisas sobre seu estágio de desenvolvimento científico e tecnológico. Mas nada que eu já não soubesse, tipo, eles são donos de grandes marcas de carros, telefonia celular, televisores e eletrônicos em geral. Além de possuírem a banda larga mais rápida do mundo. Quanto ao tempo de escrita, estou levando um ano, aproximadamente, para escrever cada livro.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho que você acha especial em seu e-book? 

José M. S. Freire: “Me sinto honrada e agradecida por fazer parte de um grupo de pessoas, não somente meus companheiros ulianos, como também os valentes Too-Tat, a Maí-Turá e os terráqueos que se juntaram a nós, que se arriscam frequentemente para enfrentar um exército numeroso e bem armado. A vida é mesmo frágil e fugaz, mas o meu coração é forte e a fonte de onde brotam meus anseios de liberdade e justiça, inesgotável” (personagem Larena).

Conexão Literatura: Tamara Jong é uma coleção de 6 e-books. Você já pensa num próximo e-book para essa coleção ou “A Guerra de Rarzok” foi o último da série?

José M. S. Freire: Estou descansando um pouco do trabalho exaustivo que tive na elaboração e publicação deste livro, e, assim que estiver com a cabeça fresca novamente, vou começar a escrever o sétimo e-book, que poderá, ou não, encerrar a série.

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir o seu e-book e saber um pouco mais sobre a série “Tamara Jong”? 

José M. S. Freire: Este e-book, bem como os cinco anteriores, podem ser adquiridos tanto no site da Amazon quanto no da Kobo (Rakuten).

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

José M. S. Freire: Olha, há uma personagem que eu criei no terceiro livro, “Tamara Jong – A Lua Negra de Patânia”, que acabou se transformando numa das minhas favoritas. Após completar a série “Tamara Jong”, estou pensando em iniciar uma nova série de aventuras exclusivamente para essa personagem. Mas a identidade dessa personagem eu vou manter em segredo para os que ainda não leram meus e-books. As pessoas que têm acompanhado minha obra desde o início certamente não terão qualquer dificuldade em deduzir a qual personagem estou me referindo.

Perguntas rápidas:

Um livro: Meus livros!

Um (a) autor (a): Eu! 

Um ator ou atriz: A futura atriz que interpretará Tamara Jong na série que será criada a partir dos meus livros!

Um filme: Todos os filmes nos quais meus livros se tornarão!

Um dia especial: O dia em que eu nasci, por motivos óbvios, senão eu não estaria aqui hoje! Rsrsss...

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário? 

José M. S. Freire: Sim, gostaria sim! Não fiz nenhuma pesquisa referente ao assunto, mas, tenho notado, ao longo do meu trabalho como autor independente que, no que tange aos e-books de autores nacionais estreantes, só há avaliações, e por conseguinte, “vendas”, para aqueles escritores que disponibilizam seus e-books no programa Kindle Unlimited. Acho este programa válido, todavia, assim como eu, vários outros autores não abrem mão de cobrar um preço, ainda que irrisório, pelo seu trabalho. Fico pensando se o brilhante empresário Jeff Bezos, o dono da Amazon, como todos sabem, com esta estratégia de vendas não está transformando o que antes eram leitores em meros “acumuladores”, pagando mensalmente R$10,00 a ele para baixar “gratuitamente” dezenas, ou mesmo centenas, de e-books que certamente jamais terão tempo, ou disposição, de ler. E quero também agradecer a toda equipe da Revista Conexão Literatura por me darem, mais uma vez, a oportunidade de tornar meu trabalho conhecido.   

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quarta-feira, 2 de junho de 2021

LEITURA GRATUITA: já está disponível o e-book FICÇÃO CIENTÍFICA - CONTOS E POEMAS. Baixe o seu


FICHA TÉCNICA:

TÍTULO: Ficção Científica - Contos e Poemas
ORGANIZADOR: Ademir Pascale
COAUTORES:
BERT JR. - Alma
Camila de Nazaré Colares da Rocha - Quem é você?
Roan Sousa - "Probabilidade" e "Reconstrução"
Clóvis Rezende - Distopia global
Cleber Gimenes Freitas e Erica Ribeiro de Almeida - 2020: a última viagem
Paulo de Barros Gabriel - Combate do Amanhã
Gabriel Machado Saccilotto Freitas - "Planeta Tempo" e "O Caminhoneiro"
Roberto Schima - Recomeço
Lucas Brasil S. - Aposentadoria por validez
Maria de Fátima Moreira Sampaio - Hangar 21
Henrique Carvalho Iwamoto (Sir_lemonpie) - Evandine
Ney Alencar - Flor de Maio
Felipe Ferreira de Jesus - Nova Terra
Augusto Filipe Gonçalves - Solução veio do Futuro
Gilson Salomão Pessôa - Resgate em Akalantos
TIPO: E-book
Nº DE PÁGINAS: 85
ANO: 2021

PARA BAIXAR O E-BOOK GRATUITAMENTE: CLIQUE AQUI. 

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quinta-feira, 20 de maio de 2021

Saiu a lista dos selecionados da antologia FICÇÃO CIENTÍFICA - CONTOS E POEMAS. Confira


CONFIRA A LISTA DOS SELECIONADOS DA ANTOLOGIA "FICÇÃO CIENTÍFICA - CONTOS E POEMAS":

01 - BERT JR. - Alma
02 - Camila de Nazaré Colares da Rocha - Quem é você?
03 - Roan Sousa - "Probabilidade" e "Reconstrução"
04 - Clóvis Rezende - Distopia global
05 - Cleber Gimenes Freitas e Erica Ribeiro de Almeida - 2020: a última viagem
06 - Paulo de Barros Gabriel - Combate do Amanhã
07 - Gabriel Machado Saccilotto Freitas - "Planeta Tempo" e "O Caminhoneiro"
08 - Roberto Schima - Recomeço
09 - Lucas Brasil S. - Aposentadoria por validez
10 - Maria de Fátima Moreira Sampaio - Hangar 21
11 - Henrique Carvalho Iwamoto (Sir_lemonpie) - Evandine
12 - Ney Alencar - Flor de Maio
13 - Felipe Ferreira de Jesus - Nova Terra
14 - Augusto Filipe Gonçalves - Solução veio do Futuro
15 - Gilson Salomão Pessôa - Resgate em Akalantos

PARABÉNS aos selecionados. 

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sábado, 15 de maio de 2021

Participe da antologia (e-book) FICÇÃO CIENTÍFICA - CONTOS E POEMAS. Leia o edital


PARTICIPE DA ANTOLOGIA (E-BOOK): FICÇÃO CIENTÍFICA - CONTOS E POEMAS

REGRAS PARA PARTICIPAÇÃO NA ANTOLOGIA DIGITAL "FICÇÃO CIENTÍFICA - CONTOS E POEMAS":

1 - Escrever um poema ou conto de ficção científica (futuro, passado ou presente), sobre qualquer assunto: viagens no tempo, alienígenas, outros mundos, robôs, OVNIs, etc. Aceitaremos até 2 contos ou 2 poemas por autor. Caso sejam aprovados, os 2 textos serão publicados.

2 - SOBRE O CONTO OU POEMA: até 4 páginas, fonte Times ou Arial, tamanho 12, incluindo título. Espaçamento 1,5.
     
3 - Tipo de arquivo aceito: documento do Word (arquivos em PDF serão deletados).

4 - O conto ou poema não precisa ser inédito, desde que os direitos autorais sejam do autor e não da editora ou qualquer outra plataforma de publicação.

5 - Idade mínima do autor para participação na antologia: 18 anos completos. Menores de idade irão precisar de autorização dos pais ou responsável, caso o conto ou poema seja aprovado.

6 - Envie o conto ou poema pré-revisado. Leia e releia antes de enviá-lo.

7 - Data para envio do conto ou poema: do dia 19/04/21 até 19/05/21.

8 - Veja ficha de inscrição no final desse texto. Leia, copie as informações e preencha. Envie as informações da ficha + o conto ou poema para o e-mail: contato@edgarallanpoe.com.br. Escreva no título do e-mail: FICÇÃO CIENTÍFICA - CONTOS E POEMAS

CUSTO PARA O AUTOR:

R$ 50,00 por conto ou poema. Caso o autor envie 2 poemas ou 2 contos e tenha os dois selecionados, o valor será R$ 100,00. As informações para depósito serão informadas ao autor no e-mail que enviaremos caso o conto ou poema seja aprovado.
O valor servirá para cobrir os custos de leitura crítica e revisão, diagramação e divulgação da obra.

A antologia será digital (e-book) e gratuita para os leitores baixarem através de download, ela não será vendida. A antologia será amplamente divulgada nas redes sociais da Revista Conexão Literatura: Fanpage e Grupos do Facebook, Instagram e Twitter, que somam cerca de 200 mil seguidores.

O resultado será divulgado no site www.revistaconexaoliteratura.com.br e na fanpage www.facebook.com/conexaoliteratura, até o dia 21/05/21 (a data poderá ser prorrogada).

OBS: Enviaremos certificado digital de participação para os autores selecionados.


NOSSOS CRITÉRIOS PARA AVALIAÇÃO:

A) - Criatividade;

B) - Textos preconceituosos, homofóbicos, racistas ou que usem palavras de baixo calão, serão desconsiderados;

C) - Seguir todas as regras para participação.

OBS.: Ademir Pascale, idealizador do concurso, disponibilizou para download uma apostila intitulada "Oficina Jovem Escritor", com dicas para quem está iniciando no mundo da escrita. Baixe gratuitamente, leia e pratique: CLIQUE AQUI.


FICHA DE INSCRIÇÃO DO AUTOR(A)

Nome completo do autor(a):

Seu Pseudônimo (caso use), para publicação na antologia:

Idade:

Título do conto ou poesia:

E-mail 1:
E-mail 2 (caso tenha):

Biografia em terceira pessoa (escreva sobre você num máximo de 7 linhas):
 

IMPORTANTE: Envie todas essas informações da ficha de inscrição para o e-mail: contato@edgarallanpoe.com.br. Escreva no título do e-mail: FICÇÃO CIENTÍFICA - CONTOS E POEMAS

O envio da ficha de inscrição + poesia ou conto para o e-mail indicado significa que o autor(a) leu todas as informações e regras dessa página para participação na antologia. Se entrarmos em contato, por favor responda o e-mail.

Não fique fora dessa. O concurso cultural será amplamente divulgado nas redes sociais.

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terça-feira, 11 de maio de 2021

Ação e aventura em nova história de José M. S. Freire: Tamara Jong - A Guerra de Rarzok


Uma antiga e perigosa raça do universo paralelo no qual se situa o planeta Úlion, após reerguer-se de sua quase aniquilação no passado distante, sendo liderada agora pelo Imperador Rarzok, retoma seus planos de conquista interplanetária. Ela está mais forte ainda do que estava quando da guerra contra uma coalizão de planetas que quase a levou à extinção.

O imperador, em seu desejo de vingança pela derrota sofrida por seus antepassados, criou uma arma terrível, capaz mesmo de destruir mundos inteiros, com a qual espera sair-se vitorioso do novo conflito ao qual pretende se lançar com todas as suas forças. Seu principal alvo é a Aliança Intergaláctica, uma organização interplanetária formada, principalmente, pelos planetas da antiga coalizão que derrotou seu povo.

Enquanto isso, na cidade subterrânea de Kalenda, totalmente alheios aos sinistros planos de conquista de Rarzok, os revolucionários ulianos continuam engajados em sua árdua luta contra as moneras, para tirá-las do poder e restaurar a monarquia uliana em seu planeta. Todavia, acontecimentos fortuitos em um lugar longínquo do universo acabam por alertá-los sobre a iminente guerra interplanetária pretendida pelo imperador. Sabendo que o próprio Úlion estará na mira de Rarzok, o tenente rebelde Zorach e seus companheiros se vêem forçados a empreender uma jornada pelo espaço sideral para tentar obter informações valiosas sobre as ações dele, que podem ser muito úteis não só em sua guerra contra as forças do governador monera Guaxaltopac, como também para ajudá-los a traçar ações estratégicas ante uma possível agressão externa ao seu querido planeta.

Tamara Jong, por sua vez, ainda se encontra numa longa viagem espacial de regresso a Úlion, após resgatar Maí-Turá das garras de um tartaceu que a havia sequestrado na capital uliana, Cetérion. Todavia, devido a um contratempo decorrente de um pequeno problema em sua espaçonave, ela casualmente acaba por tomar conhecimento também dos planos de Rarzok de conquistar todo o universo conhecido. A terráquea, inclusive, vê com os próprios olhos a arma mortífera que o imperador projetou para este fim. Porém, destemida e ousada, como sempre, Tamara não se intimida com a situação perigosa na qual acaba se envolvendo diretamente com a sinistra raça conquistadora, e luta para se livrar dela, partindo, em seguida, em uma jornada pelas vastidões do espaço decidida a fazer sua parte para ajudar seus camaradas a enfrentarem a guerra de Rarzok.

TAMARA JONG: A GUERRA DE RARZOK

POR JOSÉ M. S. FREIRE

PARA ADQUIRIR O E-BOOK, ACESSE: AMAZON - KOBO

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sexta-feira, 9 de abril de 2021

Conto "O que diriam se você contasse isso?", por Roberto Fiori


A primeira viagem a Saturno e seus anéis, tripulada. Com a conquista de Marte e suas duas luas, além dos satélites jovianos, o próximo passo era a passagem rápida por Saturno e a permanência de uma base espacial em Titâ, lua principal do gigante gasoso.

A nave encontrava-se em órbita terrestre, onde fora construída em uma doca espacial. Seu combustível, uma combinação de deutério e trítio. A forma de propulsão, fusão nuclear a 20 milhões de graus Kelvin, a temperatura do centro do Sol.

Os astronautas, dois. Evitava-se falar nesse assunto tão delicado. A viagem poderia ser um desastre completo, com a perda de vidas humanas. Em Titâ, somente três cientistas de alto escalão e os pilotos sabiam, detectara-se formas de vida que poderiam ser hostis.

A nave rompeu a barreira da metade da velocidade da luz, “c”, nos limites do Sistema Solar, avançando até chegar a noventa por cento dela, em um mês de uma aceleração progressiva que não matasse os astronautas. Eles deixaram-se ficar em seus assentos, ora acordados, ora dormindo, enquanto a nave viajava sem trepidação ou ruído. 

A partir desse mês, desligaram os motores e a inércia tomou conta da viagem. A noventa por cento de ”c”, havia pouco o que se fazer, além de checar três vezes por dia os instrumentos. E, de fato, as próximas duas semanas seriam entediantes, mas os dois homens eram enxadristas, tão bons enxadristas como o pouco tempo livre deles permitia que treinassem. 

— Escolha — Conway falou, estendendo as mãos, os pulsos cruzados e as mãos, punhos fechados.

Carson apontou para a mão da esquerda. Ficaria com as brancas.

— Eu tenho uma ideia, rapaz — ele disse. Era o capitão, o que significava uma diferença cronológica de cinco anos à frente de Conway e pelo menos dez anos de avanço em conhecimento teórico e prático. O jovem sacudiu a mão, dando permissão para o capitão continuar, à vontade. — Vamos fazer um megacampeonato de xadrez, que termine em duas semanas.

Ótima maneira de passar o tempo, pensou o “velho”. Tinha trinta e cinco anos, mas participara de 82 missões no espaço. Com esta viagem, tornar-se-ia o número um entre os viajantes espaciais. Ele dispôs o tabuleiro portátil, imantado, sobre a mesa de jantar.

Da primeira partida à vigésima daquele dia, os dois empataram. Havia decorrido cerca de três horas e meia. Os instrumentos acusaram choques com meteoritos, mas a nave possuía blindagem tão resistente, que poderia suportar uma explosão nuclear de quinze megatons detonada a cinco quilômetros de distância.

O relógio na parede acusou vinte e duas horas. Era o primeiro turno de Carson, de doze horas. Seria melhor que ele tomasse conta da nave primeiro pois, nos treinos em órbita da Terra fora quem aguentara ao máximo o período de privação de sono. Ficara acordado com os sentidos alertas por trinta e seis horas, até que perdeu a concentração por três vezes em dez minutos, desse momento em diante.

Conway deitou-se no compartimento contíguo ao do módulo de comando, interligado a ele por uma comporta dupla. A cama estava confortável e ele sabia que existiam poucos colchões tão macios e repousantes na Terra como aquele no qual ele dormiria pelo resto da jornada.

Carson ligou o sistema de som na seção de controle e escolheu algo apropriado. A Sétima Sinfonia de Beethoven seria conveniente. Era suave, com momentos épicos e solenes, e ao mesmo tempo atemporal. O capitão possuía o filme “Zardoz”, de John Boorman, em sua holoteca de filmes em três dimensões, com o “Allegretto”, da sinfonia executado ao final do filme. Olhou pela última vez pelo painel de controle construído de tal maneira intuitivo e simples, e constatou que tudo corria bem. Recostando-se na poltrona junto à mesa de jantar, recomeçou a leitura de “2001, Uma Odisseia no Espaço”, de onde havia parado, há dois meses, quando fora chamado para a missão.

O capitão estava chegando na parte em que o supercomputador HAL-9000 mata o colega de voo de Dave Bowman, lançando-o pelo espaço com o tubo de oxigênio de seu traje espacial cortado. Então, com o canto dos olhos, viu o movimento. Uma peça de xadrez estava fora de seu lugar. Eles haviam deixado o jogo preparado para o dia seguinte, mas Carson tinha memória boa, tão boa que conhecia de cor os circuitos e peças que formavam a estrutura vital da nave, bem como sabia como repará-los. E o peão do rei branco avançara duas casas. Disso ele tinha certeza absoluta.

Haviam trazido um pequeno arsenal, para que se armassem quando saíssem para a atmosfera de Titâ. Duas pistolas de raios gama para cada um e duas armas “laser” de alta potência, essas armas podendo fazer estragos consideráveis em objetos os mais densos e resistentes, como quatro esferas de titânio maciço, que nos treinos para autodefesa dissolveram-se perante um disparo de cada arma, um para cada esfera.

Carson, porém, planejava evitar qualquer tiro no interior da nave. O casco aguentaria sem problemas, mas os instrumentos de voo, os controles de suporte de vida e o computador, estes seriam vaporizados, sob os disparos daquelas armas.

Carson abaixou o livro de bolso que segurava, deixou-o na mesa de jantar e fitou o tabuleiro de xadrez. Apanhou o peão que se movera e analisou-o. Era uma peça de xadrez sofisticada, herança de seu pai, esculpida em marfim e plástico, com um pequeno imã circular de ferro na base. O tabuleiro possuía uma tampa de plástico, basculante. 

Queria deixar o jogo intacto, mas sabia como desmontar e montar qualquer dispositivo que as centenárias Nasa e Space X lhe apresentassem para testá-lo. Lembrou-se do computador quântico que haviam mostrado a ele na órbita da Terra e pensou do prazo de cinco horas que lhe tinham concedido, para desmontá-lo. E disseram que teria quatro horas para reconstruí-lo, peça por peça, depois de ser bem-sucedido ao desmontar o aparato.

Ele conhecia computadores quânticos. Uma vez, observara, durante seis horas, uma equipe montar, a partir do zero, de peças pré-fabricadas, um dos computadores quânticos que ele julgara ser um tanto simples, em comparação com o da nave. Ele era de última geração, capaz de executar tantos cálculos simultâneos quanto fossem o número de planetas, estrelas, cometas, asteroides e grãos de areia que existiam nos planetas do Sistema Solar e exoplanetas de fora do Sistema.

Seria fácil desmontar um jogo de xadrez computadorizado de bolso, tendo ele tido êxito completo no teste com o computador da Nasa. Em meia hora, conseguiu desmontar e montar o aparelho. Bateu com o punho na mesa, ao terminar de verificar a última microvoltagem que corria entre dois tensores e pensou:

“Nada! Nem um defeito na miserável placa microcondutora do jogo! Os circuitos de refrigeração estão em ordem e os de Inteligência Artificial estão funcionando”!

Ele foi até o painel de comando e testou todos os dispositivos eletromagnéticos por dentro da carcaça de pilotagem. Havia um perigo maior de a nave passar por um campo magnético de um asteroide desgarrado ou de um cometa eletrificado do que haver uma irregularidade no eletromagnetismo gerado por componentes que formavam seu centro de controle.

Pensou no computador da nave. Poderia ser ele... as flutuações nos “spins” dos elétrons eram improváveis, mas eles tendiam a variar um tanto, por vezes. Levou oito horas para desmontar o computador, tomando o devido cuidado de ativar um dispositivo de “backup” paralelo, antes de desligar as peças e circuitos a serem examinados. 

“Droga! É inexplicável”, pensou ele, vociferando com sua mente prodigiosa.

Conway entrou, nesse momento, na comporta estanque, fechou o acesso do dormitório a ela e premiu um controle, destravando a segunda passagem, que levava ao centro de controle. 

— Sonhei que você fazia uns barulhos metálicos, na nave.

— Estava certo, estou tentando identificar a causa de um fenômeno não explicável pelas leis da física, tal como as conhecemos — Carson respondeu à pergunta feita de modo enfático.

— Qual o problema? — o outro olhava boquiaberto para os aparelhos de medição que se encontravam sobre a mesa de jantar.

— Um peão resolveu passear pelo tabuleiro, há oito horas.

— As peças são imantadas. Poderiam ter se movido, devido a uma flutuação do campo eletromagnético dos instrumentos.

O capitão abanou a cabeça. Fez sinal para ele sentar-se.

— Digamos que desmontei e remontei tudo o que existia nessa nave, o computador, o painel de controle e o jogo de xadrez.

Conway fez um “hummm” bastante prolongado. Apanhou o tabuleiro e disse:

— Onde estamos, capitão? Perto do cinturão de asteroides, acima da eclíptica?

— Acabamos de passar pelo cinturão. Há oito horas, sobrevoávamos Ceres.

— Há uma base nossa em Ceres, Carson. Talvez tenha havido uma descarga de eletricidade colossal ou uma variação magnética de grande intensidade, no asteroide. Não custa nada contatar a base.

Carson olhou para o copiloto com desconfiança. Falou, entredentes:

— O giroscópio termiônico teria enlouquecido, para dizer o menor dos efeitos de tal explosão de energia. O instrumento é sensível, eu teria percebido isso.

— Bom, resta esquecer o incidente, capitão — ele balançou os ombros, concluindo: — Sem explicação!

Mesmo sem haver uma teoria convincente, Carson ficou de olho em todo ambiente, à medida que se afastavam do campo de asteroides e seguiam pelo espaço profundo. Tinha a impressão de que a explicação estava na ponta de seu nariz, mas perdera por uma fração de milímetro a causa. Poderia ser tanto física, como um problema biológico de seus sentidos. E, com relação a este último item, havia sombrias previsões na mente do capitão.

A nave era um mundo à parte. Possuía provisões de alimentos, espaço para até quatro pessoas conviverem por um ou dois anos no espaço, sem virem a apresentar alguma depressão ou psicose devido a um confinamento porventura claustrofóbico que fosse insuportável, ou mesmo havia um perigo zero de que colidissem com um corpo celeste, como um meteoro de boas proporções. A viagem havia sido computada de forma que havia pouca chance de isso ocorrer.

Chegaram em duas semanas a um ponto em que era possível avistar uma mancha cor de areia nas profundezas do espaço. Os anéis estavam invisíveis, daquele ponto em que a nave se encontrava, mas seriam vistos em um dia, no máximo. A tela de grafeno do computador e resolução em 20 K permitia que, na ampliação máxima, conseguissem enxergar Saturno com boa margem de exatidão.

— O que haverá em Titã, Carson?

— “O que nos é dado a saber”. Humpf, isso eu li aos nove anos de idade, de um escritor do século XX, se não me falha a memória.

— Pode ser algo mortal. Não se preocupa com isso?

— Você está falando asneiras, piloto. Como não detectamos algo hostil e belicoso, até o início dos preparativos para esta viagem? Como nossas estações espaciais de observação de Marte fizeram dessa descoberta algo assustador, com tanto atraso? E justo agora?

— Você está suando um pouco, capitão. Não está fazendo calor.

— Isso não é importante, Conway. Transpiro o dia inteiro, tenho propensão a perder líquidos. — o capitão virou a cabeça para o copiloto. — Você sabe disso. Viu meus relatórios médicos, como examinei os seus. Questão de segurança!

— Notei que você está com a gola do traje espacial manchada. 

— É o suor, Conway, tenho de lhe explicar tudo?

— Por que a raiva, capitão? Estamos prestes a descobrir se há vida no Sistema Solar ou se o que há em Titã é só um engano dos computadores astronômicos de Marte e da Terra. É motivo de festa, de alegria! Vamos abrir uma bebida.

Eles tinham algumas garrafas de champagne e de espumante italiano, no freezer. Conway bebeu à vontade, mas Carson conhecia seus limites. Era o de uma garrafa de vinho de sobremesa alemão, de baixa concentração de álcool. Mas o que bebiam provocaria sono irresistível, se eles se aproximassem da metade de uma garrafa de vinho.

— Ahh! Chega, Conway — reclamou o “velho” astronauta, quando o companheiro começava a entornar mais álcool em sua taça.

— Esse é um champagne da Francônia, Carson. A mais sofisticada bebida que nossas vinhas podem dar. O “terroir” é inigualável...

— Quero me manter acordado, Conway. Ei, você vai acabar com a garrafa? — notou o astronauta experiente — Temos de permanecer alertas, quando a nave chegar a cem mil quilômetros de Saturno!

Mas o copiloto de levantou da cadeira acolchoada de copiloto e andou, trôpego, até uma parte da parede, encostou a mão espalmada na reentrância e, do nicho que se abriu, tirou uma das armas de raios gama.

— Não se atreva, homem! Está sob custódia, largue essa arma! — gritou o capitão, pondo-se de pé e saltando. Segurou o punho do outro, no momento em que um disparo acinzentado atingia a poltrona de Carson, desfazendo-a como se fosse feita de areia e água. Um montinho viscoso restou da cadeira projetada para suportar e absorver acelerações de 20 Gs.

— Acabou, Conway, está acabado, tudo, para você! — falou com voz apertada o capitão, batendo o punho armado do companheiro de viagem na parede três vezes, até que ele soltou a pistola.

— Você não vai sobreviver a Titâ, capitão. Há “coisas” maldosas e letais, no satélite, que vivem de metano líquido e vivem de canibalismo entre sua espécie. Eu iria dar-lhe a chance de escapar a este mausoléu voador com dignidade. O que acha que farão conosco?

— Você verá. Agora, venha até o segundo dormitório, você vai passar uma temporada naquele lugar. — Carson empurrou o outro pela primeira comporta, passou pelo dormitório de Conway e entrou no seu próprio dormitório, entre o acesso aos dois dormitórios e a porta blindada de entrada no reator de fusão. Empurrou o homem perturbado para cima da cama, trancou o acesso entre os dois ambientes e voltou ao comando, passando pelo dormitório de Conway, onde dormiria na viagem de volta.

Ocorreu-lhe algo. Voltou ao antigo dormitório do homem tresloucado e revistou a bagagem pessoal do companheiro de viagem. Encontrou um aparelho em formato de ímã circular. Havia um interruptor na parte interna do círculo imantado, que o capitão tinha uma ideia para que servia. No controle, apontou o dispositivo para o jogo de xadrez e pressionou o interruptor. O peão do rei branco moveu-se duas casas à frente. Carson sorriu.  

Sentia calor, mas isso era mais obra da bebida, do que da luta. Ele era forte, aguentaria dez brigas como aquela sem reclamar. Mas tinha de guardar a garrafa e esquecê-la.

Saturno se aproximou a cinquenta mil quilômetros, ao fim de um dia. A nave seguiu a trajetória programada, desviando-se dos anéis por baixo e seguindo para Titâ. Ele é que era importante, o ponto no qual se deveria investir pesado. Era outro Marte, uma etapa extra a se conquistar.

O satélite de Saturno apareceu sob a nave, ao fim de uma aproximação de três horas. Não pareceu grande coisa para Carson, era mais uma rocha plantada na imensidão do Cosmos, que era e continuaria a ser vazio. Entre os espaços vazios, uma galáxia, uma nebulods, coisa de somenos.

Destravou as garras que mantinham a nave auxiliar presa à parte inferior da nave mãe. Colocou o capacete e abriu a comporta lateral entre o comando e o primeiro dormitório, e entrou na nave auxiliar, que permanecia junto ao casco da nave principal, sem encostar nele. 

Era um bólido compacto, mas funcional. Em seu módulo de controle, abriu o acesso ao lado de fora da nave e desligou o sistema de levitação supercondutora que mantinha o pequeno engenho afastado das paredes. A navezinha sacudiu-se, um veículo de exploração leve e ágil, e desceu. O espaço estava iluminado pela luz refletida de Saturno em Titâ. Carson precisava esperar dez minutos ou nem tanto. A programação da nave auxiliar a guiava de modo automático pela órbita da lua e, em minutos, o engenho cruzava a atmosfera do grande satélite.

Pousou em uma elevação, ao lado de um lago de metano líquido, e vasculhou os arredores. Não havia sinal de octópodes ou monstros siberianos que viriam do lago, nem de pterodáctilos de Titâ, atacando pelo ar em uma onda mortal. Carson poderia ter utilizado os instrumentos de detecção da nave mãe, mas uma boa olhada na superfície era adequada, muito mais.

Havia vento, mas pouco, no exterior. Carson abriu a comporta de saída e deu um passo no solo do planeta. Era areia pura, mas havia outros elementos em maior abundância que na Terra e outros em menor concentração. Voltou-se para o lago de metano. Caminhou até as margens e pousou a mão enluvada na superfície. O traje fora elaborado de tal forma que o líquido super-resfriado não afetou a mão do capitão. Ele levantou a vista para a imensidão líquida e voltou a cabeça para a nave auxiliar.

Entrou pela comporta e levantou voo. Não havia nada para se ver no satélite. Ele subiu até a atmosfera superior e entrou em órbita. Entrou na comporta de acesso da nave mãe e fechou-a, com um toque em uma tecla de acionamento do painel da navezinha. Saiu pela comporta, a nave auxiliar se estabilizando em ambiente levitacional, e ele entrou na comporta lateral. Penetrou no comando e acionou os retrofoguetes. Saiu de órbita, deixando Titâ e começando a acelerar a nave até quase a velocidade da luz. 

No satélite de Saturno, um tentáculo tateou as margens do lago de metano. A forma colossal tinha rastreado o visitante, mas o ser maciço era lento. Deixara Carson sair do planeta, ileso, pois fora incapaz de chegar até as margens a tempo. Afundou com lentidão, a superfície se abrindo e fechando com suavidade, bolhas subindo para a superfície.

O que se passava na mente de Conway era um desequilíbrio nas proporções das substâncias químicas que o compunham. O capitão, observando-o dormir no segundo dormitório, pensava como alguém de talento, na engenharia espacial, no posto de piloto e até em jogos de xadrez, seria capaz de matar. 

Isso ele deixaria para os médicos dissecadores de cérebro da Terra tirarem uma conclusão. 

“Assim vai para o Além mais um louco descontrolado... a Terra não precisa deles. Eles é que precisam da Terra”, concluiu Carson, ativando o jogo computadorizado de xadrez. Jogaria contra ele, nos períodos em que ficaria acordado. Olhou para os restos do assento acolchoado de Conway. “Teria sido eu, ou esta poltrona. Pois é, nem tudo sai conforme o previsto”, ocorreu-lhe, e começou a jogar a primeira partida, dessa vez acionando o controle de tempo do computador enxadrista.


*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem.

Para adquirir o livro:
Diretamente com o autor: spbras2000@gmail.com
Livro Impresso:
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segunda-feira, 22 de março de 2021

Conto “Cientistas Perfeccionistas”, por Roberto Fiori

Aglomerado Globular de Ômega Centauri: com milhões de estrelas, é o maior dos aglomerados globulares da Via Láctea

O “Destruidor de Galáxias” se estendia pela frente, avançando em direção do centro maciço da Galáxia, como se quisesse unir-se ao conglomerado que poderia destruí-lo. Mas não se admitia que pudessem aniquilá-lo, visto que fora feito para absorver e não ser absorvido. Na imensidão incalculável do espaço, já tinha percorrido distâncias que não se limitavam ao real. Escapara do paradoxo “viagem além da luz”, limitando-se a escolher os horizontes de evento dos buracos negros rotacionais e emergira várias vezes de uma coordenada a outra do Universo, calculando com precisão os maiores aglomerados de estrelas. Até agora havia engolfado uns doze milhões de sistemas estelares isolados e dois ou três aglomerados globulares de mais de dez bilhões de estrelas e planetas. Mas nunca tinha chegado perto de um centro galáctico, pois uma ressalva em seu impulso primário apontava perigo, mas sem especificar o porquê desse perigo.

O Destruidor continuou seu caminho em velocidade sub-quarkiana, na quadragésima-sétima dimensão em que se movia. Por se tratar de um nível tão alto de dimensionalização, ele não podia controlar a velocidade muito rapidamente, em termos de diminuí-la ou aumentá-la. Ao necessitar de outros lugares em que pudesse atuar, ele tinha de mudar para cinco sectans de dimensão e penetrar no horizonte de eventos do buraco negro escolhido. Nenhuma forma de vida podia detectá-lo, pois o Destruidor de Galáxias situava-se fora do campo de definição sob quaisquer elementos físicos conhecidos. Somente ao se concretizar em um poliedro de duzentas faces na terceira dimensão comum aos planetas e estrelas, então poderia ser contatado. Como ninguém tomara conhecimento do engenho senão tarde demais para ser feito algum contra-ataque, nada se efetuara para detê-lo ou mesmo para explicar o porquê do desaparecimento de uma porção de cada Galáxia por onde ele atuara.

Houvera alguma sensação de expectativa quando o Destruidor passara de uma fase a outra do circuito hipercondutor e descobrira que poderia tomar quaisquer atitudes, até mesmo quando a diretriz impressa incluía uma visita ao desconhecido. Calculara com perfeita exatidão de infinitas séries infinitesimais (pois o Destruidor podia calcular o infinito!) o tempo que levaria para percorrer a distância de onde emergira no espaço até o centro da Galáxia composto de cem trilhões de Sóis. As nuvens de poeira, os meteoritos, as partículas cósmicas e a radiação de estrelas isoladas não o atraíam. Eram presas fáceis e gastaria um tempo que, embora desprezível para o tempo de sua existência, não resultava em ganhos palpáveis de energia quântica para justificar uma parada repentina. Não quando tinha uma quantidade quase incalculável de energia no seu destino imediato.

Não havia perigo de ser desintegrado por supernovas, estrelas-de-nêutron, anãs brancas e buracos negros quando em viagem na quadragésima-sétima dimensão. Sua forma de viagem era até mais eficiente que uma jornada de neutrinos, pois nada o afetava e nunca se desgastava. 

O Destruidor de Galáxias aproximou-se, a doze anos-luz do turbilhão de miríades de estrelas, destituídas de planetas. Mésons e noonons que permaneceram até então inativos no interior do engenho aniquilador tornaram-se energéticos sob uma curva de dimensionalização três e a invisível máquina tornou-se visível em sua forma poliédrica peculiar. 

As cinco milhões de estrelas que absorveu nos primeiros meses o tornaram muito forte. Porém, após alguns anos, quando estava se aproximando do centro geométrico da Galáxia, começou a perder pouco a pouco sua forma visível, pois as sub-partículas que o tornavam observável ficaram cada vez menos energéticas, mesmo após receberem mais e mais radiação das estrelas que o Destruidor consumia. Quando o mais perfeito robô até então construído chegou ao centro da Galáxia, não encontrou mais estrelas. Havia um vazio total, mas não era um buraco negro.

O espaço estava ausente. Não havia partículas ou sub-partículas, muito menos elementos que resultassem em ganhos energéticos. O engenho tentou transfigurar-se e mudar para a dimensão subquarkiana em que viajava, mas não conseguiu. Também não contatou nada que pudesse servir de referência, como quasares ou pulsares, ou mesmo simples estrelas distantes. Estacionário, sem a liberdade que desfrutara por tantos e tantos milênios, vagava pelo espaço e não pôde mais carregar-se de energia. Não percebeu que estava dentro de um buraco branco, aprisionado em uma ponte interdimensional entre este e algum outro Universo paralelo.

Os cientistas da Terra, seres virtualmente imortais, não mais se preocuparam com o Destruidor de Galáxias. Estavam analisando mentalmente, dentro de suas esferas de energia de pensamento, os efeitos da simulação neurônica que acabaram de concretizar. Depois de repassarem as Equações de Delek-Sigmak, de número aproximadamente infinito, descansaram por um intervalo de tempo que lhes pareceu excessivo, mas que na realidade era próximo a zero. A seguir, concluíram que fora fácil defrontar-se com a ameaça quase perfeita, mesmo na segurança de uma simulação. 

Sempre se pensara que, com a imortalidade, os homens regressariam rapidamente à decadência. Isto não aconteceu. Os terrestres imortais não se satisfaziam com a longevidade em si; desejavam ocupar seu tempo com construções matemáticas que fossem mais e mais perfeitas, mais e mais ideais. 

Os cientistas decidiram, então, não mais se ater a hipóteses ou construções matemáticas que tendessem à perfeição, mas a trabalhar o mais seriamente possível para atingir um novo objetivo estipulado: construir não um esquema mental, mas um modelo real de um Destruidor de Galáxias e que fosse absolutamente ideal. Assim, teriam também outro desafio com que se defrontar.

Cuidar para se protegerem dele.


*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
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Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
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segunda-feira, 1 de março de 2021

Já está disponível o e-book APOCALIPSE - CONTOS E POEMAS SOBRE O FIM DO MUNDO. Baixe o seu


APOCALIPSE - CONTOS E POEMAS SOBRE O FIM DO MUNDO":

Título: Apocalipse - Contos e poemas sobre o fim do mundo
Organizador: Ademir Pascale
Introdução: Gilmar Duarte Rocha
Coautores:  
Ana Beatriz Franco - Assistindo ao fim do mundo da varanda
André Luiz Martins de Almeida (ALZ2001) - Missão de Fé
Roberto Schima - Pela Raiz
Sid Fontoura - A Centelha da Vida
Marcos Souza - Reunião Derradeira
Lucas Pessô Feniman - O Grande Colapso
Evelyn Mello e Hugo Brasarock - Um dia no limiar do fim do mundo
Roberto Minadeo - O fim do fim
Tatiana Araújo - Não era mais o mesmo, mas estava em seu lugar 
Veronica Stivanim - Apocalipse de mim
Elis Schwanka - Ponto de vista e Por quê?
Cleber Gimenes Freitas e Erica Ribeiro de Almeida - No dia em que o mundo acabou
Henrique Leto - Quatro
Gisele Wommer - Fuga Glacial
Nº de páginas: 72
Tipo: E-book
Ano: 2021

PARA BAIXAR O E-BOOK GRATUITAMENTE: CLIQUE AQUI

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OBS.: para conhecer e participar de outras de nossas antologias: clique aqui.


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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Conto "Cai a noite", por Roberto Fiori


É caída a noite. Ao Sul da constelação de Pégaso, pode-se ver três manchas esmaecidas. É o que restou de três estrelas da constelação de Aquário, Sadalmelik, Sadalsund e Albali. Batalhas titânicas foram travadas nessa região do espaço e a energia termonuclear de tais sóis foi drenada para se combater um adversário tão poderoso, quanto temido pelos homens. Agora, todos os mortais descansam, após a longa labuta das Três Estrelas, em que, a cada batalha estelar, uma a menos restava para nos aquecer e proteger. Pois o Sol, abandonado há muito, fora extinto pelas Máquinas de Destruição, as Tauser-Borat, e a Humanidade fugira para Albali, estrela semelhante ao Sol, de quinta grandeza. 

É chegado o Fim. Pois, após a última escaramuça, há tanto tempo que nem mesmo se encontra em minha memória, os homens se encontravam enfraquecidos o bastante para continuar a tarefa dura e constante de sobreviver. As Tauser-Borat, mesmo tão imponentes como o seu nome, viriam a sofrer colapsos sucessivos, tal a violência das lutas.

Em um planeta que orbitava Albali, construiu-se a última das cidades humanas, Hectoriadmi. No horizonte sem fim pode-se avistar algumas antigas montanhas, chamadas de Montanhas Dinásticas ou algo assim. Quanto mais o homem retirava energia de Albali, mais gelados se tornaram seus altiplanos, cumes e vertentes, e poucos eram os animais ou os intrépidos habitantes que lá continuavam a viver.

Alguns livros muito antigos, congelados e quebradiços, guardam ainda as palavras de antigos guerreiros: com o uso dos campos de fusão nuclear, poderemos deter as máquinas. Mas o Estado-Maior de toda península de Neme deve estar ciente do poderio de tais inimigos. Sendo...

Desse modo, o último livro dos terrenos descreve a situação, talvez dramática, talvez desesperadora, mas meus interiores têm pouco a discernir em matéria de sentimentos belicosos. Afinal, os humanos que me idealizaram não eram guerreiros.

No céu, negro e coalhado de estrelas, algumas em estágio de supernova, há um lembrete. Havia sido a última tarefa, a última realização que os humanos haviam conseguido concretizar, da queda das estrelas e dos planetas pelos quais eles lutaram por sua posse. Altaneira, entre constelações e aglomerados globulares de um bilhão de estrelas, jaz uma mensagem em transpacial: Não matamos por prazer, não lutamos por emoção, apenas construímos demais e, por elaborar demais, acabamos como os planetas, estéreis e sem nada por que lutar. Apenas construíamos e dominávamos. Não sigam o nosso caminho.

Cogito eu mesmo, invisível em minha própria dimensão em que os terrenos me acolheram, se eles não deixaram a opção da morte em meus vários crânios — ou o equivalente a eles em minha versão maquinal —, mas se até hoje não a descobri, então fui feito para viver - poderá haver propósito mais nobre em meu criador?


*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
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sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Sobre o conto "Era Uma Vez..."


O rei estava morto. Em seu lugar, seu filho Bagmar assumiria, levando o reino de Frontierish a um tempo de fortuna e glória. Mas o irmão de Bagmar, Inrich, pensava de modo diferente.
Inrich crescera ao lado de seu irmão sem se preocupar com sua educação para se tornar um líder. O povo precisava de alguém assim, e via em Bagmar a solução para um problema cada vez mais incontrolável, que o rei, enquanto vivo, não conseguia resolver. Um dragão ameaçava o reino, queimando plantações, casas e atacando o exército, quando este se encontrava a céu aberto, longe das muralhas do imponente castelo do rei.
Até que, um dia, ficou mais audacioso e desceu dos céus para as torres do castelo, célere e ameaçador. A princípio, era um ponto ínfimo no espaço, mas logo mostrou toda sua envergadura. Lançou uma torrente de fogo sobre o telhado da torre mais alta da enorme construção, que explodiu em labaredas cor de sangue. Metade da torre foi derrubada e, com ela, o corpo em chamas do rei e de dezenas de nobres e serviçais, adormecidos na noite que era perturbada pelo clarão do ataque.
Bagmar estava no pátio principal do vasto sistema de casas, celeiros, espaços para treinamento de combate das tropas, cozinhas e torres cercadas por uma muralha de quinze metros de espessura e cinquenta metros de altura. Ouviu quando o esvoaçar das asas do dragão chegou até seus ouvidos e dirigiu-se à muralha. Enquanto subia por uma escada interna, rente ao muro, viu a metade da torre real se desfazer em uma explosão colossal. A seguir, presenciou quando a gente do castelo, nos pátios, era esmagada e queimada com a queda das toneladas de rocha e concreto sobre eles.
O filho do rei sabia o que aquilo significava. Inrich lutaria para se manter no poder, e isso Bagmar devia impedir. Sabia ser a pessoa certa para acabar com a ameaça do monstro, que planava em círculos sobre o complexo real. Assim que atingiu a plataforma na qual soldados armavam uma catapulta múltipla com rochas enormes, Bagmar ordenou a todos que se preparassem, pois o dragão poderia lançar uma chuva de fogo sobre o resto do castelo, a qualquer momento.
O filho do rei esperou. A criatura lançou outro jorro de hálito incandescente sobre o resto da torre do rei, que se desintegrou. Mas os outros moradores do castelo estavam abrigados nos pátios e não sofreram nada com a queda da estrutura. Foi quando o filho mais velho do monarca falecido sacou sua espada e cortou o cordame esticado que mantinha um dos arcos de lançamento da catapulta múltipla engatilhado. A rocha que o armava foi lançada a dezenas de metros, não atingindo o dragão por dois ou três metros.
“Se o monstro tiver visto o disparo... estaremos em maus lençóis...”, pensou Bagmar. Mas, aparentemente, a coisa diabólica estava mais interessada nas torres do castelo. Pousou sobre um telhado, agarrando-se com as garras compridas e aguçadas nos flancos da construção, e um urro agudo ecoou, lançado de sua garganta.
A catapulta múltipla podia girar em círculos. Estava montada sobre a muralha e seu alcance era de duzentos a trezentos metros, em todas as direções. Bagmar viu que o pouso do dragão constituía uma oportunidade única para que o abatesse. Ordenou que fizessem um giro de 45 graus para o Leste, tratando de ajudar os homens que cuidavam da maquinaria, forçando as pesadas manivelas da catapulta.
O dragão expeliu uma nuvem causticante escarlate de sua garganta em direção à torre mais próxima. Dessa vez, certificou-se de espalhar o fogo por toda a construção afilada. Bagmar sentiu quando a segunda lançadeira estava na posição correta e pediu ajuda aos deuses. Abaixou a lâmina que segurava contra as cordas do mecanismo e uma rocha de trinta toneladas foi lançada. Acertou uma asa do dragão, que urrou e alçou voo.
Porém, sem uma asa, ele não podia voar, apenas planar. Fez um voo rasante sobre os pátios e se chocou com a muralha, caindo no pátio principal. Com esforço, urrando sempre, pôs-se de pé, cuspindo fogo e mantendo a população à distância. Realmente, a asa esquerda pendia, parcialmente solta. A criatura olhava para todos os lados e percebia que não havia saída. Os soldados lançavam flechas de arbaletas e arcos, além de usarem outras catapultas, armadas nas muralhas e trazidas de outros pátios.
Enfraquecida pelo choque com a rocha de trinta toneladas, alvo de inúmeras flechas e sendo atingida por pedras menores, o dragão resolveu contra-atacar. Saltando de cinco em cinco metros, com o auxílio da asa ainda boa, varreu o espaço em que se encontrava com fogo. Soldados correram, atingidos pelas labaredas e gritando. Muitos morreram antes que fossem socorridos.
Bagmar mirou sua catapulta, com a ajuda de seus comandados, para a cabeça do dragão. Era a terceira lançadeira que punha em funcionamento. Havia uma quarta, mas o filho do rei queria manter esta como reserva, para o caso de precisarem dela em uma emergência. Giraram as manivelas, até que a catapulta ficou em posição. O fogo já atingia as moradias dos servos e nobres e ameaçava destruir as outras torres. O dragão, desesperado, girava em torno de si e espalhava destruição a uma velocidade espantosa. Logo, o castelo ruiria.
Bagmar esperou, até que a cabeça do monstro ficasse na mira. Cortou os cordames. A rocha de dez toneladas foi lançada e atingiu a cabeça do dragão, que se ocupava de espalhar morte e destruição, cinquenta metros abaixo.

--//--

Trombetas e gritos enchiam a noite. Bagmar, escolhido pelo Conselho Real para se tornar rei, acenava para a multidão da sacada de uma das torres, ainda de pé. Havia sido um dia de trabalho exaustivo, com o povo e o exército apagando o fogo que ameaçava tudo no perímetro do castelo. Enterraram o dragão na planície exterior, pois a magia poderia fazê-lo acordar novamente. Isso era o que todos temiam. Menos Bagmar. Ele não acreditava que um cadáver pudesse se levantar uma vez mais, mas essa era a crença arraigada entre o povo de Frontierish.
Nos salões das três torres intactas, houve comemoração. Em um deles, o novo rei esperava a chegada dos moradores do castelo. Os soldados também haviam sido convidados e, esperando contra as paredes o início da festa, cercavam a mesa enorme, onde seria trazida comida e vinho. Bagmar sentiu falta de uma pessoa, porém. Seu irmão Inrich. Ordenou que o procurassem, estava preocupado com sua ausência, ele poderia ter sido vítima do dragão.
No décimo andar da torre, onde seria celebrada a festa, Inrich aguardava. Estivera escondido, pois o que planejava fazer não teria volta, nem perdão. No quarto onde se ocultara, armara uma arbaleta com uma flecha de ferro e esperou que as tropas do rei passassem pelos corredores, em frente á porta do aposento, trancada.
Ele desceu, rápido e sem fazer barulho, até a sacada de um átrio, acima do salão de festas. Ajoelhou-se e apoiou o braço esquerdo na mureta, enquanto o direito pousava sobre o outro, firme. Mirou a cabeça de Bagmar. Seu rosto não demonstrava raiva, apenas sabia que era aquilo que precisava ser feito, para que se tornasse rei, no lugar do irmão.
Mas sentiu a espada do capitão de armas trespassar seu pescoço, antes que pudesse puxar o gatilho da arbaleta. A dor crescente foi acompanhada por sua visão, que ficou turva, e enegreceu. Ele tombou.
Quando deram a notícia ao rei, este custou a acreditar. Sabia que não conhecera seu irmão como deveria. Sabia que o irmão era um enigma, mas nunca pensara que ele desejasse sua morte.
Enterraram Inrich no sopé de um monte, a centenas de metros do castelo. E, deixando as festividades para quando reconstruíssem o complexo, se prepararam para refazer o que o fogo havia consumido, no dia seguinte.
Vênus brilhava tanto quanto a Lua minguante. A seu lado, fornecia luz adicional à noite brumosa. As estrelas compareceram em peso no firmamento e a iluminação acesa durante a noite, nos corredores do castelo e nos pátios, faziam da ocasião uma noite a comemorar. E a ser pranteada, também.

 

*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem.

Para adquirir o livro:
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sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Conto "E, no final... o quê?", por Roberto Fiori


2290. Minhas gengivas doem. Tratamento dentário inexiste, no mundo. A comida é escassa. A época de os homens devorarem seus semelhantes passou, faz anos. A Era de Ouro da exploração do Sistema Solar é sonho a ser esquecido, com tão pouca esperança e tanta nostalgia.

Lembro-me de quando lançaram a primeira nave tripulada, para Marte. Fazem mais de duzentos anos que a tripulação de dez astronautas entraram em órbita do planeta vermelho. A viagem fora revigorante. Sob uma aceleração de 1G, os homens viajaram em uma estrutura de circunferência girando ao redor de um eixo, do qual os propulsores de plasma levaram-nos ao quarto planeta. 

Desceram em uma planície onde milhares de fragmentos de rocha se dispunham sem ordem e um abrigo foi construído no topo de uma elevação desértica, junto ao lugar onde o módulo de pouso aterrissara.

Na Terra, fizeram do sucesso da expedição um feriado mundial. Ninguém trabalhou ou estudou naquele dia de Primavera. Tudo foi festa e comemoração. Um dia a ser lembrado, a partir do qual se enviariam mais e mais pessoas, para desafogar a superpopulação terrestre.

 Começaram a erguer outras construções, no Vale Spinoza. Era tudo, menos um vale, mas os diretores do projeto destinado a salvar a Terra da fome eram imaginativos. Um edifício de três andares estava programado para ser erguido em dois meses ou três, dependendo das condições do tempo. Acabou sendo outra maravilha. Algo maravilhoso para quem nunca havia ido além da órbita lunar.

No Vale Spinoza, em três anos, cinco mil homens e mulheres se estabeleceram. As tempestades de areia eram um problema, mas de somenos. As habitações em forma de cúpula protegiam bem os exploradores. Em cinquenta anos, dois milhões de pessoas se espalharam por quilômetros e quilômetros quadrados da superfície arenosa vermelha.

Enquanto isso, uma nova expedição partira para Júpiter. Passara ao largo do Cinturão de Asteroides e rumara para a órbita do gigante gasoso. A exploração do Sistema Joviano fora desalentadora. Nenhuma lua de Júpiter era adequada para a descida na superfície. Ou eram crostas finas demais para se fixarem fundações, e os módulos de pouso afundaram na lama e no líquido que os puxava para o fundo com avidez, ou a atmosfera era corrosiva o suficiente para impedir as naves de pousarem. Tinha-se projetado a missão a Júpiter com o mesmo entusiasmo com que se lançaram as naves em direção a Marte.

Dois terços dos homens da expedição, que ficaram em órbita dos satélites jupiterianos, voltaram. Mas sem recordarem de como chegaram além do Cinturão. Nem de quem eram ou onde estavam. A viagem de volta seguira automatizada, computadores e dispositivos robóticos cuidando do percurso e da alimentação dos astronautas. Mortos-vivos, poder-se-ia chamar os duzentos homens e mulheres que haviam retornado.

Em nosso planeta, Terra, discutiu-se sobre o que causara tal prejuízo às mentes dos cosmonautas. Diziam que o Cinturão fora o responsável, sabia-se pouco sobre o Sistema Solar, como um todo, e, desse modo tinha-se de lançar sondas avançadas o suficiente para desvendar o mistério da barreira de asteroides. Mas havia quem defendia o envio de outros astronautas. Homens dotados de novos trajes espaciais, que aguentariam a exposição direta a todo tipo de radiação que se pudesse imaginar. 

Foi feito. Dez bilhões de euros foram gastos, na preparação da nave interplanetária Voyager 3. Propulsores iônicos foram projetados para a missão. A nave levaria sete anos para chegar ao Cinturão de Asteroides. Como a anterior, a Voyager 3 planou sobre o plano da eclíptica e rumou para o planeta gigantesco. Trinta astronautas, isolados em câmaras dotadas de blindagem ultrassofisticada, uma liga densa e recém-criada, deixavam os homens protegidos de tudo o que se conhecia que pudesse ameaçá-los no espaço.

Voltaram em outros sete anos. Múmias encerradas em seus sarcófagos de titânio, irídio e chumbo. Trinta pessoas inertes e insensíveis, que passariam o resto de suas vidas miseráveis vegetando.

Refletiu-se e experimentou-se tudo o que computadores quânticos e mentes privilegiadas daquela época podiam fazer. Pediu-se o impossível e dessa súplica algo nasceu. A nave que teria de ser lançada deveria passar a no mínimo cem milhões de quilômetros da eclíptica, sobre ou sob ela, para que aquela radiação desconhecida deixasse de atuar.  A viagem demoraria mais dois anos. Projetou-se um detector, que previsse com enorme antecedência, da existência de alguma forma de energia desconhecida, que as sondas lançadas pelo Sistema até o momento não pudessem detectar.

A nave seguiu além de Júpiter, na nova trajetória, e rumou para Saturno e Titã. Nesta lua, cem astronautas sãos pousaram e começaram a construir uma cidade, às margens de um gigantesco mar de metano líquido, metros sob a superfície. O último contato da missão com a Terra dizia:


SEGUINDO CONFORME INSTRUÇÕES. RUMANDO PARA O EXTERIOR DO SISTEMA


A reação de toda equipe dos controladores, diretores, astrônomos e gente ligada ao projeto foi inusitada. A Internet divulgou que a equipe fora tão bem-sucedida que logo a Terra seria um paraíso, para quem ficasse e usufruísse de seus recursos. Novas naves foram construídas, para abrigar dois mil astronautas, no mínimo. Sessenta milhões de pessoas haviam sido escolhidas para, em vinte anos, abandonarem seus lares e seguirem para Titã. 

Parecia que as coisas dariam certo. Tinha-se a tecnologia, a inteligência, as matérias-primas. Pensava-se em lançar um milhão de naves para além do Sistema, em uma viagem que duraria a vida inteira. A Terra precisava de espaço!

Um dia, em que a milionésima astronave foi construída, juntamente com outras tantas, em órbita da Terra, suas superestruturas refletoras iluminando o céu à noite, como constelações cintilantes, algo surgiu nos monitores de computador da Nova Nasa, às margens do Golfo do México:


NÃO VENHAM. PROBLEMAS COM INTRUSOS. NÃO VENHAM. MORTE E DESTINO NEGRO OS ESPERAM ALÉM DA ÓRBITA DO PLANETA ANÃO


Os presidentes dos países envolvidos na corrida em busca de novos planetas decidiram. O desenvolvimento de uma armada espacial deveria ser iniciado em tempo imediato, com duração de dois meses, munida com todo tipo de armas que o Homem já possuísse ou viesse a imaginar.

Um comboio de naves, com propulsão de plasma, atingindo em um mês um quinto da velocidade da luz, foi lançado. Chegaram em algum tempo a Plutão, antes da última missão a Titã e ao exterior do Sistema Solar. Havia alguma coisa situada fora da esfera de compreensão dos astronautas e dos cientistas e computadores da Terra. Os astronautas e combatentes encontraram a escuridão, a ausência de luz, onde deveria haver estrelas e constelações, situadas na Via Láctea. 

Os instrumentos a bordo das astronaves acusavam nenhuma forma de energia luminosa, energia escura ou matéria escura vindos das vastidões do Cosmos. O desconhecido era amplo. E, como havia sido avisado, um destino terrível pairava. Sobre nossas cabeças.

A armada de cem naves estelares voltou à Terra. Passou pelas colônias de Plutão, das luas de Netuno, Urano, Saturno, as cidades de Marte. E as arrasou, uma a uma. A Terra se defendeu, equipando a maioria das naves-colônia que orbitavam nosso planeta com armas mortais. A luta, vinte milhões de quilômetros além da órbita da Lua, foi um massacre. Ambos os lados sofreram perdas colossais, mas a armada passou pelas naves de defesa, pouco a pouco.

Da Terra, lançaram-se feixes de raios gama e lasers cuja potência custou caro à população terrestre. A energia fornecida às indústrias e às cidades foi cortada sem previsão de volta, sendo direcionada para suprir os potentes discos de energia, de um ou dois quilômetros de envergadura, e que dizimaram boa parte da armada em órbita.

Mas a tecnologia usada para se construir a frota era avançada, até para os padrões do que existia para a defesa da superfície da Terra. Em dez dias, as cidades principais haviam sido vaporizadas. Capitais das superpotências nucleares submergidas em uma chuva de radiação. Indústrias reduzidas e sucata derretida. Plantações queimavam. As costas dos continentes enegrecidas, espiralando em fumaça corrosiva, submetidas ao fogo torturante da energia solar, amplificada à décima potência. Montanhas dilapidadas e transformadas em planícies causticantes.

Porém, mesmo quando a rendição foi assinada, a armada continuou a bombardear o globo com mais e mais fogo nuclear, mais e mais radiação solar ultra amplificada, partículas de antimatéria aniquilando o que sobrara da civilização terrestre.

No final, sobraram escombros. Meros restos do que fora uma sociedade com grande potencial, suficiente para atingir outras galáxias. Os homens esqueceram sua Ciência, sua sabedoria. Quem sobreviveu, no início encontrou forças para matar para comer. Porém, ao término de um ano, a fome continuava e a Era da Escuridão sem fim começava.

Estou sozinho, na boca da caverna de Lascaux, França. Eu, entre toda minha família, foi quem sobreviveu. Tenho uma dúzia de lacerações e ferimentos no corpo. Minha boca está seca, minha língua inchada pela sede. Morreram muitos, no final da tarde, ao beberem água das fontes subterrâneas da caverna. O líquido está contaminado, mesmo tão longe da superfície.

Observo a noite. A frota inimiga está em órbita. As estrelas, tão brilhantes quanto as naves, posso apanhá-las com minhas mãos machucadas, de tanto que lutei à tarde por um lagarto, que sobreviveu ao genocídio.

Vou embora. Singrar o mundo e descobrir se há um resquício de civilização, algures.

Duvido.


*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
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