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sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Fronteira Eterna e Outros Contos Imaginados


Em livro de estreia escritor aborda vários temas em histórias surpreendentes

Quem conta um conto aumenta um ponto. Já dizia um velho ditado. Aliás, Machado de Assis, um dos nossos maiores escritores, mais conhecido pelos seus romances (destacadamente, “Dom Casmurro” e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”) do que pelos seus contos (excelentes, bom frisar), possui uma história hilária cujo título é exatamente este: “Quem conta um conto”.
O gênero, no Brasil, tem outros cultores de igual calibre, como João Guimarães Rosa e Lygia Fagundes Telles, para citarmos apenas dois dos mais conhecidos. 
O conto, para usarmos uma definição simplista, é uma narrativa curta que, em geral, apresenta apenas um conflito. Existem definições também separando o conto em categorias, como os contos de fantasia, de suspense, de terror, de ficção científica, etc.
Fronteira Eterna e outros contos imaginados, como o próprio título já revela – livro do estreante Guilherme Furlan, que o assina com o pseudônimo de Dantas Guerra (obra que acaba de ser lançada pela Editora Penalux) – é uma reunião de histórias curtas que têm como material principal a imaginação.
O livro possui quinze contos com temática variada, passando pelo terror, suspense e amor, não faltando ainda poesia, intriga política, questionamentos filosóficos, entre outros assuntos.
“A economia narrativa, a unidade de efeito e a brevidade apa­recem, mas não são únicos princípios norteadores da obra”, releva o autor. “Busquei usar o máximo de elementos que estivessem à minha disposição”, conta.
Percebem-se no mix dessas histórias as influências de outros contistas consagrados, como Poe, Cortázar, Quiro­ga, Tchekhov e Hemingway.
Sendo a literatura também um fingimento, como já assinalou Fernando Pessoa, o autor defende que a criação literária deva ser um “fingimento sincero, pois quando o escritor olha para dentro de si mesmo, ele enxerga a humanidade inteira”.
Para Guerra (Furlan), quando se trata de ficção, faz-se necessário também um pouco de divertimento. “Uma breve distração da vida cotidiana, mas que possa ensinar algo também”, completa o escritor. “O livro vem de uma época ideal da minha vida”, continua ele. “Escrevi quando eu tinha vinte e sete anos e morava em Portugal. De certa forma, ele representa meu primeiro grande esforço literário. Está carregado de um ideal próprio de literatura e talvez seja até um pouco pretensioso com epígrafes em espanhol e italiano, personagens que falam um pouco de francês e mesmo algumas falas em inglês, tudo sem tradução ou notas de rodapé. Não sei se ele possui algum valor literário, mas posso afirmar que ele foi concebido com enorme dedicação”, conclui.
Fronteira eterna e outros contos imaginados privilegia a criação livre, apresentando uma diversidade temática, pela qual cada conto tem sua própria independência e completude.
Uma ótima dica para o leitor que quer se aventurar em múltiplas e intensas histórias, com personagens envolvidos em conflitos, vingança, egoísmos, vivenciando problemas e dificuldades, enfim, replicando aquilo que nós carregamos como sociedade, isto é, como humanidade. O leitor há de se encantar com esses contos repletos de imaginação e surpresas.
   
TRECHO: “Monrruá viu os corpos de outros como ele. Estavam espalhados pelo chão, queimados. Alguns tinham as vestes quase intactas e lembravam os lagartos. As chamas iam alto, o céu era uma mistura de vermelho e negro. Não havia mais ninguém para alertá-lo sobre o perigo. Mas tudo havia de ter uma razão. Além do fogo que cortava o céu, algo existiria. Se assim não fosse, haveria algo além do nada e assim por diante. O fim é uma invenção humana.”

SERVIÇOS
Fronteira eterna, Dantas Guerras (Guilherme Furlan) – contos (182 p.), R$ 40 (Penalux, 2020).
Link para compra:
https://www.editorapenalux.com.br/loja/fronteira-eterna



AUTOR
Dantas Guerra é Guilherme Furlan — ou seria o contrário? Este nasceu em Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, em 1990, é bancário e bacharel em Comércio Internacional pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). Já o outro nasceu da imaginação, é apaixonado por literatura e autor do livro Fronteira eterna e outros contos imaginados.

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