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quinta-feira, 17 de junho de 2021

Transbordo do existencialismo à beira da favela no livro "A ossada de um moleque", de Gabriel Sanpêra

 


Segundo livro do autor traz contos que movimentam temáticas por muito tempo submersas na produção literária brasileira refletindo tensionamentos experimentados por muitos, como a resistência do corpo jovem negro periférico LGBTQIA+

“A ossada de um moleque” tem a energia da juventude, a sabedoria da ancestralidade e a força da memória. Ficcionalizando lembranças, reconstruindo histórias, invocando ora a espiritualidade e seus ancestrais, ora o cotidiano e suas realidades, Gabriel Sanpêra prova, em seu segundo livro, que não está no mundo a passeio, e que tem uma missão e um sério compromisso com sua escrita. Dessa vez, sua obra ganha forma pela Oríkì Editora, uma editora independente que tem foco em publicações e visibilidade da produção literária preta, favelada e demais identidades preteridas do mercado editorial.

“Começamos a nutrir uma vontade de trabalhar com Gabriel desde que conhecemos o seu primeiro livro e passamos a acompanhá-lo pelas redes sociais. O abordamos para que publicasse conosco e quando nos enviou o projeto deste livro, tivemos a certeza que seria mais um sucesso desse jovem autor que foi uma grande revelação no mercado literário com seu livro de estreia”, destaca Daniel Brazil da Okírì Editora.

Na experimentação das formas e formatos, poeticamente proseando com o leitor, Sanpêra brinca de escrever muito a sério sua mensagem.

“Meu processo de criação envolveu um resgate de memórias e fotos antigas de minha avó que tinha como tradição fazer anotações atrás dos retratos. Meus contos nascem dessa inspiração nessas imagens e textos breves, no entanto, carregados de significados e representações de uma cultura”, conta Sanpêra.

O título, escolhido não ao acaso, direciona o olhar a dois dos contos mais representativos da obra e revela, sutilmente, do que o livro trata: a estrutura desse moleque, menino, moço.

A estrutura ancestral, emocional, o racismo estrutural que o atravessa, a estrutura física que impacta caminhos, escolhas, imposições. Há uma tênue linha, invisível, que transpassa os textos fazendo uma conexão única, às vezes quase imperceptível, entre eles. A ossada é elemento literal e simbólico, real e metafórico, dando consistência orgânica ao conjunto de memórias, sonhos, dores, amores, vivências diversas e intensas de um corpo que afirma seu valor e sua existência a cada conto, a cada linha.

“A ossada de um moleque é sobre o ato estético-político de tomar posse da adversidade e, a partir dela, criar. É expressão de saberes que reatam o elo ancestral com a linha vibrante da vida”, explica Simone Ricco, Mestra em Letras/Literaturas Africanas, Educadora Antirracista, Articuladora Cultural, Escritora e quem assina o texto de apresentação do livro.

Sobre o autor

Gabriel Sanpêra é escritor e poeta nascido em Barra Mansa, RJ. Ele escreve e performa sobre si, sobre os seus, sobre o cotidiano de corpos que existem, amam, lutam, sorriem em diáspora. Atualmente vive em São Paulo onde atua como escritor e roteirista, estuda Comunicação e Tecnologias e facilita processos de cocriação remota. É também autor do roteiro do curta Baldes, adaptado para o trabalho do diretor Thiago Rocha, também de Barra Mansa-RJ.

Eternizou seu bairro, Vista Alegre em Barra Mansa em seu primeiro livro de poemoas, o  “Fora da Cafua”, que foi premiado e faz parte do acervo de literatura na Universidade de Buenos Aires. Esse primeiro trabalho já apontava para uma linha literária cheia de identidade e reconhecimento. Um material que foi todo escrito no bloco de notas de um celular, por um jovem negro enquanto se movimentava entre sua casa e seu trabalho.

Com “Fora da Cafua”, Sanpêra revela a força da sua identidade e de suas memórias familiares, de suas raízes e da relação com sua cidade e o impacto dessa história na sua escrita.

O mais fascinante, segundo a escritora Jarid Arraes é “a sutileza das mudanças e das misturas. A musicalidade e a oralidade que se posicionam ombro-a-ombro com a construção poética de Gabriel. Escritores como Gabriel estão confortáveis em suas próprias estéticas. Estão seguros de suas referências. Problema seu se você não compreendeu, se o seu repertório é limitado. Há quantos séculos fazemos o movimento contrário?
A juventude negra, LGBT e periférica tem uma estética excelente para ensinar. Gabriel Sanpêra demonstrou possuir elementos. Que eles enriqueçam seu repertório também.”

Jarid Arraes é uma escritora cearense, cordelista e poeta brasileira, autora de quatro livros publicados e 60 títulos em cordel, premiada pela Biblioteca Nacional, APCA e seus livros figuram nas listas de melhores livros de diversos canais de relevância nacional.

Sobre a editora

Oríkì Editora é uma editora independente com foco em publicações e visibilidade da produção literária preta, favelada e demais identidades preteridas do mercado editorial, que preza pela alta qualidade literária e editorial, fora de padrões hegemônicos, cujo objetivo é proporcionar uma experiência única de leitura.

Uma empresa conduzida por pessoas que acreditam que a literatura é uma das formas de expressão mais potentes que existe e cujo nome traz em si a marca desta potência.

 

Título: A Ossada de um moleque

Autor: Gabriel Sanpêra

Editora: Oríkì Editora

Apresentação de Simone Ricco.

Gênero: Contos/híbrido

Formato: 14x21cm

Páginas: 98

ISBN: 978-65-88649-01-5 

Já em pré-venda pelo site: Oriki Editora

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