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segunda-feira, 4 de abril de 2022

[BEST-SELLER INTERNACIONAL] Autobiografia de centenária ex-combatente da II Guerra Mundial chega ao Brasil


 "Meu Nome é Selma" conta a trajetória de luta e sobrevivência da holandesa Selma Van de Perre

Há, na atualidade, poucos sobreviventes do Holocausto ainda vivos para relatar as atrocidades pelas quais passaram durante a Segunda Guerra. Poucos ainda podem nos contar com as próprias palavras, o medo que sentiram, a coragem que encontraram e as experiências de resiliência, criatividade e esperança em meio ao desespero. Selma Van de Perre é uma delas. Prestes a completar 100 anos em junho, a holandesa que vive em Londres, revela em Meu Nome é Selma (lançamento da Editora Seoman) como sobreviveu a um dos campos de concentração mais cruéis da história: Ravensbruck, no qual os nazistas aprisionavam somente mulheres.

Nesta autobiografia aclamada internacionalmente, Selma conta a dificuldade em ser judia na Holanda, como a guerra chegou e levou toda a sua família, como assumiu uma identidade ariana falsa, entrou para a resistência como courier, além de relatar detalhes incríveis de sua luta pela sobrevivência e libertação como presa política. 

“Dormimos no chão de madeira do vagão. Era desconfortável, mas devia ser muito pior para minhas amigas nos outros vagões – com cinquenta ou sessenta mulheres amontoadas em seu interior, elas não teriam condições nem de se sentar. E também não dispunham de alimentos. Embora não tivesse me dado conta na época, tive sorte. “ – Trecho do livro 

Nascida em 7 de junho de 1922, Selma foi combatente da Resistência holandesa-britânica até 1947, quando rumou para trabalhar na embaixada holandesa em Londres. Mas até lá, teve de sobreviver como a guerra lhe permitia. Usando o nome “Marga”, Selma fez “o que foi preciso” para combater o regime nazista até ser levada, em 1944, para o campo de concentração feminino de Ravensbrück. Foi libertada de lá no final da guerra graças a sua identidade falsa – que a fez não relevar a quase ninguém, detalhes de sua vida (nem aos amigos que fez fora e dentro do campo ao longo do conflito), por medo de ser delatada e morta.

A autora revela não ter sucumbido pois pensava no presente, no dia a enfrentar, nas atividades que deveria realizar, como comer um pão duro e uma sopa rala e ruim para sobreviver. Sabe-se que muitas pessoas não só adoeceram fisicamente nos campos de concentração (e quem adoecia era executado), como caíram em profunda depressão. Selma Van Perre resistiu, contrariando o destino da maioria, e está ativa até hoje com uma força inacreditável.

Escrito com notável leveza, apesar de todos os duros desafios experimentados por Selma, o livro mescla acontecimentos históricos conhecidos e relatos únicos vividos por sua autora. Uma história de esperança e coragem inspiradora que releva, com precisão e por meio de exemplos próprios, como milhões de judeus lutaram para sobreviver a uma das piores barbáries de todos os tempos. 

Elogios ao livro: 

“Um verdadeiro thriller pessoal. ” – The Jewish Chronicle 

“Uma história extraordinária. ” – James Holland, autor e locutor inglês especializado em história da Segunda Guerra Mundial 

“Meu Nome é Selma nos mostra como encontrar esperança em meio à desesperança, luz em meio à escuridão. ” – Edith Eger, autora de The Choice e The Gift 

“Hoje, mais do que nunca, todos nós precisamos dar ouvidos à voz e às experiências de Selma. ” – Ariana Newmann, autora de When Time Stopped 

Sobre a autora:

Selma van de Perre-Velleman (nascida em 7 de junho de 1922, em Amsterdã) é ex-combatente da Resistência holandesa-britânica. Durante a Segunda Guerra Mundial, atuou como courier, termo que na época adquiriu a conotação específica de “mensageira da Resistência”. Em 1947, conseguiu um emprego na Embaixada holandesa em Londres. Passou a estudar Antropologia e Sociologia e, depois de se formar, tornou-se professora de Sociologia e Matemática na Sacred Heart High School, em Hammersmith, Londres. Posteriormente, começou a trabalhar como jornalista na BBC Radio Netherlands, onde conheceu seu marido, Hugo van de Perre, um jornalista belga. Em 1983, foi condecorada com a Cruz Comemorativa da Resistência, medalha concedida na Holanda aos membros da Resistência holandesa durante a Segunda Guerra Mundial. Em 2021, foi agraciada com a Ordem de Orange-Nassau pelo governo holandês. 

Sobre o Grupo Editorial Pensamento:

Desde 1907, o Grupo Editorial Pensamento publica livros para um mundo em constante transformação e aposta em obras reflexivas e pioneiras. Na busca desse objetivo, construímos uma das maiores e mais tradicionais empresas editoriais do Brasil. Hoje, o Grupo é formado por quatro selos: Pensamento, Cultrix, Seoman e Jangada, e possui em catálogo aproximadamente 2 mil títulos, publicando cerca de 80 lançamentos ao ano. Ao longo de sua trajetória, o Grupo Editorial Pensamento aposta em mensagens que procuram expandir o corpo, a mente e o espírito. Mensagens que emanam energia positiva e bem-estar. Mensagens que equilibram o ser. Mensagens que transformam o mundo.

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segunda-feira, 2 de novembro de 2020

[Romance e Autismo] Autora best-seller, Tracey Garvis Graves dá voz a protagonista que vive sob o espectro autista


Romance apresenta personagens incomuns em trama amorosa de final surpreendente

Um amor jovem e puro, interrompido de maneira trágica, que tempos mais tarde, busca uma segunda chance. Um enredo que, aparentemente, pode parecer bastante comum, se transforma em uma história tocante e diferente dedicada a todas as pessoas que já se sentiram deslocadas em sua vida amorosa. Em Sem Lógica Para o Amor, lançamento da Editora Jangada (selo de ficção do Grupo Editorial Pensamento), a protagonista, Annika, é portadora do espectro autista e se apaixona numa partida de xadrez por um rapaz, Jonathan, com sérios problemas emocionais.

Este é o novo livro Tracey Garvis Graves (cujo best-seller ‘On the Island’ ficou por semanas entre os mais vendidos e foi também adaptado para o cinema).  Em Sem Lógica Para O Amor conhecemos as histórias de Annika e Jonathan, duas almas gêmeas que buscam viver um amor acima de quaisquer dores vividas no passado. A obra nos dá uma aula de como pessoas “fora dos padrões” são capazes de realizar tudo que sonham, dar voz e vasão aos seus sentimentos e, sobretudo, como podem ser felizes juntas, sejam elas autistas ou portadores de quaisquer enfermidades físicas ou psíquicas.

Em meio a dificuldades de adaptação à vida social por ter estudado boa parte da vida em sua própria casa, Annika, que também nunca namorou, apoia-se em sua colega de quarto para obter orientação sobre como se comportar em diversas situações da vida. Incapaz de se adaptar à sociedade em detrimento de suas condições impostas pelo autismo e sufocada pela excessiva interação humana, seus dois confortos são jogar xadrez e ser voluntária em uma clínica de Animais Silvestres. Enquanto isso, Jonathan, um estudante transferido de outra universidade, busca um recomeço após fazer uma série de escolhas erradas das quais se arrepende. Ambos se conhecem durante uma partida de xadrez disputada no clube da Universidade de Illinois em 1991.

Unidos pelas circunstâncias da vida, os dois embarcam em um relacionamento que evolui do romantismo para um relacionamento tórrido, até́ terminar de modo abrupto para ambos por conta de uma tragédia. Após uma década, eles se reencontram por acaso em um mercado de Chicago. Jonathan trabalha com finanças e é recém-divorciado. Annika, agora bibliotecária pública e mais hábil em situações sociais, está determinada a provar que o amor deles merece uma segunda chance. Entretanto, antes de reatarem, eles devem encarar a verdade sobre o real motivo pelo qual o relacionamento deles se desfez e provar que uma segunda tragédia não poderá́ quebrar o vínculo que de alguma forma, sempre os uniu.

Tracey Garvis Graves é o tipo de autora que tem o dom mágico de captar o amor duradouro diante das adversidades vividas por seus personagens. O poder transformador de Sem Lógica Para O Amor, certamente, vai bater com força na vida do leitor e fazê-lo se lembrar de Annika por um longo tempo mesmo após terminar a leitura. 

Trecho do livro:

– Eu ligo para você. Logo – prometo.

Ele assente, o semblante impenetrável mais uma vez. Deve achar que não vou prosseguir com isso. Não o culpo.

Mas vou ligar. Vou me desculpar. Perguntar a ele se podemos ten­tar de novo. “Começar do zero”, vou dizer.

Esse é meu desejo: substituir as lembranças da garota que ele co­nhecia pelas da mulher que me tornei.

– O que você acha que passou pela cabeça de Jonathan quando ele a viu naquele mercado?

Tina sabe como é difícil para mim compreender o que os outros pensam, então sua pergunta não me surpreende. Nos dez anos desde que vi Jonathan pela última vez, reproduzi as últimas semanas de nos­so relacionamento, e a última mensagem que ele deixou na minha se­cretária eletrônica, inúmeras vezes em minha mente. Tina me ajudou a enxergar esses eventos pelos olhos de Jonathan, e o que percebi fez eu me sentir envergonhada.

– Ele não parecia magoado ou zangado 

Elogios ao livro:

“Encantador e único, Sem Lógica para o Amor acompanha a história de Annika e Jonathan enquanto discutem como o passado deles define o presente. O clímax desta arrebatadora história de amor vai bater com força em seu coração, deixando-o com lenços de papel à mão enquanto você̂ se apressa para descobrir se eles encontrarão um final feliz. ” – Liz Fenton e Lisa Steinke, autoras best-seller de The Good Widow 

Escrito com sensibilidade e uma dose certeira de realidade, este é o romance mais fascinante, gratificante e revigorante que já li em anos. ” – Barbara Delinsky, autora best-seller do New York Times 

Inteligente, terno e muito agradável de ler.... Um livro de leitura obrigatória para quem gosta de ficção contemporânea inteligente. ” – Taylor Jenkins Reid, autor best-seller do New York Times 

“Este romance maravilhoso lida com a vida e o amor no espectro autista, tendo personagens cativantes e emocionantes que permanecerão com você̂ por muito tempo depois que terminar de ler o livro. Absolutamente memorável e incrível. ” – Kaira Rouda, autora best-seller de Best Day Ever e What Comes Around 

 

Sobre a autora:

Tracey Garvis Graves é autora de ficção contemporânea e best-seller do New York Times, do Wall Street Journal e do USA Today. Seu romance de estreia, On the Island, passou nove semanas na lista de best-sellers do New York Times, tendo sido traduzido para 31 idiomas e adaptado para o cinema pela MGM em parceria com a Temple Hill Productions. Ela é também autora de Uncharted, Covet, Every Time I Think of You, Cherish, Heart-Shaped Hack e White-Hot Hack. 

Sobre o Grupo Editorial Pensamento:

Mais que livros, inspiração! 

Desde 1907, o Grupo Editorial Pensamento publica livros para um mundo em constante transformação e aposta em obras reflexivas e pioneiras. Na busca desse objetivo, construímos uma das maiores e mais tradicionais empresas editoriais do Brasil. Hoje, o Grupo é formado por quatro selos: Pensamento, Cultrix, Seoman e Jangada e possui em catálogo aproximadamente 2 mil títulos, publicando cerca de 80 lançamentos ao ano. Ao longo de sua trajetória, o Grupo Editorial Pensamento aposta em mensagens que procuram expandir o corpo, a mente e o espírito. Mensagens que emanam energia positiva e bem-estar. Mensagens que equilibram o ser. Mensagens que transformam o mundo. 

Serviço:

Livro:  Sem Lógica Para O Amor

Autora: Tracey Garvis Graves

Editora: Jangada

Preço: R$ 48,90

Páginas: 320

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quarta-feira, 27 de março de 2019

Resenha | Sete Anos em Sete Mares - Barbara Veiga

“...descobri que, no mar, sinto uma paz inexplicável. A imensidão, o cheiro de sal, os animais que nos acompanham pela água ou pelo ar, tudo isso me toca profundamente. Navegando me sinto em conexão com a mãe natureza, pela qual decidi lutar, disposta inclusive a arriscar o meu conforto e, por vezes, a minha segurança.”

Quando falamos de sonhos e de objetivos pelos quais queremos lutar, não imaginamos, por vezes, como eles tomarão a nossa vida. E antes que possam supor que isso seja ruim, digo-lhes que não é, porque nada mais saudável e mais benéfico do que ver a concretização de nossos sonhos. E se os nossos sonhos envolvem um bem comum, a coisa toma uma grandeza ainda maior. No entanto, a jornada para que tudo isso seja conquistado é intensa, cheia de percalços que precisam ser superados e, não se engane, é necessário preparação, dedicação e adaptação.

Sete em Anos e Sete Mares, conta a história de uma mulher, a autora Barbara Veiga, que se lançou numa jornada pelo mundo com o objetivo de defender o meio ambiente.  A história começa em Santarém e segue para outros tantos lugares no mundo, com os quais vamos acompanhando a escritora por meio das páginas da publicação.

O livro é uma espécie de diário de bordo jornalístico em que a autora narra os acontecimentos nessa sua empreitada. Fala sobre a aproximação com o Greenpeace, a navegação em barco da entidade, sobre o enfrentamento que teve numa ação que a levou à prisão, sobre os trabalhos diários em embarcações e sobre as relações com a tripulação, além do encontro com outros tantos ativistas que também lutam por suas causas.

Sete Anos em Sete Mares, publicado pela Editora Seoman (Grupo Editorial Pensamento) em 2019 aborda em suas 287 páginas também as nuances culturais dos lugares pelos quais Barbara passou e os perrengues, aventuras e soluções que encontrou para os problemas que surgiram no caminho. No livro, entre diário e jornalismo, vamos conhecendo um pouco dos personagens reais que cruzaram o caminho de Barbara e de inúmeras situações que ela vivenciou, bem como conhecemos os lugares por quais ela passou. Não falta nessa trajetória uma pitada de romance e de relacionamentos que se rompem por motivos diversos.

É impossível não sentir o clima de estar em alto mar, lutando por uma causa e perfazendo um caminho coerente com a luta que a autora apregoa. Quando não estava embarcada em navegações das entidades como Greenpeace ou Sea Sheperd, para as quais trabalhou, Barbara navegava utilizando seu veleiro Papaya, que dividia com o ex-namorado.

Passamos pela luta a favor das baleias, a defesa de atuns que estão em extinção, pela luta contra empresa que utiliza soja transgênica, e outras tantas empreitadas que requerem atenção. Temos ainda histórias inusitadas como o fato de ter cruzado com piratas quando estava no Golfo do Áden. Ainda conta-nos, como mencionado anteriormente, as situações em que esteve presa. E passagens que são amenas como a emoção em avistar icebergs e fotografá-los, a presença de animais que acompanham as embarcações, a navegação em santuário baleeiro e a conquista de arrecadações para a ONG.

O livro desperta em nós leitores o espírito de aventura, no entanto, também mostra a responsabilidade da tripulação que viaja nesses navios em luta pelo meio ambiente. Cada um tem uma função e eles requerem atenção e preparo. Espírito de equipe e comprometimento se fazem necessários. Para além disso, Barbara deixa-nos uma mensagem clara de que precisamos lutar, cada um a seu modo, pela preservação do meio ambiente. Ela deixou muita coisa e gente para trás, para lançar-se em luta pelo que acredita e isso está claramente demonstrado para o leitor ao longo das páginas do livro.

“Sinto um orgulho tremendo ao pensar que o sol e o vento serão nossas principais fontes de energia a bordo.”

É uma obra que fala sobre sonhos, objetivos, realização, aprendizado, relações e a defesa do meio ambiente. Uma história de coragem, de descobertas e de experiências emocionantes de quem passou sete anos vivendo nos mares do mundo. Sete Anos em Sete Mares traz relatos que inspiram.

Sobre a autora:

Barbara Veiga é uma jornalista carioca com sólido trabalho internacional, cuja atuação abrangeu mais de oitenta países da América Latina, Ásia, África, Europa e Oceania. Uniu a atividade jornalística à fotografia e, posteriormente, ao audiovisual, que durante uma década foi realizada em parceria com importantes organizações mundiais como Greenpeace, Sea Sheperd, Amazon Watch e Avaaz. Como fotógrafa ganhou um prêmio da National Geographic com o trabalho “Pelo Homem, Pela Natureza”, o qual foi exposto em 2011 em Paris, no Jardin des Plantes, e em Cannes, durante o Festival de Cinema. Na Rede Globo, Barbara fez uma série de vídeorreportagens para o Fantástico, e, durante uma temporada, foi produtora/diretora do programa Vídeo Show.

Ficha Técnica:

Título: Sete Anos em Sete Mares
Escritor: Barbara Veiga
Editora: Seoman
Edição: 1ª
Número de Páginas: 287
ISBN: 978-85-5503-087-1
Ano: 2019
Assunto: Memórias


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domingo, 11 de novembro de 2018

Infiltrado na Klan – Ron Stallworth


“Nós acreditamos que eles são inadequados e não adaptáveis à sociedade branca. Enquanto continuarem a participar da cultura branca, nós continuaremos a ter a maior criminalidade, maiores impostos para a assistência social, redução dos padrões educacionais e trabalhistas e, em geral, uma deterioração contínua da civilização branca. Ao mesmo tempo que desejamos ter uma relação amigável com a sociedade negra, escolhemos viver totalmente separados dela. Esse é o nosso sentimento em relação aos mexicanos e também outras minorias.” Essas foram palavras de Fred Wilkens, um bombeiro que era organizador estadual da Ku Klux Klan no Colorado (Estados Unidos).


De alguma forma essas palavras doem? Elas provocam em você a empatia pelo outro que se sente reduzido, excluído, anulado da sociedade? Te provoca algum sentimento de repulsa por julgar a cor, a raça, a nacionalidade ou qualquer outra condição de vida do outro? Te faz sentir que não é possível que alguém exclua o outro simplesmente pelo fato de ser quem é? Ron Stallworth era um homem que, a seu modo, lutou contra esse tipo de discurso.

A Ku Klux Klan (KKK) é uma das mais temidas organizações racistas dos Estados Unidos. Você já imaginou um negro se infiltrando nessa organização? Pode parecer história de filme, e também é, pois Infiltrado na Klan inspirou a película de Spike Lee que venceu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes. Antes de vir filme, no entanto, é um livro que conta uma história baseada em fatos reais.

Ron Stallworth, autor do livro que foi publicado no Brasil pela Editora Seoman (Grupo Editorial Pensamento) foi o primeiro detetive negro do Departamento de Policia de Colorado Springs. Certa feita, o homem se deparou com um anúncio no jornal que recrutava pessoas para integrar a KKK local. Ele respondeu à convocação e acabou recebendo a chamada de um representante do grupo. No entanto, ele, em carta, havia revelado o seu nome verdadeiro e não uma de suas identidades secretas. Com o contato obtido por parte da organização, não restou dúvida ao detetive em se passar por um homem branco racista para ganhar a simpatia do dirigente local e começar a fazer parte desse grupo.

“Bem, o que eu tinha que fazer era iniciar uma investigação secreta da Klan e seus planos de crescer na minha cidade. Eu vinha trabalhando como investigador disfarçado quatro anos e tinha conduzido muitos casos, mas esse seria diferente, para dizer o mínimo.” Escreveu o autor.

E trata-se mesmo de um caso diferente. A operação que pode soar como comum para muita gente, era arriscada. Estamos falando de um homem negro, que deu seu nome verdadeiro para racistas fervorosos. Como se manter camuflado para que não notassem qualquer ação implementada pela Polícia de Colorado Springs? Ron conta com o apoio de um agente branco, chamado Chuck, que o auxilia como a cara do homem que conversa com a KKK pelo telefone. Infiltrado suas investigações seguem.

O livro traz, como dito anteriormente, uma história real, portanto não tem elementos ficcionais no meio da narrativa que o leitor fará. O autor, que é o policial infiltrado, narra os acontecimentos em primeira pessoa.

Há acontecimentos que demonstram bastante ousadia por parte de Ron, e isso certamente vai chamar a atenção do leitor. Tais situações chegam a ser cômicas e até mesmo satíricas, diante daqueles líderes racistas que se acham superior a qualquer negro ou quaisquer minorias. Uma dessas passagens é quando Ron encontra David Duke, um dos líderes da organização racista.

O que lemos é a atuação de Ron nas investigações e sabemos de alguns resultados que foram obtidos com o seu trabalho como detetive na polícia local. Ron Stallworth narra sua história numa linguagem fluída e objetiva e soube aproveitar bem alguns momentos de tensão que dão gancho para a continuidade dos capítulos e despertam a curiosidade do leitor. Por vezes, dá a impressão de que tudo que estamos lendo é ficcional demais, tal a ousadia do investigador e a audácia que ele tem ao enfrentar o grupo extremista. No entanto, vale sempre lembrar que é uma história real e que, portanto, os fatos relatados foram vivenciados pelo autor.

Ao ler, caro leitor, não há como não fazer um paralelo com os tempos atuais. O discurso de ódio, disfarçado de boas ações, que a Ku Klux Klan tem, aparenta em muito com a verbalização feita por líderes políticos, autoridades e representantes de outros grupos sociais que tem poder de formar opinião. O que muita gente não percebe é que esse discurso de ódio está maquiado com garantias de uma supremacia artificial, de uma tremenda falta de empatia para com o próximo.

Para além da intrigante história que lemos em Infiltrado na Klan, cuja tradução da publicação realizada no Brasil coube a Jacqueline Damásio Valpassos, e que fascina por si só, temos uma camada que nos leva ao questionamento, à reflexão sobre racismo, xenofobia, preconceito e discriminação em termos amplos.

Sabe aquelas histórias verídicas que são tão impressionantes que parecem mentira? Os relatos de Ron são tão inacreditáveis que, se fossem ficcionais, certamente questionaríamos o autor com relação à verossimilhança de algumas passagens e pelo absurdo que se revela em cenas detalhadas por Ron. Por aí, já dá pra perceber como o livro surpreende. Não há como negar que temos no livro um contundente caso de enfrentamento e de empoderamento negro. Ron Stallworth fez história.

Sobre o autor:

Ron Stallworth, veterano altamente condecorado com mais de trinta anos de serviços prestados à corporação policial dos Estados Unidos, trabalhou sob o disfarce, em quatro estados, nas divisões de Narcóticos, Costumes, Inteligência Criminal e Crime Organizado. Como o primeiro detetive negro da história do Departamento de Polícia de Colorado Springs. Ron venceu a feroz hostilidade racial para conquistar uma longa e distinta carreira como agenda da lei.

Ficha Técnica

Título: Infiltrado na Klan
Escritor: Ron Stallworth
Editora: Seoman
Edição: 1ª
ISBN: 978-85-5503-081-9
Número de Páginas: 207
Ano: 2018
Assunto: Relações raciais



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sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Os Seis Finalistas – Alexandra Monir


Os Seis Finalistas, livro de Alexandra Monir, foi publicado no Brasil pela Editora Jangada, com tradução de Jacqueline Damásio Valpassos. A obra foi lançada em 2018 e tem 327 páginas. Os direitos cinematográficos sobre o livro já foram adquiridos pela Sony Pictures.

Mudanças climáticas tornaram a Terra um planeta inabitável. As tempestades e tsunamis provocadas pelo tremor do solo afetaram grandes cidades no mundo inteiro. Muitas delas estão sob as águas.

Nesse cenário caótico os lideres de agências espaciais americana, europeia e russa, buscam preparar vinte e quatro adolescentes, dos quais seis serão os finalistas e que farão parte de um empreendimento pra lá de audacioso. O objetivo é de que os seis jovens formem um time que embarcará numa nave espacial para Europa – lua pertencente ao planeta Júpiter. Lá eles devem estabelecer uma nova colônia, portanto trata-se de uma viagem só de ida. Como o planeta Terra está devastado, sobre o ombro desses jovens pesa o fato de que eles serão responsáveis pelo futuro da raça humana.

“...a Missão Europa é o item mais urgente da agenda do nosso planeta (...) Nossa chance de terraformar e colonizar a lua de Júpiter não pode mais esperar. Então, com isso em mente, depois de mais de um ano observando e revistando inúmeros registros médicos e acadêmicos, fico feliz em anunciar que selecionamos nossos Vinte e Quatro finalistas. Esses adolescentes passarão os próximos quatro meses no Centro de Treinamento Espacial Internacional (...) ao final do treinamento será formada uma equipe com seis integrantes que será enviada à Europa...” (Anúncio de Hans Schroder, da Agência Espacial Europeia)

O livro começa falando sobre Leo, Leonardo Danieli, um nadador italiano que perdeu a sua família inteira numa inundação. Sozinho no mundo esse jovem agarra-se a oportunidade de fazer parte dos vinte e quatro selecionados para tentar uma vaga de finalista no projeto. Conheceremos também, já no segundo capítulo, a americana Naomi, que mora em Los Angeles, Califórnia. Descendente de iranianos ela tem profundos conhecimentos sobre ciência. Sua família não foi dizimada pelo desastre, mas ela é extremamente apegada a seu irmão. 

Naomi e Leo são os protagonistas do livro. Eles são selecionados entre os vinte e quatro adolescentes, que possuem características próprias e habilidades singulares em sua área de atuação. Leo representa aquele que deseja e ambiciona se tornar um dos seis finalistas e partir para Europa. Sem a família, sem ter para onde retornar caso não seja aceito e sem perspectiva de vida na Terra, ele apega-se ao fato de que partir para a lua de Júpiter seja sua única saída. A missão torna-se portanto, seu objetivo de vida. 

Já Naomi faz o contraponto a Leo. Ela tem família, é apegada ao irmão, e tem muitas suspeitas sobre a missão que o CTEI  (Centro de Treinamento Espacial Internacional) fará. Ir para Europa não é a saída que ela vê para sua vida e como deseja voltar para casa, se envolve numa investigação a respeito dos planos “reais” daqueles que querem enviar os jovens para salvar o mundo. As suspeitas da jovem são reforçadas, posto que uma missão semelhante falhou em circunstâncias repletas de mistérios e que levaram os astronautas participantes à morte.

Inicialmente, Naomi encontra em Leo um amigo, alguém com quem pode contar num ambiente caótico de treinamentos e concorrência acirrada com gente desconhecida. Os treinamentos que são realizados servem para testar os jovens no limite e eles passam por fases de seleção. Como nem se de protagonistas vive um livro, eis que temos entre os participantes do projeto o jovem Beckett Wolfe, também americano, sobrinho do presidente do país e que tem um ar enigmático e ações duvidosas. É ele quem antagoniza com os outros dois personagens.

Alexandra Monir adotou como estrutura a apresentação de duas vozes narrativas. Ora é Leo quem fala ao leitor (em primeira pessoa) contando sobre os fatos que está vivenciando. Ora quem entra em cena é Naomi, relatando a sua visão sobre os acontecimentos. E assim o leitor tem a história se formando. A trama traz bastante aventura, posto que os treinamentos e simulações feitas pelos jovens carregam uma dosagem de adrenalina e os testam até o seu limite. A ciência também está presente tanto nos preparativos para a viagem, quanto nos ensinamentos sobre o que os jovens devem aprender para sobreviver. Robôs, inclusive, são usados para interagir com os personagens.

As pinceladas de suspense ocorrem por conta dos mistérios sobre o que Naomi investiga e sobre sua hipótese para a existência do projeto dos Seis Finalistas. Essa jornada que ela empreende com apoio de Leo, vai também aproximando os dois personagens, trazendo uma pitada de romance para a cena e nos suscitando dúvidas em relação ao modo como outros personagens encaram a interação dos dois.

Além de tudo isso, a autora consegue imprimir os conflitos pessoais de seus personagens. Leo se agarra a oportunidade do projeto e Naomi tem o conflito entre a relação com o irmão e seu receio no que tange ao verdadeiro motivo de serem encaminhados para Europa. A própria concorrência entre os vinte e quatro selecionados para o projeto também traz conflitos para a obra, ainda que muitos desses fiquem realmente no plano secundário do livro.

Os Seis Finalistas tem uma narrativa fluída e que se desenrola de maneira dinâmica. Não faltam elementos para prender a atenção do leitor. Tem suspense, aventura, romance, mistério, emoções e conflitos na medida certa. E, prepare-se, caro amigo, pois o final do livro é surpreendente. Um ponto de destaque é o fato de autora fugir do usual que é abordar a colonização de Marte, por exemplo. O fato de que cientificamente há possibilidade de que Europa abrigue vida, ainda que seja microscópica, traz uma aura intrigante para o livro. Tal possibilidade é aventada com a descoberta de água na superfície gelada da lua.

É um daqueles livros que você conclui com a certeza de que haverá continuação, pois o gancho está dado e muito bem engendrado. Além disso, fica um gostinho de quero mais, pois os personagens são cativantes, a estrutura da obra foi bem arquitetada e há uma história interessante que prende a atenção de quem lê.

Os Seis Finalistas foi uma grata surpresa. Recomendo para quem gosta de aventuras e para quem gosta de ficção científica young adult que envolva um mundo distópico e viagens espaciais.


Sobre a autora:

Alexandra Monir é cantora, compositora e autora de romances para o público jovem. Sua obra de estreia, Muito além do Tempo, ficou entre os mais vendidos da Barnes & Noble e foi o Melhor Livro do Mês na Amazon, sendo seguido por sua continuação, A Guardiã do Tempo, ambos publicados pela Editora Jangada. Atualmente ela mora em Los Angels, Califórnia.

Ficha Técnica:

Título: Os Seis Finalistas
Escritor: Alexandra Monir
Editora: Jangada
Edição: 1ª
ISBN: 978-85-5539-109-5
Número de Páginas: 327
Ano: 2018
Assunto: Ficção científica norte-americana


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