Stephen King e Stanley Kubrick: livro e filme "O Iluminado" (The Shining), por Ademir Pascale

Jack Nicholson O nome de um é Stanley Kubrick, do outro Stephen King, o título do longa é "O Iluminado". Com o nome destes...

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segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Conto, “A Luta”, por Roberto Fiori


— Logo virão dias frios, Manfreya.

— Sei disso, meu senhor — a moça respondeu, os cabelos longos cobrindo o rosto e a cabeça baixa.

— Aqui, em Islandir, possuímos tudo — Lord Valleys esperou pela resposta, sua paciência era ilimitada. Mas, cinco minutos de espera foram o bastante para convencê-lo de que a mulher esperava por sua palavra. — Menos calor. Vá para o Norte, onde as terras são boas para constituir uma família. É hora.

O homenzarrão levantou-se de seu trono de madeira pesada de lei e agachou-se junto a sua protegida. 

— Não quero que acabe como os rapazes dessa cidade, ou como qualquer moça que viva em minhas terras. Os garotos estão, ou no Exército, ou nos navios da Marinha, e as jovens são meras donas-de-casa. Esperando por seu marido morto em uma luta que se aproxima.

— Não, meu Lord. Não quero desposar um homem de Islandir. Quero aprender o uso da espada e da lança, do machado e do arco, me defender com um escudo e fortalecer-me como o senhor.

— Quer entrar para as forças armadas, então...?

— Quero ser a melhor, entre as mais fortes. Não desejo ficar e me tornar soldado. Quero ser livre para usar minha força onde os fracos são humilhados e vencidos, onde as mulheres e crianças correm perigo. Mas preciso de um guia, de um Mestre, que me faça adquirir força e coragem.

— Conheço uma tribo de guerreiros, a Leste. Encontre Sibarand, seu chefe. Diga que Lord Valleys a enviou. — O gigante enfiou a mão no bolso e tirou uma medalha. Buscou em outro bolso das calças e atou uma corrente à medalha de ouro. — Os meus mais valentes homens já visitaram tal lugar. Aprenderam muito. Você descobrirá formas de se defender e de matar como jamais imaginaria. Se quer ser uma mercenária, ainda que por bons motivos, correr o mundo, afastada de Islandir, é livre para isso. Mas os perigos são muitos, e muitas são as maneiras de iludir o inimigo. Tome.

Ele estendeu a medalha dourada com sua efígie e, pela primeira vez em que se encontraram na casa real, Manfreya descobriu seu rosto, afastando seus cabelos rebeldes, e sorriu. Apanhou a moeda e disse:

— Obrigada — estava claro para ambos qual seria o destino de Manfreya, vagar pelo mundo mau e áspero e travar sua luta contra inimigos sem coração.

--//--

Ela era bela, mas sua aparência pouco importava. Tinha energia para derrotar muitos, inata, e pretendia ir além. Sabia que a aldeia de Sibarand localizava-se em uma região inóspita, onde bandidos e saqueadores ficavam à espreita de quem se aproximasse. Uma ou outra incursão, os guerreiros do povoado faziam nos arredores, matando e afugentando os meliantes, mas isso durava pouco. Em pouco tempo, os ladrões voltavam a rondar os arredores da aldeia.

Manfreya encontrou-se com três deles, na estrada que levava ao seu destino.

— Deixem-me passar! Sou protegida de Lord Valleys, tenho o direito de atravessar!

Eles se aproximaram do cavalo da mulher, a pé. Conheciam Valleys de nome, o que era o bastante para tentarem roubar a mulher. Quando seguraram as rédeas da montaria, Manfreya puxou-as, fez o cavalo empinar e suas patas dianteiras atingiram o homem à esquerda, que caiu. O cavalo negro pisoteou-o na cabeça, esmagando-a. O ladrão que segurara as rédeas pela direita foi jogado à distância. 

A mulher viu quando o terceiro armava um arco, preparando-se. Ela retirou do cinto uma adaga, que arremessou, enterrando-a na testa do bandido. Com os calcanhares, Manfreya fez seu alazão disparar. O último malfeitor arrastou-se e tomou o arco do terceiro homem, armou-o e disparou. A flecha teria atingido as costas da jovem, mas ela estava fora de alcance.

Uma floresta estendia-se até o horizonte, pelos dois lados da estrada de terra. Manfreya desmontou e continuou a viagem a pé por uma trilha que se embrenhava à direita da estrada, conduzindo o animal pelas rédeas. Ouviu uma algazarra e amarrou o cavalo em um arbusto. Queria ver quem eram seus adversários, em vez de lutar e tentar vencê-los em luta que poderia ser fatal.

Eram cem a cento e cinquenta homens e mulheres, ao redor das cinzas de cinco fogueiras acesas na noite anterior. Bebiam, comiam, alguns amavam-se nas cercanias do acampamento, entre as moitas. Dois homens começaram uma briga. Sacaram facas. O duelo seria até a morte, isso era bem-vindo entre os grupos de vagabundos e assaltantes. A comida seria melhor distribuída, iria diminuir o número dos pretendentes ao dinheiro e ouro roubado em pilhagens. Inúmeras vantagens eram conseguidas, com essas lutas. Manfreya apurou a visão. 

Um dos lutadores era alto e forte, musculoso, enquanto que o outro era ágil e franzino. Lançou-se contra o maior, cortando-o no rosto. O homem forte segurou o pequeno e o levantou do chão com um braço. Sua faca cortou a barriga do homenzinho do pescoço à pélvis, fundo. Suas entranhas escorreram para o chão e o grandalhão enterrou a arma na nuca do corpo sem vida, retirando-a e limpando-a nas vestes do outro.

Largou-o. Houve uma salva de palmas e Manfreya decidiu passar ao largo do acampamento. Voltou a seu cavalo e, puxando-o, passou para o outro lado da estrada, olhando para todas as direções, em busca de perigo.

Em meio dia de caminhada, escondida pelas árvores e vegetação da floresta, a amazona atingiu um lugar em que podia ver os muros da aldeia de Sibarand. Havia uma largo portão aberto em meio a uma muralha alta de quinze metros de altura, de pedra e argamassa. A mulher vasculhou as redondezas da floresta, caminhando sem ruído por algumas centenas de metros de raio. Sem encontrar vivalma, voltou aonde tinha deixado seu cavalo e montou. Trotou, ansiosa, até o portão, e foi cercada por jovens barbados, que a deixaram sem ação, encostando em seu corpo lâminas de espadas e apontando arbaletas contra ela.

— Estou à procura de Sibarand.

— Quem? — responderam, alertas.

— O seu chefe. Lord Valleys me enviou, para aprender as artes da luta e da guerra. Vejam — os homens ameaçaram cortá-la, pressionando as espadas contra seu corpo, e aproximando as bestas de sua cabeça. Com vagar, ela segurou a corrente de seu pescoço e tirou o medalhão. — Esta é uma medalha de boa sorte, que Lord Valleys me deu, antes de eu vir para esta aldeia. Seu líder a reconhecerá. 

A princípio, os jovens ignoraram o medalhão. Mas um deles estendeu, por fim, sua mão e passou os dedos na superfície do círculo dourado.

— É ouro legítimo, Sargard. A figura incrustada é a de Sibarand, isso é mais que certo. 

— Leas, tem bom tato. Levemos a jovem até Sibarand — e, olhando firme para Manfreya, falou: — Tem sorte, minha jovem. Se é luta e guerra que procura, nós as temos em quantidade! Qual o seu nome?

— Manfreya — ela sorriu e disse baixinho um “obrigada”. A aldeia constituía-se de casas de pedra e madeira, dispostas em ruas que se entrecruzavam na perpendicular. No centro exato desse diagrama, situava-se uma casa de bom tamanho, onde um telhado de doze águas abrigava torreões de vigília e por onde se poderia defender com eficiência a propriedade. Manfreya apeou do cavalo, quando chegaram à entrada do terreno, nu e de terra batida. Ela pensou que seria uma ótima fortaleza, a construção. Um dos jovens, o que chamavam de Sargard, passou com o corpanzil pelo grande portão, destrancado, e bateu com a arbaleta em uma placa de metal fixada na cerca que rodeava a área sem o mínimo traço de vegetação. Esperaram dez minutos. Da porta da frente, surgiram aldeões armados e trajando armaduras. 

— O que quer, Sargard? — o homem mais alto perguntou, alto.

— É da parte de Lord Valleys. Uma mulher quer ver Sibarand, em pessoa. Quer aprender as artes ocultas da luta e da guerra.

— Hoje, meu chefe não está para ninguém, Sargard. Volte amanhã.

— Tenho uma prova de que ela está falando a verdade.

Silêncio. Espera.

— Que prova?

— Um medalhão de ouro, com a efígie de Sibarand gravada. Leas pode confirmar isso. Ele é a pessoa com as maiores capacidades sensitivas que existem no povoado. Você o conhece.

— Ele é cego.

— Reconhece melhor que você uma arte feita em baixo-relevo. Conhece metais, distingue o ouro da prata, o ouro do estanho, o ouro do ferro e bronze.

O homem na porta da fortaleza disse que queria ver o medalhão, mas Sargard abanou a cabeça. 

— Vou entregar o medalhão para Sibarand, eu mesmo — e completou, com delicadeza, curvando a cabeça: — Se não se importar, claro.

O guarda com armadura cuspiu e falou para vir com ele. O medalhão estava no bolso da camisa de Sargard.

— Hoje não, Gand, hoje não. Estou febril — falou Sibarand para o guarda, que havia deixado Sargard esperando na parte da frente da casa, e entrara no quarto do chefe.

— Ela diz ser enviada de Lord Valleys, chefe.

— Por que ela veio? — arquejou Sibarand, transpirando como se houvesse acabado de terminar uma batalha.

— A mulher diz querer ser sua discípula na arte da luta, do combate, da guerra e tudo o que pede é uma palavra com o senhor.

— Se Lord Valleys a enviou, o motivo é bem sério, Gand. Deixe-a entrar em meus aposentos — falou o homem, tossindo em convulsões. Gand esperou. Sabia que as palavras de seu senhor haviam sido interrompidas pela febre. — Diga-lhe que eu a ouvirei, mas falarei o necessário. O necessário.

Gand fez uma mesura e retirou-se. Na sala da frente da casa, fez sinal para Sargard se aproximar e disse:

— Ele está com a respiração difícil, falar é um esforço grande para Sibarand. Mas concordou em ouvir o que a jovem tem a dizer. Diga-me, tem cem por cento de certeza que ela possui o Medalhão de Valleys?

— Se Leas afirma possuir o rosto de Valleys na cara da moeda e esta é feita de ouro, não duvido de Manfreya.

O rosto de Gand iluminou-se. Manfreya, a mais hábil nas facas! A que brigava como um leão! A que derrotara cinco homens fortes, meliantes que invadiram sua casa! Esta era Manfreya! O guarda sorriu e saiu pela porta, seguido do jovem Sargard.

— Você é Manfreya, portanto. Pode me seguir, minha jovem. Se eu soubesse de seu nome desde o começo, tempo seria poupado. Venha.

A mulher seguiu Gand pelo portão aberto e entrou na casa. O guarda fez sinal para ela esperar um pouco e falou:

— Meu senhor está fraco e doente. Fale tudo o que tem a dizer, não omita nada. Fale de seu passado, de suas lutas e suas habilidades com armas. Convença-o de que vale seu peso em ouro, tal como o Medalhão de Valleys. Somente assim poderá convencer Sibarand de que é apta a ser treinada por mim.

Ela murmurou “Sim, senhor” e avançou, seguindo o guarda.

Nos aposentos de Sibarand, este estava dormindo. Gand olhou para a jovem e pôs o indicador nos lábios. Aproximou-se da cama de seu senhor. O tórax volumoso do doente subia e descia com ritmo e força. Remexeu-se, abrindo os olhos. Viu Manfreya e a reconheceu. Fez sinal para Gand se aproximar. A jovem mulher manteve-se em silêncio, até que o segurança abanou a cabeça para Sibarand e endireitou-se. Ele esperou alguns segundos e voltou-se, saindo do aposento.

Manfreya contou sua vida, suas brigas quando criança, a possibilidade que, quando crescera, de matar e se recusar a fazê-lo, deixando seus inimigos partirem. Falou das condições que tinha em Islandir como lutadora, podendo entrar nas fileiras do Exército ou da Marinha de Lord Valleys. Porém, a liberdade de se realizar além das forças armadas surgia com cada vez maior intensidade. Desejava ser a número um em lutas, combates corpo-a-corpo e uso de todo e qualquer tipo de arma. Queria ser a mais forte, a mais sagaz, de corpo e mente. Mas precisava de um mestre que a qualificasse para tal. Desejava lutar em prol dos mais fracos. Desejava fazer Justiça, a verdadeira Justiça não corrompida, não vilanizada. E via no chefe Sibarand o meio de alcançar tal objetivo.

Ela ficou em silêncio, por alguns minutos, esperando. O chefe do povoado fechara os olhos e começou a mover os lábios, sussurrando algo. Manfreya se aproximou e pôde distinguir as palavras, ditas de modo baixo, mas nítidas. 

— Mostre-me o medalhão, Manfreya. Quero rever meu amigo Valleys antes de morrer.

Ela tirou o medalhão do bolso de sua camisa, sob o manto que a mantinha aquecida naquele Inverno, e colocou-o sobre o peito de Sibarand. Ele fechou os olhos mais-que-cansados e os abriu, com um novo brilho, ao ver a moeda. Arrastou a mão direita das cobertas e seus dedos enclavinharam-se com força em volta do medalhão. Levantou o braço enfraquecido e viu o que mais desejava, naquele momento, o rosto de seu amigo querido.

Fitou a figura gravada na moeda por mais de um minuto. Virou a cabeça para Manfreya e abanou a cabeça.

— Fique aqui, se quiser aprender a matar. Volte então para Islandir e mostre do que é capaz. Corra o mundo em busca da Justiça, se assim lhe apetece. Busque os valores, não as vitórias. Impeça o sofrimento e a matança indiscriminada. E acabe com os ladrões que enxameiam perto de minha aldeia. Liberte Vanhorn dessa praga de uma vez por todas — ele fechou os olhos, a jovem percebendo ser o momento de sair.

Manfreya deixou seu medalhão com Sibarand. Pensou que seria um alívio para as dores que estivesse sentindo, na cama. Gand a esperava, na ampla sala da frente da casa. Perguntou:

— E?

— Ele me deu permissão para ficar e aprender a lutar, a matar, a guerrear. Deu-me ordens de destruir os saqueadores que enxameiam as terras perto de Vanhorn. Deu-me permissão para sair e correr o mundo, ao fim do treinamento.

Gand sorriu e disse:

— Mostre-me do que é capaz, no centro de treinamentos. Se me derrubar, uma única vez, será capaz de derrotar a maioria dos soldados e mercenários que habitam este continente, em luta corpo-a-corpo.

O primeiro golpe a atingiu no estômago, dado com o lado do pé de Gand. Em seguida, uma cutilada com força a teria quase matado, se a atingisse na nuca. Mas Manfreya estava alerta e seus reflexos eram rápidos. Aparou o golpe.

Ela acertou um soco entre as pernas de Gand, que pareceu não sentir nada. O homem alto jogou suas pernas contra o pescoço da jovem, que se desviou e levantou a perna direita, atingindo-o na nuca. Ele caiu de costas, arfando.

— Você luta bem — disse o guarda, passando a mão na nuca. — Sabe de uma coisa? Será bom treinar com cada um dos outros soldados, com tudo o que tivermos em alcance. Você sabe, arcos, arbaletas, catapultas, bastões, lanças, facas. Adagas. Espadas, escudos, machados, correntes, com tudo o que tivermos à mão, em todas as situações imaginárias. Com as mãos contra adversários armados até os dentes. Daqui a um ano estará em boa forma. Ora, está doendo, minha nuca! Deu tudo, nesse pontapé, Manfreya?

— Não, Gand, não usei nem a metade de minha força total.

Ele levantou o braço e pediu para que ela o ajudasse a se levantar. Ela o puxou, cento e dez quilos de músculo em um metro e noventa e nove centímetros de altura, sem esforço.

--//--

Quatorze horas diárias de treinos com facas, a especialidade dela. Era o que fizeram por três meses. Usaram facas de corte reto, serrilhadas, de trinchar peixes, punhais, atiraram adagas a distância até se cansarem. Manfreya gostou da sensação de estar entre homens rústicos, mas que a deixavam segura de que era uma lutadora de primeiro escalão. Todos eram fortes, todos queriam competir com a jovem. Ela se tornara famosa, desde que começara o treinamento e desarmara um Capitão com uma faca serrilhada. Edvard era uma das principais autoridades no exército de Sibarand, no que se referia a combates corpo-a-corpo. 

Manfreya lutou com as mãos nuas contra Gand, primeiro, e foi derrubada. Uma rasteira e uma cotovelada em seu ventre a jogou contra o chão. Ela saltou, afastando-se do segurança de Sibarand, que era o Comandante do Exército, ao mesmo tempo. Com Edvard, este era um tanto bruto. Deixou-a tonta, com um soco contra seu nariz. Sangue começou a correr, mas Manfreya disse para a luta continuar. Trocou golpes fracos com seu oponente, até sentir os reflexos do capitão. Então, encontrou uma brecha nas defesas de seu adversário e desferiu um pontapé com todas as forças entre as pernas do outro, que ficou paralisado. E acabou a luta com um rodopio de seu corpo esbelto e ágil, acertando o maxilar de Edvard com o calcanhar. Ele tombou, caindo de lado, desfalecido.

— Você usou toda a sua força, Manfreya? — disse Gand, examinando o corpo estirado no chão. 

— Acho que ele não será capaz de andar por algum tempo, Comandante. Eu não o acertei com força na cabeça. Ele estaria morto, então.

Os dias se passaram sem que ninguém, a não ser Gand, a pusesse de costas no solo. Mas a mulher começava a sentir-se forte. Com as espadas, tornou-se perita. Poderia matar qualquer um, menos o Capitão Edvard e o Comandante. Os soldados a respeitavam, como se ela fosse um soldado homem, e não uma dona-de-casa, ou uma mulher fútil e sem valor.

Os treinos com todos os tipos de armas foram executados. Defendida com uma faca de cozinha, usada de propósito para tornar as lutas mais difíceis, Manfreya desarmou até o Capitão Edvard e o golpeou no estômago com o lado da faca. Ponto para a jovem. 

Mas Gand observara a luta com atenção redobrada. E, quando a luta entre a mulher e o Capitão se encerrou, a penúltima entre todos os membros do Exército, Gand disse, em voz alta:

— Se quer derrotar qualquer um, deve triplicar seus esforços, Manfreya. Deve fazer seu corpo e sua arma se tornarem uma única coisa, um único instrumento mortal — o Comandante sacou sua espada e foi até o mostruário das armas, de onde retirou um machado. 

— Você está cansada e não me venceu em qualquer luta, até hoje. Apenas me atingiu na nuca, no começo dos combates que travamos. Vamos ver como você se sai contra essas duas belezinhas — Gand girou no ar seu machado e desferiu, ao mesmo tempo, golpes fortes com sua espada.

Manfreya concentrou-se. Desviava-se das estocadas e golpes dados ao mesmo tempo com as duas armas de Gand, rolando no chão e pondo-se fora do alcance dele. Seus reflexos revelaram-se fora do comum, ela atingindo mais e mais o Comandante, com sua faca de cozinha nos ombros, braços e pernas. Transcorrida meia hora de exercícios, nem ela, nem Gand se encontravam cansados. O segurança real sorriu. 

— Eu já estaria morto, caso sua faca fosse afiada e você me acertasse para valer no estômago, pescoço, nos olhos, ou entre as pernas. Concedo a você esta vitória — ele andou em direção de Manfreya, largou o machado e a espada e a abraçou. — Continuando com essa rotina de lutas, você me ultrapassará em todos os treinos em menos de um mês.

Ela sorriu de volta, feliz. Passou o braço em volta das costas do homem alto e riu.

--//--

Os bandidos que tinham se instalado a alguns quilômetros de Vanhorn, na altura em que Manfreya vira uma luta mortal ser travada em seu acampamento, na vinda até a aldeia, haviam reunido centenas de meliantes, em seis meses. Precisavam de outros, para o que o chefe, Ishmal, havia concebido.

— Vanhorn possui armas, ouro, prata e muita comida — disse ele a dez outros saqueadores, sentados em um círculo ao redor de uma fogueira. Eram seus melhores lutadores — Surpreendo-me com minha astúcia. Temos setecentos homens e mulheres, na floresta, reunidos sob minhas ordens, prontos para invadir o povoado. Não vamos poupar ninguém, quero sair vitorioso!

— E depois, Ishmal? Como vai se haver com Lord Valleys? Ele é amigo de Sibarand.

— Nos armaremos e rumaremos para Islandir, com milhares de combatentes!

Quem fizera a pergunta ao chefe dos assaltantes era Liam. Conhecia-se sua inteligência, ele era descendente direto de vikings e um perito em combates e batalhas. 

— Valleys é forte. Nos liquidaria, assim como quem mata uma serpente moribunda — Ishmal deu a volta pelo lado exterior do círculo formado pelos homens sentados e pôs a mão no ombro de Liam. Agachou-se e falou, baixinho:

— Está livre para ir, amigo. Nada te impede de ficar — o descendente de vikings sentiu a ponta da faca pressionar com força suas costelas. Disse:

— Está certo, Ishmal, não quis desrespeitá-lo ou ir contra sua vontade — a lâmina foi afastada de seu corpo.

— Atacaremos amanhã, à noite. Quando a Lua estiver escondida entre nuvens. De acordo? — Diante do silêncio de seus comandados, o chefe sorriu e deu por encerrada a reunião: — Está certo, rapazes. Preparem-se.

Quando Ishmal se retirou, todos começaram a falar ao mesmo tempo. Uma batalha, para variar! Teriam oportunidade de gastar suas energias e demonstrar que eram verdadeiros lutadores!

De todos, Liam foi o único a permanecer em silêncio. O que poderiam fazer mil salteadores e corta-gargantas contra uma aldeia inteira de lutadores de elite, o Exército de um nobre poderoso, como Sibarand? E as vezes em que os saqueadores haviam sido mortos, nas incursões que Sibarand fazia nos arredores dos muros do povoado? Isso era de se levar em consideração, pensava Liam.

A noite ia ser fria, hoje. E teriam névoa pela manhã, e um dia e uma noite nublados, como durante todo o mês de Janeiro. Ele esperou todos irem dormir e pensou.

--//--

Liam desaparecera, ao que os lutadores de Ishmal puderam constatar, no decorrer de todo o dia seguinte. Isso fez o chefe dos bandidos concluir que ele poderia ter desertado, mas seria possível até mesmo que ele tivesse se bandeado para o lado dos aldeões.

— Se encontrarem Liam, matem-no. É hora de tomarmos a aldeia — disse para seus homens de confiança, quando a Lua foi obscurecida pelas nuvens. Avançaram em silêncio, por dentro da floresta, escolhendo caminhos fáceis e trilhas em que podiam correr sem pressa. Silêncio era vital e, quando chegaram à distância de quinhentos metros dos muros de Vanhorn, Ishmal murmurou para seu melhor lutador:

— Passe para os outros a informação de que temos de parar. Esperem minhas ordens.

A mensagem foi comunicada ao resto do grande bando. Todos sentaram-se nas trilhas e esperaram. O chefe falou para Persegs, seu combatente mais valoroso e de confiança absoluta, que iria rastejar até o portão da muralha e ver o que poderia ser feito, pois ele se encontrava aberto.

O chefe dos atacantes sabia que a entrada estava sendo vigiada por homens de Sibarand. De bruços, a vinte metros dos muros, conseguiu uma posição estratégica, que lhe possibilitava ver o interior da aldeia, sem ser visto. Havia uma avenida, margeada por casas, e Ishmal viu que dela partiam ruas para ambos os lados. Uma vez, enviara um homem para espionar e descobrir onde Sibarand vivia. Ele lhe contara com exatidão como a aldeia fora erguida, com as ruas entrecruzando-se e casas construídas a intervalos de dez metros uma das outras, entre as ruas.

Era isso o que Ishmal via no momento, e estava decidido a fazer o que deveria ter feito, anos atrás: juntar um grupo de assalto e tomar o povoado. Seria seu quartel-general.

O chefe dos assassinos e ladrões rastejou, afastando-se da entrada e, chegando onde Persegs estava, deu ordem de atacar. Mas atacar em silêncio, com cuidado, todos esgueirando-se entre as árvores e arbustos.

Quando o bando se posicionou nos limites da floresta, atacaram. Correram, gritando ao transpor a entrada do povoado, e foram rechaçados. Flechas disparadas de torreões nos telhados das casas perfuraram seus corpos sem armadura ou proteção de qualquer tipo. Ishmal protegeu-se, entre a muralha e uma casa. Usava uma arbaleta, trazia uma espada curva, um punhal e uma faca de assalto. Nem todos foram mortos, devido às flechas. Espalharam-se, como o fizera Ishmal, por entre as casas e ruas.

Manfreya veio com um arco e três dezenas de flechas guardadas em uma aljava que carregava às costas, para cima dos primeiros que passaram pela chuva de flechas. Disparou seu arco o mais rápido e preciso que conseguiu. Quando esteve sem flechas, havia usado uma para cada bandido que se aventurara pela aldeia.

Sacou sua espada e tirou uma machadinha da cintura. A seu lado, juntaram-se o Capitão Edvard e o Comandante Gand. Uma fileira de soldados de elite avançou pelas ruas a partir dos quartéis perto do centro de treinamento e a luta de verdade começou. Uma tropa de quinhentos soldados armados até os dentes para proteger suas famílias de setecentos bandidos da pior espécie, que estavam dispostos a morrer, em combate.

Manfreya viu quando cinco inimigos invadiram uma casa, enfrentando dois soldados e uma família. Uma família de combatentes, sim, e que, armada, enfrentou os bandidos com coragem. Um rapaz de vinte anos, usando uma lança, empalou um dos oponentes, recuando para ter espaço para lutar. Os soldados foram mortos, trespassados e cortados pelos bandidos por espadas. Manfreya viu que a situação fugia ao controle, mas correu, saltando contra as costas do último saqueador e o cortando de lado a lado na altura do pescoço. Usando a machadinha, despachou três dos atacantes e o último viu que teria pouca chance de luta. Arriscou-se com o rapaz. Usando um machado, arremeteu para a sala de estar, destruindo os móveis e encurralando o jovem. Ele dava estocadas com a lança, mas um golpe do machado desarmou-o e outro o atingiu no pescoço. Ao mesmo tempo em que o rapaz caía, Manfreya cravou a machadinha e a espada nas costas do outro, que caiu de joelhos e de bruços.

Havia pouco a fazer. O jovem estava morto e Manfreya saiu da casa entristecida. Alcançou a rua e foi cercada por sete bandidos. Ela arreganhou os dentes e desferiu uma machadada no que estava à sua esquerda, com um golpe lateral. O crânio foi cortado na altura da testa e o homem foi lançado contra a cerca da casa, quebrando duas tábuas e caindo no chão. Dois meliantes atiraram flechas contra Manfreya com arbaletas. Ela estava armada com um colete resistente e sentiu pouco o impacto das flechas. Atirou a machadinha contra um dos adversários, sua arma penetrando fundo em seu estômago. Saltou. Com a espada, cortou os dois braços, em sucessão, do outro que a flechara. Os demais recuaram. Um deles conseguiu apanhar a machadinha presa no ventre do bandido morto por Manfreya e a atirou contra ela. 

Ela teve o ombro cortado de raspão pelo gume da arma, que atingiu um nervo importante. Perdeu, assim, a sensibilidade do braço armado com a espada, que pendia frouxo. Apanhou a arma com a outra mão e continuou a matar. Desfez o inimigo que a acertara, enterrando a lâmina em sua perna e fazendo uma série de cortes em seus braços. Enfiou a ponta da espada em sua boca, atravessando sua garganta até a espada sair pela nuca. 

Os três homens restantes atacaram ao mesmo tempo. Manfreya esgrimiu contra um, desviou-se dos outros dois, que tentaram trespassá-la e, como um raio, posicionou-se por trás deles. Matou-os, enterrando a arma em suas costas.

Ela estava cansada de tanta matança. Mas viu Edvard e um pelotão de dez homens lutar com espadas e machados contra um grupo de vinte salteadores. A jovem juntou-se ao grupo do Capitão e, desferindo golpes com o braço bom, foi matando um a um os assaltantes. Ela era melhor que qualquer outro espadachim, com ambos os braços, mas sabia que só poderia usar um deles. E era provável que teria de se acostumar a usar um, para o resto da vida.

A luta continuou, bandos de assassinos aqui e ali lutando em número maior contra forças bem armadas de Sibarand. Manfreya perdeu a conta dos que matou. Ao fim do dia, as ruas enxameavam de moscas, atraídas pelo sangue derramado.

Foi numa dessas lutas que Gand, acompanhado por dois soldados, encontrou Liam, lutando em desespero contra Ishmal e Persegs. O desertor havia alertado as forças de Sibarand, na noite passada. O chefe dos bandidos atravessara seu bíceps esquerdo com a espada, enquanto Persegs o cortara na altura das costelas. Gand rangeu os dentes e agarrou Persegs pelas costas, sufocando-o e quebrando seu pescoço. Ishmal deu um golpe final com a espada contra Liam, aparado por ele, e, a seguir, os soldados de Gand o liquidaram com duas flechadas na cabeça.

Gand arrastou o corpo de Ishmal pelas ruas, correndo, e, gritando para os grupos que lutavam que, se os atacantes quisessem ter o mesmo destino de seu chefe, poderiam continuar a lutar. Na avenida principal, bandos invasores haviam-na tomado, em combates corpo-a-corpo com aldeões e soldados. O Comandante do Exército entrou na avenida, vindo de uma rua perpendicular, e arremessou o corpo inerte de Ishmal sobre um grupo de bandidos, que se preparava para entrar em uma casa e liquidar uma família de um dos soldados. 

Eles viram o corpo sem vida e entreolharam-se. A seguir, avançaram contra Gand, fúria assassina estampada em seus rostos de feras humanas. O Comandante fez sinal para os dois soldados que o acompanhavam. Seus arcos vibraram várias vezes e seis malfeitores caíram.

— Agora, meus senhores, ajudem outros a vencer. Vou sozinho! — exclamou Gand. Ele desferiu golpes com sua espada a torto e a direito, aniquilando o grupo que enfrentara ele e seus dois soldados. Lutou sem descanso por cinco horas, mandando para o Inferno seus inimigos. 

Ao fim desse tempo, a avenida estava coberta por corpos de soldados e ladrões. Manfreya surgiu de uma rua e viu Gand. Gritou:

— A batalha terminou! Vencemos! — O Comandante caminhou apressado em sua direção. Disse:

— Vou até a casa de Sibarand. Quero ver se está bem.

— Certo! Eu irei organizar uma equipe para enterrar os corpos. As moscas vão tomar conta da aldeia — Gand sorriu. Sabia que ela cumpriria o que falara.

Sibarand permanecera dormindo durante todo o ataque. Sua casa, trancada, fora vigiada por soldados nos torreões dos telhados, mas eles sabiam que nem Ishmal, nem qualquer um dos vagabundos, conheciam o lugar em que Sibarand vivia. E nem suspeitavam, por um momento que fosse, que ele se encontrava doente.

--//--

— Retornarei a Islandir, Gand.

— Viverá com conforto, ao lado de seu protetor, Manfreya.

Ela refletiu, à entrada do povoado, e falou:

— Substitua os soldados mortos. Eles eram os melhores.

— A elite do Norte, os melhores, sim. Mas será difícil encontrar outros como você.

Ela abriu um sorriso largo e abraçou o amigo querido. Recusara um cavalo, para voltar a Islandir. Sabia que os aldeões sentiriam falta de uma montaria. Separou-se de Gand e voltou-se para o exterior da aldeia. No lado de fora, virou a cabeça e acenou, o mesmo fazendo o segurança real.

— Vai voltar?

— Se não morrer antes, sim! 

De fato, seu braço paralisado pelo golpe com a machadinha se encontrava seguro por uma tipoia. Era impossível que o usasse para lutar e seria demorada a recuperação. Porém, seria um repouso merecido, o que precisava.

Ela entrou na floresta, do lado direito da estrada traiçoeira, e sumiu na vegetação entre os eucaliptos. Gand pensou em como fora útil treiná-la. 

Sim, tornara-se a melhor das melhores, entre a elite dos soldados que se supunha serem os de mais alto nível conhecido, em todo o Norte. 

O Comandante ficou olhando a figura da mulher diminuir à distância e coçou o cabelo. Voltando-se, mandou que fechassem o portão e caminhou até a casa-fortaleza de Sibarand.


*Sobre Roberto Fiori:

Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro Cedrik - Espada & Sangue:

“Em uma época perdida no Tempo,

onde a Escuridão ameaçava todos,

surgiu um líder.

Destruição, morte, tudo conspirava contra.

Mas era um Homem de extremos, audacioso.

Era um Homem sem medo”. 

Dos Relatos e das Crônicas da Velha Terra.  


Em sua obra “Cedrik – Espada & Sangue”, o escritor Roberto Fiori coloca sua imaginação e força de vontade à prova, para escrever seu primeiro romance. Um livro de Fantasia Heroica, no gênero Espada & Feitiçaria, em que, em uma realidade paralela, a Terra da Idade do Ferro torna-se campo de lutas, bravura, magia e paixão.

Cedrik é um Guerreiro capaz de levantar 75 kg em cada braço e, ao mesmo tempo, de escalar uma parede vertical de mais de 20 metros de altura facilmente. Em meio a ameaças poderosas, parte para o Leste, em missão de vingança. Acompanham-no a bela princesa Vivian, vinda do Extremo Leste, e o fiel amigo Sandial, o Ancião, grande arqueiro e amigo a toda prova.

Os amigos enfrentam demônios, monstros, piratas e bandidos sanguinários. Usam de magia para se tornarem fisicamente invencíveis. Combatem demônios vindos do Inferno, no Grande Mar. Vivian é guardiã e protetora do Necrofilium, livro que contém maldições, feitiços e encantamentos em suas páginas.

A intenção do autor é continuar por anos as aventuras de Cedrik, escrevendo sobre todo um Universo Fantástico, em que bárbaros e guerreiros travam lutas ferozes e feitiçaria não é uma questão somente de “se acreditar” em seu poder, mas de realmente utilizá-lo para a batalha, como uma arma.

A obra pode ser adquirida com o autor, pelo e-mail spbras2000@gmail.com,  no site da Editora Livros Ilimitados, em livrarias virtuais e no formato de e-book, na Amazon. Os links para acessar o livro são:

1.     Americanas.com:

https://www.americanas.com.br/produto/3200481831?pfm_carac=cedrik-espada-e-sangue&pfm_index=2&pfm_page=search&pfm_pos=grid&pfm_type=search_page

2.     Submarino.com:

https://www.submarino.com.br/produto/3200481831/cedrik-espada-e-sangue?pfm_carac=cedrik-espada-e-sangue&pfm_index=2&pfm_page=search&pfm_pos=grid&pfm_type=search_page

3.     Amazon.com:

https://www.amazon.com.br/Cedrik-Espada-Sangue-Roberto-Fiori-ebook/dp/B091J3VP89/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=cedrik+espada+e+sangue&qid=1620164807&sr=8-1 

4.     Site da Editora Livros Ilimitados:

https://www.livrosilimitados.com/product-page/cedrik-espada-e-sangue

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sábado, 24 de julho de 2021

Entrevista com J. C. Zeferino, autor do livro "3 Dias"


Minibiografia do escritor e cineasta J. C. Zeferino:  

Começou a ser alfabetizado em casa pelo pai, João Zeferino aos quatro anos e meio. Sua paixão pelas histórias começara pelos quadrinhos depois pelos livros de Júlio Verne. Os aviões eram e são até hoje máquinas fantásticas que o autor ama. Diz a lenda que falou a palavra avião antes de papai e mamãe. 

Com gênio inventivo e curiosidade sem limites, estudou eletrônica e mexeu muito com computadores. Só conseguiu extravasar sua criatividade em profundidade, escrevendo e filmando, livros como Nirvana Viagem ao Centro da Alma, Zizz e a Mulher em Pó e filmes como A Bailarina e Esperança a Última Estrela.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

J. C. Zeferino: Comecei participando de concursos, fazendo cursos de redação, escrevendo para jornais. Como comecei a ganhar prêmios interessantes como uma viagem para Londres, isso me motivou a escrever ainda mais e melhor.

Conexão Literatura: Você é autor do livro "3 Dias". Poderia comentar? 

J. C. Zeferino: 3 Dias foi um grande desafio para mim, pois se trata de um livro que conta uma história “jamais escrita” sobre uma das partes mais importantes da história de Jesus Cristo. Fui amando esse ser iluminado cada vez mais a medida que estudava sua vida e isso me transformou.


Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro? 

J. C. Zeferino: Desde o “inicio” até a conclusão do livro foram dez anos. Fui muito resistente em escrever este livro pois achava que por não ser um religioso convencional eu conseguiria escreve-lo. Só depois percebi que justo por isso, por ter essa liberdade dogmática eu poderia escreve-lo como ele é.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho que você acha especial em seu livro?  

J. C. Zeferino: Sim, a história leva a uma reflexão e renovação na esperança do que Jesus fez por nós. Foi muito além do que muitos imaginam a lembrar de Jesus. Um pequeno trecho que gosto muito: “(...) Passado algum tempo, Jesus abre os olhos após sua oração para ver o mesmo cenário, um deserto de gelo a perder de vista e a sensação de queimar os seus ossos castigando o seu ser. Sede e cansaço pareciam ser seus únicos companheiros. Nisto, novamente, um vento maligno moveu o gelo cortante sob seus pés e Lúcifer reapareceu:

- Não compreendestes ainda que foste abandonado, tal qual eu fui? Doravante teu Pai não te envia para a Terra para ensinar aos homens a amarem-se uns aos outros? E o que te fizeram? Crucificaram-te! (...)

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário? 

J. C. Zeferino: Podem comprar um exemplar (tenho uma quantidade realmente limitada a algumas dezenas) diretamente comigo, pagando por PIX no email: jczefir@yahoo.com.br enviando o comprovante e eu enviarei um exemplar autografado diretamente para a sua casa. Valor com Frete grátis para todo o Brasil R$50,00. (48) 996744176 somente Whatsapp

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta? 

J. C. Zeferino: Sim, a continuação do Nirvana Viagem ao Centro da Alma e de Zizz e a Mulher em Pó e alguns livros de contos.

Perguntas rápidas:

Um livro: O Guia do Mochileiro das Galáxias

Um (a) autor (a):  Júlio Verne

Um ator ou atriz: Zoe Saldanha

Um filme: Star Wars

Um dia especial: Meu nascimento

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário? 

J. C. Zeferino: Acredite em seus sonhos, planeje e vá conquista-lo, não importa quantos digam que você não poderá conseguir. Você tem o poder de incontáveis vencedores de sua família em seus gens. Acredite mais em si mesma(o)!


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sexta-feira, 23 de julho de 2021

Conto “A Promessa”, por Roberto Fiori


Stormgrund sentia-se impotente, sentada em sua cela, algemada a correntes e grilhões, na masmorra da torre do castelo. Sabia que algo estava sendo preparado para ela.  

“Mas que diabos, apenas roubei um naco de pão!” — lastimava-se a jovem, suja de carvão e poeira, vinda da chaminé da casa dos nobres, que limpava uma vez por semana. — “E a justiça, se for feita, deverá ser proporcional ao crime!”.

Porém, como em todas as Eras, em todos os lugares daquele mundo amaldiçoado por Chalk, o Mago, as coisas se passavam de modo diferente do normal. A vontade a ser seguida era a dele, e isso continuava da mesma forma, desde há quinhentos anos.

“Porém, um dia”, refletia o carcereiro, no outro lado da porta da cela, “um dia isso mudaria”. E parecia que esse era o pensamento de muitos, no Reino de Washbarg.

Um tilintar mostrou ao guarda que Stormgrund se levantara. As correntes eram compridas, os elos espessos e inquebráveis, para quem os olhasse sem atenção. Mas estavam amarelados de ferrugem, e isso poderia vir a ser uma vantagem para a jovem. A porta foi aberta e o carcereiro, Cadson, vasculhou o ambiente. Em seguida, fechou a porta em silêncio.

A prisioneira olhou para as grades da janela. Analisou as correntes e escolheu uma parte enferrujada até o ponto em que o ferro de que era feita quase podia ser esfarelado com as mãos. A mulher fitou o ferro sem piscar, por quase três minutos, e fechou os olhos. Colocou os elos entre as mãos suaves e cantou em silêncio. Um barulhinho e Cadson entraria... mas a mulher impediu que isso acontecesse. Do metal corroído saltaram faíscas e ele amoleceu, dissolvendo-se no ponto em que Stormgrund o havia fitado.

O mesmo sucedeu com as algemas nos pulsos e os grilhões dos tornozelos, que prendiam a mulher ao chão. Ela colocou as ferragens sobre seu catre de madeira, com todo cuidado, o silêncio era importante. Tirou as botas, pousou-as no chão e, pé ante pé, aproximou-se da janela gradeada. As barras seriam o de menos, mas a masmorra encontrava-se a duzentos metros de altura, no mínimo. Stormgrund apertou duas barras, murmurou um feitiço em voz baixa e o metal esfarelou-se, sendo lançado ao vento, no exterior. Ela fez o mesmo com outras cinco barras. 

A tarefa fora, de certo modo, simples. Complexidade seria exigida para o próximo passo. A mulher recuou três passos e ajoelhou-se. Agarrou um punhado de feno, que servia para aquecer a cela no Inverno, e seus olhos arregalaram-se. Por um momento, as paredes se abriram, a feiticeira conseguindo ver todos os cômodos ao mesmo tempo, do imenso castelo. Uma ilusão útil. O que aconteceu foi que a parede em frente se desagregou, os tijolos ficando aparentes e, a seguir, derretendo-se como se imersos em ácido sulfúrico.

A porta foi aberta e Cadson olhou espantado quando Stormgrund virou a cabeça, sorrindo para ele. O guarda deixou transparecer felicidade extrema, sorrindo e abanando a cabeça, quando a mulher saiu da cela voando, alçando-se na imensidão da liberdade.

Havia um bosque, perto do castelo. Era um lugar vazio, ermo, tomado por sombras que tanto podiam esconder, como ameaçar quem se atrevesse a cruzar a trilha que o percorria, junto a um regato. Peixes nadavam, dourados e prateados, de gosto ruim e amargo. Portanto, estavam à salvo de predadores, em particular de seres humanos.

Mas Stormgrund sabia como atraí-los e prepará-los, bastando um pequeno forno de tijolos e encantamentos empregados de forma correta. Ela se aproximou, vindo do céu, das margens do riacho, as roupas brancas esvoaçando, e viu como estavam crescidos os peixes, desde quando os descobrira, dias atrás. Uma hora depois, fora feita prisioneira de Chalk. 

Sentou-se e mergulhou as mãos na água fria. Duas tilápias grandes e robustas se aproximaram dos dedos da jovem bruxa e foram colhidos pelas mãos delicadas de Stormgrund. Ela passou os dedos por suas cabeças, fazendo-as adormecerem. Pensou que um forno de tijolos seria desnecessário. Tirou de suas roupas um pano largo, que lavou no riacho. Estendeu-o no chão e colocou as tilápias desacordadas sobre ele.

Cantou baixinho. Cantou por dez minutos, tempo que levou para que os peixes se transformassem em porções generosas de grelhados suculentos. A feiticeira os comeu com parcimônia, apesar dos dias na masmorra, em que lhe serviam água, não alimentos. Era questão de tempo para que a tirassem da cela e a torturassem e queimassem, pois, com água, seus algozes poderiam conservá-la viva por pouco mais do que uma semana. Era o tempo que precisavam para que seus poderes desaparecessem e ela deixasse de reagir.

“A magia é algo que deve ser utilizado. Do contrário, perde seu efeito, Stormgrund. E lembre-se, sem comida, a magia cessa!”, recordava-se a mulher, nos anos em que passara aprendendo a usar a Mágica Universal, ao lado de sua mentora e mais querida amiga, Gottsbruck. Isso fora quatrocentos anos após os dias em que Chalk subira ao poder, em um golpe sangrento e violento, tramado contra o marido da mentora, o rei Sersus.

Stormgrund se levantou, ao ouvir uma passada, entre os arbustos das margens do riozinho. Com a mente, viu quem era, abrigado pelas sombras e se aproximando. O homem era forte, sem dúvida. Dois metros de altura, cento e vinte quilos, um metro e meio de ombro a ombro. Cintura estreita, pernas compridas e musculosas.

— Steermgraal! É você, escondido nas moitas e árvores! — a bruxa exclamou, começando a caminhar, mas parando de imediato, ao ver o dedo indicador do grandalhão sobre seus lábios. Ele fez um gesto de “Venha!”, com as mãos, e abraçou Stormgrund, quando ela se encontrou a um braço de distância dele.

— Feiticeira... — sussurrou Steermgraal, apertando o corpo formoso da mulher com força. — Escapou da masmorra do castelo do miserável do Chalk... como conseguiu?

— Usei o que minha protetora me ensinou a utilizar, minha força mágica interior. O que está fazendo neste bosque, tão longe de seu reino?

— Soube que estava presa, ontem. Vinha escalar as paredes do castelo e arrancar as grades da janela, para você poder escapar. Mas sentia-me bem e tranquilo, como se você nunca estivesse sendo ameaçada. No fundo, sabia que fugiria de sua cela. — o amado abriu um sorriso largo e convidou a maga para ir com ele para o interior do bosque. Chegaram a uma clareira, onde uma casa construída a partir de troncos de árvores sobressaía. — Descobri este refúgio hoje. 

Entraram, Steermgraal acendendo uma lamparina e um lampião de óleo de baleia e, levando-os para o aposento contíguo à sala de entrada, falou para ela segui-lo. O quarto tinha dimensões enormes, para um recinto de uma casa pequena e modesta. Ocupava a metade da casa.

Deitaram-se lado a lado e o homem falou de sua vida, como tinha passado, desde a última vez em que se encontraram. Tinha trabalhado como lavrador em seu próprio sítio, onde plantava frutas e verduras, vendendo-as para o soberano de seu reino. Quando detestou ficar longe de Stormgrund o suficiente para partir, recebeu a notícia da prisão da mulher. Foi para onde seu coração o chamava.

Eles se amaram como na primeira vez em que se conheceram, numa cabana semelhante a esta, mas muito mais modesta. Não tinha um quarto, possuía um cômodo, mas bastava para um primeiro encontro. Quando se separaram, a feiticeira apertou ambas as mãos do homem e sorriu.

— Quero que me prometa uma coisa, Steermgraal.

— Fale.

— Não cruze a fronteira entre nossos reinos.

— Por quê? — ele perguntou, pressentindo más notícias.

— Sua vida é preciosa, deixe que os soldados de Chalk corram os devidos riscos.

— Venha até minha terra, então. Cultivaremos milho, trigo e soja e viajaremos todos os Verões para o litoral.

Ela disse que iria pensar. Vestiram-se com calma, observando-se.

— Chalk já matou muita gente, Steermgraal.

Ele pressentiu o que ela diria.

— Chalk crucificou o marido de Gottsbruck, há quinhentos anos. Deve haver punição para ele.

— O que pretende fazer, querida? 

— Vou derrubar o castelo e combatê-lo, com meus poderes!

Ele passou a língua nos dentes. Murmurou, para si:

— Suicídio — mas a bruxa ouviu. E retrucou:

— Suicídio é deixá-lo imolar crianças e velhos, mulheres e homens em fogo!

— Ele não pode ser combatido, Stormgrund. Não com as armas de meros mortais.

— Vai me ajudar, querido? Somente Chalk possui poderes mágicos, além de mim. Gottsbruck morreu faz cem anos!

Ele a observou e disse, com tristeza no coração:

— Ajudo, se me der poderes como os que tem.

— Se isso basta para colocar os exércitos de seu monarca contra as forças de Chalk, sim. Vamos para o bosque.

Em um lugar afastado do riacho, onde os raios do Sol eram impedidos de entrar pelos galhos e troncos de árvores altas e frondosas, havia uma construção. Fora outrora um chafariz de seis andares, erigido em mármore e granito, mas, nos dias de hoje, haviam restado duas plataformas, a do topo estreita e retangular, e a de baixo, circular e de grande envergadura.

A maga apontou para o andar superior. Steermgraal subiu até o tanque vazio e esperou. Stormgrund fechou os olhos e começou movimentos de empurrar e puxar, com os braços. Uma névoa foi descendo sobre o homem. Ele observava a nuvem o envolver e deixou-se levar pelo frio que ela trazia. Um relâmpago desceu cortando uma conífera gigantesca em dois e atingiu Steermgraal. Este retesou-se apertando os maxilares. A energia do raio fez voltas e voltas ao redor dele, até que seu corpo foi levantado da plataforma. Outro relâmpago desceu e o homem explodiu em pedaços chamejantes. A escuridão voltou.

Stormgrund abriu os olhos e sussurrou:

— Renasça!

De algum lugar entre as árvores, veio um barulho leve, de passadas lentas, mas possantes. A feiticeira aproximou-se do que quer que chegava.

— Steermgraal?

— Meu nome é Helix, senhor das tempestades. Steermgraal estará de volta, ainda hoje.

Ele caminhou sem pressa pelo caminho no qual a bruxa e seu amado tinham vindo. O que quer que fosse era Steermgraal, o mesmo físico, a mesma cadência de movimentos, mas seus olhos continham algo sobre-humano, reluziam como joias. A mulher o seguiu. Saindo do bosque, os dois levantaram voo e, como seres sobrenaturais, reluziram, ofuscando o próprio Sol. 

Por cinco horas, despejaram uma chuva de jatos de fogo, lava e lançaram cargas mortais de eletricidade sobre o castelo de Chalk. Ele ruiu, mesmo sendo defendido por um escudo de energia mística que o feiticeiro criou ao redor da construção. Pedra a pedra, as torres desfizeram-se. Os soldados lançavam rochas imensas de catapultas nas ameias e saraivadas de flechas incendiárias de bestas e arcos, mas tudo foi em vão. 

Soldados a pé foram dizimados, sob o ataque dos dois heróis. Quando tudo se transformou em uma massa de escombros, Chalk surgiu de uma saída de um porão, situado sob o pátio onde suas tropas faziam treinos, no dia-a-dia. Ele caminhou, sereno, para a ponte levadiça, sobre um fosso de dez metros de largura, repleto de armadilhas letais. Atravessou-a e, posicionando-se exatamente sob os atacantes, transformou-se em uma torrente de energia térmica. Alcançou aquilo em que Steermgraal se transformara e uma esfera de extrema luz e calor foi formada. 

A bruxa se afastou da contenda, escapando da morte certa. Concentrou-se e criou uma barreira antirradiação, penetrando na esfera. Agarrou o pescoço de Chalk e abriu sua boca, querendo destroçar sua mandíbula. Ele se livrou, esquivando-se e escapando do abraço mortal. 

“Por algum motivo, ele não pode se converter em energia, no interior da esfera que nos cerca...”, Stormgrund reparou, dando um laço de rabo de cavalo em sua cabeleira desgrenhada. “Isso vai ser útil”.

A mulher olhou fixo para os olhos do mago e o colocou em transe. Ele pairava no ar, sem mover-se. Steermgraal acabava de se recuperar do golpe de calor que sofrera. Quando viu o que havia acontecido, falou para a sua adorada:

— Ordene que se destrua. Ele é perigoso, vivo.

— Pode ser que tenha alguma utilida...

— Ou eu o aniquilarei! Faltou pouco para eu ser queimado como uma brasa de carvão!

Stormgrund saiu do perímetro da esfera. Disse para Stormgrund fazer o mesmo. Em seguida, fez diminuir o diâmetro da esfera de energia, até ela tocar em Chalk, que saiu do transe, espantado. Queimava, suas roupas rasgando-se. Gritou de dor. A bruxa fez um movimento violento com o braço em direção ao Sol. Chalk, apesar de todo o poder que possuía, seguiu para a estrela, aprisionado em um invólucro energético de dor e sofrimento.

— Chega de sofrimento, não é feiticeira? — Eles desceram e o ser de olhos brilhantes voltou a ser o homem que a bruxa amava.

— Vamos comemorar! Vou dar as boas novas a meu povo!

Steermgraal apertou a mão da mulher e falou:

— Virei com uma comitiva real. Nossa gente merece festas e divertimentos!

— Estarei esperando. 

Os dois seguiram para caminhos opostos, mas quando a jovem se encontrava no limite do alcance de sua voz, gritou para Steermgraal:

— Ficaremos juntos!

Ele se virou e abanou a mão, dizendo:

— Agora é para sempre!


*Sobre Roberto Fiori:

Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro Cedrik - Espada & Sangue:

“Em uma época perdida no Tempo,

onde a Escuridão ameaçava todos,

surgiu um líder.

Destruição, morte, tudo conspirava contra.

Mas era um Homem de extremos, audacioso.

Era um Homem sem medo”. 

Dos Relatos e das Crônicas da Velha Terra.  


Em sua obra “Cedrik – Espada & Sangue”, o escritor Roberto Fiori coloca sua imaginação e força de vontade à prova, para escrever seu primeiro romance. Um livro de Fantasia Heroica, no gênero Espada & Feitiçaria, em que, em uma realidade paralela, a Terra da Idade do Ferro torna-se campo de lutas, bravura, magia e paixão.

Cedrik é um Guerreiro capaz de levantar 75 kg em cada braço e, ao mesmo tempo, de escalar uma parede vertical de mais de 20 metros de altura facilmente. Em meio a ameaças poderosas, parte para o Leste, em missão de vingança. Acompanham-no a bela princesa Vivian, vinda do Extremo Leste, e o fiel amigo Sandial, o Ancião, grande arqueiro e amigo a toda prova.

Os amigos enfrentam demônios, monstros, piratas e bandidos sanguinários. Usam de magia para se tornarem fisicamente invencíveis. Combatem demônios vindos do Inferno, no Grande Mar. Vivian é guardiã e protetora do Necrofilium, livro que contém maldições, feitiços e encantamentos em suas páginas.

A intenção do autor é continuar por anos as aventuras de Cedrik, escrevendo sobre todo um Universo Fantástico, em que bárbaros e guerreiros travam lutas ferozes e feitiçaria não é uma questão somente de “se acreditar” em seu poder, mas de realmente utilizá-lo para a batalha, como uma arma.

A obra pode ser adquirida com o autor, pelo e-mail spbras2000@gmail.com,  no site da Editora Livros Ilimitados, em livrarias virtuais e no formato de e-book, na Amazon. Os links para acessar o livro são:

1.     Americanas.com:

https://www.americanas.com.br/produto/3200481831?pfm_carac=cedrik-espada-e-sangue&pfm_index=2&pfm_page=search&pfm_pos=grid&pfm_type=search_page

2.     Submarino.com:

https://www.submarino.com.br/produto/3200481831/cedrik-espada-e-sangue?pfm_carac=cedrik-espada-e-sangue&pfm_index=2&pfm_page=search&pfm_pos=grid&pfm_type=search_page

3.     Amazon.com:

https://www.amazon.com.br/Cedrik-Espada-Sangue-Roberto-Fiori-ebook/dp/B091J3VP89/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=cedrik+espada+e+sangue&qid=1620164807&sr=8-1 

4.     Site da Editora Livros Ilimitados:

https://www.livrosilimitados.com/product-page/cedrik-espada-e-sangue

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segunda-feira, 12 de abril de 2021

Autoficção de Mariana Brecht revela thriller político e história de amor no Congo

Mariana Brecht - Foto divulgação

Obra da roteirista sai pela editora Moinhos e é inspirada na na vivência de uma brasileira durante a campanha política de um presidente autoritário da República do Congo 

Brazza, livro de estreia de Mariana Brecht, é uma auto-ficção, uma mistura envolvente de thriller político e história de amor.  Manuela desembarca em Brazzaville, na República do Congo, para supostamente trabalhar em uma empresa que constrói hospitais e cisternas no país. Ao chegar lá, a paulistana de 27 anos se vê envolvida contra sua vontade na campanha política de um chefe de Estado autoritário. Quando tem seu passaporte confiscado e seu telefone grampeado, tudo que ela quer é partir.  Pouco a pouco, ela descobre as paisagens deste país desconhecido e embarca também em uma jornada afetiva, envolvendo-se em um romance com o misterioso Samuel. O desejo de explorar estes novos territórios se opõe às suas convicções e à vontade de voltar para casa. Uma casa que talvez tenha deixado de existir no momento em que ela partiu. 

A tensão é uma constante e atravessa todas as relações de Manuela. Logo na primeira semana, ela e sua equipe precisam ser escoltados por militares até um hotel de luxo, ameaçados por um golpe de estado. Ela é logo avisada: que não confie em ninguém, sua posição no país é muito perigosa e em tudo há riscos. Ao ser exposta a um silêncio imposto pela desconfiança, a protagonista se encontra cada vez mais sozinha. Assim, flana pelas ruas de Brazza, pelos departamentos do Congo - um universo de sapeurs coloridos e sereias inventadas. Envolve-se em um romance vertiginoso com Samuel, um dos motoristas da equipe, que tem interesses ocultos na campanha de Sassou e que mostra a Manuela que as relações de dominação têm contornos muito mais sutis do que ela até então havia imaginado. A ambiguidade das amizades construídas em cima da desconfiança, o afeto enigmático de Samuel e o isolamento ditado pelos telefones grampeados acabam transformando a viagem de Manuela em uma jornada atípica de emancipação em um mundo que não pode ser salvo.  

O livro assume formas de troca de e-mails, diário e até mensagens de celular. Escrito em primeira pessoa, "Brazza" é um romance de auto-ficção inspirado em uma experiência vivida pela autora na República do Congo, trazendo uma visão cuidadosa e perplexa sobre as idiossincrasias da sua presença naquele território. O livro discute os impactos das relações de dominação entre territórios e dos resquícios de uma lógica colonial na intimidade dos personagens. A autora explora os limites da realidade, da ficção e da poesia até que as três camadas se fundam em uma só. Capa e ilustrações são da artista franco-congolesa Anne-Muanaw. Durante o mês de lançamento, a obra foi a mais vendida no site da editora Moinhos.  


Sobre a autora:

Mariana Brecht nasceu em São Roque (SP) em 1990.  É roteirista e designer de narrativas da experiência em realidade virtual "A Linha", primeira obra brasileira contemplada com um Primetime Emmy.  É graduada em Audiovisual, com especialização em roteiro, pela Universidade de São Paulo (ECA-USP) e mestra em Estratégias Culturais Internacionais pela Université Fédérale Toulouse Midi-Pyrénées. 


Serviço - Mais sobre o livro pode ser visto no link https://editoramoinhos.com.br/autor/mariana-brecht/
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domingo, 3 de janeiro de 2021

Livro "Palavra Cigana" apresenta os costumes e crenças de um povo nômade às novas gerações


Trabalho de pesquisa da autora Florencia Ferrari resultou em 6 contos mirabolantes que falam de música, medos, sorte, heroísmo e amor

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 800 mil a um milhão de pessoas no Brasil se identificam como ciganos. Apesar do surgimento há séculos, o conhecimento sobre seus costumes e crenças ainda é difuso. Neste cenário, a autora Florencia Ferrari lançou pela SESI-SP Editora o livro “Palavra Cigana”, que apresenta esse universo às nova gerações em 6 contos.

Para chegar no material, ela explica que foram analisadas mais de 300 histórias que conheceu nos tempos de convívio com o mundo dos ciganos, selecionando as mais mirabolantes. “Acreditar ou não dependerá de cada um. Dificilmente se poderá provar que elas aconteceram de verdade, pois o registro original se perdeu no mesmo instante em que foram contadas pela primeira vez”, disse.

De modo geral, os contos falam de música, crenças, medos, heroísmo e amor. Um rapaz enfrenta um inimigo para ficar com a princesa; outro recebe ajuda de um ser sobrenatural para atingir seus objetivos; uma jovem descobre que tem muita sorte; tudo amarrado por personagens carismáticos, que cantam, dançam e ganham vida nas ilustrações de Stephan Doitschinoff, vencedor do prêmio Jabuti.

Além dessas narrativas, o livro, que faz parte do acervo doado pela Cosac Naify à SESI-SP Editora, ainda traz capítulos especiais sobre os ciganos pelo mundo, histórias que atravessaram o tempo e um guia com fontes e sugestões de leitura. O lançamento aconteceu em grande estilo durante a 1ª Bienal Virtual do Livro de São Paulo, mas já é possível adquirir a obra pelo site da editora: https://www.sesispeditora.com.br 

Título: PALAVRA CIGANA

Autora: Florencia Ferrari  

Ilustrador: Stephan Doitschinoff

Editora: SESI-SP Editora

Ano: 2020

Páginas: 88

Preço: R$ 64,00 

SOBRE A SESI-SP EDITORA

A SESI-SP Editora tem como ação principal organizar conhecimento nas áreas de cultura, educação, esporte, nutrição e saúde, cumprindo sua missão de apoiar a Entidade em seus mais diversos campos de atuação. Com obras em diferentes formatos (impresso, e-book e audiobook), é referência na edição de livros educacionais, premiados, infantojuvenis, de alimentação, de histórias em quadrinhos nacionais e europeias, e de obras de interesse geral.

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sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

As lições da história em três mil anos de política


Empresário e escritor José Luiz Alquéres resgata a trajetória do pensamento político desde a sua origem a partir de personagens como Santo Agostinho, Montaigne e Hobbes

Erros do passado apenas podem ser evitados ao se refletir sobre a história. Com este propósito construtivo em relação ao futuro, o escritor José Luiz Alquéres aborda a evolução da prática política ao traçar um panorama dos eventos mais importantes no curso da humanidade. São, mais precisamente, Três mil anos de política.

Assim como o título, o livro publicado pela Edições de Janeiro é tão fascinante quanto objetivo. Em 232 páginas, o autor apresenta a história do pensamento político desde a origem, na China e Grécia, passando pelos romanos, a Idade Média, a Idade Moderna e os acontecimentos mais contemporâneos, como o fenômeno do nacionalismo, os modelos totalitários e o neoliberalismo.

Uma nova classe burguesa emerge nas grandes cidades de então.
Gente que privilegia não apenas a arte religiosa, mas também temas
mitológicos ou laicos. Gente que participa do governo de suas cidades
livres, gente que resiste a pagar taxas para reis e cortes inúteis e dispendiosas.
Gente, enfim, que elege o valor liberdade – de agir, pensar,
movimentar-se e de comercializar – a um patamar de importância não
experimentado anteriormente pela humanidade.
(P. 107, Três mil anos de política)

Renomado empresário, editor e filantropo, José Luiz Alquéres traduz a essência de cada período por meio de personagens que marcaram a evolução do pensamento político. Santo Agostinho, Spinoza, Montaigne, Hobbes e Marx, entre tantos personagens, mostram que a história da política é, também, a história da própria humanidade.

“As ideias e movimentos políticos não surgem do azul, sem um propósito específico, mas, antes, de homens, sob circunstâncias que se encontram narradas neste delicioso livro”, pontuou o advogado e escritor José Roberto de Castro Neves, prefaciador da obra, que traz, ainda, francas e corajosas críticas do autor sobre os diferentes períodos.

Depois de sumarizar as principais ideologias que prevaleceram nos regimes políticos, Três mil anos de história conduz o leitor pelos temas que dominam a atual discussão, como a crise da democracia e os efeitos da globalização. Para concluir, Alquéres não poderia ser mais eloquente ao apresentar três “razões para esperança” e os desafios, como a necessidade de garantir maior inclusão e representatividade. Uma manifestação candente de apreço aos valores democráticos. 

Ficha técnica 
Título: Três mil anos de política
Autor: José Luiz Alquéres
Editora: Edições de Janeiro 
ISBN: 978-65-87061-01-6
Páginas: 232
Formato: 16x23 cm
Preço: R$ 54,00
Link de venda: https://bit.ly/3jlT64Z

Sinopse: Três mil anos de política apresenta, de forma leve, como uma gostosa conversa, a história do pensamento político, desde a sua origem, na China e na Grécia, passando pelos Romanos, a Idade Média, a Idade Moderna e os acontecimentos mais contemporâneos, como o fenômeno do nacionalismo, os modelos totalitários e o neoliberalismo, entre outros. Nada fica de fora.
Mais que relatar fatos, apresenta de forma objetiva uma inteligente perspectiva do movimento dos pensamentos políticos, com uma corajosa e franca crítica. Garantindo a fluidez da leitura, o texto não se perde em citações ou referências. Faz melhor: conta a história.



Sobre o autor: José Luiz Alquéres é engenheiro, empresário e editor. Com formação complementar em Sociologia e uma longa vivência de trabalho junto a entidades de interesse público, associações empresariais e culturais, sempre esteve em contato direto com o meio político. Contribui regularmente com artigos avulsos e colunas semanais em jornais e é membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). Como escritor, publicou Petrópolis (Vianna & Mosley). 

 





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sábado, 5 de dezembro de 2020

Conto "A Descoberta", por Roberto Fiori


Bequalt, tal sonâmbulo, acordou ou pensou ter acordado, na escuridão da noite sem Lua. Piscou os olhos, com o braço peludo tateou ao redor e pousou a mão grande e forte sobre o ventre de sua escolhida. A barriga de Lanut subia e descia com ritmo suave, mas abrigava um feto que ainda se desenvolveria e nasceria em oito meses e meio. 

Bequalt sentiu-se em paz, despertando por completo. Os “cri-cris” dos grilos e os sons do deserto deixaram-no um tanto alerta, mas ele sabia que perigos vindos do solo arenoso, cinquenta metros abaixo, seriam incapazes de escalar a parede lisa e íngreme que era a vertente sobre a qual ele se achava.

Observou o céu noturno, encoberto e, onde as nuvens se abriam, repleto de pontos luminosos. Havia uma mancha brilhante, que iluminava a noite e o dia sem dar trégua. De dia, acompanhava o círculo feérico que era impossível de se olhar além de meio segundo. Mas era suportável observar a mancha, ela tinha duas vezes o tamanho de Iguap, a companheira imutável, sobre a qual Bequalt podia discernir água azul baça.

Ele levantou-se em um movimento fácil de balanço, apoiando-se na parede onde estava recostado. Na escuridão, ele podia ver seus companheiros, deitados no chão ou sentados junto às paredes altas que formavam o ambiente.

Ele estava irrequieto. Mesmo sabendo que tudo corria bem, foi para a plataforma de pedra que se estendia da gruta para o ar livre. Tinha grande conhecimento do mundo, era o líder do grupo de sua tribo. Cuidadoso em evitar pisar em seus companheiros e companheiras, saiu ao relento. A mancha de cor branca evidenciava alguma coisa que Bequalt podia sentir em seus dedos, deixando penetrar, de olhos fechados, em sua mente. Mas era cedo para a criatura conseguir chegar a uma conclusão complexa. Portanto, esqueceu-se da formação no céu e pôs-se a cheirar o ar noturno, deliciando-se com o aroma das areias, das rochas, das touceiras que cresciam onde havia umidade. Estavam no início da estação das chuvas e isso Bequalt comemorou em silêncio, sentindo a brisa fresca soprar do Norte, trazendo uma chuva que seria bem-vinda, após cinco meses de seca e fome.

Sua testa baixa realçava seu aspecto atarracado. Seria necessário um tempo que ninguém naquela Era podia imaginar, até que se formasse um crânio que abrigasse um cérebro de bom tamanho. E precisaria se passar um período menor, contudo, para que se descobrisse o valor de uma pedra, ou de um osso, tanto para a defesa, como para o ataque. A brisa tornou-se fria, agressiva. Mas Bequalt possuía uma camada grossa de pelos. Ignorou o vento. Andou com cuidado até a borda da plataforma e olhou para o solo. Uma luta entre um bando de chimpanzés e cinco ou seis leões se travava e era claro para a criatura que os observava quem venceria quem. E quando. Os leões eram fortes, os melhores lutadores em combate individual. Mas lutavam contra doze a quinze chimpanzés adultos, que usavam os punhos como marretas e alguns atingiam os felinos com galhos grossos de árvores, que cresciam em um oásis, dois quilômetros ao Sul.

Bequalt acocorou-se, acompanhando o decorrer da matança. Os leões estavam encurralados contra a parede de pedra e, sendo feridos com violência, faltava pouco para sucumbirem. A Lua apareceu, nesse momento, em seu esplendor. Estava cheia e era acompanhada da grande mancha branca e cintilante, que para Bequalt comparava-se a algo... ele tentava, mas era impossível criar uma palavra, em um mundo de sensações, aromas, toques e ruídos. Ele desviou a atenção da abóbada celeste e voltou-se para ver o massacre tomar forma.

Os leões caíram, foram esmurrados, espancados com a madeira dos galhos, os macacos cravaram os dentes em suas gargantas. Enquanto matavam os felinos, os macacos urravam. A luz da Lua e da mancha no céu evidenciava o sangue, espirrando das jugulares e de outras partes do corpo, à medida em que os chimpanzés continuavam a atacar. A criatura de nome Bequalt ficou na borda íngreme, agachado por uma hora, até o fim do banquete que se dava e, se alguma vez demonstrou ter detestado presenciá-lo, o fez para si mesmo.


--//--


Na manhã seguinte, os outros o encontraram sentado na plataforma de rocha, as pernas cruzadas e o tronco curvado sobre si. Acercaram-se dele, cheiraram-no, grunhiram e o cutucaram com os dedos em forma de garra. Lanut sentou-se ao seu lado. Bequalt piscou os olhos cansados, ele havia conseguido adormecer de manhã, por meia hora, até os companheiros o acordarem. Olhou para a mancha branca entre as nuvens esfarrapadas. Lembrou-se da forma que um bosque de árvores tomara, certa noite, ao ser atingido por raios, a claridade cegante levando os troncos e galhos a tal estado, que lembrava de alguma forma a mancha no céu, quando as centelhas eram substituídas por madeira que explodia em fogo vermelho e branco.

Aproximou-se no precipício e observou o que restara da carnificina. Madeira esfacelada, restos de carne e ossos. Havia um caminho no interior do monte, que levava ao sopé dele, duzentos metros ao Sul de onde ocorrera a batalha. Como líder do grupo de criaturas, Bequalt passou entre elas e fez sinal para acompanharem-no. Desceram pela escuridão, tateando com os pés e as mãos o chão e as paredes de rocha e terra. Um trovão se ouviu.

O líder estava satisfeito, a chuva chegara. Porém, eles se encontravam tão isolados do exterior, que o som das pancadas de chuva nem chegava até eles. Havia somente o ribombar distante dos trovões.

Três leopardos saltaram das sombras. Traiçoeiros, haviam chegado sem ruído, as patas almofadadas sem deixar ecoar qualquer som. Bequalt gritou, os outros o acompanharam, os berros servindo para confundir os leopardos. O líder agarrou as duas patas dianteiras de uma das feras e manteve suas presas à distância. Os urros dos animais eram ensurdecedores. Um dos membros da tribo atacado tivera o rosto desfigurado pelas presas de um leopardo. A segunda besta abocanhara o estômago de outro. 

Bequalt via o que acontecia com o canto dos olhos. Sabia o que fazer. Entrecruzou as patas de seu inimigo uma contra a outra e as despedaçou. Agarrou o queixo e os pelos do topo da cabeça da fera e, usando sua enorme força, esmagou-a contra a parede de rocha. O leopardo caiu sem vida a seus pés. O líder dos seres esmurrou sem parar o segundo leopardo, imitado por outros três companheiros, que se lançaram contra os dois animais. Os outros faziam como Bequalt o fizera com o primeiro felino, seguraram as patas dianteiras e traseiras, suspenderam os animais e lançaram-nos ao solo. Apertaram as gargantas deles, até sufocarem-nos. O líder procurou sua escolhida. Lanut estava encolhida por trás de uma rocha, afastada no caminho por onde os outros desceram.

Arfando, viram o que sobrara das feras. Os dois companheiros feridos de Bequalt haviam sucumbido, porém. Ele esperou até todos descansarem e recomeçou a descida, os outros o seguindo em fila indiana. Lanut vinha por último, mas era por prudência. Ela tinha medo do deserto, da mancha no céu. Mas dos animais com que lutava e convivia, isso não. E havia seu filho para manter a salvo, seu e de Bequalt. Ele dobrou uma esquina e viram-se ao ar livre. Havia um mastodonte, caminhando sem pressa junto a um riacho, que crescera em volume com a chuva. 

Um clarão foi visto, a Nordeste. O líder correu. Lanut o seguiu, a alguns metros de distância do amado. Os restantes resolveram acompanhá-los. Uma árvore ardia em chamas. Seu tronco havia sido dividido em pedaços, que queimavam no chão. Bequalt bateu com as mãos em um deles, até extinguir o fogo, e agarrou-o. Encostou-o ao restante do tronco, de pé e queimando, e o bastão que segurava se iluminou, em chamas. Foi quando o líder sorriu, o primeiro sorriso que ele e sua tribo davam em milênios. Havia fragmentos de rocha espalhados ao redor da árvore e ele os recolheu. Espalhou-os aos pés dos membros da tribo. A forma era a da mancha, a cor era a de Iguap, o círculo que podia ser visto, tudo isso Bequalt percebeu em sua mente...

— Fogo! — ele pronunciou, sem titubear. — Sílex! Fragmentos de sílex! 

Os outros o entenderam. Agarraram, cada um, dois pedaços de rocha e puseram-se a bater uns contra os outros, até fagulhas saltarem dos fragmentos. Aproximaram-se do tronco e dos galhos partidos que não haviam queimado e puseram-se a experimentar, experimentar... até que, sob uma chuva torrencial, presenciaram o surgimento de chamas amareladas, subindo da madeira que teimava em permanecer de pé...

Naquela noite e nas posteriores não tiveram de passar frio. Puderam assar e cozinhar. Possuíam o dom de fabricar o fogo! Bequalt, Lanut e seis homens caçaram um mastodonte, usando pedras de sílex e lanças que fizeram e atearam fogo. O jantar estava maravilhoso, quente como ninguém jamais havia experimentado.

Bequalt e Lanut passaram a noite em altos brados, no interior do monte. Mas os brados eram de amor, e não de dor.


*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem.

Para adquirir o livro:
Diretamente com o autor: spbras2000@gmail.com
Livro Impresso:
Na editora, pelo link: Clique aqui.
No site da Submarino: Clique aqui.
No site das americanas.com: Clique aqui.

E-book:
Pelo site da Saraiva: Clique aqui.
Pelo site da Amazon: Clique aqui.
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