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sexta-feira, 26 de julho de 2019

Sobre o Conto “Marciana Idiota”, de John Wyndham

John Wyndham - Foto divulgação
*Por Roberto Fiori
 
Duncan Weaver precisava de companhia. Estava aposentado do trabalho de tripulante de espaçonave, então fora-lhe oferecido um trabalho em uma Estação de Carga em Trânsito, uma sub-lua de Calisto, por sua vez, a segunda lua de Júpiter. Lá, ficaria por cinco anos, ganhando cinco mil libras por ano. Ao fim desse período, poderia juntar o dinheiro e partir para uma vida boa de aposentado em Marte.

Duncan comprou a filha de um marciano, por mil libras. Desnecessário dizer que isso era altamente ilegal, essa transação. Tivera de arranjar um lugar extra, na nave que o levaria de Marte a Júpiter II/IV, o planetoide onde iria passar cinco anos em companhia de Lellie. Lellie era uma marciana muito atraente, para os habitantes de Marte. Mas Weaver não concordava. Considerava-a uma marciana idiota, pois seu rosto não se alterava, tinha uma sobrancelha torta e era quase muda. Falava de uma maneira estranha: em vez de “sim”, dizia “tsim”, por exemplo. Isso deixava Duncan extremamente exasperado. Weaver teve outros gastos com a marciana: suprimento alimentar para cinco anos para Lellie, ao custo de mil libras; uma certidão de casamento, para que não se pensasse que Duncan tinha a intenção de vendê-la. Eram as leis antiescravagismo. Para isso, somente 10 libras seriam necessárias. Também vestuário fora necessário para Lellie, o que custara mais 100 libras. Além disso, haviam os honorários do agente da companhia para qual Weaver trabalhava, e que exigia 100 libras como salvaguarda para o investimento da aquisição de Duncan. Por fim, Duncan Weaver teve de desembolsar mais 100 libras para pagar ao agente alfandegário. No total, foram desembolsadas 2.310 libras, muito mais do que o valor inicial da aquisição.

Os marcianos eram um povo antigo, tinham surgido em Marte milhões de anos atrás, quando o planeta vermelho ainda tinha uma atmosfera e rios e mares abundavam em sua superfície. Mas o planeta perdera sua atmosfera e a água secara. O mundo estava condenado a ser um deserto. Por isso, Lellie tinha imenso respeito pela água. E os marcianos não eram idiotas, apenas deixavam as coisas seguirem seu rumo. Em Júpiter II/IV, uma estação fora construída, contando com duas cúpulas, uma principal, onde havia ar e calor; e outra, fria e sem atmosfera. Vários apetrechos e mantimentos tinham de ser separados e acondicionados nas duas cúpulas, cada objeto na devida cúpula.
O trabalho na estação espacial não era penoso. As células solares, com seu motor solar, ficavam um pouco afastadas das cúpulas. Não era necessário vistoriá-las, eram autossuficientes, e mesmo que o motor deixasse de funcionar, enviariam um foguete de Calisto para substituição. O trabalho inicial na cúpula principal consistia em organizar as coisas que Duncan trouxera. Cada objeto e suprimento em seu devido lugar. Isso ocupou boa parte do tempo de Duncan, a princípio.

Mas a atitude de Lellie era a mesma, sempre. Ficava quieta, sem falar, sem perguntar, sem sorrir, sem rir, sem esbravejar com raiva. Um dia, Duncan quis que Lellie dissesse as palavras corretamente. O pouco que ela falava, sempre vinha acompanhado de um “t” no início de algumas palavras. Ele insistiu, insistiu, ela não conseguiu; e ele a esbofeteou com força no rosto, lançando-a longe na sala da cúpula, pelo ar no ambiente de baixa gravidade. Ele a agarrou, colocando-a novamente sobre seus calçados magnéticos, para ela não continuar a flutuar pelo ar. E, ao insistir com ela, ela se esforçou ao máximo. E conseguiu dizer “sim”. Então, Duncan falou para ela sorrir. Ela tremeu os cantos da boca e, perante a fúria que se apoderou de Weaver, defendeu-se dizendo que os marcianos não podiam “franzir” a boca como os terrestres. Duncan perdeu a calma e avançou contra ela, que tinha apenas um metro e meio de altura e só podia cobrir o rosto com as mãos para se proteger...

Um dia, uma nave trouxe um visitante inesperado. Era o Dr. Alan Whit, geólogo, um cientista, que passaria um ano no planetoide, fazendo estudos sobre as rochas de Júpiter II/IV. O Dr. Alan tratou Lellie como uma terrestre, respeitoso e gentil com ela. Ensinou-a a ler, o que a marciana o fez com muita rapidez, apesar de não conhecer quase a língua terrestre. Ficaram amigos. Duncan Weaver entrou em confronto com Whit, acusando-o de colocar ideias na cabeça de Lellie, ao ensiná-la a ler. Agora, Lellie fazia perguntas, e isso perturbava Weaver. Alan falou que Duncan era o tipo de pessoa atrasada e inferior, e que não era à toa que só conseguira arranjar aquele tipo de serviço, na meia-idade. Os dois ficaram tensos, mas em um ambiente de gravidade quase zero, era desaconselhável uma luta. Ambos podiam se machucar seriamente.

Em uma de suas viagens de prospecção de rochas, Whit não mais voltou. Lellie passou dias junto à janela de observação da cúpula, olhando para a superfície do planetoide e para o espaço, com o Sol e as estrelas. Sua expressão não se modificara: seus olhos continuavam redondos e grandes, mas parecia que haviam perdido o brilho, tinham recuado para dentro. Duncan ficou com receio de que Lellie tentasse se vingar dele. Portanto, cada vez que saía da cúpula para executar alguma tarefa, levava tubos de oxigênio extras. Também colocava rochas em quantidade contra a porta exterior da cúpula, para que não houvesse nenhuma tentativa da marciana de trancá-lo fora da estação. E ficava de olho em Lellie, quando ela fazia a comida para os dois. Ela tinha de comer o mesmo que ele. Depois de semanas de vigilância, Duncan percebeu que nada ocorreria. Lellie não guardara rancor homicida contra ele. E, quando alguma espaçonave descia no satélite, Lellie não abria o bico, espalhando mentiras sobre o suposto fato de Weaver ter assassinado o seu amigo.

Passaram-se os anos. Finalmente, chegou o dia em que Duncan iria voltar para Calisto e, de lá, seguiria para Marte, onde usufruiria do dinheiro que acumulara em cinco anos. Porém... Lellie tinha outras ideias em mente. Quando Weaver saiu para fazer alguma coisa sem muita importância, mas que precisava ser feita, na volta encontrou a porta externa da cúpula fechada. Tentou forçar a entrada e não conseguiu. Além de ter trancado a porta, Lellie provavelmente teria deixado a porta interna aberta, e a pressão do interior da cúpula impedia a porta externa de abrir para dentro. Com o aparente esquecimento de Lellie em relação ao desaparecimento de Whit, Duncan não mais colocara rochas para obstruir a porta de saída da cúpula. Foi o seu erro.

Duncan tentou, primeiro, dialogar com a mulher. Não conseguiu resultados. Em seguida, desligou, na cúpula secundária, os cabos de alimentação que conectavam a cúpula onde Lellie estava com o motor solar. Apesar de a temperatura baixar, Lellie vestiu seu traje espacial e não foi afetada pela queda vertiginosa de temperatura. Depois, Duncan tentou ativar o maçarico ligado por um longo cabo à cúpula secundária e tencionou abrir caminho à força, cortando a parede da cúpula principal. Ele teve de voltar e ativar novamente a energia, pois o maçarico não funcionava sem que a cúpula principal recebesse energia.

Lellie era inteligente, muito mais do que Weaver poderia imaginar. Armou um dispositivo de detonação ligado a bastões de dinamite e controlável pela perda de pressão do ar dentro da cúpula onde ela estava. Caso houvesse um vazamento de ar, e a pressão se alterasse no interior, a bomba explodiria toda a cúpula. Duncan começava agora a enfrentar seu mais novo inimigo: Lellie havia desligado o sistema de aquecimento do traje espacial do marido. Ele estava morrendo de frio, simplesmente, não por falta de oxigênio, pois Lellie não havia tocado nos tubos de ar da roupa espacial de Weaver.

E assim, Duncan Weaver não pôde admirar o que sua mulher havia conseguido fazer, por acreditar, no final, que os marcianos eram idiotas porque não utilizavam todo o seu intelecto.

E Lellie, depois de constatar a morte de Duncan, através da janela de observação, pôs-se a contar o quanto ganharia como viúva: cinco mil libras ao ano, a um juro composto de seis por cento ao mês, durante cinco anos, o que a tornariam uma marciana muitíssimo bem de vida.

“Marciana Idiota” (“Dumb Martian”) foi publicada pela primeira vez em 1956, na antologia “As Sementes do Tempo” (“The Seeds of Time”) e, posteriormente, na edição de 1985, portuguesa de mesmo nome.

John Wyndham Parkes Lucas Beynon Harris (1903-1969) foi um escritor inglês de Ficção Científica, que usou vários pseudônimos, combinações de seus próprios pre-nomes, e foi melhor conhecido como John Wyndham. Suas maiores obras foram “The Day of the Triffids” e “The Midwich Cuckoos”, estas duas obras sendo adaptadas para o cinema. “The Midwich Cuckoos” foi lançada nas telas como “The Village of the Damned” e no Brasil foi traduzida como “A Aldeia dos Amaldiçoados”. John Wyndham participou da invasão da Normandia, não nos primeiros dias da invasão, mas em dias posteriores.

John Wydham nos conta, na história “Marciana Idiota”, como seria o futuro, em que o racismo contra marcianos e contra possivelmente outras culturas de nosso Sistema Solar, seria comum. Duncan Weaver, um homem sem nenhuma cultura, que trabalhou a vida toda como tripulante de espaçonaves, sem adquirir qualquer tipo de conhecimento sobre a vida dos marcianos, considerava-os “idiotas”. E teve ocasião de extravasar sua ignorância e preconceito contra Lellie, o que teria consequências drásticas, para ele.

No futuro próximo, a dominação de povos inteiros por “Homo-Gênios”, com um Q.I. acima de 180, será talvez, incontrolável. Hoje, vemos isso, na política, na religião, de forma que não somos totalmente invulneráveis a esse controle. As mensagens subliminais na televisão nos levam a comprar cada vez mais. Os jornais, se não forem direcionados como centristas, nos influenciam na tomada de decisões — não mais tanto os jornais escritos, que são lidos por uma parte menos significativa da população, mas a Internet como um todo nos faz pensar de acordo com o que os jornalistas escrevem.

É de modo estarrecedor a forma como um povo pode ser levado a cometer atrocidades, devido a uma política de seu governo de subjugar e atacar minorias. Na Segunda Grande Guerra, mesmo em países um tanto afastados do centro do conflito, japoneses italianos e alemães foram perseguidos, existindo mesmo campos de prisioneiros em sete Estados brasileiros. Neles, dez campos de prisioneiros abrigaram 3.000 pessoas que, por serem de etnia pertencente aos países do Eixo, eram mantidas, até certo ponto, isoladas. Mas podiam sair dos campos para fazer compras, tocar em festas, enfim, os campos brasileiros não eram absolutamente como os campos de concentração nazistas. Em compensação, escolas com nomes alemães foram obrigadas, no Rio Grande do Sul, a mudarem seus nomes, durante a Segunda Guerra. E houve discriminação contra estes três povos citados, de uma forma que chega às raias da humilhação e perseguição, em todas as faixas etárias. Em outros países, a perseguição foi maior.

Quando houver um chip de memória cerebral a ser implantado no encéfalo da população, que armazene somente aquilo que os governantes queiram que seus povos saibam, sem a possibilidade de pensamento livre e escolha, teremos então a verdadeira e absoluta forma de repressão do Estado. Mesmo a democracia, como existe hoje, não é totalmente livre: existem casos em que os governantes exercem poder de controle sobre a população. Basta ver o que ocorre no mundo, democrático ou não, com o fato de que todos os homens e mulheres que possuem um Cadastro de Pessoas Físicas (C.P.F.) e um Registro Geral (R.G.), têm, desde tenra idade, um controle por parte dos governos.
Pessoas que se julgam verdadeiramente livres não estão à parte de um controle. Um fato que é claro é o das câmeras de vigilância no Brasil. Até 2014, existiam 1,5 milhão de câmeras instaladas em muros das ruas, lojas, estabelecimentos, gerenciadas pela Polícia Militar, e, mesmo hoje, os próprios moradores se mobilizam para investir nesse tipo de segurança que, apesar de ser cara, não é perfeita.

O fato seria digno de aplausos, se não fosse o fato de que tais sistemas de segurança podem levar à prisão de pessoas inocentes, por semelhança com criminosos. Para se deslocar de sua residência, até o trabalho, pelo menos dez câmeras de monitoramento nas ruas vigiam o trabalhador. Mas, o que adianta tanta vigilância, se sabemos que o sistema prisional brasileiro não recupera ninguém, pelo contrário, transforma um réu primário em um criminoso reincidente, por não haver um programa de recuperação de criminosos que funcione no país?

Deveriam haver formas mais duras de se reprimir o criminoso. Bandidos de colarinho branco dificilmente são presos por muito tempo, ou nem são detidos. Há tratamento diferenciado para presos com nível universitário, por exemplo. Os verdadeiros Senhores do Crime Organizado comandam suas ações não de fora das cadeias e penitenciárias onde se encontram, mas de dentro delas. Fora, há o perigo maior de serem mortos por facções rivais.

Ainda, além de a população dos grandes centros urbanos se encontrar em difícil situação de segurança, há o caso da violência contra a população, alvo de casos como o Massacre da Candelária, no Rio de Janeiro, e os casos de esquadrões da morte, que agiam no país, anos atrás. Deve-se investir no preparo dos policiais, seu trato com a população, onde devem punir severamente os culpados e proteger de forma exemplar o povo, à mercê dos criminosos.

Quando, em um futuro distante, viermos a colonizar todo o Sistema Solar, talvez o monitoramento de toda uma população solar seja algo difícil de se efetivar. Mas, nessa época, com o avanço exponencial da tecnologia, poder-se-á controlar o crime de modo mais eficaz, sem o comprometimento com a privacidade e a segurança da população.

*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem.

Para adquirir o livro:
Diretamente com o autor: spbras2000@gmail.com
Livro Impresso:
Na editora, pelo link: Clique aqui.
No site da Submarino: Clique aqui.
No site das americanas.com: Clique aqui.

E-book:
Pelo site da Saraiva: Clique aqui.
Pelo site da Amazon: Clique aqui.
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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

“Meteoro”, sobre um conto fantástico de John Wyndham

Foto divulgação
*Por Roberto Fiori

Era noite. Graham Toffts e a noiva, Sally, estavam jantando, quando o estrondo sacudiu a casa e estremeceu as janelas. O pai de Sally, o senhor Fontain, chegou um pouco depois e disse que algo havia caído na terra, além do pomar. Vira um brilho incandescente no solo, de onde estava. Desenterraram a coisa: parecia realmente um meteoro metálico, muito pesado, e o trouxeram para dentro de casa, na garagem. O inspetor chegou dentro de algum tempo. Não gostou da ideia de terem mexido com o que quer que tivesse caído do céu. Poderia ser outra coisa, além de um meteoro, e ele tinha ordens de não mexer ou mover qualquer objeto misterioso que viesse do céu. Eram ordens do Ministério da Guerra, e só este órgão tinha permissão para tal. O inspetor parou no portão da garagem e ouviu um silvo. Graham aproximou-se do objeto e ouviu. Sim, o silvo vinha do que quer que tivesse vindo do espaço. Decidiram afastar-se dali.

Forta, um lugar no espaço. Talvez um asteroide. Mas estava entrando em decadência, o lar dos alienígenas. Decidiram lançar, então, vários globos, cada um com sessenta centímetros de diâmetro, com quase mil indivíduos cada, para povoar outros mundos. Pelo telescópio, Onns observara a Terra e vira que seria um lugar promissor, para passar o conhecimento a outros povos e se espalharem e se desenvolverem pela superfície do planeta.

Um gato entrou na garagem dos Fontain. Chegou perto do objeto esférico de metal e agachou-se. Pestanejou. Observou os pequeninos seres que haviam saído da espaçonave e esmagou mais de dez com a enorme pata. Em seguida, pisou o chão mais uma vez e, então, estremeceu, sacudindo-se todo. Tombou no solo e aí ficou.

Onns e o restante da tripulação haviam descido da nave e, horrorizado, ele vira quando a terrível criatura esmagara por duas vezes mais de dez de seus colegas. Sunns, o chefe da expedição, morrera, ao atirar contra o monstro preto, matando-o, e fora esmagado pelo seu corpo, que caíra sobre si. Inns substituiu Sunns como chefe. Dirigiram-se, os que sobraram da missão, para um lugar abrigado da garagem, onde ficaram protegidos. A nave havia sido levada por homens do Ministério da Guerra e os alienígenas estavam abandonados à sua sorte, sem água ou comida. Em breve morreriam de fome, se nada fosse feito.

Inns organizou outro grupo, para explorar o local onde estavam. Havia uma série de túneis. Neles, mataram várias criaturas enormes, de seis e oito patas, horrendas, mas que só eram perigosas quando davam botes. Ninguém foi ferido. Mesmo assim, ao chegarem do lado exterior da garagem, depararam-se com um grupo de seres cinzentos, de quase a metade do tamanho do gato. Antes de matarem todos, em uma luta feroz, quase todos os diminutos extraterrenos foram mortos pelas criaturas. Eram ratos.

O globo foi serrado ao meio, no Ministério da Guerra. Uma casca metálica sólida externa de quinze centímetros de espessura recobria o interior. Dentro, depois da casca, havia uma camada de dois a três centímetros de um pó fino isolante, muito interessante. Semelhante a um favo, uma série de células vazias se espalhava em uma camada muito flexível semelhante a borracha, dentro de uma outra parede metálica interna mais fina que a externa. Além, uma camada de cinco centímetros de favo, desta vez contendo uma outra série de células bem maiores que as da camada externa, repletos de tubos em miniatura, espécies de sementes minúsculas, várias espécies de pós desconhecidos e, fora tudo isso, não havia mais nada, estava tudo vazio.

Isso foi o que Graham Toffts disse a Sally e ao pai dela, o senhor Fontain, do lado externo da casa, dois dias depois da queda da espaçonave. Mitty, a cadela de Sally, fora atrás de alguma coisa no jardim e não voltara. Sally a encontrou morta. Depois, queixou-se ao noivo e ao pai que tinha sido picada violentamente. Graham descobriu os seres espaciais e apanhou um deles. Estranhamente, parecia-se com um inseto de asas, com dois olhos nas bordas de cada asa e que, quando se sentou na palma da mão de Graham, este sentiu uma dor aguda na mão.

O que os humanos fizeram, então? Trataram de despachar seres de mais de um milhão de anos de desenvolvimento científico e tecnológico com um pulverizador de inseticida.

Esta é a história trágica “Meteoro” (“Meteor”) do genial escritor inglês John Wyndham, um dos principais autores de Ficção Científica do Século XX. Publicada na antologia “The Seeds of Time”, em 1956, por Wyndham e, posteriormente, em 1985, pela Editora Caminho Ficção Científica, na antologia “As Sementes do Tempo”.

O choque entre culturas aqui não é observado. Por sua grande inferioridade de tamanho, os alienígenas são alvo de animais, aracnídeos, ratos, formigas, cachorros e... o Homem. Confundidos com insetos venenosos, foram pulverizados com inseticida, ao fim de uma longa série de ataques que sofreram, por parte da fauna local, na garagem e no jardim da casa do senhor Fontain.

O que causa estranheza é o fato de os minúsculos seres não terem detectado nenhuma forma de vida ao chegarem ao nosso planeta, quando acordaram de seu sono anestésico a que foram submetidos antes da viagem pelo Universo. Estes alienígenas, com um milhão de anos de cultura e história, deveriam no mínimo ter previsto a existência de criaturas belicosas, como os humanos, na Terra, ou outra raça, em outra espécie de planeta.

Um povo com tamanho avanço tecnológico, que possa construir naves coloniais estelares nas quais uma população de mil indivíduos possa ser transportada em suspensão anestésica, necessariamente teria meios de estudar, analisando com equipamentos ultra-avançados de radioastronomia os planetas escolhidos para espalhar sua Civilização. Por outro lado, tais seres deveriam estar estudando a Terra há dezenas de anos, talvez, pois eles se localizariam muito provavelmente a dezenas de anos-luz de distância. Lembro que Onns observou a Terra de um telescópio em seu planeta (talvez um simples asteroide). Portanto, a luz que chegara a ele demoraria cem anos para ser captada pelo telescópio, caso a distância entre os dois planetas fosse de cinquenta anos-luz, o que é muito pouco, em se tratando de distâncias astronômicas.

Também é válido afirmar que uma raça como a destas minúsculas criaturas insectoidais teria de possuir meios de se comunicar conosco há anos. Depois de mil anos — o que corresponderia a uma distância de 500 anos-luz para uma mensagem chegar até nós e ser enviada de volta —, nós já estaríamos preparados para recebê-los amigavelmente.

Porém, se um povo extraterreno, na situação de quase catástrofe em que seu planeta se encontrasse — como parece ser o caso —, se localizasse a uma distância de mais de quinhentos mil anos-luz, sua mensagem de contato levaria mais de um milhão de anos para ser enviada e recebida por eles. Mas a Civilização humana não teria despontado na Terra na altura da chegada da transmissão, e eles mesmos nunca poderiam ter enviado tal mensagem, pois dispunham de apenas um milhão de anos de avanço evolutivo.

A situação é mais que clara: primeiro, os seres extraterrenos do conto de Wyndham teriam de ter enviado mensagens para a Terra há pouco tempo, para que o avanço tecnológico dos humanos na Ciência do radiotelescópio tivesse se desenvolvido o suficiente e, assim, nós poderíamos ter recebido suas mensagens via rádio; segundo, os extraterrenos precisariam de meios para detectar a presença de vida em outros planetas, mesmo que a distâncias astronômicas. E, mesmo nesse caso, só poderiam localizar vida em outros mundos, a partir do momento em que a luz, ou as ondas de rádio, ou a alteração na região do espaço próxima ao planeta estudado, com a emissão de energia em alta concentração, fossem detectadas.

A situação enfrentada pelo Homem é similar. Estamos destruindo nosso planeta, extraindo reservas naturais, desmatando florestas, poluindo a terra, o ar e os oceanos e destruindo o plâncton (que é o principal responsável pela fotossíntese) que vive nos mares. Fazendo do nosso solo um solo destruído em matéria de diversidade de alimentos, na medida em que hoje as culturas transgênicas são largamente utilizadas. E culturas transgênicas deixam o legado de o solo na área em que um determinado tipo de cultura plantada só aceitará no futuro tal cultura de plantação transgênica...

Estamos milhares de anos atrás de uma tecnologia que nos leve a Alfa Centauri. Nem mesmo conseguimos chegar a Marte. Viagens a Marte são impossíveis, no atual estágio de desenvolvimento humano. O cálcio presente nos ossos humanos é perdido irreversivelmente na ausência da gravidade.

E isso parece ser um “segredo” que poucas pessoas conhecem.


*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem. 

Para adquirir o livro:
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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Tempo de Descansar, sobre o conto de John Wyndham

Marte: o planeta vermelho. Nos fins do Século XIX, Giovanni Schiaparelli descobriu, por meio de seu telescópio, que Marte possuía linhas em sua superfície. Estava certo de que eram “canais”, construídos por uma civilização avançada. Pensava-se que Marte comportava água na superfície. Hoje, descobriu-se água congelada nas calotas polares de Marte, água associada a rochas abaixo de sua superfície e há um leito seco de um antigo rio, com indícios de vida antiquíssima.
Poderá um dia Marte vir a comportar vida, novamente?
*Por Roberto Fiori

Marte. Uma época mítica, em que canais de oito milhas de largura carregavam água pura por milhares de milhas pelo interior do planeta. Onde uma raça pacífica, benevolente e que um dia conviveu com os Grandes, construtores dos canais, das cidades agora em ruínas e dos edifícios imponentes também em ruínas, vivia em paz consigo mesma e com os terrestres que vieram da Terra.

Bert Tasser viera na última expedição a Marte, e vira a Terra se destroçar e partir em pedaços. Duas garotas vieram com os homens da missão. Agora que os homens não poderiam ter mulheres como na Terra, lutaram pela posse das garotas. Assassinatos foram perpetrados, até que o comandante da expedição as executasse. Os assassinatos cessaram, por fim, para alívio de todos.

Em Marte, os homens se instalaram em povoados. Os primeiros colonizadores haviam explorado os marcianos, julgando-os fracos — sua constituição física era inferior em força, em relação aos terrestres, devido à gravidade de Marte ser menor à da Terra — e indolentes. Até que se compreendesse o verdadeiro espírito pacífico dos marcianos, isso continuou.

Agora, os homens e os marcianos conviviam em paz. Bert tinha vergonha do que os primeiros colonizadores humanos fizeram com os pobres marcianos. Mas, por ironia do destino, os homens, vítimas de sua solidão e saudade da Terra, e falta de objetivos e metas a alcançar em Marte, haviam sucumbido — muitos deles — à bebida, nos povoados criados por eles. Bebiam até a morte.

Bert Tasser preferiu o isolamento. Aprendeu as artes de funilaria e carpintaria, construiu seu pequeno barco e abandonou a vida junto aos humanos. Lançou-se pelos canais, navegando em águas plácidas entre as moradas dos marcianos. Tornara-se amigo de todos, respeitado pelos seus serviços que oferecia, consertando panelas, enxadas e instrumentos agrícolas avariados, portas quebradas, enfim, qualquer coisa em troca de seu sustento.

Annika, uma mulher marciana de meia-idade, mas que não aparentava nem de longe sua idade verdadeira, disse a Bert, quando ele estava consertando os utensílios da família dela, que vivia junto a um edifício em ruínas ao longo do canal:

— Não é bom ser sozinho. Na juventude parece ser bom, mas é melhor estar junto. Mais tarde, uma companhia fará falta.

Mencionou sua filha Zaylo ao terrestre. No dia seguinte, Tasser viu com outros olhos a filha de Annika. Não mais a viu como uma criança que crescera, era realmente uma pessoa especial. Mas, durante a noite que desceu sobre a casa de Annika, Bert saiu para o ar livre, quando acabou de jantar com a família dela, brandira o punho para as estrelas indiferentes e chorara, frustrado e desesperado por não haver mais um lar para ele, uma Terra tirada de si por um infortúnio de natureza desconhecida.

E partiu na manhã seguinte, antes dos outros acordarem, continuando sua peregrinação rumo aos outros ajuntamentos de marcianos, ao longo do canal.

Annika tranquilizou Zaylo, dizendo:

— Ele voltará. E quando voltar, seja terna com ele. Os terrestres têm corpos grandes, mas por dentro há crianças perdidas.

Esta é a breve sinopse do conto “Tempo de Descansar” (“Time to Rest”), do grande escritor de Ficção Científica inglês John Wyndham, que teve uma continução: “No Place Like Earth”, publicada na antologia “No Place Like Earth” em 2003. A dramatização de ambas as histórias se concretizou em 1965, na série televisiva da BBC “Out of Unknown”, em que cada episódio continha uma história completa diferente. “Tempo de Descansar” foi publicada em 1985, em Portugal, na coletânea de contos de John Wyndham “As Sementes do Tempo” (“The Seeds of Time”).

Você poderia passar o resto de sua vida sozinho? Não digo fisicamente. Você poderia ter o estilo de vida solitário, tendo apenas de pagar uma empregada para manter a casa limpa, sendo que você poderia fazer as compras de mantimentos, fazer sua comida, pagar as contas via Internet, receber visitas, trabalhar em casa ou no emprego fora de sua residência, retirar dinheiro do banco, dirigir, cuidar enfim, de todos os problemas inerentes a uma vida de solteiro.

Mas... e quanto ao aspecto psicológico? Pode-se aguentar uma vida solitária até uma certa idade, mas o convívio com outra pessoa pode vir a ser necessário. Ou uma vida com um animal de estimação, um cachorro, ou um gato. Dar amor e receber amor. Dar afeto e, em troca, receber atenção e agrado. Isso é tão importante quanto ir ao supermercado, comprar comida e fazer seu almoço, sozinho. Talvez mais importante.

O homem tem o instinto de preservação. Ele deve se manter, sozinho ou com a ajuda de outros, é questão de sobrevivência e de uma vida razoavelmente confortável. Mas a psique, o aspecto emocional da vida de uma pessoa, é vital. Viver sozinho exige um temperamento diferente. Alguém que não suporta viver em sociedade pode se virar muito bem sem o seu semelhante, até que precise ir ao hospital ou ter alguém que o transporte, quando seu automóvel der o alerta: PANE – PANE – PANE!

O homem é um animal social. Necessita de seus semelhantes, para conversar, se relacionar, conviver, nem que seja por pouco tempo juntos. Mas a alternativa a um ser humano é um animal. Um animal de estimação que não cobre nada e dê o afeto que um animal pode dar. Um amor sem necessidade de cobrança.

Bert Tasser, bem como afirmou Annika, iria voltar para Zaylo. A família de Annika era de boa índole. Recebiam bem Tasser, tratavam-no com cortesia, afeto e educação. Respeitavam-no e ouviam suas histórias sobre a Antiga Terra. Zaylo ficara triste, quando Bert fora embora. Mas ele voltaria. Para uma vida de descanso, para constituir uma família com a filha mais nova de Annika, após quatorze anos de viagem pelos canais de Marte, em busca de paz.


*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem. 

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sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Flor Silvestre, sobre o conto de John Wyndham

O passeio de um astronauta no espaço: a troca de peças e equipamentos nos antigos ônibus espaciais e nas estações espaciais fazem desta imagem algo emblemático: não apenas a imagem da Terra nos traz à consciência que o globo azul é o único planeta conhecido com vida inteligente, como nos faz lembrar que a vida humana é efêmera e muito frágil, em nosso vasto Cosmos.
O trator, perto de Miss Fray, fazia um barulho irritante, assim como o jato que cruzava com barulho ensurdecedor os céus. Mas, mais do que irritação, para Miss Fray tudo o que provinha do avanço tecnológico era ruim e pernicioso. Ela entrou na sala de aula, onde os pequenos alunos esperavam pela professora. Olhou para a sala e cruzou seu olhar com a flor.

Estava sobre sua mesa, e era tudo, menos comum. Tinha um quê de orquídea, mas era mais delicada e diáfana. Textura muito aveludada, dando uma sensação de fragilidade sutil ao toque. A cor das pétalas era clara, mas sem tender ao amarelo, ao azul e ao vermelho, as cores primárias. Havia pontos de uma cor que se diria que a flor estava “ruborizada”. Elegante, sem ser sofisticada; nada igual às despretensiosas flores do campo ou às flores cuidadosamente cultivadas em um jardim.

Miss Fray olhou para ela quase hipnotizada por um tempo. Deu sua aula, como de costume, e depois chamou uma menina loura, que soubera ser a que tinha colhido e dado a flor à professora. Fray quis colher uma muda da planta e decidiu ir com a aluna até o local onde ela a havia trazido à escola.

Um acidente se dera, no local onde a flor crescera: um avião, levando combustível nuclear constituído de cobalto para um hospital no Oriente Médio, caíra. Quase matara a jovem professora, que durante algum tempo ficara em estado de choque e tivera mais ódio e medo da tecnologia que havia projetado o avião e todas as coisas de um nível de sofisticação moderna, como aviões e tratores.

Miss Fray chegou junto com sua aluna ao local onde a flor crescera, mas não poderia jamais plantar outra muda. Um assistente do fazendeiro daquelas terras onde a flor viera a crescer havia espalhado veneno sobre as mudas. Disse que as sementes daquela flor não podiam se misturar às de outras plantas.

Miss Fray detestava a tecnologia, mas esta havia dado origem à mais bela e delicada flor silvestre que jamais encontrara em sua vida.
Esta é a sinopse do conto “Flor Silvestre” (“Wild Flower”), do grande escritor inglês de Ficção Científica John Wyndham, autor de romances como “The Day of the Triffids”, adaptado para as telas do cinema e para a televisão, e “The Midwich Cuckoos”, um clássico na Ficção Científica de terror, traduzido como “A Aldeia dos Amaldiçoados”. “The Day of the Triffids” trata da ameaça aos seres humanos de grande parte da espécie vegetal do planeta, que devora e mata homens, mulheres e crianças. A água salgada do mar é a solução para deter as formas vegetais canibais. “The Midwich Cuckoos” nos fala de uma vila onde, após certo dia, os nascidos adquirem poderes paranormais — e, ao se tornarem crianças, dominam a mente das pessoas, fazendo-as agirem da forma como querem. E o que querem? Dominar o mundo. Também têm o poder de ler mentes, mas um homem, interpretado em uma primeira versão para o cinema por Gary Cooper, e depois em um “remake”, por Christopher Reeve, consegue derrotar as crianças, detonando uma bomba quando todos esses “estranhos seres” estão reunidos. Sacrifício, no mais puro dos sentidos.

O conto “Flor Silvestre” aparentemente é destituído de conteúdo aprofundado. Uma flor, crescendo sob a influência da radiação de uma amostra do elemento cobalto, exercendo atração irresistível sobre uma professora, devido à sua rara beleza.

O que está em jogo nessa obra é que, além de ser muito bem contada, é nos fazer pensar em algo que está latente em nós, desde o momento em que o ser humano inventou o fogo, a agricultura, a roda, a alavanca, a roldana. A tecnologia desenfreada, que faz com que através dos tempos venhamos a ter menos controle sobre ela, cada vez menos.

Homens, mulheres e crianças morrem todos os dias devido a falhas mecânicas de instrumentos, máquinas, dispositivos elétricos, acidentes automobilísticos e ferroviários/metroviários, queda de aviões e, o que é mais chocante e abominável: o uso indiscriminado de armas, tanto em regiões com ausência de conflitos armados, mas de criminalidade detestável, como nas guerras.

O homem lucra muito com a venda de armas. Um dos negócios mais lucrativos do mundo, ao lado da produção de drogas e de medicamentos. E a elaboração de armas é um dos flagelos da Humanidade, desde que o Homem utilizou uma pedra para ferir seu semelhante, ou uma tíbia de animal para matar seu irmão-humano. Existe algo na essência do ser humano que o torna agressivo e violento. Mesmo o mais pacífico dos homens pode ser acometido de um acesso de fúria e agredir uma outra pessoa. A genética é parte da explicação, além das influências do meio onde vive. O convívio com pessoas violentas no dia-a-dia torna um homem naturalmente pacato em alguém agressivo; pessoas sem estrutura psicológica e amadurecimento emocional podem —  e eu preciso reiterar nesse ponto, elas apresentam a probabilidade de — ser influenciadas por jogos de computador violentos e que estimulem a violência, ou por filmes e séries de televisão que mostrem comportamentos muito violentos.

Há os que dizem que a liberdade de expressão justifica a ausência de uma intervenção da censura nos filmes e séries de curta-metragem, bem como em desenhos animados violentos. Isso é controverso. Em no mínimo um caso documentado, houve o desencadeamento de crimes sexuais letais idênticos ao apresentado no filme “Laranja Mecânica” (“A Clockwork Orange”), de Stanley Kubrick. O genial diretor de “2001 – Uma Odisseia no Espaço” se tornou amargurado por isso, não havia levado em consideração que cenas de estupro e sadismo do filme fossem imitadas à perfeição por indivíduos com tendências criminosas. Foram registrados muitos casos desse tipo, após o lançamento do filme, na década de 1970.

A violência da sociedade não é algo fácil de se lidar. Pode-se pensar que somente nas sociedades humanas, onde há tecnologia e genética que nos faz propensos a matar e ferir, isso ocorre. Na natureza, chimpanzés são capazes de caçar outros animais, atacando em bando, sendo invencíveis. Mesmo um gorila, nesse caso um único, não é páreo para dez chimpanzés enfurecidos. Somente o elefante e o hipopótamo são capazes de enfrentar um grupo de chimpanzés.

Entre os insetos, a violência é parte da vida. Na luta entre uma vespa do gênero Pepsis e uma tarântula, esta perde, sendo ferroada e devorada pelas larvas que a vespa inocula na aranha. Um louva-deus fêmea devora a cabeça do macho, logo após o acasalamento. Acaba comendo-o inteiro, por fim. Aranhas fêmeas de um certo tipo devoram o macho, este muito menor e mais fraco, se este não for cuidadoso e, após acasalar com a fêmea, não fugir apressadamente. Exércitos de formigas se enfrentam em uma guerra onde milhares, ou mesmo milhões de seres minúsculos dotados de veneno são a forma mais letal de vida que existe na Natureza. Agem em conjunto, e qualquer criatura que caia nas garras dessas formigas está condenada.

Mas, e o Homem? Ele pode converter a superfície da Terra em um deserto, basta alguém começar um jogo nuclear letal, provocando outra potência nuclear com um ataque. Também vimos cidades como Alepo, na Síria, serem convertidas em escombros, unicamente devido à guerra civil, entre o governo de Bashar al Assad e opositores a seu regime, fazendo milhares de vítimas entre civis. Neste caso, armas convencionais foram utilizadas somente, o que foi mais do que suficiente para transformar o maior centro comercial da Síria em destroços.

Nesse ponto, poderíamos pensar: a tecnologia, hoje, está a serviço do bem ou a serviço da destruição e morte? As duas coisas. Tanto em conflitos limitados convencionais, sem o uso de armas nucleares, mas com o uso de todo o tipo de armamentos, como armas químicas, como em hospitais, onde elementos radioativos são utilizados em marcadores que emitem radiação, em tomografias. Até mesmo um aparelho de Raios-X utilizado em consultórios odontológicos é exemplo de como a tecnologia nuclear pode ser usada na paz.

Ser completamente contra o uso da tecnologia, hoje, é desprezar os benefícios que ela nos traz. Como viveríamos hoje, sem a Informática e a Internet? Retrocederíamos anos e anos no tempo e nunca alcançaríamos milagres, como remédios que levam pacientes aidéticos a terem qualidade de vida por muito tempo, por exemplo. A Medicina, a Engenharia, a Astronomia, a viagem espacial não-tripulada por sondas espaciais, o estudo da superfície da Lua e de Marte por astronautas e veículos de superfície controlados remotamente, os satélites, os telescópios, a produção cada vez maior de alimentos, necessária para suprir as necessidades de pelo menos uma parte de nossa população excessiva, onde um bilhão de pessoas sofrem de fome crônica. Sem a tecnologia atual, desastres como a fome seriam de proporção infinitamente maior.

Quem poderá dizer o que haverá no mundo de amanhã? Podemos sobreviver com a ajuda da Ciência, bem como podemos nos destruir com seu lado negro — lado que é criado pelo Homem, através das armas.
Mas é lógico que nunca veríamos os milagres de vacinas como as contra a gripe e contra a pneumonia, e coquetéis anti-AIDS, ou vacinas contra a febre amarela, sem o uso consciente da tecnologia.


*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
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