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sexta-feira, 11 de março de 2022

Conto "Líder dos Povos do Deserto", do autor Roberto Fiori

 

“Faz quantos dias que caminho entre dunas e afloramentos rochosos?” — penso, a ilusão da dúvida me fazendo companhia. — “Sessenta, ou setenta?”

Com meu bordão de madeira de lei, sustento-me contra o vento, que começa a soprar forte. A areia me obriga a abaixar a máscara visual de plástico, que veda boa parte do rosto. À distância, animais se movem. Devo procurar abrigo. O deserto é uma péssima opção para viajantes desarmados. Pode lhes quebrar a espinha ou arrebentar-lhes o crânio.

Vejo um pequeno rochedo, a entrada de uma caverna, a uns mil e quinhentos metros, a Oeste. Reúno minhas forças e ando a passo acelerado. As criaturas ao Sul estão no limite de minha visão. Sem sentir medo, galgo uma duna baixa e continuo por um caminho suave, sem subidas ou descidas. Elas já me viram, as feras. Pesadas e grandes, são o que aparentam serem. Trotam em minha direção. Sem ter como me defender, a única chance que possuo é abrigar-me nas grutas.

Passam-se os minutos. O vento sopra forte, ameaçando tornar-se uma tempestade. Se ela me apanhar, duvido que terei alguma chance, mas é preciso continuar tentando. Começo a correr. Isso é desaconselhável, a respiração pesada força as partículas de areia que entram na máscara não hermética, a penetrarem nos pulmões.

Não creio que minhas chances sejam boas. 

--//-- 

Na gruta, um par de olhos espreita por entre rochas. Viram o humano, há cinco minutos. O quê, ou quem é aquilo que os vê, não faz a mínima diferença. Está preparado. Conta os segundos. No centésimo, deixa de os contar e senta-se em seu trono de rocha. Se ele se preocupa com o viajante, não dá mostras disso. Tira do bolso uma raiz de “minceto” e começa a roê-la, os olhos vermelhos vigilantes esperando.

De alguma maneira, há um sentido em observar a vida, sem participar dela. A espera pode ser útil ou educativa. O que vem a seguir é uma incógnita... Noum sabe disso. Previu a chegada do estranho. É hora de se retirar. Guarda o bastão de “minceto”, levanta-se e caminha para dentro de uma de suas cavernas. Suas, sim. Por herança, por conquista, pela defesa que armou, caso algum Destaval queira penetrar à força na rocha. 

Na entrada, a pedra está gasta e polida pelo vento. Nos labirintos que levam ao subterrâneo, a água faz o papel do vento, ao esculpir o seu interior. Do alto de vinte metros, Noum repara que a cascata que outrora caía em abundância sobre uma piscina azul-esverdeada diminuiu sua vazão pela metade. Nota que um tronco de uma árvore-do-subsolo impede a passagem do liquido, na boca de entrada que abastece os seres-do-deserto, os que têm afinidade distante com Noum ou são parte direta de sua família.

“O nômade poderia fazer muito pelo Povo da Caverna”, ele pensa, cogitando que, sem a ajuda de dois bíceps extras, não conseguirá mover o tronco.

“Se outra madeira se interpuser naquela passagem da parede do alto salão, será impossível arrancá-la da passagem. Sim, teria de convocar os membros de todas as tribos das cavernas para retirar a madeira e desimpedir a água de descer”, refletiu. Pensa no nômade. Se for de boa índole e educado nas línguas dos Povos do Sul e do Oeste, deverá ser civilizado. Mas, se vier do Norte ou do Leste, isso será um problema”.

Com seus ouvidos apurados, distingue as passadas finais do homem, chegando à entrada da caverna. O vento troa, mas é impossível dificultar a audição de Noum. Ele é o chefe de sua família, o que significa que, para conquistar aquele lugar na hierarquia dos Povos do Sul, possui qualidades excepcionais. A audição ultrassensível é uma de suas características.

Dirk é seu nome, um nome como qualquer outro. Nem sobrara homem algum do Norte que risse dele, nem restara criatura que não ouvisse falar dele. Ele é um Homem, com particularidades próprias. Poderia sobreviver a, no máximo, três semanas sob o impacto da areia, em tempestades do deserto em que não se consegue enxergar mais de dois metros, à frente. Isso é, por si, um feito glorioso. Poderia plantar qualquer alimento na areia, que nasceriam brotos, e dos brotos, vinha a comida que qualquer viajante do deserto perdido daria seus dois braços para obtê-la.

Aprendera por duas décadas todas as formas de luta, corporal ou armada, enquanto viajava em uma astronave de guerra de Setis Major, defendendo seu quadrante contra piratas espaciais e armadas de adversários de Setis. A astronave aguentara impactos que teriam reduzido a energia térmica qualquer planeta do Sistema e infligira danos irreparáveis aos inimigos. Por fim, num ato de misericórdia, desintegrara uma a uma cada ameaça que surgira, vinda da ponte interdimensional a dois anos-luz de Setis Major Major, o planeta principal do aglomerado de sóis e planetas, que constituíam uma fonte de riqueza ambicionada por bilhões.

Mas quem dirigia a astronave-capitânea era inclemente. Aos trinta anos, como era princípio e praxe, Dirk fora expulso da nave em um escaler para um homem, com suprimento suficiente para três semanas. Se ele conseguisse sobreviver, teria conseguido o que poucos o fizeram. E em Sandome, planeta natal de Noum, pousara e iniciara sua jornada.

As tribos estavam em guerra. Dirk se oferecera como soldado no território dos homens e lutara em muitas batalhas. Em nove anos de estadia em Sandome, ele ganhara uma única cicatriz, no braço esquerdo. Há dias, viajara com uma caravana militar para as terras ao Oeste, mas criaturas reptilianas não civilizadas do subsolo do deserto acabaram com todos, exceto ele. E, sem comida ou água, Dirk acreditara que sua sorte havia mudado. Seria destruído pelo deserto ou pelos horrores que habitavam as cavernas a meio caminho entre o Norte e o Oeste?

Penetrou na gruta. Era baixa a entrada, com duas dúzias de lugares onde um invasor podia ser morto, vindo do deserto. Vislumbrou uma entrada e ouviu um marulhar de água.

“Água!”, pensou, sem acreditar. Adentrou a gruta e viu-se em um local alto. Abaixo, o abismo o separa da superfície fervilhante de água gelada, que cai de uma abertura acima de onde ele se encontra.

— O que queres aqui, soldado? — a voz é profunda e grave, mas sincera e amigável. Dirk vira seu corpo em direção a um rochedo e espera. Por trás da pedra maciça, um ser que dá na altura dos joelhos do Homem se revela, rodeando-a. Possui pele acetinada, cinzenta, e veste um manto fino de aparência desconhecida para Dirk.

— Agora não sou um soldado, amigo. Sou um sobrevivente do deserto de Sandome. Teria um pouco de água para saciar minha sede?

— Alguns tentam tomá-la à força.

— Não sou este tipo de guerreiro.

— Hmmm... — resmungou Noum, entrecerrando os olhos. Era óbvio que o humano viera para fazer outra coisa, que lutar. Sua aparência, percebeu a criaturazinha, era péssima. — Diga-me o que pensas, eu direi quem és. Diga-me o que pretendes, eu direi quem não és. Velho ditado terrestre.

— Conhece a Terra, a Velha Terra?

— Estive em muitos lares, muitas moradas. Nenhuma se compara ao globo azul e marrom, o lar dos homens e das feras. Sim, humano, és um ser curioso, que abandonou ou foi abandonado além da órbita terrestre, para teu azar.

O Homem esperou, até Noum começar a andar. Acompanhou-o a dois metros de distância, agora nem tão tenso como antes. Descem uma escadaria que rodeia a cascata em espiral, até a piscina. A criaturinha estende o braço e um cálice de metal brota do chão, enchendo-se de água, que flui da piscina até o recipiente, levitando.

— Podes tomar a água, se me ajudares em um pequeno problema.

Dirk acocorou-se na margem de seixos cinzentos e perguntou qual era ele.

— Já deves ter visto a entrada da água para este salão.

— Sim.

— Viste o imenso tronco que bloqueia parte da passagem?

O Homem respondeu, assentindo:

— Outros troncos virão.

— É o que penso, também. A água não mais escoará.

Dirk afirmou:

— Com cordas, podemos puxar a madeira, para que caia na piscina. Então, será possível arrastá-la para aquele poço e deixá-la lá.

— Minhas forças estão no fim. Falta pouco para eu deixar este mundo. Precisarei da ajuda de muitos. E da sua.

— Posso beber, agora?

— Sim. 

--//-- 

De onde havia entrado no salão, Dirk lançou por várias vezes cordas, para que ficassem presas em raízes do tronco, mas a tarefa era difícil. Depois da quinquagésima tentativa, achou outro jeito de chegar até o escoadouro. Levou algum tempo, mas ele conseguiu produzir compridos e resistentes espigões a partir de ossos de animais que o Povo de Noum trouxe para o salão.

Com fibras de cactos, fervidos e amolecidos, Dirk levou seis horas para, com a ajuda de Noum e alguns outros, fabricar cordas resistentes o bastante para suportar o seu peso. Um osso resistente serviria de martelo. Foi desse modo, que ele, a partir da plataforma onde encontrara Noum pela primeira vez, que, batendo os espigões com o osso contra a parede da caverna, pôde subir até o escoadouro.

Deu dez nós resistentes em cada corda de fibra de cacto, amarrando-as em doze raízes espessas as cordas, deixando a extremidade destas penderem até o solo. Fez o caminho de volta, pisando nos espigões fincados no paredão, e desceu a escadaria de pedra.

— Com a força de cinquenta de vocês, deverá surtir efeito. Noum, vamos puxar as cordas!

De início, foi difícil. O tronco tinha se prendido de tal modo na passagem, que era de se prever que nada conseguiria mover a madeira. Outros do Povo das Cavernas chegaram, os que as habitavam em um vasto complexo subterrâneo em continuação às moradias do subsolo de Noum.

Vestiam-se de modo simples, sem luxo. Dirk experimentou vinho feito de cactos e ervas que cresciam nas margens e no interior de lagoas, dezenas de metros abaixo da superfície.

— Está ótimo, Noum, jamais bebi algo que ao mesmo tempo me deixasse eufórico e sem os efeitos do álcool terrestre. Nas naves de Setis Major Major, deviam ter me dado óleo lubrificante para o motor das astronaves. Isso aqui é algo anos-luz mais avançado que qualquer vinho ou whiskey que eu já tomei na vida. Um brinde a todos!

Quando o salão ficou repleto com o Povo do Deserto, e, nos túneis além da área da piscina as criaturinhas mais fortes arranjaram espaço para puxar as cordas, ouviu-se um barulho. Foi um “crack”, um ruído de quebrar. Dirk teve receio de que as raízes se soltassem.

Mas, ao contrário do que ele acreditava, o tronco começou a sair do escoadouro, palmo a palmo. Dirk gritou “mais força!”, e isso resultou em um gemido alto, que das gargantas dos seres das cavernas tornou-se uma última demonstração de força bruta. O tronco deslizou com facilidade, as irregularidades de sua casca grossa cedendo, partindo-se. A tora de madeira veio em velocidade e o Homem gritou:

— Saiam do salão, do contrário serão esmagados!

Foi desnecessário o aviso. Todos sabiam do perigo e, em cinco segundos, o espaço ficou vazio. Dirk permaneceu na saída do salão para os túneis que levavam a outras cavernas e salões, muitos deles contendo água. Dirk reparou na quantidade astronômica que Noum possuía do líquido, e comentou, quando tudo acabara e mais de um terço da quantidade atual de água jorrava para a piscina:

— Noum, essa água é preciosa. Devem mantê-la em segredo, para que não invadam este complexo de túneis e cavernas e se apropriem desse tesouro.

— Sabemos disso. Todo o Povo do Deserto possui tal riqueza, no subsolo. Ninguém sai para a superfície há anos e anos... O que fará, após essa ajuda que nos deu? Voltará para o Norte, onde os homens vivem, ou tentará o Sul e o Oeste?

—Voltarei para o Norte. Pensei em trabalhar para os homens-lagarto, com seu espaçoporto no extremo Oeste para me levar a outros planetas. Mas preciso voltar para a Terra. Um globo azul e marrom... — ele riu baixo. Lá, encontrarei a paz.

— Então, vá em paz! Você aumentou a quantidade de água, aqui nas cavernas. Aumente seu conhecimento, viaje, faça conhecidos e boas amizades!

Dirk ajoelhou-se sobre uma perna e deu a Noum uma esfera pequena.

— Conhece isto?

Noum abanou a cabeça, sua curiosidade ficando cada vez mais forte, ao reconhecer as cavernas semi soterradas, o Deserto e as regiões montanhosas do Leste.

— Onde conseguiu isto?

— Ganhei de uma amiga querida, no Norte.

— Deve ser uma amiga especial.

Dirk sorriu.

— Tenho de encontrá-la, caso não tenha partido para outro planeta. Fique com o globo, não me fará falta. Tenho dinheiro para ir até a Terra e voltar, cinco vezes.

— Boa sorte, o Deserto o acompanhará!

Dirk acenou, na abertura de saída do complexo de Noum, e virou-se. Chuva cairia, seria uma bênção dos Céus para os homens. Para outros, em Sandome, era fonte de vida, somente.

Noum permaneceu na saída por uma hora, até a chuva começar a cair. Nessa altura, o Homem havia desaparecido no horizonte próximo da Grande Duna, que cercava as várias saídas das cavernas da criaturinha. Esta se transformaria de líder dos Povos das Cavernas, entre o Norte e o Oeste, para líder dos Povos do Deserto de todo Sandome.

 


SOBRE  O AUTOR:
Roberto Fiori é um escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Roberto Fiori sempre foi uma pessoa que teve aptidão para escrever. Desde o ginásio, passando pelo antigo 2º Grau, suas notas na matéria de redação eram altas, muito acima da média. O que o motivava a escrever eram suas leituras, principalmente Ficção Científica e Fantasia. Descobriu cedo, pelo mestre da Fantasia Ray Bradbury, que era a Literatura Fantástica que admirava acima de qualquer outro gênero literário.

Em 1989, sob a indicação de uma grande amiga sua, Loreta, que o escritor conheceu a Oficina da Palavra, na Barra Funda, em São Paulo. E fez uma boa amizade com o maior professor de literatura que já tive, André Carneiro. Sem dúvida alguma, se não fosse pelo André, Roberto nos diz que jamais saberia o que sabe hoje, sobre a arte da escrita. Nos cursos que ele ministrava, o autor aprendeu na prática a escrever, as bases de como tornar uma mera história de ficção em uma obra que atraísse a atenção das pessoas.

“Futuro! – Contos fantásticos de outros lugares e outros tempos” é uma obra parte Fantasia, parte Ficção Científica, parte Horror, e que poderá vir a se tornar realidade, quer em outra época, no futuro, quer em outra dimensão paralela à nossa. Vivemos em um Cosmos que não é o único, nessa teia multidimensional chamada Multiverso. Ele existe, segundo as mais avançadas teorias da cosmologia. São Universos Paralelos, interligados por caminhos ou “wormholes” – buracos de minhoca. Um “wormhole” conecta dois buracos negros, ou singularidades, em que a gravidade é tão elevada que nada pode escapar de sua atração gravitacional, nem mesmo a luz. Em tais “wormholes”, o tempo e o espaço perdem suas características, tornam-se algo que somente pode-se especular e deduzir matematicamente.

“Futuro! – Contos fantásticos de outros lugares e outros tempos” é uma coletânea de treze contos e noveletas. Invasões alienígenas por seres implacáveis, ameaças vindas dos confins da Via Láctea por entidades invencíveis, a luta do Homem contra uma raça peculiar e destrutiva ao extremo, terrível e que odeia o ser humano sem motivo algum. Esses são exemplos de contos em que o leitor poderá não enxergar qualquer possibilidade de sobrevivência para o Homem. Mas, ao lado de relatos de pesadelo, surgem contos que nos falam de emoções. Uma máquina pode apresentar emoções? Ela poderia sentir, se emocionar? Nosso povo já esteve à beira da catástrofe nuclear, em 1962. Isso é realidade. Mas e se nossa sobrevivência tivesse sido conseguida com uma pequena ajuda de uma raça semelhante à nossa em tudo, na aparência, na língua, nos costumes? E que desejaria viver na Terra, ao lado de seus irmãos humanos? Há histórias neste livro que trazem ao leitor uma guerra milenar, que poderá bem ser interrompida por um casal, cada indivíduo situado em cada lado da contenda. E há histórias de terror, como uma presença, não mais que uma forma, que mata, destrói e não deixa rastros. 
Enfim, é uma obra de ficção, mas que poderá vir a se revelar algo palpável para o Homem, como na narrativa profética da destruição de um planeta inteiro.

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