Quem foi Charles Dickens?, por Ademir Pascale

Charles Dickens "Com poucos anos de idade, Dickens carregava o peso de sustentar a devedora e pobre família." *Por Ademir Pasc...

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quarta-feira, 18 de julho de 2018

Editora Desdêmona: incentivo e espaço para as vozes femininas na literatura

Luciana Lhullier - Editora-chefe da Desdêmona
Em 1847, aquela que seria uma das principais obras da literatura inglesa estava para ser publicada. O romance Jane Eyre, de Charlotte Brontë, foi revolucionário para a época de sua publicação, mas logo que saiu não era o nome da autora que acompanhava o livro, e sim, o pseudônimo Currer Bell. A escolha de um nome não feminino foi justamente para evitar cair nas restrições literárias dos críticos da época em livros escritos por mulheres. De lá para cá já se passaram mais de 170 anos, mas ainda existem certos pensamentos pré-concebidos que a própria sociedade impõe às publicações femininas, o que leva muitas vezes ao desencorajamento de novas obras por elas.

J.K Rowling ficou conhecida pela autoria da famosa saga do bruxo "Harry Potter", mas a britânica foi aconselhada pelo seu editor a não usar seu nome inteiro, Joanne Kathleen, e sim, apenas as suas iniciais para não afastar o público alvo, que eram meninos. Desde 2009, a organização americana VIDA realiza uma pesquisa anual sobre a percepção a respeito das mulheres em revisões de críticos literários, e apesar dos avanços em comparação com a época de Charlotte Brontë, as escritoras ainda são menos revisadas em relação a obras assinadas por homens.

Para incentivar e apoiar a escrita feminina, nasceu em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, uma editora voltada para as mulheres. A Editora Desdêmona é uma iniciativa da autora Luciana Lhullier, conhecida pelas suas obras "No Coração da Floresta" e "A Casa de Dentro e Outras Loucuras". Segundo ela, as mulheres são maioria no mundo e desempenham múltiplas funções diariamente, mas ainda têm pouco destaque em relação ao gênero masculino na literatura brasileira e esse é um fator que deveria ser questionado no país.

"Por conta de pesquisas, sabemos que 72% dos escritores brasileiros são homens. Seria esse um indicativo de que as mulheres não escrevem ou simplesmente não são publicadas? [...] Acredito que as mulheres escrevam, mas suas oportunidades de publicação são menores que as dos homens, por diversas razões, inclusive a de não imaginar que isso seja possível. Diante disso, abrir uma editora para elas faz sentido", explica a autora.

A inspiração para o nome da editora vem da personagem Desdêmona, presente na obra de William Shakespeare, "Otelo, o mouro de Veneza", que através da narrativa e do trágico desfecho, deixou sua marca no cenário literário. Para Luciana, "poucas são as oportunidades das mulheres mostrarem seus textos sem precisar se enquadrar em categorias consideradas (injustamente) menores dentro da literatura", para isso a editora servirá como um o espaço onde as vozes femininas encontrem apoio e encorajamento.

As coisas que as mulheres escrevem

A ideia principal é dar oportunidades para as mulheres na literatura, por isso a Editora Desdêmona vai realizar uma seleção de contos, crônicas e poemas feitos por mulheres que serão publicados sem custo algum para autoras. Os trabalhos irão fazer parte da coletânea "As Coisas que as Mulheres Escrevem", e está aberto para todas que desejam publicar seus textos e assim inspirar novas vozes femininas na literatura. Poderão ser enviados trabalhos de qualquer local do país, que passarão por uma seleção onde será escolhido quais farão parte da coletânea. Para participar basta enviar o seu texto de até cinco páginas, seguindo o regulamento, para o e-mail editoradesdemona@gmail.com até o dia o dia 15/10/18.

Os textos deverão ser enviados em formate PDF, acompanhados por uma fotografia da autora e uma biografia de até dez linhas. Serão aceitos contos de até 15 páginas, crônicas de até 05 páginas e poemas (um ou mais de um) que ocupem até 05 páginas. As autoras com trabalhos selecionados não precisaram pagar nenhuma taxa sobre a publicação, porém os direitos autorais serão cedidos à editora.

Confira o edital do projeto no link: https://goo.gl/AUTmyT e acompanhe a página Editora Desdêmona, no Facebook, para saber mais sobre o projeto.
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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Por que ler As Brumas de Avalon?

Por Fernanda Mellvee


“Todas as mulheres são, na verdade, irmãs para a Deusa”
 (Marion Zimmer Bradley, As Brumas de Avalon).

      Marion Zimmer Bradley, em As Brumas de Avalon, soube com muita competência criar personagens femininas com características distintas, pontos de vista e objetivos completamente diferentes, mas todas dotadas de forte personalidade e capazes de lutar por seus ideais, tornando os Cavaleiros da Távola Redonda, assim como seu rei, meros coadjuvantes. Outro aspecto interessante nesta obra é a reflexão que a autora faz sobre a condição feminina no início da Idade Média, abordando temas como casamento por conveniência, homossexualidade, liberdade sexual e aborto, que eram bastante discutidos na época em que o livro foi escrito, nos meados da década de oitenta. Os excertos abaixo exemplificam o questionamento a respeito de liberdade sexual e do casamento por amor e não por conveniência:

“E por um momento de paixão iria arrastá-lo a um compromisso para toda a vida? Os costumes das festas tribais eram mais sinceros, um homem e uma mulher que tivessem o sol e o luar no sangue podiam juntar-se, como queria a Deusa, e mais tarde, se o desejassem, morar juntos e criar filhos, depois pensava-se em casamento. Sabia, no fundo do coração, que não tinha realmente vontade de casar-se com Lancelot, ou qualquer outro. ” (BRADLEY, 2008, p.98-99).

“O que estou fazendo? Será apenas por ter me falado em nome da Deusa, de sacerdote a sacerdotisa? Ou será apenas porque, quando ele me toca, ou me fala, eu me sinta mulher e viva novamente, depois de todo este período em que me senti velha, estéril, semimorta, neste casamento com um homem morto e uma vida morta? (...). Pensou num desafio: Sou uma sacerdotisa, meu corpo é meu, para ser dado em homenagem a ela! ”
(BRADLEY, 2008, p. 145).
 Morgause, Morgana e Viviane, as três grandes personagens do romance na adaptação cinematográfica
     Além da discussão sobre o papel da mulher no início da Idade Média, que nos leva a uma reflexão sobre a condição da mulher na atualidade, com As Brumas de Avalon, Marion Zimmer Bradley nos apresenta um mundo diferente, repleto de crenças, onde a magia se une à religião e o Cristianismo e o Paganismo dividem o mesmo espaço. Em síntese, todos estes elementos distintos e, até controversos, contribuíram para tornar esta obra fascinante e tão atual, apesar de retratar uma época remota e de ter sido lançada há mais de três décadas."

Referências:
BRADLEY, M. As Brumas de Avalon. Rio de Janeiro: Imago, 2008.


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