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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Bruna Giroldo, o livro Lua – A princesa da Lua e o Portal da Escrita, por Sérgio Simka e Cida Simka

Bruna Giroldo - Foto divulgação
Fale-nos sobre você.

Eu nunca havia pensado em me aventurar pela escrita, até que pedi exoneração do meu cargo público na prefeitura de São Paulo, e decidi prestar vestibular para medicina. Após três meses estudando para a prova que seria no final do ano, eu tive uma ideia para um livro, comecei então a escrevê-lo. Dessa ideia, surgiram dois contos que foram selecionados em dois concursos diferentes e publicados em coletâneas pelas editoras Illuminare e Andross. Criei então o Portal da Escrita com dicas para escritores e iniciei a minha jornada literária, na qual estou até hoje. A literatura é um caminho sem volta (risos).

ENTREVISTA:

Você é editora do Portal da Escrita. Fale-nos sobre ele. O que a motivou a desenvolvê-lo?


Quando comecei a escrever, eu senti a necessidade de aprimorar o meu processo de criação e a escrita em si, no entanto, não encontrei muito material gratuito e de qualidade na internet brasileira, precisei pesquisar em sites da Europa e Estados Unidos.
Conforme ia aprendendo, eu relatava esse aprendizado no blog do Portal da Escrita, que depois foi crescendo até que criamos nossas oficinas, concursos, o nosso “Game Literário” que já vai para a terceira edição em 2019, sempre com foco na parte criativa da escrita, e agora também, com foco na imagem pessoal e marketing para escritores, aumentado as possibilidades de publicação para os nossos alunos.
Por esse motivo, lançamos o nosso primeiro treinamento 100% on-line que é o CTI (Centro de Treinamento Intensivo) para Escritores que já conta com mais de cinquenta alunos em menos de um mês de lançamento. E aborda desde questões básicas de escrita e criatividade (os primeiros sete módulos são inteiramente gratuitos) até questões como redes sociais para escritores, divulgações e posicionamento profissional.
E tem muito mais vindo por aí!
Você é também escritora. Fale-nos sobre seus livros.

Meus livros são um misto de fantasia, ficção científica e adoro adicionar umas pitadas de teorias da conspiração, mas tudo com uma pegada menos sombria devido ao meu público ser em sua maioria jovem. Eu geralmente intercalo livros mais leves com foco nos adolescentes e outros com um teor um pouco mais forte para o jovem adulto. Todos os livros que escrevo têm alguma inspiração em alguém que conheço, geralmente nas minhas filhas, irmã e primas, todas têm entre dois e quinze anos, também vou escrever um inspirado em meu irmão, que vai descobrir isso agora.

Ideia não falta, tenho um livro sendo lançado agora pela editora Bookish, que é o “Lua - A Princesa da Lua”, que conta a história de uma garota egoísta que precisa aprender a lidar com suas atitudes impensadas para manter a terra em segurança, seguido de “Avenida Liberdade, 1249”, que aborda o bullying nas escolas e em janeiro, o meu projeto inicial, aquela ideia que me fez começar a escrever, que é o “NOM - As Crônicas de Theo Bernard”. Para ser sincera, tenho ideias rascunhadas para lançar livros por uns quinze anos (risos).

No entanto, demorei três anos até chegar nesse ponto da minha carreira. Eu cheguei a enviar originais para diversas editoras e recebi boas e más propostas de publicação, no entanto, nenhuma topava fazer o que eu queria, que era proporcionar uma experiência de leitura totalmente diferente e interativa. Foi então que eu conheci a editora Bookish e apresentei os meus projetos a eles, tanto os do Portal da Escrita quanto os meus pessoais, e além de conseguir essa parceria, eu ainda entrei para o time da Bookish como diretora de Marketing e Diferenciação tendo em vista a execução desse plano e dessa experiência que é como chamamos a “Experiência Bookish”. Somos uma editora tradicional, e contamos um time incrível de profissionais e blogs parceiros, são mais de 130 atualmente e esse é só o começo.

Você faz coaching literário. Fale-nos a respeito.

O coaching literário surgiu em minha vida quando fiz a minha primeira formação em coaching. Eu queria auxiliar os alunos do Portal, de forma mais efetiva e o coaching é perfeito para isso, pela sua amplitude, ou seja, ele não cuida apenas das questões estratégicas da escrita, mas de todo o processo desde a estruturação da ideia, até questões como: motivação, propósito, posicionamento pessoal e profissional, enfim, tudo o que o escritor precisa para iniciar na carreira e, principalmente, se manter nela. E um diferencial, todos os coachees (pessoa que contrata um processo de coaching) que atendemos no Portal, recebem como bônus a consultoria de marketing e diferenciação e a publicação de sua obra pela editora Bookish.

Como analisa a questão da leitura no país?

Acredito que a leitura no país está crescendo e evoluindo cada vez mais. O nosso público leitor mudou, e está composto em grande parte pelos jovens. Podemos (e devemos) explorar isso. Por esse motivo, acredito que o escritor também precisa evoluir em questões como postura e interação, usando e abusando das redes sociais para criar a sua própria rede de leitores. É um bom cenário para se aventurar, com consciência e estratégia, obviamente.

Quais os seus próximos projetos?

Continuar publicando meus trabalhos. Levar as oficinas do Portal para as escolas públicas gratuitamente, esse é um sonho que precisa de muito apoio. E temos um projeto grande para escritores vindo por aí, com uma formação completa, mas ainda é segredo, precisa acompanhar o Portal para saber mais (risos). Mas uma coisa eu garanto, será incrível!

Nossos links:
(Nossa rede social principal é o Instagram, mas também estamos no facebook)
Instagram pessoal: https://www.instagram.com/giroldobruna/
Instagram do Portal: https://www.instagram.com/portaldaescrita/
Instagram da Bookish: https://www.instagram.com/editorabookish/
CTI: http://bit.ly/CTIescoladeescrita


*Sérgio Simka é professor universitário desde 1999. Autor de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a coleção Mistério, publicada pela Editora Uirapuru. Membro do Conselho Editorial da Editora Pumpkin e integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.

Cida Simka é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak, 2014) e autora dos livros O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak, 2016), O enigma da velha casa (Uirapuru, 2016) e “Nóis sabe português” (Wak, 2017). Integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.
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sexta-feira, 13 de julho de 2018

Cidades na Lua e a Estação Espacial na Órbita Lunar

Estação Espacial Internacional (ISS): o mesmo esforço conjunto de várias nações, que levou à construção da ISS, levará à construção de uma outra estação, orbitando a Lua, à instalação de bases lunares, à viagem a Marte, Júpiter, Saturno, e além. Alcançaremos Alfa Centauri, a estrela mais próxima da Terra. Conseguiremos colonizar a Via Láctea, daqui a milhares de anos. E depois? Tudo é possível, basta o esforço de todos e o desejo ilimitado do Homem em se espalhar pelo Universo.
*Por Roberto Fiori

Durante a Guerra Fria, no Século passado, não se poderia nunca pensar que Estados Unidos e União Soviética fariam algo em conjunto, unindo suas
forças para a construção de cidades lunares, quer subterrâneas, quer na superfície de nosso satélite natural, Ou desenvolver uma Estação Espacial na órbita da Lua.

Ao que parece, nem a guerra na Síria pôde abalar esse sentimento de que o Homem pode fazer algo mais além de vender e comprar armas para abastecer o mercado sangrento das guerras. Coisa que o Homem, como espécie, tem feito com a maior competência.

No filme 007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro, um dos filmes da franquia 007, Roger Moore enfrenta Christopher Lee, que vive Scaramanga, um vilão que dispõe da tecnologia para a construção de um aparelho que concentra a energia solar em um raio mortal e de vasto potencial para a destruição de qualquer coisa na superfície da Terrra, e, assim, poder dominá-la.

A tecnologia para isso já existe. A agência espacial alemã (DLR) já está trabalhando para o aperfeiçoamento de um espelho que hoje pode concentrar raios solares em um feixe de 2.500 graus Celsius, o suficiente para derreter até mesmo o titânio. Isso seria usado para compactar a areia lunar e fazer dela tijolos para a construção de habitações na Lua a um custo extremamente baixo, visto ser a própria areia lunar a matéria-prima para a fabricação desses tijolos.

Mas seria a construção de cidades lunares na superfície algo mais seguro do que elaborá-las subterraneamente? Cidades  na superfície são mais vulneráveis. A radiação solar é uma ameaça, em um mundo em que não há proteção contra isso, visto que não há uma  ionosfera, como na Terra, para o desvio de partículas energeticamente  carregadas vindas da estrela. Também não há uma atmosfera para a proteção contra meteoros ou raios cósmicos. O frio e o calor seriam outro empecilho, apesar de que, como a Lua não realiza uma rotação em seu eixo, pode-se pensar na zona de equilíbrio que existe entre a região escura e gélida, o Lado Escuro da Lua, e a zona quente e que recebe todo o impacto da luz solar.

Quanto à proteção contra o frio e a radiação solar, isso seria resolvido de modo relativamente simples. Trajes espaciais protegem hoje os astronautas que passeiam do lado de fora da Estação Espacial Inernacional para realizarem tarefas, como a substituição de peças e o conserto de equipamento, no espaço. Na Lua, quem viesse a se aventurar fora das cidades da superfície, teria de tomar tal precaução e vestir um traje protetor. As cidades teriam de ser isoladas contra o frio do espaço e com blindagem anti-radiação, visando o máximo de proteção para seus habitantes.

Tais cidades seriam um ponto de partida para viagens a Marte, isso é o  que é mais importante. Colonizar a Lua nos parece ser sem sentido, do ponto de vista prático. Mas uma viagem a Marte é muito mais difícil e longa do que uma viagem à Lua. A distância entre Terra e Marte é de cerca de 55 milhões de quilômetros e entre Terra e Lua é de aproximadamente 380 mil quilômetros. A Lua tem seu sentido lógico: uma base para que os viajantes a Marte possam se preparar para uma viagem até o planeta vermelho. Se uma nave se deslocasse a 20 mil quilômetros por hora, necessitaria de mais de 100 dias para chegar a Marte, o que significaria um perigo maior para os astronautas e uma probabilidade maior de se perder naves ou equipamentos de alto custo do que uma viagem à Lua.

E quanto a uma Estação Espacial Internacional que orbitasse a Lua? A  Estação Espacial Internacional atual (ISS) foi construída em 1998 e deixará de funcionar em 2024, prevê-se. Assim como vários países se juntaram para construí-la, a nova estação lunar, que orbitará o satélite, será construída com o apoio dos EUA, Rússia, a agência espacial europeia (ESA), o Japão e o Canadá. Em 2017, os EUA e a Rússia assinaram um acordo visando uma parceria para construir essa nova estação. Trata-se do Projeto Deep Space Gateway (Portão Para o Espaço Profundo).

A Rússia, antes de assinar o acordo com os EUA, manifestou o desejo de construir uma base própria na superfície da Lua, onde astronautas russos seriam treinados para missões a Marte. A China também tem interesse em construir uma base na Lua.

Quanto ao projeto Deep Space Gateway, a ideia é levar à órbita da Lua três módulos para compor a nova Estação Espacial Internacional: um módulo abrigaria os astronautas, outro geraria energia e um terceiro serviria para acomodar laboratórios similares aos da atual ISS.

Não há nada que o ser humano possa imaginar que, com o tempo, não  possa ser feito. Quer na paz, como na guerra, a inventividade do Homem não pode ser questionada. Soluções engenhosas para os mais diversos problemas foram encontradas. Se o projeto Deep Space Gateway e as bases lunares forem um sucesso, por que não o seria um Projeto-Marte, ou um Projeto-Júpiter? A ficção andou a passos muito mais rápidos do que a realidade, mas, ainda assim, os seres humanos foram bem-sucedidos em suas viagens à Lua e em suas missões não-tripuladas ao Sistema Solar restante.

Vamos acreditar no potencial humano. O Sistema Solar, afinal, está aí,  a uma distância de um braço, um braço bastante longo, mas perfeitamente acessível.

*Sobre Roberto Fiori:
Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, do autor Roberto Fiori:

Sinopse: Contos instigantes, com o poder de tele transporte às mais remotas fronteiras de nosso Universo e diferentes dimensões.
Assim é “Futuro! – contos fantásticos de outros lugares e outros tempos”, uma celebração à humanidade, uma raça que, através de suas conquistas, demonstra que deseja tudo, menos permanecer parada no tempo e espaço.

Dizem que duas pessoas podem fazer a diferença, quando no espaço e na Terra parece não haver mais nenhuma esperança de paz. Histórias de conquistas e derrotas fenomenais. Do avanço inexorável de uma raça exótica que jamais será derrotada... Ou a fantasia que conta a chegada de um povo que, em tempos remotos, ameaçou o Homem e tinha tudo para destruí-lo. Esses são relatos dos tempos em que o futuro do Homem se dispunha em um xadrez interplanetário, onde Marte era uma potência econômica e militar, e a Terra, um mero aprendiz neste jogo de vida e morte... Ou, em outro mundo, permanece o aviso de que um dia o sistema solar não mais existirá, morte e destruição esperando pelos habitantes da Terra.
Através desta obra, será impossível o leitor não lembrar de quando o ser humano enviou o primeiro satélite artificial para a órbita — o Sputnik —, o primeiro cosmonauta a orbitar a Terra — Yuri Alekseievitch Gagarin — e deu-se o primeiro pouso do Homem na Lua, na missão Apollo 11.
O livro traz à tona feitos gloriosos da Humanidade, que conseguirá tudo o que almeja, se o destino e os deuses permitirem. 

Para adquirir o livro:
Diretamente com o autor: spbras2000@gmail.com
Livro Impresso:
Na editora, pelo link: Clique aqui.
No site da Submarino: Clique aqui.
No site das americanas.com: Clique aqui.

E-book:
Pelo site da Saraiva: Clique aqui.
Pelo site da Amazon: Clique aqui.
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Lua Cheia

O cara sempre foi meu amigo, para dizer a verdade, coisa de mais de quarenta anos. Passamos os dois num concurso público, trabalhamos juntos na mesma seção, eu frequentava sua casa, era padrinho de seu filho mais velho. Nossas mulheres também eram amigas, faziam quitutes em nossas reuniões de finais de semana. Nossos filhos estudavam e brincavam juntos, enfim nada havia que eu não soubesse dele e ele de mim. Era realmente uma amizade verdadeira. Isso não existe, você poderá dizer argumentando que pessoas são sempre falhas e cheias de misérias humanas. Bem, é possível, mas o que realmente causou o fim de toda aquela amizade nada teve a ver com fraquezas humanas como inveja ou traição. Mesmo depois de muitos anos, as pessoas ainda me perguntam a razão de nosso afastamento. Eu me calo. Não ouso contar a verdade, a não ser para a tela em branco que recebe o que não tenho coragem para falar.
            Damásio era seu nome. Era uma pessoa muito legal, isso mesmo. Eu o admirava profundamente. Ele estava sempre pronto para ajudar quem quer que fosse. Era engraçado, inteligente, enfim, boa pessoa. Sua figura física não era daquelas que as mulheres viviam suspirando, não, isso não. Damásio mais parecia um tísico, branco demais, nariz adunco, magro de ruim.
            Bem, como sempre fazíamos em pescarias ou passeios em geral, lá estávamos voltando para casa já de noite, não tarde, talvez umas sete horas, hora em que o céu já está totalmente escuro no inverno. Eu, particularmente, não sou de sentir muito frio, mas por duas vezes, ainda quando estava claro, senti um calafrio esquisito. Dizem que as coisas trágicas, os acontecimentos de desastre, enfim as coisas do mal sempre avisam. A gente é que nunca tem olhos, nem ouvidos, nem entendimento para compreender. O carro enguiçou, aquela coisa chata de parar mesmo no meio da estrada, no meio do nada literalmente porque não havia um posto, uma casa, uma luz que não fosse a da lua e de umas poucas estrelas que brilhavam sem vontade, opacamente. Ao contrário de outras vezes em que sempre voltamos para casa animados e falantes, estávamos os dois quietos, estranhamente quietos.
            Bom, fizemos o que foi possível para reanimar o carro. Nada. O que atrapalhava mais era a escuridão que começou a ficar densa. A lanterna? Você certamente perguntará, sim porque dois homens feitos que habitualmente conduzem carros à noite não podem se esquecer de tal item de segurança, como também ferramentas e outras coisas importantes que alguém de bom senso leva no carro quando se vai para outros lugares, ainda mais na montanha. Pois voltávamos de lá, da tal montanha e não achamos a lanterna. A estrada cheia de curvas. O fato é que estávamos os dois ali, na mais completa escuridão, com um carro que não funcionava. Nada havia a ser feito a não ser caminhar seguindo a estrada que tínhamos pela frente. Decidimos seguir a pé e fomos os dois. A escuridão era tamanha que eu mal enxergava meu amigo. Apenas se via a lua enorme, cheia, mas que estranhamente não radiava claridade alguma, ou era impedida por uma espécie de fog londrino. Nunca eu havia visto uma lua tão grande em noite tão escura.
            Em determinado ponto, ele me chamou:
- Téo, eu preciso te contar uma coisa.
            Confesso que estranhei a seriedade dele. E eu disse:
- Fale Damásio, estou bem aqui, apesar do negrume da noite.
- Téo, eu sou um lobisomem.
            Aí não pude deixar de rir. Ri com gosto. Só ele mesmo para desfazer o mal-estar provocado pela escuridão e pelo aborrecimento de estarmos naquela situação. Ele não riu, bem, eu não o via, mas sabia pelo seu silêncio que ele estava sério. Entretanto, eu conhecia muito bem meu amigo, e este seu lado brincalhão e espirituoso era o que eu mais gostava nele. Ele era capaz de fazer brincadeira com a coisa mais séria do mundo sem ser inconveniente. Era fantástico. Eu não parava de rir. Era um acesso de risos desses em que a gente não consegue parar. Eu não tinha esse ataque há muitos anos e isso me fez muito bem. Ele esperou pacientemente que eu parasse de rir, ou que pelo menos fizesse uma pausa. Aí ele veio à carga:
- Téo, é sério, nunca falei tão sério em minha vida. Veja bem, eu jamais contaria isso se você não estivesse correndo risco de vida. E está agora. Olhe, eu vou contar tudo depois com calma. Você sabe que é meu melhor amigo, que eu nunca lhe faria algum mal, mas essa situação de hoje é atípica. Não deveríamos estar aqui, não agora, com essa lua cheia. Eu preciso que você corra o mais rápido que puder.
            É claro que desabei no riso de novo. Eu só conseguia dizer:
- Pare, pare com isso que eu vou começar a passar mal. Esta sua é de gloriosa como dizia minha mãe.
            E ele:
- Téo, eu juro, você acha que em situação normal eu contaria isso para você ou para qualquer outra pessoa? Quem iria acreditar? Ninguém! Nunca! Por que eu nunca contei? É por isso. Porque ninguém acredita. Mas eu não contava com isso, com nós dois nessa noite preta. Sabe, não é sempre toda noite de lua cheia que eu viro lobisomem, mas quando vou virar eu sei direitinho, eu sinto. Aí não respondo por mim, não sou mais eu. Eu tenho medo do que pode acontecer. Suma de mim!
            Aí nesse momento ele gritou e estava bravo pra caramba. Eu comecei a estranhar. Também fiquei bravo:
- Chega dessa brincadeira sem graça. Nem sei quanto falta pra gente alcançar um lugar civilizado, com luz e tudo.
Mas desse momento em diante, caiu um silêncio sepulcral. Ele não falava nada. Está aborrecido porque eu fiquei bravo, pensei. Mas continuei andando. O mais estranho é que eu não ouvia nenhum passo a não ser o meu e a sensação de que ele tinha sumido era muito grande.
Aí chamei:
- Damásio, desculpe, mas você está me assustando. Fale alguma coisa.
            E nada. Daí a pouco comecei a ouvir um barulho, parecia o som de pisadas ou de cavalgada de um animal pesado, como se fosse um porco grande ou um touro ou sei lá o quê. Instintivamente comecei a correr e o barulho aumentando, significando que fosse o que fosse já quase me alcançava. Desabalei. O pior é que não sabia por onde corria, se continuava na estrada ou não. A coisa piorou. Comecei a ouvir algo como um resfolegar, era de um bicho, aquilo não era humano. Eu corria feito um doido e rezava, logo eu que não era disso. De repente devo ter saído da estrada, senti um baque, tudo rodava. Juro que não sei o que aconteceu exatamente, se o bicho me pegou ou se eu rodei barranco abaixo. Desmaiei e não vi mais nada.
            Só acordei no dia seguinte no hospital. O próprio Damásio e outros roceiros me encontraram caído e esfolado numa vala, coisa de cinco quilômetros longe do carro, isso ele contou para todos. Contou a versão dele, é claro. Disse que caminhávamos na escuridão e que eu de repente sumi, ou seja, que não respondi mais. Ele insistiu que gritou meu nome várias vezes, mas não teve alternativa senão esperar que clareasse o dia, pois a escuridão era medonha. Eu tinha arranhões feios nas costas que pareciam ter sido feitos por garras afiadas. Estava queimado pelo frio e esgotado. Sinceramente, não me lembro do que aconteceu quando caí ou quando fui derrubado. Quando minha mulher e meus amigos me perguntaram eu disse que não me lembrava de nada.
            Damásio foi me visitar no hospital. Estava mais branco do que nunca e me olhava com pena. Não dei uma palavra sequer com ele. Todos perceberam que alguma coisa havia acontecido, mas eu é que não ia dizer e passar por trouxa ou maluco. Assim que tive alta tratei de me mudar com a família para bem longe. Mas antes fui procurar por um dos caboclos que estava presente quando me acharam desmaiado. Ele me contou que nunca vira nada igual, que o capim alto fora derrubado como se uma manada inteira estivesse desembestada pelo campo.
            Nunca mais vi Damásio nem ouvi falar dele. Hoje revejo nosso passado e ligo muitos fatos que na época passaram desapercebidos. Ele era um homem bizarro, tinha comportamentos esquisitos, mas daí a ... Bem, se ele era de fato um lobisomem não sei dizer, mas que aquela noite era de uma estranha lua cheia, isso era. 

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