Jane Austen: Livros e Filmes

Jane Austen, Thibaudet e um retrato da burguesia do séc. 18 Nascida em 16 de dezembro de 1775, a britânica Jane Austen foi uma das...

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sexta-feira, 4 de maio de 2018

Márcia Lígia Guidin, o livro Armário de vidro e a Miró Editorial, por Sérgio Simka e Cida Simka

Márcia Lígia Guidin - Foto divulgação
Primeiramente, fale-nos sobre você

Bem, eu fui a vida toda professora de língua e depois de literatura brasileira, mas sempre trabalhei com livro, fazendo leituras críticas, coordenando publicações para casas editoriais.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre seus livros.

Se você pergunta de livros de minha autoria, tenho três ou quatro obras teóricas, de crítica literária, das quais duas são o resultado de teses de mestrado e doutorado. Uma é sobre a Hora da Estrela, de Clarice Lispector; outra sobre a velhice na obra de Machado de Assis; também tenho um livro sobre a poesia indianista de Gonçalves Dias. Todas essas pesquisas me deram muita alegria.

Você é editora na Miró Editorial. Fale-nos sobre esse trabalho.

A Miró surgiu como editores externos, ou seja, para fazer trabalhos editoriais completos, desde o original até o arquivo digital completo, pronto para a gráfica. Depois houve vários pedidos de autores independentes, que nos pediam para editar seus livros, sob patrocínio ou não. Aí a Miró passou a editar ficção, poesia, memorialismo e crônicas familiares.

Você tem prestado um extenso serviço na área editorial, como acompanhamento de coleções para várias editoras, coordenação e feito traduções, por exemplo. Gostaríamos que falasse um pouco sobre essa tarefa.
 

Neste momento, estas tarefas são exíguas,  dada a crise que também afetou o mercado editorial. Tudo está parado, exceto os livros que vão ser eventualmente comprados pelo governo. Mas além  do acompanhamento, da concepção de coleções, o que gosto muito de fazer é traduzir livros infantis de várias línguas: inglês, alemão, francês, espanhol. É um trabalho delicioso, dedicado,  e muito importante porque a obra é dirigida à infância.

Você ministra oficinas literárias de contos e crônicas, além do serviço de coaching literário. Poderia discorrer sobre essas duas atividades?

As oficinas são um momento muito especial para os escritores, pois além da minha audição de um texto escrito  pelo autor, com calma, em casa, há a contribuição preciosa dos colegas. Eles ajudam demais a formar a opinião dos leitores e o autor ganha essa referência para seu trabalho. Eu sou só uma, mas um grupo pequeno, de até 8 pessoas, é fabuloso para respeitosamente dar opiniões.

Quanto ao coaching, é como uma sessão de aula; mas a finalidade do coaching  é o escritor NÂO precisar  mais de coaching; ou seja, a partir de sessão de 1 ou 1,5 hora de  leitura e análise do que escreve e traz para a sessão, ele deve (e tem dado muito certo há dez anos) ser seu próprio analista, seu próprio crítico. A finalidade é não precisar mais de mim. O coaching é um trabalho miúdo, frase a frase, para o autor desenvolver seu estilo, para ele ficar esperto e  manusear a frase com mais desenvoltura: para comunicar-se  melhor com seu leitor. Estando em  coaching, o escritor aprende a fazer o pacto com o leitor. Sem pacto, não há como conquistar um leitor. Mas, ao fim, o dono do texto é o autor. Se eu der uma sugestão que não lhe agrade, ele vai fazer o que ELE quiser, não o que eu quero.

Como o leitor interessado deverá proceder para saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho?

Eu acho que ele pode entrar no site da Miró Editorial (www.miroeditorial.com.br), passear um pouco por lá, ver o que já editei, quem sou eu, pode ficar meu amigo no Facebook (a Miró tem FB e o Miró Coaching também).

Como analisa a questão da leitura no país?

Hoje, a leitura literária é a terceira ou quarta opção de um leitor jovem, que estaria formando sua competência como leitor. Não se pode culpá-lo: a internet, os games, o youtube e as mídias são muito mais gostosas. Mas, pobre dele,  ele perde aquilo que muito interessa ainda a todos: a competência de abstração, de “ver” os personagens, os cenários, as intrigas, os temas da obras a ser lidas. Ler não é mais uma coisa familiar; as famílias, quando existem, estão contaminadas pelo trabalho, pela pressa, pela sobrevivência. Não podemos culpar ninguém que não tenha livros em casa. Os pais não tiveram,  talvez os avós também não. Mas, afinal, há quem culpar: a escola, a formação do leitor na escola. Se a família não pode ajudar, a escola deve fazer isso.  E aí há um impasse: o professor que exige que seu aluno leia “Senhora” e “Lucíola” de José de Alencar, também foi obrigado a ler da mesma forma: jogaram o livro em cima dele  e lhe disseram “Leia”.

Quem aguenta ler essas obras do século 19 sem  que o mestre pegue-lhe a mão e o entusiasme? Iracema é uma das mulheres mais livres que Alencar criou. Como mostrá-la sem dizer isso ao leitor: é maravilhosa a ligação dela com a natureza. É muito corajoso ela abandonar tudo para seguir seu amor branco, de olhos europeus. Isso é o grande drama de amor. Mesmo sabendo que não era um ser da mesma cultura  que ele. Como mostrar isso  ao leitor aluno, se o mestre não ler  trechos com o aluno, não lhe arrancar o desejo de ler  sozinho,  se  não estudarem  o livro, que é tão pequeno e lindo?
Eu, na faculdade, tenho dado aula de pós-graduação para professores, principalmente de português (da  escola particular ou pública). O que lhes digo? Que é muito melhor ler, analisar e interpretar um trecho importante de romance decisivo  para a cultura brasileira do que fingir que se lê um romance, mas se vai buscar o resumo na internet... Há professores indolentes que falam de Capitu como se fossem vizinhos dela,  mas não leram o romance D. Casmurro. Acham que estão enganando quem? O professor finge que sabe do que fala e o aluno finge que acredita. Quando eu pergunto se o romance está em primeira ou terceira pessoa, eles não sabem algo essencial.
Ou seja, a formação  do professor é muito, muito frágil. Falo disso numa pesquisa de pós-doc que estou desenvolvendo. (Sobre o ensino de literatura nos livros didáticos; e já digo
que é horrível..., muito pouco louvável o que se ensina nos didáticos).

O que tem lido ultimamente?

Sempre leio Machado de Assis, um pouco ao dormir. Não importa muito a obra. Sempre aprendo e rio com ele. Mas recentemente eu li um dos livros do ganhador do Nobel, o  britânico japonês Kazuo Ishiguro ( Quando éramos órfãos), confesso que não gostei muito). Li também o ganhador do prêmio Jabuti, (Machado) de Silviano Santiago, um dos poucos professores de literatura do Brasil que sabem escrever brilhantemente. Agora estou lendo um tal best-seller, talvez para falar mal dele, mas sem conseguir, pois é ótimo (Sapiens, uma breve história da humanidade) do Yuval Harari. Na fila, está um livro de crítica, do autor argentino Alberto Mangel (O leitor como metáfora).

E gostaria de dizer, para encerrar, que quem não lê livros nos leitores digitais é bobinho. Essa história do cheiro do papel é bobagem, você vira a página, você lê mais rápido, você aperta uma palavra o significado aparece na hora; ou clica num personagem histórico, abre a Wikipedia na hora. Se quiser, pode mandar buscar uma palavra, que ele localiza para você todas as ocorrências. É o máximo. A luz pode estar apagada, mas seu livro, ou melhor, seu leitor funciona com a própria luz... e ainda por cima é mais barato. A única coisa chata é que  não dá pra emprestar, como a gente faz com o livro em papel. Recomendo muito, você leva 30 livros numa viagem, se quiser, e não carrega peso. E juro que se lê mais rápido.

*Sérgio Simka é professor universitário desde 1999. Autor de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a coleção Mistério, publicada pela Editora Uirapuru.

Cida Simka é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak, 2014) e autora dos livros O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak, 2016), O enigma da velha casa (Uirapuru, 2016) e “Nóis sabe português” (Wak, 2017).
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quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Mauricio de Sousa e sua Turma chegam às livrarias em uma edição do clássico “Alice no país das maravilhas”

Com o texto original de um dos maiores clássicos da literatura infantil, a Turma da Mônica mergulha na toca do coelho e leva a turminha do Limoeiro para o mundo mágico de Alice

“Um coelho apressado, de colete, olhando as horas no relógio de bolso? Aquilo, sim, era bem esquisito. Ela ficou olhando e viu quando ele entrou numa toca logo mais à frente. Levantou-se depressa e saiu correndo atrás dele. Alice pulou e, já dentro da toca, percebeu que caía numa espécie de poço.”

Uma história que conquistou e conquista gerações de leitores de todas as idades, que inspirou centenas de livros, filmes e animações ganha uma nova edição reinterpretada pela dentucinha mais amada do Brasil e seus amigos. Sim, a Turma da Mônica caiu na toca do coelho e chega às livrarias em setembro, pela Girassol Brasil, com lançamento especial durante a Bienal do Livro do Rio de Janeiro.

Com o texto original da obra de Lewis Carroll, numa versão assinada pela ensaísta e tradutora Márcia Lígia Guidin, Mauricio de Sousa escalou a turminha para reviver Alice no país das Maravilhas.

Mônica se transforma em Alice, uma menina com uma imaginação enorme, uma curiosidade que a mete em muitos problemas e uma inocência que enche os nossos corações. Depois de perseguir um coelho, nesse caso o Cebolinha, Alice acaba num mundo novo e completamente maluco, onde vai aprender sobre amizade, respeito, humildade, justiça, família e sonhos.

Nesta edição especial, capa dura, com ilustrações em cores e movimentos que dão mais “realidade” as cenas icônicas de Alice e seus personagens, Mauricio e sua equipe conseguiram dar uma nova vida ao clássico, escalando um “elenco” de diversas histórias do universo Turma da Mônica. Rolo, Pipa, Louco, Magali e até o Mingau mergulharam nessa história e vão conquistar os leitores.

O lançamento oficial do livro vai acontecer durante a 18ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, com a presença de Mauricio de Sousa e a Turma da Mônica, nos dias 3 e 9 de setembro, no estande da Livraria Saraiva.

E como diria o Rei de Copas, comece pelo começo, vá lendo e, quando chegar ao fim... fique maravilhado!!!

“Para mim e para toda a turminha do bairro do Limoeiro, foi uma honra oferecer uma nova roupagem (bem ao nosso estilo) para uma obra tão clássica. Fizemos tudo com aquele carinho que nossos leitores conhecem há tanto tempo, para que a sua experiência seja, literalmente, uma maravilha”  - Mauricio de Sousa

Ficha Técnica:
Título: Alice no país das Maravilhas
Formato: 23,5 x 30,5 cm
Nº de págs: 80 (Capa dura e miolo colorido)
Preço: R$69,90

Sobre os autores:
Mauricio de Sousa iniciou sua carreira como ilustrador na região de Mogi das Cruzes, próximo de Santa Isabel, onde nasceu. Aos 19 anos, mudou-se para São Paulo e, durante cinco anos, trabalhou no Jornal Folha da Manhã (atual Folha de São Paulo), escrevendo reportagens policiais. Em 1959 criou seu primeiro personagem, o cãozinho Bidu. A partir daí vieram, Cebolinha, Cascão, Mônica, e tantos outros. Em 1970, lançou a revista Mônica. Depois de passar pela Editora Abril e Editora Globo, assinou contrato com a multinacional italiana Panini. Cerca de 150 empresas nacionais e internacionais são licenciadas para produzir mais de três mil itens, com os personagens de Mauricio de Sousa; suas criações chegam a cerca de 30 países

Lewis Carrol, o autor, chamava-se de fato Charles Lutwidge Dodgson. Ele nasceu em 1832 em Cheshire, na Inglaterra. Estudou em casa até os 12 anos e então foi para a Rugby School, em Warwickshire, e a seguir para o Christ Church College, em Oxford, onde cursou matemática. Quando se formou, passou a lecionar essa matéria na Universidade de Oxford. Lewis Carroll não teve filhos, mas contava histórias para os filhos de seus amigos, e as crianças adoravam ouvir os acontecimentos estranhos de Alice em um mundo mágico. A história original de Alice no País das Maravilhas foi publicada em 1865. O autor continuou a contar histórias até o fim da vida. Ele morreu em 1898, na casa da irmã, em Surrey, na Inglaterra.

Márcia Lígia Guidin, a tradutora, nasceu em São Paulo em 1950. É mestre e doutora em Letras pela USP, ensaísta e tradutora. É professora titular aposentada de Literatura Brasileira, Teoria Literária e Edição de Texto. Membro titular da Academia Paulista de Educação (cadeira 6), exerce na APE o cargo de Diretora de Comunicação. É autora de obras críticas de literatura, palestrante para as áreas de Educação e Literatura, e resenhista do Jornal Rascunho. Foi responsável pelo programa “Que tal seu português?” da Rádio USP, onde gravou mais de 100 miniaulas. Foi membro do Conselho Curador do Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro por dez anos. Faz parte da Associação de Amigos e Patronos da Biblioteca Mário de Andrade. Atualmente dirige a Miró Editorial, que oferece assessoria e coaching para editores e escritores. Mas um de seus trabalhos favoritos é traduzir e adaptar obras infantis e juvenis.

Sobre a editora:
Fundada no ano 2000, a Girassol Brasil nasceu com o objetivo de levar a crianças e jovens leitores livros com altíssima qualidade editorial e gráfica, que pudessem despertar o interesse pela leitura, além de também proporcionar momentos de diversão. A cada página, uma viagem inesquecível ao mundo da imaginação, um desafio a ser resolvido, um desenho para pintar, uma emoção a ser vivida.  Referência no mercado editorial nos dias atuais, tem mais de três mil livros publicados ao longo de sua história.

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