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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Poe 200 anos, a antologia para fãs de Edgar Allan Poe

Edgar Allan Por influencia e sempre influenciou outros escritores. E para homenageá-lo, muitos desses escritores acabam criando histórias inspiradas no mestre dos contos, do terror, da poesia, da teoria da composição, da literatura em geral. E de que escritores estamos falando, especificamente? Escritores contemporâneos nacionais! O mestre Poe influenciou diversas gerações passadas e continua influenciando, e muito, os escritores de ficção. E sua influência na geração atual de escritores é tanta que a editora All Print publicou, em 2010, uma antologia em homenagem a Poe, chamada Poe 200 anos, organizada por Ademir Pascale e Maurício Montenegro. A antologia contém 22 contos, de 22 autores nacionais, inspirados em Poe, tanto em sua obra quanto em sua vida. Pois então, segue abaixo uma breve resenha de cada conto, todos com estilos bem diferentes, alguns bem peculiares, outros mais simples, alguns mais próximos do estilo de Poe, outros mais distantes, outros chegam até a parecer uma encantadora viagem pelo mundo de Poe por onde os leitores encontram diversas e criativas referências.

O Outono de Hatlen – Maurício Montenegro – inspirado em A Queda da Casa de Usher e William Wilson

Conto bem peculiar, onde o protagonista viaja até um lugar misterioso, e encontra-se com uma figura que o revela algo, após lhe trazer memórias confusas de seu passado. A narrativa tem uma linguagem bem interessante, com passagens poéticas e uma atmosfera de sonho pela história toda. Pode soar um pouco confuso à primeira leitura, mas, pelo que entendi, a idéia parece ser mesmo transmitir a confusão mental do protagonista.

O Gato Branco – Alex Lopes – inspirado em O Gato Preto

Desastres ocorrem na vida do protagonista após um gato branco ser deixado em sua porta. A forma como é escrito, principalmente nos primeiros parágrafos, soa quase como o estilo de Poe, mostrando um narrador em primeira pessoa perturbado, como os narradores de Poe, mas a história parece terminar muito rápido, se comparado com o Gato Preto. Porém, a idéia da antologia é conter contos curtos mesmo, nenhum deles tem muito mais do que cinco páginas.

O Vale das Montanhas Azuis – Ronaldo Luiz Souza – inspirado em Eleonora

O protagonista apaixona-se muito, e se contar mais que isso, estraga a idéia do andamento do conto. A idéia do conto como um conto original é muito boa, pode até lembrar um pouco Lord Byron, mas o estilo difere muito de Poe – é um conto mais moderno, com passagens levemente eróticas nas descrições das personagens, algo que não vemos na obra de Poe, mas tirando isso, é um ótimo conto, com um final bem interessante. Soa como uma releitura moderna e mais realista do amor quase idealizado que vemos, não só em Eleonora, mas representado por maioria das figuras femininas da obra de Poe.

O Frade – O.A. Secatto – baseado em O Poço e o Pêndulo

O protagonista acorda no meio da noite e… seu terror começa. Se contar mais que isso, tira a graça da história. É um conto de terror bom, mas tirando o final – que tem algumas semelhanças com O Poço e o Pêndulo -, o resto da história não lembra tanto assim Poe – me lembrou um pouco Stephen King, de alguma forma. O ar de obsessão do narrador talvez lembre algo dos narradores de Poe.

A Máscara de Vênus – Mariana Albuquerque – baseado em A Máscara da Morte Vermelha

Acho que dá pra considerar esse o conto mais peculiar da antologia. Bem curto, com apenas duas páginas, um tanto surreal, com imagens bastante marcantes, parece ter alguma boa crítica social, e traz uma narração breve. Tem uma atmosfera de sonho, algo como um choque de um mundo idealizado com um mundo devastado. Bem descritivo, mas não tanto psicológico, a narração parece bem focada nas imagens – as quais, aliás, a narração constrói muito bem.

Delírios Extraordinários – Luciana Fátima – baseado em A Queda da Casa de Usher, O Barril de Amontilado, Berenice, O gato preto, e O Corvo

Um dos contos mais marcantes desta antologia, que ainda traz uma citação de Baudelaire, pra começar.  Esse conto é como uma viagem pelo mundo de Poe. Talvez seja o conto que melhor representa a ideia da antologia: o narrador encontra diversos elementos da obra de Poe pelo seu caminho, pois, após beber muito, cai em um buraco na terra e vai encontrando diversas referências à obra de Poe, como personagens e cenários, e age como se realmente conhecesse os personagens. Muito bem escrito, divertido para os fãs de Poe encontrarem as referências – algumas óbvias, pelos nomes dos personagens, outras talvez nem tanto. Simplesmente genial!

A Condessa de Null’part – Thiago Félix – baseado em A máscara da morte vermelha


Uma continuação para o conto de Poe, A Máscara da Morte Vermelha, onde uma Condessa misteriosa revive a atmosfera da festa de Próspero. As descrições de cenários e imagens lembram o conto de Poe, e o final também lembra um pouco. A narrativa traz uma perspectiva que, à primeira vista, pra quem já conhece o conto de Poe, pode não parecer muito inovadora, mas é uma continuação bem interessante, principalmente para quem gosta do conto A Máscara da Morte Vermelha.

Relíquia – Duda Falcão – baseado em O gato preto


Em um lugar chamado Museu do Terror, encontramos diversos objetos tirados de obras da ficção, entre estes, o gato preto de Poe, empalhado. O dono do museu explica como conseguiu o gato, contando uma espécie de continuação do conto O gato preto de Poe. Uma história muito boa de metaficção contada de uma perspectiva neutra, em terceira pessoa, onde encontramos outras referências literárias, além de Poe. Um conto realmente marcante e interessante para fãs de Poe e de literatura em geral.

Só uma informação extra: o autor deste conto escreveu outro conto inspirado em Poe, chamado A Pena do Corvo, publicado na antologia Autores Fantásticos da editora Argonautas, onde vários autores nacionais escreveram contos inspirados em diferentes autores fantásticos, desde Lovecraft, até Borges, e até o grande Poe, é claro! Recomendo A Pena do Corvo como mais um dos melhores contos inspirados em Poe.

O sorriso de Berenice – Alícia Azevedo – baseado em Berenice


A atmosfera desse conto lembra muito a do conto Berenice de Poe, inclusive pela voz do narrador, que soa quase tão atormentado e febril como o narrador de Poe. A história pode parecer muito breve, mas vale pela atmosfera e pela grande semelhança das cenas com as do conto de Poe.

Um Homem Afortunado – Kathia Brienza – baseado em O Barril de amontillado

Uma releitura moderna de um dos contos de vingança mais célebres de todos os tempos. O protagonista é um professor, formado em Letras – o ambiente do conto é muito familiar para estudantes de Letras ou de qualquer curso até, sendo, dessa forma, de fácil identificação com seu protagonista – que arranja problemas com outro professor, e este tem grandes conhecimentos da obra de Poe, conhecimentos demais, e é exatamente isso o que falta ao protagonista. A idéia do conto é bem interessante e muito bem desenvolvida. Este um dos contos que mais chama atenção na antologia, pela forma como usa um conto de Poe e também dados de sua biografia para construir uma narrativa bem sólida.

O Hospedeiro – Marson Alquati – baseado na biografia de Poe

É um conto de terror interessante como um conto original, mas não lembra muito realmente algo da obra de Poe. O final pode ser relacionado de alguma forma com a biografia de Poe, mas em geral, pode-se dizer que é um conto de terror misterioso e bem intrigante. A narrativa faz o leitor querer saber o que houve para deixar o personagem na situação paralisante em que se encontra – de certa forma como imaginamos o que houve com Poe quando foi encontrado na rua, desorientado, poucos dias antes de sua morte.

O Estranho Passageiro de Birgit – M.D. Amado – baseado em Manuscrito encontrado em uma garrafa


A história conta sobre os últimos momentos de vida aquele que escreveu um manuscrito e a colocou em uma garrafa – assim como ele afirma que vários de seus companheiros também fizeram: deixar mensagens em garrafas atiradas ao mar. O narrador conta sobre ver um espírito, entre outros acontecimentos pouco comuns ocorrendo no navio.

Before – Deborah O’lins de Barros – baseado em O Corvo

Lindo, lírico, genial. Se eu disser quem é a jovem que acorda perdida no início do conto, tiraria a graça do final, mas acho que não é difícil adivinhar quem é ela. A idéia do conto é muito boa mesmo, até as descrições feitas pela personagem são referências à obra de Poe. Mais um dos melhores contos da antologia, perfeito. Uma única coisa a se observar: a personagem em questão, vivendo na época em que vivia, provavelmente teria crenças religiosas, assim como Poe as tinha, mas isso não altera em nada em como a idéia do conto é boa e muito bem desenvolvida.

Eterna Primavera – Dmitry Uziel – baseado na vida e obra de Poe

Mais um conto bem peculiar. O estilo como foi escrito é peculiar e poético: se prestar atenção, poderá notar que o primeiro parágrafo todo é rimado! Não sei se foi intencional, imagino que sim, mas o efeito ficou muito bom. Existencial, filosófico e psicológico, o conto traz uma narrativa profunda e um tanto obscura, citando um poema de Poe – não digo qual para vocês notarem a referência quando forem ler, já que o nome do poema não é citado.

O Senhor do Inferno – Georgette Silen – baseado nos contos A máscara da morte vermelha, Leonor, Sombra e O Retrato Oval

Uma releitura moderna bem interessante da idéia da doença que se espalha se forma apocalíptica que vemos no conto A máscara da morte vermelha. Há algumas referências dos outros contos de Poe, mas esse é o mais notável como sendo a fonte de inspiração para O Senhor do Inferno.

A cartomante – André Catarinacho Boschi – baseado em O demônio da perversidade

Um conto narrado em primeira pessoa, por uma narradora aflita, perturbada, e psicótica. Uma mulher que vivia de mentiras e que acaba da forma como os primeiros parágrafos já contam, mas a forma como ela chegou até aquela situação inicialmente apresentada é que interessa. Um conto claramente inspirado em Poe, onde o leitor sente a perturbação quase obsessiva da narradora. Dá pra notar a inspiração em O demônio da perversidade, mas me lembrou também Coração denunciador.

A Mudança – Frank Bacurau – baseado em O Gato Preto, usando referências de vários contos de Poe

Uma continuação um tanto inusitada – mas decidimente criativa – para a história do narrador de o gato preto. O dono do famoso gato preto é preso, e devido a seus ferimentos, ganha um poder especial, que lhe possibilita cometer mais algumas atrocidades típicas de um narrador estilo Poe. Há referências há outros contos de Poe, e inclusive ao próprio escritor, que aparece como um personagem chave na narrativa! O único estranhamento que pode causar é que o próprio gato some durante a história e só é relembrado pelo narrador no final.

Intermezzo – Gil Piva – baseado em Berenice e O Poço e o Pêndulo

Um escritor obcecado por Poe, obcecado por escrever exatamente como Poe torna-se completamente insano e comete algumas atrocidades em razão de sua obsessão doentia. Apesar de dizer no livro que foi baseado em Berenice e O Poço e o Pêndulo, a obsessão do personagem (que apesar de não ser o narrador, pois o conto é em terceira pessoa, tem a sua paranóia bem mostrada, porém com o certo ar de mistério, algo que em primeira pessoa não seria possível) pode lembrar vários contos de Poe, como O Gato Preto, Coração Denunciador e o já citado Berenice. Mas algo é muito interessante neste conto: imagino que vários fãs de Poe, assim como eu, vão adorar os brinquedinhos que o protagonista dessa história encomenda toda hora!

Inferno no Circo – Jocir Prandi – baseado em Os crimes da Rua Morgue


Alguém aí imagina o que aconteceu com o autor dos crimes que encharcaram a Rua Morgue com sangue? Aquele doce orangotango sanguinário? Pois então, este conta mostra o destino do ilustre orangotango homicida que virou atração de circo, como o nome já deixa claro, e obviamente, ele não é a atração mais pacífica do circo. A história pode lembrar um pouco o conto Hop Frog também.

Louco, eu? – Ademir Pascale – baseado em O coração denunciador

Um conto que consegue trazer um narrador quase tão paranóico e obsessivo quanto os de Poe: a história segue a linha de O coração denunciador em uma versão moderna, com um interessante toque de crítica social, onde um personagem faz algo que irrita o protagonista, a ponto de enlouquecê-lo, assim como o narrador do conto de Poe.

O Quarto Caso de Dupin – Miguel Carqueija – baseado em Os crimes da Rua Morgue, A Carta Roubada e O Mistério de Marie Roget


Mais uma continuação: depois da Rua Morgue, Marie Roget e a carta roubada, Dupin soluciona mais um mistério. Mas um mistério tão simples que não chega a dar muitos créditos ao ilustre detetive por suas habilidades investigativas, como ele mesmo diz na história, mas o desenrolar da história é bem contado, pois deixa o leitor imaginando como Dupin desvenda tudo de forma tão simples.

Memórias Póstumas de Edgar Allan Poe – Roseli Princhatti Arruda Nuzzi – baseado na biografia oficial de Poe


Conta sobre a biografia de Poe, contendo vários dados importantes da vida do escritor. Como ficção pode soar um pouco corrido, principalmente pelo fato de o personagem narrador ser o próprio Poe, parece que ele conta de forma meio fria sobre a morte de Virginia, indo direto contar sobre suas publicações em seguida. Mas é bem interessante como informação sobre a vida de Poe, e traz um final com mais ficção, que pode explicar quem poderia ter sido o misterioso Reynolds, o qual Poe chamava antes de morrer.
 

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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

O Legado de Poe: conheça 5 escritores e artistas inspirados em Edgar Allan Poe

Podemos dizer que, de alguma forma, Poe tornou-se imortal. A obra de Poe ecoa pelos séculos desde sua publicação e suas palavras e ideias são perpetuadas e discutidas por muitos, o que garantiu a ele um lugar de destaque na literatura. Na verdade, sabemos que, infelizmente, o escritor ganhou mais reconhecimento postumamente, apesar de ter publicado boa parte de sua obra em vida, principalmente seus mais famosos contos, poemas e ensaios. Logo já influenciou um grande nome da literatura francesa e mundial, pois Baudelaire foi um dos primeiros grandes autores a admirar a obra de Poe, o que o conduziu a traduzir os textos para levar a obra do mestre para a França, tornando-o mais conhecido na europa. Anos depois, Poe continuaria a influenciar muitos escritores e artistas pelo mundo. Lovecraft, Stephen King, Tim Burton, Vincent Price e muitos outros.
Como já disse, pelo mundo todo há escritores e artistas influenciados por Edgar Allan Poe. E no Brasil não podia ser diferente, como você deve ter notado pelo avatar deste site, no qual temos uma ilustração de Poe. O objetivo desta matéria é mostrar como Poe continua influenciando muitos escritores e artistas e a importância dessa influência aqui no Brasil. Portanto, leia abaixo breves entrevistas com 5 escritores e artistas (2 escritores e 3 artistas plásticos) cujos trabalhos são influenciados por Edgar Allan Poe. Um deles, inclusive, é o criador aqui do blog da Revista Conexão Literatura. E a imagem de capa é a obra de um dos grandes artistas plásticos entrevistados para a matéria.
Veja abaixo uma breve biografia explicando mais sobre o trabalho de cada um e entenda como Poe os influencia em seus respectivos trabalhos, desde escrever contos inspirados em Poe, organizar antologias e sites inteiros dedicados ao autor, criar um site de literatura a fazer belas esculturas ou ilustrações. As entrevistas foram organizadas em ordem alfabética, começando pelos escritores, pela proximidade com o trabalho de Poe, seguidos dos artistas plásticos, também em ordem alfabética (a entrevista final é com o criador da obra escolhida para a imagem capa!).
Editor e idealizador da Revista Conexão Literatura e deste blog. Paulista, escritor e ativista cultural. Membro Efetivo da Academia de Letras José de Alencar (Curitiba/PR). Participou em mais de 40 livros, sendo um dos mais recentes “Nouvelles du Brésil”, publicado na França pela editora Reflets d’Ailleurs. Publicou pela Editora Draco “O desejo de Lilith” e o seu mais recente romance “Caçadores de Demônios”. Fã n° 1 de Edgar Allan Poe, criou e publicou as antologias “Poe 200 Anos” e “Nevermore”. Adora pizza, séries televisivas e HQs. E-mail: pascale@cranik.com
1. Como surgiu o interesse na obra de Poe? 
O interesse por Poe surgiu na faculdade. A minha professora de literatura estrangeira era fã de Poe e ela ministrava as aulas com tanto gosto, que logo veio o meu interesse em saber mais sobre as obras dele. Hoje me considero mais fã dele do que ela…(rs)

2. Qual a importância e a influência dele no seu trabalho como escritor? 
E como surgiu a ideia do blog e das antologias inspiradas no autor? 
90% do meu trabalho hoje na literatura veio da inspiração em Poe, não somente sobre as suas obras literárias, mas também sobre a sua história de vida. Fiz livros inspirados nele, quadrinhos e fanzines.
A ideia do blog “Poe’s Club” (www.poesclub.blogspot.com), veio justamente pela falta de informação que encontrei ao procurar por informações sobre Poe em sites ou blogs brasileiros. Poe morreu precocemente e se vivesse mais, certamente teria nos deixado muitas outras obras. Essa carência por mais obras dele me inspirou a criar antologias inspiradas em seus contos, surgindo os livros “Poe 200 Anos”, que fiz em parceria com o escritor Maurício Montenegro, e “Nevermore – Contos Inspirados em Edgar Allan Poe”. Recentemente fiz uma homenagem ao Poe na 2ª edição da Revista Conexão Literatura. Ela ainda pode ser baixada acessando o link:http://www.fabricadeebooks.com.br/conexao_literatura2.pdf
Duda Falcão em 2010 fundou com Cesar Alcázar a Argonautas Editora, especializada nos gêneros fantásticos. Seu primeiro romance de aventura e horror, intitulado Protetores, foi lançado em 2012. No ano seguinte, publicou o livro de contos Mausoléu – uma coletânea com textos inéditos e outros publicados desde 2009. Em 2013 e 2014 foi curador do Tu, Frankenstein na 59ª e 60ª Feira do Livro de Porto Alegre. Também é um dos idealizadores da Odisseia de Literatura Fantástica que ocorre na capital gaúcha.
Pessoalmente, indico muito para fãs de Poe e de literatura fantástica mais sombria em geral os contos de Duda Falcão “Relíquia”, “A Pena do Corvo”, “Museu do terror”, todos presentes no livro “Mausoléu”. Nos dois primeiros vemos referências a Edgar Allan Poe, um contando sobre o gato preto e outro sobre um narrador mais do que obcecado com Poe – um conto que vale a pena do corvo ler e reler. Em “Museu do Terror” vemos um cenário fantástico onde há peças retiradas de diversas obras da ficção, o que torna esta narrativa uma incrível obra de meta-ficção; Veja abaixo uma breve entrevista com o autor:
1. Como surgiu o interesse na obra de Poe?
O meu interesse em Edgar Allan Poe foi despertado pela capa de um livro. Na minha casa, há mais de duas décadas, recebíamos visitas de vendedores do Círculo do Livro. Um sistema de assinatura em que todos os meses devíamos fazer uma encomenda. Naquela época as livrarias eram mais escassas e as condições econômicas para comprar um livro bem menos favoráveis do que hoje. Adquiri a obra Histórias extraordinárias por ver um gato sentado sobre uma teia de aranha e um sujeito de aspecto doentio vestindo um manto. As duas figuras estavam posicionadas abaixo de um portal e as linhas que os desenhavam pareciam feitas de ouro. Não sei explicar a sensação que passou pela minha cabeça. Mas fui atraído pela imagem. Quem foi que disse que não deve se comprar o livro pela capa¿ Naquela oportunidade foi por isso que eu o comprei. Nem imaginava quem era Poe. Acertei na mosca. Acabei conhecendo um dos meus autores preferidos. Até hoje os contos que mais me impressionam naquele volume são A queda da casa de Usher, O barril de Amontillado, O gato preto, William Wilson e Os crimes da rua Morgue.
2. Qual a importância e a influência dele no seu trabalho como escritor?
Sem dúvida, Poe é importante, em primeiro lugar, na minha formação como leitor. Prefiro contos a romances. Isso não significa que eu não goste de ler romances, mas gosto mais de ler contos. Talvez esse fato tenha me proporcionado maior familiaridade com a escrita de prosas curtas. Percebo no conto uma preocupação muito mais forte com o enredo e a atmosfera do que com a construção do personagem. Isso não significa que quem escreva contos não se preocupe com os personagens, basta conhecer o doentio e cadavérico Usher. Porém, acredito que o foco não está no protagonista ou nos personagens secundários, mas sim na trama, na sensação final que o escritor pretende causar ao contar o seu relato. No meu livro Mausoléu, você pode encontrar diversos contos influenciados de forma direta por Poe. Vou citar dois deles. Em Relíquia, publicado pela primeira vez no livro 200 anos de Edgar Allan Poe, o protagonista, conhecido pela alcunha de Proprietário do Museu do Terror, invade o conto O gato preto para capturar o felino. No conto A pena do corvo, o personagem principal é um colecionador que se depara com um objeto mágico capaz de consumir sua sanidade e a sua própria identidade – foi escrito em primeira pessoa para aproximar o leitor da história e a sua principal referência é o conto Nunca aposte sua cabeça com o diabo. Em breve ocorrerá o lançamento de O corvo: um livro colaborativo, que será publicado pela Editora Empíreo, para a qual submeti um conto intitulado O resgate de Lenora – fantasia heroica em homenagem ao poema O corvo e que também, de certa forma, faz referência a outro autor que admiro muito: Robert E. Howard.
Publicitária, mora em Porto Velho, Rondônia. Cria fotografias e artes visuais repletas de atmosfera sombria, inicialmente como forma de escapar da depressão e distimia. Começou a ilustrar em 2014, de forma complementar a fotografia, e faz obras inspiradas na literatura e na música, utilizando principalmente técnicas como pontilhismo e aquarela.
1. Como surgiu o interesse na obra de Poe?
Eu fui criada com 4 irmãos mais velhos me contando histórias de terror antes de dormir, pra me assustar. Quando fiquei maiorzinha, assistíamos filmes do gênero juntos nas sextas-feiras a noite, e como eu estava com eles, me sentia confiante para ver até as cenas mais fortes. 
Devo ter lido Poe a primeira vez naqueles livros de gramática e literatura do colégio, que falavam dos gêneros literários de forma cronológica e colocava trechos e até obras inteiras pra gente conhecer o trabalho dos autores. Ali, me encantei não somente com Poe, mas com outros expoentes do mórbido, como Augusto dos Anjos, Baudelaire, Alphonsus de Guimaraens. Não era algo que a gente encontrava em qualquer biblioteca, então quando vi a primeira vez um exemplar de Histórias Extraordinárias num sebo local, muitos anos depois, fiz questão de comprar e hoje tenho uma coleção muito bonita de livros dele, nacionais, estrangeiros e alguns bem raros. 
2. Qual a importância e a influência dele no seu trabalho como ilustradora?
Eu sempre fui muito visual, então sou dessas que compra arte, busca conhecer artistas e suas técnicas. Por estar ainda engatinhando quando se trata de arte, procuro ver e conhecer de tudo pra não me limitar, mas o obscuro e macabro vão sempre ganhar destaque na minha influência. O Poe tem essa capacidade incrível de nos colocar no lugar do protagonista, então somos os insanos, aqueles que têm visões, os ameaçados de morte, os assassinos. Acho que quando crio, seja através das ilustrações ou da fotografia, muito vem disso, tentar reproduzir um pouco da miséria e da angústia, já que a arte pra mim é uma válvula de escape da realidade e da vida.
Começou a estudar arte como autodidata aos treze anos, com quinze, já se especializara em artes plásticas, um campo onde, segundo o artista, existe a possibilidade de trabalhar com qualquer tipo de material sem depender apenas de tintas e pincéis. Conheceu o surrealismo e uniu sua paixão por cultura pop ao assunto. Os maiores debates em sua arte são relacionados sexo e religião. Hoje trabalha também como designer de roupas, pinta quadros e estuda teatro, dança e cinematografia e fez algumas ilustrações bem originais inspiradas no mestre Poe.
  1. Como surgiu o interesse na obra de Poe?
Conheci Poe quando estudava história da arte e como desde muito novo (em torno dos 15 anos) eu já me familiarizava com o surrealismo e o mundo fantástico, Poe sem dúvida me chamou atenção por tais motivos e ligações com tais movimentos artísticos. Sua persona estética caricata e como viveu sua vida, aguçou meu interesse por ele e sempre tentei usar sua imagem dentro de ilustrações inspiradas em suas obras.
  1. Qual a importância e influência dele no seu trabalho como ilustrador?
Todo escritor, artista por si, tem um pouco de si mesmo em suas obras, o terror da obra de Poe era vivo dentro de si, no seu rastejo de vida e isso sempre me chamou atenção. A forma que Poe viveu e a forma que via sua obra e como deixou em póstumas é de um lirismo similar ao de sua obra e isso sempre me interessou. Uma das grandes questões que percorria minha mente no inicio de minha vida como artista era o significado da morte, e com Poe fui aprendendo a decifrar esses mistérios e medos que percorrem o tema.
Poe, assim como Frida e Clarice Lispector –dentre outros – faz parte da minha formação eterna como pessoa e alma artística, por isso, os conheço e bebo de seus trabalhos aos poucos, como se fosse um amadurecimento de uma amizade, até mesmo póstumos. Creio que todo artista tem um pouco de suas dores, de suas influencias e de seus antigos, atuais e novos trabalhos misturados em cada novo projeto que se inicia. Poe me influencia de forma temporal, sagrada e na luta eterna de entender e acalmar meus (seus) próprios fantasmas.
Escultor e ilustrador inspirado em clássicos do terror, o artista conta que o horror é a casa dele. Começou muito cedo a desenhar e modelar devido ao estimulo familiar a explorar as possibilidades de manifestação artística.
Seu trabalho explora basicamente o macabro, os monstros, criaturas, mutantes, aberrações e os ambientes que elas habitam.
Já explorou a obra de Poe em ilustrações e mais recentemente modelou um busto do autor, replicado em resina. O próprio gato preto e o cadáver do conto também viraram esculturas e aguardam que uma brecha de agenda permita que ele termine um Shadow Box retratando uma cena do autor escrevendo, visto através de uma janela, enquanto citações de seus contos o cercam.
Veja abaixo uma breve entrevista com o artista explicando a influência de Poe em seu trabalho, acompanhada de imagens de belas esculturas em que ele retrata Poe (inclusive a imagem de capa é um trabalho dele!).
1. Como surgiu o interesse na obra de Poe?
Como um apreciador da cultura de horror durante minha vida inteira provavelmente traços da obra dele já estavam impregnados em mim muito antes de eu ter consciência que aqueles elementos eram provenientes de um autor específico.
Depois é claro que eu conheci de forma mais direta, ou quase isso, já que meu primeiro contato foi por adaptações para o cinema, e não pela leitura.
Meu primeiro conto dele foi bem óbvio, O Corvo, e dali pra frente ele sempre fez parte do meu cardápio.
2. Qual a importância e a influência dele no seu trabalho como escultor?
Inicialmente eu procurava temas mais orgânicos, deformidade e a decadência da carne.Mas a verdade é que isso cansa, depois de um tempo eu comecei a buscar temas mais abrangentes e voltei a me interessar pelo primeiro tipo de horror com que tive contato, o gótico.
A obra do Poe é rica em imagens que dão vontade de materializar em esculturas, o próprio autor é extremamente característico e tem traços interessantes de trabalhar.
Ele também inspira trabalhos relacionados a design de objetos, acredito que sua obra funcione melhor quando retratada no período em que foi escrita, portanto rende objetos de cena e decorativos em ambientes, o que ajuda a criar a atmosfera certa.
Seus personagens se retratados fielmente aos contos rendem a possibilidade de explorar trajes e penteados de época, não apenas é divertido de esculpir, da resultados agradáveis ao olhar.
Suas criaturas são majestosas e sombrias, Edgar Allan Poe é elegante em atmosfera na leitura e como inspiração para imagens.
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quinta-feira, 14 de abril de 2016

Estreia hoje

Estreia hoje o filme "O Escaravelho do Diabo", adaptação do livro de Lúcia Machado de Almeida.

Não recomendado para menores de 12 anos.

Sinopse: A pequena cidade de Vale das Flores é marcada por um crime surpreendente: o jovem Hugo Maltese (Cirillo Luna) é encontrado morto com uma antiga espada encravada no peito. O detalhe é que, antes de morrer, ele recebeu uma estranha caixa com um escaravelho dentro. Logo outra vítima é morta, após receber uma caixa semelhante. O delegado Pimentel (Marcos Caruso) e o garoto Alberto Maltese (Thiago Rossetti) começam a buscar este assassino em série, que escolhe seu alvo com uma característica em particular: são todas pessoas ruivas legítimas.

ASSISTA O TRAILER:

Data de lançamento 14 de abril de 2016 (1h 30min)
Direção: Carlo Milani
Elenco: Thiago Rosseti, Bruna Cavalieri, Marcos Caruso mais
Gêneros Suspense, Aventura
Nacionalidade Brasil
Site oficial: http://www.escaravelhododiabo.com.br

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