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sexta-feira, 15 de julho de 2022

Conto "O Destino do Homem", por Roberto Fiori

 

Lançamento de foguete ao espaço pela Empresa SpaceX: com ela e mais meia dúzias de poderosos fabricantes de foguetes, espera-se atingir Marte... e além

“Era uma época indistinta... sem mudanças significativas... Os campos foram abandonados, os alimentos deixados em armazéns e silos, para apodrecerem...  Nas cidades, as construções civis haviam estagnado e, de um dia para o outro, o dinheiro não valia mais nada. Começou-se o negócio de trocas. Um microcomputador valia três quilos de arroz, sem que se percebesse que tal falta de visão dos comerciantes levaria à ruína, o novo sistema econômico vigente.

“As forças armadas se reuniram em Ostrogod, à beira do Mar Negro, a Leste, e no Estreito de Gibraltar, a Oeste. Lançaram-se os primeiros e últimos mísseis termonucleares. Alguns foram eliminados, pela ação dos lasers em órbita da Terra e pelos mísseis antimísseis dos lados Ocidental e Oriental. Porém, muitos passaram pela cortina defensiva, e destruíram, primeiro, as forças bélicas de ambos os lados e, depois, as capitais de todas as cidades do mundo. A seguir, lançaram-se armas nucleares de menor poder destrutivo, as táticas. Acabaram com o restante de civilização que ainda havia, no mundo dito civilizado.” 

Fazia calor. Um mormaço abrasador de trinta e dois graus e um céu de brigadeiro, azul, com rolos de nuvens flamejantes. O Sol estava sempre oculto pelas nuvens, como se quisesse se esconder, se iludindo de repente ao perceber o quanto a Humanidade o odiava. O resto dos seres humanos odiavam o Sol, o ar, a terra, o mar, a água dos rios e lagos. O ar radioativo matava e isso fora alertado, antes da Época do Massacre.

Analisando-se o problema de outra forma, porém, erigira-se, entre os escombros da Cidade do México, a mais populosa que houvera em qualquer época, uma estátua de Jesus Cristo. Os que estavam em um raio de cem metros de distância da construção podiam viver. Fora do raio de alcance dela, estava-se por sua própria conta e risco.

As refinarias haviam sido destruídas pelos mísseis nucleares táticos. Então, acabara-se com os Séculos dos Veículos, como foram chamados os séculos XX e XXI. Não havia navios, pois, sem combustível, eles não podiam mais navegar. Era também óbvio que todo meio de transporte, mesmo os impulsionados por um sistema elétrico de tração, foram eliminados da jogada. As usinas hidrelétricas, as termelétricas e nucleares haviam sido alvos preferidos dos lados Oriental e Ocidental, em seguida aos alvos militares.

Tudo fora pensado. A falta de dinheiro redundou no sistema mais óbvio que se podia pensar, para restabelecer a paz mundial, o sistema de troca de mercadorias. Mas o homem, ambicioso, dava valor ao que era seu e não ao que era valioso para outros. Um sistema de som profissional que custava dez mil reais passara a valer duzentos reais ou menos, em comida.

Porém, ninguém pensou que a radiação mataria o solo e, com isso, as sementes. Não existiam suprimentos, após meio ano e, com a fome, veio o barbarismo. Grupos de bandidos delinquentes resolveram aplacar a dor da fome por meio do canibalismo. Aos poucos, os que foram bem vistos pela antiga civilização se juntaram a tais grupos.

Você poderia pensar que isso acabaria com os seres humanos. Na verdade, antes de se devorarem, foi organizada, no mundo inteiro, a caça às espécies animais e vegetais que podiam ser comestíveis. Todos invadiram as florestas que restaram, em busca de fauna e flora que pudesse ser destrinchada e devorada. Bastou cinco dias para os que enviaram noventa por cento dos integrantes dos grupos selvagens percebessem que ninguém voltaria, jamais. Havia alguma coisa entre as árvores, que impedira os homens, mulheres e crianças de voltarem com vida.

Decretou-se Estado de Calamidade. Dez por cento da Humanidade sobrara. Caçaram-se uns aos outros. O homem devorava o homem, até mesmo de forma crua e bárbara! A fome continuava. Ninguém sabia no que a Terra se transformaria, após o último homem ser extinto. Mas a radiação dera fim nos últimos dez homens, mulheres e crianças que haviam restado. Todos adoeceram, seus órgãos internos apodrecendo, sob a dose letal que precipitava e se espalhava pela crosta terrestre. Os que se esconderam em “bunkers” mataram-se uns aos outros. Isso foi novidade.

Sob as Montanhas Rochosas e sob o Himalaia, os figurões dos governos dos Estados Unidos e Rússia viviam da noite para o dia, sabendo que, uma hora, as provisões lá estocadas acabar-se-iam. Mas algo se infiltrara até mesmo a dez quilômetros de profundidade e ordenara que os dirigentes mundiais se aniquilassem. No “bunker” do Ocidente, detonou-se no Comando do NORAD uma bomba de cem megatons de potência. O solo tremeu. A terra afundou um pouco. Mas no Oriente as coisas foram trágicas. Lutou-se pelos mantimentos protegidos por guardas dos Exércitos da China, Rússia e Coreia do Norte. A carnificina que sobreveio não pode ser contida. À base de mordidas, socos e pontapés, mataram-se milhares. As crianças... foram as primeiras a serem trucidadas. Depois, as mulheres. Os homens formaram quadrilhas para roubar comida e matar para devorar. As hortaliças, crescendo em soluções hidropônicas, foram arrancadas de seus nichos e o caos imperou. Carne foi jogada entre as multidões das cavernas de aço e sangue correu. Quem tinha uma faca, estava em vantagem, pois disparara-se toda munição que se achara, até que, nos níveis inferiores, onde havia a maior parte das munições e armas de combate, algo se misturara à atmosfera. Atuando no cérebro dos homens, impedira que alguém descesse.

Era como se a única forma de se destruir fosse pelo canibalismo.

Mas uma única e numerosa família sobreviveu, nas praias do litoral Sul do Estado de São Paulo, em um país chamado Brasil. Ninguém dera a mínima por esse grande e pobre país, pois dele não se podia confiar em ninguém, em políticos, nos empresários, no clero, nos cientistas e no povo em geral. Era uma das nações que se supunha não poder sobreviver por si mesma, então, não se gastara mísseis balísticos nas capitais do país. A única coisa que havia em comum com o resto do mundo era o canibalismo e os efeitos dos ventos radioativos, que sopravam do Golfo do México e do Oceano Atlântico.

Essa família cresceu em meio à radiação, sem ser afetada por ela. Cresceu. Houve vários desentendimentos e dos cinquenta membros, vinte partiram para o Sul, Centro-Oeste, Norte e Leste. A maior parte continuou na Praia Grande, onde tinham vivido, até então. Construíram casamatas, onde se abrigariam, caso houvesse ameaças. Armaram-se com fuzis militares e toda sorte de munição e peças de artilharia. Sabiam pilotar caças de guerra. Armazenaram milhões de galões de gasolina e querosene para os aviões e reformaram automóveis de todos os tipos. Formaram uma sociedade completa. Atingiram mil integrantes em um ano. Determinados a sobreviver e lembrando-se da vida luxuosa que tiveram, reconstruíram suas moradias. Inaugurou-se um centro para estudar os efeitos da entidade que impedia que os homens dos outros países de lutarem com armas de fogo.

Um vírus, se é que se podia chamá-lo desse modo, controlava a mente do ser humano. Levara à catástrofe nuclear e ao canibalismo. Quanto mais se matava desse modo, mais ele se reproduzia. Isolou-se tal entidade e fizera-se experiências com ele. Era fácil destruí-lo. Podia-se dar cabo dele com água e sabão, ou com desinfetantes, álcool, gasolina, qualquer líquido que pulverizasse as moléculas que o formavam.

“Sou quem lhes conta esse relato fantástico. Mesmo que somente uma fração da Humanidade tenha restado, nossa genética foi mais forte... Ninguém tem o direito de dizer que não tentamos. Agora, nossa meta é colonizar a Lua. Temos uma plataforma pronta, de onde subirá um foguete de vinte estágios, em que dez deles levará astronautas à Lua e os outros dez estágios conduzirá o homem para Marte. Terraformar-se-á o planeta vermelho e alcançaremos Júpiter, Saturno, Urano... atingiremos em dez mil anos o restante da Via Láctea.

O Destino do Homem está em suas próprias mãos.

O Destino da Humanidade está em sua mente, suas emoções e sua bravura.

Um viva aos que sobrevivem e sobreviverão! 



SOBRE  O AUTOR:
Roberto Fiori é um escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Roberto Fiori sempre foi uma pessoa que teve aptidão para escrever. Desde o ginásio, passando pelo antigo 2º Grau, suas notas na matéria de redação eram altas, muito acima da média. O que o motivava a escrever eram suas leituras, principalmente Ficção Científica e Fantasia. Descobriu cedo, pelo mestre da Fantasia Ray Bradbury, que era a Literatura Fantástica que admirava acima de qualquer outro gênero literário.

Em 1989, sob a indicação de uma grande amiga sua, Loreta, que o escritor conheceu a Oficina da Palavra, na Barra Funda, em São Paulo. E fez uma boa amizade com o maior professor de literatura que já tive, André Carneiro. Sem dúvida alguma, se não fosse pelo André, Roberto nos diz que jamais saberia o que sabe hoje, sobre a arte da escrita. Nos cursos que ele ministrava, o autor aprendeu na prática a escrever, as bases de como tornar uma mera história de ficção em uma obra que atraísse a atenção das pessoas.

“Futuro! – Contos fantásticos de outros lugares e outros tempos” é uma obra parte Fantasia, parte Ficção Científica, parte Horror, e que poderá vir a se tornar realidade, quer em outra época, no futuro, quer em outra dimensão paralela à nossa. Vivemos em um Cosmos que não é o único, nessa teia multidimensional chamada Multiverso. Ele existe, segundo as mais avançadas teorias da cosmologia. São Universos Paralelos, interligados por caminhos ou “wormholes” – buracos de minhoca. Um “wormhole” conecta dois buracos negros, ou singularidades, em que a gravidade é tão elevada que nada pode escapar de sua atração gravitacional, nem mesmo a luz. Em tais “wormholes”, o tempo e o espaço perdem suas características, tornam-se algo que somente pode-se especular e deduzir matematicamente.

“Futuro! – Contos fantásticos de outros lugares e outros tempos” é uma coletânea de treze contos e noveletas. Invasões alienígenas por seres implacáveis, ameaças vindas dos confins da Via Láctea por entidades invencíveis, a luta do Homem contra uma raça peculiar e destrutiva ao extremo, terrível e que odeia o ser humano sem motivo algum. Esses são exemplos de contos em que o leitor poderá não enxergar qualquer possibilidade de sobrevivência para o Homem. Mas, ao lado de relatos de pesadelo, surgem contos que nos falam de emoções. Uma máquina pode apresentar emoções? Ela poderia sentir, se emocionar? Nosso povo já esteve à beira da catástrofe nuclear, em 1962. Isso é realidade. Mas e se nossa sobrevivência tivesse sido conseguida com uma pequena ajuda de uma raça semelhante à nossa em tudo, na aparência, na língua, nos costumes? E que desejaria viver na Terra, ao lado de seus irmãos humanos? Há histórias neste livro que trazem ao leitor uma guerra milenar, que poderá bem ser interrompida por um casal, cada indivíduo situado em cada lado da contenda. E há histórias de terror, como uma presença, não mais que uma forma, que mata, destrói e não deixa rastros. 
Enfim, é uma obra de ficção, mas que poderá vir a se revelar algo palpável para o Homem, como na narrativa profética da destruição de um planeta inteiro.

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