Conexão Nerd: Teoria da Conspiração, por Ademir Pascale

Cena do filme Teoria da Conspiração POR ADEMIR PASCALE Hoje não irei comentar sobre colecionáveis ou heróis, mas sobre um filme, um li...

Mostrando postagens com marcador O sal e o lírio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador O sal e o lírio. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Em “o sal e o lírio” o homem se aquece no próprio abraço

Francisca Vilas Boas - Foto Divulgação
O sal e o lírio é o mais novo livro de poemas de Francisca Vilas Boas, uma das pioneiras do miniconto no Brasil. Com sete livros publicados e participação em antologias, este recente trabalho revela qualidades bem apuradas. Poucas palavras dizem muito. Gestos de sal e feridas caminham lado a lado através de um silente ou gritante eu lírico.
Os poemas do livro se alternam entre lirismo e salinidade. No ofício da palavra, a poeta se sobressai com metáforas. Francisca escreve sobre afetos germinais, ilusões, ilhas inacessíveis de encontros, corpos que enrugam a paisagem. No campo afetivo, aqueles que foram provar das fábulas se extraviaram.  Como um voyeur, um guarda age na contrarrazão do desejo e multa o amor.
Pós-graduada em Letras e Direito, Francisca Vilas Boas exerceu as funções de professora e de oficiala da Justiça Federal, adquirindo assim familiaridade com as dobras do tempo, com o desrumo e o calendário das almas e, também, com inventários do abandono. Hoje, a poeta questiona: “a ferida sonha? o corpo é seu refém?” Enquanto isso, “deus se tornou imagem de museu”.
E há excesso de sal nos súbitos da rua. Um homem mata e tinge de sangue o branco do espaço. Mesmo depois que o caos dessangra, nem o cavalo branco de Gauguin escapa das mutações, e tem sua cor desbotada. Somente um carneiro na paisagem rural se mantém branco... branco.
Francisca é mineira de Guaxupé, com as lembranças dos pomares da infância e dos lírios que refletem arco-íris. Mora no Rio de Janeiro desde 1973, entre belezas e máquinas do mundo. Em qualquer lugar há solidão e “a barca da morte atravessa o deserto das almas.” Ainda bem que as mulheres (incluindo a autora) emprestam doçuras ao sombrio.
Desde os anos de 1960, a escritora cumpre o ofício da espera e da lapidação de palavras. No processo criativo, definido como pura tocaia, vultos ganham ossatura e asas. Versos respiram: o suor no ar envolve a brisa que passa. Curiosamente, em um dos poemas a letra y lembra o formato de uma taça... de lírio.
Para a ex-professora de Literatura Brasileira e Língua Portuguesa, por mais de 30 anos, a gramática do mundo foi deletada. Sem perder o refinamento literário, ela registra a atual (in)comunicabilidade humana, em que o diálogo agoniza. Nesse aspecto, alguns poemas são salinamente líricos.
Com doçura farta e uma pitada de sal, Francisca não poupa sensibilidade ao descrever um amor de pai no primeiro contato com o filho - predestinado “a reescrever-te, a semear-te.” A mulher, tão traduzida e tão enigmática como em lua lúnula, ganhou poéticas de beleza e fortaleza. É fruto sobre a terra a urdir sua história de silêncios. A autora pergunta: o que é silenciado?
Vasto e profundo, o sal e o lírio pode ser definido em um verso do livro: “o homem caminha agasalhado no frio do próprio abraço.”

Crédito: Sílvio Reis, jornalista

Serviço:
“O sal e o lírio”, Editora Scortecci, 2017 – www.scortecci.com.br


Compartilhe:

Baixe a Revista (Clique Sobre a Capa)

baixar

E-mail: ademirpascale@gmail.com

>> Para Divulgação Literária: Clique aqui

Curta Nossa Fanpage

Siga Conexão Literatura Nas Redes Sociais:

Posts mais acessados da semana

ANTOLOGIAS LITERÁRIAS

POEME-SE

CONHEÇA A REVISTA PROJETO AUTOESTIMA

LIVRO: O CLUBE DE LEITURA DE EDGAR ALLAN POE

LIVRO DESTAQUE

CEDRIK - ROBERTO FIORI

Leitores que passaram por aqui

Labels