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terça-feira, 10 de setembro de 2019

Gramático Roberto Melo Mesquita toma posse na Academia Ituana de Letras, por Cida Simka e Sérgio Simka

Roberto Melo Mesquita
No próximo sábado (14/9), a Academia Ituana de Letras (ACADIL) abrirá suas portas para receber mais um membro, desta vez um ituano, o prof. Roberto Melo Mesquita, de 73 anos.
Mesquita é mestre em Língua Portuguesa pela PUC/SP e grande conhecedor da gramática portuguesa e latina. Já se dedicou profissionalmente à educação no ensino básico e superior (PUC, UNIP e UNIBAN), sempre atuando na cidade de São Paulo. Ministrou palestras em quase todas as capitais brasileiras. Atualmente, continua escrevendo livros didáticos para editoras consagradas.
O prof. Mesquita é autor de livros sobre Língua e Literatura portuguesa e brasileira pela Editora Saraiva desde 1973. Editou mais de sessenta títulos, dentre os quais Gramática da Língua Portuguesa (11. ed.) e Gramática Pedagógica (31. ed.). Escreve também desde 2016 pela Wak Editora, pela qual publicou como coautor “O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática”.
Como pesquisador é membro do Grupo de Pesquisas em Historiografia da Língua Portuguesa (GPeHLP) do IP-PUC/SP e do Grupo de Pesquisa em Educação Linguística e Ensino de Língua Portuguesa (GPEDLINP) do IP-PUC/SP. Tem vários capítulos, prefácios e artigos publicados. É associado à ABRALE (Associação Brasileira de Autores de Livros Educativos), da qual já foi vice-presidente. É também membro da UBE (União Brasileira dos Escritores).
O acadêmico tomará posse como primeiro ocupante da Cadeira 33, uma das novas criadas pela ACADIL no seu jubileu de prata. Tem por patrono o poeta ituano capitão Bento Dias Pacheco (1756-1829), um dos mais antigos escritores locais, autor de elegantes versos latinos e em língua portuguesa recentemente encontrados pela ACADIL. A produção do capitão Bento Pacheco foi registrada em caderno datado de 1806, verdadeiro tesouro, possivelmente a mais antiga produção literária local. Alguns poemas serviram ao novo acadêmico para o elogio a seu patrono que proferirá na sessão solene da Academia.
Bento Dias Pacheco foi proprietário de terras em Itu, patriarca de poderosa família que muito contribuiu no campo das artes e da ação social. Deixou, dentre seus descendentes, o neto de mesmo nome, padre, cujo bicentenário de nascimento será lembrado na mesma sessão solene.
Roberto Melo Mesquita será saudado pelo acadêmico Bernardo Campos.
A sessão solene é aberta ao público e terá lugar no dia 14 de setembro de 2019, sábado, às 10h30 no Museu da Energia de Itu (Rua Paula Souza, 669).
A Academia Ituana de Letras (ACADIL) é uma associação de escritores fundada em 1992, que conta com trinta e dois membros que se dedicam à produção literária e estudos sobre a Língua Portuguesa e Literatura em geral.

Abaixo, a entrevista exclusiva que o gramático Roberto Melo Mesquita concedeu à Revista Conexão Literatura:

Como se deu o seu ingresso na Academia Ituana de Letras?

Ainda que tenha nascido, passado parte de minha infância e adolescência em Itu, não conhecia Bernardo Campos. No entanto, ao acaso tive a oportunidade de ler na internet um texto intitulado “Que saudade!” cujo autor era Bernardo Campos. Este é o primeiro parágrafo do texto:
“Às cinco e meia em ponto, Frei Rafael adentrava o dormitório e com palmadas fortes punha todo mundo acordado. Percorria de fora a fora os corredores do dormitório e refazia o trajeto para sacudir os sonolentos renitentes. A maioria, contudo se aprestava a pegar um lugar no amplo lavatório e a disputar os banheiros.”
Eu que havia estudado em Itu, no Seminário Nossa Senhora do Carmo, senti na leitura desse a memória se atualizar. Por ser eu uma pessoa muito interessada pela nossa Língua Portuguesa não foi difícil localizar o autor. Que surpresa! Era um conterrâneo da minha Itu!
Bernardo Campos é um grande cronista que mora em Itu. Travamos a partir daí uma grande amizade. Há uns dois anos ele resolveu lançar o livro Crônicas Esparsas e eu acabei fazendo o prefácio do livro. A nossa amizade só aumentou. Dois ex-carmelitas de vez em quando se encontravam para um cafezinho inteligente. Aí começou a surgir a ideia de eu voltar a Itu e colaborar com a cultura da cidade de alguma forma. Daí, pensamos: por que não por meio da ACADIL? Bernardo me recomendou a inscrição entre outros candidatos, estimulou-me a concorrer a uma vaga. Daí deu tudo certo, fui eleito como primeiro ocupante da cadeira 33 da ACADIL – Academia Ituana de Letras, cujo patrono é o poeta também ituano, capitão Bento Dias Pacheco.

Como se sente com a homenagem?

Desde criança, aprecio muito uns versinhos da grande poeta Cecília Meireles:
“Os sonhos são flores altas/de umas distantes montanhas/que um dia se alcançarão.”
Então quando penso nessa homenagem, me vem à cabeça a realização de mais um sonho. Estou emocionado, feliz por alguns motivos para mim importantes: voltar à cidade onde nasci, Itu; rever parentes e amigos da minha infância e adolescência; juntar-me aos escritores de Itu e região que têm como meta fomentar a literatura regional, discutir temas ligados à cultura, à arte e realizar eventos e publicações que incentivem a leitura e promovam a discussão de ideias.

Como membro da Academia, teria algum projeto a ser implementado?

Vou tentar incrementar a literatura local e regional. Tentar fazer com que essas obras cheguem às bibliotecas locais e regionais. Integrar os estudos de literatura com os da língua.
Foi em Itu e região que conheci os personagens de Monteiro Lobato como Pedrinho, Narizinho e Emília, sobrevivi numa ilha deserta com Robinson Crusoé, demoli moinhos de vento com a lança de Don Quixote, ajudei Quasimodo a badalar seus sinos pelo amor da cigana Esmeralda, lutei com Rolando em Os Cavaleiros da Távola Redonda, declamei Canção do Exílio de Gonçalves Dias (Minha terra tem palmeiras/Onde canta o Sabiá/As aves, que aqui gorjeiam/Não gorjeiam como lá.), cantei Patativa com Vicente Celestino (Acorda, patativa, vem cantar/Relembra as madrugadas que lá vão), Quem Sabe de Carlos Gomes (Tão longe de mim distante/Onde irá, onde irá teu pensamento), Gondoleiro do Amor (Teus olhos são negros, negros/Como as noites sem luar/São ardentes são profundos/Como o negrume do mar), Ave Maria de Erotides de Campos (Cai a tarde tristonha e serena/Em macio e suave langor/Despertando no meu coração/A saudade do primeiro amor) e muito mais...
Afinal, se o capitão Bento Dias Pacheco, um autêntico homem de letras que viveu em pleno Brasil Colonial conseguiu marcar seu nome na história local, regional e nacional, e eu, ainda que sem os predicados do patrono, educador, professor de português e latim, autor de livros educativos, pesquisador, palestrante, sofrível poeta, articulista bissexto e esforçado cristão e desfrutando do que nos oferece o século XXI, quero, seguindo seus passos, também registrar o meu nome como pelo menos um esforçado escritor e colaborador da ACADIL.

Site da Academia:
http://www.acadil.com.br/

Site da Wak Editora:
https://wakeditora.com.br/produto/o-acordo-ortografico-da-lingua-portuguesa-na-pratica/


Cida Simka é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak Editora, 2014) e autora dos livros O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak Editora, 2016), O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), “Nóis sabe português” (Wak Editora, 2017) e Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019) e Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019). Integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.

Sérgio Simka é professor universitário desde 1999. Autor de mais de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela Editora Uirapuru. Organizador dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019) e Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019). Autor, dentre outros, do livro Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019). Membro do Conselho Editorial da Editora Pumpkin e integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.
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segunda-feira, 4 de junho de 2018

Roberto Melo Mesquita e o livro Gramática da Língua Portuguesa, por Sérgio Simka e Cida Simka


Nesta entrevista, o prof. Roberto Melo Mesquita, um dos maiores gramáticos do País, fala sobre seu trabalho e sobre sua trajetória acadêmica.

Entrevista para a revista Conexão Literatura.

O Prof. Sérgio Simka me pede para que eu conceda uma entrevista para a revista Conexão Literatura. Sinto-me muito honrado com o convite, pois que tenho muito apreço e admiração pelo seu trabalho sério e de tão grande qualidade.

Fale-nos sobre você.

Minha educação escolar básica recebi em uma escola pública de Cabreúva (SP), chamada Grupo Escolar Lucídio Motta Navarro. Na adolescência, os responsáveis por minha formação foram os frades holandeses do Seminário Nossa Senhora do Carmo em Itu (SP). Foi nessa trajetória que recebi o incentivo para a leitura e um amplo aprendizado da nossa língua, do latim e do inglês. Criei assim um vínculo com a leitura e aos 18 anos comecei a cursar Letras Clássicas na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

ENTREVISTA:

Por que resolveu seguir a carreira docente? Foi influenciado por alguém?

Quando ainda estudante, dediquei-me a dar aulas de Português no Colégio São Judas Tadeu. Sem dúvidas, as minhas perspectivas estavam traçadas. Ao concluir a faculdade, trabalhei como professor no Colégio São Judas Tadeu, Colégio Nossa Senhora do Carmo, Colégio Arquidiocesano, Ginásio Estadual de Vila Ré e outros. Foi uma época muito boa e havia uma interação grande com os alunos.

Você é autor de mais de 70 obras. Qual delas lhe deu maior satisfação? E qual é a que faz mais sucesso? (de vendas, de público)

A partir da década de 70, comecei a trabalhar na Editora Saraiva como redator, e, pouco tempo depois, tive a oportunidade de colocar no papel os meus conhecimentos da Língua Portuguesa e a experiência que tinha da sala de aula. Várias obras foram publicadas, pois que o mercado de trabalho era bastante favorável.

Na década de 90, por incentivo familiar, retornei aos bancos da universidade para fazer o mestrado. Esse retorno foi um momento importante, prazeroso em minha vida. Desde então, tenho me dedicado à universidade, fazendo parte de dois grupos de pesquisa: Historiografia da Língua Portuguesa (GPeHLP) e Educação Linguística e Ensino de Língua Portuguesa (GPEDLINP), ambos do IP-PUC/SP.

Duas obras publicadas pela Editora Saraiva me dão muita satisfação. Uma, a Gramática Pedagógica, cuja primeira edição foi lançada em 1980, já se encontra na 31ª edição. A outra, a Gramática da Língua Portuguesa, que teve sua 1ª edição em 1994 e está na 11ª edição. 

Qual a sua opinião sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, em vigor no Brasil desde 1º de janeiro de 2016?

Como língua de cultura, a Língua Portuguesa é a expressão maior de nossa cidadania. Assim, penso que devemos celebrar o Acordo Ortográfico porque ele tem a pretensão de defender a unidade essencial da Língua Portuguesa e o aumento de seu prestígio internacional, pondo um ponto final na existência de duas normas ortográficas divergentes e ambas oficiais: uma no Brasil e outra nos restantes países de Língua Portuguesa.

Aliás, no livro O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa na prática, que lançamos como coautor pela WAK Editora (http://wakeditora.com.br/loja/product_info.php?cPath=27&products_id=716), abordamos muito as mudanças que ocorreram na ortografia.

Como analisa a questão de leitura no país?

A leitura é um bem permanente que o ser humano tem. É uma porta aberta para o conhecimento, para o progresso, para a justiça entre as pessoas. A leitura é muito mais que a simples decifração de um código. Pela leitura se desenvolve e exercita o pensamento crítico. Pela leitura se desvendam as artimanhas dos discursos, percebe-se o que está por trás delas, nas entrelinhas, e se se está capacitado para a leitura do próprio mundo. Hoje se lê muito no Brasil, mas é preciso que se leia mais e mais e melhor!

O que tem a dizer a quem pretende ser professor de português?

A escola de hoje já não tem o monopólio do saber. A escola hoje tem a função de ensinar, mas ensinar nos dias atuais significa ajudar os alunos a desenvolver as suas capacidades intelectuais e a sua capacidade reflexiva em face da complexidade do mundo moderno.
E o candidato a bom professor de português hoje tem que saber que vai ter de ensinar, mas de forma a despertar no aprendiz o gosto pelo aprender. E esse gosto é traduzido em organizar os conteúdos da disciplina levando em conta as características dos alunos. O professor hoje não pode desconhecer que os aprendizes vêm à escola com uma variedade muito grande de saberes que ele encontrou fora da escola.

*Sérgio Simka é professor universitário desde 1999. Autor de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a coleção Mistério, publicada pela Editora Uirapuru.

Cida Simka é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak, 2014) e autora dos livros O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak, 2016), O enigma da velha casa (Uirapuru, 2016) e “Nóis sabe português” (Wak, 2017).
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