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segunda-feira, 1 de julho de 2019

PC Marciano, Editora Gráfica Heliópolis e o Rumos Itaú Cultural

PC Marciano - Foto divulgação
PC Marciano é ator, roteirista, produtor audiovisual, escritor e ativista cultural. 
Morador de Heliópolis, o artista procura exercer suas atividades artísticas e culturais dentro de sua comunidade. PC Marciano acredita que todos, sem exceção, são capazes de se expressar através da arte e com seus projetos tenta viabilizar esses sonhos. 

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

PC Marciano: na minha infância eu tive vários problemas com a fala e sem eu perceber isso acabou me obrigando a me expressar por outros caminhos. Tive contato com a música aos 5 anos de idade e aos 7 anos com o teatro e a literatura em um projeto de uma escola pública (Escola municipal Presidente Campos Salles), onde estudei até a oitava série. 
Na sala de leitura, meus amigos queriam ler histórias em quadrinhos e eu logo de cara me afeiçoei por um senhor barbudo chamado Júlio Verne.  Em um primeiro momento, a minha professora do primário tentou me incentivar a ler um outro livro mais adequado para a minha idade, mas com a minha insistência, a professora da sala de leitura, Célia, resolveu ler comigo e me mostrar cada detalhe do livro, inclusive pegando mapas para auxiliar o meu entendimento. Esse acolhimento foi primordial para que eu mergulhasse nesse universo. Como eu tinha muitos problemas com a fala, era motivo de piada, risadas toda vez que eu abria a boca para dizer algo. A leitura me levava para um universo interessante e com a boca fechada, isso me poupava alguns sofrimentos. 

Na adolescência o rock nacional me levou a mergulhar nas pesquisas literárias. Estudava as letras de Raul Seixas, Renato Russo, Cazuza, Humberto Gessinger e outros.  Queria saber o que estava por trás das músicas e isso me levou a estudar outros compositores como Chico Buarque, Caetano Veloso, Djavan, Belquior, etc.

Conexão Literatura: Você é o criador e editor da Editora Gráfica Heliópolis. Poderia comentar?

PC Marciano: Tentei publicar o meu livro durante oito anos mais ou menos e com o passar do tempo eu fui entendendo mais sobre as dificuldades de se publicar uma obra.  Resolvi fazer um mapeamento de escritores da minha região e entender se eles também sofriam com a mesma questão.  Depois de compreender que as frustrações de muitos eram maiores do que a minha, surgiu a necessidade de criar algo que contemplasse a todos. Infelizmente existem caixas que o sistema comercial coloca o escritor e, com isso, muitos não são publicados. A Editora Gráfica Heliópolis vem para dar voz pra quem tem o que dizer. 

Autoras e PC Marciano na Editora Gráfica Heliópolis
Conexão Literatura: É verdade que o projeto foi contemplado pelo RUMOS ITAÚ CULTURAL?

PC Marciano: Quando eu tive a ideia de criar uma editora na comunidade em um sistema de acesso para todos, automaticamente ganhei um problema. Como conseguir capitar recursos para montar uma gráfica? Apelei para leis de fomento, mas a maioria não embarcava nessa ideia,  foi então que eu conheci o edital Rumos Itaú cultural.  Estudei o edital, vi que era super interessante, por ser um edital aberto no sentido cultural.  Não é um edital engessado. 

Conexão Literatura: A Editora Gráfica Heliópolis lançou 17 obras de autores da comunidade. Agora abre espaço e lança escritores LGBT. Poderia comentar?

PC Marciano: no geral todos os nossos escritores estão a margem do modelo editorial atual e pessoas LGBT, inclusive pessoas trans estão mais a margem. O nosso DNA é dar voz a essas pessoas, que têm muito a dizer. 

Conexão Literatura: Vocês também promovem atividades, como saraus e workshops? 

PC Marciano: Sim.  No próximo lançamento teremos uma roda de conversa, além disso estamos realizando o SLAM do Helipa e outras ações para formação de público. 

Conexão Literatura: Quais são os próximos passos da Editora Gráfica Heliópolis e como os interessados poderão saber mais sobre ela?

PC Marciano: em agosto vamos publicar obras das escolas públicas da região. Nós acreditamos muito nessa formação de público e para os alunos uma ação como essa gera energia para que eles se incentivem dentro da literatura. 

Perguntas rápidas:

Um livro: Os miseráveis 
Um (a) autor (a): Marçal Aquino
Um ator ou atriz: Fernanda Montenegro 
Um filme: Menina de ouro
Um dia especial: Hoje 

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

PC Marciano: Muito obrigado pela oportunidade. Sou de um lugar onde a mídia tem interesse em divulgar as coisas ruins e quando aparecem jornalistas que querem mostrar o lado bom também, desperta toda a nossa gratidão. Muito obrigado. 
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terça-feira, 6 de março de 2018

Projeto Histórias da Tradição

Índios Xavante - Foto: Helio Nobre/Ikore
Mitos, histórias, narrativas...
O tempo da criação do mundo e de todas as coisas presente
na literatura oral dos povos indígenas do Brasil

O projeto Histórias da Tradição é fruto de uma longa história de amizade e trabalho da Ikore com diferentes povos indígenas. Nasceu da grande admiração pelas culturas e sabedorias dos povos originários e da certeza de que precisamos conhecer, respeitar, valorizar e fortalecer esses povos, em seus direitos e diversidade.

O projeto se propõe a construir uma ponte para a aproximação entre as aldeias e o povo das cidades com a beleza das histórias, a força da Palavra Criadora, e contribuir para o fortalecimento da identidade e das culturas indígenas.  É uma resposta ao pedido dos velhos sábios das aldeias que acreditam que as novas tecnologias, quando apropriadas e conduzidas pelas comunidades, podem ser armas importantes para manutenção das tradições.

Com apoio dos Editais Petrobras Cultural de 2012 e Programa Rumos Itaú Cultural de 2016, a Ikore realizou o projeto Histórias da Tradição em parceria com as aldeias Uyaipiuku, do povo Mehinaku, no Parque Indígena do Xingu,  Etenhiritipá, do povo Xavante (MT) e Fontoura, do povo Karajá (TO), com coordenação e organização de Angela Pappiani, Inimá Lacerda e Maíra Lacerda.
Aldeia Karajá - Foto: Helio Nobre/Ikore

O trabalho aconteceu principalmente nas aldeias, ao longo de meses, construindo acervos com o registro das histórias no idioma indígena em áudio e vídeo, voltados à preservação da arte das narrativas orais e incentivo às novas gerações. As narrativas escolhidas pelas comunidades como as mais significativas para edição dos livros tiveram cuidadosa tradução do idioma nativo para o português e as ilustrações foram feitas pelos jovens e crianças das aldeias. Os livros, com autoria garantida às comunidades, tem capa dura e encarte de pôster colorido.  Os dois primeiros trazem ainda CD de áudio com algumas das histórias.

O website do projeto - www.historiasdatradicao.org - traz para o público fotografias, desenhos, textos, depoimentos, áudio e vídeo original das histórias no idioma nativo e ainda a magia das narrativas em português conduzidas por dois contadores de história,  trilha sonora com sons captados na aldeia e músicas tradicionais que enriquecem o trabalho e completam o mergulho no universo dessas tradições.        

Para conhecer esta e outras publicações do projeto: clique aqui


Os livros voltaram para as aldeias como importante material para as escolas indígenas e instrumento de fortalecimento das identidades. As histórias milenares buscam espaços entre os amantes da boa literatura que queiram se aventurar por novas paisagens e emoções.
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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Panorama da história e das paisagens dos Campos Gerais do Paraná é traçado em projeto contemplado pelo Rumos Itaú Cultural


Projeto da poeta Josely Vianna Batista, com artistas convidados, Na Tela Rútila das Pálpebras
 é um site que apresenta ao público aspectos tanto da história geológica dos campos
 de altitude brasileiros quanto dos impactos que vêm transformando esse cenário;
são textos históricos e literários, ensaios fotográficos, desenhos, mapas e arte digital

No dia 9 de setembro, a tradutora de poesia e literatura hispano-americana e autora de The Oxford Book of Latin American Poetry, Josely Vianna Baptista, coloca na web Na Tela Rútila das Pálpebras – publicação digital que traça um panorama da história e das paisagens dos Campos Gerais do Paraná. Contemplado pelo Rumos Itaú Cultural 2013-2014, tem formato de uma revista eletrônica, com textos históricos e literários, ensaios fotográficos, desenhos e arte digital, a fim de proporcionar ao leitor uma imersão sensível na região, na qual viveram ancestrais da poeta e que foi palco do ciclo do tropeirismo no sul do país durante os séculos 17 e 18.

O título sugere que a grande referência do projeto é o próprio olhar e as formas pelas quais essa mirada – em sonhos, na ficção da história ou sob o sol a pino – destrói, cria e enxerga sentidos. Foi a curiosidade em como as paisagens se formaram, na recusa das diferenças, no desconhecido, nas questões que são um vivo estímulo para os poetas e artistas que encontram nesses motes matéria de reflexão, que Josely resolveu desenvolver este projeto e explorar a terra.

Campos Gerais do Paraná foi o lugar escolhido por estar presente na memória afetiva de criança dela e por ter recebido, há mais de 10 gerações, seus antepassados. “Durante anos cruzei os Campos Gerais em viagens constantes entre o norte e o leste do Paraná”, conta. “Avistava seus gélidos rios entre os prados, uns capões de araucárias ao redor de um córrego, os pétreos afloramentos que evocam ruínas, cachoeiras e furnas, que há milhões de anos conformam essa assombrosa paisagem do Sul do Brasil.”

Josely Vianna Baptista numa das expedições do projeto (foto: Pedro Jerônimo Vianna de Faria)
Na Tela Rútila das Pálpebras é um projeto multidisciplinar, de pesquisa iconográfica, bilíngue (português e inglês), que levou mais de dois anos para ser concluído e revela uma extensa região acima do nível do mar, onde a floresta da Mata Atlântica dá lugar aos campos e às matas com araucária e os campos com cânions, rios e cachoeiras. Junto a Josely se uniram artistas e profissionais de competências diversas, todos ligados a essas raízes de alguma forma, para comporem um caleidoscópio criativo sobre a região, com textos, imagens, mapas, falas e narrativas.

O público encontra, por exemplo, o trabalho fotográfico A Árvore da Serra, de Pedro Jerônimo Vianna de Faria, criado especialmente para o site e que teve a apresentação escrita pelo artista visual Francisco Faria. São imagens dos campos ao longo de toda a feitura do projeto, em diversas estações. Guilherme Zamoner, responsável pelo web design e pelos palimpsestos visuais que pontuam as páginas do site, também comparece com desenhos feitos na região do Cânion do Guartelá e do Parque Estadual de Vila Velha – cidadela de arenitos que fica na borda da Escarpa Devoniana, no Paraná.
Uma contribuição da artista plástica Maria Baptista, o vídeo Nada é imagem, nada é miragem, compõe imagens autorais dos campos com sua oralização do poema Os poros flóridos, de Josely Vianna. Na versão em inglês, quem lê este texto é o norte-americano Chris Daniels, que também assina a tradução de todos os poemas.

A apresentação da revista digital é assinada pela própria Josely, que explica a formação desses campos, retrocedendo na escala geológica. O vasto quadro que Na tela rútila das pálpebras oferece é enriquecido com a contribuição do poeta mapuche Lionel Lienlaf, com O rio do céu – um poema que faz, além de um contraponto mítico à metáfora dos rios que fluem em todas as seções do site, também uma conexão cósmica com os campos. “Ele descreve uma experiência memorável para quem pôde viver uma noite sob o céu estrelado desses lugares”, conta ela.

No interior do projeto online há uma seção com o mesmo da publicação. Nesta aba encontram-se dois textos poéticos. Um é do cubano José Kozer chamado Dádiva, que se torna um momento de encontro mítico com a mãe-terra. Outro, é de Josely, Fábula, tessitura de falas, acompanhado por imagens de Itororó, trabalho de Guilherme Zamoner. “Esse poema marca o reencontro de todas essas perspectivas numa narrativa dialógica densa e inspiradora”, conta ela.

“Com uma expressividade quase tátil, Fábula recolhe os cacos da experiência sensível num mundo transtornado e, ainda assim, indomavelmente belo. É uma fala intuitiva, movida pela paixão e pela presença, que é a todo instante interpelada por uma lógica de recusa, de ausência, e questiona seu próprio alcance expressivo”, diz a autora. “Esse movimento convulsivo revela o seu drama e sua redenção ao se abrir a todo o arco de sentidos e visões de um diálogo obstinado em reconstruir nexos, obstinado numa contraconquista da alma pulsante da América Meridional, insubmissa à desventura.”

SERVIÇO:
Na Tela Rútila das Pálpebras estreia na web
De Josely Vianna Baptista
Dia 9 de setembro
Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô
Fones: 11. 2168-1776/1777
atendimento@itaucultural.org.br
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