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terça-feira, 5 de janeiro de 2021

ENTREVISTA: Thiago Cavalcante Jeronimo e o livro Clarice Lispector apesar de: romance de formação e recursos discursivos, por Cida Simka e Sérgio Simka

Thiago Cavalcante Jeronimo - Foto divulgação

Fale-nos sobre você.

Sou bacharel e licenciado em Letras pela Centro Universitário Sant’Anna. Mestre e doutor em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Meu doutorado foi realizado no âmbito do Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior, com bolsa CAPES, como parte da investigação realizada na Universidade do Minho, Portugal. Pesquiso a obra de Clarice Lispector desde 2008, quando iniciei minha graduação, sendo que minha tese de doutorado ampliou-se com análises direcionadas à produção de Elisa Lispector, ficcionista talentosa, mas, infelizmente, posta à sombra diante da potência revolucionária da ficção de sua irmã Clarice.

Fale-nos sobre o seu livro, que é fruto de sua dissertação de mestrado defendida na Universidade Presbiteriana Mackenzie. 

Minha dissertação, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em 2016, foi nomeada Figurações do romance de formação e recursos discursivos em Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres. Escolhi estudar o sexto romance de Clarice Lispector, lançado em 1969, porque senti a necessidade de evidenciar as qualidades desse texto dentro do conjunto ficcional de sua autora. Enxergo nO livro dos prazeres um diálogo pulsante entre as produções anteriores de Clarice, bem como uma antecipação do que a autora trataria nos seus últimos escritos. Nesse veio, minha leitura de Uma aprendizagem vai de encontro, se choca, a posicionamentos críticos que consideram este livro como “malogrado” e “falhado”. Minha investigação, contemplada com distinção e louvor, foi eleita pela UPM como a melhor dissertação do Programa no período de 2016 a 2018. Participei, em 2018, do prêmio ANPOLL de Teses e Dissertações (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística), tendo ficado entre os finalistas desse importante prêmio nacional. Diante desses reconhecimentos, a publicação do livro Clarice Lispector apesar de, fruto desse trabalho, se efetivou em maio de 2020, e o lançamento foi concretizado em novembro passado.

Qual a sua pesquisa de doutorado?

Pesquisei no meu doutoramento as obras de Elisa Lispector e de Clarice Lispector. O título da tese, no meu entender, sintetiza bem a investigação: Judaísmo e Cristianismo em Elisa Lispector e em Clarice Lispector: testemunho e vestígio. Percebo na obra de Elisa uma inclinação favorável ao judaísmo. A primeira Lispector cultua e celebra a crença de seus antepassdos em sua vida pessoal e em sua escrituração. A obra de Elisa – sete romances, três livros de contos, e um livro de memórias – é testemunho vivo da tradição, religião e cultura judaica, além de ser registro histórico-ficcional do deslocamento dos judeus da Europa antissemita para o continente americano (1917-1920). Ainda hoje, muitos críticos consideram Samuel Rawet como o primeiro a confiar ficcionalidade aos problemas enfrentados pelos imigrantes judeus em direção ao Brasil (e no Brasil), mas, o seu livro, Contos do imigrante, é de 1956. Elisa o antecipa porque seu romance autobiográfico, No exílio, foi lançado oito anos antes, em 1948. Contudo, o primeiro escritor que tratou desses temas foi Marcos Iolovitch, em 1940, no livro Numa clara manhã de abril. Em via oposta ao de sua irmã, Clarice Lispector não se filia ao judaísmo em sua vida pessoal e em suas produções ficcionais. Enquanto Elisa hasteia a bandeira judaica, Clarice silencia essa temática. Benjamin Moser, na sua problemática biografia (Clarice, Cosac Naify, 2010), enxerga na vida e na obra de Clarice um impulso essencialmente espiritual – filiado ao judaísmo –  que anima a produção da autora. Minha investigação rebate esse posicionamento do biógrafo norte-americano. O que sustenta a obra de Clarice, a meu ver, é a própria linguagem: selvagem/indomesticada a normas textuais e religiosas. Na expressão alcunhada por Benedito Nunes (1995), a obra clariciana marca-se e diferencia-se por sua “desescritura”. Clarice “desleu” as tradições de gêneros literários, inclusive a tradição judaica de seus antepassados. 

Por que ler Clarice Lispector?

Clarice Lispector é considerada a escritora maior da nossa literatura. Sua vasta e impactante produção a colocou como uma das maiores escritoras do século XX. Seu livro A paixão segundo G. H. (1964) é destacado por muitos especialistas – nacionais e internacionais –  como um dos textos maiores da literatura do século passado. Tamanha é a pujança  que a obra de Clarice desperta e sucista. Creio que o reconhecimento de sua obra, ampliado nas últimas décadas, deve-se, dentre outras considerações, pelo fato de que as personagens claricianas, a exemplo de G. H.,  anseiam enfrentar as adversidades a elas impostas, visando a uma liberdade para além do que foi determinado e limitado. No atual momento de pandemia que atravessamos, a ficção de Clarice é passaporte para refletirmos acerca de ser e estar no mundo.

Quais os seus próximos projetos?

O ano de 2020, embora conturbado, considerando a intensa problemática da Covid-19, foi frutífero para mim. Lancei o livro Clarice Lispector apesar de: romance de formação e recusrsos discursivos (ed. Todas as musas), no dia 5 de novembro de 2020. No mesmo mês, dia 23, defendi a tese de doutorado acerca das obras de Elisa e de Clarice (fui orientado pela profa. Dra. Aurora Gedra Ruiz Alvarez e coorientado pelo prof. Dr. Carlos Mendes de Sousa). No dia 23, um dia antes do início das festas natalinas, falei acerca do judaísmo na obra das duas ficcionistas no Centro Cultural do Brasil, em Tel Aviv (Israel). No âmbito do centenário de nascimento de Clarice, comemorado no dia 10 de dezembro, tive dois ensaios publicados: o primeiro, na revista Cerrados, da UnB, no qual assinei um artigo com Luciana Luciani acerca das novas edições das capas e obras de Clarice – ladeadas com sua  produção pictórica (Clarice pintou 22 telas!); pela Universidade de São Paulo, assino um  capítulo no livro Clarice Lispector: os mistérios da estrela, no qual discorro acerca da conturbada produção de Benjamin Moser. Há alguns projetos para o ano de 2021: analisar as biografias de Clarice Lispector e o diálogo que a autora nutriu com a cultura portuguesa.

Link para o livro: https://www.todasasmusas.com.br/livro_clarice.html


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020) e Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020) e Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Membro do conselho editorial da Editora Pumpkin e colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais novo livro infantojuvenil se intitula Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). 

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