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terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Cultura perde Tarcísio Pereira

 

Tarcísio Pereira - Foto divulgação

Livreiro, editor e superintendente da Cepe faleceu em consequência de complicações da Covid-19


Faleceu às 22h dessa segunda-feira (25), aos 73 anos, vítima de complicações da Covid-19, o livreiro, editor e superintendente de Marketing e Vendas da Cepe, Tarcísio Pereira. Internado no Hospital Português, ele lutou intensamente por mais de 60 dias contra a doença. Em consequência da Covid-19, Tarcísio sofreu Acidente Vascular Cerebral (AVC), o que prolongou sua permanência no hospital. O velório acontece das 11h às 15h desta terça-feira (26) no Cemitério Morada da Paz, em Paulista, município do Grande Recife, onde o corpo será cremado.


Profundamente abalado, o presidente da Cepe, jornalista Ricardo Leitão, destacou a amizade de 50 anos que os unia e a importância de Tarcísio Pereira para a cultura. "Conheço Tarcísio Pereira desde os anos de 1970, quando a Livro 7 ainda era uma pequena livraria em uma galeria da Rua Sete de Setembro. Sua relação com escritores e editoras fez dele uma âncora cultural de Pernambuco. Tinha uma grande preocupação em trazer livros de qualidade do Sudeste do país e sempre teve o cuidado de treinar seus vendedores para que entendessem a importância e a qualidade literária do livro. Não era uma pessoa que apenas vendia livros. Ele os amava e sabia da importância do seu papel na produção literária.  Tarcísio foi único. Em importância, depois dele, ninguém conseguiu cumprir o papel que executou pela  literatura pernambucana. Foi em função desse perfil, de pessoa que conhecia profundamente o meio literário porque amava o que fazia, que eu o convidei para o Conselho Editorial da Cepe e, logo depois, para assumir a Superintendência de Marketing e Vendas. Perdemos todos com a partida de Tarcísio. Um dia triste para os amigos e para a cultura de Pernambuco".


“Ele lutou bravamente, por mais de sessenta dias, como sempre lutou por tudo aquilo em que acreditava - livros, talentos, cultura nordestina. Continuará conquistando amigos com seu sorriso e maneiras gentis, mas desta vez num plano superior”,  disse Joana Carolina Lins Pereira, juíza federal e uma das filhas de Tarcísio.


“Foi uma decisão difícil fazer o velório aberto, sabemos que esta é uma época em que o imperativo é permanecer em casa. Mas como ele não mais era considerado um paciente de Covid, resolvemos que não poderíamos subtrair àqueles que desejarem a oportunidade de, com todas as cautelas do distanciamento social, prestar uma última homenagem, ele era muito querido’, declarou Joana Carolina.


Tarcísio, diz ela, era uma pessoa extremamente generosa. “A pessoa mais generosa que eu conheci. Me proporcionou uma infância muito feliz, recheada de livros, foi incentivador da minha carreira e um avô maravilhoso”, afirmou Joana Carolina. Tarcísio criou a famosa livraria Livro 7 em 1970, no Centro do Recife. Era ponto de encontro de intelectuais e estudantes. A Livro 7 fechou em 2000.


O editor da Cepe, Diogo Guedes, também lamentou a morte de Tarcísio e ressaltou seu inestimável legado para a cultura e para o cenário literário pernambucano. "Tarcísio foi um visionário quando criou a Livro 7, uma livraria que antecipou em décadas o que se tornaria tendência de certo modo. Um livreiro que acreditava no livro, nas conversas, nos encontros como algo essencial para o desenvolvimento da leitura, da literatura. E Tarcísio continuou esse trabalho na Cepe coordenando nosso marketing, sempre com a mesma empolgação, mesmo envolvimento, com a ideia de tornar o livro algo acessível para as pessoas. É uma perda imensa para os pernambucanos. Uma tristeza".


O cartunista, chargista e músico Lailson de Holanda, grande amigo de Tarcísio, também se ressente com o falecimento do livreiro. “É uma perda enorme para as possibilidades futuras da cultura. Tarcísio é um ícone referencial para todo mundo que fez cultura a partir dos anos 70. É um mecenas e um incentivador. Agradeço a presença dele entre nós. Ele deu muito para a arte e a cultura. É uma lenda. Fico feliz de tê-lo conhecido pessoalmente”, declarou Lailson de Holanda.


Triste com a notícia, o poeta Juareiz Correya falou sobre a perda do amigo: “Não tenho palavras sobre a morte de Tarcísio Pereira, o governador dos nossos infinitos 7 livros... Tenho sua lembrança viva, como quem vai daqui a pouco encontrá-lo na Cepe, trabalhando com a

gente, ou na Rua Sete de Setembro, que ele reinventou para a história e a geografia do Recife. Tarcísio está vivo entre nós, leitores, escritores, amantes e curtidores de livros, abertos para sempre na sua presença amiga”.

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quarta-feira, 9 de maio de 2018

Pedro Almeida, o livro A garota do lago e a Faro Editorial, por Sérgio Simka e Cida Simka

Pedro Almeida - Foto divulgação
Pedro Almeida é jornalista e professor de literatura, com curso de Marketing pela Universidade de Berkeley, trabalha no mercado editorial há 20 anos. Foi publisher em editoras como Ediouro, Novo Conceito, LeYa e Lafonte. Atualmente é publisher da Faro Editorial.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre os livros de sua editora.

A Faro nasceu de uma constatação, de uma ideia nascida de 10 anos atrás, de que editar livros era a das coisas que fiz na vida, a única em que podia reunir prazer e habilidade.
Planejei sua criação por 5 anos, realizando pesquisas, criando a imagem, o logo, o projeto antes de colocá-lo de pé, sem que mais de 3 pessoas soubessem desse plano. Da ideia inicial, de publicar livros clássicos, de venda constante, mas sem picos, ampliei o projeto com a chegada de dois sócios. E decidimos investir então em nichos de autores nacionais que não eram disputados pelas grandes editoras, como YA, policial e terror.

Fale-nos de sua coluna no PublishNews.

A minha geração de editores é totalmente autodidata e outsider: primeiro porque aprendeu a exercer a  atividade estudando sozinha, lendo e fazendo, e segundo porque é formada por não descendentes de donos de editoras. Surgiu nos anos 90, quando as editoras começaram a deixar de ser uma atividade de família e passaram a buscar profissionais fora de sua linhagem hereditária. Antes disso, os editores eram o dono do negócio, independentemente de sua habilidade de escolher bons livros para o mercado. Então comecei a ver que muitos jovens assistentes editoriais careciam de informações e que os primeiros cursos voltados para a área eram ministrados por pessoas que poderiam ter inúmeros títulos acadêmicos, mas nenhuma prática ou sem reconhecimento do mercado. Algo que chamava muito a minha atenção era como a função do editor e da indústria do livro, eram retratadas nos filmes. Então comecei a recolher exemplos para mim mesmo. No entanto, quando assisti a um filme francês, Roman de Gare (Crimes de Autor), tive um clique. Vi nele diversos elementos que eu agora poderia ilustrar com o filme ao explicar para as pessoas sobre como era parte do meu trabalho. Então, em 2011, contei a ideia de escrever um artigo ao editor e criador do Publishnews, Carlo Carrenho, e ele propôs que eu escrevesse uma coluna. De lá para cá falei sobre dezenas de assuntos. A ideia era mostrar as diversas etapas do mercado editorial. Era para ser quinzenal ou mensal, mas então eu percebi que não poderia escrever senão achasse que teria algo realmente útil para oferecer. Hoje ela não tem uma periodicidade fixa, mas escrevo a cada dois ou três meses.

Você foi editor em diversas editoras.

Fui editor em casas pequenas, médias e gigantes. Em cada uma delas a função do editor era ou mais artesanal, exigia um profissional multifacetado ou alguém com perfil de gestão. Todas essas experiências me fizeram sentir mais preparado para ter minha própria empresa. Em algumas editoras eu tinha uma função restrita, mas em outras eu podia me inserir nas diversas outras etapas como comunicação, marketing, criação e eventos. Hoje continuo a fazer bastante disso pois estudei todas essas funções. Fui um dos primeiros gerentes de marketing no mercado brasileiro há mais de 20 anos, seria um desperdício não usar a experiência, além de que, quando se inicia um projeto novo, enxuto, com poucos livros, não havia espaço para termos uma equipe enorme para realizar cada tarefa.

Como é o seu trabalho? Recebe quantos originais por mês? Quantos são publicados? Quem quiser publicar por sua editora quais os procedimentos a serem adotados? 

Hoje estamos bloqueados para novos títulos até meados de 2019. Temos uma grade, um grupo de autores nacionais que decidimos investir e nos apresentam novos originais a cada ano. Ainda assim, recebo mais de 250 originais por mês. Gostaria de poder lançar mais autores, mas acredito que com o investimento que já fazemos em nacionais, com os cursos que dou, com as entrevistas, posso estimular mais editores a lançar novos autores. Uma editora define um propósito e organiza sua estrutura para dar conta disso. Nosso plano é ter um número máximo de lançamentos em que acreditamos ter ótimo potencial artístico e comercial, com condições de prestar uma boa assistência aos autores, e não nos tornar uma publicadora em série de bons livros.

Qual o livro de maior sucesso de sua editora? 

Em ficção, Charlie Donlea. Era um autor desconhecido estreante há dois anos nos EUA e hoje vende mais de 70.000 exemplares por título no Brasil e esperamos que dobre no próximo lançamento. Em não ficção, dois autores nacionais, o filósofo comportamental Jacob Petry e o economista Marcos Silvestre.

Como é ser editor em um país como o Brasil?

Não é fácil. Nosso país não entendeu a função da leitura. Nossa elite intelectual por muitas décadas não ajudou nisso. Definiu o que devia ser lido, resenhado, publicado e tudo estava submetido a um crivo ideológico, engajado. Assim, só poucos se tornaram leitores, porque para apreciar literatura engajada você deveria  ter frequentar uma universidade, de preferência, pública, gratuita, cujos estudantes, em grande maioria, pertenciam à elite econômica e cultural. E nisso estamos com quase 40 décadas de atraso, que hoje nos cobra um alto preço. A falta de leitores atrapalha todo o processo, desde a educação ao investimento em cultura, pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico e na política. Sem um plano diretor educacional decente, apartidário, para 20, 30 anos, que não dependa de quem está no poder, não vamos prosperar como nação. E hoje nós vemos pelo quinto ano consecutivo editoras e livrarias definhando por falta de leitores e projetos de leitura. O futuro é incerto, por isso nós preparamos para ser uma editora sempre enxuta, focada em nossos nichos e atentos para os movimentos do mercado.

Como analisa a questão dos e-books?

Paramos de publicar quando nos chegou o relato de que até uma professora da Unicamp estava comprando um exemplar de livro, quebrando o código de segurança e distribuindo para seus alunos. Um e-book pirata ou oficial traz a mesma experiência para os leitores, então se é encontrado facilmente na rede prejudica a venda. Então começamos a expor para as empresas que atuam no negócio digital que a tarefa jurídica de retirar os livros piratas do mercado devia ser delas. Era o negócio delas, vender e distribuir livros. Nenhuma nos deu ouvidos. Cansamos de nós mesmos fazermos as denúncias aos sites e provedores, então decidimos não lançar mais e-books.

Quais são suas leituras preferidas?

Não é exagero dizer que me sinto um escravo editorial. Eu leio tudo o que me chega em mãos, e não apenas livros, mas filmes, músicas, clipes. Meu interesse está em desvendar uma tendência antes que ela aconteça. E a atividade de editor me tirou o espaço do leitor apreciador. Eu sou sempre o crítico diante de uma obra. Há autores que me emocionam sempre como Clarice Lispector, Joan Didion... Machado, Pessoa, Wilde, Whitman, Poe, Florbela. E curto muito autores nacionais contemporâneos de literatura de gênero, em especial policial e terror.

*Sérgio Simka é professor universitário desde 1999. Autor de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a coleção Mistério, publicada pela Editora Uirapuru.

Cida Simka é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak, 2014) e autora dos livros O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak, 2016), O enigma da velha casa (Uirapuru, 2016) e “Nóis sabe português” (Wak, 2017).
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domingo, 11 de março de 2018

Aldemir Alves, os livros de Esteros e a Editora Selo Jovem, por Sérgio Simka e Cida Simka

Aldemir Alves - Foto divulgação
 Aldemir Alves nasceu em 1981 em Uberlândia /MG – Brasil. Atualmente trabalha como design gráfico e coeditor na Editora Selo Jovem. É um autor brasileiro contemporâneo, logo com o seu primeiro livro publicado em 2011 começou a se destacar no cenário de fantasia, tendo novas oportunidades para publicar seus livros em algumas editoras. Escreveu histórias de fantasia épica, sobrenatural e contos baseados no mundo de Esteros. Um de seus livros de mais sucesso é “As crônicas de Fedors”. Aldemir é fã das criações de Stan Lee, do mestre Tolkien e do brasileiro Maurício de Souza. Os seus livros prediletos sempre foram ficção científica e fantasia.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre seus livros.


Atualmente eu tenho 4 livros publicados disponíveis para compra, sendo todos na Editora Selo Jovem, o selo principal do Grupo Editorial SLJ. Sendo eles: Os livros de Esteros - As crônicas de Fedors Volume 1, Os livros de Esteros - O início da esperança Volume 2, O portal de Oriun, e Sobreviventes.
Os livros de Esteros eu considero o meu trabalho principal, ou pelo menos, o que mais me traz retorno, tanto financeiro quanto crítico-analítico por parte dos leitores. É um livro que está na 5ª. edição e sempre tem saída desde 2011, ano em que publiquei pela primeira vez numa editora. Mas eu já o comercializava desde 2009 em sites como Clube de Autores, Perse, Agbook etc.
A história basicamente narra a versão do personagem Fedors (o Undead). Esse personagem é um morto-vivo que retorna dos mortos por conta de um erro cometido em vida, algo que ele deixa em aberto, um fato que não pôde resolver em vida. Após ser assassinado de forma brutal e injusta, ao fazer a transição ao mundo dos mortos, é abordado pelo demônio que vê algo grande nele, uma oportunidade de usá-lo a seu favor. Fedors é tentado a retornar ao mundo dos vivos, então faz um pacto com "Nazebur", o demônio da mitologia esteriana (sim, a obra tem mitologia própria). 
Nazebur, "o devorador de mundos", que tem como meta se tornar o soberano do universo, o escolhe assim que ele faz a transição entre a vida e morte. Após oferecer uma nova chance de vida, selam um pacto, então Fedors retorna à vida com a promessa de redenção. Em troca teria que vender a sua alma e comandar um exército de espectros, a fim de mergulhar Esteros na escuridão. No entanto, como o demônio é mentiroso, o personagem renasce, mas está podre, em estado avançado de decomposição. Ou seja, ele foi enganado!
Descobrindo que fora enganado, o personagem começa a negligenciar a sua missão e se vira contra Nazebur, daí o leitor vai acompanhar em três obras o desfecho dessa trama toda. Mas a obra não vai ficar presa apenas a essa trama “divina”, o leitor vai acompanhar outros personagens interessantes, como Vamcast, Andor, Salazar, ente outros. É uma obra muito bem- avaliada e com vendas expressivas em bienais e pontos de vendas onde a editora atua.
Já O portal de Oriun é uma obra mais juvenil, na linha de Percy Jackson com deuses gregos, mitologias e personagens adolescentes. A diferença é que eu foquei no pós-Ragnarök, mas não somente no fim dos tempos mitológicos nórdicos, a história narra uma trama que envolve diversas mitologias, ex.: celta, grega, nórdica, egípcia, tudo em uma única história. Eu criei um pano de fundo onde todos os universos se colidem, portais mágicos são capazes de unir Loki a Zeus, Odin a Poseidon, tudo de um modo inédito. Enfim, só lendo a obra para entender a minha ideia (coisa de escritor nerd e maluco -  hehehe).

Tenho também Sobreviventes, que é um livro na linha dos “anjos e demônios”. Aqui temos figuras conhecidas como Lúcifer, o Deus bíblico "Javé / Jeová", os anjos, e todo esse universo cristão e católico que conhecemos.
No geral trata-se de uma trama pré-apocalíptica, onde há como foco narrativo um romance entre um “humano” e um "arcanjo do sexo feminino".  Essa obra possui um teor mais filosófico, o personagem está beirando a loucura! O que é certo ou errado? Deus é bom, o diabo é mau? Enfim, são dúvidas que rodeiam o personagem principal, que é a chave para o fim do mundo. É aquele livro que você pensa: "eu não queria estar na pele desse cara". É algo para refletir, como uma explosão de sentimentos, uma trama sugestiva e louca. Apesar de não ter comparações, eu o escrevi porque gostei muito do livro do Eduardo Sphor: A batalha do apocalipse.

O que o levou a escrevê-los?

O meu interesse em escrever meus livros veio pelo gosto pela leitura, eu leio desde a época da Editora Ática com a série Vaga-Lume, creio que Marco Rey foi minha primeira inspiração, Um cadáver ouve rádio, O mistério do cinco estrelas, O rapto do garoto de ouro, lembro de ver aquele abelhão na capa, aquilo me causava uma certeza de qualidade, uma nostalgia boa, tipo quando eu jogava Super Nintendo. Os meus olhos brilhavam, depois tinha as ilustrações em preto e branco, era uma viagem! O escaravelho do diabo de Lucia Machado também foi um dos meus favoritos. Eu criava vários rascunhos na adolescência sonhando vê-los um dia publicados em livro. Curtia muito os gibis do Tex, o Ranger, aquilo me levava a desenhar minhas versões distorcidas e tortas do que seria hoje "Os livros de Esteros". Pra mim tudo começou com um rascunho de uma batalha entre os personagens principais, anos depois, textos repletos de erros grosseiros de português.
Li O senhor dos anéis já adolescente, e Tolkien era demais, li antes de o filme estrear nos cinemas e já sabia sobre Frodo, Sam, os hobbits, Gandalf etc. Vasculhei tudo sobre "A sociedade do Anel" e o restante da trilogia. Mas só terminei os outros volumes tempos depois, porque peguei o volume único emprestado na biblioteca da minha escola. Eu não precisava de mais nenhuma inspiração para começar a escrever. Só de tempo, e dinheiro para publicar hehehe...
O meu livro é contemporâneo, escrevi Esteros em 2009 e publiquei em 2011 pela Editora Baraúna, mas isso só alavancou mesmo quando começamos a Selo Jovem no começo de 2012.

Você é coeditor na Editora Selo Jovem. Fale-nos sobre ela. Como é o seu trabalho? Recebe quantos originais por mês? Quantos são publicados? Quem quiser publicar por sua editora quais os procedimentos a serem adotados?

Sobre a editora.

Sim, sou um dos editores e fundador do Grupo Editorial Selo Jovem, basicamente a ideia nasceu na minha cachola, depois de diversas frustrações no mercado eu desisti de tentar a sorte e criei uma editora para me autopublicar. A minha esposa, Rita, hoje a proprietária legal da editora, gostou da ideia e juntos abrimos a empresa.
Tenho um orgulho danado em dizer que hoje a Selo Jovem já não é mais uma promessa, somos realidade de mercado. Somos uma editora que começou pequena, sendo criticada, desacreditada, passamos muitos perrengues. Tudo era difícil, complexo, passamos apertos, não sabíamos fechar arquivos para gráficas, não conseguíamos bons revisores, não tínhamos o mínimo conhecimento de design, rs, mas a falta de conhecimento do mercado era o que mais nos atormentava.
Tomamos muitos NÃOS de livrarias, muita gente criticou e desacreditou que duraríamos um ano, tomamos calotes de distribuidoras pequenas e livrarias picaretas, autores saíram antes mesmo de tentarem pra descobrir se daria certo. No entanto, eu sempre fui um empreendedor, percebi logo de cara que aquilo não daria certo sem muito investimento, daí pensei "por isso que tem muito picareta nesse mercado, autor nacional não vende bem".
Eu tinha apenas duas opções, entrar para o time de picaretas e criar uma editora só para arrancar grana dos autores, ou colocar minha grana e apostar nos melhores livros que eu conseguisse. Então me decidi, não seria um picareta!
Eu escolhi a dedo nossos primeiros autores, tomei uns desacertos no começo e muito prejuízo, mas a gente acreditava muito na ideia de dar oportunidade a novos autores sem sugá-los e arrancar quantias absurdas, então continuamos. Fizemos todo o caminho difícil, aprendemos com os erros, criamos um conceito de bons vendedores de livros, plantamos na cabeça dos autores que dá certo sim, só tem que se esforçar e fazer como Paulo Coelho fez no começo de sua carreira: "vender na praia, para amigos, família, pra quem quiser comprar". Criamos uma proposta de aprovar autores sem que eles pagassem por "pacotes", nada de 10 ou 20 mil. O autor precisava apenas adquirir e ajudar a editora a vender pelo menos 100 livros. Isso foi um sucesso. A gente logo se tornou referência de mercado, uma editora conhecida como justa e honesta, que agora pode aprovar tanto pelo modo tradicional (arcando com todos os custos) quanto parceria (o autor ajuda a vender ou compra 100 livros).
A editora cresceu na parte financeira também, eu e a Rita fechamos a outra empresa em que  atuávamos havia mais de 10 anos, na parte de informática e lan house e investimos tudo na editora (já coloquei dois carros meus na editora). Adquirimos nossa gráfica própria tanto digital quanto offset, temos mais de 200 mil reais em investimento gráfico, antes era tudo manual, hoje estamos trabalhando com guilhotinas e quase tudo automático. Estamos indo às bienais; no Rio de Janeiro, em 2017, vendemos mais de 2 mil livros! Fazemos nossa própria distribuição, temos preços fantásticos e imbatíveis para livros de escritores nacionais: preços de best-sellers internacionais mesmo! Parcerias com as maiores empresas do Brasil, Walmart, Americanas, Submarino, Amazon... Enfim, o sonho se tornou realidade. 

Sobre originais.
Entre Selo Jovem e Talentos recebemos mais de 100 originais por mês, mas não divulgamos em nenhum lugar que a editora está aberta a novos escritores, preferimos que os autores nos vejam por aí, ouçam falar de nós e venham nos procurar. Não fazemos marketing para pegar autores. Nossa avaliação é demorada, não somos aquela editora que recebe o arquivo e sai enviando orçamentos, rs, é triste, mas ultimamente as coisas andam assim. Tem autor que manda o original já querendo orçamento, triste! Acontece às vezes de eu estar avaliando um livro e gostando, daí vou perguntar algo sobre a trama ao autor e ele diz que já fechou com outra editora, porque o preço estava barato. Daí eu digo "boa sorte então".
 Nossa avaliação é criteriosa, queremos livros bem escritos, bem revisados, autores fáceis de trabalhar e que sabem como o mercado é difícil. Falamos a realidade ao autor, não tem mágica, não tem contos de fadas, tudo é luta e esforço mútuo. Meu lema é "nunca prometa o que não pode cumprir", no mercado literário não há garantia de sucesso pra ninguém. Precisa de muito trabalho sério, dedicação e preço pra competir!
Sobre originais
Quem quiser entrar na editora precisa nos enviar o seu material de preferência registrado na FBN, ter um material bem escrito e revisado, uma história incrível e muita vontade de trabalhar. A gente vasculha também as redes sociais desse futuro autor, olhamos se ele está metido em tretas e grupinhos de autores fofoqueiros e frustrados, sendo uma pessoa fácil de dialogar e trabalhar, a gente traz para a família Selo Jovem.

Como é ser editor em um país como o Brasil?

Olha, é difícil! Escuto muito autores reclamando do mercado, de editoras, de tudo! Mas o pessoal pensa que é só autor que se lasca. kkk Cara, tem muita picaretagem, editoras tomam calotes, tomam NÃO na cara toda hora, tomam prejuízo com revisões porcas e diagramações ruins; se for editor honesto então, vai precisar pegar muito empréstimo e vender seus bens para investir, porque nada é fácil e de graça nesse mercado. Desde bienal a distribuição tudo é pago! Uma vez eu disse em um vídeo meu que o mercado de forma geral é prestação de serviço, pois é. Um estande pequeno passa dos 20 dígitos, imaginem o que uma Saraiva da vida investe? Depois vem a CBL e o governo enchendo de logos e propagandas na mídia, dizendo coisas como "Bienal é incentivo à leitura", Bah!!! Você quer entrar em redes de livrarias? Precisa de um representante que cobra de 2 a 3 mil por mês para te colocar lá e fazer o serviço de apresentação de catálogo, tem que abrir mão de 50% a 60% do valor de capa com um investimento mínimo de 100 mil reais em consignações. Agora soma aí o que a editora ganha? No final sobram apenas as migalhas.
Tem que pagar e-commerces e marketplaces! Agências de divulgação, espaços em mídia, vixe, é tanta coisa que se eu for falar aqui vai longe. No mercado tudo gira em torno de grana, isso é fato!
E tem o lado macabro das editoras também, eu sempre digo que o mercado está podre porque tem muito espertalhão montando "logo editorial" e dizendo que tem editora por aí, um site mais ou menos e uma boa lábia, o cara sai fechando contratos e pegando dinheiro de pessoas que se matam de trabalhar, fazendo as merd* que ouvimos na internet. O fato é que o bom editor não pode só querer tirar dinheiro do mercado, precisa investir primeiro. O mal do mercado é que tem muita gente sem experiência empresarial entrando, a maioria são autores que saíram frustrados de alguma editora picareta e se arriscam, e o grande problema é que não possuem verba para montar uma boa editora. Se não tiver uma boa estratégia e investimento na empresa, vai fazer pior ainda com o colega autor que está começando, cheio de sonhos e metas. Pra entrar no mercado e fazer um trabalho bem-feito, tem que ter responsabilidade e conhecimento editorial, um curso de administração, algum trabalho secundário para te manter pelo menos por uns 2 anos sem depender da sua editora.
Eu sou bem realista quando se fala em administração, vejam as maiores empresas: Saraiva, Cultura, Mercado livre, Intrínseca, elas estão aí há anos, nunca param, volta e meia a gente escuta que estão brigando por espaços, Amazon x Saraiva se digladiando, Cultura falindo suas filiais, Fnac vai embora do Brasil, Leya também pensou em ir, gente, a verdade é que qualquer empresa precisa ganhar tanto quanto gasta. Mesmo que elas só publiquem autores best-sellers que vendem milhões de livros, ainda assim tem o lado das consignações, os prejuízos, zilhões de funcionários pra pagar. As coisas não são fáceis pra ninguém, não é só ganhar dinheiro não!

Como analisa a questão dos e-books?

Olha, creio que quanto mais espaço melhor, eu particularmente não gosto de digitais e não vejo um grande futuro para os digitais no Brasil, não de imediato. A grana é pouca, tudo vira pirataria, não tem aprovação de nada e nenhum selo de qualidade que mostre que o livro vale a pena ser adquirido. Acho que a Amazon veio pra somar e ajuda muito o autor a começar, mas o futuro de qualquer autor que queira mesmo crescer e fazer sucesso ainda é a velha e boa editora. Os impressos vão durar muitooo ainda! Os digitais estão aí e tem quem gosta, então acredito que "impresso prioridade e qualidade", "digital preço baixo e facilidade". Eu gosto muito de sentir o papel nas mãos, folhear, enfeitar minha casa com livros. Com um Tablet ou Kindle ficaria estranho hehehe...

Quais são suas leituras preferidas?


O senhor dos Anéis, Morte dos reis, Sherlock Holmes, Bernard Cornwell 1356, Nárnia, A batalha do apocalipse, enfim, eu gosto de literatura medieval e fantasia de modo geral! Mas leio tudo, não tenho nenhum preconceito literário.

Que conselho pode dar a um escritor principiante?


Não se afobem para publicar um livro, não queiram colocar os burros na frente da carroça, sejam escritores iniciantes confiantes, não desistam mesmo que as pessoas digam que isso não tem futuro, que você escreve mal, que literatura nacional é ruim, e coisas do tipo.
Embora o mercado seja difícil, eu vejo evolução e muita gente boa aparecendo. As editoras estão apostando mais em nacionais nos últimos anos, vá a uma bienal que vai ver isso na prática. Faça todo o trabalho difícil de divulgar o seu livro, faça lançamentos constantes, pare de reclamar da vida e da sua editora caso ela te apoie; se não apoia, sai dela e procura outra coisa melhor! Tenham em mente que é difícil pra todo mundo, trabalhar com arte é vender sonho. Não é só literatura, seja na carreira de jogador de futebol, ator, cantor, piloto, nada é fácil!
Hoje temos a internet aí pra vasculhar onde vamos entrar, vocês aí que estão em busca de publicar seu primeiro livro não se afobem, procurem a melhor oportunidade. Conversem com autores da editora que vocês acham legal e caso não consigam ser aprovados por ela, melhorem, escrevam outro livro e tentem de novo. O segredo do mercado é nunca desistir dos seus objetivos e sonhos, se fosse fácil ninguém trabalharia, hehehe, todos escreveriam livros.

Quais os seus próximos projetos?


No momento estou terminado o volume 3 de Os livros de Esteros e vou publicar nos próximos meses, quem sabe na bienal, onde creio que terei vendas expressivas. Estou escrevendo outro volume de "O portal de Oriun" com o título de "O elixir dos deuses", e quem sabe em breve sai um romance por aí? Sempre quis me arriscar nesse gênero. Hehehe

Fan Page:
https://www.facebook.com/EscritorAldemirAlves
https://www.facebook.com/OsLivrosDeEsteros?ref=hl

Twitter do autor:
https://twitter.com/LivrosdeEsteros

Blog do livro:
http://esterostrilogia.blogspot.com.br/

Skoob:
http://www.skoob.com.br/livro/186960-os-livros-de-esteros

Wattpad autor:
http://www.wattpad.com/user/aldemir7

*Sérgio Simka é professor universitário desde 1999. Autor de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a coleção Mistério, publicada pela Editora Uirapuru.

Cida Simka é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak, 2014) e autora dos livros O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak, 2016), O enigma da velha casa (Uirapuru, 2016) e “Nóis sabe português” (Wak, 2017).
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domingo, 4 de março de 2018

Eduardo Abreu e a Editora Xeque-Matte, por Sérgio Simka e Cida Simka

Eduardo Abreu - Foto divulgação
Eduardo Abreu nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, no dia 24 de março de 1995. É graduando do curso de Administração. Em 2016 criou a Editora Xeque-Matte com o objetivo de expandir a literatura e criar uma casa editorial que se valorize pelos princípios éticos e de qualidade aos autores e leitores. É editor-chefe na Editora, dono e atua na área da gestão de projetos estratégicos.

ENTREVISTA:

Você é editor da Editora Xeque-Matte. Fale-nos sobre ela. Como é o seu trabalho? Recebe quantos originais por mês? Quantos são publicados? Quem quiser publicar por sua editora quais os procedimentos a serem adotados?

A Editora XM nasceu da necessidade de criar uma casa editorial que possibilite a difusão da literatura nacional e que seja exemplo de respeito aos leitores, e principalmente aos seus escritores. Ela foi fundada em outubro de 2016 e já possui 20 contratos nacionais em 1 ano de fundação. Desses 20, mais da metade já publicados.

Meu trabalho consiste na coordenação de todos os processos ligados à edição dos livros. Atuo praticamente em todas as áreas dentro da editora, mas não atuo sozinho. Por trás de um grande editor existe uma equipe de profissionais brilhantes e eficientes, que cuidam de cada etapa da edição do recebimento dos originais até o lançamento.

Recebemos aproximadamente 200 originais durante o ano de 2017, destes foi aprovada uma quantidade X e negociada para a publicação. Muitos dos títulos recebidos não se adequavam ao nosso catálogo, como, por exemplo, livros religiosos e não ficção.

Como analisa a questão dos e-books?

O e-book é uma ferramenta de propagação de conhecimento e de expansão cultural, e permite que os livros possam ser acessados de qualquer dispositivo tecnológico em qualquer lugar e mesmo sem internet. Acredito que exista um grande público potencial leitor do livro em formato digital, crescendo cada vez mais.

Quais são suas leituras preferidas?

Gosto de ler ficção científica.

Que conselho pode dar a um escritor principiante?

Como já dizia Hemingway em uma de suas frases: "O escritor é individualista, precisa de introspecção para encontrar sua própria voz, mas também precisa ser curioso, pesquisar, percorrer rotas externas". Parafraseando-o posso deixar como dicas essas:
1- leia, leia muito! A voz de um autor reflete sua construção de mundo;
2- Escreva sobre o que gosta e abuse da criatividade e da imaginação;
3- Tenha disciplina na escrita e escreva muito, quanto mais escrever mais domínio da escrita terá;
4- Aprimore sua história relendo-a e dando uma construção bem-estruturada aos personagens e cenários, evitando furos e fugas cronológicas.

Quais os próximos projetos da editora?


Uma das principais metas da editora é o alcance dos leitores às nossas obras. Queremos nos próximos anos participar de eventos literários e até mesmo organizar eventos que exponham os trabalhos da XM e que expandam ainda mais a literatura nacional.
Queremos participar de Bienais, mas esse ainda é um problema em nosso país pelo alto custo de investimento que uma editora pequena enfrenta para viabilizar esse projeto.

*Sérgio Simka é professor universitário desde 1999. Autor de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a coleção Mistério, publicada pela Editora Uirapuru.

Cida Simka é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak, 2014) e autora dos livros O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak, 2106), O enigma da velha casa (Uirapuru, 2016) e “Nóis sabe português” (Wak, 2017).
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