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segunda-feira, 11 de maio de 2020

Ari Heck e o livro “Arizinho – Um Jogador Muito Especial”

Ari Heck - Foto divulgação
Filho de pequenos agricultores (com 5 hectares de terra), nasceu em Boa Vista do Buricá no auge da repressão pós 64. Logo aos 14 meses de idade foi vítima, pela ineficiência do Estado, da paralisia infantil (poliomielite), doença que lhe deixou sequelas para o resto da vida. Em conseqüência da doença, passou a locomover-se com o uso de cadeira de rodas até os quinze anos de idade, e após passou a usar muletas.

Cursou do pré a quarta série numa escola rural unidocente. E da quinta série até a conclusão do segundo grau estudou na Escola Estadual Barão do Rio Branco de Boa Vista do Buricá.

Atuou no movimento estudantil na década de 70, tendo sido secretário do Grêmio Estudantil do colégio.

Atuou no movimento jovem, organizando o grupo na localidade onde residia. Grupo que presidiu por mais de meia década. Fundou e coordenou um movimento de jovens que criou o boletim informativo entre os grupos do município e organizou a publicação do livro "O que é ser jovem?". Além disso, o movimento fazia debates e palestras em todo o município sobre temas de interesse dos jovens.

Foi Secretário da Pastoral da Juventude (PJ) do município e membro da coordenação diocesana.

Em 1985 ingressou na Universidade de ljuí, onde cursou o curso de Ciências Exatas e Naturais no regime de férias. Em 1987 começou o curso de Direito que foi concluído em 1991.

Atuou no movimento estudantil universitário na década de 80, tendo sido eleito conselheiro fiscal da entidade.

Atuou no Sindicato dos Bancários, foi Delegado Sindical representando os funcionários do Banrisul e diretor do SINTRAJUFE (Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal do RS). Atualmente é Diretor de Base da entidade e tendo sido por duas vezes eleito delegado da FENAJUFE (Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e MPU).

Coordenador da Comissão Especial de Acompanhamento Funcional dos PPD's do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região a partir de 13/02/08.

PORTADORES DE DEFICIÊNCIA

A partir de 1988, dedica-se integralmente aos direitos das pessoas portadoras de deficiência. No mesmo ano auxiliou na fundação da Associação ljuiense de Deficientes, única da região na época. Realizou também o I Encontro Municipal dos Deficientes. Em 89, no II Encontro Municipal e I Encontro Regional de Deficientes (que reuniu as associações de ljuí, Santa Rosa, Carazinho e Frederico Westphalen), foi lançada a campanha de coleta de assinaturas para apresentar emendas à Assembléia Constituinte Estadual e Leis Orgânicas dos Municípios. No mesmo ano organizou o I Encontro Regional de Vereadores no município de Boa Vista do Buricá para discutir os direitos dos deficientes na Lei Orgânica, nesse encontro participaram vereadores de 30 municípios.

A associação de ljuí foi a primeira entidade do interior do estado a protocolar emenda popular na Constituição gaúcha, com mais de 3 mil assinaturas de toda região noroeste do Estado. Das emendas propostas, a grande maioria consta no texto constitucional.

As emendas elaboradas no encontro regional para a LOM, foram encaminhadas a todas as Câmaras do Rio Grande e em muitos Municípios passaram a fazer parte da Carta Municipal.

Em 1990, ingressou no Conselho Riograndense de Entidades de Deficientes Físicos (FREDEF), quando foi escolhido delegado das entidades do interior e membro da Organização Nacional de Entidades de Deficientes - ONEDEF.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Ari Heck: Como eu nasci numa família germânica, meus primeiros anos de vida só falava alemão. Via meus irmãos mais velhos voltando da escola e fazer as tarefas da aula, achava aquilo curioso, principalmente os livros com desenhos e palavras que não entendia. Um certo dia, minha irmã vendo o meu interesse perguntou se gostaria de aprender o português, com muita alegria respondi que sim. Em poucas semanas comecei a ler o meu primeiro livrinho e com 5 anos fui para a aula sabendo ler e escrever um pouco em português, mas nunca deixei de falar o alemão com meus pais e parentes. 
A partir daí a leitura começou a fazer parte da minha vida, criava os meus mundos mágicos, meus amigos imaginários, personagens e histórias. Talvez a leitura tenha sido meu melhor companheiro na infância, adolescência e juventude, muito em função da minha deficiência (sou cadeirante vitimado da paralisia infantil – Poliomielite desde os 14 meses de vida).

Conexão Literatura: Você é autor do livro “Arizinho – Um Jogador Muito Especial”. Poderia comentar? 

Ari Heck: Na verdade o Arizinho – Um jogador muito especial é o meu quinto livro. Vou falar um pouco dos outros para mostrar porque nasceu o “Arizinho”. Tudo começou na juventude, quando já sabia que o meu sonho era ser escritor. Trabalhava com jovens do meio rural e incentivava a leitura entre eles, daí surgiu a primeira obra: O que é ser jovem?. Uma coletânea modesta, mas de grande valia para mim e muitos jovens da época. Quando fui morar em uma cidade maior (Ijuí), comecei a perceber como a sociedade é preconceituosa para com os deficientes, daí aflorou a minha veia poética que resultou no segundo livro: Poemas sem Preconceito. Uma obra de profundo significa para mim e para milhões de pessoas que infelizmente ainda sofrem com a discriminação. A obra está em sua segunda edição. A terceira obra foi fruto de oito anos atuando em Ijuí como vereador. Prometi na campanha publicar meu trabalho ao final de dois mandatos com todos os projetos e resoluções apresentadas, aí surgiu Ari Heck – a trajetória de um lutador. O livro está esgotado e em breve será publicação na versão digital. Após o encerramento político, já trabalhando em outra cidade, nasceu a quarta obra: Pé na Estrada: uma aventura sem limites. O livro narra a aventura de um pai deficiente com seu filho não deficiente. E agora, nasceu o Arizinho – um jogador muito especial. Resultado da primeira aventura, o Arizinho veio para contar o cotidiano de uma criança deficiente, com sonhos, desejos, sentimentos mas que vive numa sociedade totalmente despreparada para ele. A história é real e narra a aventura desse menino que também queria jogar bola como seus irmãos e amigos. É emocionante ver o que os meninos que viviam na roça na década de 70 e 80, fazer para poder incluir uma criança deficiente nas suas atividades físicas. Novas aventuras do Arizinho virão em breve.

Mascote do livro “Arizinho – Um Jogador Muito Especial”
Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro? 

Ari Heck: Como a história é curta, dirigida para crianças e pré-adolescentes, foi rápido escrever a história. O que mais demorou foi escolher o título. O Arizinho sempre queria ser jogador do Grêmio, mas aqui no RS temos uma grande e saudável rivalidade no futebol, e o Arizinho não tem preconceito, ele é Gremista e também Colorado. Daí surgiu a ideia de consultar as redes sociais e ouvir a opinião dos seguidores. E para minha surpresa, centenas de seguidores votaram e por ampla maioria venceu o Arizinho – um jogador muito especial. As outras opções de título eram: um menino que sonhava em ser jogador e um menino especial que sonhava em ser jogador do Grêmio. A partir daí, nasceu a ideia sugerida por minha sobrinha Greici de criar o personagem, fazer mascotes que já estão disponíveis no site e manter ele nos próximos livros. Depois partimos para os desenhos, porque o livro também tem que ser atrativo visualmente. E o chargista Juska foi muito feliz ao dar vida ao Arizinho, tanto na versão Gremista como na versão Colorado. O livro está tendo uma aceitação importante, escolas que trabalham a inclusão, as diversidades, o combate ao preconceito tem utilizado a obra e quando possível, levado o autor deficiente para falar com os alunos. As mascotes também são interessantes, pois as pessoas levam o boneco cadeirante para dentro de suas casas, o que significa que naquele lar não há preconceito e nem discriminação. 

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho que você acha especial em seu livro?  

Ari Heck: Considero todo ele especial, mas uma passagem onde o autor narra a aventura para seus filhos, considero especial. Quando ele fala da importância da vacinação, citando o exemplo do Arizinho que ficou deficiente porque não tinha vacina. Agora estamos vendo como é importante a vacinação. Vivemos numa pandemia e Arizinho foi vítima de uma Pandemia que assolou o Brasil nas décadas de 50, 60 e 70. O Arizinho é o exemplo de que temos que nos prevenir, de que temos que investir em saúde e educação. De que não podemos abandonar vidas.


Conexão Literatura: Com o sucesso do livro “Arizinho – Um Jogador Muito Especial”, onde o personagem narra suas aventuras de infância, o personagem Arizinho recebe seu mascote. Fale mais a respeito.

Ari Heck: O Arizinho nasceu no interior do pequeno município de Boa Vista do Buricá, no Noroeste do Rio Grande do Sul, há menos de 100km da fronteira com a Argentina e o estado de Santa Catarina. A aventura se passa na localidade de Esquina Palmeiras, onde nasceu, cresceu e ama retornar para visitar seu pai, irmãos, sobrinhos e amigos, e também para relembrar os lindos momentos que conviveu com sua mãe heroína. 
Quanto à mascote, já comentei anteriormente e tenho certeza que será um sucesso, foi criado com muito carinho pela artista mineira Ana Paula Wanderley.


Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir o seu livro, mascote e outros dos seus produtos? 

Ari Heck: Todos os meus livros e as mascotes podem ser adquiridos pela loja virtual no site http://ariheck.com.br/?pid=0 ou pelo email escritorariheck@terra.com.br . Através do email também podem ser agendadas palestras motivacionais e participações em feiras de livros e escolas.

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta? 

Ari Heck: Sim, há três temas em análise para escrever a próxima aventura do Arizinho, a mais provável deve ser Arizinho e a inclusão social. Em breve, podem esperar.

Perguntas rápidas:

Um livro: Feliz Ano Velho de Marcelo Rubens Paiva
Um (a) autor (a):  Charles Kiefer (um grande incentivador na minha juventude).
Um ator ou atriz: 
Um filme: O Conde de Monte Cristo, versão original.
Um dia especial: do meu casamento com minha companheira inspiradora Rosalete.

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário? 

Ari Heck: O preconceito ainda é um desafio para as sociedades. Mas lutar contra o preconceito e a discriminação tem que ser a meta da sociedade.
Eu vou lutar constantemente contra toda e qualquer discriminação, por isso tenho uma frase que me faz seguir dia a dia:
“A maior deficiência é a falta de coragem para lutar!

VISITE O SITE OFICIAL DO AUTOR: http://www.ariheck.com.br


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sábado, 8 de dezembro de 2018

Exclusivo: Ademir Pascale e o livro Possessão Alienígena, por Sérgio Simka e Cida Simka

Ademir Pascale - Foto divulgação
Ademir Pascale é paulista, escritor e ativista cultural. Criador e editor da Revista Conexão Literatura. Membro Efetivo da Academia de Letras José de Alencar (Curitiba/PR). Chanceler da Academia Brasileira de Escritores (Abresc), título entregue por seu trabalho na disseminação da literatura e cultura. Participou em vários livros, tendo contos publicados no Brasil, França, Portugal e México. Cursou Direção de Audiovisual, na escola Educine, tendo como professores Cao Hamburguer (Castelo Rá-tim-bum), Toni Venturi (Filme Cabra-Cega), Tata Amaral (Filme e minissérie Antônia, Rede Globo), Lina Chamie (Filme Tônica Dominante) e Fernando Bonassi (Roteirista dos filmes: Cazuza - O tempo não para, Carandiru e Cabra-Cega).

Pascale é regularmente consultado e convidado para entrevistas e matérias sobre o escritor norte-americano Edgar Allan Poe, sendo o trabalho mais recente publicado em documentário no site da Saraiva Conteúdo (Para Ler... Edgar Allan Poe) e no programa Trilha de Letras, apresentado pelo escritor Raphael Montes, na TV Brasil, onde comenta sobre a criação da revista Conexão Literatura, é fã dos heróis da Marvel, ama pizza, séries televisivas, moedas antigas e HQs. Em breve lançará o seu novo romance "O Clube de Leitura de Edgar Allan Poe", pela Editora Selo Jovem.

ENTREVISTA: 

Fale nos sobre o livro. 

Claro. Sou apaixonado por HQs e grande parte da minha coleção são de títulos da Editora Devir (www.devir.com.br), que sempre tratou muito bem de suas publicações (me refiro ao material impresso). Participei de dezenas de livros, sendo como coautor, prefaciador, autor e editor. Mas sempre tive em mente uma publicação minha na Devir. Pois bem, criei em 2013 o tema e o título “Possessão Alienígena” e fiz o convite para alguns autores que já publicaram e escrevem ativamente histórias de ficção científica. Sendo eles: Tibor Moricz, Marcelo Bighetti, Roberto de Sousa Causo, Estevan Lutz, Miguel Carqueija, Jorge Luiz Calife e Mustafá Ali Kanso, que faleceu recentemente. Convidei o artista Vagner Vargas (http://vagnervargas.com.br) para ilustrar a capa e fazer ilustrações internas que antecedem os contos. Eu também cuidei do prefácio e da sinopse. Esse processo de reunir os contos e obter as ilustrações demorou mais de um ano. Com esse material pronto, entrei em contato com o editor da Devir, Douglas Quinta Reis e depois de alguns meses marcamos uma reunião e acertamos a publicação, assim como o contrato. Infelizmente a publicação demorou mais do que eu esperava e em 2017 o editor Douglas faleceu, uma grande perda para o meio literário. Outro editor assumiu o seu lugar e foi mais um ano de espera para começarmos a acertar novamente a publicação. O livro ficou excepcionalmente bom e já está em pré-venda: https://www.amazon.com.br/dp/8575326678

Como vê o mercado editorial, principalmente o de terror? 

As redes sociais e o crescimento da tecnologia facilitaram muito a entrada de novos autores no mercado editorial, isso para quem publica qualquer gênero, pois hoje muitas plataformas facilitam a publicação, principalmente a Amazon KDP, Wattpad e Clube de Autores. Muitas editoras pequenas abrem edital para publicação e anunciam como “Publicação Tradicional”, o autor manda o original e recebe uma resposta que a obra foi aprovada, mas que terá que adquirir x quantidade de livros, tendo que pagar um mês depois. Não acho isso legal, publicação tradicional cabe à editora publicar e pagar os direitos autorais ao autor. Não tenho nada contra editoras que cobram para publicar, mas todas precisam deixar isso bem claro quando anunciam que estão recebendo originais para avaliação. 

Já no gênero terror, alguns autores estão despontando, como o Aislan Coulter, que vem publicando histórias de terror diversificadas e não ficando apenas num mesmo tema, como zumbis ou vampiros, que também são superlegais, claro, mas é preciso diversificar, assim como Stephen King faz em suas obras. 


Conte-nos como é o seu trabalho de editor na revista Conexão Literatura. 

Adoro o que faço e isso ajuda muito, pois não é um trabalho tão fácil. Recebo muitos e-mails de autores independentes, editoras e principalmente de assessores de imprensa. Acredito que hoje praticamente todos os assessores enviam e-mails para nós com notícias sobre lançamentos e o mercado editorial em geral. Então sempre estamos bem-informados e nosso site atualizado diariamente: www.revistaconexaoliteratura.com.br . Já as edições mensais da revista ocupam dias de trabalho. São muitas horas para chegar até a edição pronta, que é totalmente gratuita ao leitor. 

O que está escrevendo atualmente? 

Estou com a obra “O Clube de Leitura de Edgar Allan Poe” no prelo, pela Editora Selo Jovem, com publicação prevista para o primeiro trimestre de 2019. Adorei escrever esse livro, com prefácio escrito pelo amigo Sérgio Simka :) E no momento escrevo um romance envolvendo o escritor Oscar Wilde. 

Deixo aqui nossas redes sociais: 

http://www.instagram.com/revistaconexaoliteratura

Agradeço pela entrevista ;)
  

*Sérgio Simka é professor universitário desde 1999. Autor de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a coleção Mistério, publicada pela Editora Uirapuru. Membro do Conselho Editorial da Editora Pumpkin e integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.

Cida Simka é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak, 2014) e autora dos livros O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak, 2016), O enigma da velha casa (Uirapuru, 2016) e “Nóis sabe português” (Wak, 2017). Integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.




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sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Em entrevista, Carlos Velázquez comenta sobre seu novo livro "Mitologias para o Século XXI - Facultas Characteristica"

Carlos Velázquez saiu do México, seu país natal, com vinte anos de idade para estudar por um ano na Espanha. Findado o curso, foi tocar seu violão pelas ruas de Madri e conseguiu dinheiro para chegar à França, onde estudou durante oito anos e casou com Alessandra, a cearense que o trouxe ao Brasil. Suas atividades profissionais, sempre ligadas à arte, foram instigando-o a se aproximar do mundo da fantasia, dos símbolos e dos mitos. Assim, durante muitos anos foi reunindo materiais, cada vez mais animado pelas possibilidades que os mitos oferecem à compreensão do espírito criativo, tanto nas artes quanto nas ciências ou em qualquer atividade que se faça com plenitude e vocação. 

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Carlos Velázquez: Quando era criança gostava de ler, ainda gosto muito. Era fascinado pelas histórias de Júlio Verne, de quem li, acho, toda a obra. Gostava de imaginar as aventuras tecnológicas de seus romances, embora hoje acredite que, sem que percebesse na época, sentia-me sempre muito intrigado com as reflexões humanas que acompanhavam as histórias.
Com doze anos de idade escrevi meu primeiro conto, mas, embora ainda ache, pelo que lembro, que era uma boa história, naquele tempo foi uma grande decepção: inscrevi o texto num concurso da escola e passei longe de qualquer premiação; assim que, ao menos por um bom tempo, minha carreira literária ficou encerrada por ali mesmo.
Já adulto, no meio universitário, como estudante e como professor, fui obrigado a reencontrar-me com a escrita e, como já era apaixonado e praticante assíduo da escrita musical, foi um caso de amor a primeira (re)vista. Desde então – falo de uns vinte anos – tenho escrito e publicado muitas partituras de música, artigos científicos, ensaios filosóficos e humanísticos e contos infantis e infanto-juvenis. Foi engraçado, nunca mais havia escrito contos, mas, num dos aniversários da minha filha mais velha, ela – que continua muito inventiva – pediu que o tema de sua festa fosse de tubarão. Imagina só! Onde você encontra decorações e lembrancinhas de tubarão para uma festa de aniversário de menininha?! Assim que, no desespero, decidi escrever um conto que na festa contamos às crianças e oferecemos como lembrança. O conto deve ter feito um pequeno sucesso já que, a pedidos, hoje é material paradidático em algumas escolas de Fortaleza.

Conexão Literatura: Você é autor do livro “Mitologias para o Século XXI - Facultas Characteristica” (Paco, 2017). Poderia comentar?

Carlos Velázquez: Acho que por ser músico já há um tempo que me sinto insatisfeito com os modos de produção científica no meio universitário. Me entenda, isto inclui as produções científicas dos cursos de música. Por quê? Porque, devido a questões principalmente políticas, a ciência no meio acadêmico procede por áreas de estudo e o que é estudado por uma área, digamos, a biologia, por exemplo, não pode ser estudado pela sociologia, porque “não lhe pertence”, política e burocraticamente pertence a outra área. Na música, como em outras formas de arte, procura-se a experiência estética, que é totalizante, isto é, não tá nem aí pra saber a quem pertence este ou aquele aspecto da experiência como, aliás, é na vida: vivemos aspectos biológicos e sociológicos – entre tantos outros – tudo ao mesmo tempo, tudo misturado em tempo real. Quero dizer que, se queremos entender nossa própria vida, precisamos abordá-la plenamente, em todas suas áreas de estudo.
A questão é que nossa ciência contemporânea não é a única maneira de conhecer sobre a vida, antes da era moderna as pessoas conheciam muito sobre o mundo através da mitologia, que além de ser um monte de histórias mirabolantes é, acima de tudo, uma forma de conhecimento e de pensamento que procura integrar todos os aspectos do que observa. O melhor dessa descoberta é que, para fazer mitos, basta fantasiar e a fantasia é uma coisa que continuamos cultivando nos tempos atuais. Tudo bem, não tem mais um xamã contando histórias para a gente ao pé da fogueira, mas temos literatura, filmes, seriados, fake-news, fofocas e, sobretudo, sonhos: ninguém, por ser moderno, parou de sonhar! ´Pois bem, decidi comparar mitos tradicionais com fantasias atuais e saíram umas coisas bem legais, acho interessante perguntar ao Batman, à princesa Valente ou ao Harry Potter – nossos mitos atuais – sobre quem somos e como vamos levando nossa própria existência.

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro?

Carlos Velázquez: Um bom bocado de tempo! Uns dez anos! Formalmente, o projeto, que foi apoiado pela Universidade de Fortaleza, aqui no Ceará, em colaboração com a Universidade de Aveiro, em Portugal, durou pouco mais de um ano. Mas para chegar a formular o projeto tive que me perguntar várias coisas e sempre correr atrás, falar com um monte de gente e, em especial, com meus queridos alunos do Movimento Investigativo Transdisciplinar do Homem – MITHO, que integramos em Fortaleza. Acho que quando você tem uma ideia mais clara do que vai escrever é porque, como dizia Clarisse Lispector, o texto já está pronto em algum lugar...

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho que você acha especial em seu livro?

Carlos Velázquez: Tia Petúnia Evans era irmã da mãe de Harry e havia ocultado os dotes mágicos que, a olhos vistos, o sobrinho havia herdado, porque sentia repulsa pela anormalidade mágica. Certamente tinha razão, a magia não é normal; mas é também verdade que a normalidade não impulsiona o desenvolvimento, este se deve ao extraordinário. O caso é que a normalidade industrial, comercial e financeira dos últimos tempos tende fortemente a censurar o extraordinário e engana-se com sofisticações pirotécnicas, confundindo evolução com engrossamento de lucros provenientes da comercialização de tecnologias. Repito o questionamento de Grindelwald: A quem protegemos escondendo o mundo bruxo? E adiciono uma resposta possível: a mediocridade dos normais.

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir um exemplar do seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Carlos Velázquez: O mais imediato é o site da editora: www.pacolivros.com.br, mas também encontra em grandes lojas com Amazon, Submarino, Lojas Americanas, Livrarias Cultura, Saraiva e Leitura.
Outras publicações saíram pela editora Armazém da Cultura: http://armazemcultura.com.br, pela editora portuguesa Chiado: https://www.chiadoeditora.com e pelo Clube de Autores: https://clubedeautores.com.br
Também podemos bater um papo no facebook, é só encontrar meu nome: Carlos Velázquez.

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Carlos Velázquez: Continuo colaborando com a Universidade de Aveiro, acho que dentro de um tempinho vou publicar mais análises míticas sobre a sociedade contemporânea.
Na literatura infantil já, já vem por aí “O Rei Tavinho”, dentro da coleção “Cachinhos ao Vento”, que trata de um besouro-do-esterco e, para o público infanto-juvenil: “O mistério das Sombras” a primeira parte da trilogia “Crônicas de Anahí”, uma aventura jovem pelos caminhos da mitologia nordestina.
Estou coordenando um projeto ambicioso junto ao pessoal do MITHO e posso dizer que está ficando muito massa (acho que é a melhor expressão). Se trata de uma série de contos inspirados na mitologia contemporânea cearense. É um projeto que busca produzir literatura interessante para incentivar nos jovens o gosto pela leitura. Nesse projeto eu fico com a parte chata, um livrinho para dar ideias aos professores das escolas sobre como trabalhar com mitologia, mas fazer o quê, né?!

Perguntas rápidas:

Um livro: “Tratado de magia” de Giordano Bruno
Um (a) autor (a): Carl Gustav Jung
Um ator ou atriz: Damián Alcázar
Um filme: Festa no Céu
Um dia especial: O presente

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Carlos Velázquez: Recentemente uma pessoa que leu meu livro me disse que reconheceu suas experiências nas explicações que eu declinava da mitologia. Fiquei felicíssimo! Imagina: transcender a perspectiva de escrever simplesmente para chamar a atenção sobre si já é bem legal, mas partilhar a autoria da obra com seu leitor é a melhor conquista que se pode almejar!
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