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sábado, 23 de abril de 2022

Conto "Um Incêndio no Céu", por Roberto Fiori

Incêndio, formando uma linha incandescente sobre a terra, e focos de queimadas pelo solo seco.

Passadas largas pela calçada, nessa madrugada de Inverno, faziam-me lembrar de pinhas caindo maduras pelo solo de uma floresta temperada, algures ao Norte ou ao Sul. Pensava que aquilo no céu, a estranha formação de cristais em órbita da Terra, disposta no espaço por uma série de naves de transporte, cairia em algumas horas. Era impossível que se mantivesse coesa e unida por tempo indefinido.

Meus pés chutavam pedriscos pelo chão e sementinhas de árvores plantadas ao longo da alameda. O vento frio de antes da alvorada penetrava em minhas roupas grossas de lã e algodão, mas eu nem o sentia, divagando sobre como se chegara a tal ponto, uma ameaça que tinha origem na salvação da Humanidade e, agora, significava sua destruição.

Passei pela guarita de vigilância em uma delegacia de polícia e resolvi entrar. Levantei o rosto para que os identificadores faciais pudessem me reconhecer e eu tivesse permissão para adentrar o edifício. Parei na porta blindada e esperei. Em alguns segundos, ela se abriu e eu pude entrar no nicho. Sensores laser permitiram que eu entrasse na delegacia, liberando a porta interna. Pensei que a tecnologia era simples, na teoria, mas complexa, na medida em que se progredia e se alcançava os cumes das montanhas de conhecimento.

A última palavra em sabedoria surgira há cinco anos, quando se inventara o conceito de cristais monoclimais. Controlariam o clima, de uma altitude orbital de trinta mil quilômetros. No início, funcionaram, unidos e compactados em uma esfera de quinhentos metros de raio. Mas, há um ano, detectara-se anomalias na estrutura da formação. Os elementos cristalinos constituintes da esfera perderam sua estabilidade, começando a separar-se uns dos outros. Calculara-se que levariam de três a cinco horas para se desintegrar nas camadas que antecederiam a sua entrada na atmosfera e, quando isso ocorresse, gases existentes no interior dos cristais interagiriam com o vento solar. 

O apocalipse seria libertado.

O oxigênio seria separado do restante dos constituintes da atmosfera. Um cataclisma ocorreria, quando tal gás entrasse em combustão, devido ao contato do oxigênio com elementos que o incendiassem, existentes em refinarias e indústrias em que combustíveis eram utilizados na fabricação de insumos.

E eu, o responsável pela construção dos cristais que controlariam o aquecimento climático, era o único a conhecer este segredo.

Caminhei até a recepção e falei:

— Tragam-me um policial, um juiz, um carcereiro e um executor.

Tal foi feito e fui conduzido a uma sala, onde tudo o que aconteceria foi registrado por um gravador de pen-drive. Algemado, fui conduzido a uma cela destinada aos criminosos de altíssima periculosidade. Dispensei a presença de um advogado, na sessão extraordinária do tribunal, que se seguiu. O júri declarou-me culpado. 

— Tem algo a dizer em sua defesa, doutor Lottimer?

— Não. Mas não há necessidade de gastar dólares em injeções letais. Pelo meu relógio, faltam dez minutos para que a crosta terrestre se transforme em um Inferno de Dante.

— Sabe — perguntou-me Sua Excelência — de algum modo de evitarmos isso?

— Quem puder, se esconda em bunkers. Ou em túneis dos metrôs. 

— E... — começou a falar o juiz. Eu completei:

— ... quem não puder, meta uma bala na cabeça. Não será agradável respirar a atmosfera incandescente que tomará conta do planeta, no futuro próximo.

— Levem-no — disse o juiz aos policiais que faziam a segurança da sala do tribunal — e deixem-no sob escolta policial, no meio da rua. Se isso não for o sonho de um lunático, terá sua execução em dez minutos.

Ele bateu com o martelo de madeira no suporte de sua mesa e deu por encerrada a sessão.

A Terra se tornou um amálgama de pontos de luz, que se aglutinaram e formaram uma única mancha branca e brilhante, vista da Lua. Na superfície do satélite natural, cinco domos haviam sido construídos, abrigando vinte pessoas. Vinte astronautas que acompanharam por vídeo a desgraça que se abatera sobre o planeta natal.

Ficaram intrigados, quando foi impossível contatar a Nasa, a Space X, a Europa, a China. Entregaram-se ao horror, ao perscrutarem, de seus telescópios montados sobre os domos, o fogo mortal que cobrira a atmosfera da Terra.

Levariam alguns dias, até constatarem que teriam de sobreviver sem o auxílio terrestre. Sabiam que isso era possível, mas jamais tentado.

Porém, como dizia o ditado: para tudo há uma primeira vez.



SOBRE  O AUTOR:
Roberto Fiori é um escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Roberto Fiori sempre foi uma pessoa que teve aptidão para escrever. Desde o ginásio, passando pelo antigo 2º Grau, suas notas na matéria de redação eram altas, muito acima da média. O que o motivava a escrever eram suas leituras, principalmente Ficção Científica e Fantasia. Descobriu cedo, pelo mestre da Fantasia Ray Bradbury, que era a Literatura Fantástica que admirava acima de qualquer outro gênero literário.

Em 1989, sob a indicação de uma grande amiga sua, Loreta, que o escritor conheceu a Oficina da Palavra, na Barra Funda, em São Paulo. E fez uma boa amizade com o maior professor de literatura que já tive, André Carneiro. Sem dúvida alguma, se não fosse pelo André, Roberto nos diz que jamais saberia o que sabe hoje, sobre a arte da escrita. Nos cursos que ele ministrava, o autor aprendeu na prática a escrever, as bases de como tornar uma mera história de ficção em uma obra que atraísse a atenção das pessoas.

“Futuro! – Contos fantásticos de outros lugares e outros tempos” é uma obra parte Fantasia, parte Ficção Científica, parte Horror, e que poderá vir a se tornar realidade, quer em outra época, no futuro, quer em outra dimensão paralela à nossa. Vivemos em um Cosmos que não é o único, nessa teia multidimensional chamada Multiverso. Ele existe, segundo as mais avançadas teorias da cosmologia. São Universos Paralelos, interligados por caminhos ou “wormholes” – buracos de minhoca. Um “wormhole” conecta dois buracos negros, ou singularidades, em que a gravidade é tão elevada que nada pode escapar de sua atração gravitacional, nem mesmo a luz. Em tais “wormholes”, o tempo e o espaço perdem suas características, tornam-se algo que somente pode-se especular e deduzir matematicamente.

“Futuro! – Contos fantásticos de outros lugares e outros tempos” é uma coletânea de treze contos e noveletas. Invasões alienígenas por seres implacáveis, ameaças vindas dos confins da Via Láctea por entidades invencíveis, a luta do Homem contra uma raça peculiar e destrutiva ao extremo, terrível e que odeia o ser humano sem motivo algum. Esses são exemplos de contos em que o leitor poderá não enxergar qualquer possibilidade de sobrevivência para o Homem. Mas, ao lado de relatos de pesadelo, surgem contos que nos falam de emoções. Uma máquina pode apresentar emoções? Ela poderia sentir, se emocionar? Nosso povo já esteve à beira da catástrofe nuclear, em 1962. Isso é realidade. Mas e se nossa sobrevivência tivesse sido conseguida com uma pequena ajuda de uma raça semelhante à nossa em tudo, na aparência, na língua, nos costumes? E que desejaria viver na Terra, ao lado de seus irmãos humanos? Há histórias neste livro que trazem ao leitor uma guerra milenar, que poderá bem ser interrompida por um casal, cada indivíduo situado em cada lado da contenda. E há histórias de terror, como uma presença, não mais que uma forma, que mata, destrói e não deixa rastros. 
Enfim, é uma obra de ficção, mas que poderá vir a se revelar algo palpável para o Homem, como na narrativa profética da destruição de um planeta inteiro.

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domingo, 3 de abril de 2022

Conto “Uma Nova Era”, por Roberto Fiori

Deserto da Namíbia à Noite

“O penhasco erguia-se a duzentos ou trezentos metros, mas Brombeck tinha um ou dois segundos para se decidir. Podia ouvir a horda chegando, os selvagens da tribo vizinha se aproximando. Ignorou os sons e deixou-os, em sua mente, na região obscura do esquecimento. Passando Lucy para o ombro esquerdo, começou a escalar.

“É claro que, se ele fosse apanhado e morto sob tortura, a vida da mulher valeria menos que as coxas de um animal imenso e suculento, mas o fato era que ele gostava da garota. E a adorava, num crescendo, à medida que se conscientizava que chefe Ponrói surgia em sua mente, afirmando que, se ele se revelasse corajoso o suficiente, teria o direito à fêmea, mesmo que fosse bem-sucedido ou fracassasse. Os inimigos dos Luta-Luta eram manipuladores exímios de raízes. As flechas com pontas embebidas em líquido do interior das nozes Tecã eram letais, mas Brombeck tinha poucas opções. Porém, os seus perseguidores, ou eram ruins de mira, ou, o que se revelou correto, estavam batendo em retirada, e, desse modo disparavam a esmo, sem acertar os dois inimigos.

“Ficou claro para o neandertal a razão de tal debandada. Ele nunca havia encontrado aqueles animais frente a frente, mas era claro que tinham assustado seus inimigos. Com asas de vinte metros de envergadura e uma cabeça maciça dotada de uma mandíbula feita para esmagar, cortar e perfurar, com dez fileiras de dentes de trinta centímetros de comprimento, essas criaturas tinham o significado da própria Morte.

“Brombeck deixou-se ficar de rosto voltado para a encosta, evitando ao máximo que seu corpo fosse revelado, à luz do Sol. Ele tinha a pele vermelho-escura, devido ao tempo prolongado em que se deixava ficar ao relento, mas sabia que os olhos dos Dracone captariam qualquer indício de presas que se movessem próximo à base do monte rochoso. 

“Um rugido foi ouvido, seguido de outro, enfraquecendo-se com a distância. Quando tudo silenciou, o neandertal virou sua cabeça e constatou que podia descer. Tinha escalado trinta metros! No chão, colocou Lucy de costas na terra, cheirando o chão e semicerrando os olhos, para ver melhor. Estava certo de que estavam a salvo, mas algo lhe dizia para procurar abrigo.

“Com o olfato de um tigre de dentes-de-sabre e a visão apurada de um Dracone, ele estava dotado de características as mais valiosas para a sobrevivência no Mundo de Pedra. Encontrou, a trinta metros de distância, meio escondida por arbustos e árvores coníferas, uma entrada. Soerguendo a companheira por baixo dos braços e das pernas, correu. Nem um pouco cansado seu corpo musculoso ficou, quando chegou à caverna.

“Pensou que se passara algo estranho, ou, no mínimo, incomum, ao ver a profusão de ossos de feras carnívoras e animais de médio e grande porte, empilhados em montes, junto às paredes do salão principal. Apurou a audição aguçada e detectou a presença de uma fonte, jorrando de um lugar próximo. Com cuidado, aproximou-se da entrada da caverna e, sem ver nenhuma fera ou ser humano, voltou.

“Carregou Lucy nos braços por alguns metros além do salão de entrada. Estavam em um corredor baixo e da largura de dois neandertais de grande porte. O corredor deu lugar a uma câmara de cem passos de largura por cento e cinquenta de comprimento e trinta a quarenta de altura. Tochas queimavam em suportes nas paredes.

“Brombeck deixou Lucy pousar no chão. Viu coisas, animais incrustrados nas paredes. Passou a mão por um desses seres e viu que não eram vivos, mas imagens coloridas, que demonstravam grande perícia no desenhista ao mostrar o povo de Brombeck e os diversos animais que viviam no Mundo de Pedra. Mundo de Pedra, a designação perfeita para o lugar onde vivia, isso o neandertal tinha consciência.

“Tudo o que importava era feito de rocha. As pontas das lanças, usadas para caça e defesa, bem como no ataque aos inimigos de Brombeck. Em temporada de ventos violentíssimos, relâmpagos e rajadas de chuva, que encharcavam e até matavam, caso se ficasse muito tempo sob as tempestades. Para isso, cavernas de pedra eram de extrema importância, pois protegiam a tribo de maneira muito eficiente. Mas a pedra tinha sua importância em outro aspecto. 

“A mesma raça neandertal, com todas as características físicas, como a testa bem baixa, era encontrada em outros mundos, na Grande Galáxia Leitosa. Na Terra, de duzentos mil anos atrás até vinte mil anos, o homo neandertaliensis viveu e prosperou. Em Arcturus-10, o décimo planeta em matéria de distância a partir da estrela que portava tal nome, neandertais viveram por cem mil anos. E, no Mundo de Pedra, sua existência estava no começo. Quanto duraria? Ninguém poderia prever.

“Brombeck estava ciente da existência de água na câmara, mas, onde estava, isso era difícil de se descobrir. O ser humano, nesse planeta, aprendera cedo a utilizar a pedra para fazer fogo, pelo atrito. O neandertal vira pelo canto dos olhos que existiam montes de palha espalhados pela câmara. Avançou e apanhou um tanto de um monte. Ele trazia consigo em todos os momentos uma lança ou duas pontas de sílex. Procurou nos bolsos e achou-as. Encostando-as à palha, fez baterem uma contra a outra, até que fagulhas surgiram e incendiaram o punhado. Brombeck fez o mesmo com outras aglomerações de palha e o espaço tornou-se iluminado, como se houvessem vários Sóis no interior da caverna. Mas, o estranho foi que ele não aproveitou o fogo dos archotes presos nas paredes para atear fogo à palha.

“Agora, via a origem do som da água jorrando e correndo. No centro da câmara, havia um repuxo-d’água de cinco a dez metros de altura, e um riozinho corria por alguns metros, até sumir pela entrada subterrânea larga do escoadouro.

“Brombeck aproximou-se do riacho, levando Lucy consigo. Tirou sua vestimenta de couro e encharcou-a com água. Passou o tecido pela testa da amiga. Com as mãos em concha, molhou seus lábios e reteve na mente uma imagem saudável da mulher. Mergulhou as mãos, pulsos e braços dela na água refrescante e cristalina. Lucy estremeceu. Abriu os olhos ovalados e sentou-se. Permaneceu em silêncio, olhando para a caverna. Olhou para a abertura no teto em formato de cone e gritou. Brombeck também viu. Um Dracone de pequeno a médio porte descia planando, as mandíbulas abertas prontas para cortar e devorar.

“O neandertal pensou no fogo. Atraíra aquele monstro e atrairia outros. O homem possuía uma faca de pedra, na verdade, um pedaço de rocha lascada que servia para cortar animais caçados pelos homens de sua tribo. Ele cortou um pedaço médio de couro de sua vestimenta, que enrolou na faca, e ateou fogo a ele. Esperou, até o animal pousar. Correu, abanando a faca que queimava, esperando ser o suficiente para que o Dracone sentisse curiosidade e viesse em sua direção. E ele veio.

“Brombeck desviou as presas da criatura para cima com o braço espesso e enterrou a faca ardente em seu tórax. O animal deu um safanão no humano, jogando-o longe. A faca permaneceu no peito do Dracone, queimando. E queimava fundo, o bicho guinchando e se debatendo, sem ter como se desvencilhar da ferramenta de corte. Alçou voo e, quando estava prestes a sair pelo buraco em forma de cone, que era o teto, pairou no ar por alguns momentos e caiu sobre o riacho, sendo arrastado para o escoadouro, para onde foi sugado.

— Como estás? — a moça falou, aproximando-se do companheiro.

— Já estive pior. Vamos sair da caverna, temos de nos juntar a nosso povo.

“A noite estava nem quente, nem fria. Percorreram dez quilômetros, até chegarem ao território dos Luta-Luta. O nome era engraçado, mas muitos haviam morrido por rirem dele. O chefe e feiticeiro da tribo encarregava outros de fazerem a execução, trazendo os desrespeitosos pelos cabelos ou pelo pescoço, através da imensidão do deserto, até a terra dos Luta-Luta.

— Você a trouxe! Minha filha! — disse Ponrói, o chefe dos neandertais. — Conte-me, conte-me os detalhes e faremos uma festa!

“Brombeck queria exagerar nos detalhes, mas ficaria mal para ele se o feiticeiro soubesse por Lucy que ele estivera mentindo. Então, contou o que acontecera, sem enfeitar nada.

— Hmm. Os Ngéla são um povo antipático. Possuímos o conhecimento de como fazer o fogo e eles têm a capacidade de produzir veneno letal para as flechas. Até agora, matamos com flechas acesas... interessante. Se tivéssemos como fabricar veneno... mas, sim, não precisamos fabricar veneno do nada, a peçonha das cobras de sete caudas é mortal! 

“Levaram cestos entrançados de casca maleável de árvore Aztech para a caverna onde as serpentes viviam. Ao fim da noite, haviam capturado cinco dúzias de animais, entregando os cestos para o chefe. Uma a uma, as cobras foram seguras pelo feiticeiro, que extraiu durante horas a peçonha de todas as serpentes. Ele ordenou libertarem-nas na caverna de onde as haviam capturado.

— Assim, é bom. Aplaca o Deus-Serpente, que não tolera que as matem. Nem como alimento, deve-se matar uma cobra. Nem para a sobrevivência da tribo.

“Acrescentaram um pouco de barro a cada ponta de flecha, para que o veneno colhido ficasse preso às flechas. Faltava pouco.

--//--

“Com o amanhecer, os Luta-Luta se prepararam. Foram ao território dos Ngéla e ficaram vigiando o seu acampamento de um monte escarpado, onde havia dúzias de entradas para uma caverna. O combate seria até a morte, pois a morte vinha para os que a tratavam com displicência. Essa era uma parte da filosofia neandertal. Em silêncio, desceram o afloramento rochoso e correram, os pés voando por entre as touceiras de urtigas.

“Foram necessárias duas horas para que os Luta-Luta matassem seus inimigos, usando zarabatanas silenciosas, de onde sopravam flechas envenenadas. A morte era rápida e dolorosa. O líder dos Ngéla flechou cinco dos invasores, antes de ser dominado. Ponrói foi breve, mas cheio de sabedoria:

— Dirzium, por que foram vocês que nos atacaram, sempre, no passado? Viu no que isto resultou, uma rixa por causa de uma mulher nossa, uma menina de apenas 68 estações do ano, que você Dirzium, cobiçou e tomou para si, enquanto nossos lutadores dormiam? 

— Ponrói, há muitos de nós, no deserto. Se quiser paz, terá de ir para a floresta ou para as montanhas. Você é quem escolhe.

— O deserto é e sempre foi nosso. O deserto é nossa morada. Expulsaremos ou mataremos os Ngéla — o chefe dos Luta-Luta virou-se e disse uma única vez: — Levem-no para longe e o matem. Com o mínimo de dor.

--//--

“A noite foi de festa. Sob a luz da Lua e das constelações, Lucy caminhou com Brombeck até o limite do território dos Luta-Luta e falou, braços dados com o marido recente:

— Teremos quantos filhos? Povoaremos este deserto, e além?

Eram perguntas difíceis de serem respondidas, mas o neandertal pensou por alguns minutos, os olhos perdidos no horizonte.

— Este Mundo de Pedra, uma vez, possuiu vinte bilhões de habitantes. Perdeu=se o significado dessa quantia. Hoje, está vazio. Veja este deserto. Ponrói disse que havia dezessete nações, antes de começarmos a guerrear com os Ngéla — Brombeck virou o rosto para sua amada e falou: — Teremos vinte bilhões de descendentes. Alcançaremos lá, ali e acolá! — o homem apontou para todas as direções e, por fim, para o firmamento.

— Somos parte desse mundo, não podemos sair e abandoná-lo, Brombeck.

— Por quê? Porque não há mais inimigos a enfrentar?

O hominídeo falou, sem rodeios:

— Porque os que vivem nas luzes, lá em cima, são nossos primos e pais. Tios, sogros. Nossos filhos serão privilegiados, por nascerem nessa hora em que atingirmos os fogos do espaço.

— Então, Brombeck, o que você pensa que há no espaço, além de habitantes para guerrear? — o semblante dele acalmou-se. Era dessa forma que Lucy conseguia manter a paz entre os dois.

— Muito mais, Lucy. Há muito mais além de lutar, guerrear e matar. Para isso é que nós e nossos descendentes vivem e viverão, para construir um lar melhor, entre todas as luzes desse espaço sem fim.

Ficaram em silêncio, observando as nuvens iluminadas pela Lua cheia, e ouvindo os sons dos insetos e animais do deserto. Seriam os filhos dos filhos dos filhos de seus bisnetos que atingiriam as estrelas, mas deixaram-se ficar olhando a paisagem, sem se mexerem, o vento quente de Verão os deixando amortecidos.

Tudo corria bem. Tudo rumava para o sucesso de todos.


SOBRE  O AUTOR:
Roberto Fiori é um escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Roberto Fiori sempre foi uma pessoa que teve aptidão para escrever. Desde o ginásio, passando pelo antigo 2º Grau, suas notas na matéria de redação eram altas, muito acima da média. O que o motivava a escrever eram suas leituras, principalmente Ficção Científica e Fantasia. Descobriu cedo, pelo mestre da Fantasia Ray Bradbury, que era a Literatura Fantástica que admirava acima de qualquer outro gênero literário.

Em 1989, sob a indicação de uma grande amiga sua, Loreta, que o escritor conheceu a Oficina da Palavra, na Barra Funda, em São Paulo. E fez uma boa amizade com o maior professor de literatura que já tive, André Carneiro. Sem dúvida alguma, se não fosse pelo André, Roberto nos diz que jamais saberia o que sabe hoje, sobre a arte da escrita. Nos cursos que ele ministrava, o autor aprendeu na prática a escrever, as bases de como tornar uma mera história de ficção em uma obra que atraísse a atenção das pessoas.

“Futuro! – Contos fantásticos de outros lugares e outros tempos” é uma obra parte Fantasia, parte Ficção Científica, parte Horror, e que poderá vir a se tornar realidade, quer em outra época, no futuro, quer em outra dimensão paralela à nossa. Vivemos em um Cosmos que não é o único, nessa teia multidimensional chamada Multiverso. Ele existe, segundo as mais avançadas teorias da cosmologia. São Universos Paralelos, interligados por caminhos ou “wormholes” – buracos de minhoca. Um “wormhole” conecta dois buracos negros, ou singularidades, em que a gravidade é tão elevada que nada pode escapar de sua atração gravitacional, nem mesmo a luz. Em tais “wormholes”, o tempo e o espaço perdem suas características, tornam-se algo que somente pode-se especular e deduzir matematicamente.

“Futuro! – Contos fantásticos de outros lugares e outros tempos” é uma coletânea de treze contos e noveletas. Invasões alienígenas por seres implacáveis, ameaças vindas dos confins da Via Láctea por entidades invencíveis, a luta do Homem contra uma raça peculiar e destrutiva ao extremo, terrível e que odeia o ser humano sem motivo algum. Esses são exemplos de contos em que o leitor poderá não enxergar qualquer possibilidade de sobrevivência para o Homem. Mas, ao lado de relatos de pesadelo, surgem contos que nos falam de emoções. Uma máquina pode apresentar emoções? Ela poderia sentir, se emocionar? Nosso povo já esteve à beira da catástrofe nuclear, em 1962. Isso é realidade. Mas e se nossa sobrevivência tivesse sido conseguida com uma pequena ajuda de uma raça semelhante à nossa em tudo, na aparência, na língua, nos costumes? E que desejaria viver na Terra, ao lado de seus irmãos humanos? Há histórias neste livro que trazem ao leitor uma guerra milenar, que poderá bem ser interrompida por um casal, cada indivíduo situado em cada lado da contenda. E há histórias de terror, como uma presença, não mais que uma forma, que mata, destrói e não deixa rastros. 
Enfim, é uma obra de ficção, mas que poderá vir a se revelar algo palpável para o Homem, como na narrativa profética da destruição de um planeta inteiro.

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quarta-feira, 2 de março de 2022

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sábado, 5 de fevereiro de 2022

Participe da antologia (e-book) FUTURO - CONTOS E POEMAS. Leia o edital


PARTICIPE DA ANTOLOGIA (E-BOOK): FUTURO - CONTOS E POEMAS

REGRAS PARA PARTICIPAÇÃO NA ANTOLOGIA DIGITAL "FUTURO - CONTOS E POEMAS":

1 - Escrever um poema ou conto sobre o futuro. Aceitaremos até 3 contos ou 3 poemas por autor. Caso sejam aprovados, os 3 textos serão publicados.

2 - SOBRE O CONTO OU POEMA: até 4 páginas, fonte Times ou Arial, tamanho 12, incluindo título.
     
3 - Tipo de arquivo aceito: documento do Word (arquivos em PDF serão deletados).

4 - O conto ou poema não precisa ser inédito, desde que os direitos autorais sejam do autor e não da editora ou qualquer outra plataforma de publicação.

5 - Idade mínima do autor para participação na antologia: 18 anos completos.

6 - Envie o conto ou poema pré-revisado. Leia e releia antes de enviá-lo.

7 - Data para envio do conto ou poema: do dia 06/01/22 até 10/02/22.

8 - Veja ficha de inscrição no final desse texto. Leia, copie as informações e preencha. Envie as informações da ficha + o conto ou poema para o e-mail: contato@edgarallanpoe.com.br. Escreva no título do e-mail: FUTURO - CONTOS E POEMAS

CUSTO PARA O AUTOR:

R$ 50,00 por conto ou poema. Caso o autor envie 3 poemas ou 3 contos e tenha os três selecionados, o valor será R$ 150,00. As informações para depósito serão informadas ao autor no e-mail que enviaremos caso o conto ou poema seja aprovado.
O valor servirá para cobrir os custos de leitura crítica e revisão, diagramação e divulgação da obra.

A antologia será digital (e-book) e gratuita para os leitores baixarem através de download, ela não será vendida. A antologia será amplamente divulgada nas redes sociais da Revista Conexão Literatura: Fanpage e Grupos do Facebook e Instagram, que somam cerca de 200 mil seguidores.

O resultado será divulgado no site www.revistaconexaoliteratura.com.br e na fanpage www.facebook.com/conexaoliteratura, até o dia 11/02/22 (a data poderá ser prorrogada).

OBS: Enviaremos certificado digital de participação para os autores selecionados.


NOSSOS CRITÉRIOS PARA AVALIAÇÃO:

A) - Criatividade;

B) - Textos preconceituosos, homofóbicos, racistas ou que usem palavras de baixo calão, serão desconsiderados;

C) - Seguir todas as regras para participação.

OBS.: Ademir Pascale, idealizador do concurso, disponibilizou para download uma apostila intitulada "Oficina Jovem Escritor", com dicas para quem está iniciando no mundo da escrita. Baixe gratuitamente, leia e pratique: CLIQUE AQUI.


FICHA DE INSCRIÇÃO DO AUTOR(A)

Nome completo do autor(a):

Seu Pseudônimo (caso use), para publicação na antologia:

Idade:

Título do conto ou poesia:

E-mail 1:
E-mail 2 (caso tenha):

Biografia em terceira pessoa (escreva sobre você num máximo de 7 linhas):
 

IMPORTANTE: Envie todas essas informações da ficha de inscrição para o e-mail: contato@edgarallanpoe.com.br. Escreva no título do e-mail: FUTURO - CONTOS E POEMAS

O envio da ficha de inscrição + poesia ou conto para o e-mail indicado significa que o autor(a) leu todas as informações e regras dessa página para participação na antologia.

Não fique fora dessa. O concurso cultural será amplamente divulgado nas redes sociais.

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sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Conto "Jogar é Um Negócio Arriscado", por Roberto Fiori

 

Astronave Allambik, de Omnium - Divulgação

“Não vai durar uma hora na Floresta”, Omnium, de Beta Centauri, pensou.

“E você lá sabe em quem eu apostei, rapazinho?”, as ondas cerebrais Alpha, de Krokus Allandir, do distante mundo de Bettelgeuse-14, responderam.

“E você sabe o que eu penso de suicidas em potencial, certo?”

“Tanto quanto você, garoto, tanto quanto você.

A troca de pensamentos se dera de modo descontraído, no último andar do complexo, coberto por uma cúpula de neodime. Omnium, um hominídeo de três olhos e um metro e sessenta e cinco centímetros de altura, levava desvantagem, quando se tratava de apostas. A última em que se metera fora em Paleos, um planeta quente, no hemisfério oposto ao que recebia a radiação de seu Sol inclemente. Todos sabiam que Omnium era um mau perdedor, nos planetas situados aquém do triângulo cujas arestas estavam a Terra, Paleos e Beta Centauri. Mesmo na Terra, lugar apinhado de trapaceiros e viciados em busca de meios para sustentar seus prazeres mundanos, Omnium era mal visto.

“Façamos uma mudança na aposta, Omnium. Triplico seu valor, e, em troca, te ofereço meu iate particular, em adição ao que combinamos”.

“Seis milhões em moeda? Mais treze milhões por uma espaçonave enferrujada? Nada feito, fiquemos no triplo da aposta em dinheiro. Não quero levar para casa um monte de aço enferrujado, obrigado”.

Krokus suspirou, apoiou-se na beirada do alto edifício e pensou:

“Vá lá, vá lá. Não vou passar por ambicioso”.

Voltaram às dependências do bar suspenso. Estavam bebendo, enquanto Val Meyer corria entre as árvores, perseguido por Elyustand, de Marte. A Floresta era aberta, o solo assemelhava-se a um carpete de doze centímetros de espessura, aparado com cuidado extremo. As árvores, seus troncos bulbosos e os galhos delgados, cresciam a intervalos de vinte a trinta metros. Uma vez ou outra um fruto maduro de dez quilos caía, explodindo no solo. Nem os galhos eram fracos, podiam aguentar um peso de mais de cem quilos, nem a camada superior do chão era frágil, suportaria um impacto de dez toneladas. Mesmo se uma árvore tombasse, a parte inferior da superfície sustentaria o choque de cem toneladas, de uma única árvore. Mil metros abaixo, o planeta era vulcânico, em estado semilíquido. 

Meyer estava desarmado, mas o norte-americano era rápido. Vencera por sete vezes consecutivas a prova de atletismo em Beta Centauri, nos dez mil metros em ambiente de gravidade 2 Gs e, tanto Omnium, como Allandir, sabiam que, quanto a isso, o terrestre venceria a aposta. Mas seu antagonista marciano tinha a seu favor uma pistola de raios, um fuzil laser equipado com mira telescópica, granadas de mão caloríficas incendiárias utilizadas em guerra ou guerrilha urbana, um traje blindado autossuficiente para dez meses isolado no espaço ou em um planeta que orbitasse uma estrela supergigante azul, recebendo um nível de radiação cem vezes o da Terra.

Meyer parou em uma encruzilhada em “Y”. Seguiu para a trilha da esquerda, onde sabia existir uma lagoa ácida, e correu o máximo que pôde. As chuvas ácidas cairiam em uma semana e ele sabia que, se continuasse desarmado, suas chances seriam nulas.

Chegou à lagoa em cinco minutos, a uma velocidade de setenta quilômetros por hora, e analisou a paisagem. Deu uma pequena corrida e atingiu uma altura de cinco metros, começando a trepar uma árvore adequada. Havia uma espécie de ninho de larvas que viviam no ácido, a uma altura de cinquenta metros e Meyer avistou seu inimigo, na encruzilhada. Ficou imóvel em um galho, do lado oposto ao da trilha.

Elyustand consultou o único aparelho rastreador que a prova permitia, um medidor no infravermelho que escaneava a temperatura de uma zona de cem metros por cem, e cem metros de altura. O aparelho era bom, confiável, e, se ele se recusava a aferir a lagoa, o solo e as árvores com precisão, era porque não havia nada a ser mostrado. Elyustand girou o corpo da esquerda para a direita, repetindo a varredura, mas Meyer devia ter seguido pela outra trilha. O marciano elevou sua cabeça, os sensores ópticos de sua couraça pouco revelando. Ouviu-se um troar baixo, a respiração pesada de Elyustand, quando ele suspirou. Virou-se e saiu da zona ácida, voltando pela trilha.

O terrestre ouviu as passadas pesadas que a roupa blindada do oponente fazia no solo e contou até cinquenta. Espiou pelo lado do tronco da árvore onde se ocultara e viu que nem havia sinal do inimigo, nem ele podia saber se estava ou não em segurança. Continuou a subir. Chegou a dois metros de distância do ninho de larvas. Era um saco feito de seda tecida por vespas, em cujo sangue corria o ácido da lagoa, no centro da clareira. A jogada era arriscada, mas valia a pena. Meyer deu um passo para o lado e pisou sobre um galho fino. Acocorou-se e puxou o graveto. Foi necessária toda sua força para quebrá-lo, mas ele o conseguiu. A madeira era resistente.

O americano começou a bater no tronco oco com o galho, produzindo sons que se propagariam por uns quatrocentos metros de raio. Elyustand estava na trilha, voltando para a encruzilhada, quando ouviu. Uma das regras do teste era que os sensores de áudio de seu capacete tinham de ter “abafadores”, para que a direção da origem fosse impossível de ser rastreada por meios eletrônicos. O marciano sentiu raiva. Tamanha tecnologia das armas e nenhum avanço no sentido de se descobrir onde Meyer estava. 

“Besteira”!, ele pensou. Virou-se com lentidão, tentando localizar o som incessante. Sem poder correr, devido ao peso da armadura, voltou pela trilha. Chegou à clareira, onde uma névoa densa flutuava do solo, em locais onde a concentração ácida era elevada. O som vinha do alto de uma árvore dotada de um bulbo desenvolvido, além do que poderia se esperar das árvores que se alimentavam do ácido que o solo concentrava.

Sem olhar para o alto da árvore, disparou dez fachos de luz laser com seu fuzil. O barulho continuou. Elyustand xingou alto e olhou para o topo da árvore. O ninho de larvas foi cortado da conexão de seda com o tronco e o marciano susteve a respiração.

O ninho se desfez numa explosão de ácido, seda e larvas, no capacete de Elyustand. Uma nuvem de vapor se elevou e insetos predadores se aproximaram, vindos da lagoa. Ela existira por milhões de anos, abrigando uma fauna e uma flora diversificada e perigosa. Centopeias e aranhas, que se alimentavam das larvas do ninho das vespas, subiram à superfície, os neuroreceptores acusando alimento, próximo. Uma espécie de serpente, imune ao efeito corrosivo da lagoa, atirou-se contra Elyustand. Do ar, moscas do tamanho do estômago de Meyer pousaram no capacete metálico, começando a perfurar o metal à prova de radiação, com seu ferrâo duríssimo.

No alto da árvore bulbosa, Meyer continuou a subir, alcançando uma quantidade de galhos de outra árvore, vizinha à que ele se encontrava. O terrestre caminhou pela madeira delgada, mas forte, até sua extremidade, e dali mergulhou no vazio. Mas não se espatifou no solo, ele segurou-se nos galhos próximos ao lugar de onde saltara. Soergueu-se sobre um ramo espesso e desceu pelo tronco. 

Vigiava Elyustand, que tombara, impotente com o peso dos insetos e animais que o cobriam. Meyer resolveu que sairia da clareira o mais rápido possível, queria estar longe quando os habitantes da lagoa injetassem veneno ácido no corpo do marciano. Já vira acontecer e testemunhar uma morte dessas duas vezes era muito para sua mente. 

--//--


Krokus Allandir observava a cena pela luneta do topo do edifício que servia de local de apostas. Passou a língua pelos lábios, quando conseguiu focar na carnificina que estava acontecendo a três quilômetros do prédio, na clareira. Apertava com força as alavancas que controlavam a altura e a distância pelas quais a luneta podia ser ajustada.

“Vendo a matança, Krokus? Você já assistiu a ela quantas vezes, bettelgeusiano?”

Allandir ignorou Omnium. Estava satisfeito. Quando o corpo do marciano, que tentara fugir dos predadores da floresta, foi aprisionado em uma algaravia de teias de ácido sulfúrico elaborado pelas aranhas da lagoa, pelo ácido nítrico e clorídrico que as centopeias gigantes aquáticas regurgitavam de seu interior, e perfurado por moscas superdesenvolvidas que, ao mesmo tempo em que furavam o corpo de Elyustand, devoravam-no, ele deu uma risadinha e voltou-se para Omnium.

“Se pensa que um banquetezinho como o oferecido aos insetos da floresta e demais animaizinhos adoráveis me revolve o estômago, está enganado, baixote. Você perdeu, me deve seis milhões de créditos lunares.”

“E desde quando apostei no marciano encouraçado? Peça dinheiro aos organizadores do torneio, é para isso que eles servem, para pagar a aventureiros e delinquentes como você o que não merecem.”

“Quer me acompanhar para um café, Omnium? Só depois, vou pegar meu dinheiro.”

“Claro, bettelgeusiano mesquinho. Em Beta Centauri, cozinharíamos seu cérebro em creme de leite jupiteriano, para comê-lo num jantar de gala.”

Allandir sorriu. Entraram no elevador social. O homem alto pressionou a tecla número três. Quando a porta se fechou, Omnium socou o interruptor de emergência e o elevador travou, a porta ficando semiaberta. 

Omnium sacou uma arma de energia de suas roupas e converteu o outro em moléculas.

Foi quando Meyer desceu pelo elevador de carga, vindo apanhar sua recompensa pela vitória. 

— Terá de se dirigir ao setor de importação/exportação do espaçoporto terrestre, Mr. Meyer — afirmou de forma fria a moça alta e esbelta que cuidava dos pagamentos e recebimentos da prova. Meyer olhou-a atarantado. Tinha dez mil créditos, o suficiente para meia passagem de ida à Terra.

— Não se preocupe com o pagamento, Mr. Meyer — falou Omnium, vendo a expressão de desgosto no rosto do terrestre. — Posso lhe oferecer uma viagem ao espaçoporto da Terra, saída daqui a uma hora. Interessado?

— Você... apostou em mim?

— Aposto nos campeões, Mr. Meyer. Só.

— Somos colegas, hã, senhor...

— Omnium, de Beta Centauri.

— Bem, somos mais que colegas de campeonato, somos de Sistemas Estelares irmãos. Vou pagá-lo em créditos lunares, metade da viagem agora, o resto na Terra.

— Está muito bem, Mr. Meyer. O campeão dessa competição.

A nave de Omnium, em forma de foguete, estava pronta para a partida, no subsolo do planeta vulcânico, a cem metros do hotel. A passagem de Meyer paga, o combustível nuclear transferido para o reator da nave, as buscas por Allandir em progresso, tudo estava conforme o planejado.

— Mr. Meyer — disse Omnium para o seu hóspede, na nave Allambik —, como faz para se manter vivo, após dez torneios como este último?

Meyer tirou um pé-de-coelho do bolso de sua camisa e o jogou para Omnium.

— Este é meu talismã da sorte. Consegui em Delta-Magirus. 

— O Planeta da Magia?

— Em Rigel, sim.

Omnium analisou o felpudo amuleto. Parecia ser legítimo.

— Aceito este objeto em troca do valor da passagem.

— Hã, hã. Lutei como um leão das savanas africanas terrestres para conseguir isso.

Omnium mexeu em sua roupa e mostrou o cano do desintegrador para Meyer.

— Pode me matar, Omnium. Mas depois, não diga que não avisei. Conectei a este pé-de-coelho um transmissor neural que recebe minhas ondas cerebrais. Morto, o amuleto será ativado e detonado. Você e este monte de sucata serão parte de “poeira de estrelas”, para citar um de meus escritores favoritos, o senhor Asimov.

— Desarme! Agora! — Omnium bufava, enraivecido.

— Posso ativar o pé-de-coelho nesse momento, só com minha mente.

— Você não ousaria...

— Omnium, se quiser ver algo mais além da escuridão estelar, sugiro que me passe o amuleto, vá à comporta do reator e salte para dentro do conversor de energia.

— Vou...

— Sei que matou o betellgeusiano, soube disso antes de vocês descerem para o andar térreo do hotel. Eu estava no penúltimo andar, quando senti o cheiro de carne tostada. 

— O que você faria se estivesse sob a mira dele, Meyer?

— Não sei, só sei que você mergulhará de cara no campo de radiação nuclear, neste momento.

Os dois homens levantaram-se. Seguiram pelo corredor principal do foguete, Omnium suando em bicas, ainda segurando o pé-de-coelho. Quando chegaram à comporta do reator de fusão, Omnium abriu-a e falou, temerário:

— Posso saltar com o seu amuleto, Meyer. E a explosão o levará junto comigo.

— Você só está tentando conseguir uma vantagem. Um modo de me apavorar. Pode ir, Omnium, pode ir.

Omnium atirou em Meyer, mas o explosivo no pé-de-coelho existia, mesmo. Detonou, mas nem Omnium poderia fazer ideia da supernova que o quadrante Zeta da Via-Láctea se tornaria.

Pois é, jogar sempre é um negócio arriscado.


SOBRE  O AUTOR:
Roberto Fiori é um escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Roberto Fiori sempre foi uma pessoa que teve aptidão para escrever. Desde o ginásio, passando pelo antigo 2º Grau, suas notas na matéria de redação eram altas, muito acima da média. O que o motivava a escrever eram suas leituras, principalmente Ficção Científica e Fantasia. Descobriu cedo, pelo mestre da Fantasia Ray Bradbury, que era a Literatura Fantástica que admirava acima de qualquer outro gênero literário.

Em 1989, sob a indicação de uma grande amiga sua, Loreta, que o escritor conheceu a Oficina da Palavra, na Barra Funda, em São Paulo. E fez uma boa amizade com o maior professor de literatura que já tive, André Carneiro. Sem dúvida alguma, se não fosse pelo André, Roberto nos diz que jamais saberia o que sabe hoje, sobre a arte da escrita. Nos cursos que ele ministrava, o autor aprendeu na prática a escrever, as bases de como tornar uma mera história de ficção em uma obra que atraísse a atenção das pessoas.

“Futuro! – Contos fantásticos de outros lugares e outros tempos” é uma obra parte Fantasia, parte Ficção Científica, parte Horror, e que poderá vir a se tornar realidade, quer em outra época, no futuro, quer em outra dimensão paralela à nossa. Vivemos em um Cosmos que não é o único, nessa teia multidimensional chamada Multiverso. Ele existe, segundo as mais avançadas teorias da cosmologia. São Universos Paralelos, interligados por caminhos ou “wormholes” – buracos de minhoca. Um “wormhole” conecta dois buracos negros, ou singularidades, em que a gravidade é tão elevada que nada pode escapar de sua atração gravitacional, nem mesmo a luz. Em tais “wormholes”, o tempo e o espaço perdem suas características, tornam-se algo que somente pode-se especular e deduzir matematicamente.

“Futuro! – Contos fantásticos de outros lugares e outros tempos” é uma coletânea de treze contos e noveletas. Invasões alienígenas por seres implacáveis, ameaças vindas dos confins da Via Láctea por entidades invencíveis, a luta do Homem contra uma raça peculiar e destrutiva ao extremo, terrível e que odeia o ser humano sem motivo algum. Esses são exemplos de contos em que o leitor poderá não enxergar qualquer possibilidade de sobrevivência para o Homem. Mas, ao lado de relatos de pesadelo, surgem contos que nos falam de emoções. Uma máquina pode apresentar emoções? Ela poderia sentir, se emocionar? Nosso povo já esteve à beira da catástrofe nuclear, em 1962. Isso é realidade. Mas e se nossa sobrevivência tivesse sido conseguida com uma pequena ajuda de uma raça semelhante à nossa em tudo, na aparência, na língua, nos costumes? E que desejaria viver na Terra, ao lado de seus irmãos humanos? Há histórias neste livro que trazem ao leitor uma guerra milenar, que poderá bem ser interrompida por um casal, cada indivíduo situado em cada lado da contenda. E há histórias de terror, como uma presença, não mais que uma forma, que mata, destrói e não deixa rastros. 
Enfim, é uma obra de ficção, mas que poderá vir a se revelar algo palpável para o Homem, como na narrativa profética da destruição de um planeta inteiro.

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quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Entrevista com Roberto Schima, autor do livro "Era uma vez um outono"


Neto de japoneses, nascido a 01/02/1961. Agraciado com o "Prêmio Jerônymo Monteiro", promovido pela "Isaac Asimov Magazine" (Ed. Record) pelo conto "Como a Neve de Maio". Contemplado nos concursos "Os Viajantes do Tempo" e "Os Três Melhores Contos", ambos pela revista digital Conexão Literatura, com a qual colabora desde o nº 37. Escreveu: "Limbographia", "O Olhar de Hirosaki", "Sob as Folhas do Ocaso", "Cinza no Céu" e, agora, "Era uma Vez um Outono" Participou até o momento de cento e trinta antologias. O conto "Ao Teu Dispor" foi premiado na antologia "Crocitar de Lenore" (Ed. Morse). Informações: Google. Contato: rschima@bol.com.br. 

ENTREVISTA: 

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário? 

Roberto Schima: Em 04 de março de 1971, aos dez anos, tive que escrever uma redação para a escola – na época chamava-se “composição” – cujo tema era: “O que pretendo ser quando crescer”. Fascinado pelo clima da “Conquista do Espaço” e de seriados como “Jornada nas Estrelas”, escrevi: astronauta “... porque quando sair e entrar na órbita terrestre e lunar viverei numa aventura e tanto...” Isso jamais aconteceu, mas eu ganhei um “Muito Bom” da professora Irma Vergaças Daher e para sempre vivi no mundo da lua. Embora jovem, via na escrita algo de mágico, uma maneira de perpetuar as ideias. Esse tipo de reflexão acompanhou-me a vida toda. Eventualmente, no início dos anos 80, acalentei o desejo de ter um livro publicado, estimulado pelas leituras de livros como “Os Frutos Dourados do Sol” e “As Crônicas Marcianas”, de Ray Bradbury. Na segunda metade da referida década, travei contato com o Sr. João Francisco dos Santos, o qual publicara "Poemas de Amor e Humildade". Isso fortaleceu a ideia de ter meu próprio livro em mãos. Naquela época não havia a Internet. Meus originais eram datilografados. Precisava tirar cópias em xerox. Utilizava os serviços dos Correios. Provavelmente através de um correspondente, tomei conhecimento da editora Scortecci. Reuni algumas histórias e, sob o cacófato título de “Pequenas Portas do Eu”, em 1987, publiquei-as via produção independente. No ano seguinte, soube da existência do “Clube de Leitores de Ficção Científica” (CLFC). Em seu fanzine, Somnium, dei continuidade ao exercício da escrita, dando vazão através dos contos ao sonho infantil de viajar pelo espaço. Em 1990, tive a felicidade de ser contemplado com o “Prêmio Jerônymo Monteiro”, promovido pela “Isaac Asimov Magazine” (Ed. Record), pela história “Como a Neve de Maio”, publicada em seu nº 12. Em 1993, participei da antologia “Tríplice Universo” (Ed. GRD) com a noveleta “Os Fantasmas de Vênus”. Após isso houve um longo hiato. Então, a vontade de lançar novamente um livro começou a formigar e, felizmente – graças aos avanços na informática e o surgimento da Internet -, acabei conhecendo a agBook e o Clube de Autores. Assim, reunindo ou remodelando velhas histórias, em 2013 lancei a antologia “Limbographia” e, no ano seguinte, o romance “O Olhar de Hirosaki”. Em meados de 2018, através de uma postagem no Facebook, fiquei ciente de um concurso de contos com o tema “Os Viajantes do Tempo”, promovido pela revista digital “Conexão Literatura”, editada por Ademir Pascale. Meu ânimo para escrever fenecera fazia mais de vinte anos, mas eu tinha uma história engavetada que poderia adequar-se ao concurso e, após uns ajustes, enviei-a, afinal, o que tinha a perder? Foi uma surpresa maravilhosa quando, um mês depois, tive a notícia de ter sido contemplado. Isso representou um estímulo enorme e, a partir de então, retornei à escrita. Meu conto, “Abismo do Tempo”, foi publicado no nº 37 da revista e, desde então, colaboro com ela regularmente. 

Conexão Literatura: Você é autor do livro "Era uma vez um outono". Poderia comentar? 

Roberto Schima: Trata-se de minha quarta antologia solo (após "Limbographia", "Sob as Folhas do Ocaso" e "Cinza no Céu"). Em 2020 e 2021, devido à pandemia e ao confinamento, procurei ocupar o tempo e amenizar a ansiedade participando de diversas antologias. Nunca escrevi tantas histórias como nesse biênio. Eu poderia ter montado "Era uma Vez um Outono" algum tempo atrás. Posterguei devido a canseira em organizar todo o material. Em se tratando de uma autopublicação, além do papel de autor, a gente meio que assume o papel de organizador, revisor, diagramador, capista, ilustrador, fotógrafo etc. Ainda mais no meu caso, que tenho predileção por lançar calhamaços, inserir notas de rodapé e adicionar materiais extras além dos contos, a empreitada afigurava-me maçante. O impulso se deu na madrugada insone de 18.12.2021, por volta das três horas — a "hora mágica" —, enquanto em meio ao silêncio e à escuridão escutava uma versão instrumental de Auld Lang Syne. E os pensamentos, sem focarem em nada em particular — a exemplo das folhas que, ressequidas, desprenderam-se de seus galhos e dispersaram-se através da fluidez do vento — vagaram e vagaram por diferentes memórias sem nelas pousar. Diante de tais divagações, surgiu o título para uma nova antologia: "Era uma vez um outono". Os contos — e alguns versos — da presente antologia foram publicados nas edições nº 66 a 79 da revista digital "Conexão Literatura", editada por Ademir Pascale, bem como nas antologias por ele organizadas. Outros contos saíram em antologias digitais organizadas por Elenir Alves, do blog "Projeto AutoEstima". E, ainda, em exemplares avulsos da revista digital "LiteraLivre", de Ana Rosenrot. Abrangem diferentes gêneros como: fantasia, nostalgia, horror e ficção científica. Numa seção própria, fiz a inclusão de entrevistas que, a exemplo desta, concedi à "Conexão Literatura", ao "Projeto AutoEstima" e à Shirlei Pinheiro, do blog "Jornal Escritores da Serra". Inclui, ainda, a seção "Galeria" com amostras de meus desenhos desde meados dos anos 70 até meados dos anos 90 (já alerto: vão do grotesco ao estapafúrdio). Assim, pois, confesso o pecado de me utilizar da autopublicação como um meio de preservar memórias que, se me são muito caras, nada representarão a outrem além de objetos de mera curiosidade, se tanto. Que os contos que compõem este livro se dispersem ao vento qual folhas secas de um outono de outrora. 

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro? 

Roberto Schima: Por ser uma antologia de contos já escritos, o trabalho foi mais braçal, por assim dizer. Ficou por conta da montagem do livro em si e de sua divulgação através das plataformas de autopublicação (Clube de Autores, Uiclap e Amazon). Ah, sim, "apanhei" um bocado nesses sites, principalmente no momento de inserir a capa. Os contos encontram-se em ordem cronológica, conforme saíram nas publicações acima citadas. À época da criação de cada conto, empreendi maior ou menor pesquisa, conforme os assuntos de que tratavam. Mas, especificamente no caso de "Era uma Vez um Outono", levei cerca de oito dias da idealização até disponibilizá-lo na Internet. Pelo menos num dos dias fiquei trabalhando das quatro horas da manhã até cerca de vinte e uma horas. Felizmente, estou aposentado e isso foi de grande valia. Aliás, não fosse por isso, talvez os contos nem tivessem sido escritos, ou, pelo menos, boa parte deles. 

Conexão Literatura: É você que produz os seus livros, como capa, diagramação, etc.? 

Roberto Schima: Sim, sou eu (o que é patente nas falhas a começar pelas capas sofríveis). Gosto de manter o controle completo da organização e montagem do livro. Por ser lançado através de plataformas de autopublicação, elas se mostram ideais para termos nossos livros exatamente do jeito que queremos. Naturalmente, isso envolve tanto méritos quanto deméritos. Sendo eu próprio o revisor, o que me garante que não deixei passar nada? Ou que aquilo que julgo certo, na verdade está errado? Nenhuma editora publicaria meus livros da maneira como são apresentados, fosse por critérios editoriais próprios ou porque o produto final mostrar-se-ia inviável comercialmente, tanto pelas dimensões da obra quanto pelo volume de imagens inseridas, por exemplo. 

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho que você acha especial em seu livro?  

Roberto Schima: Como o livro se compõe de 58 contos, 3 crônicas e 3 poemas (além das entrevistas e ilustrações), em quase 700 páginas, é difícil destacar um trecho em específico como sendo o favorito. Mas posso reproduzir aqui um fragmento de um conto com o qual muito me identifico, intitulado "O Menino que Amava os Monstros": 

    "...Gonjiro não sabia dizer por que não era feliz ou por que não conseguia relacionar-se com as outras crianças, afinal, estas também passaram por dificuldades semelhantes. Apenas acontecia. E, quanto mais dele debochavam, mais introspectivo se tornava e mais se apegava a um mundo interior o qual, a seu ver, adquiria mais consistência do que aquele que o rodeava.

    Mergulhava nos desenhos animados, nos mangás, nos seriados. Invariavelmente, eles tinham algo em comum: os monstros. Fossem sobrenaturais, radioativos, do espaço sideral ou até os que já existiram ou existiam como os dinossauros e as criaturas abissais. Nutria sentimentos ambíguos por eles. Apavoravam-no, mas, ao mesmo tempo, sentia admiração.

    Em vez de serem assustados, assustavam.

    Em vez de serem indefesos, atacavam.

    Em vez de temer, eram temidos.

    Possuíam todas as formas e tamanhos e não se originavam apenas em território nipônico: robôs, zumbis, múmias, dragões, gárgulas, vampiros, alienígenas, lobisomens, assombrações, seres mitológicos, homem das neves, monstro de Loch Ness.

    Desde esqueletos ambulantes a criaturas maiores do que edifícios, Gonjiro, não obstante o medo, os amava, pois, por mais apavorado que ficasse ante aqueles olhos medonhos, uivos arrepiantes e o rastro de destruição que deixavam no papel ou nas telas, nunca, de fato, haviam feito mal a ele..." 

Conexão Literatura: Você passou um bom tempo sem escrever, mas de uns anos para cá voltou com muito entusiasmo e força de vontade. Conte mais pra gente. 

Roberto Schima: Ah, a "culpa" inicial disso cabe à "Conexão Literatura"! Graças ao concurso que a revista promoveu, intitulado "Os Viajantes do Tempo" e do qual tive a felicidade de ser contemplado com o meu conto "Abismo do Tempo", publicado na edição nº 37, a criatividade que eu julgara apagada reacendeu. O estímulo subsequente levou-me a participar desde então não somente de todos os exemplares da revista, incluindo este, como também de boa parte das antologias sob o "Selo Conexão Literatura". Outro impulso relevante foi a descoberta das antologias organizadas por diferentes editoras somado à chegada da pandemia e o confinamento. Meio que me forcei a participar de uma antologia atrás da outra tanto como uma forma de exercício literário quanto para ocupar a mente diante do estresse provocado pela clausura. Aliás, o volume de contos saídos nessas antologias bem poderiam formar uma nova antologia. Tudo está na dependência dos vencimentos dos prazos contratuais respectivos, bem como do fôlego para arregaçar as mangas outra vez. Ultimamente, como dizem por aí, tenho tirado o pé do freio. Continuo a escrever, mas sem tanta obstinação a fim de dar espaço a outras atividades nem que seja a de debruçar sobre meu pequeno jardim e divagar a medida em que observo as atividades das formigas... 

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário? 

Roberto Schima: Para adquirir "Era uma Vez um Outono", basta entrar numa das plataformas de autopublicação: Clube de Autores, Uiclap ou Amazon. No Clube de Autores, há a opção da edição brochura com orelhas e papel offset  (mais em conta), capa dura e papel couché (mais cara) ou versão e-book em PDF (mais barata). Na Uiclap, há somente a opção brochura e papel offset, sem orelhas. Na Amazon há tanto o e-book quanto o livro físico. Para maiores informações, o leitor poderá acompanhar a "Conexão Literatura", pois, conforme mencionado, participo dela desde a edição nº 37. Pode inserir meu nome no Google. No Wattpad há duas dúzias de contos meus à disposição para leitura online. No site "Divulga Livros" há as antologias lançadas sob o "Selo Conexão Literatura", sendo que participo da maioria delas. O download é gratuito. Os sites das plataformas de autopublicação onde estão meus livros são: 

CLUBE DE AUTORES:  https://clubedeautores.com.br/books/search?where=books&what=roberto+schima

UICLAP: https://loja.uiclap.com/?s=roberto+schima&post_type=product

AMAZON: https://www.amazon.com.br/s?k=ROBERTO+SCHIMA&__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&ref=nb_sb_noss 

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta? 

Roberto Schima: Continuarei a participar da "Conexão Literatura", de uma ou outra antologia digital ou física e, conforme mencionado, espero juntar meus contos esparsos nas mais diferentes editoras em uma futura antologia solo. 

Perguntas rápidas: 

Um livro: "A Vida na Terra" (Life on Earth, Seleções do Reader's Digest), David Atthenborough

Um (a) autor (a):  René Barjavel

Um ator ou atriz: Lima Duarte

Um filme: "Luzes da Cidade" (City Lights, Charlie Chaplin, 1931)

Um dia especial: cada um deles ao lado de minha esposa 

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário? 

Roberto Schima: Desejo reproduzir um trecho da "nota final" de "Era uma Vez um Outono":

"... Reconheço o débito a minha mãe, Chieko Schima, que na minha infância e adolescência procurou incentivar o gosto pela aquisição de conhecimento. Particularmente através de obras da Editora Abril, cujo papel na formação cultural da época e em anos posteriores foi de uma relevância extraordinária. Entre elas, meu destaque vai para a magnífica Enciclopédia Conhecer. Minha mãe, embora mal tivesse cursado o primário, sempre teve uma preocupação com relação a instrução dos filhos. Naquele tempo, nos anos 60, a Editora Abril trazia ao público várias obras de grande conteúdo, mas a preço acessível, pois eram vendidas em fascículos periódicos nas bancas de jornais, podendo posteriormente serem encadernados. Entre essas coleções, uma que ela adquiriu foi a Enciclopédia Conhecer em sua edição de 1969. Eu ficava maravilhado só de poder folhear aqueles volumes de capas vermelhas e letras douradas. As ilustrações eram incríveis e as que mais me chamavam a atenção eram as de dinossauros, homens das cavernas, antigas civilizações e sobre temas astronômicos e astronáuticos. Havia a imagem de um imenso pteranodonte planando em primeiro plano, sob o um céu avermelhado, enquanto duas enormes criaturas marinhas (uma delas com um pescoço imenso e flexível) digladiavam-se ao fundo, em um oceano turbulento. Em outra ilustração, um rude homem pré-histórico estava agachado, saciando sua sede a beira de um lago; usava aquele traje de pele de animal amarrado ao corpo que fomos acostumados a ver em caricaturas de homens das cavernas e, preso à cintura, um potente machado de pedra. (...) Em outra imagem, um imenso foguete orbitava a Terra, tendo, um pouco mais além, uma estação espacial, semelhante a uma roda de bicicleta, como imaginava-se antigamente a exemplo do filme "2001: Uma Odisséia no Espaço". Ilustrações assim faziam minha imaginação voar. Para mim, não eram apenas pinturas. Tinham vida própria, como se fossem algum tipo de janela para outros mundos, como se, de um momento para o outro, eu pudesse ver aquele pteranodonte agitar suas asas, ou o homem primitivo erguer-se e ir atrás de, digamos, um urso das cavernas ou um mamute; e ouvir o foguete acionar seus motores e seguir em frente até os planetas mais próximos ou além..."

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sábado, 16 de outubro de 2021

Conto "Fogo", por Roberto Fiori


Um homem que poderia prever o futuro. Uma pessoa que seria capaz de lembrar-se de tudo, desde o nascimento. Alguém com Q.I. impossível de ser mensurado.

Este era Armand, um metro e setenta e cinco centímetros de altura, mais de um metro de ombro a ombro, prestes a negociar seus préstimos com o que era a principal empresa de armamentos do mundo, a Lockheed Martin. O salão de conferência conferia uma atmosfera de ensino, um quadro negro de lado a lado do imenso aposento, trezentas carteiras espaçada entre si pelo menos dois metros. Uma lembrança dos tempos do coronavírus, a ser lembrada a qualquer custo.

— Armand, você decidiu pela nossa empresa, é o que me disse ao telefone. Por quê?

— Minhas capacidades inatas são capazes de muito. Falei a você que poderei lhes apresentar uma visão de extrema utilidade sobre a Lockheed Martin, a Boeing, a fabricante do fuzil automático Kalashnikov...

— E que o inventor dele falava ser uma arma de defesa, e não uma arma de ataque ofensivo — riu McGavin, com quem Armand havia pedido ser realizado o encontro a sete chaves naquele salão de conferências.

Armand permaneceu sério e levantou-se da mesa principal do salão, no centro do tablado, cercado pelas carteiras, na parte mais baixa do recinto. Pensou por um minuto e disse:

— Esta empresa está condenada. A não ser que tomemos algumas atitudes. Temos de aumentar o número de acionistas, oferecendo nossas ações mais barato que de outras empresas rivais. A Boeing é a nossa maior concorrente. Abaixou o valor de suas ações em dez créditos terrestres e a Patton VSI tem subido seu ativo em um ritmo que em um ano se equiparará a este. Os lucros com a venda de armamentos da Lockheed Martin estão altos, mas serão ultrapassados.

— Quais são as suas capacidades, Armand?

— Suficientes para construir setenta mil geradores de lasers acoplados a satélites orbitais e dez mil estações espaciais contendo cada uma dez aceleradores de partículas, em um ano. Se vocês seguirem à risca o que vou lhes falar.

Armand falou, e como! Os diretores e o presidente sênior da Lockheed Martin ficaram em silêncio, durante a explanação que o francês fazia. Até para homens como os figurões da Lockheed, aquilo impressionava. Mas temiam que a empresa, com dívidas com o governo central terrestre, pudesse vir a naufragar. Porém, admitiam que Armand podia ser bem convincente. Apresentava números, estatísticas, informações que eles não tinham em mãos, mas em mente. Dados ultrassecretos que viriam a ser utilíssimos. 

Qual o problema com os altos executivos da firma? Não tinham coragem nem iniciativa para tomarem ações a esse nível de risco. A reunião foi tensa, ao final. Os donos da Lockheed Martin não estavam de acordo em reformular as políticas de redução de funcionários. Todos eram preciosos, todos tinham um papel importante a ser feito. Uma aeronave hipersônica “Stealth F-40” possuía um sistema de decolagem na vertical que estava gerações à frente de todos os outros caças furtivos que nem a Rússia e a China possuíam e sequer haviam colocado no papel.

Armand foi hábil. Disse que os computadores da Lockheed deveriam estar desatualizados, com bugs e malwares, pois, a julgar pelas informações e  pela morosidade dos chefes da empresa em já dever ter tomado alguma atitude, era desmoralizante.

Depois de ganhar um crachá e um cartão eletromagnético de senha dupla para transitar pelas dependências da sede da empresa e analisar por si mesmo a qualidade dos serviços, da produção e da parte informatizada de Classe “000”, ou nível máximo de sigilo, saíram do salão. Todos carregavam maletas com hiperbooks, computadores com vinte a cinquenta terabytes de memória e velocidade vinte vezes maior que os computadores pessoais do início do Século XXI, mas Armand saíra de mãos vazias.

Armand foi para o pátio de demonstração das aeronaves em uso e em fase de protótipo. Demorou-se o resto do dia, examinando cada unidade. Focou a atenção no caça F-40. Decidiu-se.

McGavin era o responsável por aprovar as armas em fase de protótipo e em dar o veredito final para o seu uso em espionagem e ataques furtivos. Era a parte mais importante da empresa, o setor de aviões, navios e tanques “Stealth”.

— Estamos à beira de uma catástrofe, McGavin. Já aprovou o F-40 para uso militar efetivo?

— Falta assinar alguns documentos.  Por quê?

— A cada segundo, perdemos terreno, em tecnologia e em rendimentos. O F-40 não pode ser posto em prática — antes do outro tomar a palavra, Armand foi direto ao ponto. — Examinei o cockpit da aeronave, os aviônicos estraram em pane quando eu efetuei esta mudança. Veja.

O francês filmara o cockpit. No exato momento em que  inseria um cartão de memória em uma ranhura no painel de controle, a tela Super-Hud de três dimensões escureceu e os dados apresentados pelo computador de bordo passaram pela tela no centro do console números que indicavam que o caça estava pronto para descarregar dez mil toneladas de armas nucleares sobre o alvo, uma grande cidade americana. E seguir para o espaço aéreo da China e da Rússia, jogando mais cinco mil toneladas de bombas de hidrogênio nas capitais desses países. Armand tomou a palavra, antes que o executivo da firma começasse a gritar ou ordenasse a prisão de Armand.

— Não alterei ou sabotei os instrumentos do F-40, McGavin. Isso — ele mostrou ao outro o cartão que havia inserido no painel de controle do caça — é o que coloquei no painel do caça. Mande analisar. É um verificador global de malwares, spywares, trojans, ramsonwares, etc. Para todo tipo de vírus que os hackers possam inventar, eu criei um antivírus respectivo e gravei-os nesse cartão de memória de um terabyte. 

McGavin franziu a testa, apanhou o cartão e saiu de seu gabinete. Armand  ouviu-o falar para um guarda para reunirem seis  outros armados para vigiarem a saleta. O francês decidiu sentar-se na poltrona do outro lado do lugar de McGavin.

Passaram-se três horas. Armand estava confiante. Seu pacote de antivírus revelava o que ele realmente era, um verificador de arquivos de vírus que, ao mesmo tempo em que os acusava, também os punha a se ativar. O F-40 estava infectado e sem uma revisão nos computadores e nos aviônicos, não poderia sair do chão.

McGavin entrou no gabinete, acompanhado do oficial de alta segurança, do presidente da Lockheed e de um cientista que trabalhava para eles. O cientista, Derekh Vlado, que viera da Federação Russa, começou a falar:

— Foi você quem criou isto, senhor Armand? — e mostrou a ele o cartão que McGavin havia apanhado no gabinete.

— Sim — respondeu Armand, calmo, pois ele sabia que estava repleto de razão.

— Achamos um programa antivírus que nunca vimo ou imaginamos que pudesse ser feito. Está gravado no cartão como ANTI-VHB-71B. Pode nos explicar como o desenvolveu?

— Claro. Alterei dez antivírus que existem nas dez mais importantes Universidades do governo mundial, nos cinco continentes, aproveitei o que existe de mais eficaz contra os malwares para os quais há controle efetivo e alterei-os, criando o ANTI-VHB. Não destrói, na realidade, os vírus, apenas escaneia o computador e os instrumentos computadorizados que existem no F-40.

— Onde os criou? 

— Tenho acesso às dez Universidades mundiais. Meu pai era o reitor de todas elas.

— O senhor só pode estar brincando! Eric van Cête, o maior dos engenheiros de computação quântica que já existiu! — Armand não sorriu. Observou os homens falarem entre si, alterados, como se aquela informação fosse importante o suficiente para deixar qualquer homem perturbado. Eles saíram da saleta, deixando a porta entreaberta. McGavin ficou.

— Armand de Cête. Armand de Cête! Venha comigo até o F-40 infectado. Quero me certificar de que este pesadelo é real.

No cockpit da aeronave, McGavin ligou o computador de bordo e a tela mostrava o preto. Ele trabalhou na parte da linguagem mais básica do dispositivo, ativando uma versão muito mais complexa que o antigo e há muito ultrapassado Assembler, um programa de computador com linguagem de máquina.

A tela ativou-se.

A imagem mostrou, pouco a pouco, um demônio sobre uma montanha, o Everest, e abaixo o fogo das detonações nucleares ainda queimava. No céu, uma esquadrilha de F-40 e MIG- 85 se perseguiam e deixavam cair bombas. Bombas. O demônio olhava para a perseguição, em que ninguém atingia ninguém. Quando o último artefato nuclear foi despejado, estando os caças longe do local das detonações, o demônio ficou satisfeito. Levantou e abaixou o braço com que carregava um tridente de ferro e as aeronaves se destruíram, os raios-gama de suas armas fazendo sulcos violetas no céu.

O demônio não tinha nada mais a fazer naquele planeta. Desvaneceu-se, rindo.

Pouco antes da guerra final haver terminado, McGavin olhou para Armand e perguntou o que significava aquilo.

— É o que acontecerá, depois que tivermos ido, amigo.

— Como sabe disso?

— Um de meus dons. O da previsão do futuro — Armand virou as costas para o caça e McGavin e entrou no edifício da Lockheed.

O escocês voltou-se para a tela do computador. “Fogo, apenas fogo”!, ele pensou. Mas então, notou um pontinho azul no canto direto da tela. A imagem ampliou-se mais de cinquenta vezes, até mostrar, na órbita da Terra, um comboio de astronaves que partia para longe da órbita do planeta.

McGavin pôs-se a refletir. Por minutos, ficou sentado no cockpit do piloto. Quando saiu e foi até a sede da Lockheed, estava sem pensar em nada. Mas a ficha iria cair, cedo ou tarde.


*Sobre Roberto Fiori:

Escritor de Literatura Fantástica. Natural de São Paulo, reside atualmente em Vargem Grande Paulista, no Estado de São Paulo. Graduou-se na FATEC – SP e trabalhou por anos como free-lancer em Informática. Estudou pintura a óleo. Hoje, dedica-se somente à literatura, tendo como hobby sua guitarra elétrica. Estudou literatura com o escritor, poeta, cineasta e pintor André Carneiro, na Oficina da Palavra, em São Paulo. Mas Roberto não é somente aficionado por Ficção Científica, Fantasia e Horror. Admira toda forma de arte, arte que, segundo o escritor, quando realizada com bom gosto e técnica apurada, torna-se uma manifestação do espírito elevada e extremamente valiosa.

Sobre o livro Cedrik - Espada & Sangue:

“Em uma época perdida no Tempo,

onde a Escuridão ameaçava todos,

surgiu um líder.

Destruição, morte, tudo conspirava contra.

Mas era um Homem de extremos, audacioso.

Era um Homem sem medo”. 

Dos Relatos e das Crônicas da Velha Terra.  


Em sua obra “Cedrik – Espada & Sangue”, o escritor Roberto Fiori coloca sua imaginação e força de vontade à prova, para escrever seu primeiro romance. Um livro de Fantasia Heroica, no gênero Espada & Feitiçaria, em que, em uma realidade paralela, a Terra da Idade do Ferro torna-se campo de lutas, bravura, magia e paixão.

Cedrik é um Guerreiro capaz de levantar 75 kg em cada braço e, ao mesmo tempo, de escalar uma parede vertical de mais de 20 metros de altura facilmente. Em meio a ameaças poderosas, parte para o Leste, em missão de vingança. Acompanham-no a bela princesa Vivian, vinda do Extremo Leste, e o fiel amigo Sandial, o Ancião, grande arqueiro e amigo a toda prova.

Os amigos enfrentam demônios, monstros, piratas e bandidos sanguinários. Usam de magia para se tornarem fisicamente invencíveis. Combatem demônios vindos do Inferno, no Grande Mar. Vivian é guardiã e protetora do Necrofilium, livro que contém maldições, feitiços e encantamentos em suas páginas.

A intenção do autor é continuar por anos as aventuras de Cedrik, escrevendo sobre todo um Universo Fantástico, em que bárbaros e guerreiros travam lutas ferozes e feitiçaria não é uma questão somente de “se acreditar” em seu poder, mas de realmente utilizá-lo para a batalha, como uma arma.

A obra pode ser adquirida com o autor, pelo e-mail spbras2000@gmail.com,  no site da Editora Livros Ilimitados, em livrarias virtuais e no formato de e-book, na Amazon. Os links para acessar o livro são:

1.     Americanas.com:

https://www.americanas.com.br/produto/3200481831?pfm_carac=cedrik-espada-e-sangue&pfm_index=2&pfm_page=search&pfm_pos=grid&pfm_type=search_page

2.     Submarino.com:

https://www.submarino.com.br/produto/3200481831/cedrik-espada-e-sangue?pfm_carac=cedrik-espada-e-sangue&pfm_index=2&pfm_page=search&pfm_pos=grid&pfm_type=search_page

3.     Amazon.com:

https://www.amazon.com.br/Cedrik-Espada-Sangue-Roberto-Fiori-ebook/dp/B091J3VP89/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=cedrik+espada+e+sangue&qid=1620164807&sr=8-1 

4.     Site da Editora Livros Ilimitados:

https://www.livrosilimitados.com/product-page/cedrik-espada-e-sangue

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