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quarta-feira, 25 de maio de 2022

Amazon.com.br realiza 2º Prêmio Geek de Literatura e vencedor ganhará R$ 10 mil

 


Livros de ficção científica, fantasia ou terror e histórias em quadrinhos inéditos lançados via Kindle Direct Publishing (KDP), a ferramenta de autopublicação da Amazon, podem participar do Prêmio, com inscrições começando em 5 de setembro 

O autor vencedor de cada categoria receberá R$ 10.000, e ambos serão publicados pela editora Pipoca & Nanquim, enquanto o segundo colocado receberá R$ 5.000 e o terceiro, R$ 2.000.

 

SÃO PAULO – 25 de maio, 2022 – Amazon.com.br anuncia o 2º Prêmio Geek de Literatura junto com a editora Pipoca & Nanquim, que reconhecerá autores e artistas geek independentes no Brasil e suas obras. Pela segunda vez, escritores de ficção científica, fantasia, terror e também quadrinistas podem participar desse prêmio feito exclusivamente para o público geek, que escolherá o vencedor por votação popular.

 

Desta vez, há mais prêmios em jogo. Os autores dos 1ºs colocados em cada categoria, Livros e Quadrinhos, receberão um prêmio em dinheiro de R$ 10 mil e um contrato de edição para uma versão impressa de seu livro ou história em quadrinhos pela editora Pipoca & Nanquim. Mas nesta edição, o 2º e 3º colocados de cada categoria também receberão prêmios em dinheiro, de R$ 5 mil e R$ 2 mil, respectivamente.

 

“A Amazon tem um compromisso de longo prazo com o Brasil e investe continuamente para oferecer aos leitores uma ótima experiência e os projetos mais inovadores, além de retribuir para a comunidade local. O Prêmio Geek de Literatura faz parte dessa dedicação, para ajudar a fomentar autores independentes do gênero e ampliar as opções para os amantes de livros, tanto apoiando a comunidade literária quanto atraindo novos leitores. O Prêmio Geek de Literatura permitiu que milhares de geeks espalhassem sua criatividade e suas histórias com leitores de todo o Brasil e do mundo”, diz Ricardo Perez, gerente-geral de Livros da Amazon Brasil. “Este ano estamos aumentando a aposta para incentivar ainda mais autores e artistas a participar e publicar seus trabalhos. Apoiar essa comunidade apaixonada é uma alegria para a Amazon, e estamos entusiasmados em ver as novas histórias que virão e os fandoms que eles criarão”, acrescenta.


"Há grandes autores em todas as partes do país que apenas esperam uma chance de serem descobertos. Pessoas de extremo talento, garra e força de vontade. O Pipoca & Nanquim sempre soube disso, portanto, foi uma honra e uma oportunidade inestimáveis sermos a editora convidada para a primeira edição do Prêmio Geek, responsável pela tarefa de publicar as obras vencedoras. Estamos muito orgulhosos e ansiosos para saber o que a próxima edição do Prêmio trará!", disse Alexandre Callari, fundador do Pipoca & Nanquim.

 

Para participar do Prêmio Geek de Literatura, os autores podem enviar seus trabalhos por meio do KDP (amazon.com.br/kdp) de 5 de setembro a 5 de novembro de 2022. Os autores de livros e quadrinhos devem incluir a hashtag #PrêmioGeek no campo de metadados de palavras-chave durante o processo de autopublicação e registrá-lo na categoria Ficção Científica, Fantasia e Horror ou Quadrinhos. Livros e Quadrinhos devem ser inéditos e escritos em português do Brasil. Os títulos também devem ser publicados exclusivamente no Kindle durante o período do Prêmio, inserindo-os no programa KDP Select. Os termos e condições podem ser vistos na página do Prêmio (amazon.com.br/premiogeek).

 

Os autores podem criar sua própria página de perfil na Central do Autor (author.amazon.com.br) onde podem compartilhar suas novidades e as informações mais atualizadas sobre seus livros com milhões de leitores. A página do autor é exibida na Amazon.com.br vinculada ao nome do autor, ajudando os leitores a encontrar seus livros e saber mais sobre eles de forma fácil e em um só lugar. Os autores também podem usar a ferramenta Kindle Create disponível para PC e MAC, uma maneira fácil e intuitiva de otimizar a publicação que oferece leitura guiada para quadrinhos, visualização do livro, estilo de capítulo e muito mais.

 

Os trabalhos dos participantes serão avaliados por um painel de especialistas editoriais do Pipoca & Nanquim em diversos critérios, como criatividade, originalidade, qualidade de escrita e viabilidade comercial para selecionar uma lista de três finalistas para cada categoria: Livros e Quadrinhos. Depois que os finalistas forem anunciados ao público, os vencedores serão selecionados por voto popular, com os geeks de todo o mundo sendo convidados a votar em seus trabalhos favoritos em uma página especial. Os autores dos títulos vencedores, um por categoria, receberão R$ 10 mil como prêmio em dinheiro e um contrato de publicação para uma versão impressa da obra pelo Pipoca & Nanquim, enquanto os autores do segundo mais votado em cada categoria receberão um prêmio em dinheiro de R$ 5 mil e o terceiro mais votado, R$ 2 mil. Todos os finalistas serão apresentados nas comunicações da Amazon.com.br aos clientes. Todos os livros e quadrinhos participantes do Prêmio Geek de Literatura estarão disponíveis para leitores na Loja Kindle e no Kindle Unlimited.

 

Sobre o Kindle Direct Publishing

O Kindle Direct Publishing, ou KDP, é um serviço de autopublicação gratuito que permite que autores independentes publiquem seus trabalhos e alcancem novos públicos. Com o KDP, o poder da publicação está acessível a leitores e autores em todo o mundo, permitindo que um conjunto mais robusto e diversificado de vozes compartilhe histórias com um público mais amplo do que nunca. Para mais informações, visite amazon.com.br/kdp.

 

Sobre a Amazon

A Amazon orienta-se por quatro princípios: obsessão pelo cliente ao invés de foco na concorrência, paixão por invenções, compromisso com excelência operacional e visão de longo prazo. A Amazon se empenha para ser a empresa mais centrada no cliente do mundo, a melhor empregadora do mundo, e o lugar mais seguro para se trabalhar no mundo. Avaliações de consumidores, compra com 1-Clique, recomendações personalizadas, Prime, Fulfillment by Amazon (Logística da Amazon), Amazon Web Services (AWS), Kindle Direct Publishing, Kindle, Career Choice, Fire tablets, Fire TV, Amazon Echo, Alexa, tecnologia Just Walk Out, Amazon Studios e The Climate Pledge são algumas das ações pioneiras da Amazon. Para mais informações, acesse amazon.com.br/imprensa ou entre em contato pelo e-mail imprensa@amazon.com.

 

Sobre Pipoca & Nanquim

Fundada por três apaixonados por quadrinhos, a editora Pipoca & Nanquim nasceu em maio de 2017 como uma extensão direta do trabalho feio em seu canal homônimo no Youtube, surgido oito anos antes, e sua missão é responder a uma simples pergunta: como tantas HQs, de autores tão incríveis, não são publicadas no Brasil?

 

Inaugurada com a obra Espadas e Bruxas, do espanhol Esteban Maroto, o objetivo da editora é seguir uma linha de publicações de temática variada que mescle material antigo e contemporâneo, de diversos locais do mundo. O amor pelos quadrinhos e o respeito pelos fãs colecionadores são o eixo da Pipoca & Nanquim, cujo mote é prezar pela melhor qualidade gráfica e editorial, oferecer uma curadoria cuidadosa de títulos e promover o crescimento do mercado."


Fonte: Amazon.com.br

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segunda-feira, 16 de maio de 2022

Conto "A vida é trem-bala, parceiro!", por Rafael Caputo




A vida é trem-bala, parceiro!

Rafael Caputo


Quarentena que nada, nunca trabalhei tanto na vida. A demanda está absurda. Não que eu esteja reclamando, longe de mim. Enquanto muitos perderam seus empregos em meio à crise, só tenho a agradecer. Afinal, fiz por merecer. Tô batendo meta atrás de meta. Tanto sacrifício, entretanto, tem seu preço. Sinto-me exausto. Até mesmo eu preciso de um descanso. Falando nisso, é hora da minha pausa. Bato o cartão, pego um copo de leite e aproveito para ler as notícias: “Milagre: avião cai no meio do oceano e todos os passageiros sobrevivem”. Mal tenho tempo para reagir, logo sou interrompido.

“Com licença, Senhor. Sei que está em seu horário de intervalo, mas os estagiários chegaram.”

Abandono as notícias, engulo o leite, bato novamente o cartão e sigo em direção aos novatos. Como vocês podem perceber, está ficando cada vez mais difícil dar conta do serviço. Não tive outra alternativa, a não ser pedir ajuda. Sim, foi preciso deixar o orgulho de lado, pelo menos dessa vez. O pessoal do RH até que foi rápido. Como é maravilhoso ver o termo “Recursos Humanos” sendo tão bem empregado novamente.

Os candidatos selecionados possuem bom potencial. Um deles tem vasto conhecimento em logística, o que é imprescindível nesse ramo. O outro, um pouco mais velho, dedicou grande parte da sua vida recepcionando pessoas. Já sei para onde irei designá-lo. E, por fim, uma outra, mais nova e sem muita experiência, atuava como motorista de aplicativo. Não sou muito familiarizado com essas novas tecnologias, mas acho que tal conhecimento pode ser útil. Quem dirige um carro também pode dirigir um barco, por que não? Tudo bem que, ultimamente, esse barco mais que triplicou de tamanho. Quase um transatlântico. Já é a segunda vez que mudamos de modelo. Culpa do trabalho, que só aumenta. Até entrei com um requerimento — polêmico, por sinal — para usarmos um trem como meio de transporte. De preferência, um trem-bala. Acredito que assim, com a distribuição dos passageiros em vagões, seria tudo mais organizado, e rápido. Digo por experiência própria. Mas o pessoal da velha guarda insiste em defender que o transporte marítimo é uma antiga tradição e estão meio receosos com uma mudança nessa altura do campeonato. Vamos ter que esperar para ver se o pedido será ou não deferido. Tô na torcida! Pode me chamar de ousado, não tem problema. Ou nostálgico, tanto faz. Vou fazer de tudo para ganhar de goleada. Tipo sete a um, se é que você me entende.

Guten Tag, senhoras e senhores, sejam muito bem-vindos! Modéstia à parte, tenho certeza de que vocês já me conhecem, ou pelo menos, já ouviram falar de mim. Pois bem, graças ao vosso currículo, vocês foram requisitados como meus assistentes. Não se enganem, sei tudo sobre cada um de vocês. Você, da logística, foi acusado de pedofilia e conseguiu incriminar um inocente que agora está pagando a pena em seu lugar. Nada mal. O cara da recepção, por sua vez, atuava também como pastor e usou o dízimo dos fiéis para pagar dívidas com prostitutas e traficantes. Corajoso, tenho que admitir. Por último, a motorista que atropelou o próprio cliente e fugiu sem prestar socorro. Bem, a política da empresa é que todos merecem uma segunda chance. Eu, no entanto, espero que vocês se esforcem ainda mais dessa vez. Temos muito trabalho pela frente. Isso está um verdadeiro inferno, um caos. Não para vocês, obviamente! Para vocês isso aqui é o Paraíso, fala a verdade? Bando de sortudos. Hoje é o primeiro dia, então, me acompanhem e observem.”

Passo pela sala de operações estratégicas e pego meu megafone. Subo com eles até um dos palanques principais para colocar ordem na casa. O local nos permite uma visão ampla de todo o saguão. Estamos no deck principal, o maior deles. À nossa frente, uma multidão de gente. Desde o início do ano está assim. Recentemente, nas duas últimas semanas, tivemos um crescimento ainda maior: cerca de dez mil pessoas por dia. Tem gente de todo o lugar, de várias partes do mundo. Nosso papel — nessa estação, especificamente — é relativamente simples: transportá-las com segurança para o outro lado da fronteira. Eu sou o responsável por isso também, além de trazê-las até aqui. É um cargo importante, escolhido a dedo. Não vejo problemas em acumular certas funções.

“Pessoal, atenção! Escutem com atenção. Essa fila maior é somente para COVID-19. Por favor, saia da fila quem não for COVID. Consultem o nome de vocês na lista afixada no mural. Outra coisa: moedas e bilhete nas mãos. Quem não validou o bilhete de embarque, favor retornar ao primeiro guichê. Quem ainda não recebeu as duas moedas de ouro precisa passar na bilheteria. Sem as moedas, não embarca.”

Todo dia é a mesma coisa: precisamos repetir essas instruções senão vira bagunça. O pior que pode ocorrer é alguém embarcar sem a devida autorização. Se eu os transporto, sobra pra mim. Tem alguns engraçadinhos que tentam burlar o sistema e adiantam a viagem. Quando descobertos, são deportados imediatamente. Voltam para lá, sem piedade. Antes, porém, acabam sendo punidos. Poucos retornam sem nenhuma sequela. Mas isso já não é meu departamento. Aqui, cada um cuida do seu setor.

Muitos acham que a Morte é um ser, uma espécie de indivíduo (tipo uma pessoa), mas não é. Na verdade, trata-se de um título. Assim como o Papa. Já existiram vários Papas, assim como várias Mortes. Sou eu quem ocupa esse cargo agora. (não o do Papa, o outro). E não que eu esteja querendo me gabar, mas estou fazendo um ótimo trabalho. Depois de tanto empenho para chegar até aqui, é o mínimo que posso fazer. Soube da possibilidade e aproveitei um programa de intercâmbio. Me candidatei pouco tempo depois que fiz a travessia. O tempo aqui é relativo, parece que foi ontem. O diretor de onde eu estava não queria abrir mão de mim de jeito nenhum, mas consegui convencê-lo. Nunca duvide do meu poder de argumentação, sou ótimo nisso! Ele está satisfeito agora, sua casa nunca esteve tão cheia.

Tomei posse no primeiro dia de 2020 e, desde então, venho recebendo bônus por produção, mês a mês. Um recorde. Nunca uma Morte foi tão eficaz logo no início do mandato. Não vejo a hora de receber a PLR. Acho que no fundo, me escolheram porque já sabiam da minha capacidade. Usei parte da minha experiência em vida como campanha eleitoral para disputar o título. Ganhei fácil. Fiquei sabendo, mais tarde, que não haviam candidatos à altura para competir comigo. Que pena, iria adorar travar mais uma batalha. Comigo é assim: ou tudo, ou nada. Quando entro numa guerra é para vencer. Pode apostar! Cá entre nós: a ideia do vírus foi tão boa quanto a do gás, não é mesmo?

Deixo o megafone nas mãos da estagiária e volto para concluir meu intervalo, também sou filho de Deus. Bato de novo o cartão, pego outro copo de leite e retomo a leitura: “Vazo ruim não quebra fácil: marginal toma quinze tiros e, ainda assim, consegue escapar da Polícia”, “Motorista bêbado que invadiu supermercado foi preso. Ninguém saiu ferido”, “Inacreditável: câmeras de segurança flagram o momento em que uma criança de apenas quatro anos despenca do sexto andar de um edifício, se levanta e sai andando normalmente”, “Protestos antifascistas e conflitos contra o racismo geram quebra-quebra generalizado com incêndios, brigas e saques. Apesar do prejuízo, não houve vítimas.”, ao ler esta última notícia, deixei escapar um curto sorriso irônico de canto, quase um espasmo. Amadores! Novamente, sou interrompido.

“Com licença senhor, desculpe incomodá-lo mais uma vez. É que o senhor pediu para avisá-lo caso afrouxassem o isolamento social e acabou de chegar uma informação de que no Brasil estão reabrindo as igrejas, academias, shopping centers e várias outras atividades comerciais.”

“Perfeito! Ótima notícia. Vamos colocar em prática o plano emergencial de contingenciamento brasileiro. Eu já imaginava que isso fosse acontecer. Avise o RH que preciso quadriplicar o efetivo o quanto antes (e não é exagero). Também ligue para ‘você sabe quem’ e pergunte sobre o trem, tente sondar se eles já se decidiram. Vou voltar ao trabalho imediatamente, temos muito o que fazer. Tome, já li o relatório com as notícias.”

“O que eu faço com ele, senhor?”

“Guarda na gaveta das pendências. Depois da Pandemia, eu resolvo tudo.”

“Tá bom, e não esqueça da sua reunião às cinco com o chefe.”

“Pode deixar!”

“Mais uma coisa: já estou com ‘você sabe quem’ na linha e ele disse que, graças ao Governo Tupiniquim, concordaram com o seu trem. Parabéns, você conseguiu!”

Sieg Heil, minha querida. Sieg Heil.”

😳

★★★

  • Conto angariado com uma menção honrosa no 19º Prêmio Literário Paulo Setúbal em 2021, promovido pela Secretaria de Cultura da Prefeitura de Tatuí/SP.

  • Obra também publicada na 3ª Edição da Revista Cultural Traços em 2021.

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segunda-feira, 9 de maio de 2022

Conto "Bocão de jacaré", por Rafael Caputo


Saio inconformado daquele consultório. Quem ele pensa que é? Eu só queria ajuda para fixar a dentadura. Sua mente deveras limitada deve pressupor que sou louco. Uma loucura visceral a consumir minha sanidade, aposto. 

Não estou doente, pelo contrário, meus sentidos estão mais-que-perfeitos. A audição, por exemplo, nunca esteve tão aguçada. Nenhum som do céu ou da terra me passa despercebido. Sou capaz de ouvir tudo claramente, inclusive o que acontece em outras dimensões. Como então estou louco? Como? Sinto-me ofendido. Logo ele, um dentista. Por obrigação do ofício, tinha que acreditar em mim. Você vai concordar comigo, eu sei, posso ouvir seus pensamentos também. 

Vou lhe explicar como tudo aconteceu: há uma semana, ao recostar minha cabeça sobre o travesseiro, crente de algum sossego meu, a escutei pela primeira vez. Sabia que ela estava lá. Era tarde da noite, local de morada do silêncio absoluto, silêncio que fora cortado por um sussurro torpe. Outros menos privilegiados nem a notariam, mas eu a notei. Eu disse que nenhum som me escapa aos ouvidos, não disse? Era ela, certeza! Podia perceber até sua respiração, sequer ofegante. Escutava-a perfeitamente quando fui interrompido pelo gosto de ferrugem em minha boca, era sangue: a prova real de sua chegada. O espelho do banheiro, sempre sincero, me contou a verdade: era o dente que sangrava. Eu sabia! Esfreguei com força a escova a fim de expulsá-la. Ansiava novamente pelo sossego do silêncio absoluto. Queria, portanto, que ela fosse embora, que me deixasse em paz, que me deixasse dormir. Não houve jeito, ela permaneceu lá, teimosa e insistente, vigilante como toda criminosa. À espreita, à espera. 

Em uma das noites, porém, me peguei surpreso ao ouvir um choro não muito distante. Um lamento por detrás do dente. Nada de ferrugem dessa vez, mas sim água do mar. A maresia adentrou pelas minhas narinas brotando das fossas nasais ora encharcadas por lágrimas daquela fada arrependida. Comovido, passei a escovar mais suavemente aquele dente, quiçá o até saltava. Minha intenção nunca foi de machucá-la. Seu chorinho acertou-me em cheio, confesso! Coitada da fadinha, pobrezinha. Sem escolhas e destinada eternamente a vida do crime estaria ela arrependida? Talvez sim! 

Inevitavelmente, ficamos amigos. Contei a ela que gostava de cozinhar, de passear no parque e tocar violão. Cheguei a dedilhar algumas canções sobre redenção e arrependimento só para aliviar sua culpa. Tornamo-nos, além de tudo, confidentes. Até que numa noite, dei-me por falta do dente meu. O silêncio então regressou soberano com o jugo do abandono a tiracolo. Nunca me senti tão sozinho desde então. Acabei sendo traído mais uma vez, porém jurei a mim mesmo que seria a última. Alguns dirão que fiz o que fiz por vingança, outros por autopreservação, tanto faz! Desci ao porão, tirei de dentro da caixa de ferramentas o alicate boca-de-jacaré e, um a um, arranquei eu mesmo todos os dentes da boca. Quão tolo fui por acreditar em fadas.

👀

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domingo, 1 de maio de 2022

Já está disponível a nova edição da Revista Conexão Literatura - Maio/nº 83


EDITORIAL

Queridos leitores!

Nossa edição de maio destaca o Gato Galactico, youtuber com mais de 15 milhões de seguidores, autor do livro Gato Galactico em Arte Galáctica e ator, tendo participado recentemente do novo filme "Turma da Mônica Lições", do Maurício de Sousa. Confiram nas próximas páginas a entrevista exclusiva que fizemos com ele.
O leitor também poderá conferir poemas, crônicas, contos, entrevistas com escritores e ótimas dicas para leitura.

Para saber como participar da nossa edição de junho/2022, seja com conto, crônica, poema ou mesmo divulgar o seu livro ou editora: clique aqui. 

Tenham uma ótima leitura!

Ademir Pascale - Editor-Chefe
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Já está disponível a nova edição da Revista Conexão Literatura - Maio/nº 83


EDITORIAL

Queridos leitores!

Nossa edição de maio destaca o Gato Galactico, youtuber com mais de 15 milhões de seguidores, autor do livro Gato Galactico em Arte Galáctica e ator, tendo participado recentemente do novo filme "Turma da Mônica Lições", do Maurício de Sousa. Confiram nas próximas páginas a entrevista exclusiva que fizemos com ele.
O leitor também poderá conferir poemas, crônicas, contos, entrevistas com escritores e ótimas dicas para leitura.

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Ademir Pascale - Editor-Chefe
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terça-feira, 12 de abril de 2022

Conto "Lockdown marinho", por Rafael Caputo



Ano passado, visitei Florianópolis. Também chamada de Floripa, a ilha da magia. Realmente, o lugar é mágico. Fui com minha namorada. Lá, conhecemos o Projeto Tamar. Você já deve ter ouvido falar, é uma das mais bem-sucedidas iniciativas de conservação da vida marinha. Em especial, no que tange à preservação das tartarugas. Ficamos admirados. O trabalho que eles desenvolvem vai desde Santa Catarina até o Ceará, abrangendo grande parte do litoral brasileiro.

Vale lembrar que os seres humanos são bem mais evoluídos do que as tartarugas. Aprenderam a criar e a manusear o fogo, desenvolveram ferramentas, construíram casas, carros, inventaram um monte de remédios etc. Possuem grande capacidade intelectual e artística. Você nunca verá uma tartaruga, de qualquer espécie que seja, dirigindo um automóvel ou tocando um instrumento, por exemplo. Ainda assim, por algum motivo, esses animais são fascinantes e despertam grande curiosidade. Hoje, sabemos quase tudo ao seu respeito.

As tartarugas possuem sangue frio, têm escamas e colocam ovos. Todas essas características as definem como um réptil. Contudo, algumas pessoas acham que elas são anfíbios. É certo que ambos possuem semelhanças e, como os anfíbios, algumas delas podem viver tanto na água como fora dela, mas também existem grandes diferenças. Os répteis possuem pele seca e escamosa, depositam seus ovos na terra e respiram pelos pulmões, assim como os humanos. Característica intrigante. Já os anfíbios tem pele lisa, colocam os ovos na água e respiram por brânquias (quando ainda são larvas) e só depois é que usam pulmões (fase adulta). No ranking da escala evolutiva, os répteis estão um patamar acima. Entretanto, ser classificada como réptil ou anfíbio não muda em nada a vida da tartaruga, que sequer tem conhecimento de tal classificação. Isso porque elas podem até sentir a presença do homem, mas não fazem a menor ideia de sua existência, como pensam, o que comem ou qualquer outra coisa do tipo. Literalmente, não sabem nada sobre a raça humana. Se soubessem, ainda assim, não compreenderiam.

Já o contrário, é bem diferente. Dezenas de pesquisadores monitoram esses animais dia e noite. Conhecem seus hábitos alimentares, sua biologia, ciclo de vida, como se reproduzem e muito mais. Existem centenas de tartarugas que agora mesmo, nesse exato momento, estão sendo monitoradas. Esses animais possuem grande capacidade migratória e de forma inteligente aproveitam as várias correntes marítimas para se locomoverem por grandes distâncias. Fazem isso muito bem. São capazes de percorrer quilômetros e quilômetros pela imensidão do oceano só para desovarem em uma praia distante, longe dos predadores. Possuem um senso de orientação tão eficaz quanto qualquer GPS. As tartarugas marinhas, por exemplo, arrastam-se pela praia até um lugar livre das marés. Ali cavam a areia (sessenta centímetro de profundidade por um metro de diâmetro), e enterram seus ovos (cem ou duzentos de uma só vez). Um feito incrível! Depois disso, tapam o buraco, alisam a areia e voltam para o mar. Após quinze dias, fazem tudo de novo, mais ou menos no mesmo lugar. Você sabia que é o sol que se encarrega de incubar os ovos? Pois, é! As tartarugas terrestres, chamadas de jabutis, e as de água doce, os cágados, fazem o mesmo nas margens do rio e pântanos, ou entre as folhagens. Depois de três meses, nascem as tartaruguinhas, bem pequenininhas. Logo que nascem, correm direto para o mar.

Nas áreas de reprodução, as praias de desova são monitoradas por pescadores contratados pelo Tamar. Eles são chamados de tartarugueiros. É realizado patrulhamento ostensivo durante a noite para flagrar as fêmeas, observar seu comportamento durante a desova, registrar dados e coletar material biológico para posterior análise genética. Os pesquisadores também monitoram os ninhos nos próprios locais de postura, ou transferem alguns, encontrados em áreas de risco, para locais mais seguros na mesma praia ou para cercados de incubação, expostos ao sol, em praias próximas às bases de pesquisa. Os pescadores são, ainda, orientados a salvar aquelas que ficam presas nas redes. Verdadeiros anjos. E as tartarugas nem desconfiam.

Nas ilhas oceânicas, como em Fernando de Noronha e Atol das Rocas, é realizado um programa de captura, marcação e recaptura, através do mergulho livre ou autônomo. Tanto nas áreas de desova como de alimentação, os animais encontrados vivos recebem um anel de metal nas nadadeiras dianteiras, para identificação e estudo de seu deslocamento e de hábitos comportamentais, além de dados sobre crescimento e taxa de sobrevivência. As tartarugas nem se dão conta do adereço. Muito menos do sistema de telemetria fixado, em muitos casos, nos seus cascos. Justamente, graças a esse sistema, foi possível resolver um grande mistério que ocorreu recentemente. Toda a população de tartarugas, do nada, desapareceu. Simplesmente, sumiu. Não foram vistas em lugar algum. Nem por pescadores, mergulhadores, banhistas, ninguém. As praias já conhecidas como ponto de desova, ficaram totalmente vazias. Fato que causou espanto.

O mais estranho foi saber que, na verdade, elas não tinham sumido. Estavam apenas paradas, imóveis. Por algum motivo, até então desconhecido, pararam de se locomover. Permaneceram assim: estáticas, em um mesmo local, por meses. Subiam à superfície, apenas para respirar. Logo em seguida, retornavam para dentro d ́água. Como isso era possível? O Tamar sempre estudou o deslocamento das tartarugas por meio do monitoramento por satélite e nunca registrou nada parecido. Só para você ter uma ideia, sabe-se que muitas tartarugas que trafegam pela costa brasileira nasceram ou frequentemente aparecem na costa de outros países, tanto do continente americano quanto do africano, uma comprovação do grande potencial de locomoção desses animais, que como eu disse: são fascinantes. Como, então, de uma hora para outra, eles decidiram hibernar? Tartarugas não hibernam, só animais de sangue quente fazem isso. No máximo, alguns jabutis, que vivem em climas tropicais, quando chega o inverno, cavam o terreno e entram em letargo, uma espécie de sono profundo, que é diferente da hibernação. Sendo assim, o que estaria causando esse comportamento tão peculiar? Técnicos e pesquisadores do mundo inteiro se uniram. Criaram uma força-tarefa a fim de investigar a fundo o problema. Diversos cientistas, de várias nacionalidades, foram chamados: húngaros, franceses, alemães, russos, americanos, israelenses e até brasileiros. Os países não mediram esforços e enviaram seus melhores biólogos, ambientalistas, oceanógrafos e diversos outros especialistas. Até quem não se interessava pelo estilo de vida desses animais ficou preocupado, ou, no mínimo, curioso. Diversas embarcações, grandes e pequenas, partiram rumo ao local onde as tartarugas se concentravam. Todos atrás de respostas. Não demorou para que elas percebessem que não estavam mais sozinhas. Passaram a se incomodar um pouco com a presença daqueles seres estranhos em seu território, acima e abaixo da superfície. Algumas ficaram assustadas. Outras, perplexas. Todas, sem entender o que estava acontecendo.

Contei essa história a um amigo meu hoje cedo. Por videoconferência, lógico! Foi logo depois que ele compartilhou em suas redes sociais uma série de notícias publicadas recentemente: “Pentágono divulga oficialmente vídeos mostrando OVNIs”, “Luzes misteriosas aparecem piscando no céu e intrigam a web (e estudiosos)”, “OVNI gigante e triangular faz terceira aparição em três meses”. Ele me pareceu um tanto paranoico com todo esse lance de quarentena, pandemia etc. Começou a me mandar vários áudios falando sobre extraterrestres, aparição de objetos voadores em várias partes do globo e coisas assim. Daí você vai me perguntar: mas o que toda essa história tem a ver com o assunto? Eu te respondo: querendo ou não, nós é que somos as tartarugas.

🐢


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quinta-feira, 31 de março de 2022

Já está disponível a nova edição da Revista Conexão Literatura - Abril/nº 82


EDITORIAL

Queridos leitores!

Nossa edição de abril chega com artigos relevantes sobre o mundo dos livros, além de um artigo de Gilmar Duarte Rocha, sobre um assunto que tanto nos entristece: a guerra. Apesar da tecnologia que pode beneficiar o mundo e do avanço na informação, ainda existem pessoas com mentes perversas e pensamentos arcaicos que podem matar e destruir por ganância e poder, sem o menor pudor pela vida humana. Mas ainda bem que nem todos pensam assim e que ainda existe esperança para um mundo melhor.

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Tenham uma ótima leitura!

Ademir Pascale - Editor-Chefe
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sábado, 26 de março de 2022

Fernanda Montenegro toma posse na cadeira 17 da ABL

 


Em seu discurso, atriz agradeceu a classe artística

*Por Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro

A atriz Fernanda Montenegro, considerada uma das damas do teatro nacional, tomou posse hoje (25) à noite, na Academia Brasileira de Letras (ABL). Única concorrente à vaga, ela recebeu, no dia 4 de novembro do ano passado, 32 dos 35 votos possíveis e, aos 92 anos, é a primeira mulher a assumir a cadeira 17, sucedendo o diplomata Affonso Arinos de Melo Franco (1930-2020). 

Em seu discurso, Fernanda Montenegro agradeceu a classe artística e destacou a  posse de uma atriz para a ABL “William Shakespeare deixou eternizado esse  conceito estrutural da afirmação de uma arte. O mundo é um palco e todos nós, seres humanos, somos atores nesse palco. Agradeço muito ao meu coração e minha razão por estar sendo aceita nesta casa, protagonista, referenciada, da nossa mais alta cultura, que é a Academia Brasileira de Letras”, disse. 

“Emocionada, tomo posse da cadeira número 17. Sou atriz, venho desta mística arte arcaica que é o teatro. Sou a primeira representante da cena brasileira a ser recebida nesta casa. Esse meu ofício expressa uma estranheza compreensão. A raiz dessa arte está na complexidade de só existir através do corpo e da alma de ator ou de uma atrizao trazer a literatura dramática para a verticalidade cênica”, acrescentou

Logo após ser eleita, Fernanda manifestou em sua rede social, que a Academia Brasileira de Letras é um referencial cultural de 125 anos. “Abrigou e abriga representantes que honram a diversidade da nossa criatividade em várias áreas. Vejo a academia como um espaço de resistência cultural. Agradeço a oportunidade”. 

A atriz recebeu a notícia da eleição por meio da também imortal da ABL, Nélida Piñon.

Arlete Torres

Fernanda Montenegro é o nome artístico de Arlette Pinheiro Monteiro Torres, nascida no dia 16 de outubro de 1929, no Rio de Janeiro. Atriz e escritora, ela é considerada uma das melhores atrizes do país. Foi a primeira latino-americana e a única brasileira indicada ao Oscar de Melhor Atriz, em 1999, pelo filme Central do Brasil, do diretor Walter Salles. Foi também a primeira brasileira a ganhar o Emmy Internacional na categoria de melhor atriz pela atuação na série Doce de Mãe, da TV Globo, de 2013.

"Pelo reconhecimento ao destacado trabalho nas artes cênicas brasileiras", Fernanda Montenegro foi condecorada, em 1999, pelo então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, com a maior comenda civil do país, a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito. Além dos cinco prêmios Molière, ela ganhou em 1998 o Urso de Prata no Festival de Berlim, pela interpretação de Dora no filme Central do Brasil. 

Em 2013, foi eleita a 15ª celebridade mais influente do Brasil pela revista Forbes. Durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016, Fernanda leu o poema A flor e a náusea, de Carlos Drummond de Andrade, dublado em inglês pela também atriz Judi Dench.

Foi a primeira atriz contratada pela TV Tupi, em 1951, onde participou de 80 teleteatros. Em telenovelas, sua estreia ocorreu em 1954, como protagonista de A Muralha, na RecordTV. Trabalhou na maioria das emissoras produtoras de teledramaturgia, como Band, TV Cultura, RecordTV e Rede Globo, onde está desde 1981, além das extintas TV Excelsior, TV Rio e Rede Tupi.

Na área da literatura, a atriz publicou, em 2018, o livro Fernanda Montenegro: Itinerário Fotobiográfico e, no ano seguinte, lançou o livro Prólogo, Ato, Epílogo, pela Companhia das Letras, escrito em parceria com Marta Góes.

(Foto: Reprodução/ABL)

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terça-feira, 1 de março de 2022

Já está disponível a nova edição da Revista Conexão Literatura - Março/nº 81

EDITORIAL

Queridos leitores!

Nossa edição de março destaca os escritores e youtubers Dearo e Manu. Confira nas próximas páginas a entrevista exclusiva que fizemos com eles.
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Para saber como participar da nossa edição de abril/2022, seja com conto, crônica, poema ou mesmo divulgar o seu livro ou editora: clique aqui.

Tenha uma ótima leitura!

Ademir Pascale - Editor-Chefe
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Bert Jr. é destaque da nova edição da Revista Conexão Literatura, nº 80/Março


Bert Jr.
é destaque da nova edição da Revista Conexão Literatura, nº 80. Confira e baixe o seu exemplar gratuitamente: clique aqui.

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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Mulheres codependentes ganham voz na literatura

 


Fenômeno natural é analogia para a vida da protagonista de "O ano em que não choveu", da escritora Jenny Rugeroni; filha de alcoólatra, ela detalha os efeitos da codependência química na vida de mulheres

O ano em que não choveu prova que a ficção também é lugar de fala. As consequências do alcoolismo, como a codependência, ganham destaque neste drama contemporâneo da escritora Jenny Rugeroni, vencedora de mais de trinta prêmios literários. A obra dá voz aos familiares de dependentes químicos que abrem mão da própria vida e sonhos para se tornarem amparadores do ente querido.

Filha de pai alcoólatra e com longo histórico de relacionamentos devastados pelo álcool, a autora amarra as experiências pessoais à protagonista Lívia, que se descobre codependente. É por meio das revelações e aprendizados da personagem que o livro acolhe as mulheres que passam por situações semelhantes, e mostra que há como buscar ajuda, resgatar o amor-próprio e construir relações saudáveis.

Lívia e Alexandre formam um casal aparentemente perfeito, com uma vida confortável no pé da Serra da Mantiqueira, interior de São Paulo. Mas uma crise enfrentada pelo filho adolescente traz à tona conflitos que ambos prefeririam ignorar. Tudo muda quando uma amiga orienta Lívia a procurar um grupo de apoio.

A estiagem de 2014 na região serve de analogia para o momento de angústias vivido pela protagonista. Enquanto a seca castigava o belo jardim da família, o marido tenta remediar conflitos internos com a bebida. Já Lívia reluta em aceitar as mudanças do corpo com a maturidade e se envolve em jogos de sedução no trabalho.

Não era a primeira vez que ela mencionava o grupo. Eu nunca lhe dera atenção; achava que não era para mim. Agora, precisava de qualquer coisa que pudesse amenizar minha tristeza e ocupar meu tempo. (“O ano em que não choveu”, pág. 117)

Jenny Rugeroni traz em suas obras um olhar mais humanizado sobre o cotidiano. Retrata a empregada doméstica, o trabalhador rural, a balconista da padaria, de forma lírica e realista ao mesmo tempo. Ela faz um convite para uma refletir sobre problemas sociais: desemprego, alcoolismo, gravidez na adolescência e machismo estrutural.

FICHA TÉCNICA
Título: 
O ano em que não choveu
Autora: Jenny Rugeroni
Editora: Vicenza Literária
ISBN: 978-65-87265-09-4
Páginas: 176 páginas
Formato: 14x21cm
Preço físico: R$ 25,00
Link de venda: Livraria Vicenza e Amazon (eBook)

Sobre a autora: A paulistana Jenny Rugeroni é bancária, formada em Comércio Exterior e mãe de dois filhos. É autora dos romances “A Herdeira do Silêncio” e “Um Céu de Estrelas Curiosas”, além de diversos contos e crônicas de sucesso, entre eles os premiados “Identidade”, “Um passo no escuro”, “O crucifixo” e “A idade do exagero”. Publicou em 2020 a versão digital do livro “O ano em que não choveu”, que foi premiado pela União Brasileira de Escritores. Em 2021, o livro ganhou uma versão impressa, através do edital 50/2020 do PROAC/SP.

Redes sociais:
Instagram: @jennyrugeroni
Facebook:
 jenny.rugeroni

 

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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Casal de youtuber fenômeno na literatura participam de ação social com G10 Favelas

Dearo e Manu - Foto Divulgação

Gabriel Dearo e Manu Digilio,  casal de Youtubers são autores de 4 livros, sucesso entre o público infantil e infantojuvenil -
 As Aventuras de Mike

Nos últimos 2 anos, viram crescer as vendas pela internet, devido ao momento de tantas restrições para a meninada.

Em ação conjunta com o G10 Favelas, no próximo dia 08/02 a dupla estará no Pavilhão Social G10 Favelas em Paraisópolis, para distribuição de livros as crianças da comunidade, juntamente com 500 kits escolares fornecidos pela direção do G10 Favelas.

Os exemplares serão doados por Gabriel Dearo e Manu Digilio e a editora Planeta. 

Serviço:

Data: 08/02 – terça feira

Horário: Das 09h as 12h

Distribuição de Kits Escolares e Livros autografados

Local: Pavilhão Social G10 Favelas – Paraisópolis

Rua Itamotinga nº 100 -  cep: 05706-320

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segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Poesia "Dissabor", por Rafael Caputo

Poesia Dissabor do Escritor Rafael Caputo
Imagem: BEIJO_HOME.jpg em <https://www.hypeness.com.br>


Essa língua que preenche
a minha boca e não é minha,
mas quem dera fosse.

Língua quente!

Uma segunda língua que
conheci pelo caminho.
Calou-me.

Língua quente e amarga.
De sabor caminho sem volta.

Quem dera minha fosse,
Língua amarga.
Língua doce.

👄

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