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terça-feira, 4 de maio de 2021

ENTREVISTA: Nelson Albuquerque Jr. e o livro O resto de Raen, por Cida Simka e Sérgio Simka


Fale-nos sobre você.

Nasci em São Caetano do Sul (SP), em 1975. Me formei em Comunicação Social, especialização em Jornalismo, pela Universidade São Judas Tadeu, e fiz pós-graduação em Língua e Literatura, na Universidade Metodista de São Paulo. Passei a maior parte da carreira em redações de jornal e em agências de publicidade. Fui editor do caderno Cultura&Lazer, do Diário do Grande ABC, entre os anos de 2009 e 2010. Comecei a me dedicar à escrita literária no início dos anos 2000, tendo publicado contos e crônicas em coletâneas impressas e meios digitais. Faço parte do Conselho Editorial da Revista Raízes, da Fundação Pró-Memória de São Caetano, desde 2011. E sou integrante da Academia Popular de Letras desde 2013.

ENTREVISTA: 

Fale-nos sobre o livro. O que o motivou a escrevê-lo? 

“O resto de Raen” surgiu da necessidade de falar sobre as relações humanas na nossa sociedade. Era um incômodo que acabou sendo transformado em um romance de ficção. A história começa numa cidade que é um paradoxo entre sucesso e fracasso; os prédios são luxuosos, os carros são tecnológicos, mas as ruas são todas lamacentas. Tudo é um pântano. O cenário inicial indica como a sociedade evoluiu em tecnologia, porém regrediu nas relações sociais. As ruas, que são onde as pessoas se encontram e convivem, são todas lamacentas, malcheirosas e incômodas. É a partir desse lugar que conto a história de Ruy Marino, um rapaz que sofreu muitas perdas na vida e acabou por viver recluso, onde mora somente com um jacaré banguela que se refugiou em sua casa. A vida começa a chamar Ruy por meio de várias situações, e ele terá de encarar seus fantasmas e viver sua jornada.  

Fale-nos sobre seus outros trabalhos.

Este é meu primeiro romance. É meu primeiro livro publicado. Antes eu estive em algumas coletâneas, mas principalmente publico meus contos, minicontos e microcontos em meu blog e redes sociais. Faço também um projeto chamado Palavralém, que são minilivros digitais, com pequenas histórias ou crônicas, que compartilho gratuitamente via Whatsapp. É uma forma de fazer circular literatura, de surpreender as pessoas, que, em vez de receberem piadas ou fake news, abrem o arquivo e têm um texto literário para saborear e se distrair.  

Como analisa a questão da leitura no país?

Acredito que a leitura sempre teve dificuldades no país, em todos os tempos. Antes tínhamos poucos canais, apenas o livro, os fanzines, algumas revistas literárias, enfim, publicações que podiam chegar ou não às pessoas. Hoje temos muitos outros canais, o acesso está muito mais democratizado. Mas acho que sofremos com a disputa pelo tempo das pessoas, numa competição contra o excesso de informação, o conteúdo superficial e fugaz das redes sociais e, principalmente, a falta do hábito de leitura. Isso é perigoso, porque acaba gerando uma sociedade pouco crítica, que pensa e reflete muito pouco, ou nada. Porém eu acredito na expansão da leitura, sempre e sempre, mesmo que seja uma fé quixotesca.  

O que tem lido ultimamente?

Meu livro atual é “Adeus, China – o último bailarino de Mao”, de Li Cunxin. Ainda estou bem no início, mas promete ser muito bom. Outro lido mais recentemente foi “Solução de Dois Estados”, de Michel Laub, que é um livro importante para o momento que vivemos. Fala dessa relação de ódio na sociedade, desse embate cego que parece não ter fim nem esperança de conciliação. E estou ansioso para comprar e ler o “Torto Arado”, de Itamar Vieira Jr., um livro premiado e com vendagem astronômica para os tempos atuais – superou mais de 100 mil exemplares vendidos. Li boas referências sobre a obra.  

Uma pergunta que não fizemos e que gostaria de responder.

Bom, estou muito feliz com o lançamento do meu primeiro livro. Lancei neste mês de março e tenho recebido retornos maravilhosos das pessoas que já leram. Fico bem feliz com os comentários. “O resto de Raen” tem um pouco de mim em cada personagem, tem muito de mim em toda a obra, afinal foi escrito com muita alma. Minha intenção com o livro é apenas oferecer uns momentos de imaginação, inspiração, diversão e reflexão para quem lê. Acredito muito que a literatura tenha a capacidade de encantar as pessoas. Se a história fizer sentido para uma única pessoa, o livro terá cumprido sua missão.


CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020) e Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020) e O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.


SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro infantojuvenil se denomina Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). 

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segunda-feira, 3 de maio de 2021

Um papo com Ramón Vasquez, autor do livro “O mistério da Rua Magalhães Pinto”


Ramón Vasquez
é Gestor Pedagógico do Super Cérebro Recife, professor na área de negócios, pesquisador, especialista em Trabalhos de Conclusão de Curso e projetos empresariais. Como escritor: possui mais de cinco obras publicadas, dezenas de artigos de opinião e artigos científicos publicados em sites, eventos e revistas nacionais. É apaixonado por leitura, principalmente, Dostoiévsky e outros autores existencialistas. Nessa seara: romance, biografia, filosofia, sociologia, política e gestão são os assuntos de maior interesse. Sua vida é conectar-se com as pessoas por meio da educação, e auxiliá-las na construção de uma cultura focada no compartilhamento do saber. 

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Ramón Vasquez: Sim! Começou em 2016, com a publicação do livro O mundo mudou... Justo na minha vez?, com o meu ex-professor e publicitário Valdênio Rodrigues. Além dessa obra, publiquei O universitário e a universidade: vivenciando oportunidades e desafios na trajetória acadêmica, que retratava a minha vida de universitário, por exemplo: estudar para provas, conciliar emprego e faculdade, participar de congressos, ler livros, estudar nos finais de semana etc. Em relação ao meu início literário, é bem engraçado, pois eu não gostava de escrever, tirava notas baixas em redação na época da escola, dentre outros probleminhas. No entanto, comecei a ler bastante na graduação de administração, tive alguns insights durante os quatro anos do curso e resolvi escrever o meu primeiro livro.  

Conexão Literatura: Você é autor do livro “O mistério da Rua Magalhães Pinto”. Poderia comentar? 

Ramón Vasquez: É sempre um prazer comentar os livros que escrevo. As personagens principais da narrativa são Luke e Angelika. O jovem casal busca um recomeço na vida de recém-casados. Esse recomeço estava presente na fantástica Rua Magalhães Pinto. Uma rua com paisagem verde, flores, jardins, terra batida e um perfume agradabilíssimo que pairava no ar. Nos primeiros dias de casa nova, Luke e Angelika percebem algumas bizarrices na rua, como: a existência de uma casinha suspensa no tronco de árvore localizada no centro da rua, quatro idosas misteriosas e um idoso com voz mansa e um passado sinistro. Essa atmosfera peculiar é descrita no livro por Ramón Vasquez, após 80 anos, que foi a personagem que viu e ouviu tudo que se passou naquela rua. Desse modo, não é exagero concordar com Ramón Vasquez quando ele afirma: “Se eu pudesse dar um conselho, não para o leitor, mas para mim, seria: ‘Ramón Vasquez, não leia este livro!’” O leitor deve ler a obra com uma boa trilha sonora. Recomendo: Dark Piano for Dark Writing (Youtube).

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro? 

Ramón Vasquez: Não gosto de perder tempo escrevendo, desse modo, levei dois meses para concluir a obra – início, desenvolvimento e conclusão. Nesse período, tive quatro obras que me influenciaram na hora de escrever: 

Série da Netflix: Jeffrey Epstein: poder e perversão. Ano: 2020.

Livro: Lady Killers: assassinas em série. Autora: Tori Telfer. Ano: 2018

Filme: A casa que Jack construiu. Diretor: Lars von Trier. Ano: 2018.

Documentário biográfico: Desvendando Serial Killers com Piers Morgan. Ano: 2017. 

Essas obras foram essenciais para criar um clima de desconfiança, medo e pânico entre as personagens da Rua Magalhães Pinto.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho que você acha especial em seu livro? 

Ramón Vasquez: Sim! Capítulo “Em casa”, página 31.

Luke invadia a casa onde morava. Gritava pela esposa, mas, ela não respondeu. Ele ficava mais nervoso. Ao chegar na cozinha viu o homem encapuzado alisando as partes íntimas da sua esposa com a faca. Luke ficou possesso com a situação, não via o momento de salvá-la e fugir da amaldiçoada, Magalhães Pinto. 

— Solte a minha esposa, seu verme — gritava Luke. — Lixo humano! Verme! Se matar a minha esposa, irei matá-lo, com todas as minhas forças, seu animal! 

— Calma, meu jovem. Conheci sua esposa esses dias. Linda, por sinal. Um, “tesão” de mulher. Posso nem beijar? Posso nem tirar uma casquinha? Gostaria de tocá-la mais intimamente. Você sabe, né? Estou tirando o capuz. Sem capuz. Sem mentiras. Sem nada. Sou honesto com você. Chega de mentiras!

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário? 

Ramón Vasquez: O leitor pode acessar minha página no Instagram @proflucasalmeidaoficial e conversar comigo no direct para solicitar o livro via WhatsApp, ou acessar o livro pelo QR Code que está no post de divulgação da minha obra. A obra é 100% gratuita.  

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta? 

Ramón Vasquez: Sim. Entre meados de maio e início de junho estarei publicando uma obra nacional pela Editora Viseu. Este livro estará em formato impresso e digital. O livro retrata o drama de um homem brasileiro: casado, com filho, desempregado, vivendo de trabalho informal, até que um certo dia acontece uma situação que mudará a sua vida completamente...   

Perguntas rápidas:

Um livro: Memórias da casa dos mortos

Um (a) autor (a): Fiódor Dostoiévski 

Um ator ou atriz: Wagner Moura

Um filme: Tour de France

Um dia especial: 12 de agosto de 2020, marquei a data do meu casamento com a minha noiva (e futura esposa) Andressa.

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário? 

Ramón Vasquez: Ser escritor ou professor, no Brasil, é um ato de resistência!

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sábado, 1 de maio de 2021

Um papo com Wilson Barreto Fróis, autor do livro “Kafka em processo: da Lava à Vaza Jato”


Nasceu em 7 de junho de 1960 em São Pedro do Jequitinhonha (MG), cursou o ensino básico em Itaobim (MG) e o ensino superior (Letras) na cidade vizinha, Teófilo Otoni. Já aos quatorze anos, dividia o seu tempo entre estudos e trabalho. Trabalhou em escritório de contabilidade (1975/1984); foi também professor da rede pública (1979/2020).  Foi ainda diretor da E. E. Chaves Ribeiro, em Itaobim, e vereador e presidente da Câmara Municipal da mesma cidade. Procurando aprofundar seus conhecimentos, especializou-se em língua portuguesa (1989) e em literatura brasileira (2002). Concluiu o mestrado (2009) e doutorado (2018) em literaturas de língua portuguesa na PUC MINAS (BH). 

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Wilson Barreto Fróis: Iniciei o meu relacionamento mais consistente com a literatura a partir do instante em que optei por fazer o curso de letras, em 1977. A partir daí, a leitura de autores, como Cláudio Manuel da Costa, Castro Alves, Álvares de Azevedo, José de Alencar, Machado de Assis, Lima Barreto, Manuel Bandeira e Graciliano Ramos, me convenceu a permanecer no universo literário.

Conexão Literatura: Você é autor do livro “Kafka em processo: da Lava à Vaza Jato”. Poderia comentar? 

Wilson Barreto Fróis: Sim, porém mais um coautor do que propriamente um autor, em função da dinâmica da polifonia do texto.  Nesse livro, desenvolvo a ideia de que o “estranho” universo de Kafka também inclui o nosso, sobretudo quando se observam as últimas ações da justiça brasileira nos últimos seis anos. E assim o faço por meio da inserção de ideias de vários juristas, sociólogos, filósofos, e do registro de diversas fontes jornalísticas, nacionais e estrangeiras. Coube a mim apenas a tarefa de associar tais textos à ficção de Kafka, tendo como base principalmente os romances O processo e O castelo.

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro? 

Wilson Barreto Fróis: Em 2017, quando estava concluindo o doutorado em Belo Horizonte, escrevi um texto de vinte linhas aproximadamente, salientando a capacidade de reatualização da obra de Kafka. No entanto essa pequena produção ficou só nos meus arquivos. Já em março de 2020, quando a pandemia nos impôs a reclusão, resolvi aproveitar o isolamento social, transformando o texto iniciado em 2017 em livro. A absurdez cotidianamente registrada no contexto nacional do ano anterior inspirou e alimentou a construção do texto. Várias cenas da realidade momentânea, a meu ver, passaram a reescrever a ficção kafkiana. De março até julho de 2020, então, a partir de um olhar bifocal (ficção/realidade), concluí o livro em discussão.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho que você acha especial em seu livro?

Wilson Barreto Fróis: Quando, no terceiro capítulo, refiro-me à matéria do jornalista Glenn Greenwald em que se confirma nos bastidores da justiça brasileira uma característica do judiciário criticado em Kafka: a tramitação processual à margem do tribunal.  

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário?

Wilson Barreto Fróis: Versão impressa: busca no site da Editora Viseu e de lojas parceiras (Amazon, Americanas, Shoptime, Submarino); formato digital: Amazon, Kobo, Apple, Google Play, Livraria Cultura.

Em relação aos meus trabalhos, dissertação e tese, na biblioteca digital da PUC MINAS. Além disso, publiquei quatro artigos em revistas acadêmicas da referida instituição.

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta?

Wilson Barreto Fróis: Sim, um deles: a correlação estético-formal entre a ficção de Murilo Rubião e as Escrituras, sonho transformá-la em livro. 

Perguntas rápidas:

Um livro: Terra Sonâmbula, de Mia Couto

Um (a) autor (a): Franz Kafka

Um ator ou atriz: Paulo Gracindo

Um filme: Gladiador

Um dia especial: Dia das mães

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Wilson Barreto Fróis: Neste momento de crise, a literatura pode ser, além de um bom refúgio, um instrumento expressivo de resiliência. 

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quarta-feira, 28 de abril de 2021

Conheça o livro "Guerreiros de Araug", do autor Clóvis Rezende


Sinopse:

A Magia arcana e necromante que haviam sido banidas do reino, começam a reaparecer, e com elas todo o mal que as acompanha ressurge, esse mal deve ser expurgado antes que ganhe mais força e domine todo o reino. Vamos acompanhar Sir Shiner, um nobre cavaleiro do reino de Araug, que é designado para uma missão real e acaba descobrindo que existem muitas coisas ruins acontecendo em seu reino, um mal antigo ressurge e se expande mais a cada dia, isso coloca em risco a vida de todos. Levado pelas forças do destino, Shiner encontra novos amigos que podem ajudar a expurgar esse mal, muitas adversidades levam o cavaleiro a entender o valor real da amizade e que a verdadeira força brota dos sentimentos puros. Uma história repleta de magia, esperança, superação e amizade. Viaje nessa aventura com Shiner e seus amigos para tentar deter o mal que assola todo o reino de Araug.

Booktrailer:

Instagram: @clovis_rez

E-mail: rezende_clovis@hotmail.com

Para adquirir o livro, acesse: 

Amazon

Google Play

Chiados Books

Kobo

Martins Fontes

Sobre o Autor:

Clóvis Rezende tem 39 anos, mora na cidade de Guarapuava, que fica no estado do Paraná, localizado na região sul do Brasil. Desde muito pequeno, Clóvis foi fascinado por livros, contos, fábulas, manuscritos, pergaminhos e todo tipo de material que o levasse para essas realidades fantásticas. De origem humilde, mas sempre buscando ter conhecimento sobre grandes obras, era natural que em dado momento de sua vida quisesse expressas a sua visão com uma obra de sua autoria. Atualmente ele escreve nas horas vagas, mas futuramente pretende escrever em tempo integral, assim dando vida a todas as suas ideias, em novas obras. - Este texto se refere à edição paperback.

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terça-feira, 27 de abril de 2021

Clóvis Rezende e o livro “Guerreiros de Araug”

Clóvis Rezende tem 39 anos, mora na cidade de Guarapuava, que fica no estado do Paraná, localizado na região sul do Brasil. Desde pequeno Clóvis foi fascinado por livros, contos, fábulas, histórias em quadrinhos, manuscritos, pergaminhos e todo tipo de material que o levasse para essas realidades fantásticas. De origem humilde, mas sempre buscando ter conhecimento sobre grandes obras, era natural que em dado momento de sua vida quisesse expressar um pouco de sua visão com uma obra de sua autoria.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

Clóvis Rezende: Acredito que tudo transcorreu de forma natural, sempre gostei de leitura e de todas as percepções que as histórias nos trazem, respeitava profundamente a visão dos autores mas sempre com várias idéias fervilhando em minha mente, porém demorei um pouco para ganhar coragem e dar vez para essas idéias virarem realidade, hoje após ter trilhado todo o "caminho das pedras" percebo que poderia ter iniciado mais cedo, mas tenho certeza de que tudo acontece no seu devido tempo.

Conexão Literatura: Você é autor do livro “Guerreiros de Araug”. Poderia comentar? 

Clóvis Rezende: Sim. Esse livro tem uma história especial, inicialmente eu e meus filhos ( Rian Gabriel e Breno Rafael) tivemos a idéia de criar um jogo de tabuleiro, desses estilo rpg, mas devido as dificuldades para levar a frente o projeto, acabamos desistindo, somente posteriormente pensei que todas aquelas idéias e personagens dariam uma boa história, assim nasceu a idéia do livro e meus filhos de certa forma são co-autores.

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro? 

Clóvis Rezende: Após resolver colocar as idéias no papel, foram quase dois anos de lapidação até ter o livro pronto. Como se trata de uma temática de fantasia envolvendo magia e criaturas místicas, a pesquisa se restringiu a tentar estabelecer o período plausível onde dentro do contexto do universo criado, aconteceriam os fatos. Para o clima que ambienta o universo criado na história, usei como base o de minha região, que tende a ser mais frio que o do resto do país. Para os personagens tentei me basear em situações e pessoas reais, e também evidentemente, em todo material que já li e vi, mas claro sempre tentando manter a identidade e originalidade de minhas criações. 

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho que você acha especial em seu livro?  

Clóvis Rezende: Sou suspeito para citar um trecho pois tenho um carinho especial por cada personagem, mas a conduta de Shiner me agrada muito:

"... O cavaleiro sabia que poderia usar seu status real,  para fazer Sluter falar tudo que ele quisesse, mas Shiner não  gostava da ideia de submissão imposta por cargos reais e  sempre tentava manter amizade com todas as pessoas que  viviam no reino de Araug, talvez por esse mesmo motivo,  ele era o mais respeitado dos cavaleiros reais..."  

Essa honra latente, esse código de nobreza cravado na conduta do cavaleiro real de Araug me agrada muito.

Gosto das pitadas de humor, e da forma como as forças do mal trabalham, para aqueles que trilham o caminho do bem o caminho é sempre longo e tortuoso, mas no final tudo vale a pena.

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário? 

Clóvis Rezende: O livro esta a venda no site da editora Chiadobooks, na Amazon, na Playbooks, e nas melhores livrarias do Brasil e de Portugal, podem ser adquiridos tanto na versão e-book quanto físico. Ainda estou começando minha jornada no caminho literário, mas sigo a cada dia buscando a evolução pessoal para poder produzir melhores trabalhos futuramente. 

Podem acompanhar mais sobre meus trabalhos e andamentos de meus projetos através de meu Instagram @clovis_rez 

E-mail: rezende_clovis@hotmail.com

Deixo também o link do booktrailer do livro "Guerreiros de Araug" para quer quiser conferir:

https://youtu.be/dPrTg9bTQXw

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta? 

Clóvis Rezende: Sim, já tenho outra história no forno, trata-se de uma temática bem diferente do "Guerreiros de Araug", e que se tudo correr bem será lançado ate o fim desse ano, estou participando de alguns concursos literários em sua maioria na modalidade contos, e no próximo ano pretendo fazer a continuação da história Guerreiros de Araug.

Perguntas rápidas:

Um livro: Lord of The Rings ( Senhor dos Anéis)

Um (a) autor (a): J.R.R. Tolkien

Um ator ou atriz: Charles Chaplin

Um filme: Interestelar

Um dia especial: Quando minha linda esposa Silvana aceitou trilhar o caminho ao meu lado, e assim formarmos nossa família.

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário? 

Clóvis Rezende: "O caminho da sabedoria é não ter medo de errar" - Paulo Coelho

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domingo, 25 de abril de 2021

Livro Contos e Recantos do Brasil

 


Silvestre é um apaixonado pelo que faz e é de suas andanças pelo Brasil, em viagens de pesquisa pela flora brasileira, que o autor colecionou histórias de rodas de conversas dos pampas do Rio Grande do Sul aos confins da Amazônia. Muito conhecido no meio jornalístico, alguns desses causos já foram contados na televisão, outros, em revistas, mas só agora, pela primeira vez, ele reuniu todos neste livro de contos imperdível.

    Contos e Recantos do Brasil é o resultado de um apanhado de relatos inusitados, instigantes que você, muitas vezes, vai ter a impressão de ver um Brasil que nem existe mais. Um Brasil ingênuo, caboclo, ainda não massificado pela televisão, com situações em meio à natureza, tendo como cenários rios, montanhas, praias ou apenas lugarejos bucólicos. É uma delícia acompanhar este aventureiro obstinado em conhecer e contar as histórias de todos os recantos do Brasil.    

Título: Contos e Recantos do Brasil
Preço de capa: R$ 59,90
Formato: 13,5 cm x 20,5 cm
Número de páginas: 216
onde encontrar: nas principais livrarias do País, no site www.europanet.com.br, pela televenda da Editora Europa - (11) 3038-5050
(Grande São Paulo), 0800-8888-508 ou ainda (11) 95186-4134 (whatsApp).

Para saber mais

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quarta-feira, 21 de abril de 2021

Ubook lança ‘Entressafra’, primeiro livro da atriz Isabel Guéron, em todos os formatos


COLETÂNEA DE CRÔNICAS QUE ABORDA A RELAÇÃO ENTRE SER MULHER, MÃE E ATRIZ CHEGA À PLATAFORMA EM 21 DE ABRIL

 

Acaba de chegar mais uma novidade no catálogo da Ubook, a maior plataforma de audiotainment da América Latina. O livro “Entressafra”, escrito pela atriz e cronista Isabel Guéron, já está disponível em três versões: impressa, audiobook e e-book. A primeira obra da autora traz uma coletânea de crônicas que aborda a relação entre ser mulher, mãe e atriz, com lembranças da infância até as dificuldades da maternidade. A dramaturga Priscila Gontijo assina o prefácio do título, que contará com desenhos da ilustradora Marina Agostini.

Natural do Rio de Janeiro, Isabel ganhou reconhecimento com o prêmio de melhor atriz no Festival de Gramado de 2001, por sua atuação no filme “Bufo & Spallanzani” – uma adaptação de romance homônimo de Rubem Fonseca. Mas já são mais de 20 anos de carreira na televisão, cinema e teatro. Isabel também é a voz de diversos audiobooks da Ubook.

“A ideia do Entressafra surgiu aos poucos. Com o advento das redes, comecei a postar um ou outro texto e tive um retorno que, pra mim, foi inesperado. Tempos depois fui chamada para escrever na plataforma Hysteria.etc , o que me trouxe um ritmo e comprometimento com a escrita que eu ainda não havia experimentado. Com o tempo percebi que já tinha material para um livro, e comecei a trabalhar na ordem dos escritos. O processo desde que pensei no livro até ter ele nas minhas mãos foi de quase três anos”, conta Guéron.

Ler sempre fez parte da rotina da atriz, pois desde jovem sempre esteve rodeada de livros em sua casa.”Sou leitora desde que aprendi a ler. Quando eu comecei a gravar audiobooks, eu já tinha escrito parte do Entressafra, e esse trabalho como narradora uniu a atriz com a leitora que sou. Descobri muitas possibilidades novas na minha voz”, conclui.

Assinantes da Ubook têm acesso ao livro “Entressafra” e a mais de 400 mil títulos disponíveis da plataforma por R$ 16,90 (valor mensal). A versão impressa do livro custa R$ 39,90.

Sinopse oficial:

Cotidiano é sinônimo de rotina? Estamos fadados a viver uma vida linear? Há espaço para desorganização? Em Entressafra, Isabel Guéron, atriz, mãe e mulher, traz visões aguçadas das coisas corriqueiras (ou não) que permeiam a sua vida, passando por lembranças da infância, reflexões emocionantes sobre as belezas e as dificuldades da maternidade, o que o ofício da atuação significa e pode significar, o simbolismo nas pequenas manifestações de amor romântico, as armadilhas de uma singela miopia ou uma inocente ida à Disney, dentre outras infinidades de momentos sensíveis, que passam despercebidos com frequência ao nosso olhar viciado e focado no que supostamente "importa". 

Sobre a Ubook

Lançada no início de outubro de 2014, a Ubook é o maior aplicativo de audiotainment da América Latina. Por um valor mensal é possível ter acesso ilimitado a todo o catálogo através do aplicativo. Além dos audiobooks e podcasts, a Ubook inovou o segmento trazendo também séries e documentários originais, notícias e ainda ampliou sua oferta ao disponibilizar também ebooks para seus assinantes. Com a crescente demanda por conteúdo em áudio no país, a plataforma lançou recentemente a Ubook Music e a Ubook FM, uma nova área que oferece música de diversos gêneros para assinantes e não assinantes. Para saber mais acesse: www.ubook.com

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terça-feira, 20 de abril de 2021

ENTREVISTA: Luiz Carlos Montanari e os livros sobre suas viagens ao redor do mundo, por Cida Simka e Sérgio Simka


Fale-nos sobre você.

Nascido em Americana, 68 anos, engenheiro, professor aposentado da Fundação Santo André, mestre pela FGV, teve oportunidade de estudar em Chicago (EUA) e trabalhar em multinacionais no Brasil e na Inglaterra.

Seu lema:  “Carrego comigo todos os meus bens”, referindo-se ao que realmente tem valor para ele: pensamentos, sentimentos, lembranças, experiências. Apaixonado por Fernando Pessoa, Beethoven e viagens.

Casado, pai de dois filhos, ateu, escreveu quatro livros: Reflections of an atheist, Encantos e Encontros no Caminho de Santiago, Rumo ao Sol da Meia Noite,  Diário de Amélia: Amanhecer na Islândia e coautor do livro Por que o Brasil seria melhor sem Bolsonaro?

Oriundo de família humilde, filho mais velho de cinco irmãos, seu sonho sempre foi conhecer outros países. Que se tornou possível graças ao incentivo de sua mãe: “Estude filho. Estude muito”.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre seus livros. O que o motivou a escrevê-los?

Como peregrino fez o Caminho de Santiago três vezes; cruzou a Holanda a pé (trilha Pieterpad). De Triciclo percorreu a Rota 66, as duas ilhas da Nova Zelândia, e numa viagem solitária de 80 dias, também de triciclo, partiu da Alemanha, cruzando Dinamarca, Finlândia, Suécia até Nordkapp no extremo norte da Noruega para ver o Sol da Meia-Noite. 

Passou 31 dias, numa cabana, no extremo norte do Canadá para fotografar a aurora boreal. Sua aventura cruzando a Islândia, num 4x4, o motivou a escrever o e-book Diário de Amélia: Amanhecer na Islândia.

Suas viagens serviram de inspiração para escrever também seus livros, publicados em forma de e-books e todos disponíveis na loja kindle da amazon.com.br.

Relata que, viúvo já há alguns anos e por ter sido extremamente feliz no casamento, pensou que jamais se casaria novamente. Começou a namorar uma professora inteligente e interessante, mas tinha receio de que ela não o acompanhasse em suas loucas viagens. Para sua felicidade, no terceiro mês de namoro, contou a ela que acabara de ler, na Folha, o relato de um executivo que retornara do Caminho de Santiago: a experiência em dormir em albergues, a beleza do Caminho, o contato com pessoas de diversas partes do mundo, as bolhas nos pés… Para sua surpresa, antes dele terminar de falar, ela diz: “Que interessante. A gente poderia fazer também, seria um ótimo teste para nosso relacionamento".  Fizemos o Caminho. Fomos aprovados no “teste" e nos casamos dois anos depois. Estamos casados há 12 anos…

Conte-nos algum episódio pitoresco de suas viagens ao redor do mundo.

Em suas viagens relata que sempre acontecem incidentes não esperados. 

Na Nova Zelândia, num local totalmente deserto, quebra o pedal de mudança de marcha do triciclo Harley Davidson. Teve que improvisar um “jeitinho" usando o cadarço de sua bota, deixar o câmbio em segunda marcha, rodar quase dez quilômetros para conseguir socorro apropriado. 

No Canadá, fazendo uma trilha, se perdeu e após algumas horas encontrou placas dizendo “Esta é uma rota de ursos. Cuidado”. Inclusive, viu um memorial com o nome e foto de uma jovem que havia sido morta por ataque de urso naquele local. Foi um dia extremamente tenso e longo… 

http://blogdomonta.blogspot.com/

http://twitter.com/MONTANARI

facebook: luiz montanari

Link de seus livros:

REFLECTIONS OF AN ATHEIST

https://www.amazon.com.br/Reflections-atheist-English-CARLOS-MONTANARI-ebook/dp/B073ZY71L1/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=ÅMÅŽÕÑ&dchild=1&keywords=Reflections+of+an+atheist&qid=1611067474&s=digital-text&sr=1-1

ENCANTOS E ENCONTROS NA CAMINHO DE SANTIAGO

https://www.amazon.com.br/gp/product/B088DMKZKQ/ref=dbs_a_def_rwt_hsch_vapi_tkin_p1_i1

RUMO AO SOL DA MEIA-NOITE

https://www.amazon.com.br/Rumo-Sol-Meia-Noite-solitária-ebook/dp/B08F7DWG2V/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=ÅMÅŽÕÑ&dchild=1&keywords=RUMO+AO+SOL+DA+MEIA+NOITE&qid=1611074890&s=digital-text&sr=1-1

DIÁRIO DE AMÉLIA: AMANHECER NA ISLÂNDIA

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POR QUE O BRASIL SERIA MELHOR SEM BOLSONARO?

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CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020) e Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020) e Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro infantojuvenil se denomina Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021).

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quinta-feira, 15 de abril de 2021

Elementos místicos em conto de García Marquez intrigam romancista contemporâneo

 


O baralho de predizer adultérios mistura ficção e realidade e homenageia a capacidade humana de adaptação

“Não há tempo melhor que o futuro”. A frase de abertura de O baralho de predizer adultérios (Autografia), segundo romance de Frederico Monteiro, chega ao mercado coincidentemente quando a humanidade aguarda o fim de uma pandemia que interrompeu o tempo presente das pessoas. A espera no futuro, a chance de recomeçar, parece aguardada como nunca. No livro, ela se passa na Araraquara real, município no interior do estado de São Paulo, onde o autor mora.

- Os acontecimentos foram todos criados, inventados, muito embora tragam enorme carga de realidade. A existência de um baralho com o poder de prever adultérios é um dos pontos místicos do romance. Há outros.”, provoca Frederico que começou a escrever este livro em 2017.

O baralho de predizer adultérios é uma homenagem ao futuro e à capacidade humana de adaptação. O adolescente Silvano, cujo nome representa também o conhecimento esotérico, recebe um misterioso baralho que tem como função única antecipar adultérios. Ao mesmo tempo em que faz o baralho funcionar, o protagonista amadurece. Amores e separações, riqueza e pobreza, fugas e desencontros, além do constante diálogo com a sua própria consciência, tomam conta da rotina do herói.

Numa das passagens do texto, a conversa com a consciência se dá sutilmente:

- Por que me tratam assim?

- Ainda usa aquele baralho?

- Uso.

- É isso. As pessoas têm medo do futuro. 

 

A inspiração para O baralho de predizer adultérios veio da obra de Gabriel García Márquez, embora Monteiro não se lembrasse de exatamente qual livro, razão que o levou a reler o escritor colombiano enquanto escrevia. A imagem do baralho de predizer adultérios persistia no imagi­nário de Frederico Monteiro, “sempre vinculada a um mundo mítico e impossível”.

 

Na coletânea A incrível e triste história da Cândida Erêndira e sua avó desalmada o penúltimo conto faz referência ao tal baralho: Blacaman, o bom vendedor de milagres. No conto, o bara­lho é referido apenas como moeda de troca. O tal Blacaman com­pra uma criança - que será seu fiel ajudante - e entrega ao seu pai, além de um real e dois quartillos, também um baralho de predizer adultérios. 

 SOBRE O AUTOR

FREDERICO TEUBNER DE ALMEIDA E MONTEIRO é paulista de Araraquara. Escreve desde a adolescência, em especial contos e romances. Em 2016, publicou, na versão digital, a coletânea de contos “Sabrina sabe voar”. Em 2019, o romance Babel e agora O baralho de predizer adultérios, ambos pela Autografia. Trabalha como defensor público do Estado há 12 anos e prepara seu terceiro romance e uma coletânea de contos. 


SERVIÇO

O baralho de predizer adultérios

Páginas: 288

Formato: 16cm x 23 cm

Preço: R$ 47,90

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sexta-feira, 2 de abril de 2021

Escritos de João Carlos Sampaio viram livro de memórias

 

João Carlos Sampaio - Set de Troca de Cabeça [Foto por José Mamede]

Obra póstuma reúne críticas de cinema e outros textos do jornalista, nome fundamental do campo cinematográfico da Bahia e do Brasil

Lançamento ocorre em live no dia 9 de abril, no canal de YouTube da Abraccine

 

Baiano de Aratuípe, cidade que adorava com devoção, João Carlos Sampaio (1969-2014), jornalista, crítico cinematográfico e curador, era do tipo de pessoa que agrega, mobiliza e muito produz. Em 44 anos de vida, atuou pelo fortalecimento e pela visibilidade do cinema do Brasil e da Bahia, tendo sido um dos fundadores da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), que receberá, em seu canal de YouTube (www.youtube.com/abraccine), o lançamento do livro “Pó da estrada: Escritos de João Carlos Sampaio”, que reúne textos escritos por ele para jornais, revistas, mostras e projetos variados, além de um resgate poético de sua trajetória profissional e vida pessoal. A publicação, editada pela Editora Gris, tem organização e produção de Flávia Santana e Tais Bichara, curadoria de críticas de João Paulo Barreto e Rafael Carvalho, coordenação editorial de Lara Perl e projeto gráfico de Rafa Moo. Todos eles estarão presentes no evento com transmissão ao vivo, mediado por Luiz Joaquim (PE) e ainda com o convidado Marcelo Lyra (SP), ambos da Abraccine, no dia 9 de abril (sexta-feira), às 19h, celebrando esta entrega que, para além da memória de um indivíduo tão notável, desponta como marca de uma geração da cinematografia baiana e nacional.

 

João Carlos Sampaio permanece como um dos principais nomes da crítica de cinema brasileira. Escreveu durante quase 20 anos para o jornal A Tarde, que gentilmente cedeu suas escritas para o livro, e atuou como curador em festivais como Cine PE e Mostra Cinema Conquista. Integrou comissões de seleção e júris oficiais de eventos como o Festival de Cinema de Gramado e Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, além do júri indicativo do filme brasileiro pré-candidato ao Oscar em 2005. Seus escritos revelam vasto repertório prático e subjetivo, com domínio do assunto, enquanto também se encharcam da beleza de um olhar apaixonado pela vida, pela arte e pela humanidade.

 

“Eu nem me preocupo em parecer superlativa ou genérica por dizer que a importância de João é imensurável e impossível de mapear com inteireza. Ele foi uma espécie de gerente de muitas encruzilhadas, unindo pessoas, projetos, cenas e caminhos sempre com muita inteligência e generosidade”, declara a jornalista e produtora cultural Tais Bichara. “João fez pontes entre gerações de realização cinematográfica e crítica, entre produções da Bahia e de outros estados, entre redes de afeto que pareceriam desconexas para qualquer outra pessoa. E é sempre lembrado como um embaixador bem-humorado de coisas caras para ele, em todos os espaços que ocupou, na escrita, na curadoria ou na mesa de bar”, completa ela.

 

Também à frente da organização da publicação, a produtora Flávia Santana conta que já fazia tempo que existia o desejo de realizar o livro em memória a João, “essa pessoa que tanto admiramos e que tanto contribuiu para a crítica e para o cinema brasileiro”. E completa: “No processo de pesquisa e encontro com os arquivos de João, descobrimos que ele também tinha vontade de publicar uma obra com suas reflexões. Então, este lançamento mostrou-se um desejo coletivo. No processo de construção, conseguimos reunir diversos tipos de escritas de João, trazendo seu lado profissional e também a pessoa que está por trás disso: o seu humor, sua generosidade e sua forma bonita e única de lidar com a vida”.

 

A obra contém uma coletânea de críticas com 33 textos – 25 deles foram originalmente publicados no A Tarde e dois, no extinto Bahia Hoje. Há ainda um extraído do livro “Os filmes que sonhamos” (Editora Lume, 2012), outro da Revista Teorema, mais um para catálogo de mostra da Caixa Cultural, outro para o extinto site Viva Viver e dois de seu arquivo pessoal, possivelmente inéditos. A seleção foi feita por uma dupla de curadores formada pelos jornalistas e críticos de cinema João Paulo Barreto e Rafael Carvalho.

 

João Paulo Barreto explica que a proposta do livro, desde o começo do projeto, era que a curadoria pudesse seguir um norte tanto afetivo, em termos de obras de grande valor sentimental para João Carlos, quanto no sentido de ser um registro de sua trajetória como crítico de cinema. “Por isso, a seleção buscou abranger críticas sobre obras que representam momentos marcantes da cinematografia brasileira e mundial, bem como trazem o olhar terno dele no que se refere ao modo como aquelas obras o tocaram pessoalmente”, resume. O parceiro Rafael Carvalho descreve então a coletânea final: “Ela reúne textos que simbolizam as diversas facetas da produção de João Carlos Sampaio – um crítico incansável –, as preocupações e frentes de trabalho que ele tomou para si e que se evidenciam em seu ofício: a paixão pelo cinema brasileiro, o interesse pelos filmes latino-americanos e de outras cinematografias distantes, a reverência aos grandes clássicos, o gosto pelo cinema popular”.

 

Um outro conjunto de escritas, que alcança mais a pessoalidade de João Carlos Sampaio, como suas experiências de infância no interior, suas sensibilidades e a paixão pelo Esporte Clube Vitória, vem de suas intensas publicações no Facebook, de e-mails e de textos que revelam sua poesia intrínseca. Coisas como: “[...] o sentido das coisas depende daquilo a que a gente escolhe dar valor de crença, de peso, de altura, de força, de cheiro e de cor. Tudo seria só ficção e arbitrariedade, que só ganha jeito de existir e de ser pelo jeito de ser e de existir que a gente enxerga e decide, sabe-se lá por quê, acreditar e dar valor”. Ou da primeira vez que assistiu a um filme: “O cinema surgiu para mim como algo sobre bichos perigosos. [...] Quando descobri que era bem mais que isso, já não fazia diferença, estava completamente fascinado”. E ainda na defesa da democracia: “Não importa se o filme é bom ou ruim, mas nunca queira viver dias de censura. [...] é importante estarmos sempre alertas ao menor sinal de que isso volte. Adultos como você, como nós, devemos justamente poder escolher entre ver ou não ver qualquer coisa. [...] é por isso que defendemos até o que não queremos ver”.

 

Completando o conteúdo, estão contribuições da equipe, que descreve capacitadamente a figura de João, uma linha do tempo biográfica e afetiva, além de um belo relato contribuído pelo cineclubista, crítico de cinema, curador e programador Adolfo Gomes. Das imagens, fotos da infância e da vida adulta se somam a registros originais, feitos pela fotógrafa Hury Ahmadi, em viagem a Aratuípe, a “cidade paraíso”, como alçada no livro, pela fundamental presença na existência de Sampaio.

 

Para tornar tudo isto palpável, a editora independente Gris, de Salvador, segue na execução de suas experimentações de narrativas em processos gráficos impressos. Lara Perl, coordenadora editorial, explica: “O livro foi pensado como um diário de viagem que reúne fragmentos da vida e do trabalho de João, mas não é uma biografia. Tentamos construir um objeto especial que pudesse conter diferentes formatos de textos e imagens, apresentando uma sequência narrativa que traz certas quebras e surpresas”, diz ela. “Pensamos também no livro como uma janela que resgata o olhar de João sobre o mundo, a vida e o cinema”, completa Lara.

 

A tiragem é de 500 exemplares, parte distribuída gratuitamente para acervos de cursos de Cinema e Comunicação e cineclubes da Bahia. E não acaba aí: há ainda versão em audiolivro, narrado pelo ator, escritor e locutor Daniel Farias e pela psicóloga e psicanalista Guacira Cavalcante, disponível em www.editoragris.com.br, também onde o livro físico pode ser comprado.

 

O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, Governo Federal.

 

PARA FOTOS DE JOÃO CARLOS SAMPAIO, EQUIPE DO LIVRO E BASTIDORES DA VIAGEM A ARATUÍPE, ACESSE: http://bit.ly/podaestrada

 

Livro

Pó da estrada: Escritos de João Carlos Sampaio

Salvador, 2021 | Editora Gris

240 páginas | Formato 18 x 23 cm | Com versão em audiolivro | R$ 65

Vendas: www.editoragris.com.br

 

Lançamento

Com: Flávia Santana, João Paulo Barreto, Lara Perl, Rafa Moo, Rafael Carvalho e Tais Bichara

Convidado: Marcelo Lyra

Mediação: Luiz Joaquim

Quando: 9 de abril de 2021 (sexta-feira), 19h

Onde: Canal do YouTube da Abraccine no YouTube (www.youtube.com/abraccine)

 

Ficha Técnica

Pó da estrada: Escritos de João Carlos Sampaio

Organização e produção executiva: Tais Bichara e Flávia Santana

Curadoria de críticas: João Paulo Barreto e Rafael Carvalho

Fotografias: Hury Ahmadi

Coordenação editorial: Lara Perl

Edição: Lara Perl e Rafa Moo

Projeto gráfico: Rafa Moo

Autor colaborador: Adolfo Gomes

Revisão: Clarisse Lyra

Digitalização de imagens de arquivo: Patrícia Martins

Locução de audiolivro: Daniel Farias e Guacira Cavalcante

Montagem e mixagem de audiolivro: Napoleão Cunha

Transcrição de críticas e revisão de áudio: Rafael Saraiva

Assessoria Jurídica: Verônica Aquino

Assessoria de imprensa: Marcatexto

Gestão de mídias sociais: Inara Rosas e Vic Zacconi

Realização: Tropicasa Produções, Giro Produções Culturais e Editora Gris

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quinta-feira, 1 de abril de 2021

Entrevista com Bert Jr., autor do livro “Fict-Essays e contos mais leves”


Bert Jr.
, cujo nome de batismo é Colbert Soares Pinto Junior, nasceu em Porto Alegre, em 1962. Formou-se em História, na UFRGS, e logo depois em Diplomacia, no Instituto Rio Branco. Como diplomata já serviu em vários países, foi cônsul-geral e atualmente exerce a função de embaixador.

Aos 18 anos, dois poemas de sua autoria foram premiados em concurso que tinha Mario Quintana e Lya Luft no júri.

Sempre gostou de música, considerando-se um violonista amador intermitente. Mantém perfil nas redes sociais para divulgação de composições musicais e criações literárias. Seu mais recente trabalho é o livro “Fict-Essays e contos mais leves”, lançado em novembro de 2020.

ENTREVISTA:

Conexão Literatura: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

BERT JR.: Comecei a escrever poesia no final da adolescência, cheguei a publicar um livro alternativo aos 19 anos, em conjunto com um amigo. Continuei escrevendo poemas durante algum tempo, porém nunca havia tornado a publicar nada até o ano passado. Para minha surpresa, o que brotou desta feita foi uma obra de ficção.    

Conexão Literatura: Você é autor do livro “Fict-Essays e contos mais leves”. Poderia comentar? 

BERT JR.: “Fict-Essays e contos mais leves” representa minha estreia na ficção. Trata-se de um livro de contos, sete no total, três deles considerados densos porque centrados na viagem intelectual do personagem principal - os quais chamei de “fict-essays”, ou ensaios fictícios -, e outros quatro mais leves. Apesar de muito distintos em termos de enredo e personagens, todos eles têm em comum o fio condutor de tom humorístico, o qual, em minha opinião, é o elemento que confere unidade à obra. É uma leitura que busca divertir, mas que também, creio eu, provoca reflexões sobre temas contemporâneos. 

Conexão Literatura: Como foram as suas pesquisas e quanto tempo levou para concluir seu livro? 

BERT JR.: Os três “fict-essays” se originam de reflexões sobre temas que já vinham sendo objeto de leituras, porque me interessavam. Por isso, não realizei pesquisas específicas aprofundadas. Ainda assim, foi preciso atualizar conceitos e informações sobre os neandertais no contexto da evolução humana, assim como sobre narcisismo e sincronicidade. No caso de “VegaLight”, tive que pesquisar sobre veganismo. Já em “Um tal recital”, utilizei conhecimentos de música adquiridos ao longo de meus estudos de violão clássico. Para escrever o livro, levei pouco mais de dois meses. Foi um processo criativo bastante concentrado e intenso, que foi desencadeado um mês e meio após a pandemia de coronavírus haver sido oficialmente declarada.

Conexão Literatura: Poderia destacar um trecho que você acha especial em seu livro?  

BERT JR.: Há vários trechos que eu poderia destacar. Mencionarei apenas dois, para não extrapolar os limites da entrevista. O primeiro é quando o personagem principal de “Sincronicidades”, o psicossociólogo Dr. Raul Reis, emprega a “escala de Blurying”, concebida para medir o grau de adesão coletiva a mitos formadores do patrimônio simbólico nacional, para avaliar o nível de impacto da derrota catastrófica da seleção de futebol na Copa de 2014 e do desastre ambiental de Mariana, Minas Gerais, ocorrido em 2015, sobre a integridade simbólica da identidade brasileira. O outro trecho está no conto “Quatro teses sobre Deus”, quando o personagem principal, um pastor evangélico, apresenta a terceira tese acerca da personalidade divina. Para ilustrar a ideia de que Deus é bipolar, o pastor afirma não ser mera coincidência o fato de a luz constituir uma metáfora universalmente associada à divindade, pois a luz possui natureza dual, apresentando comportamento corpuscular e de onda eletromagnética, a qual, além disso, descreve trajetória cujo padrão é uma sucessão de picos e depressões. Portanto, a metáfora representaria, no fundo, o caráter bipolar da personalidade divina.

Conexão Literatura: Como o leitor interessado deverá proceder para adquirir o seu livro e saber um pouco mais sobre você e o seu trabalho literário? 

BERT JR.: O livro está disponível tanto em formato impresso quanto digital. Pode ser adquirido nos sites das maiores livrarias do país (Cultura, Travessa, Loyola, Saraiva, Fnac, Leitura) e também nos principais sites de venda de livros, tais como Amazon e Submarino, entre outros.

Conexão Literatura: Existem novos projetos em pauta? 

BERT JR.: Sim. Já comecei a preparar outro livro de contos. É possível que alguns dos personagens de “Fict-Essays” reapareçam, agora em novas situações. Além disso, tenho um livro de poesia pronto para ser publicado. Deverá ser uma seleção de cerca de trinta poemas, de diferentes fases criativas. Por fim, um de meus poemas, “Silogismo Poético”, foi incluído na V Antologia de Poesia Brasileira Contemporânea, que está sendo lançada pela editora Chiado Books.

Perguntas rápidas:

Um livro: Crime e Castigo

Um (a) autor (a): João Guimarães Rosa 

Um ator ou atriz: Jodie Foster

Um filme: Blade Runner

Um dia especial: Hoje

Conexão Literatura: Deseja encerrar com mais algum comentário? 

BERT JR.: Tenho a impressão de que o humor anda ausente da cena literária atual, e, no entanto, trata-se de um dos nossos traços culturais mais importantes, um dos cimentos da identidade brasileira. Sem ele, dificilmente teríamos permanecido unidos como povo, irmanados numa só nação. Sem a graça que nos é inerente, seguramente sucumbiríamos às tantas mazelas e crises que teimam em nos acometer ao longo da história. A meu ver, seria aconselhável não deixar de cultivá-lo a título de vacina contra toda sorte de obtusidades e fundamentalismos, tanto presentes quanto futuros. 

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