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quarta-feira, 22 de abril de 2020

Oficina Jovem Escritor - Apostila Gratuita Para Download


Esta apostila tem como objetivo apresentar as técnicas e as principais ferramentas aos que pretendem ingressar no meio literário como escritor ou apenas conhecer e ter o material como base de estudo. Ler e escrever é conhecer novos horizontes e novos mundos povoados de seres fantásticos. O hábito da leitura e da escrita desenvolve a criatividade e curiosidade, pois o bom leitor e escritor é atento aos acontecimentos globais, desde os mais simples aos mais evoluídos, como política, religião, história, moda, ciência, etc.
Este material servirá como base ao trabalho inicial do jovem escritor para o mundo da escrita. Praticar, pesquisar e ler constantemente irá aprimorar ainda mais o talento de cada um.
Então aproveite e explore ao máximo esta apostila. Use a internet e pesquise a biografia de escritores conhecidos e saiba que a maioria deles passaram por vários obstáculos até alcançar a fama. Tenha como meta um objetivo e lute sempre por ele.

Ademir Pascale – Escritor e Editor

BAIXE A APOSTILA GRATUITAMENTE: CLIQUE AQUI.

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segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Severino Rodrigues e o livro 88 histórias: contos e minicontos, por Sérgio Simka e Cida Simka

Severino Rodrigues - Foto divulgação
Fale-nos sobre você.

Sou pernambucano, professor de Língua Portuguesa no Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) e autor de livros juvenis. Lancei meu primeiro livro em 2013, a novela policial Sequestro em Urbana (Cortez Editora), que teve uma excelente recepção dos leitores e das escolas. Desde então, não parei mais. Agora já são seis livros publicados e com muitos projetos pela frente.

ENTREVISTA:

Você é mestre em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Fale-nos sobre sua pesquisa.


No mestrado, desenvolvi uma pesquisa na área da Análise do Discurso, pesquisando sobre o discurso ecológico. Foi uma forma de unir duas grandes paixões minhas: as letras e a ecologia. Quando estava no finzinho do ensino médio, queria muito fazer algum curso na área, mas, infelizmente, tive que optar e Letras ganhou. Mas sempre que posso volto a esse mundo. Inclusive, já escrevi dois livros juvenis em que trato das questões ecológicas Mistério em Verdejantes (Cortez Editora) e A fera dos mares (Editora do Brasil). A fera dos mares, inclusive, ficou em 1º lugar na Categoria Juvenil do Concurso Internacional de Literatura 2018 promovido pela União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro (UBE-RJ).

Fale-nos sobre o livro 88 histórias: contos e minicontos.

88 Histórias é nova faceta do meu trabalho. Saí das narrativas longas e adentrei de cabeça nas histórias curtas. Na realidade, sempre escrevi contos. Além de ser um exercício de escrita fascinante, permite explorar nossa capacidade de síntese e impacto. Tudo começou com um desafio no Facebook, em que eu publicava um miniconto por dia a partir de uma palavra sorteada aleatoriamente por um grupo literário de que participava. A princípio, não pensava em reuni-los para publicar no formato livro, mas a repercussão foi tão bacana que logo surgiu a proposta do Amir, da Cortez Editora, de reunir o material e lançar. Além dos minicontos, inseri alguns contos maiores. Considero 88 Histórias um dos meus melhores trabalhos. Lá o leitor encontrará histórias sobre a infância, amor, sonhos, alegrias, frustrações, releituras de contos de fadas e de clássicos da literatura... Dezenas de narrativas para todos os gostos e todas as idades.

Como o leitor interessado pode conhecer melhor a sua atividade de escritor?

Fiz um site (www.severinorodrigues.com) e sou bastante acessível pelas redes sociais, principalmente pelo Instagram (www.instagram.com/serodrigues.08) e pelo Facebook (www.facebook.com/serodrigues.08). Meus livros estão também disponíveis em livrarias físicas e virtuais (Amazon, Varejão do Estudante, Livraria Cultura, Saraiva...) e nada melhor que conhecer um autor lendo sua obra. Ah, caso algum professor deseje adotar meus livros para trabalhar com seus alunos em sala de aula, é só procurar o representante regional da Editora Cortez e da Editora do Brasil. Eles sempre dão o maior suporte e atenção. 


*Sérgio Simka é professor universitário desde 1999. Autor de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a coleção Mistério, publicada pela Editora Uirapuru. Membro do Conselho Editorial da Editora Pumpkin e integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.

Cida Simka é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak, 2014) e autora dos livros O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak, 2016), O enigma da velha casa (Uirapuru, 2016) e “Nóis sabe português” (Wak, 2017). Integrante do Núcleo de Escritores do Grande ABC.
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terça-feira, 28 de agosto de 2018

Habitats, por Márcio Almeida


Marisa tinha uma senhora mansão, um carro importado, um jardim de inverno, sala acústica com uma parafernália de dar inveja em DJ, dois telefones fixos, dois celulares, piano de cauda, bar com todas as bebidas, joalheria doméstica, closet-boutique, diamantes raros, cofre abarrotado de dólares e euros, um marido de ouro que nunca parava em casa, e aquela dúvida atroz: o que fazer para uma pessoa jantar sozinha à luz de velas?

(textos do livro Estranhos muito íntimos – Editora Multifoco, Rio de Janeiro, 2010).



MÁRCIO ALMEIDA nasceu em Oliveira, MG em 1947. É formado em Letras, com curso de mestrado, pós-graduado também em Ciências da Religião. Autor de diversas publicações de poesia, conto, literatura infanto-juvenil e teoria literária; detentor de dezenas de prêmios nacionais com o "Emílio Moura", "Cidade de Belo Horizonte"; Crítico colaborador, desde a década de 60, de vários jornais e revistas como o SLMG e a Germina; poeta visual com exposições em vários países da mostra intitulada "DidEYEtica - uma gramática do olho"; autor do "poemiseta", coleção de poemas serigrafados em camiseta, na década de 80; traduzido em espanhol, inglês, francês; tem livro-tese sobre o miniconto, no qual defende o pioneirismo do grupo de autores de Guaxupé. Almeida colaborou com a revista "Cronópios", editada pelo Pipol, onde publicou muitos artigos críticos, livros e registros culturais.
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sexta-feira, 20 de julho de 2018

Livro apresenta minicontos provocativos que flertam com referências literárias e históricas


Moema Vilela e A dupla vida de Dadá

A Dupla Vida de Dadá é uma coletânea de histórias, que se desenvolvem em universos ficcionais variados. O livro se enquadra numa proposta de literatura minimalista, com minicontos permeados por muitas intertextualidades, dialogando com diferentes referências literárias e históricas – como as Dadás do conto que dá título ao volume, uma referência à baronesa Elsa von Freytag-Loringhoven e à cangaceira Sérgia Ribeiro da Silva, única mulher a usar fuzil no bando de Lampião.

“Acho que um barato da ficção breve é enxergar um universo ficcional em cada esquina. ‘Era uma vez o mundo’, diz Oswald sobre a crônica, mas poderia ser também sobre a minificção – algumas delas. A dupla vida de Dadá nasceu justamente dessa admiração pelas formas breves e suas qualidades variadas, múltiplas”, diz a autora.

Dividido em três partes, A dupla vida de Dadá traz em sua primeira subdivisão minicontos mais comportados e sintéticos, em que a história costuma ser o centro das atenções. Na segunda, mais variada no tom, muitas minificções abordam o tema da perspectiva. A terceira parte flerta mais com a experimentação na formal e com diferentes formas breves conhecidas.

A escritora Natalia Borges Polesso, no texto que compõe a orelha do livro, destaca a força das micronarrativas: “Moema Vilela apresenta uma coleção fascinante de formas breves e brevíssimas, trabalhadas com a amplitude e o apreço de quem conhece o ofício da escrita. A dupla vida de Dadá, além de nos atiçar a pontinha encoberta da curiosidade, diz muito sobre a elaboração das histórias. Intensas, essas pequenas narrativas nos dão a oportunidade da não indiferença frente à literatura. Deixe a lógica escapar da letra, deixe a perspectiva escapar das construções estanques, deixe a grandessíssima literatura emergir do mínimo. Para isso, é preciso conectar com o mundo e seus menores eventos”.

De fato, a literatura minimalista – ou minificção, como preferem alguns – tem esse poder de fisgar imediatamente o leitor e deixá-lo impactado em poucas linhas.  Um gênero que revela um grande espaço para a criação, a experimentação e o inusitado na literatura contemporânea; que possui, sobretudo, essa habilidade cirúrgica para cavoucar tesouros de linguagem escondidos no solo tão repisado das tradições literárias.
A dupla vida de Dadá se insere nessa perspectiva.

Próximos lançamentos:
Em Campo Grande: 21 de julho, às 19h, no Sesc Cultura, em Campo Grande (Afonso Pena, 2270).
Em Porto Alegre: 11 de agosto, às 18h30, na Livraria Baleia / Aldeia (rua Santana, 252).

Moema Vilela - Foto divulgação
SOBRE O AUTOR
Moema Vilela é escritora e jornalista, doutora em Letras e professora nos cursos de Letras e de Escrita Criativa na PUCRS. Autora de A Dupla vida de Dadá (Penalux, 2018), Ter saudade era bom (Dublinense, 2014), finalista do Açorianos de Literatura, de Guernica (Udumbara, 2017) e Quis dizer (Udumbara, 2017). Publicou contos, poesias, artigos e ensaios em revistas literárias brasileiras e em diversas antologias. Graduada em Jornalismo (UFMS), mestre em Linguística e Semiótica (UFMS) e em Escrita Criativa (PUCRS).

SERVIÇO
Título: A dupla vida de Dadá, minicontos
Autor: Moema Vilela
Publicação: 2018
Tamanho: 14x21
Páginas: 72 p (pólen bold 90 gr.)
Preço: R$ 35
Disponível em:
http://editorapenalux.com.br/loja/a-dupla-vida-de-dada
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quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Memorial para o Miniconto

Francisca Vilas Boas representa hoje os quatro escritores
Há concordâncias e controvérsias em relação ao Miniconto no Brasil. De fato, a minificção no país é um gênero importado. Grandes escritores, de vários países, adotaram esta linguagem dinâmica. Os mínis refletem estilos literários e os tempos modernos. O desafio é escrever o máximo no mínimo espaço. Ser minimalista. O tamanho de um míni, incluindo o unifrásico, facilita a leitura, a análise e a publicação. As controvérsias se dão principalmente em torno do pioneirismo e da difusão do gênero.
Aqui, a essência da informação é um memorial do Miniconto no Sul de Minas Gerais. Assim, optou-se por um pesquisador que se concentrou nessa região e apresenta um expressivo material documental.
No livro A Minificção no Brasil, em Defesa dos Fracos & dos Comprimidos (Ed. Clube dos Autores, 2010), o jornalista e mestre em Literatura Márcio Almeida analisou obras de 30 escritores minicontistas, em diferentes períodos. Lançado em 2012, Pioneiros do Miniconto no Brasil – Resgate Histórico-Literário, do mesmo autor, se restringiu a quatro autores. 
O pesquisador Márcio defende que o gênero literário nasceu em Guaxupé, Sul de Minas, nos anos 1960, por quatro escritores: Elias José, Francisca Vilas Boas, Sebastião Rezende e Marco Antônio Oliveira. Em 1968, os quatro tiveram textos divulgados em várias publicações, como o Poleiro de Urus, em 1968, e, no ano seguinte, no Cadernos 20, ambos produzidos pelo Diretório Acadêmico da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Guaxupé, Fafig, que promoveu o 1º Concurso Nacional de Minicontos: Texto e Fala, em 1971.
A revista Mensagem e o jornal O Coruja foram outros canais divulgadores. O Suplemento Literário de Minas Gerais se destaca. Com apoio do jornalista e escritor Murilo Rubião, o SLMG dedicou uma página a Elias José (junho de 1970), difundiu dois mínis, “Os pássaros” e “As Imagens” (abril e setembro de 1971).
Com a publicação de pelo menos cinco livros, a Imprensa Oficial de Belo Horizonte também contribuiu para promover contos e minicontos. Francisca Vilas Boas foi contemplada com a publicação de O Sabor do Humano (1971) e Roteiro de Sustos (1972). Elias José teve três livros publicados por este órgão: A Mal Amada (1970), O Tempo, Camila (1971) e A Inquieta Viagem ao fundo do Poço (1974, prêmio Jabuti). Todos alcançaram repercussão nacional. No lançamento do primeiro livro de Elias, o crítico literário Wilson Martins escreveu um longo artigo no Suplemento Literário de O Estado de S. Paulo (18.03.71). Na mesma época, a crítica Laís Corrêa de Araújo, registrou opinião favorável na seção Roda Gigante do jornal Estado de Minas. Curiosamente, nenhum dos registros acima e nem os quatro autores mineiros constam na pesquisa de alguns estudiosos do gênero. Por sua vez, o registro documental de Márcio Almeida vai de encontro, e não ao encontro, de certos pesquisadores. Enquanto a maioria dos estudiosos busca um ou mais autores precursores da minificção, em diferentes épocas e estilos, Guaxupé teve quatro representantes. Foi praticamente um “movimento literário” independente, sem o compromisso de seguir ou implantar uma teoria específica.

Memórias preservadas

Atualmente, a Fundação Cultural Guaxupé desenvolve o projeto “Tudo começa pela Cultura”, em parceria com a Amog: Associação dos Municípios da Microrregião da Baixa Mogiana, que engloba 15 municípios.  Em novembro de 2016, apoiadores do projeto viajaram para Belo Horizonte a fim de promover parte da cultura sulmineira e visitar potenciais turísticos na capital mineira. 
Uma exposição de produtos típicos do Sul do estado aconteceu no Museu Mineiro de Belo Horizonte, que também cedeu espaço para o Sarau Literário Guaxupé. Integrantes da Secretaria Estadual de Cultura e outros participantes ouviram relatos da escritora convidada Francisca Vilas Boas, a única representante do grupo de pioneiros. Ela falou sobre a importância da leitura e o surgimento do Miniconto. Surgiu então a ideia de criar um memorial para preservar e divulgar as raízes histórico-literárias da época.
Em setembro de 2017, Guaxupé sediou a 22ª. reunião do Conselho Estadual de Política Cultural, Consec-MG, com a presença dos dois secretários estaduais de Cultura, Ângelo Oswaldo e o adjunto João Batista Miguel. Na ocasião, foi oficialmente lançado o projeto Memorial do Miniconto pelo presidente da Casa da Cultura Antônio Severo da Silva. Ainda não está definido onde, quando e como será viabilizado.
Com o memorial, as minificções publicadas pelos quatro pioneiros poderão se tornar patrimônio material e imaterial de Guaxupé. É uma identidade cultural singular do município. Um diferencial na região e em Minas Gerais, reforçado pelo histórico literário da cidade. Em média, 40 escritores locais têm livros publicados: literatura, pesquisas e temas diversos. Somente Elias José superou 120 livros editados. Mais de uma centena são obras infantis e juvenis.
Um memorial do Miniconto não exclui a criação de outros memoriais pelo país, com direcionamentos diferentes. Seriam todos complementares. Há concordância de que Dalton Trevisan é um dos grandes responsáveis pela inovação e popularização da literatura e do miniconto no Brasil. As controvérsias recaem na busca por precursores. Ao analisar livros e autores com textos telegráficos, o biscoito fino Oswald de Andrade “poderia ter escrito” um miniconto, alegam. Outros autores também poderiam, mas não o fizeram, como Machado de Assis (séc. XIX) e sua mininarrativa em alguns capítulos do romance Memória Póstumas de Brás Cubas. Guimarães Rosa, com os contos curtos de Tutaméia, também poderia, argumentam.
Para encerrar uma controvérsia sem perspectiva de harmonia, a primeira sugestão é mostrar espanto diante de certas afirmações: “Ah, é?” (título de um miniconto de Trevisan). Na sequência, peça documentos. 

Sílvio Reis, jornalista 
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terça-feira, 15 de agosto de 2017

De Portugal, a ficção minimalista de Luís Ene

Luís Ene
Há relações entre as literaturas produzidas no Brasil e em Portugal que ultrapassam a mera questão do idioma em comum. Tanto lá é lida a literatura que aqui se produz quanto cá se lê o que também lá é produzido: não nos faltam exemplos de autores cujos livros cruzaram o oceano para ganharem a estima dos leitores brasileiros e portugueses – dos mais clássicos, como Machado de Assis e Eça de Queiroz, aos mais contemporâneos, como Valter Hugo Mãe e Tatiana Salem Levy. Evidentemente há muita distância e preconceitos a serem vencidos. É preciso ampliar muito mais esse intercâmbio literário. Há muitos autores, tanto de lá quanto de cá, para serem descobertos e compartilhados entre os leitores.
Buscando apresentar mais um pouco da literatura portuguesa contemporânea, a Editora Penalux traz ao país a publicação de um autor ainda não conhecido pelos leitores brasileiros: o escritor Luís Nogueira.
Luís Ene (é assim que ele assina seus livros) chega ao Brasil por meio de seu livro Às vezes acontece-me esquecer quem sou, uma coletânea de minicontos mordazes e filosóficos, pela qual pretende o autor divertir e inquietar o leitor, colocando-o perante questões existenciais extremas. O livro evolui em torno de quatro temas essenciais nunca anunciados, mas que são retomados em cada uma das suas partes. A saber: 1) o ser, 2) o amor, 3) a escrita/leitura (e o livro) e 4) as transformações/metamorfoses.  

Dizer muito em poucas palavras
O autor, que vem de uma trajetória literária construída sobre essa vertente minimalista, costuma afirmar: “Nada é simples quando se trata de palavras. Quando se trata de palavras até a palavra simples é complicada”.
No texto que completa uma das orelhas do livro, encontramos análise sobre sua produção literária: “Profundidade no estilo, profundidade na execução, profundidade no resultado. E tudo se aparentando afinal de fácil factura. É esta outra lição que nos dá a escrita de Luís: não há palavras pobres, não há palavras banais. Todas as palavras são enormes, pujantes de significação e sentido plúrimo. As acepções nascem, profundas, das palavras que parecem pertencer ao lado pobre da escrita. E com elas, bordadas no talento do autor, se constrói uma grande obra. Sobre tudo paira, como um deus, a concisão. Já o disse e volto a repetir: Luís Ene é um mestre da escrita minimalista (por Fernando Cabrita)”.
O livro, que reúne 129 minicontos, sai sob a chancela do Microlux (Editora Penalux), selo destinado ao gênero minimalista, que contempla as micronarrativas, como os exemplos abaixo que foram extraídos da obra:   

“24 | Deu um passo à frente e, para seu espanto, logo se seguiram dois atrás. Tentou ainda muitas vezes, mas o resultado foi sempre o mesmo. Na verdade, estava cada vez mais longe de onde queria chegar. Foi então que decidiu virar costas ao problema, e seguir em frente sem hesitar.”

26 | Somos o que pensamos ser, assim pensou ele, e passou a partir daí a ser o que pensava. Mas ninguém deu por isso, e achavam que ele estava cada vez mais na mesma, o que não deixava de ser verdade, embora não fosse bem assim, pois se somos o que pensamos ser, também não podemos deixar de ser o que os outros pensam que somos.

Porque queria parecer mais magro, certo homem passou a andar na companhia de gordos. E porque queria parecer mais inteligente, passou a andar na companhia de idiotas. Verdade seja dita as coisas não lhe correram bem: os gordos achavam-no idiota, e os idiotas achavam-no gordo.

Um homem resolveu perguntar a si mesmo o que tinha, e as respostas foram deveras surpreendentes: não tinha ideias, não tinha vontade e não tinha amor por ninguém. Percebeu que tinha pouco, muito pouco, essa era a verdade, mas, apesar disso, descobriu que podia pensar muito, querer muito e amar muito. Acreditou então que quanto menos tivesse, mais poderia ser.

Sobre o autor
Luís Ene reside atualmente em Faro (Portugal), onde passou grande parte da sua infância e adolescência. Em 2002, foi vencedor da 1ª edição do concurso Novos Talentos com o romance A Justa Medida, publicado pela Porto Editora. No mesmo ano criou o blog Mil e Uma Pequenas Histórias, fazendo em simultâneo a sua entrada no mundo dos blogs e na arte da micronarrativa. Foi fundador e coeditor da Minguante, revista online de micronarrativas. Participou na criação de grupos de escritores no Algarve e em vários eventos de dinamização literária como o festival Poesia e Companhia, realizado em Faro em 2014. Tem lido os seus textos em público, acompanhado muitas vezes de músicos, sendo o seu projeto mais recente “A língua no ouvido”.
“Às vezes acontece-me esquecer quem sou” é sua primeira publicação no Brasil.

Ficha técnica:
Título: Às vezes acontece-me esquecer quem sou
Autor: Luís Ene
Publicação: 2017
Tamanho: 14x21
Páginas: 90
Preço: R$ 35
Link para compra:
https://www.editorapenalux.com.br/loja/product_info.php?products_id=611


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