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quarta-feira, 17 de março de 2021

7 frases impactantes de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa - Foto divulgação
Fernando Pessoa foi um poeta, dramaturgo, filósofo, ensaísta, tradutor, publicitário, inventor, empresário, astrólogo, correspondente comercial, crítico literário e comentarista político português. Pessoa é o mais universal poeta português.

1 - A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo.
Fernando Pessoa

2 - Para viajar basta existir.
Fernando Pessoa

3 - O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
Fernando Pessoa

4 - Tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Fernando Pessoa

5 - Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.
Fernando Pessoa

6 - Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens.
Fernando Pessoa

7 - A arte é a auto-expressão lutando para ser absoluta.
Fernando Pessoa
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terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Evill Rebouças lança livro em português e francês na SP Escola de Teatro no dia 7 de dezembro


Evill Rebouças, dramaturgo que ao longo da sua trajetória recebeu várias indicações e prêmios, entre eles, o APCA e o Shell, lança o livro Como plumas ao vento - Comme des plumes au vent, publicação em português e francês no mesmo exemplar, e que aborda o lugar de (não) pertencimento em relação a refugiados. O evento acontece no dia 7 de dezembro, sábado, na SP Escola de Teatro, às 18 horas.

A peça de teatro ora publicada no livro foi criada a partir de duas experiências de pesquisas do dramaturgo. A primeira delas ocorreu, em 2016, quando Evill Rebouças recebeu convite para escrever uma peça de teatro na sede da companhia francesa Nie Wiem - um galpão fabril em Chateauvillain, a duas horas de Paris. O desafio foi agregar as experiências anteriores do dramaturgo no espaço não convencional às arquiteturas do galpão industrial e seus arredores, tendo como ponto de partida o olhar dos franceses sobre os refugiados.

A segunda pesquisa ocorreu, em 2018, quando o dramaturgo recebeu o Prêmio ProAc Editais - Texto de Dramaturgia.  Foi mantido o mesmo referencial de pesquisa, ou seja, os refugiados, porém surge um novo texto a partir das experiências contadas por congoleses, sírios, haitianos e venezuelanos no Brasil. Assim, a peça mostra acontecimentos que estão interligados por olhares e culturas diferentes e complementares, mas tendo o refugiado como centro de investigação.

Serviço

Lançamento / noite de autógrafos:
Como plumas ao vento - Comme des plumes au vent
Autor: Evill Rebouças / Editora: independente
Dia 7 de dezembro. Sábado, das 18 às 21h
SP Escola de Teatro (Saguão)
Praça Franklin Roosevelt, 210 - Consolação
Valor do livro: R$ 25,00 (cartão crédito e débito)
Contatos autor: (11) 94126 7714 – evillreboucas@yahoo.com.br

Relato sobre o processo de criação (por Evill Rebouças)

O processo de criação de Como plumas ao vento está intrinsecamente ligado à escrita e pesquisa de Sonhos & Songes, peça criada para a Compagnie Nie Wiem, coletivo com sede em Châteauvillain, cidade na região de Chamoagne-Ardenne, na França. 

Escrevi Sonhos & Songes em 2016, tendo como partida o olhar dos franceses sobre esses sujeitos que chegam à sua pátria. Havia também a minha percepção diante da experiência que vivia ali com os integrantes da Nie Wiem, pois não dominava a língua francesa e em muitos momentos eu só conseguia me comunicar porque estava à mercê de um tradutor. Foram quase dois meses de intenso processo de criação na sede da Nie Wiem, um antigo galpão fabril que recebe o nome de Centro Cultural Simone – Camp d´Entrainement Artistique. Inicialmente o nome do centro cultural me intrigava, mas foi só andar um pouco mais por Châteuvillain para ver inúmeras referências a Simone de Beauvoir – ela e Sartre tinham casa de veraneio na cidade e até hoje o imóvel se encontra conservado.

Importante detalhar um pouco mais esse primeiro processo de criação, uma vez que boa parte das experiências que vivi também está em Como plumas ao vento. Inicialmente, tínhamos apenas alguns disparos temáticos: o estrangeiro, o refugiado, o nômade, o viajante, o infortunado, aquele que acolhe, aquele que expulsa... Disparos, apenas. Sem norte certo, ou melhor, com infinitas possibilidades de rotas. Como um mar aberto. O que me cabe enquanto dramaturgo nesse mar de possibilidades? Como criar poéticas e discursos ao trabalhar com culturas, línguas, poéticas e formações artísticas tão diferentes? Resolvo devorar a pluralidade do encontro. Sem me preocupar se a dramaturgia teria discurso aberto/esgarçado/explodido ou se criaria tessituras com malhas mais fechadas (ainda que a estrutura fechada não seja bem a minha “praia” ideológica).

Nesse processo criativo em que as dramaturgias vão se estabelecendo por meio de um coletivo, há um pedaço de cada um. Um dia Bénédicte Lavocat – atriz, moradora de Châteauvillain dispara em nossa roda de discussão: “Los otros pueden venir em mi casa, pero no estan benvenidos em mi pais” (Os outros podem vir na minha casa, mas não são bem-vindos em meu país). Toca-me profundamente o incômodo dela. Intuo. Coloco-me no lugar. Fico matutando.

Outros pedaços me chegam. Histórias de moradores de Châteauvillain com diferentes formações e histórias: uma museóloga que, além de administrar um museu local, conhece intimamente as histórias dos moradores da cidade; uma especialista em geleias de cereja fabricadas com as frutas de seu quintal; uma ex-prefeita que também atuou em espetáculos teatrais; um vaqueiro que alimenta seus animais com produtos orgânicos; e uma senhorinha que mora em uma pousada municipal e acolhe, geralmente, peregrinos que estão indo em direção ao Caminho de Santiago de Compostela. Seu nome: Madame Clément. Oitenta e nove anos de encontros e abandonos, oitenta e nove anos de uma história que parece gritar: “Sou estrangeira de mim mesma”. Essas são as histórias que me atravessaram e me levaram para além dos temas inicialmente pensados.

Inúmeras histórias escutadas nas entrevistas e muitos materiais cênicos que não foram incluídos em Sonhos & Songes permanecem vivos. Em convivência com esses “pedaços” vivos me deparo, rotineiramente, com a realidade dos refugiados em meu país. Nas ruas, as sonoridades de idiomas estrangeiros passam a habitar nossos ouvidos: são muitos congoleses, haitianos, sírios, venezuelanos... Quais as diferenças e os aspectos em comum entre brasileiros e franceses no tratamento dado aos refugiados?  Como unir França e Brasil em uma nova peça sobre refugiados, sem, necessariamente, localizar ou universalizar demasiadamente as características de cada cultura? Foi a partir dessas inquietações que, em 2018, proponho para a Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, via Programa ProAc Edital de Dramaturgia, a escrita de Como plumas ao vento. O projeto foi contemplado. Vieram os desafios. Se em Sonhos & Songes a escrita ocorre a partir do olhar de quem recebe ou acolhe o refugiado, em Como plumas ao vento a ideia é ouvir aqueles que chegam a uma pátria que não é a sua.

Não foi difícil encontrar histórias dilacerantes aqui em meu país. Haitianos que perderam seus familiares, suas casas, suas plantações de subsistências... advindos de um país devastado onde o Estado oferece basicamente água, onde não há iluminação pública, coleta de lixo, gás, escolas ou hospitais públicos – isso em decorrência do terremoto ocorrido em 2010. Situação idêntica vivem os congoleses, pois os serviços públicos praticamente inexistem no Congo em função das inúmeras guerras civis ocorridas em pouco mais de cinquenta anos de independência. Não diferentes são os relatos dos sírios, mas com um diferencial: a guerra pode ter matado e expulsado seus parentes, mas seus hábitos culturais permanecem vivos.

De todos os entrevistados, os relatos mais contundentes são os dos venezuelanos. São muitos pais e mães que deixaram suas casas e seus filhos sob o cuidado de parentes para trabalharem no Brasil e enviarem dinheiro para seus familiares. Um venezuelano muito jovem me disse que veio para o Brasil porque sua mulher foi diagnosticada com gravidez de risco e em seu país não havia hospitais públicos para acolhê-la. O mesmo me contou que ele e ela ficaram dois meses se alimentado de restos de comidas jogadas no lixo, já que ele não conseguia arrumar uma colocação de trabalho no Brasil. Outro venezuelano, dessa vez um senhor de quase sessenta anos de idade, motorista de caminhão, abandonou sua família e seu lar para trabalhar em qualquer atividade. Vender a casa e trazer a família para o Brasil é algo impensável, uma vez que aqui ele jamais conseguirá comprar um barraco de madeira com o dinheiro da venda de sua casa.

São muitos e muitas, de todas as idades, sem famílias, sem empregos, sem residências fixas, em busca de alguma colocação em um país que, infelizmente, vive um momento de extrema vulnerabilidade social, econômica e com políticas humanísticas inexistentes por parte do atual governo. Histórias difíceis, histórias parecidas. Como ultrapassar essas repetições e revelar outras humanidades? Elejo, então, imagens que possam transpor, de modo poético, a ideia de não pertencimento, de não lugar – um infindável estado de travessia, estejam os refugiados em solo pátrio ou não.  No entanto, em Como plumas ao vento, há também situações que remetem ao cômico, ao nonsense. Elas foram inspiradas em relatos que, vez ou outra provocavam riso: “No Congo eu tive namorada, aqui é difícil namorar. As brasileiras se acham!”.

Ao final desses dois processos de criação percebo que os oceanos são apenas detalhes enquanto fronteira entre Brasil e Congo, e Haiti, e Síria, e Venezuela, e França... As fronteiras podem ser rompidas, desde que haja disponibilidade para entrelaces...   Nesse entrelace de histórias e experiências vividas na França e no Brasil, aprendi muita, muita coisa...  Ah! Aprendi também que na língua francesa não é habitual o sujeito ser oculto. Presentes! Todos presentes nessa escrita! Que os refugiados, tão presentes na atual realidade em que vivemos, também possam ser figuras presentes em nossas vidas.

Apresentação do livro (por Alexandre Mate)

Evill Rebouças (um grande querido) tem sua vida dedicada ao teatro: como ator, diretor, autor, pensador... As participações em teatro, antes de nosso contato no Instituto de Artes da Unesp (onde estudou e formou-se mestre e licenciou-se em Artes Cênicas), não conheci. Entretanto, sua produção dramatúrgica – desde as primeiras obras criadas – me foi sendo apresentada pelos anos que se seguiram... Assim, por intermédio de diversas paletas temáticas experimentadas, do ponto de vista da forma, suas criações são épicas. De fábulas mais tradicionais às narrativas mais ligadas aos experimentalismos contemporâneos, o chão histórico de suas obras é apreensível e funciona como um lócus no qual todos os tipos de maus tratos são denunciados. Em suas obras, e pelos mais diversos vieses, Evill “elegeu” representar pessoas – sem possibilidades de escolha – à margem, em seus processos de andanças diaspóricas pelo mundo. Gente sem lugar!

Como Plumas ao Vento (2019) caracteriza-se em um texto que, desde seu título, pode ser lido/interpretado de diferentes formas. O como, na condição de advérbio ou conjunção, pode designar ao “modo de”, no caso específico: à semelhança de/das plumas (cuja forma concentra beleza formal, perfeição, leveza etc.) que, arrancadas de uma pele/organismo original, são levadas, descontroladamente, pela sagacidade e volubilidade dos ventos. O como do título pode ser tomado, também, na condição de verbo: declinado no presente, na primeira pessoa do singular, a indicar a ação de comer... Inúmeras metáforas podem decorrer de, pelo menos, esta dupla interpretação/interpenetração... A partir daí (do título que, na condição de isca, deixa algo pendente), a dramaturgia se inicia com uma pergunta/ indagação: O que me separa do outro? Mesmo sem ter a pretensão de responder a tal questão, a obra leva, em proposição processional, a inúmeros ambientes heterotópicos em situações distópicas... Gente sem lugar!

Em tese, a obra atravessa e é atravessada por lugares (in)determinados. Do ar ao mar; do de dentro ao de fora, inexplicavelmente; do presente ao sem futuro (porque o passado não mais pode plasmar o agora e o vindouro)... figuras interditadas de si, pis(ote)adas, trapeiras e em coro (porque não seria apropriado usar aqui o conceito de personagem), não podem mais nada: nem o para trás, nem o agora, nem o vindouro, em razão de estes não mais existirem, senão na condição de linguagem, cujo idioma não tem mais rizoma. Portanto, em estado de sufocamento, os esboços de gente, brasileira, venezuelana, síria, haitiana, de todas as Áfricas, châteauvillaines... não tem traduzibilidade.

O conteúdo da obra é híbrido e repleto de escamas. As cenas, construídas a partir de plumas/penas – volúveis, como já citado –, referem-se tanto a travesseiros como a punições e fazem alusão a sufocamentos (in)compreensíveis.  As paisagens abrigam e são atravessadas por imagens e ausências da História e de histórias. Estados, com detentores de poder – e seus fiéis capangas-camareiros, e como algo a preparar imensas porções de quantidades daquilo que não-mais-nunca couberam, e, por isso, repleto por conjuntos de metáforas absurdas, fúrias (in)controláveis. Gente escafandra, que constrói travesseiros, mas que neles não pode descansar.

Espetáculo ambientado em uma desumanizada republiqueta de galinhas, repleta de pilhas de travesseiros... Espetáculo de dramaturgia atordoante! Dramaturgia que, apesar dos travesseiros, não promove o sonho, mas o pesadelo: acre e insuportável! Espetáculo-rito que não responde àquilo que me separa/aparta do outro, nem, tampouco, àquilo que me separa e me aparta de mim... mesmo. Dramaturgia que expressa tempos obscuros e fasciscizantes. Dramaturgia em tempos de que falar em árvores é quase um crime, pois implica no silenciamento de tantas coisas, conforme vaticinou Brecht. Espetáculo em tempos, como escreveu Vinícius de Moraes, de “[...] águias acorrentadas pelos pés”. Espetáculo de “[...] tempos de homens partidos”, como escreveu Drummond. Espetáculo de tempos em que não se sabe, como escreveu Cecília Meireles, “[...] em que espelho ficou perdida minha face!?” 

Alexandre Mate é professor da graduação e pós-graduação do Instituto de Artes da Unesp – Universidade Estadual Paulista. Pesquisador teatral, autor de textos e livros sobre teatro.

Foto de Evill Rebouças: by Giovanna Gelan
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domingo, 19 de agosto de 2018

Rosa Beloto e o livro O uso da vírgula não é um bicho-de-sete-cabeças, por Sérgio Simka e Cida Simka

Rosa Beloto - Foto divulgação
Fale-nos sobre você  
 
Sou a professora Rosa Beloto, tenho mais de 40 anos em Educação, atuando como docente em escolas de educação básica e em cursos de graduação e de pós-graduação no ensino superior, como coordenadora de cursos de graduação e de pós-graduação em Letras, como diretora do Colégio Teresa Martin, como diretora acadêmica das Faculdades Teresa Martin, da Faculdade Renascença e da Faculdade Centro Paulistano (todas da UNIESP S/A), como diretora de Cultura e Projetos Sociais e como diretora de Pesquisa e Extensão de todo o GRUPO UNIESP e como diretora de Extensão e Assuntos Comunitários da UNIVERSIDADE BRASIL. Já participei de vários programas de televisão falando sobre casos de Língua Portuguesa.
Sou mestre em Língua Portuguesa, bacharel e licenciada em Letras e especialista em Didática da Literatura, sempre pela PUC/SP.
Participei da CBO 2000 e da CBO 2010 (Classificação Brasileira de Ocupações), promovida pela UNICAMP e pelo Ministério do Trabalho e Emprego, atuando como ESPECIALISTA do perfil profissional da família ocupacional Professores de Língua Portuguesa e Literatura do Ensino Superior. Participei como júri do Prêmio Jabuti de 2009 e 2011 na categoria Contos e Crônicas, em 2010, na categoria Livros Didáticos e Paradidáticos, e, em 2014 e em 2015, na categoria EDUCAÇÃO. Também atuei como AVALIADORA CREDENCIADA DA UNESCO em 2015 e 2016.
Além de EDUCADORA, sou escritora, tendo publicado 4 livros, 6 obras como colaboradora e mais de 50 artigos. Tenho poesias publicadas na VIª Antologia de Poetas Lusófonos, pela Editora Folheto Edições de Portugal, na Iª e na IIª Colectânea de Poesia Lusófona em Paris pela Editora Portugal Magazine Paris. Tenho vários trabalhos publicados em anais de congressos e de apresentações de trabalhos, inclusive em Portugal e na França.
A Educação e a Literatura são as minhas paixões.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre seus livros

Meu primeiro livro, Cartas de amor eternas e ternas, foi resultado de uma pesquisa que realizei nas Faculdades Integradas Teresa Martin sobre epistolografia amorosa. Analisei a correspondência amorosa de 3 casais famosos: Abelardo e Heloísa, Madre Mariana do Alcoforado e o Conde de Camille, e de George Sand e Chopin. Uma carta de amor perdida no Metrô de São Paulo foi o mote para que eu transformasse a pesquisa em livro, pela Editora Clíper
Também publicado pela Editora Clíper, meu segundo livro foi meu maior sucesso: ele me levou à televisão (Programa Todo Seu, com Ronnie Von, Programa Pra Você, com Ione Borges, e o programa Show Mais, com Dário Arruda): Cem casos de Português sem erros, em que trato dos cem erros mais cometidos pelos usuários da Língua Portuguesa com exemplos muito bem-humorados.
Meu terceiro livro foi a realização de um desejo pessoal que me acompanhou ao longo de minha vida, que era contar a história de minha família polonesa, fugida da Polônia às vésperas da Segunda Guerra, pois, ao contrário das histórias conhecidas desse período, a história de minha família teve final feliz. É o livro Colcha de Retalhos: uma família polonesa no Brasil, uma obra epistolar publicada pela Miró Editorial.
Meu livro mais recente, O uso da vírgula não é um bicho-de-sete-cabeças, nasceu da vontade de simplificar o estudo sobre o uso da vírgula facilitando, assim, esse uso em especial na comunicação escrita em Língua Portuguesa. Os tópicos gramaticais têm uma regra geral e várias exceções ou usos opcionais. Para facilitar, no livro, são estudados os casos em que o uso da vírgula é obrigatório e os casos em que o uso desse sinal de pontuação é incorreto: o sempre e o nunca. É um livro compacto, com tamanho que facilita seu transporte na bolsa para estar por perto sempre que necessário, com muitos exemplos e exercícios. Ele foi lançado há cerca de três meses pela Editora Ciência Moderna e faz parte de coleção coordenada pelo querido, famoso e importante Professor Dr. Sérgio Simka. Os interessados em comprá-lo devem enviar um e-mail para livrosrosa@gmail.com

Como analisa a questão da leitura no país?

Depois de bem mais de 40 anos atuando como Educadora, confesso que nunca estive tão preocupada. A revolução tecnológica foi arrasadora nas últimas décadas e acredito que a humanidade ainda não soube dosar os inúmeros benefícios que essa tecnologia toda trouxe para a sua vida: acesso pleno e imediato à informação, distâncias encurtadas, rapidez e eficiência na realização de praticamente todos os trabalhos, enfim, uma maravilha a serviço do ser humano.
 Internet, Skype, WhatsApp, e-mail são palavras que fazem parte do vocabulário e da rotina de quase todos os terrestres, até dos mais velhos, que também já estão se adaptando aos novos tempos, o que não é preocupante, pois eles já passaram por todas as experiências e conhecimentos e essas novidades todas até os tornam mais jovens e “descolados”.
Minha preocupação é com aquela parcela de crianças e de jovens que preferem o videogame a um bom livro e o “youtuber” aos colegas, pais ou professores. WhatsApp, conversa fria pelo celular, ao invés da conversa ao vivo e em cores, a interação pessoal e tão necessária entre as pessoas. Sempre acreditei como professora de Língua Portuguesa na máxima “Ler para escrever, ouvir para falar”. Leitura frequente amplia o vocabulário, desperta a criatividade, melhora e muito e cada vez mais o desempenho em língua escrita. Leitura de todos os tipos, em todas as linguagens e de gêneros diversos. Overdose de leitura. Conversa, diálogo, debate, troca de visões de mundo. Encontros. Saber ouvir para saber falar, argumentar. Conhecer a norma culta. Boa parte de nossas crianças e nossos jovens não tem tido essas experiências e conhecimentos que tivemos e isso é injusto para com eles. A visão de mãos tão jovens dedilhando agilmente um celular e enviando mensagens com tantas abreviações, gírias, erros, “caretinhas”, símbolos e signos completamente desconhecidos e estranhos que tornam a mensagem totalmente incompreensível, sem um mínimo de entendimento, deixam-nos surpresos a respeito de como conseguem estabelecer comunicação e deixam-nos aterrorizados. Essas crianças e esses jovens não se conversam, não brincam, não criam, não leem, não escrevem mais. Isoladas e ignorando a existência de outras pessoas, passam às vezes o dia todo no celular, no computador e/ou no videogame, sem a realização de uma atividade de estudo ou de leitura sequer, sem a supervisão (o cuidado) dos pais, que, infelizmente, são os primeiros a darem esses aparelhos aos filhos justamente para “não terem trabalho e ficarem sossegados”.      
Como pais e educadores – responsáveis pela formação e educação de crianças e jovens de todas as classes sociais e econômicas – temos que incentivar a leitura, a pesquisa e outras atividades que desenvolvam sua inteligência e seu desempenho comunicativo. É preciso utilizar essa maravilhosa tecnologia a nosso favor e a favor daqueles que são o nosso futuro.
Em minha análise e opinião, repito, admiro e muito toda essa tecnologia que é a maior prova da evolução intelectual atingida pela humanidade, mas critico o mau uso ou o desperdício dela no que se refere à educação de crianças e jovens no Brasil e no mundo. 

O que tem lido ultimamente?

Ultimamente, tenho lido obras relacionadas a minha pesquisa de doutorado, em especial obras sobre os gêneros textuais. Como sempre, o gênero “carta” é o que mais interessa justamente por causa do que escrevi no item anterior.
    
Quais são os seus próximos projetos?

Recentemente, decidi dispor de um pouco mais de tempo para desenvolver minha face de escritora e, simultaneamente à pesquisa de doutorado, estou ampliando e mudando minha pesquisa sobre epistolografia amorosa. A análise de uma nova correspondência amorosa modificou os resultados da pesquisa que deu origem ao meu primeiro livro, Cartas de amor eternas e ternas, e estou trabalhando em sua nova edição revista e ampliada.

     
*Sérgio Simka é professor universitário desde 1999. Autor de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a coleção Mistério, publicada pela Editora Uirapuru. Membro do Conselho Editorial da Editora Pumpkin.

Cida Simka é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak, 2014) e autora dos livros O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak, 2016), O enigma da velha casa (Uirapuru, 2016) e “Nóis sabe português” (Wak, 2017).
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quarta-feira, 7 de março de 2018

“Nóis sabe português”, por Cida Simka e Sérgio Simka

A obra apresenta situações da Língua Portuguesa no dia a dia de forma superengraçada.

“Nóis sabe português”, apesar do tom explicitamente divertido, possui um quê de seriedade. Se o título vem propositadamente em desacordo com o que chamam de norma culta, português culto, variedade padrão, é para chamar a atenção para este fato: as pessoas não sabem usar o idioma em sua modalidade padrão, ou seja, aquela que é solicitada nos vestibulares, nas entrevistas de emprego, nas provas de concurso.

Em situações ditas formais, o uso da expressão “nóis sabe português” poderá comprometer o candidato, por exemplo, à tão almejada vaga de emprego. Por isso, o livro vai na contramão dos que apregoam que a pessoa pode usar o idioma da forma que quiser, pois ela deve, primeiramente, apropriar-se da variedade padrão, em suas especificidades oral e escrita, e cuja apropriação a leve a conhecer as implicações político-ideológicas intrínsecas ao uso dessa variedade, para poder, consequentemente, saber romper quando necessário fazê-lo. Aí, sim, poderá dizer, em alto e bom som, “nóis sabe português”.

O livro se divide em duas partes. A primeira traz 15 histórias superengraçadas, com ilustrações hilariantes, que dizem respeito a situações usuais de comunicação em que o nosso idioma, tanto em sua modalidade oral quanto escrita, é usado de forma a deixar de cabelo em pé o mais careca dos professores.

A segunda parte apresenta outros 15 textos bem-humorados com dicas superlegais a respeito do Português, que se prestam também a uma espécie de capacitação linguística por parte de quem deseja se aprimorar constantemente.

Sobre os autores:
CIDA SIMKA é licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Coautora do livro Ética como substantivo concreto (Wak Editora, 2014) e autora do livro O acordo ortográfico da língua portuguesa na prática (Wak Editora, 2016).

SÉRGIO SIMKA é mestre e doutor em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Professor universitário desde 1999. Autor de mais de cinco dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil.

Sobre o ilustrador:
OTÁVIO ZAIA ama ilustrar e o faz desde muito novo. A paixão por desenhos começou aos dois anos de idade com sua mãe pegando em sua mão e desenhando simples figuras para distraí-lo. O interesse foi tanto que tudo o que sabe fazer hoje quando o assunto é ilustrar aprendeu sozinho.

Ficha técnica:
Editora: Wak
Tema: Língua Portuguesa
Número de páginas: 84
Para saber mais ou adquirir o livro: Clique aqui.
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