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quarta-feira, 24 de junho de 2020

Psicanalista Mauro Mendes Dias lança O Discurso da Estupidez pela Iluminuras


No dia 26 de junho, sexta-feira, o psicanalista Mauro Mendes Dias lança seu quinto livro, O Discurso da Estupidez, pela editora Iluminuras. O evento acontece online, às 21 horas, pela plataforma Zoom.

O livro surgiu como efeito do trabalho de pesquisa que o autor vem realizando, há alguns anos, sobre a voz na psicanálise, levado adiante no Instituto  Vox de Pesquisa  em Psicanalise, do qual é diretor. A pesquisa o levou a autores que falam sobre a estupidez, na qual ele reconheceu uma nova modalidade de fascismo que se vale de meios antipolíticos para atingir propósitos, tendo o ódio como principal agente de destruição. “O discurso da estupidez vai contra qualquer avanço político, tocando a parte mais animal do homem. Encontra-se diretamente ligado à possibilidade de viver o ódio, seja a pessoa de direita ou de esquerda, para mudar a realidade a partir da destruição do que é instituído. O sentimento de ódio é a paixão mais primitiva que nos constitui como humanos”, acompanhando Freud, afirma o autor.

O livro chega ao mercado em um momento propício. Sua abordagem está em consonância com o atual momento em que vivemos, quando os discursos se mostram inflamados e o ódio se manifesta de todas as formas. O mundo vive em quarentena sob a ameaça do coronavírus, o nosso país vive uma crise de ideias com posições antagônicas e, segundo o autor, “a privação é o maior provedor do ódio”.

Esta publicação, como extensão do  trabalho sobre a voz, desenvolvido pelo psicanalista, avança sobre o que Mauro Mendes Dias nomeou como ‘vociferação’, em um sentido diferente do vocábulo em nossa língua, que designa gritaria, falar colericamente, aos brados. “Forjei esse conceito com o objetivo de mostrar como cada um de nós pode se tornar cativo de discursos, os quais introduzem como efeito a retirada de cena da voz própria”. O que ele nomeia como voz própria é o  efeito de uma dupla operação: “introduzir uma significação diferenciada ao discurso que se recebe, tanto quanto a realização de  ações que se comprometam com a verdade, em minha leitura com a presença da psicanálise”.

O psicanalista argumenta que a verdade não é algo por inteiro, tampouco é  semelhante à crença. “A verdade é  sempre particular e, ao mesmo tempo, se mostra no laço  social, independentemente da classe”. O Discurso da Estupidez, diante disso, fala das vociferações como uma condição  que retira a voz própria, que mostra como um sujeito pode consentir a esse apelo. Daí, a  ligação que o livro aponta entre vociferação e “O Canto das Sereias”, quando, em Odisseia, de Homero, Ulisses tapa com cera os ouvidos de seus companheiros, mas não os seus próprios.

O livro traz como novo, em relação ao que o psicanalista já havia elaborado sobre a voz, o fato de que as vociferações são efeitos do discurso da estupidez. Na publicação, o autor retoma a tradição de dois pensadores, o italiano Carlo M. Cipolla (1922-2000) e o austríaco Robert Musil (1880-1942), que escreveram sobre a estupidez, nomeando esse efeito de ‘discurso da estupidez’, onde as vociferações permitem que cada um viva o ódio em plena potência, de forma supostamente legítima. “Esses discursos revelam a vontade de conquistas sem mediação, sustentando as ações a partir de palavras de ordem e imperativos”, diz.

Mauro escreveu sobre o funcionamento da estupidez, valendo-se da contribuição do psicanalista francês Jacques Lacan (1901-1981), na sua teoria dos discursos,  os quais procura explicar. Também considera como decisivo ter retomado a contribuição do cineasta e escritor italiano Pier Paolo Pasolini (1922-1975) e do romancista britânico Ian McEwan (1948), que trazem questões decisivas, cada um a seu modo, em suas obras.

O autor ressalta que “a escrita do discurso da estupidez funciona para qualquer um – de direita, de esquerda, pobre, rico, ignorante,  inteligente -, para cada um que retira, a seu modo, as satisfações que busca, sempre zurrando”. Ele argumenta que esse discurso tem como objetivo o  fim do diálogo: “só  importam posicionamentos que defendam alguma causa, de preferencia inflamada, ou se deixando levar pela submissão ao consumo e as leis do mercado”, deixando os sujeitos suscetíveis ao comando da moda. Nesse ponto, o livro aborda a submissão ao consumo, dando uma tonalidade mais subjetiva à análise marxista (de Karl Marx), na qual “o ciclo de produção torna o proletário cativo indefinidamente, diante do apelo consumista retroalimentando a sua própria servidão”.

Segundo o psicanalista, a ligação do livro com o século XXI torna sensível a predominância do mundo virtual com a ilusão patrocinada pelas indústrias de conexão tanto quanto do anonimato. “Antecedida pela ideia de mercado e consumo, a Internet não é sinônimo de relação, mas de conexão, onde o que importa, fundamentalmente, é o recobrimento de identidades, condição ideal para promoção da degradação e proliferação o ódio, a exemplo da disseminação das fake news”, comenta.

Ao final, O Discurso da Estupidez traz uma proposta de tratamentos  possíveis, que não  têm caráter programático,  tampouco de solução definitiva. “São elaborações que teci a partir da minha experiência  clínica, pessoal e com meus analisantes. Trata-se de elaborações  que se mantêm em curso, indicadas no livro”, finaliza Mauro Mendes Dias.


O autor

Mauro Mendes Dias é psicanalista, diretor do Instituto Vox de pesquisa em Psicanálise, SP, onde coordena a Oficina da Voz, atividade aberta ao público e gratuita, e um grupo de pesquisa sobre mulheres, para membros e convidados. Realiza apresentação de pacientes no Hospital São João de Deus, tendo publicado alguns textos sobre essa experiência, em coletâneas e na Biblioteca do Instituto Vox. Divide com o psicanalista Luiz Eduardo de Vasconcelos, membro do Vox, a coordenação de uma atividade sobre Psicanálise e política, voltada neste ano para o tema: O que querem as identidades? Publicou por essa mesma editora, Por Causa do Pior, em parceria com Dominique Fingermann, e Os Ódios, Clínica e Política do Psicanalista. Tem publicado livros, entre eles A Voz na Experiência Psicanalítica (editora Zagodoni), e artigos em Psicanálise, assim como realizado seminários em diferentes instituições.

Serviço 

Lançamento/livro: O Discurso da Estupidez
Autor: Mauro Mendes Dias
Editora: Iluminuras
Data: 26 de junho de 2020, sexta, às 21h
Número de páginas: 95. Dimensões: 14 x 0,8 x 21 cm. 

Como participar: Plataforma Zoom
ID da reunião: 830 9017 5343 - Senha: 088689
Coordenação/lançamento: Corpo Freudiano Belém 

Vendas
Livro impresso, a partir de 29/6/2020, www.editorailuminuras.com.br/discurso-da-estupidez-o
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terça-feira, 12 de junho de 2018

Psicanalista Marcelo Veras lança livro ‘Selfie, Logo Existo’ pelo selo Corrupio

Marcelo Veras - Foto divulgação
O autor aborda o selfie como elemento principal das novas relações entre tecnologia e corpo 

O selfie não é um retrato ou autorretrato convencional. Impulsionado pela indústria de smartphones, ele permite ter o objeto ‘olhar’ no bolso e retirá-lo muitas vezes, como uma adição para reiterar sua presença na cena. Partindo dessa ideia, o psicanalista Marcelo Veras fez uma análise do comportamento humano fundado nas redes sociais, principalmente no Facebook, trabalho que resultou no livro “Selfie, Logo Existo - Posts psicanalíticos baseados em fatos reais”, da Editora Corrupio. O título será lançado no dia 22 de junho (sexta-feira), às 19h, na livraria Blooks, localizada no Shopping Frei Caneca, e vai contar com sessão de autógrafos e bate-papo com o autor e a psicanalista e ensaísta Bianca Dias, autora do livro "Névoa e assobio".

Em formato de pequenos textos e leitura fácil, Marcelo Veras lança um olhar mais demorado para as relações humanas na contemporaneidade, com a influência das redes sociais e as características das novas gerações que nasceram imersas no mundo das ferramentas digitais. Assim, ele apresenta as principais transformações sociais dos últimos anos e aponta o selfie como elemento de destaque dessa nova relação entre tecnologia e corpo.  “No mundo atual, sempre que precisar de alguém para olhar para você, você o encontrará no final de seus braços”.

Em busca de uma linguagem mais dinâmica, a estética da obra remete ao contemporâneo, ao urbano, ao dia a dia nas grandes cidades. Recheado de fotografias em preto e branco, capturadas pelo próprio autor, desses personagens que fazem parte do cenário cosmopolita, o livro é uma provocação, tanto no seu conteúdo escrito quanto no visual, como objeto de comunicação.

Sobre o autor
Carioca radicado na Bahia, Marcelo Veras é psicanalista, psiquiatra e fotógrafo. É membro da Associação Mundial de Psicanálise e da Escola Brasileira de Psicanálise, da qual foi diretor no biênio 2013/15. Foi diretor do Hospital Psiquiátrico Juliano Moreira, em Salvador, e criador do Projeto Social Criamundo. Atualmente, coordena o PsiU, programa de saúde mental e bem estar da Universidade Federal da Bahia. O psicanalista também é autor do livro “A Loucura Entre Nós”, que inspirou o filme homônimo, levado às telas pela cineasta Fernanda Vareille.

Sobre a Editora Corrupio
Criada em 1979, em Salvador, com a proposta de publicar livros sobre culturas negras, diáspora africana e fotografia, algo incomum no mercado editorial brasileiro, hoje em expansão, a Corrupio é a mais antiga casa editorial da Bahia. O ponto de partida da editora foi Retratos da Bahia, um clássico do fotógrafo francês Pierre Verger, interessada em divulgar a vasta obra do etnólogo, dedicada às relações entre a África e a Bahia.

Assinado por Marcelo Veras, o novo título da Editora Corrupio tem 287 páginas em P&B e encadernação brochura, contendo 57 fotos do próprio autor. Até o lançamento, o livro será vendido por um preço especial no site, pelo valor de R$ 50.

SERVIÇO  
Evento: Lançamento do livro Selfie, logo existo, de Marcelo Veras
Selo Corrupio
Local: Livraria Blooks – Shopping Frei Caneca, 3º andar – Rua Frei Caneca, 569 – 406, Consolação, São Paulo.
Data: 22 de junho (sexta-feira)
Horário: a partir das 19h
Preço do livro especial de lançamento: R$ 50,00
Preço nas livrarias: R$ 55,00
Link para venda: clique aqui.
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