segunda-feira, 7 de junho de 2021

Seção "Leitores Indicam", da Revista Conexão Literatura


PARTICIPE DO PROJETO DE INCENTIVO À LEITURA DA REVISTA CONEXÃO LITERATURA E INDIQUE UM LIVRO:

Tire uma foto com o livro que você está lendo ou que deseja indicar a leitura. Autores também poderão tirar fotos com seus próprios livros. *REGRAS PARA PARTICIPAR:* - Envie uma foto sua com o livro (bem nítida). - No e-mail que mandar a foto anexada, mande no corpo do e-mail o título do livro e autor, mande seu nome e estado onde reside. Diga também que autoriza a publicação da sua foto. - Mande tudo para o e-mail: ademirpascale@gmail.com - aos cuidados de Ademir Pascale
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Autoritarismo ocultista e Segunda Guerra Mundial em livro que mescla ficção e realidade na estreia de Milton Tiutiunic como escritor


Anjo mau é o livro de estreia de Milton Tiutiunic e conta a história do surgimento de um líder ocultista vindo da Segunda Guerra Mundial que tenta a todo custo impor seus ideais a um povo sedento por mudanças e, mesmo derrotado, ainda encontra uma maneira de disseminar seus conceitos a um mundo que passa por reconstrução.

Da antiguidade surge um personagem jovem, ainda aprendiz, que desafia os limites de sua própria idade a ganhar conhecimento precocemente, abrindo mão daquilo o que é essencial à idade, como as amizades. Todo esse aprendizado, ao longo da vida, será transformado em um papiro, mas este é tomado pelo autoritário inimigo do seu povo, que promete distorcê-lo e utilizá-lo a envenenar a humanidade.

Ficção com pitadas de realidade, Anjo mau tem entre seus componentes mistério, aventuras e surpresas e interessa ao leitor envolvido com história, mas não exclusivamente a ele. “Quis trazer emoção para a temática que estudo faz tantos anos, dando vida a personagens de histórias de contexto real”, explica Milton.

Sobre o autor: Milton Tiutiunic, natural do interior de São Paulo, médico de formação, mergulha na composição desta obra valorizando o surreal.

SERVIÇO

Editora Autografia

48 pág.

14 × 21 cm

R$ 31,90

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Ossos açucarados, novo livro de poesias de Rafael Farina, resgata a importância da geografia na constituição dos sentimentos


Ossos açucarados, segunda obra de Rafael Farina, autor radicado em Porto Alegre/RS, marca sua imersão em uma jornada mais profunda e arriscada em sua produção literária. O livro, disponível para venda on-line (e-book) e na versão impressa, é um salto na dualidade dos sentimentos e sua relação com os ambientes que cercam passagens da existência de qualquer ser humano apaixonado pela vida e suas nuances. A publicação ocorre em parceria com a revista independente Rusga (@revistarusga, no Instagram), criada em 2020 e editada por Davi Koteck e Pedro Dziedzinski. 

Ossos açucarados é cercado de alusões à vida do autor. A inspiração geográfica, que se mistura às experiências de afeto e paixão, é levada às páginas do livro a partir de uma construção que remete ao passado de Rafael e suas vivências em ambientes opostos: das praias de Florianópolis, onde nasceu e passou parte da juventude, à região montanhosa de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, onde residiu. Estes polos constituem o plano de fundo a uma série de sentimentos que resistem ao tempo e criam uma conexão peculiar com o leitor. “Gosto de explorar as nuances de cada lugar e tentar colocar o leitor em uma posição desconfortável, tentando imaginar, por exemplo, como é a vida de quem mora na praia durante os meses de inverno”, explica o escritor. A geografia também é destacada em um trecho da apresentação do livro, feita pelo escritor Vitor Necchi: “O poeta, aqui, transita em todos esses mundos, deixando uma sensação de que não pertence a nenhum, ainda que, como bom farsante, sugira intimidade. No entanto, a intimidade que se desvela com maior constância é com a geografia dos vários corpos que, ao final, constituem um só”. 

O livro ganha ainda um traçado especial nesses tempos de isolamento social por remeter o leitor a uma proximidade absoluta do contato com as histórias e passagens do livro. A angústia, seja ela via perspectiva de realização ou frustração, se faz presente nos versos, deixando transparecer a paixão com que o autor encara cada detalhe dos fatos subjetivamente relatados. “O livro fala sobre amor e relacionamentos, porém sempre na corda bamba entre os prazeres e as dificuldades. Não é um livro melancólico, mas honesto”, reflete. 

O livro sucede Falhas que só existem no Sul, de 2018, e demonstra o processo de maturação de Rafael no equilíbrio de suas influências e em suas tentativas conscientes de correr riscos a partir de sua arte. Com esta nova obra, ele demonstra a potência de seus atributos criativos para se aproximar ainda mais de seu público. 

“Desencaixo uma tristeza silenciosa

seu eco não é capaz de atravessar os limites

entre os cantos da tua boca

quando golpeiam meu rosto com outra despedida.”

Rafael Farina em Ossos açucarados 


Serviço: 

Ossos açucarados

Autor: Rafael Farina

Editora: Rusga, 2021

Páginas:9 5

Preço: R$40 – versão impressa, com frete incluso / R$15 e-book

ISBN:978-65-001-9796-9

Pedidos de exemplares podem ser feitos diretamente com o autor no perfil https://www.instagram.com/rafael.com.f/

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DAQUI ATÉ O MAR AMARELO E OUTROS CONTOS, de Nic Pizzolatto


Criador e roteirista da série True Detective, Nic Pizzolatto lança coletânea de contos que exploram as ambiguidades humanas

Construindo cenários tristes e até mesmo sombrios, mas também poéticos, Nic Pizzolatto mostra em seu novo livro a dificuldade que as pessoas têm de se conectarem, ao mesmo tempo que expõe como o coração humano pode seguir caminhos controversos. Premiado autor de Galveston, o norte-americano une seu conhecido  talento e sensibilidade para contar histórias a uma extraordinária perspectiva contemporânea na obra Daqui até o Mar Amarelo e outros contos, com  onze narrativas que tratam de temas comuns a todos nós, como memória, desejo, saudade e perda. 

Finalista do National Magazine Award, o livro reúne contos que visitam lugares e realidades muito distintas, mas que podem ser também bastante familiares. Nesta  obra sensível, Pizzolatto guia o leitor por uma diversidade de experiências universais e essencialmente humanas, mergulhando na realidade crua dos relacionamentos pessoais e nos desafios mais íntimos com os quais todos podemos nos deparar em qualquer fase da vida. 

Um guarda-florestal salta de um arco de 200 metros de altura. Um artista tenta construir sua obra-prima em um castelo. Uma professora procura o filho desaparecido seguindo rastros de um estêncil manchado de tinta. Um jovem e seu ex-técnico de futebol americano viajam para sequestrar uma garota. Os personagens de Daqui até o Mar Amarelo e outros contos são pessoas comuns, mas suas jornadas nada usuais revelam as  incertezas da existência humana.

Ao unir sentimentos contrastantes como crueldade, amor, solidão e amizade, Nic Pizzolatto, famoso por ter criado a série True Detective, da HBO, desvela a tênue linha que separa o bem e o mal, o certo e o errado. Nesta coletânea de contos, o autor mostra a batalha de seus personagens para tentar transpor os abismos entre eles e os outros, entre o passado e o presente e, às vezes, os abismos ainda maiores que os separam de si mesmos.

“Nic Pizzolatto traz uma verdade lírica em sua narrativa ao abordar temas como perda, solidão e alienação.”

— Publishers Weekly 

“Pizzolatto tem fascínio por cenários tristes, até mesmo sombrios, que mostram a dificuldade das pessoas de se conectarem. Suas histórias lindamente escritas vão atrair os fãs desse estilo.”

— Booklist

NIC PIZZOLATTO é criador, roteirista, produtor executivo e showrunner da série da HBO True Detective. Como escritor, teve trabalhos publicados nas revistas The Atlantic, The Oxford American, The Missouri Review, entre outras. Seu primeiro romance, Galveston, foi finalista do Edgar Award e venceu o Prix du Premier Roman Étranger da Academia Francesa e o Spur Award. Com a coletânea Daqui até o Mar Amarelo e outros contos, foi um dos finalistas do National Magazine Award. Pizzolatto nasceu em Nova Orleans e mora na Califórnia com a esposa e a filha.

 DAQUI ATÉ O MAR AMARELO E OUTROS CONTOS, de Nic Pizzolatto

Tradução: Alexandre Raposo

Páginas: 304

Editora: Intrínseca

Livro impresso: R$ 54,90

E-BOOK: R$ 36,90

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O que você diria para o seu eu do passado?


Existem muitas histórias sobre personagens que viajam para o futuro, mas também existem outras sobre viagens ao passado. Eu mesmo criei o tema do livro TIME OUT - OS VIAJANTES DO TEMPO (Editora Estronho) e escrevi o conto A VELHA CANÇÃO DO MARINHEIRO DO FUTURO, uma história sobre um marinheiro que estava no destróier Eldridge, no ano de 1943, num experimento com geradores de invisibilidade, que acabou levando a sua tripulação para outra dimensão, fazendo os mesmos viajarem para o passado ou para o futuro. Há dezenas de anos físicos e cientistas trabalham em projetos sobre viagens no tempo e a pergunta é: se você conseguisse voltar ao passado, o que diria para si mesmo? É verdade que um simples alerta desses, poderia evitar muitas coisas em nossas vidas, como evitar um casamento que não daria certo, evitar um assalto, um acidente ou até mesmo ganhar na loteria. Mas tudo tem uma consequência: evitando algo, você poderia gerar coisas piores ainda, ou não. E foi pensando nisso, que fiz uma postagem com a figura acima e a seguinte pergunta: O que você diria para o seu Eu do passado? Dezenas de pessoas deixaram seus comentários. Alguns comoventes, outros de arrependimento, mas foi uma experiência bem interessante, pois através de uma simples figura e pergunta, pudemos refletir sobre o quê poderíamos ter feito diferente para que as coisas pudessem, quem sabe, dar certo em nossas vidas. 

Veja a postagem original no Facebook: Clique aqui.

E você, o que diria para o seu Eu do passado?

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sexta-feira, 4 de junho de 2021

Resenha da série Altered Carbon (NetFlix), baseada no livro de mesmo título, por Ademir Pascale


SOBRE O LIVRO: Carbono alterado é o eletrizante thriller de ficção científica que inspirou a série da Netflix. No século XXV, a humanidade se expandiu por toda a galáxia, monitorada pelos olhos vigilantes da Organização das Nações Unidas. Apesar de divisões por etnia, religião e classe ainda existirem, os avanços tecnológicos serviram para redefinir o próprio conceito de vida. Trata-se de uma época em que a consciência de uma pessoa pode ser armazenada em um cartucho na base do cérebro e baixada para um novo corpo quando o atual parar de funcionar. A morte, agora, nada mais é que um contratempo inconveniente, uma falha no programa. Takeshi Kovacs, um ex-Emissário da ONU que nunca havia posto os pés na Terra, já morreu antes. Sua última morte, porém, causada após um serviço malsucedido, se revelou particularmente dolorosa. Agora em Bay City, a antiga São Francisco, Kovacs é trazido de volta à vida para solucionar o assassinato de um magnata - função imposta pela própria vítima. Mal sabe ele, porém, que esse jogo de gato e rato vai lançá-lo no centro de uma conspiração perversa até para os padrões de uma sociedade que trata a existência humana como um produto a ser comercializado.Para Kovacs, o projétil que o atingiu em cheio no peito foi só o começo. Carbono alterado é o primeiro volume da série.

SOBRE A SÉRIE: Após 250 anos no gelo, Takeshi Kovacs retorna em um novo corpo com uma missão: solucionar um complexo mistério e conquistar sua liberdade.

Estrelando: Anthony Mackie, Lela Loren, Simone Missick

Criação: Laeta Kalogridis


RESENHA CRÍTICA DA SÉRIE: A ideia da série Altered Carbon, baseada no livro de mesmo título, é impecável. Através dos avanços tecnológicos (e de tecnologia alienígena) as pessoas tornaram-se imortais. O corpo falece, mas a memória perpetua através de um dispositivo semelhante a um HD, que, implantado em outra capa (é assim que eles chamam os novos corpos na série), a pessoa revive. A tecnologia elevou-se tanto que as pessoas podem se considerar deuses imortais (ou não), pois se o dispositivo for destruído, será semelhante a morte. As cenas de lutas são ótimas e o cenário futurista é impecável. A ideia toda foi muito bem elaborada e gera uma leve semelhança com o antigo filme Matrix. E para quem é fã de Edgar Allan Poe (assim como eu sou) vai adorar ver um sósia dele, que é o anfitrião de um hotel. O Poe da série é diferente dos outros personagens. Ele não é humano, mas uma máquina muito avançada idêntica aos humanos; tem sentimentos, decisões e é filosófico (até mais que alguns humanos da nossa realidade). O cenário do seu hotel tem corvos e em alguns episódios o personagem cita trechos de algumas das obras do Poe. E para quem não sabe, o escritor Edgar Allan Poe não escrevia apenas obras do gênero terror, mas também do gênero policial, detetivesco e ficção científica.

A primeira temporada é excelente. E foram produzidas apenas 2 temporadas. Tem faixa etária para maiores de 18 anos, pois algumas cenas são pesadas, tem cenas de nudez, etc. 

Já a segunda temporada o plano muda, muitos personagens da primeira temporada foram excluídos, as cenas de luta foram reduzidas em alguns episódios e o diálogo exaustivo faz parte de muitas cenas, o que fez a série decair e a Netflix infelizmente não renovou a terceira temporada, cancelando a série.

De qualquer forma fica a dica para os fãs de ficção científica, uma boa história e Edgar Allan Poe.

ASSISTA AO TRAILER:

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Trabalho infantil não é brincadeira: livro-reportagem apresenta a história de crianças sob uma nova face do trabalho na infância


Em 12 de junho é celebrado o dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil; ONU declara 2021 o Ano Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil

MENINOS MALABARES

Autores: Bruna Ribeiro e Tiago Queiroz Luciano

Nos faróis, nos cemitérios, nas lanchonetes e nas plantações encontramos crianças e jovens que tentam sobreviver ganhando seu próprio dinheiro, seja para garantir o alimento do dia ou para ajudar a família. Visando humanizar uma das mais graves violações de direitos contra crianças e adolescentes, os jornalistas Bruna Ribeiro e Tiago Queiroz Luciano (fotos) apresentam em Meninos malabares – Retratos do trabalho infantil no Brasil dez histórias reais que retratam a vida daqueles que não tiveram outra opção além do trabalho na infância.

Conheça a história dos meninos malabares que equilibram cones e tochas de fogo em um desenho nas alturas, dos adolescentes que limpam túmulos nos cemitérios de São Paulo em busca de uns trocados, de um menino de oito anos que trabalha em uma plantação de palmitos, e como uma família de bolivianos conseguiu se libertar da escravidão em uma oficina de costura. As fotos que acompanham cada uma das histórias emocionam e escancaram a situação vivida pelas crianças.

A obra traz relatos sobre trabalho infantil na praia, na feira, na lanchonete, no Carnaval, além da mendicância durante a crise causada pela pandemia de Covid-19, seguida de uma verdadeira pandemia da fome. Os autores apresentam também a trajetória de uma família que, com muito esforço, conseguiu romper o ciclo da exploração. Os relatos revelam o trabalho infantil como consequência de um problema estrutural, exigindo políticas públicas intersetoriais que respondam às mazelas de um dos países mais desiguais do mundo. Ao final do livro os autores apresentam números, dados e contextualizações que podem contribuir para uma reflexão mais aprofundada sobre o assunto, com perspectiva histórica, jurídica, cultural e social.

O QUE É TRABALHO INFANTIL?

“Trabalho infantil é toda forma de trabalho realizado por crianças e adolescentes abaixo da idade mínima permitida pela legislação de cada país. No Brasil, é proibido para menores de dezesseis anos, mas se for noturno, perigoso ou insalubre, a proibição se estende aos dezoito anos. Na condição de aprendiz, a lei permite o trabalho protegido a partir de quatorze anos. Entre as causas do trabalho infantil estão a desigualdade social, o racismo estrutural e questões culturais. Como consequência, a violação expõe as crianças a violências físicas, psicológicas e sexuais, além de prejudicar a aprendizagem e causar evasão escolar, perpetuando a reprodução do ciclo da pobreza nas famílias.”

SERVIÇO:

MENINOS MALABARES – RETRATOS DO TRABALHO INFANTIL NO BRASIL

Autores: Bruna Ribeiro e Tiago Queiroz Luciano (fotos) | 112 pp. | 17 X 24 cm | R$ 43,90

Editora: Panda Books | ISBN: 978-65-5697-110-0 | e-ISBN: 978-65-5697-111-7

Assunto: trabalho infantil; reportagem

Sinopse: Este livro-reportagem traz a história real de crianças e adolescentes que não tiveram outra opção além do trabalho na infância. Nos faróis, nos cemitérios, nas lanchonetes e nas plantações, meninos e meninas revelam uma triste realidade que ainda perdura em nossa sociedade. Esta obra é uma denúncia e um apelo para que o direito à infância e à juventude seja garantido e preservado.

OS AUTORES:

BRUNA RIBEIRO é graduada em jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduada em direito internacional na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com extensão na Academia de Direito Internacional de Haia, na Holanda, aprofundando seu trabalho como repórter na área de educação e direitos humanos. Em 2015, depois de passar pelas redações do Jornal da Tarde, de O Estado de S. Paulo e da revista Veja São Paulo, lançou um blog sobre direitos de crianças e adolescentes no Estadão, que continua ativo. No ano seguinte, ingressou no projeto Criança Livre de Trabalho Infantil, da Cidade Escola Aprendiz, no qual atua como gestora. Em 2021 recebeu o prêmio Jornalista Amigo da Criança.

TIAGO QUEIROZ LUCIANO é formado em jornalismo pela PUC-SP e trabalha como repórter fotográfico no jornal O Estado de S. Paulo há quase vinte anos, onde desenvolve as mais diversas pautas para as várias editorias do periódico. Tem especial predileção por reportagens de personagens anônimos da cidade. Pautas que, muitas vezes, estão invisíveis nas chamadas dos principais noticiários. Em grandes coberturas, teve a oportunidade de fotografar tais anônimos, como no terremoto que devastou o Haiti, junto com o repórter João Paulo Charleaux, e em uma viagem pela Amazônia, onde refiz o trecho final de uma expedição centenária de Euclides da Cunha pelos limites entre Brasil e Peru, acompanhado pelo saudoso editor Daniel Piza. A viagem resultou no livro Amazônia de Euclides, publicado em 2010. Em 2020, ganhou o 37º Prêmio Direitos.

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Livro da Cepe analisa discursos de ódio na internet


Em Nós versus eles, editado pela Cepe, a doutora em Linguística Mércia Regina Santana Flannery pensa nas consequências da linguagem de preconceito disseminadas nas redes sociais

 Nos debates e conversas virtuais da atualidade, o diálogo diminui à medida que os discursos de ódio e preconceito aumentam exponencialmente. A julgar por comentários na imprensa e redes sociais, o brasileiro passou do estereótipo de cordial para o de intolerante e autoritário. A narrativa que impera em fóruns de discussões online é de racismo, xenofobia, polarizações políticas, intolerância religiosa, homofobia e machismo. Uma análise crítica e profunda dessas narrativas está presente no livro editado pela Cepe, Nós versus eles - discurso discriminatório, preconceito e linguagem agressiva na comunicação digital no Brasil, escrito pela professora e doutora em Linguística, com especialização em Sociolinguística e Análise da Narrativa Oral pela Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, Mércia Regina Santana Flannery. A obra será lançada dia 8 de junho, às 19h, em live no canal da Cepe Editora no YouTube, com participação da autora, dos linguistas Antonio José e Kleber Silva, e mediação da repórter especial da Revista Continente (Cepe), Débora Nascimento.

"As análises linguísticas de textos e comentários da internet feitas por Mércia Flannery são um caminho para tentarmos compreender o cenário da intolerância no Brasil atual. O livro ressalta como, mais do que nunca, é essencial desarmar, inclusive no campo da linguagem, os preconceitos, discursos de ódio e violências que invadem o campo dos debates, das conversas e da vida cotidiana, seja no ambiente virtual ou não", declara o editor da Cepe, Diogo Guedes. 

Com 304 páginas divididas em 13 capítulos, o livro traz enxertos de comentários de internautas (sob anonimato) para esmiuçar seus discursos e, dessa forma, mostrar ao leitor como a linguagem agressiva age no ambiente virtual para, quem sabe, fazer com que seja neutralizada. Uma das maiores características apontadas é a tendência à polarização. Segundo Mércia, essa tendência existe tanto no discurso político, quanto público e midiático. "Qualquer tema, pode-se afirmar, tem o potencial de causar pequenas batalhas ideológicas, que fazem as pessoas se esquecerem de que, possivelmente, têm mais em comum do que imaginam. Este traçar de trincheiras e estes posicionamentos polarizados, muito rígidos e antagônicos são apropriadamente capturados na expressão 'nós versus eles', explica Mércia.

A pesquisadora conta que passou um ano escrevendo o livro. Após defender sua tese de doutorado sobre narrativas de discriminação racial no Brasil, Mércia que resolveu revisitar o tema nos últimos anos, focando no contexto da comunicação digital. "Quando comecei a investigar, me deparei com muitos outros tipos de discriminação e de linguagem agressiva, o que me motivou a ampliar o foco da minha pesquisa para incluir outros casos e episódios da manifestação do preconceito", esclarece a autora. 

Em sua análise sociolinguística ela constata que "a sociedade brasileira não é, infelizmente - e ao contrário do que ainda se pode pensar -, um modelo de harmonia e inclusividade. Muito pelo contrário. Eu sei que muitas pessoas que visitam o Brasil e que conhecem brasileiros têm a ideia de se tratar de uma sociedade muito tolerante, sobretudo se comparada a outras, nas quais o preconceito e a discriminação talvez sejam imediatamente mais sentidos", ressalta a pesquisadora, exibindo os inúmeros preconceitos da nossa sociedade e ainda o fato de muitas pessoas não terem o menor pudor em divulgá-los. "Um breve pousar de olhos sobre as páginas de jornais brasileiros revela a permanência e persistência do preconceito, manifestado de variadas formas. Isso precisa ser entendido e discutido, sobretudo numa época em que a comunicação digital tem proporcionado impressões de liberdades falsas, no que se refere à falta de respeito com as liberdades alheias", analisa a escritora, que é recifense. 

E como mudar esse panorama sombrio? "Eu sou professora e acredito muitíssimo no poder da educação. A mensagem mais importante para qualquer geração é que precisamos aprender bem sobre o nosso passado, primeiro, para compreender o nosso presente e descobrir o que queremos mudar, e as formas de fazê-lo. Crescendo no Brasil, eu não me lembro de ter ouvido tantas discussões sobre as relações raciais, ou os direitos de diferentes minorias, o que hoje já é muito mais presente. Quanto mais consciência tivermos do que podemos fazer, e de fato fazemos, por meio da linguagem, melhor", ensina. 

Para a linguista, também está faltando algo essencial: o diálogo. Não só no Brasil, mas também em outras partes do mundo.  "Parece que as pessoas esqueceram que não precisamos ter as mesmas opiniões, e que dialogar sobre as diferenças é algo muito saudável. Dialogar, porém, envolve a noção de troca, o que não ocorre se, a priori, as partes já sabem - ou acreditam- que estão certas", pontua a pesquisadora.

Educação e diálogo poderiam sanar a falta de conhecimento ou mesmo o descrédito nas leis e nas obrigações do estado para com seus cidadãos, como mostram os enxertos presentes na obra. "Eu arrisco afirmar - lembrando que sou sociolinguista, e não socióloga - que a explicação para isso está relacionada à nossa herança colonial, aos abusos de poder e à exploração de minorias. Mas os avanços vistos hoje na sociedade brasileira são também frutos de progressos na educação, na formação de uma geração que não vai se contentar com maus-tratos e injustiças. A história recente do Brasil, por mais que às vezes seja desapontadora e inquietante, também justifica algum otimismo, sobretudo na necessidade de mais inclusão", avalia Mércia.

Se por um lado a internet é veículo de propagação de discursos de ódio e violência, por outro ela representa um espaço importante de muitas outras modalidades de comunicação. "Isso tudo é relativamente novo e um tanto experimental. Como no caso de muitas outras invenções, com o tempo vamos descobrir o que precisa ser ajustado e melhorado. Arrisco afirmar que as manifestações de intolerância que se têm visto nas várias modalidades comunicativas viabilizadas pela internet são reflexos de uma época de transformações, descontentamentos e de acirramento das diferenças", enxerga a pesquisadora. Tudo isso, no entanto, segundo ela, nos "leva a mais reflexões sobre quem queremos ser como cidadãos e como seres sociais. A própria solidariedade que se mostra nos mesmos espaços onde a linguagem violenta aparece e as ações dentro e fora desses espaços virtuais são razão para algum otimismo", conclui a linguista. 

SOBRE A AUTORA

Mércia Regina Santana Flannery é licenciada em Letras, mestre e doutora em Linguística, com especialização em Sociolinguística e Análise da Narrativa Oral. É diretora do Programa de Língua Portuguesa e Cultura Lusófona do Departamento de Estudos Hispânicos e Portugueses da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia, Estados Unidos.

Confira trechos do livro:

"BASTARDOS DA PUC" NARRATIVAS DE DISCRIMINAÇÃO SOCIAL NO FACEBOOK

A página do Facebook "Bastardos da PUC" foi criada por estudantes da PUC-RJ com o objetivo de divulgar episódios de discriminação enfrentados por estudantes da instituição beneficiados pelo programa social de bolsas de estudo do governo. O título da página faz trocadilho com o apelido dos alunos da universidade, conhecidos como "Filhos da PUC". Dessa forma, a referência aos "bastardos" da PUC é uma alusão à situação de discriminação que os estudantes bolsistas relatam enfrentar em diversos episódios no cotidiano acadêmico na instituição (...)

O excerto 1 contém a descrição de um estudante que, usando o discurso reportado, comenta um episódio ilustrativo da discriminação dirigida a indivíduos de comunidades de baixa renda. A discriminação consiste na suposição de ilegalidade na obtenção de serviços tais como eletricidade. 

Ex. 1: Entrei na Puc em 2008.1 mas em 2010 mudei de curso para administração. Em um curso, não lembro qual, um professor estava explicando porquê do salário mínimo ser considerado tão ruim. Ele fez uma simulação de contas que as pessoas normalmente pagam com seus salários por exemplo aluguel e fatura de eletricidade, uma aluna o interrompeu para dizer que "essas pessoas não pagam eletricidade, que é tudo gato nas favelas", ninguém a contestou, nem eu que nunca tive gato em casa.

IMIGRANTES NO BRASIL: XENOFOBIA E RACISMO

(...)Nesse capítulo, apresenta-se uma discussão e análise de exemplos de declarações racistas e xenofóbicas, tais como encontradas em sites de notícias online. Trata-se de contribuições em fóruns de notícias, em reposta a artigos sobre o tema. Especificamente, os primeiros exemplos aqui analisados foram recolhidos no site de notícias G1, relativos ao artigo Em dez anos, número de imigrantes aumenta 160%, diz PF (...)

Ex. 1: FS: Esse país virou a casa da mãe Joana, já n chega os problemas internos, agora vem pessoas de fora pra tumultuar mais ainda, se n me engano haitianos, cubanos, sei lá mais oq, já estavam recebendo o tal bolsa, nós brasileiros trabalhamos p sustentar gente de fora, violência aumentando, caos, esse país é uma piada

DISCRIMINAÇÃO SOCIAL E RACIAL: OS ROLEZINHOS

(...)Tratava-se da presença repentina e em massa de um grande número de adolescentes, que combinavam encontros à moda flash mobs em shopping centers locais, marcando sua presença com um modo de vestir-se característico, e ouvindo música de protesto, tais como o funk e o rap. Esses encontros chamaram de imediato a atenção das autoridades e da mídia, que tentavam compreender os rolezinhos, classificando-os ora como protesto e resistência, ora como encontro inconveniente de jovens pobres e desocupados. (...)

(...) O enxerto 1 apresenta algumas dessas caracterizações sobre os rolezinhos e seus participantes. O autor questiona a legitimidade dos encontros ao referenciar espaços públicos frequentemente usados para celebrações de massa no Brasil e tecendo suposições sobre o que os rolezeiros fazem e não fazem.

Ex. 1: B: Vão dar Rolezinho no Sambodromo, Ibirapuera, Interlagos, ta na cara que eles querem so marcar presença impor medo e fazer baderna ..dar um rolezinho com a mina e pagar um sorvete , um cineminha ou pipoca isso eles não fazem ! A cara e a conduta deste povinho faz medo ate em camelos da 25 de março e ponto final.

Serviço:

Lançamento do livro Nós versus eles - discurso discriminatório, preconceito e linguagem agressiva na comunicação digital no Brasil (Cepe Editora)

Quando: 8 de junho, às 19h

Onde: Live no canal da Cepe Editora no YouTube (youtube.com/cepeoficial) com participação de Mércia Flannery, Antonio José, Kleber Silva e Débora Nascimento.

Preço do livro: R$ 30 (impresso); R$ 12 (e-book)

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Mulher-Maravilha – a verdadeira amazona

 


Mulher-Maravilha – a verdadeira amazona é uma abordagem diferente da origem da heroína.

Criado por Jill Thompson, conhecida no Brasil por seu trabalho em Sandam, a história do álbum se foca na fase anterior ao surgimento da MM como a conhecemos hoje.

Assim, é mostrada a derrota das amazonas para Hércules, a fuga para a ilha de Themyscira e a forma como diana foi concebida da areia e das lágrimas dos deuses.

A história é totalmente focada na infância e adolescência da personagem. Diana é mostrada como uma menina mimada, arrogante, que é idolatrada e cortejada por todos, menos da cavalariça da rainha, Alethea. Um aspecto interessante da trama é que o roteiro insinua, de forma sutil, que Diana se apaixona por Alethea e passa a fazer de tudo para conquistar sua atenção – o que irá provocar um resultado desastroso.

O álbum se destaca principalmente pela arte refinada e sensível de Thompson, a começar pela belíssima capa. Mas tem problemas de roteiro, em especial quanto à caracterização da protagonista. Diana é mostrada como mimada, arrogante, irresponsável e, de repente, torna-se o oposto de tudo que era. Certo, há um trauma no meio do caminho, mas mesmo o trauma não justificaria uma mudança tão drástica de um momento para o outro.

Entretanto, é uma HQ que vale a pena ter na estante.

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quinta-feira, 3 de junho de 2021

ENTREVISTA: Rosana Banharoli e o livro Cesar, o menino superincrível, por Cida Simka e Sérgio Simka

Rosana Banharoli - Foto divulgação

Fale-nos sobre você
.

Costumo me apresentar como Rosana Banharoli, uma obra de ficção baseada em fatos reais. Sim, sou resultado de tudo que vivi, senti e criei. De histórias minhas recriadas, de outros e inventadas. Por vezes, somos salvos pela imaginação que nos acolhe e nos ajuda a sobreviver às crises e desalentos. Alimentando a esperança. Não podemos esquecer que no fundo, na caixa de Pandora, estava a Esperança.

ENTREVISTA:

Fale-nos sobre o livro. O que a motivou a escrevê-lo?

Me atrevi a escrever Cesar, o menino superincrível, após conviver, em período de férias, em 2017, com meus netos, Cesar (7 anos) e Arthur (5anos). Eles moram em Montreal e nossos encontros são intensos. Percebi que meu olhar para com eles era olhar de guardar momentos. Então, nada mais pertinente do que ser por intermédio da escrita.  Mais uma vez: ficção e realidade. Com um rascunho do conteúdo, em mãos, procurei acompanhamento da profissional e escritora premiada Simone Pedersen, para adequar a linguagem à faixa etária de 5 a 9 anos. Ousei enviar o projeto ao edital do Fundo de Cultura de Santo André, de 2019, e ei-lo aqui: contemplado e impresso (editora Jogo de Palavras).  Nele homenageio Cesar. Fiquei muito feliz com o resultado gráfico. Beatriz Vieira, estreante, como eu, em livros para crianças, me pediu fotos dos meninos e o que se vê, são ilustrações fiéis, coloridas, criativas, sem falsa modéstia: maravilhosas. Já sobre o conteúdo, é uma história de entretenimento sobre a descoberta de um menino curioso e cheio de ideias de um mundo mágico: o da criação literária. E que durante o seu desenrolar tenta colocar como normal e necessário ao desenvolvimento humano como o medo, a curiosidade e a imaginação. Onde chorar cabe para meninos e meninas.

Fale-nos sobre seus outros livros.

Sou atrevida na escrita, pois tenho  livros publicados de contos e poesias: Espasmos na Rotina (Patuá - poesia, 2017); 3h30 ou quase isso (Amazon - prosa&conto, 2015) e Ventos de Chuva (Scortecci - poesia, 2011), além de participações em mais de 50 antologias, como convidada e como resultado de participações em concursos, além de publicações em revistas  e sites especializados nacionais e internacionais. 

Para este semestre, serão lançados A Mulheres Poetas, no Brasil. Projeto de pesquisa do poeta Rubens Jardim e editado pela Arribação e a Coletânea de Feminino Infinito, organizada pela escritora e poeta Paula Valéria Andrade, nos quais tive o privilégio de estar.

E, agora,  estreando na literatura para crianças, com Cesar, o menino superincrível. Confesso que já tenho, inédito, escrito em homenagem ao Arthur. 

Como analisa a questão da leitura no país?

Não tenho dados para afirmações. Minha opinião é que embora ache que a leitura seja indispensável, junto a outras representações artísticas e culturais para a plena formação cidadã, faltam políticas públicas que agreguem e estimulem esta prática, por aqui (país). Tanto do lado de quem faz/produz, de quem distribui/divulga e tanto para quem recebe/acesso. Existe uma ideia fixa de que artes e cultura são produtos dispensáveis. Que não têm impacto na economia. Sabemos nós, trabalhadores e ativistas, que é uma falácia. Como estaríamos, nós todos, neste momento de pandemia, sem o acolhimento identitário que as artes e as nossas culturas de raiz, de povo, nos proporcionam? Enfim, o país não é melhor leitor porque não aprendeu a sê-lo. Mas carrego o R da Resistência, em meu nome e o E da Esperança em minha história de vida.

O que tem lido ultimamente?

Leio de tudo o tempo todo. O hábito da leitura e da criação faz parte de meu ser. Assim como a indignação, a alegria, o teto, a comida e a água. Não consigo ser sem. Em minha mesa e no braço do sofá estão: Histórias de Quem (contos), de Cesar Augusto de Carvalho, Mínimos Múltiplos Comuns (minicontos), de João Gilberto Noll, o romance de Elena Ferrante, A Amiga Genial e a Revista Laranja Original.

Antes de concluir, quero pedir a você, que está me lendo agora, que prestigie o artista nacional, contemporâneo, junto aos clássicos de sua preferência. E, como atrevida que sou indico: Paranapiacaba, Afetos e memórias, um vídeo com poemas, depoimentos e músicas autorais meus e de Denise Coelho. Ele está na programação, no site da Feira de Artes e Antiguidades de Paranapiacaba: https://m.youtube.com/watch?v=6MSpZLAMuT0

CIDA SIMKA

É licenciada em Letras pelas Faculdades Integradas de Ribeirão Pires (FIRP). Autora, dentre outros, dos livros O enigma da velha casa (Editora Uirapuru, 2016), Prática de escrita: atividades para pensar e escrever (Wak Editora, 2019), O enigma da biblioteca (Editora Verlidelas, 2020), Horror na biblioteca (Editora Verlidelas, 2021) e O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). Organizadora dos livros Uma noite no castelo (Editora Selo Jovem, 2019), Contos para um mundo melhor (Editora Xeque-Matte, 2019), Aquela casa (Editora Verlidelas, 2020), Um fantasma ronda o campus (Editora Verlidelas, 2020) e O medo que nos envolve (Editora Verlidelas, 2021). Colunista da revista Conexão Literatura.

SÉRGIO SIMKA

É professor universitário desde 1999. Autor de mais de seis dezenas de livros publicados nas áreas de gramática, literatura, produção textual, literatura infantil e infantojuvenil. Idealizou, com Cida Simka, a série Mistério, publicada pela editora Uirapuru. Colunista da revista Conexão Literatura. Seu mais recente trabalho acadêmico se intitula Pedagogia do encantamento: por um ensino eficaz de escrita (Editora Mercado de Letras, 2020) e seu mais novo livro juvenil se denomina O quarto número 2 (Editora Uirapuru, 2021). 

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Jornada do Ex-Obeso: Adriano Valenncia relata desafios da obesidade em seu primeiro livro

 


Dentre as frustrações do autor, está uma bariátrica aberta e o ganho de peso logo após a cirurgia

Apontada como mal do século XXI, a obesidade já é considerada uma epidemia global pela Organização Mundial de Saúde (OMS) que, em estudos próprios, contabiliza 300 milhões de pessoas obesas em todo o mundo. No Brasil, os dados mais atualizados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) são de 2019 e revelam que a obesidade entre pessoas com mais de 20 anos atinge 26,8% da população; o excesso de peso alcança 61,7% da população adulta. Caracterizada pelo acúmulo anormal ou excessivo de gordura no corpo, a doença é crônica. Ou seja, de lento desenvolvimento e longa duração. Fator de risco para uma série de outras doenças (como hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, etc.), a obesidade pode ser desencadeada por questões diversas, como hormonais, inflamatórias, medicamentosos e genéticos, por exemplo.

No caso de Adriano Valenncia, a obesidade se apresentou quando ainda era um bebê. Aos três meses de vida ele já tinha um peso que, atualmente, o colocaria nos índices de obesidade infantil. Além do fator genético, o acréscimo na balança foi potencializado pelo emocional, especialmente após o divórcio dos pais e com o bullying sofrido na escola. “Eu tinha 12 anos quando minha mãe decidiu morar com a minha avó materna, já que ela não tinha condições de arcar sozinha com o aluguel. Com isso veio uma nova escola e mais humilhações por parte dos colegas. Me tornei uma criança revoltada e agressiva, que já não contava com a presença do pai e que, aos poucos, foi deixando a escola de lado. Acabei encontrando na comida, principalmente nos doces, o meu refúgio”, relembra ele, que é especialista em TI há mais de 20 anos.

A dificuldade para perder peso e o direcionamento das frustrações para a comida, tornaram a luta contra a balança uma constante. Foram muitos especialistas, dietas e medicamentos para tentar controlar a obesidade, que tinha como grande vilão o açúcar: “Com a medicação eu conseguia emagrecer, mas quando cessavam os remédios, voltavam os quilos. E o efeito sanfona me afetava física e psicologicamente. Nesse período, os doces eram os únicos a me acalmar e acabar com a ansiedade. Deslocado e dessocializado, tinha o açúcar como minha amiga, só não sabia que era uma falsa amiga que me tirava um pouco da abundância de vida que eu tanto desejava a cada dia”.

Entre altos e baixos, Adriano chegou a pesar 180 quilos. Optou pela bariátrica (realizada aberta e que lhe rendeu uma grande cicatriz) e viu a solução se transformar em nova frustração ao alcançar 155 quilos logo depois. Embora não exista uma comprovação científica, mais do que saciar a fome, a comida tende a servir como carinho. Numa situação de estresse ou ansiedade, o ato de comer desencadeia uma cascata de reações químicas no cérebro do desejo à primeira mordida que suprem aquela demanda ou necessidade em forma de afeto. O termo para este hábito é “fome emocional”, utilizado quando você recorre aos alimentos, em geral mais calóricos e com maior incidência de açúcar, sal e/ou carboidrato, para suplantar frustrações do dia a dia.

Questões psicológicas na compulsão alimentar

No longo prazo, recorrer à comida para lidar com as emoções pode se tornar um ciclo vicioso que leva a vida para um desequilíbrio. Por isso é fundamental saber reconhecer e tratar um hábito que virou rotina. “Um indivíduo saudável é aquele que tem equilibrado o bem-estar físico, mental e social. Segundo a OMS, a obesidade é uma doença que impacta diretamente essas três áreas. Como muitos estudos relatam que a causa não é única e que envolve tanto fatores físicos quanto psicológicos, o tratamento deve ser realizado por multiprofissionais”, comenta a Psicóloga CRP 96629-06, Letícia Diniz.

Os impactos psicológicos da obesidade são inúmeros e variáveis de pessoa para pessoa, com destaque para os de cunho emocional, como a baixa autoestima, insatisfação, vergonha, preconceito, estresse, depressão, ansiedade, entre outros que trazem prejuízos para a saúde psicológica e para a qualidade de vida, especialmente quando relacionados ao corpo que não está adequado aos “padrões”.

“Sofremos muitas influências do ambiente externo, e quando esse ambiente promove e estimula padrões, esbarramos em imposições de limites entre o aceitável e não aceitável. Essa dicotomia gera conflitos que afetam a vida das pessoas nos âmbitos físico, mental e social. Culpa, tristeza, frustração, rejeição e insatisfação são sentimentos que emergem a partir dessa divisão e que geram estigmas em torno de uma doença. Neste sentido, é inevitável que a autopercepção, consciente ou inconsciente, seja afetada a partir de ditames externos. Por isso é muito importante que possamos falar mais desses estigmas sociais relacionados ao corpo e acolher a obesidade como uma doença que requer tratamentos e cuidados que estão além da força de vontade pessoal e/ou a ambição por um corpo adequado”, completa Letícia.

Mudança de Mindset

Mesmo com apoio psicológico, necessário para que o bariátrico seja submetido à cirurgia e mantenha-se saudável após a cirurgia, Adriano voltou a estar obeso depois do procedimento. A autoconsciência, que é a base de todo o processo, só permite transformar e curar o que nós reconhecemos. E isso pode levar um pouco mais de tempo para cada ser. “No meu caso, levou 14 anos depois da cirurgia. Precisei quase voltar ao peso antigo para entender que, para me livrar dele, precisava me livrar também de outras questões que estavam agregadas. Não era mais uma questão apenas de peso”, conta ele.

A mudança, de fato, veio quando Adriano tomou posse da autoconsciência e iniciou um trabalho de dentro para fora. Toda essa trajetória deu origem ao livro Jornada do Ex-Obeso, lançado este mês em formato físico e digital. “Eu consegui reprogramar a minha mente para traçar novas rotas e perspectivas que transformaram meus hábitos e a minha rotina de forma saudável. Hoje eu alcancei o meu peso ideal e consigo mantê-lo sem dificuldades, mas não foi um caminho fácil. Dividir essa vivência foi o que me motivou a escrever o livro, que nasceu de uma necessidade que eu enxerguei de mostrar às pessoas relatos reais sobre a obesidade. Nele eu conto minhas experiências de vida relacionadas à obesidade, meus sentimentos, dores e emoções, e a forma como fui ressignificando tudo o que vivi”, encerra.

O livro impresso está à venda no site www.adrianovalenncia.com.br pelo preço de R$39,99, e pode também ser adquirido na versão online pelo Amazon, por R$24,90.

Sobre Adriano Valenncia

Nascido em 1978, Adriano é casado e atua há mais de 20 anos na área de tecnologia. Nos últimos anos, tem se dedicado ao autoconhecimento, ao desenvolvimento pessoal e à liderança, com o intuito de curar seus traumas emocionais e ressignificar sua mentalidade, acarretando no emagrecimento e recuperação da sua autoestima. Dessa forma, encontrou sua maior missão e paixão: contribuir na vida das pessoas para mudar mentalidades e atitudes, lutando para que todos consigam ter uma vida abundante a partir do corpo, mente e alma saudáveis.

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quarta-feira, 2 de junho de 2021

LEITURA GRATUITA: já está disponível o e-book FICÇÃO CIENTÍFICA - CONTOS E POEMAS. Baixe o seu


FICHA TÉCNICA:

TÍTULO: Ficção Científica - Contos e Poemas
ORGANIZADOR: Ademir Pascale
COAUTORES:
BERT JR. - Alma
Camila de Nazaré Colares da Rocha - Quem é você?
Roan Sousa - "Probabilidade" e "Reconstrução"
Clóvis Rezende - Distopia global
Cleber Gimenes Freitas e Erica Ribeiro de Almeida - 2020: a última viagem
Paulo de Barros Gabriel - Combate do Amanhã
Gabriel Machado Saccilotto Freitas - "Planeta Tempo" e "O Caminhoneiro"
Roberto Schima - Recomeço
Lucas Brasil S. - Aposentadoria por validez
Maria de Fátima Moreira Sampaio - Hangar 21
Henrique Carvalho Iwamoto (Sir_lemonpie) - Evandine
Ney Alencar - Flor de Maio
Felipe Ferreira de Jesus - Nova Terra
Augusto Filipe Gonçalves - Solução veio do Futuro
Gilson Salomão Pessôa - Resgate em Akalantos
TIPO: E-book
Nº DE PÁGINAS: 85
ANO: 2021

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